VERSOS À BRIZOLA – de ademar adams / cuiabá

Leonel de Moura Brizola,
Legenda do meu Brasil,
Que nunca aceitou canzil,
Nem canga, maneia ou freio,
E agora te homenageio
De coração contristado,
Já que fostes pro outro lado,
Lá pro céu parar rodeio.

Foi prefeito, deputado,
Três vezes governador,
Um tribuno pajador,
Dos que não dão touceira,
E se lutou a vida inteira,
Pelo povo desta terra,
Sua morte não encerra,
A peleia na trincheira.

Enfrentou perseguição,
Da pátria foi exilado,
Por jamais fazer costado,
A patrão de além fronteira,
Pois, sua fé altaneira,
No brio da gente Brasil,
E enfrentou até fuzil
Com tiro de boleadeira.

Ao governar o Rio Grande,
Vejam a visão do Brizola,
Fez mais de seis mil escolas,
Pra ensinar o piazedo,
A aprender desde cedo,
O valor da educação;
E também fez revolução,
Iniciando a reforma agrária,
Contra uma elite, refratária
Que nunca reparte o pão.

Lutava por igualdade,
E tinha razão o paisano,
Que nunca jogou de mano,
C’ o capital estrangeiro,
Ele encampou altaneiro,
A energia e o telefone,
E então marcou seu nome,
De grande herói brasileiro.

Lembremos sessenta e um,
Quando levantou o Rio Grande,
Num grito que se expande,
Pra imensa brasilidade,
E no brado: “legalidade”!
A força da lei garantiu,
E João Goulart assumiu,
Pra nossa felicidade.

Na quartelada sanguinária,
De abril de sessenta e quatro,
A traição falou mais alto:
Derrubaram João Goulart,
Um homem bom, um baluarte,
E que faria a reforma,
Mas rasgaram toda norma,
U’a Milicada sem quilate…

O Brizola tentou resistir,
Foi levantar o Rio Grande,
Mas o Jango não quis sangue,
Tomou o rumo do exílio,
E morreu como andarilho,
Esperando sempre o levante,
Chorando a pátria distante,
Um Brasil fora do trilho.

Quinze anos desterrado,
Mas o Brizola sobreviveu,
Voltou para o povo seu,
Para cumprir o seu destino,
E derrotar o tal malino,
O capital estrangeiro,
Que no solo brasileiro,
Diz a missa e bate o sino.

Por isso lá nas estranja,
Tinham a grande temência,
O Brizola na presidência,
Faria levantar poeira,
E acabar com bandalheira,
Com coragem e qualidade,
Iria gritar: Liberdade!
Para a nação brasileira.

De tudo que produzimos,
O lucro vai pro exterior,
Nosso povo sofredor,
Sem saúde e moradia,
Vive em eterna agonia,
Nesse modelo que estiola,
Que sempre o velho Brizola
Combateu com galhardia.

Na luta pra presidente,
Enfrenou mal o cavalo,
E foi golpeado de estalo,
Para o mal desta nação,
Usaram a televisão,
Pra fazer daquela figura,
O Filhote da Ditadura,
Um presidente ladrão.

A marca de estância velha,
Que colaram no patriota,
Dizendo que era lorota,
A sua forte pregação,
E honesto por religião,
Dizia que todo o mal,
A perda internacional,
Era o câncer da nação.

Mas não parou de pelear,
Mesmo depois dos oitenta,
Ele tinha fogo na venta,
Maragato de qualidade,
Padrão de moralidade,
Neste país que é sem sorte,
E foi-se pra outros norte,
Deixando enorme orfandade.

Foi se encontrar c’o Getúlio,
Com Jango e dona Neusa,
Aquela que foi sua Deusa,
No inverno e no outono;
Mas no pago do eterno sono,
Tem outro encontro de fé,
Para gritar com o Sepé,
Que “esta terra tem dono”!

Ademar Adams – junho 2005

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2 Respostas

  1. Obrigado Avani!

    Como diz o ditado, Brizola era daqueles políticos que “não nascem em touceira…”

    Um abraço,

    Ademar Adams

  2. Parabens Sr. Ademar fiquei feliz em ler seu poema, realmente esse Gaucho destemido lutou como um bravo para defender os brasileiros, dar EDUCAÇÃO E SAUDE , o que não encontramos mais nos plíticos de hoje.
    Promessas ? MIL, mas nada de real. Não encontro político algum que se assemelhe por menor que seja com esse nosso heroi. Ele sim foi um ESTADISTA. Obrigada por essa homenagem.
    Avani Silveira Martins

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