Final de tarde – de tonicato miranda – curitiba

 

para Helena Kolody

 

felizes os que morrem com a tarde

finando seu ciclo de claridade e luz

felizes daqueles diante de um copo

a mirar a própria lágrima derretida

 

felizes os seres estes que mugem

vejo o azul cobalto na flor do maracujá

vejo um prego coberto de ferrugem

e belezas na luz da tarde a soçobrar

 

felizes os que sabem um sopro soprar

beijando no lábio a musa tão querida

ah esta tarde derramando-se na noite

leva-me contigo onde outras tardes há

 

feliz aquele que perdoa sua tristeza

nada mais vejo agora no céu a chorar

a folha da palmeira antes pura beleza

foi a casa sonora de um pio de sabiá

 

não há mais felicidade morando aqui

saudade da janela e de um pé de piqui

arrastando folhas a murmurar: estou aqui

minha cara boba a dizer: eu vi o piqui cantar

 

o cinza já derreteu todas belezas do ar

e a cor é somente luz, já disse Helena

sinto a lavanda dela a pairar no ar, a pairar

e sua alegria dos dentes à mais longa melena

 

feliz você que já partiu, não viu esta tarde

onde me ponho a chorar como chaleira velha

saiba, mesmo cinza a tarde é linda como árvore

qual aquela no terreno ao lado a me namorar

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2 Respostas

  1. Caro Tonicato: Que beleza a tua louvação da tarde e, tão belo quanto, o oferecimento desta louvação a extraordinária Helena Kolody.
    Abraço grande
    Zuleika.

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