Arquivos Mensais: agosto \31\UTC 2011

DOIS VELHOS – por jorge lescano / são paulo

 

O ancião maltrajado, aparentemente ébrio e surdo, a julgar pelo modo de inclinar a cabeça, deixou um pacote de supermercado sobre o banco e sentou-se à minha frente, sem me olhar. Lembrei-me dele de cócoras no umbral do açougue, lia uma folha amassada do Butantã Zeitung. Parece estrangeiro, talvez por ter os olhos claros. Encontramo-nos às vezes, ao eu andar por este lado do bairro. Suspeito que não tem moradia fixa.

Ficou alguns instantes quieto, os olhos no espaço. Depois retirou do bolso a página de jornal dobrada várias vezes e um maço de cigarros quase vazio. Notei que era da mesma marca que eu fumo, embora não fosse impossível que as marcas do maço e dos cigarros não coincidissem.

Os dedos grossos não conseguiam separar as paredes de papel. Enquanto o indicador da mão direita escarvava a abertura, a mão esquerda apalpava o maço querendo adivinhar-lhe o conteúdo. Um ou dois cigarros, não mais, concluí.

Olhávamos para frente, indecisos.

Deixei que alguns cigarros lhe caÍssem na mão espalmada. Colocou-os no seu maço e guardou o pequeno volume no bolso interno do paletó.

          Por que oferecer cigarros? Porque avaliava a situação sem pedir auxílio?

Deveria ter agradecido/? Deveria ter agradecido/?Porque lia momentos antes?

                Um leitor sempre interessa, especialmente aquele para o qual a rotina parece ser a ausência do mundo. Talvez seja assim, no entanto (seu gesto de virar a página também faz parte de nossa leitura), o mecanismo (hábito?) de ler permanece. Porque se identificou com o outro num futuro não longínquo?  Oferecer cigarros apenas para ter sobre o quê escrever (?)  Não é improvável que este rascunho já estivesse no horizonte do gesto. Ou porque são iguais na leitura?

 

Ele acendeu o cigarro que permanecera oculto na mão esquerda. Depois de alguns segundos concentrado em fumar, perguntou se era quarta-feira. Confirmeiem silêncio. Assombras já apagavam nossos contornos e eu mal percebia seu rosto através da fumaça. Sentia-se obrigado a conversar ou queria se comunicar com alguém?

Não esperei para saber, peguei meu jornal e o pacote com meu jantar – pão e margarina às quintas-feiras – e fui embora; minha solidariedade não inclui o diálogo. Prefiro ler  nos fins de tarde.    

DITADURA NO BRASIL: “Foram 130 centros de tortura no Brasil” – por pinheiro salles* / são paulo

Anistia e Comissão da Verdade

 

Quando são comemorados 32 anos da Anistia, neste 28 de agosto (2011), às 7h30 da manhã eu me interno no Hospital Anis Rassi, em Goiânia, para uma cirurgia considerada de “alta complexidade” (colocação de prótese articular bilateral). O objetivo é a superação de seqüelas das torturas a que fui submetido durante a ditadura militar. Não nego a apreensão, mas tenho consciência da dimensão do procedimento, porque há o dever de tentar garantir a minha fala, para nunca me calar sobre os horrores testemunhados ao longo dos meus nove anos de cárcere.

A Lei da Anistia (6.683), de 28 de agosto de 1979, foi uma conquista democrática do povo brasileiro, apesar das restrições resultantes de acordos precipitados. Sabe-se que as greves operárias já desafiavam a truculência dos generais. Estudantes ocupavam universidades, o pesado silêncio era quebrado pelos intelectuais. Os presos políticos recorriam à greve de fome. Pressões internacionais chegavam aos ouvidos da população.

A repressão já não conseguia impedir as manifestações populares. Mas, ainda assim, conciliadores líderes da oposição aceitaram se sentar com representantes dos ditadores e acatar limites para a anistia que se consolidava nas ruas. Isso provocou uma situação esdrúxula, respaldando a petulância dos governantes, que somavam argumentos para a falácia de concessões liberalizantes do regime. E, assim, mais uma vez o povo se tornou vítima do espúrio massacre ideológico perpetrado à sombra do terrorismo oficial.

Lembre-se que, desde os primeiros momentos do golpe de Estado, o Exército e seus aliados vinham fechando universidades, perseguindo, cassando mandatos eletivos, prendendo, torturando, matando, desrespeitando os direitos humanos mais elementares. Arrastaram o ex-deputado federal Gregório Bezerra pelas ruas de Recife, convocando os transeuntes para a solenidade de “enforcamento do comunista”.

Mesmo deste jeito, porém, houve partido político, ligado à antiga União Soviética, com a ilusão de “resistência pacífica”, até acreditando em apoio de segmentos nacionalistas das Forças Armadas. Os nossos equívocos políticos, portanto, vêm de muito longe.

Não começaram com as traições de Nelson Jobim no Ministério de Defesa dos governos Lula e Dilma, quando ele se afirmou como porta-voz dos militares fiéis à fascista doutrina de Segurança Nacional e procurou fazer o jogo belicista do império norte-americano. Entre 31 de março de 1964 e 15 de março de 1985, sob todos os aspectos, o Brasil experimentou um doloroso retrocesso.

Cerca de 130 centros de tortura foram instalados pelo governo fardado. Suplícios indescritíveis, genocídios, decapitações, esquartejamentos: 479 mortos e desaparecidos. Dentre eles, em Goiás, registramos: Arno Preis, Cassimiro Luiz de Freitas, Divino Ferreira de Souza, Durvalino Porfírio de Souza, Honestino Monteiro Guimarães, Ismael Silva de Jesus, James Allen Luz, Jeová de Assis, José Porfírio de Souza, Márcio Beck Machado, Marco Antônio Dias Batista, Maria Augusta Thomaz, Ornalino Cândido, Paulo de Tarso Celestino e Rui Vieira Bebert.

Ao contrário de outros países que também conheceram regimes autoritários, como Alemanha, Itália, Chile, Argentina e Uruguai, aqui não foram punidos aqueles que cometeram crimes contra a humanidade. E todos sabemos que a corrupção generalizada, a banalização da violência, os maus-tratos nas delegacias de polícia, a ousadia dos grupos de extermínio e outras aberrações da sociedade capitalista, na conjuntura atual, estão em estreita sintonia com a impunidade.

Agora, quando se luta pela Comissão da Verdade, cujo Projeto de Lei foi encaminhado ao Congresso Nacional em 20 de maio de 2010, mais do que nunca se torna imprescindível a mobilização popular. É que queremos conhecer a nossa história, recuperar a memória, valorizar a resistência do povo, quebrar os sigilos eternos, abrir todos os arquivos da repressão, obter informações concretas sobre as torturas, as mortes e os desaparecimentos.

Mais que isso: para resgatar a nossa dignidade e a honra de nossa pátria, queremos apurar os crimes da ditadura e punir os culpados. Se a Comissão Nacional da Verdade não nos possibilitar esses encaminhamentos, ela nada mais será que a Comissão da Frustração. E aí teremos de nos contentar com um provérbio africano: “Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias das caçadas continuarão glorificando os caçadores”.

Apesar de tudo, o povo saberá construir o seu destino.

*Pinheiro Salles, jornalista, é autor de “Confesso que peguei em armas” (editora da Universidade Federal de Goiás) e de mais três livros sobre a ditadura militar no Brasil, dentre outros. Passou nove anos nos cárceres do Rio Grande do Sul e de São Paulo.

Carta às esquerdas – por boa ventura de souza santos / portugal

Livre das esquerdas, o capitalismo voltou a mostrar a sua vocação anti-social. Voltou a ser urgente reconstruir as esquerdas para evitar a barbárie. Como recomeçar? Pela aceitação de algumas ideias. A defesa da democracia de alta intensidade é a grande bandeira das esquerdas.

 

Não ponho em causa que haja um futuro para as esquerdas mas o seu futuro não vai ser uma continuação linear do seu passado. Definir o que têm em comum equivale a responder à pergunta: o que é a esquerda? A esquerda é um conjunto de posições políticas que partilham o ideal de que os humanos têm todos o mesmo valor, e são o valor mais alto. Esse ideal é posto em causa sempre que há relações sociais de poder desigual, isto é, de dominação. Neste caso, alguns indivíduos ou grupos satisfazem algumas das suas necessidades, transformando outros indivíduos ou grupos em meios para os seus fins. O capitalismo não é a única fonte de dominação mas é uma fonte importante.

Os diferentes entendimentos deste ideal levaram a diferentes clivagens. As principais resultaram de respostas opostas às seguintes perguntas. Poderá o capitalismo ser reformado de modo a melhorar a sorte dos dominados, ou tal só é possível para além do capitalismo? A luta social deve ser conduzida por uma classe (a classe operária) ou por diferentes classes ou grupos sociais? Deve ser conduzida dentro das instituições democráticas ou fora delas? O Estado é, ele próprio, uma relação de dominação, ou pode ser mobilizado para combater as relações de dominação?

As respostas opostas as estas perguntas estiveram na origem de violentas
clivagens. Em nome da esquerda cometeram-se atrocidades contra a esquerda; mas, no seu conjunto, as esquerdas dominaram o século XX (apesar do nazismo, do fascismo e do colonialismo) e o mundo tornou-se mais livre e mais igual graças a elas. Este curto século de todas as esquerdas terminou com a queda do Muro de Berlim. Os últimos trinta anos foram, por um lado, uma gestão de ruínas e de inércias e, por outro, a emergência de novas lutas contra a dominação, com outros atores e linguagens que as esquerdas não puderam entender.

Entretanto, livre das esquerdas, o capitalismo voltou a mostrar a sua vocação anti-social. Voltou a ser urgente reconstruir as esquerdas para evitar a barbárie. Como recomeçar? Pela aceitação das seguintes ideias.

Primeiro, o mundo diversificou-se e a diversidade instalou-se no interior de cada país. A compreensão do mundo é muito mais ampla que a compreensão ocidental do mundo; não há internacionalismo sem interculturalismo.

