O trem que nos leva – de edu hoffmann / curitiba


Antes do pio dos pardais o trem apitava

sua locomotiva puxando VAGÕES VAGÕES VAGÕES VAGÕES … …

que não acabavam mais…

 

o trem cruzava a padre Germano Mayer

fazendo a manhã correr seu trilho, afugentando neblinas.

 

Ôrra meu, são seis horas, me enrosco no cobertor e

re-durmo no aguardo do amadurecer do dia.

 

No café, bolo de fubá mimoso, com bastante manteiga Aviação.

O café com leite, pra variar, pelando de quente. Só depois descascava

mimosa, fazendo companhia ao guapeca que festejava devorando o resto da vina de ontem.

 

Como todo piá pançudo, saía com a gurizada ranhenta, atravessando a quadra depois do sinaleiro, catando bolotas pra atirar com a cetra nos focos dos postes.

 

Sempre guardávamos algumas moedinhas pra comprar dolé.

Depois desse intervalo, íamos jogar betes ou soltar raia, já quase meio-dia, quando o sol já se alaranjava.

 

Tudo isso era louco de bom, quando nossas vidas ainda vestiam calça-curta

e qualquer ki-chute calçava nosso caminhos.

 

A benção, nossa senhora dos Pinhais !

 

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