“MEIA NOITE EM PARIS” – por monica benavides / curitiba

 minhas sensações depois de uma dose de Woody Allen na veia (cuidado esse homem vicia…rs)…

 

Cheguei outro dia e havia recebido pelo correio ingressos de cortesia da Livraria Cultura para assistir Meia-noite em Paris (já é a quarta vez que ganho, e continuo afirmando, essa é a melhor livraria do país com o melhor programa de fidelidade), bem mas não é sobre isso que quero comentar, quero expressar o prazer que o filme me proporcionou.

Woody Allen dessa vez leva o público para uma viagem na cidade luz (que clichê adequado), mas não uma viagem no sentido figurado apenas. Quem já foi a Paris, sentirá nos primeiros 5 minutos de filme uma sensação incrível de reconhecimento. Para os que não foram… considerem o ingresso um carimbo no passaporte. A Paris de Allen é realmente uma viagem real e proporciona a sensação da visita.

Eu na minha ignorância de apreciadora e não de crítica formada em Cinema, divido os filmes de Allen em dois tipos: aqueles onde existe uma trama genial com desfecho memorável ( aqui Sofia Getê coloco, como vc bem lembrou, o Match Point, o Scoop, O Sonho de Cassandra, enfim….) e os filmes escritos para expressar e servir de catalisador a neurose de Woody Allen.

Pois bem, se vc gosta, esse filme se enquadra na minha segunda categoria. É um filme escrito pelo Woody Allen onde o protagonista é ou deveria ser o próprio. Como ele não teria idade para o papel, escalou Owen Wilson, que sinceramente me surpreendeu. Não é o próprio Allen mas chegou bem perto e deve ser parabenizado pela excelente imitação do original.

Aqui começam os spoilers, quem não assistiu leia por sua conta e risco. (rs)

O filme antes de mais nada, exige uma cultura ou um conhecimento mínimo sobre o que era a vida artística e cultural da chamada Idade do Ouro, a famosa Paris dos anos 20.

Por exemplo, quem não sabe que a Alice que abre a porta da casa de Gertrude Stein é na verdade sua amante, e que Stein é a maior crítica de arte da época e talvez a maior crítica de arte que já existiu; que Dalí casa com a Gala em Paris e que ele era um grande Surrealista; que Picasso odiava Hemingway, Modigliani, Braque, enfim todo mundo (rs); ou que Buñuel fez um filme chamado “O discreto charme da burguesia”, que ganhou com ele, já no fim da carreira, um Oscar e que no roteiro três amigos se reúnem para jantar e não conseguem mais ir embora pela porta, (a idéia dada pelo protagonista para Buñuel em uma das suas andanças ao passado), perderá alguns insights geniais de Allen. Lógico que entenderá o filme mas não terá o mesmo sabor.

Para mim, o que ficou foi a vontade de chegar em casa e passar essa noite em claro, lendo um conto de Fitzgerald e ouvindo um disco de Cole Porter…

Que sonho, que vertigem… maravilhosa!!! Poder conversar, namorar passar uma noite com o viril e obcecado Hemingway… rs…

Mas como tudo na vida, nada é perfeito. Para mim dois pecados foram cometidos por Titio Allen: o primeiro foi a escolha da Rachel Adams. Gosto muito dela mas, diferente de Wilson, não conseguiu estar a altura de Mia Farrow ou Diane Keaton, mulheres icônicas para um filme do mestre. A outra foi a concessão feita a beleza de Carla Bruni e a facilidade que colocar a namoradinha da França, daria a alguém tão novaiorquino como Allen, ao querer filmar um longa em Paris. Acho que ele não precisava ter se prestado a esse papel nessa altura da carreira. Diria que ela está linda mas… no mínimo medíocre…

De qualquer forma o filme é brilhante e prova que Paris ainda é e sempre será UMA FESTA!!!!! Assistam e me digam o que acharam…

Bjs… até uma próxima….e já fui que o Hemingway me espera nos meus sonhos ou dentro de um carro da década de 20….

3 Respostas

  1. Oi Monica, realmente sensacional o filme e, como você mesmo disse, perde um pouco (não querendo dizer, muito) o encanto se não conhecer a vida artística e cultural da época. Mas o filme é incrível, apaixonante… vale muito à pena. Para ser mais exata, é um filme para ser visto várias vezes, porque a cada uma, surge um novo detalhe, uma nova visão, sempre mais surpreendente e mágica!
    Parabéns pelo comentário e confesso, me deixou com vontade de assistir mais uma vez.

  2. Caro José pensei também em O Anjo Exterminador pela questão de nesse filme os três não poderem passar pela porta… mas em O Discreto charme da Burguesia a idéia do jantar e as peripécias dos envolvidos que são a todo momento interrompidos… por fim não saindo do local e nem comendo… me levou a crer que a ironia do Allen iria um pouco além como se Buñuel tivesse se martirizado pela vida toda com a idéia dada pelo personagem e feito o Anjo como algo mais literal depois acrescentando um toque pitoresco e com ele enfim ganhando o reconhecimento de um Oscar por filme estrangeiro…
    Talvez esteja errada mas minha intuição me diz que aqui o neurótico Allen quis nos levar a crer em algo que esconde a real motivação da cena… Não sei fica para pesquisa… Se um dia tivermos o prazer de topar com ele em uma rua de Manhatan (imagine) valeria a pergunta, não? Abraços

  3. A dica para Bunnuel eu pensei que fosse ” O anjo exterminador”.

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