Segundo, o capitalismo concebe a democracia como um instrumento de acumulação; se for preciso, ele a reduz à irrelevância e, se encontrar outro instrumento mais eficiente, dispensa-a (o caso da China). A defesa da democracia de alta intensidade é a grande bandeira das esquerdas.

Terceiro, o capitalismo é amoral e não entende o conceito de dignidade
humana; a defesa desta é uma luta contra o capitalismo e nunca com o capitalismo (no capitalismo, mesmo as esmolas só existem como relações públicas).

Quarto, a experiência do mundo mostra que há imensas realidades não capitalistas, guiadas pela reciprocidade e pelo cooperativismo, à espera de serem valorizadas como o futuro dentro do presente.

Quinto, o século passado revelou que a relação dos humanos com a natureza é uma relação de dominação contra a qual há que lutar; o crescimento económico não é infinito.

Sexto, a propriedade privada só é um bem social se for uma entre várias
formas de propriedade e se todas forem protegidas; há bens comuns
da humanidade (como a água e o ar).

Sétimo, o curto século das esquerdas foi suficiente para criar um espírito igualitário entre os humanos que sobressai em todos os inquéritos; este é um patrimônio das esquerdas que estas têm vindo a dilapidar.

Oitavo, o capitalismo precisa de outras formas de dominação para florescer,
do racismo ao sexismo e à guerra e todas devem ser combatidas.

Nono, o Estado é um animal estranho, meio anjo meio monstro, mas, sem ele, muitos outros monstros andariam à solta, insaciáveis à cata de anjos indefesos. Melhor Estado, sempre; menos Estado, nunca.

Com estas ideias, vão continuar a ser várias as esquerdas, mas já não é provável que se matem umas às outras e é possível que se unam para travar a barbárie que se aproxima.

 

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

MOMENTOS – por olsen jr. / ilha de santa catarina



(Para Luiz e Neiva do Restaurante “Barba Negra”).

    Muitas vezes o melhor que podemos fazer é deixar-nos levar pelos acontecimentos, sem opor-lhes resistência. Na verdade, creio, nunca temos plena consciência do fato. É uma espécie de movimento pela inércia. Semelhante àqueles passageiros que estão em um ônibus, o veículo anda a sessenta quilômetros por hora e de repente freia, as pessoas que estão no seu interior mantém a velocidade e por isso são projetadas para frente. Quem está em pé sofre mais.

Naquele dia, lembro, tínhamos passado uma tarde fagueira (lembra o poeta) no interior da Ilha. Um churrasquinho, muitas risadas e aquela sensação agradável de estar entre amigos e não se confunda alegria com felicidade (porque a felicidade é outra coisa) ao menos compartilhávamos de uma paz coletiva que possibilitava (agora sim) a alegria pelo estar ali dispondo da vida como queríamos.

Dispersivo durante horas, à noite ficou difícil de retomar um trabalho de reflexão mais intimista. Decido visitar um cantinho de balcão na Av. das Rendeiras, aonde sempre vou nestes casos e o “santo costuma baixar”… Quando chego, percebo logo o ambiente carregado, mas ninguém me diz nada. O ar estava pesado. Tento dialogar com o proprietário, o amigo Luiz Monteiro com o qual converso quando vou lá, mas ele parece estar com os pensamentos em outro lugar… Penso logo, o que vim fazer aqui? Os garçons fazem o trabalho rotineiro em silêncio… Nem a vitória do Internacional na Recopa parece motivar um deles, torcedor colorado, pressinto um acordo coletivo de consternação e que só interessa para aqueles que já estavam no local quando cheguei… Peço uma cerveja e tento organizar as minhas ideias… Finjo interesse por um jogo de futebol, não sei dissimular, e tudo aquilo vai me deixando desconfortável… Logo, o Luiz e Neiva, sua mulher, jantam em uma das mesas dos fundos, afastados de todos… Dali a pouco vai começar aquele campeonato de lutas e que, naturalmente não tem nada a ver com o poeta que sou… Tenho de ir embora, digo para mim mesmo… Nesse meio tempo já bebi três cervejas e o “santo não baixou”… Quando estava saindo é que soube da morte da mãe do meu amigo, tinha acontecido na véspera… Então tudo se explicava… Não há o que se fazer com a morte, penso… Estar preparado para “ela”, pura retórica porque “ela” sempre surpreende… De repente, antes de sair, retorno até a mesa dos fundos, preciso dizer que entendo sua tristeza… Na tela da tv aquela profusão de socos e murros e uma energia consentida, o Luiz parece interessado, mas é uma maneira de estar ausente, só… Procuro as palavras, mas elas não vêm, em pensamentos tento dizer que já passei por isso e finalmente, quando me aproximo, apenas estendo-lhe a mão e digo: solidário!

CARTA TESTAMENTO DO EX PRESIDENTE GETULIO VARGAS – 57 ANOS DE SEU SUICÍDIO / rio de janeiro

 

 

Há 57 anos morria Getúlio Vargas

Getúlio Dornelles Vargas (19/4/1882 – 24/8/1954) foi o presidente que mais tempo governou o Brasil, durante dois mandatos. De origem gaúcha (nasceu na cidade de São Borja), Vargas foi presidente do Brasil entre os anos de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954. Entre 1937 e 1945 instalou a fase de ditadura, o chamado Estado Novo.

Getúlio Vargas assumiu o poder em 1930, após comandar a Revolução de 1930, que derrubou o governo de Washington Luís. Seus quinze anos de governo seguintes, caracterizaram-se pelo nacionalismo e populismo. Sob seu governo foi promulgada a Constituição de 1934. Fecha o Congresso Nacional em 1937, instala o Estado Novo.

Vargas criou a Justiça do Trabalho (1939), instituiu o salário mínimo, a Consolidação das Leis do Trabalho, também conhecida por CLT. Os direitos trabalhistas também são frutos de seu governo: carteira profissional, semana de trabalho de 48 horas e as férias remuneradas.
GV investiu muito na área de infra-estrutura, criando a Companhia Siderúrgica Nacional (1940), a Vale do Rio Doce (1942), e a Hidrelétrica do Vale do São Francisco (1945). Em 1938, criou o IBGE ( Instituto brasileiro de Geografia e estatística). Saiu do governo em 1945, após um golpe militar.

Em 1950, Vargas voltou ao poder através de eleições democráticas. Neste governo continuou com uma política nacionalista. Criou a campanha do ” Petróleo é Nosso” que resultaria na criação da Petrobrás.

Embora tenha sido um ditador e governado com medidas controladoras e populistas, Vargas foi um presidente marcado pelo investimento no Brasil. Além de criar obras de infra-estrutura e desenvolver o parque industrial brasileiro, tomou medidas favoráveis aos trabalhadores. Foi na área do trabalho que deixou sua marca registrada. Sua política econômica gerou empregos no Brasil e suas medidas na área do trabalho favoreceram os trabalhadores brasileiros.

Getúlio era chamado, pelos seus simpatizantes, de “pai dos pobres” (título tirado do livro de Jó 29,16), e, por pessoas próximas, de “Doutor Getúlio”. A sua doutrina e seu estilo político foram denominados de getulismo ou varguismo. Os seus seguidores, até hoje existentes, são denominados getulistas.

Suicidou-se, em 1954, com um tiro no coração, em seu quarto, no Palácio do Catete, na cidade do Rio de Janeiro, então capital federal. Getúlio Vargas foi o mais controvertido político brasileiro do século XX. Sua influência se estende até hoje. A sua herança política é invocada por pelo menos dois partidos políticos atuais: o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Assumiu então a presidência da república, no dia 24 de agosto, o vice-presidente potiguar Café Filho, da oposição a Getúlio, que nomeou uma nova equipe de ministros e deu nova orientação ao governo.

Com grande comoção popular nas ruas, seu corpo foi levado para ser enterrado em sua terra natal. A família de Getúlio recusou-se a aceitar que um avião da FAB transportasse o corpo de Getúlio até o Rio Grande do Sul. A família de Getúlio também recusou as homenagens oficiais que o novo governo de Café Filho queria prestar ao ex-presidente falecido.

Getúlio deixou duas notas de suicídio, uma manuscrita e outra datilografada, as quais receberam o nome de “carta-testamento”.

Uma versão manuscrita da carta testamento, assinada no final da última reunião ministerial, somente foi divulgada ao público, em 1967, por Alzira Vargas, pela Revista O Cruzeiro, por insistência de Carlos Lacerda que não acreditava que tal carta manuscrita existisse. Nesta carta manuscrita, Getúlio explica seu gesto:

“..Se a simples renúncia ao posto a que fui levado pelo sufrágio do povo me permitisse viver esquecido e tranqüilo no chão da pátria, de bom grado renunciaria. Mas tal renúncia daria apenas ensejo para, com mais fúria, perseguirem-me e humilharem-me. Querem destruir-me a qualquer preço. Tornei-me perigoso aos poderosos do dia e às castas privilegiadas. Velho e cansado, preferi ir prestar contas ao Senhor, não dos crimes que não cometi, mas de poderosos interesses que contrariei, ora porque se opunham aos próprios interesses nacionais, ora porque exploravam, impiedosamente, aos pobres e aos humildes. Só Deus sabe das minhas amarguras e sofrimentos. Que o sangue dum inocente sirva para aplacar a ira dos fariseus…”

Uma versão datilografada, feita em três vias, e mais extensa desta carta-testamento, foi lida, de maneira emocionada, por João Goulart, no enterro de Getúlio em São Borja. Nesta versão datilografada é que aparece a frase “Saio da vida para entrar na história”. Esta versão datilografada da carta-testamento até hoje é alvo de discussões sobre sua autenticidade. Chama muito a atenção nela, a frase em castelhano: “Se queda desamparado”. Assim, tanto na vida quanto na morte, Getúlio foi motivo de polêmica.

Também fez um discurso emocionado, no enterro de Getúlio, na sua cidade natal São Borja, o amigo e aliado de longa data Osvaldo Aranha que disse:

“Nós, os teus amigos, continuaremos, depois da tua morte, mais fiéis do que na vida: nós queremos o que tu sempre quiseste para este País. Queremos a ordem, a paz, o amor para os brasileiros”!

