PREFIRO – de omar de la roca / são paulo

Coisas

Não quero me acostumar a certas coisas

a ficar sob constante anestesia.

Não sentir na carne a dor das coisas,

o sabor agridoce da poesia

das coisas.

Coisas demais.

Quero a luminosidade, a luz

e sua súbita cegueira.

Que dure um momento, ou a vida inteira.

Sem me poupar de mim mesmo.

Sem me acostumar com a rotina.

Sem que a violência seja banal, carnal, bem-vinda.

Assumida ou disfarçada, delicada, infinda.

Prefiro a dor da claridade na retina.

Prefiro escolher a cor viva sem ansiedade.

Nada de cantos escondidos, de maldade.

A dor sofrida da solidão.

Que todos saibam que prefiro a luz.

Que as vezes só me resta escolher

Entre a sombra e a escuridão.

Que me protege,

De mim mesmo e dos outros.

Que me sufoca, aperta,seduz.

Na área cinzenta, a qual pertenço,

aspiro ao ar transparente, iluminado.

Roto de cansaço.

Juntando os pedaços,

Ainda íntegro, uma coisa só.

Peregrino de incontáveis sóis,

Que a lua vem iluminar.

Pessoa ou coisa,

Ainda não sei.

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