Oswaldo Aranha, que tantas vezes rompera e se reconciliara com Getúlio, acrescentou:

“Quando, há vinte e tantos anos, assumiste o governo deste País, o Brasil era uma terra parada, onde tudo era natural e simples; não conhecia nem o progresso, nem as leis de solidariedade entre as classes, não conhecia as grandes iniciativas, não se conhecia o Brasil. Tu entreabriste para o Brasil a consciência das coisas, a realidade dos problemas, a perspectiva dos nossos destinos”.

No cinqüentenário de sua morte, em 2004, os restos mortais de Getúlio foram trasladados para um monumento no centro de sua cidade natal, São Borja.

Há quem diga que o suicídio de Getúlio Vargas adiou um golpe militar que pretendia depô-lo. O pretendido golpe de estado tornou-se, então, desnecessário, pois assumira o poder um político conservador, Café Filho. O golpe militar veio, por fim, em 1964. Golpe de Estado que os partidários chamam de Revolução de 1964, e que foi feito, essencialmente, no lado militar, por ex-tenentes de 1930.

Para outros, o suicídio de Getúlio fez com que passasse da condição de acusado à condição de vítima. Isto teria preservado a popularidade do trabalhismo e do PTB e impedido Café Filho, sucessor de Getúlio, por falta de clima político, de fazer uma investigação profunda sobre as possíveis irregularidades do último governo de Getúlio.

No dia seguinte ao suicídio, milhares de pessoas saíram às ruas para prestar o “último adeus” ao pai dos pobres, chocadas com o que ouviram no noticiário radiofônico mais popular da época, o Repórter Esso. Enquanto isso, retratos de Getúlio eram distribuídos para o povo durante o dia.

Carlos Lacerda teve que fugir do país, com medo de uma perseguição popular.

E, por fim, o clima de comoção popular devido à morte de Getúlio, teria facilitado a eleição de Juscelino Kubitschek à presidência da república e de João Goulart (O Jango) à vice presidência, (JK) , em 1955, derrotando a UDN, adversária de Getúlio. JK e João Goulart são considerados, por alguns, como dois dos “herdeiros políticos” de Getúlio.

Um político da atualidade que manteve viva a história e o legado de Getúlio Vargas foi Leonel de Moura Brizola, que após anistiado pela ditadura militar, retornou ao Brasil e fundou o PDT – Partido Democrático Trabalhista.

Hoje o PDT esta à frente do Ministério do Trabalho do Governo Lula, com o presidente nacional do partido, Carlos Lupi. Este ministério foi instituído por Getulio Vargas, em 1930.

A CARTA

“Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.

Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.

Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.

Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.

E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História”.

 

 Getúlio Vargas

Hiperinflação e hipercorrupção – por amilcar neves / ilha de santa catarina

Houve época em que era assim, mas muita gente não lembra disso por esquecimento ou por não ter vivido aquele período ou por preguiça de se informar sobre os fatos da História: houve uma época em que os preços disparavam todos os dias (e isto não é mera figura de retórica) e em que os homens roubavam impunes todos os dias.


A diferença é que, por um lado, as informações (dos roubos, no caso) não circulavam por obra de uma censura brutal e intransigente (não havia internet na ocasião, para dizer o mínimo) e, por outro, a inflação, dita escorchante (também uma forma de roubo), pesava no bolso a tal ponto que não se podia guardar na carteira de um dia para outro o troco de mil dinheiros quaisquer, o que era apenas uma esmola, sem amargar prejuízos horríveis.


Em poucas palavras: sentia-se a inflação e ignorava-se a corrupção.


Agonizante a ditadura, exausta ao cabo de 21 anos de arbitrariedades, os véus se romperam mas os costumes se mantiveram à luz do sol: o notório Maluf foi candidato a presidente pela dita “revolução”, enquanto corria a vice pelas oposições o notório Sarney, até a véspera presidente do partido do governo que sucumbia – no que já se pode chamar de corrompimento ético.


Escolhido em 1985 em eleições indiretas, Tancredo, espertamente, decide começar a morrer na véspera da posse, falecendo em questão de semanas. Assumindo o cargo, Sarney, que era rico, ficou riquíssimo e tentou debelar a inflação com planos mirabolantes que só agravaram a situação.


O notório Collor o sucedeu e conseguiu ser mais mirabolante ainda. Hasteou a bandeira da caça aos corruptos e não deixou ninguém roubar – ninguém, dizem, que não fosse da sua notória República das Alagoas. Acabou caindo, dizem, por criar um monopólio de causar inveja. E causou. Inflação e corrupção, revigoradas, permaneceram intocadas e ele ficou muito rico.


Entra Itamar, o excêntrico, que não roubou, cria mais um plano econômico e uma nova moeda com o Plano Real e, num passe de mágica, acaba com a inflação. Os corruptos, no entanto, permanecem impunes, e esta, a impunidade, constitui-se certamente na mais grave das nossas doenças sociais, a qual permeia Executivo, Legislativo, Judiciário, empresas privadas e quaisquer poderes que se imagine, alimentando a corrupção, dela se alimentando e abolindo de vez a preocupação com o bem público, com o interesse nacional e com os direitos da cidadania.


Chega Fernando Henrique, que não rouba, mas precisa de apoio, chamado de maioria no Congresso, para poder governar, consolidar o real e implantar a reeleição em todos os níveis. A corrupção não se intimida, antes pelo contrário, e floresce viçosa enquanto ele faz de conta que nada vê e nada sabe.


Surge Lula, que tampouco mete a mão na cumbuca mas precisa de apoio para governar e dar ao País um destaque internacional inusitado e altamente positivo. Partidários, aliados, lobistas e até opositores apresentam a conta na forma de mensalões, mensalinhos e mesadas e ele finge que não vê nem sabe, pois precisa levar a bom termo o mandato.


Então aparece Dilma e resolve virar a mesa: não rouba e não quer que ninguém roube, que absurdo! Como é que ela pensa que vai governar? Só com o apoio popular, cuja voz nas ruas brada por decência e honestidade? Quem ela pensa que é, o Super-Homem?


Partidários, aliados, lobistas e até opositores andam muito desconfiados com ela e com suas malévolas intenções. Terá baixado nela o espírito do Itamar, que recém se foi daqui?


TRANÇAGEM – de jairo pereira / quedas do iguaçu.pr

 

O fósforo

de tuas palavras

acende

iracriadora

no meu

coração.

A iracriadora

repercute no sempre

de todas as épocas

porque é voz lançada

ao infinito

transdiz o indizível

e revela os espaços

ocultos do orbe

em transe

de altosonhar.

Existe

o baixo sonhar

e sempre andei ali

escaravelhando

pós ardidos

de contigo, reergui

o gesto, a voz

o ímpeto e agora laboro

magmas alternados

de beleza e furor

explícitos zêlos

atônitas investidas

nos fatos.

Espírithos invictos no labor dos livros me desafiam

:golpes baixos no dizer:

agridem por mero deleite

a voz que poéticocircunda o entrelivros e delibera e torce as coisas de razão desrazão.

Comigo é assim despachado o despacho do dizer nos pacotes endereçados pra alguém no futuro que pouco ou nada me diz.

Na luta de facas, tu vinhas e eu me defendia com golpes marciais

as facas lampiavam na escuridão dos muquiviras e eu me defendia defendia. As lâminas finas, cromadas lampiavam na escuridão dos muquiviras e eu me defendia

defendia.                   

Em poeta e anjo e semioticista eu lançava mão de signos espérios ágeis no gatilho e mesmo assim tu te chegavas ostensivo, lampiando as facas afiadas no meu brilho.

Acrescente um punhado de feijão no prato, um punhado de arroz e um ovo frito fenomenal. Sacias a tua fome. Um poema como esse prato cheio, interfere em outras espheras. Interfere

educa o trauseunte peregrino. Um signo vive dum prato feito. Um signo, um homem, um centauro, um ente libertino. Dum prato feito a nossa fome. Dum prato feito, a nossa ira santa. Dum prato feito, o nosso amor. Dum prato feito, a imagem da musa crescida de sóis insuspeitos. Em poeta e centauro e ente reciclínio não me deixo abater pela cantilena negra do baixo espíritho. Uma proeza, a voz que poéticocircunda nossas ações de inventor

criador, filósofo pré promaduro, no caminho de todos os caminhos.

Luas e luas, sóis e sóis espelhos nos espelhos

linhas de pensar o impensado, tresandos de verbos novos fazendo pecado. Em poeta, me tentam imagens lindas. Me tentam, conceitos complexos, construções do alto espíritho. Mitigo

 a dor maior, mitigo a ilusão esplêndida que dói

frente ao objetário vida

 

Agora são os punhais que trançam vidamorte 

os punhais do baixo e alto espíritho. Um vaticínio falho: o futuro resolve o irresolvido. Um vaticínio grita: o bom pensamento regurgita como passarinho

regurgita

eiva de vícios a língua

linguagens

crispações de céus e luas

e sóis e virgu’s no virutago

martimanho’s

da enteléquia da proselítilica

e virgu’s nas telas

do phuturo, virgu’s

e fabulações.

Na terceira esphera

do entendimento-rio

galopei meu cavalo Tigre

noites insones

luas resídias

& os personagens

que imagino choram

os espinhos esfíquios

que afloram

verdores arbóreos

entre os dedos dos pés

irisadas hastes, irisadas

flores pelos cabelos

argila fresca nas unhas

e pós crispando a tez

de pedra

visofânica verthigem

:as personagens em transe:

 geradas árvores

 frutificantes nos

antecampos poéticos

do outro lado

do imenso cordão dos signos

onde havia só pântano &

caos

:espectros do irresoluto:

O signo por si só, não me basta. O signo, a morte seca na palavra, não me basta.

A vida me sobra, alcança

o foco, a face

do SOL que faz arder a criação.

 

 (De livro-poema inédito).

FUNDAÇÃO CULTURAL FRANKLIN CASCAES convida: / ilha de santa catarina

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O ÚLTIMO TANGO EM PARIS (contém spoilers) – por monica benavides / curitiba

Para mim, é engraçado ver como qualquer filme que sugira ou cite sexo, recebe um carimbo e passa a ser conhecido e reduzido a um clichê pornô. Não existe praga maior para qualquer roteiro, do que uma crítica (maldosa ou bem intencionada, não importa), de que o filme é “erótico”.

 

Automaticamente todas as intenções do roteirista, do diretor e dos atores, sejam elas quais forem, são transformadas em uma fumaça mal cheirosa que tende a disfarçar uma perversão inata dos seres humanos reunidos em sociedades ditas civilizadas, e pautadas pelo velho e bom moralismo cristão.

 

Tudo o que coloquei acima serviu de referência quando escrevi sobre esse, que para mim, não é um filme erótico, não é um filme pornô e muito menos é um filme feito para provocar a discussão sobre a moralidade social.

 

Last Tango in Paris, é um aprofundado estudo psicanalítico da sociedade francesa e uma metáfora para a transição da Europa para o  American Way of Life (prestem atenção na cena dos dois namorados franceses, escolhendo o vestido de noiva e discutindo sobre casamento pop… fantástica). Uma situação irreversível, que tomou de assalto esse continente vovô, assim que a última bala aliada foi deflagrada nos anos 40.

 

A relação doentia entre Marlon Brando (um americano expatriado, cinquentão, charmosíssimo e misterioso) e a doce e jovem Maria Schneider, com seu chapéu com peônias e sua capa escondendo um vestido curto, inverte o teor do conflito de gerações que dominava o mundo na década de seu lançamento (1972).

 

Em Last Tango in Paris, vemos Bertolucci em sua melhor forma, com um roteiro vigoroso, uma fotografia de ensaio e uma discussão séria sobre “o ser existencialista”, em uma época onde todos se sentiam culpados pela dor do outro (Guerra do Vietnã, Paz e Amor, Fidel Castro, Apartheid…enfim, a década da culpa).

 

Esse existencialismo descabido permeia todo o filme. Torna-se explícito quando Brando conversa com o amante de sua mulher que acaba de suicidar-se. Ao fundo, na parede, está uma foto de Camus e um pôster de Henry Moore. Schneider, em outra cena, ao conversar com sua mãe, conta sobre o tempo em que seu pai militar, já morto, morou na Argélia.

 

E assim vai; aos poucos. Descortinando o roteiro, e levando o sentimento de existência até o ápice, quando no diálogo dos dois, após a cena da manteiga, que na verdade foi colocada apenas como uma forma figurada de mostrar a Europa enquanto território conquistado, mas que rendeu ao filme sua fama, (Para usufruir da arte, a visão literal sempre será patética e te tornará medíocre, essa é uma lição importante) Brando diz para ela: “Garota, você está só, todos estão sós… as pessoas vão ser sós até o dia de sua morte, você descobrirá isso um dia… “. Nem Sartre teria explicado melhor.

 

O filme é romântico. Ok! Ninguém nunca concordou comigo, mas é, (como tudo que Bertolucci já fez. Para mim ele é o Rachmaninov do cinema). O filme é psicanalítico, na forma como ela mata Brando na sala do apartamento de sua mãe com a arma do pai dominador e diz: Quem era ele? Eu não sei? A cena chega a ser óbvia. E mais importante do que isso, o filme é extremamente perturbador e corajoso. Não pelas cenas de sexo, que na verdade para uma geração como a minha que convive com a tal mulher melancia e as novelas da Globo chegam a ser pudicas, mas pelo roteiro duro, pelo tema doloroso e pela narração crua.

 

Eu recomendo o filme, e recomendo que quem assisti-lo e após uma semana, só conseguir lembrar das cenas de sexo, procure urgentemente um psicanalista.

 

Realmente o filme mexe com o inconsciente de homens e mulheres, afinal todas as meninas já fantasiaram o amor por um homem mais velho, todas as mulheres já tiveram em algum momento uma vertigem de fuga e todo homem já se abasteceu  de prazer e encontrou o torpor para o sofrimento, na companhia da juventude de alguém.

 

Se não existe sinceridade na sociedade para aceitar isso como uma verdade, é outra história, e Bertolucci não quis contá-la aqui, disso eu tenho certeza.

 

 

PERIQUITO SEM ASAS – de julio saraiva / são paulo

na contramão dos meus olhos
caminha uma mulher estupidamente bela
que jurou matar-me um dia
e disso não duvido  –  nunca duvidei
por isso evito sonhar quando ela está por perto

em sonho também se mata
em sonho também se morre
dependendo do azul do sonho
prefiro o horror do pesadelo

Nova tempestade de areia ‘engole’ cidades no Arizona / eua

É a terceira tempestade parecida registrada no estado dos EUA em um mês.

Tempestade começou no final da tarde de quinta (18) e adentrou a noite.

Uma nova tempestade de areia 'engoliu' cidades do Arizona nesta quinta-feira (18). É a terceira tempestade do tipo em um mês no estado americano. Acima, a montanha Camelback é vista ao fundo sento tomada pela enorme nuvem na cidade de Phoenix (Foto: AP)

Uma nova tempestade de areia ‘engoliu’ cidades do Arizona nesta quinta-feira (18). É a terceira grande tempestade do tipo em um mês no estado americano. Acima, a montanha Camelback é vista ao fundo sento tomada pela enorme nuvem na cidade de Phoenix (Foto: AP)

Da rua era possível ver a nuvem de areia se aproximando em Phoenix (Foto: AP)

Da rua era possível ver a nuvem de areia se aproximando em Phoenix. Com pouca visibilidade, ficou perigoso dirigir em meio à tempestade. Alguns voos sofreram atrasos no estado devido à nuvem de poeira (Foto: AP

Em sequência da primeira imagem, a Camelback Mountain já não é mais vista ao fundo em Phoenix (Foto: AP)

Em sequência da primeira imagem, a Camelback Mountain já não é mais vista ao fundo em Phoenix (Foto: AP

g1.

Da biblioteca de papel – por jorge lescano / são paulo

O jogo do hircocervo nasceu, como tantas outras brincadeiras, à mesa com os amigos costumeiros. Originou-se de uma pergunta: e se Giordano Bruno fosse um músico que, obcecado pela infinidade dos mundos, jamais tivesse composto uma obra completa? Conclui-se depois que a solução ideal seria fundir os nomes de dois personagens conhecidos de modo a que se pudesse atribuir ao novo personagem uma obra inédita que recordasse algumas das características dos dois personagens originais; e melhor ainda, se contivesse algum outro apelo ambíguo. […]  convencionou-se que seria possível fundir também personagens com instituições ou objetos.

Umberto Eco: O segundo diário mínimo.

 

Eu, infinitamente menos enciclopédico que a turma do erudito italiano, faço-me eco de Umberto e publico aqui a minha contribuição mínima ao jogo, limitando-me à literatura.

 

 

 

ALGUNS AUTORES E LIVROS  DA BIBLIOTECA DE PAPEL

 

Mínima contribuição diária ao Hircocervos, segundo Umberto Eco.

 

 

ADRIANO YOURCENAR = Memórias de Ronaldo.

ALEXANDRE SARTRE = Os três mosquiteiros.

ANA TOLSTÓI = O diário de Anna Karênina.

ANTON NABOKOV = A verdadeira vida das três irmãs.

CELINE BORGES = Norte-Sul.

DUQUESA GEORGETTE LOUISE DE DURAS = Oulrika.

EDGAR ALLAN CORTÁZAR = Orientação dos gatos pretos.

EDGAR ALLAN NABOKOV = Arthur Gordon Pnin.

EDGAR ALLAN TWAIN = As aventuras de Arthur Gordon Finn.

EDGAR POECO = O poço e o pêndulo de Foucault.

EÇA DE SCORZA = Os incas.

EÇA CALVINO = As serras invisíveis.

FIÓDOR KAFKA = O possesso.

FRANZ KAFESCO = Josefina, a careca.

FRANZ HITCHCOCK = A metapsicose.

FRIEDRICH DÜRENMANN = Os tísicos.

FRIEDRICH WOOLF = A  visita da velha senhora ao farol.

GABRIEL GARCIA DE CARVALHO = Ninguém escreve ao lobisomem.

GERTRUD STEINER = Antroposofia de todo mundo.

GIACOMO LAWRENCE = O  amante de lady Buterfly.

GOLIARDO MERIMÉE = Carmen Burana.

GRACILIANO LORCA = A casa de São Bernardo.

HANS CHRISTIAN IBSEN = O patinho selvagem.

HENRIK DOSTOIEVSKI = Recordações da casa de bonecas.

HONORÉ DE BALCKETT = O  pai Godot.

IGOR DE QUEIRÓS = A sagração do primo Basílio.

ISAAC GAUGUIN = A festa de Papeete.

ÍTALO PÍGLIA = As cidades ausentes.

JACQUES PAVLOVICH TATIKHOV = Meu tio Vânia.

JORGE LUIS BECKETT = Funes, o inominável.

JORGE LUIS DURAS = O outro amante.

JORGE LUIS PROUST = Em busca do tempo refutado.

LEÔNIDAS HAWTHORNE = A casa dos sete enforcados.

MARCEL BORGES = Em busca de Averróis.

MARCEL BUTOR = O  emprego do tempo perdido.

 

MARGUERITE AMADO = Os velhos marinheiros de Gibraltar.

MARGUERITE BORGES = O amante de Tlön, Uqbar, Orbis Tertius.

MARGUERITE CALVINO = O vice-cônsul partido ao meio.

MARGUERITE DONADIEU = Barragem contra o Atlântico.

MARGUERITE NABOKOV = O deslumbramento de Lolita V. Stein.

MARGUERITE STEIN = O  deslumbramento de Gertrude.

MARGUERITE PESSOA = O marinheiro de Tarqüínia.

MÁXIMO STRINDBERG = A mãe e o pai.

MIGUEL DE BABENCO = Dom Pixote.

NOEL TENNESSEE = O desejo do motorneiro do bonde.

PIERRE MENARD = Héctor Borgenco, autor do Pixote.

ROBERTO NICOLAI ARLTOL = Diário dos sete loucos.

RUDYARD CONRAD = Lord Tim.

SAMUEL DE BALZAC = Esperando Goriot.

SAMUEL BORGES = Beckett e eu.

SAMUEL JOYCE = Molloy Bloom.

TENNESSEE ECO = O nome da rosa tatuada.

TIMOCHENCO DUMAS = A dama das camélias e o rei de Cuba.

UMBERTO STEIN = O nome da rosa, da rosa, da rosa, da rosa.

VLADIMIR CORTÁZAR = Todos os fogos pálidos.

WILDE GUEVARA = O  retrato de Che Ernesto.

WILLIAM STRINDBERG = Senhorita Julieta.

 

(continua)

 

General afirma que Jobim é prepotente e ‘já foi tarde’

A queda de Nelson Jobim do Ministério da Defesa, no último dia 4, trouxe à tona o ressentimento de oficiais das Forças Armadas com supostas humilhações impostas a militares pelo ex-chefe.

Um artigo do general reformado Luiz Gonzaga Schroeder Lessa, ex-presidente do Clube Militar, expõe mágoas da caserna e afirma que o ex-ministro tinha “psicótica necessidade de se fantasiar de militar” e “já vai tarde”.

O texto foi publicado no site da Academia Brasileira de Defesa e circula desde o fim de semana em blogs de militares. Escrito como desabafo dirigido a Jobim, sugere que parte da classe se sentiu vingada com sua demissão.

Caio Guatelli-13.jan.2010/Folha Imagem
O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim durante visita a instalação brasileira no Haiti; ele deixou o cargo no início do mês
O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim durante visita a instalação brasileira no Haiti; ele deixou o cargo no início do mês

“Como um dia é da caça e outro do caçador, o senhor foi expelido do cargo de forma vergonhosa, ácida, quase sem consideração a sua pessoa, repetindo os atos que tantas vezes praticou com exemplares militares que tiveram […] a desventura de servir no seu ministério”, diz.

“Por tudo de mal que fez à nação, enganando-a sobre o real estado das Forças Armadas, já vai tarde. Vamos ficar livres das suas baboseiras, das suas palavras ao vento, das suas falácias.”

O general afirma que o perfil do ex-ministro publicado pela revista “Piauí” “retrata com fidelidade” o “seu ego avassalador, que julgava estar acima de tudo e de todos, a prepotência, a arrogância e a afetada intimidade com os seus colaboradores”.

Na reportagem, que precipitou a demissão do ex-ministro, Jobim chama a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) de “fraquinha” e diz que Gleisi Hoffmann (Casa Civil) “nem sequer conhece Brasília”.

Em outro trecho, que irritou os militares, a repórter narra uma cena em que ele usa tom ríspido para dar ordens ao almirante José Alberto Accioly Fragelli, diante de outros oficiais e de civis.

O artigo critica o ex-ministro por posar de farda, “envergando uniformes que não lhe cabiam não apenas por seu tamanho desproporcional, mas, também, pela carência de virtudes básicas”.

 

BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO

A ESCOLHA DO NOME – por olsen jr. / ilha de santa catarina



   Escolher um nome para um lugar público sempre enseja dificuldades. Depois de pronto parece simples, mas até se chegar lá, muito “campo precisa ser queimado” como dizem no Sul. Claro está que se precisa de arte, de conhecimentos extraídos do marketing, da sociologia e isso envolve a intuição e o comportamento e por trás de tudo, naturalmente, a credibilidade de quem se propõe em tentar o empreendimento.

Tem situações que se tornam hilariantes, talvez pela falta de propósito ou então, como sugerem os nativos aqui na Lagoa da Conceição, “era só pra inticar mesmo”. Lembro de um bar que abriu na região e começou mal. O proprietário deu o nome do estabelecimento de “Bar McMané” e como se não bastasse ainda, copiou o logotipo da poderosa cadeia de lanchonetes “McDonald’s”… Teve de fechar em menos de um mês…

Um caso singular, entretanto, aconteceu com um cidadão que saiu de Chapecó para tentar a vida nos Estados Unidos. Ele era alfaiate, e dos bons. Acreditou que podia triunfar na terra do “Tio Sam” e depois de muito relutar, finalmente pôs os pés na estrada. O que assistimos foi comunicado através de cartas (na época – década de 1960 – não havia internet) e foi uma questão de adaptação à nova cultura, mas não deixou de ser motivo de muita graça entre os amigos que acompanharam tudo de longe.

Denominar o seu estabelecimento de “Tailor’s Shop” (alfaiataria) parecia demasiadamente comum, ele optou por combinar algo de origem francesa com o seu nome de batismo. Todos o conheciam pelo nome de “Piva” e mandou fazer a placa “Pivas’s Atelier”…

Logo percebeu que nos EUA tudo parecia ser diferente. Os primeiros clientes começaram a chamá-lo de “Mr. Paiva”… “Mr. Paiva pra cá e Mr. Paiva pra lá…”  Acreditando que aquela nova nomenclatura poderia ser um sinal de futuro êxito, não teve dúvidas, mandou alterar a placa para “Paiva’s Atelier”…

Para sua surpresa, a par de novos clientes, começou a cansar de ouvir “Mr. Peiva” e tudo se repetiu com “Mr. Peiva pra cá e Mr. Peiva pra lá”… Pensou que era um novo indicativo de mudança para melhor e não hesitou, pediu para se confeccionar outra placa, deixando como “Peiva’s Atelier”…

E não demorou em ouvir o que sempre pretendeu, pelo menos quando chegou o seu nome de batismo claramente pronunciado, desta vez com indelével sotaque ianque, “Mr. Piva”… Supondo que era tudo uma questão de adaptação mesmo, instalou nova placa “Pivas’s Atelier” e tudo recomeçou… Paiva, Peiva, Piva… Cansado daquela busca, decidiu tirar o seu nome da placa e deixou simplesmente “Tailor’s Atelier” (atelier do alfaiate)…

Não fosse a mulher, teria desistido do negócio nos “Steits” quando o primeiro cliente (depois da instalação da nova placa) o chamou de “Mr. Tailor”…

 

olsen jr é escritor e membro da Academia Catarinense de Letras

 

Canto Lampião a um Jaruga – de tonicato miranda / curitiba

 

para o poeta Rodolfo Jaruga

Desde as Baixas do Jacaré,

na caatinga mais desaquartelada

tomando emprestado a Virgolino Ferreira

e também a David Jurubeba

vou na narrativa emendando tudo

causos e estórias,

palavras desenredadas

alguma delas toma, beba e béba

ao estilo Rodolfiano Jaruguense,

porque esta não vai de memória

é uma história roubada da história

é contação de causo no suspense.

E me perdoe Anildomá de Souza,

também outros autores renomados

sobre a história do ex-almocreve

tornado cabra macho sem criados

um que terminou sua criação

nos muitos pós do chão do sertão

logo após

o assassinato vil

do pai.

Ai!

Quanto sangue!

Cortaram o pobre homem

na faca afiada com buril

e a sua morte redundou

um nada de tempo depois

na morte desgostosa da mãe.

E assim Virgolino

foi levado a juramentos

promessas de vinganças

até formar a grei lampiônica

trocando o cabo da enxada

pelo cabo da parabelum.

E logo passou a matraquear balas

como um sendero mortífero,

vagalume de não parar os dedos,

apenas apagado na traição de um

su-bor-di-nado,

cabra danado, endemoniado,

encantado com os mexericos nos Angicos

onde macacos vieram às dúzias

e tum-tum- tum

vieram terminar tudo, apaziguar

o que jamais será apaziguado.

E deixaram duvidas

Mas quais são elas?

… é preciso contar toda a história

Cegado por um garrancho de jurema

Lampião acendeu todo o centro do Nordeste.

Desafiou o Governador de Pernambuco,

ele que governasse

de uma banda do Estado para lá,

até as terras chegar no mar.

Ele governaria do sertão para cá.

Afinal era ou não capitão?

Padinho Cícero lhe nomeou,

ganhou insígnia, vestiu farda

mas a honraria sempre foi tarda

não lhe deram respeito como capitão.

Comandante Virgolino.

Senhor das hostes do cangaço

homem de balas entrelaçadas no peito

e facas de 40 cm nos quartos.

Teve tempo em que fugiu sim

lá para o oco do mundo

perdido nos cafundó do Ceará

nas caatingas mais desenfreadas

lá onde xique-xique, mandacaru

e muito cipó bravo era o tudo

onde havia abundância e criança

mas a água era pouca.

Também poucas eram as riquezas

para tê-las não bastavam estrelas

no chapéu de través em meia lua

sempre na cabeça pendurado,

tinha de assaltar

tomar dos coronéis fazendeiros

distribuir com os pobres

e com os comparsas

após luta encarniçada.

Depois era a danada da cachaça

xaxado varando a madrugada

e a poeira tapando.

Depois eram os muitos goles

e a maldita de não parar a bica

nem o amor das moças

vestidas de chita.

Teve tempo de fartura

onde o xaxado correu solto

noite adentro,

pela garganta da madrugada,

pelos quintos da escuridão

até ser vencido pelo cansaço

ou por uma sandália partida

ou um amor arregaçado

numa rede embalançada.

E que cheiro bom, seu moço

chita de menina moça,

encantada e encantadiça

como Maria Bonita.

Mas teve tempo ruim tamém

onde chegou nos rincões da Bahia.

Vinha com três coisas na algibeira:

fome, nudez e dinheiro!

A ele juntou-se a tristeza

e um vaqueiro todo encourado.

Mas eu paro por aqui

no convite ao poeta Jaruga

para comigo tomar um vinho do sertão

produzido no São Francisco,

ali no Paralelo 8,

pertinho de onde o cangaço

nasceu e morreu.

E vamos sem balas, cavalos ou esporas

palrear meio de lado, lua adentro

ou somente beber calados

como dois velhos cangaceiros

sem mais lembranças que o olhar distante

para o interior do Brasil

de Euclides, de Virgolino

e da Coluna Prestes.

Você vem, não vem?

Tenho um trem de palavras

para descarrilar

trilhas de cavalos a galopar

copos para encher

e esvaziar

esvaziar…

 

.

Curitiba, 25/Jun/2011.

Tonicato Miranda

TOQUE DO TEMPO – de lucrecia welter / toledo.pr

Deus, ó Deus,
Em qual berço balbuciei minhas manhãs?
Em qual prece reconheci Tua voz?
Em qual brinquedo guardei minha infância?
Em qual vestido deixei a adolescência?

Em qual beijo emocionei o amor?
Em qual paixão cedi ao desejo?
Em qual adeus conheci a saudade?
Em qual lençol fantasiei afãs e afagos?

Em qual sonho acalentei meus ideais?
Em qual poema consagrei meus versos?
Em qual magia dei à luz a graça de ser?
Em qual dor senti os meus filhos não só meus?

Em qual fé, ó Deus, vi a sabedoria de meus pais?
Em qual sorriso se desfez minha juventude?
Em qual alento aninhei meu colo aos netos?
Em qual retrato me congelaram o ser bela?

Em qual passo se calou a minha dança?
Em qual olhar perdi a ânsia da vida?
Em qual poente repousará minha lide?
Em qual estrela permanecerá minha luz?

Em qual, ó Deus?

A história viva dos anos da ditadura – por urariano mota / brasil

O livro 68 a geração que queria mudar o mundo é um calhamaço de 690 páginas que, em vez de assustar pelo peso e volume, deixa em toda a gente um fascínio. Explico, ou tento explicar.  De agora em diante, ele será um volume de consulta obrigatória, para que não se cometam mais tantos atentados à história e à verossimilhança em telenovelas, peças e filmes no Brasil, quando o assunto for ditadura.  

Organizado por Eliete Ferrer, publicado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, no livro participam 100 autores em 170 relatos. Em mensagem coletiva no grupo da internet “os amigos de 68”, Eliete informa que nele se encontram “histórias reais ocorridas desde 1964 até a abertura política – nas reuniões, na militância, nas manifestações, nas discussões, na prisão, nas ações armadas ou não, nos treinamentos, na clandestinidade, no Brasil ou no exterior, no exílio. O diferencial do nosso livro caracteriza-se pela revelação do lado humano e afetivo daqueles que não aceitaram a prepotência do Golpe de 64, concebido e engendrado nos Estados Unidos”.

De fato, se em alguns relatos individuais as angústias e o heroísmo de militantes socialistas nem sempre se acham realçados, na maioria dos textos e no seu quadro geral se depreende uma história rica da vida de jovens, de homens e mulheres na última ditadura, que, setores à direita queiram ou não, está na agenda do mundo político do Brasil. O livro vem numa luta que exige resposta da civilização brasileira aos assassinatos até hoje encobertos. Mais precisamente, na batalha incansável dos familiares dos mortos que continuam a busca dos  corpos dos filhos, pais e irmãos. “68 a geração que queria mudar o mundo” é parte ativa  da consciência do  país que deseja uma punição exemplar para crimes contra a humanidade, que são imprescritíveis por todas as convenções internacionais do Direito.

Divulgação

O melhor e mais agradável em 68 a geração que queria mudar o mundo é que ele não é um volume de teses. Em seu conjunto lêem-se relatos plenos de frescor, isso quer dizer, de sangue vivo,  da hora, recuperado com o frescor da memória.  É um livro necessário, porque nele estão as chamadas fontes primárias, as pessoas fora dos arquivos, contando o que viveram, penaram ou mesmo imaginaram nos anos do terror da ditadura brasileira. Delas vêm os documentos primários da luta dos malditos anos. É um livro urgente, para ser lido e divulgado.

Nele hão de se debruçar historiadores, roteiristas, cineastas, teatrólogos e jovens de todo o gênero e escolas para que compreendam o mundo que ainda lhes é desconhecido, de pessoas iguais a eles, que viveram, morreram ou escaparam por um triz,  em situação-limite. São relatos da vida clandestina, de acontecimentos inimagináveis de “expropriações revolucionárias”, ou como a repressão as chamava, de assaltos a bancos por terroristas. Histórias de treinamento de guerrilha no Brasil, um documento vivo e inédito,  e de amor, do amor que sobrevivia entre as porradas e tensões.

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O curioso, para muitos, é que nele há também lugar para o humor, pois que os tempos eram duríssimos, mas os homens além do terror e crimes sofridos, também possuíam ou procuravam motivos para rir. Como neste caso, digno de Stanislaw Ponte Preta, o grande humorista que desmontou o ridículo da ditadura brasileira. Copio trecho do depoimento de Emílio Myra e Lopez:

“Um colega seu de ofício (do advogado Lino Ventura) defendia uma mulher e durante o seu processo ocorre o fato, verídico e registrado em seus autos. O advogado de sua defesa inquire o sargento, sua testemunha de acusação.

– Senhor sargento, por que o senhor acusa minha cliente de ser subversiva?

– Pelo material apreendido em sua casa – responde.

– Mas, especificamente, que material?

– Umas cartas…

O advogado prossegue.

– Sargento, seriam estas castas, às quais se refere?

– Sim, senhor, são estas cartas.

– Mas sargento, estas cartas estão escritas em idioma francês, o senhor tem conhecimento do idioma francês?

– Não senhor – responde o sargento para espanto e risos no plenário.

Insiste o advogado.

– Senhor sargento, se o senhor não conhece o idioma francês, como pode, por estas cartas, acusar minha cliente de ser subversiva?

– Mas é claro – prossegue convicto o sargento – eu li nas entrelinhas”.

o.mundi

DENÚNCIA: CINCO GENERAIS envolvidos em corrupção: “PROCURADORIA-GERAL DA JUSTIÇA MILITAR PEDE AO COMANDANTE DO EXÉRCITO ABERTURA DE DOIS NOVOS INQUÉRITOS CONTRA CINCO GENERAIS”

Carolina Brígido, Carla Rocha e Vera Araújo 

BRASÍLIA e RIO – A procuradora-geral da Justiça Militar, Cláudia Ramalho, pediu na quinta-feira a abertura de dois inquéritos contra cinco generais para apurar a participação deles no esquema de fraudes em licitações e compras do Instituto Militar de Engenharia (IME). O pedido foi enviado ao comandante do Exército, general Enzo Peri, a quem caberá instaurar a investigação. Os militares na berlinda assinaram a liberação de compras e de dispensas de licitações sob suspeita. Um dos inquéritos examinará o período de 2001 a 2007 e o outro, de 2008 a 2010. Os nomes dos oficiais estão sob sigilo.

As irregularidades vieram à tona em reportagens publicadas pelo GLOBO no ano passado . Já existe inquérito aberto contra outros militares envolvidos nas mesmas fraudes na Justiça Militar no Rio . O novo inquérito foi aberto em Brasília devido à patente dos suspeitos.

RELEMBREE-mail envolvendo generais faz MP Militar pedir a prisão de oficial acusado de fraudes no IME

Empresas de fachada foram usadas no esquema

A reportagem, de maio do ano passado, revelou que parentes ou laranjas de militares e ex-militares do IME – uma das mais conceituadas instituições de ensino do país – teriam montado um esquema de fraude em licitações na unidade, envolvendo pelo menos 12 empresas e cerca de R$ 15,3 milhões. A maior parte dos contratos diz respeito a serviços de consultoria em convênios firmados entre o IME e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), órgão do Ministério dos Transportes que está agora no centro de uma série de escândalos.

 

O levantamento mostrou que algumas empresas contratadas não funcionavam nos endereços fornecidos à Receita Federal e que havia sócios em negócios milionários morando em favelas no Rio. Outros indícios davam conta de que os valores dos contratos eram liberados de forma ágil, o que levantou a suspeita de que algumas empresas pudessem ter sido constituídas apenas com a finalidade de vencer as concorrências.

A maior parte do montante investigado foi pago por meio de ordens bancárias, entre 2004 e 2006. O fato chamou a atenção de alguns militares do IME que denunciaram o caso a seus superiores. Depois disso, empresas foram desativadas, outras mudaram de nome. Os militares que estariam ligados a elas deixaram o IME, tendo sido transferidos até para outros estados.

Uma das empresas que mais receberam recursos públicos foi a GNBR, que, entre 2004 e 2008, teve R$ 3,3 milhões liberados, de acordo com o Portal da Transparência do governo federal, por meio de notas bancárias pagas pelo IME por serviços prestados ao próprio instituto e ao Colégio Militar do Rio. Seus sócios também figuram em outras sete empresas que já tiveram contratos com o IME. Metade delas tinha, entre seus donos, parentes de um militar que, na época, trabalhava no instituto.

O inquérito do Rio está sendo conduzido pela procuradora Maria de Lourdes Souza Gouveia Sanson. Procuradoria de Justiça Militar do Rio já apresentou denúncia contra seis militares do Exército e nove civis. Entre os denunciados estão o major Washington Luiz de Paula (que era lotado no IME e tem cinco pessoas da família nas empresas investigadas); o capitão Márcio Vancler Augusto Geraldo (que na época era da comissão de licitação do instituto); o coronel Paulo Roberto Dias Morales; e o empresário Marcelo Cavalheiro.

Relatório do TCU confirma denúncias e cita generais

Um relatório recente do Tribunal de Contas da União (TCU) confirma todas as denúncias do jornal. E avança em outras direções, inclusive citando o nome de generais suspeitos de terem participado de irregularidades no IME e no Departamento de Engenharia e Construção (DEC) do Exército.

Já a investigação da Procuradoria da Justiça Militar de Brasília conta com uma equipe formada por cinco analistas contábeis e cinco analistas de informática que detectaram “fortes indícios de licitações viciadas e de fraudes em dispensas de licitação” no DEC. Há 96 casos sendo analisados. Neles, os ordenadores de despesa assinavam o documento e, em seguida, o general responsável dava seu aval. O TCU, em seu relatório, cita o nome de sete generais que avalizavam os contratos, entre eles, o próprio comandante do Exército, general Enzo Peri.

– Houve dispensas de licitações altamente suspeitas, e isso é confirmado pelo TCU – disse Cláudia Ramalho.

TIA DILMA levanta o tapete e……VARRRREEEEEEEEE!! / curitiba

arte de PAIXÃO.

A SEREIAZINHA: MEU CONTO DE FADAS PREDILETO – INTERPRETAÇÃO DE UM ADULTO – por zuleika dos reis / são paulo


 

Desde quando aos oito anos o li pela primeira vez, A SEREIAZINHA tornou-se meu conto de fadas predileto. Calou-me tão fundo e tão misterioso como o signo de um destino, hoje o sei: um dos signos simbólicos, precocemente dados, do meu próprio destino. Eis minha versão – lembrança deste conto magnífico.

A SEREIAZINHA, história “infantil”, já de início subverte a noção clássica das sereias como seres perigosos, aquelas que, com seu canto, levam os homens à perdição, à morte. A heroína de Hans Christian Andersen, não.

A pequena sereia vive no reino subaquático, com a avó, com as irmãs, com as demais companheiras de mesma dupla natureza. Sabe-se destinada a uma vida de trezentos anos, findos os quais seu corpo, como o de todas, se verá transformado em espuma do mar.

Sereiazinha não se conforma com tal destino: sonha com uma alma imortal, como a que possuem os humanos. A avó lhe diz que só há uma forma de obtê-la: conseguir o amor de um desses seres humanos. A fala da avó cria uma fusão, na jovem, do sonho da realização amorosa com o sonho de adquirir a alma imortal.

A princesinha do mar sobe, pela primeira vez, à superfície. As águas estão mansas; ao longe um navio. Aproxima-se e vê, no interior da embarcação, o rosto do mais belo dos príncipes humanos, rosto pelo qual se apaixona, instantaneamente. Queda-se a olhá-lo, as horas passam. Uma borrasca toma conta do céu e do mar, faz soçobrar o navio. Sereiazinha salva o príncipe, leva-o para a praia; ele abre os olhos, olha-a, novamente perde os sentidos. A jovem se oculta quando vê a comitiva real aproximar-se, tomar do príncipe, levá-lo para o palácio.

No reino subaquático, Sereiazinha almeja, fundidos, o sonho do amor humano e o sonho da alma humana. A feiticeira do reino lhe diz que só poderia conquistar o príncipe se tivesse duas pernas e lhe propõe metamorfosear-lhe a cauda, se lhe der em troca a sua voz maviosa, a voz mais maviosa do reino do fundo do mar, quiçá, de todos os reinos. A princesinha cede, torna-se muda e, junto com as perdas ganha, também, atroz sofrimento: ao andar é como se espadas a penetrassem desde a raiz dos pés.

Sereiazinha abandona o reino dos seus ancestrais. No reino dos humanos é admirada por sua beleza, pelo corpo perfeito, pelas pernas belíssimas que todos adivinham por baixo das castas vestes. Ninguém sabe de onde ela veio, não há como sabê-lo. Também o príncipe, por ela amado, queda-se seduzido.

O destino, caprichoso, trama destino diverso do que o deseja a leitora de oito anos (diverso também do que o viria a desejar a leitora adulta): o rei determina uma esposa para o príncipe; quando este conhece a escolhida por seu pai, julga reconhecê-la como aquela que o salvara do naufrágio.

Na festa de núpcias Sereiazinha dança, leve como uma fada. Dança… dança… dança… sufocando na garganta a terrível dor dos pés, sufocando no peito a dor da perda do amor e da perda da esperança por uma alma imortal. Como no início, as cenas finais se passam em um navio. A ex-princesinha do mar sabe que, ao amanhecer, deverá jogar-se ao mar, virar espuma, para todo o sempre. Olha pela janela do convés e vê suas irmãs se aproximarem, aflitas. Portam um punhal, entregam-no a ela, pedem-lhe que o enterrem no peito do príncipe: isto a salvará da morte tão precoce; isto a livrará do precoce destino de espuma.

Sereiazinha, com o punhal nas mãos, entra no quarto onde os noivos dormem, serenos; queda-se por longo tempo a olhá-los, chega mais perto, beija o príncipe amado na fronte.

O dia amanhece. A jovem sereia dirige-se à proa, lança o límpido e intacto punhal ao mar e, em seguida, joga-se também.  Sente-se dissolver; sabe-se, agora, espuma do mar. Em seguida, sente que se eleva e se percebe em presença de seres, estes sim alados, que lhe dizem: “Estavas entre dois caminhos, poderias ter escolhido o mais fácil: não o fizeste. Viemos para dizer-te que foi dado o passo inicial para a obtenção da alma imortal a que tanto aspiras. Teu amor pelo príncipe foi maior do que teu amor pela própria preservação. Tal renúncia suprema te confere o direito de ir em busca de tua alma, por mérito, por tuas ações. Já não dependes, como nós também não mais dependemos, dos seres do reino humano para nos tornarmos imortais.”

Insensata opção – por heitor scalabrini costa / recife

Muito se tem falado e escrito pró e contra a opção do governo Lula/Dilma em reativar o Programa Nuclear, implicando assim na instalação de centrais nucleares no território brasileiro.

Os defensores desta tecnologia, identificados com setores da burocracia estatal, militares, membros da academia, grupos empresariais (empreiteiras e construtores de equipamentos), julgam que o Brasil não deve prescindir desta fonte de energia elétrica para atender a demanda futura, alegam ser vantajosa por ser barata e “limpa” por não emitir gases de efeito estufa. Afirmam não ser possível acompanhar o desenvolvimento científico-tecnológico, caso não se construa usinas nucleares. E por outro lado, minimizam o recente desastre ocorrido no complexo de Fukushima Daiichi, garantindo riscos mínimos, e mesmo a ausência deles, nas instalações brasileiras.

A primeira vista tais argumentos pareceria convincente, e poderiam até confundir os mais neófitos e menos desavisados cidadãos e cidadãs, que desejam o melhor para o país e para sua população. Mas a verdade dos fatos tem revelado que a opção pela energia nuclear atende somente a interesses inconfessáveis de alguns, em detrimento dos interesses da ampla maioria, resultando em mais problemas do que soluções.

É preciso entender de uma vez por todas, a grande vantagem comparativa do Brasil por possuir uma diversidade e abundância de fontes energéticas renováveis que não são encontradas em nenhuma parte do mundo, e que podem pela tecnologia atual, atender as necessidades energéticas atuais e futuras do país. Estas sim, desde que utilizadas de forma sustentável, podem contribuir para uma sociedade descarbonizada.

Afirmar que as usinas nucleares não emitem gases de efeito estufa é uma meia verdade. É certo que quando em funcionamento as usinas núcleo elétricas emitem desprezíveis quantidades destes gases. Mas lembremos que as centrais não funcionam sem o combustível nuclear. E este para ser obtido, passa por etapas e operações que são conhecidas como “ciclo do combustível nuclear”, que vão desde a extração do minério radioativo, sua concentração, enriquecimento, preparação das pastilhas de combustível, seu uso na usina na geração de eletricidade, armazenagem do lixo radioativo produzido e o descomissionamento da usina, depois de atender sua vida útil. Em todas estas etapas e operações a produção de gases de efeito estufa é importante, e a quantidade varia muito em função da metodologia empregada para calcular, de 60 a 400 gCO2/kWh, como relatado por inúmeras publicações científicas. Por si só esta grande variação merece explicações e estudos mais conclusivos.

Relacionar a necessidade de instalação de usinas nucleares no país como sendo fundamental e imprescindível para acompanhar o desenvolvimento científico tecnológico na área nuclear é uma justificativa completamente fantasiosa, irreal e agride o bom senso. Ao invés de investir 10 bilhões de reais na construção de uma única usina, com baixo índice de nacionalização de seus componentes, poderia se construir reatores multi-propósito por 1 bilhão de reais cada unidade. Seriam muito mais úteis ao desenvolvimento e a soberania do país.

Minimizar os riscos das instalações nucleares é um atentado a inteligência de qualquer pessoa. Mesmo não divulgados são freqüentes os vazamentos de materiais radioativos e problemas que ocorrem nos 442 usinas nucleares espalhadas em 29 países. Os desastres mais significativos nos últimos 20 anos, de Thernobyl, Three Mille Island e de Fukushima Daiichi, foram suficientes para alertar o mundo de quão é perigosa e dos riscos à vida que oferecem estas instalações.

E finalmente, os custos da energia elétrica produzida pelas usinas nucleares são mais caros que outras fontes, como a eólica e a hidráulica, e comparados ao das termoelétricas. Além de necessitarem de subsídios públicos, ou seja, repasse de enormes recursos financeiros do tesouro nacional disponibilizados para esta tecnologia; que acabam dificultando que investimentos sejam realizados em outras fontes energéticas como a solar, eólica, biomassa, pequenas centrais hidroelétricas, e no aproveitamento dos recursos energéticos encontrados nos oceanos. É certo também que com as novas regras de segurança impostas pós Fukushima, ainda mais caro ficará o custo da eletricidade nuclear.

Uma pergunta que não quer calar, diz respeito à negativa de muitas seguradoras em cobrir os acidentes nucleares, que em muitos países essa cobertura é atribuída ao Governo Federal. Se as companhias de seguro, especialistas em estimar os perigos de acidentes, não desejam arriscar seu dinheiro, por que se devem obrigar as pessoas a arriscarem suas vidas?

No mínimo é insensata esta opção energética adotada pelo governo brasileiro, que deve ser mais discutida com transparência. Daí estar junto à imensa maioria da população que tem se manifestado contrária a construção de usinas nucleares em território nacional, fortalecendo o coro: Energia nuclear? Não obrigado.

 

Heitor Scalambrini Costa é  Professor da Universidade Federal de Pernambuco

Jorge, um saudoso farmacêutico – por alceu sperança / cascavel.pr

Quando Jorge Pereira do Valle nasceu, há 91 anos, estava sendo proclamada a República Portuguesa e começava a Revolução Mexicana. No Brasil, piorava a briga entre Paraná e Santa Catarina, que iria dar no conflito sangrento do Contestado, e acontecia o vergonhoso massacre da Chibata. Como sempre, o mundo mudava e o Brasil continuava o mesmo por muito mais tempo.

Mas em 1910, ano de tantos avanços no mundo e muita sacanagem governamental no Brasil, nascia esse farmacêutico ao qual muitas famílias estabelecidas no Oeste paranaense devem uma dica preciosa: “Cascavel será uma grande cidade, invista aqui”.

Jorge Pereira do Valle morreu há pouco, no Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, durante uma cirurgia que deveria lhe recompor a bacia fraturada.

Não se pode dizer que o Brasil tenha vivido muito bem esses 91 anos, mas Jorge viveu. Foi uma vida de trabalho e a serviço da família e de suas amizades.

Sua figura amiga e voz suave brotam da gravação em que saúda os 50 anos da Acic, da qual foi um dos fundadores. Nela, conta que foi para Cascavel em 1946, integrando a equipe médica de apoio aos militares e operários encarregados de construir a atual BR-277, e recorda as famílias com as quais mais teve amizade, especialmente os Galafassi, Pompeu e Tolentino.

Participou da formação da cidade e da criação do Município. Mesmo depois de ter seguido adiante acompanhou sempre Cascavel e a terra vermelha ficou marcada em sua memória. No vídeo, a mana Regina lhe pergunta: “Do que o sr. sente saudades em Cascavel?” “De tudo! De todas as amizades que deixei lá”.

Nascido em Tijucas do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, em 27 de março de 1910, filho dos agricultores Tobias Pereira do Valle e Ana Isabel do Valle, depois de completar o curso primário ele já começou a trabalhar.

Jorge foi indicado por um parente para trabalhar na Comissão de Estradas de Rodagem (CER-1), que construía a rodovia federal Estratégica. Auxiliava os seis enfermeiros destacados para prestar atendimento aos operários ao longo das obras.

Chegou a Cascavel e já não o deixaram mais sair para continuar o serviço médico da Comissão de Estradas. Convidado pela Madeireira M. Lupion a prestar atendimento de saúde aos operários como enfermeiro, passou a atender na Serraria Central, que depois passaria à Industrial Madeireira do Paraná.

Na época, os enfermeiros conseguiam se habilitar ou se provisionar como farmacêuticos e montavam seu próprio negócio. Comprando a farmacinha pioneira de Antônio Massaneiro, instalou-se com sua Farmácia São Jorge onde hoje é a loja Bigolin, na antiga rua Moysés Lupion, atual Sete de Setembro.

Em 1964 retornou a Curitiba, atitude da qual depois iria se arrepender, abrindo uma farmácia em Colombo. Em seus dois casamentos, teve nove filhos: Ivete, Alceu, Fernando, Osmar, Luiz, Ana, Josiane, Edson e Roberto.

Mesmo sendo fundador de uma associação comercial, não era um dos comerciantes mais espertos deste mundo: vendeu seu estoque para a Farmácia Santa Cruz e foi para São José dos Pinhais. Na RM de Curitiba, perdeu tudo o que havia conseguido em vinte anos de Cascavel, precisando recomeçar a vida. E foi o que fez.

Não apenas por isso, mas sobretudo porque os seis filhos do primeiro casamento nasceram todos em Cascavel, a lembrança da cidade oestina paranaense batia sempre.

Sentir saudades de Cascavel com tantos filhos cascavelenses era obrigatório. E agora a saudade fica por nossa conta, seu Jorge!

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Alceu A. Sperança – escritor

alceusperanca@ig.com.br

Pierre Seghers : uma aventura chamada poesia – por manoel de andrade ] paris

  

         

                                                                       “Si la poésie ne vous aide pas à vivre, faites autre chose.

                                                                       Je la tiens pour essentielle à l’homme autant que les battements de son cœur »

                                                                                                                             Le Temps des merveilles

                                    Pierre Seghers

          Neste verão, em Paris, entre tantos encantos e recantos vistos e revistos, destaco aqui apenas o que mais me interessou como poeta: uma exposição no Museu Montparnasse sobre o grande poeta e editor Pierre Seghers, denominada “Pierre Seghers – Poésie, la vie entière”

Seghers não foi somente o mais célebre editor de poesia do século XX, mas sobretudo  um combatente da liberdade. Nascido em Paris em 1906, onde morreu aos 81 anos, Seghers  em 1938, solidariza-se com a causa libertária da Guerra Civil Espanhola juntando-se a  escritores e artistas que, sob a tutela editorial de Paul Éluard, divulgam seus poemas nas edições clandestinas da revista “Commune”. É  a época em que ele conhece o editor espanhol Louis Jou, o amigo e mestre que o inspira a fundar sua primeira editora, a “Edición de la Tour”, em Villeneuve-les-Avignon.

Ainda em 1938 publica “Bonne  Espérance”, seus primeiros poemas reunidos. Com a França invadida pelo exército alemão  ele compreende que  guerra e  poesia são duas faces da mesma moeda e que um poema pode ser uma forma de resistir e de lutar, um grito de liberdade, uma lírica bandeira que resolveu desfraldar naquele primeiro ano da guerra publicando a revista dos Poetas-Soldados, chamada  “PC-39” ou “Poètes casqués”, direcionada para a poesia engajada na resistência, apesar da censura imposta pela ocupação alemã. No ano seguinte, seguindo  os passos de Louis Aragon e apoiado por Éluard, lança uma nova revista chamada “Poésie 40”, e depois, 41 e 42.

Em 1944, Seghers dá seu nome à Editora ao transferi-la para Paris. Em 1945 publica “Le Domaine Public” e adere ao Partido Comunista. Nesta nova fase ele revoluciona  a  arte editorial lançando os primeiros modelos de livros de bolso e, sonhando tornar a poesia acessível a todos, lança  sua grande obra como editor-poeta, a série “Poètes d’aujourd’hui”, cujo primeiro título, dedicado a Paul Élouard, consagra-o como precursor na edição  de poetas contemporâneos. Desta célebre coleção, com 256 títulos de poetas de todo o mundo, 147 obras  são mostradas na Exposição de Montparnasse. É  emocionante para um poeta e para os amantes da poesia ver o nome de tantos e tão grandes  poetas ali reunidos, lado a lado,  “vivos” através da obra que deixaram. A maioria são franceses e são muitos para citá-los nos limites deste texto, mesmo aqueles que inspiraram nossos versos da juventude. Lá estavam também Walt Whitman, Federico García Lorca e Fernando Pessoa que desde  sempre viveram na aldeia de minh’alma.  Encontrei nossos Manuel Bandeira e Vinicius de Moraes e os hispanoamericanos Marti, Neruda, Vallejo, Asturias, Guillén, Ruben Dario, Carrera Andrade, Octavio Paz. Entre  tantos espanhóis estive diante de António Machado, Rafael Alberti, Miguel Hernandez, Juan Ramón Jimenez e Luiz Cernuda e segue com poetas consagrados  do mundo inteiro.

Entre manuscritos, cartas, fotografias e obras inéditas, vê-se livros abertos em páginas autografadas para Pierre Seghers, reconhecendo a grandeza incomparável de sua dedicação à poesia e expressa em frases  comoventes de poetas como Paul Élouard, Pierre Reverdy, Leopold Sédar Senghor e outros.

A poesia e a música, como as mais elevadas expressões da alma humana, foram compeendidas pela grande sensibilidade do poeta Seghers, quando disse que a canção e a poesia são irmãs e eis porque publica a biografia de grandes cantores como Aznavour, Brassens, Ferré, como também uma coleção inédita chamada “Poesia e Música” e obras com partituras de  Chopin, Vivaldi, Schubert, Beethoven, Bach, etc.

Mas não é somente isso. Há densas antologias sobre a poesia chinesa, sobre a arte poética e dramática. Seghers publicou o teatro de Lorca, Ionesco, Pirandelo, Arrabal. A filosofia de Buda, Hegel, Heráclito, Garaudy, Marcuse, Heidegger. O pensamento de sábios como Freud, Oppenheimer, Leonardo da Vinci, Weisenberg, Teilhard de Chardin  e Newton.  Seghers foi  um embaixador da criação lírica do seu tempo  e da  memória da cultura universal,  publicando edições preciosas  sobre a arte na Música, na Literatura, na Pintura e na Política. Não esqueceu de contar a vida de cineastas como Antonioni, Buñuel, Godard, Fellini, Kurosawa, Hitchcock, Polanski e de revolucionários como Mao Tse Tung  e Che Guevara.

Em 1969, Pierre Serghers cede sua parte na Editora para Robert Laffont e dedica-se exclusivamente a escrever, nascendo daí obras como “La Résistance et ses Poètes 1939-1945”,  “Le Livre d’Or de la Poésie Française”  e  “Anthologie des Poètes Maudits du XX siècle”. E contudo, apesar da importância de sua obra como poeta e ensaísta, é pela incondicional atenção que deu à poesia, como editor, que neste verão sua memória é  reverenciada em importantes  jornais franceses , relembrada por intelectuais de toda a França e, com justiça, consagrada nesta exposição em Paris.

Creio que esta exposição, aberta até 7 de outubro,  será para muitos, como foi para mim, uma grata e misteriosa descoberta. É como se, pela primeira vez, alguém nos revelasse a real importância da poesia. Seus segredos, sua transcendência,  seu luminoso itinerário na história, seu mágico significado no coração dos homens. Foram mais de dois mil poetas publicados  em seus cinquenta anos de editor. É  como se naquelas salas tudo estivesse impregnado do seu amor pela poesia, porque sua vida foi tão somente  uma aventura chamada “poesia”. E é dessa palavra que nascem as raízes  do combatente, do editor e do escritor. Num país com um Panteão com tantos heróis, uma glória singular: a glória de uma vida inteira dedicada à poesia.

                                                                                                          Paris, 6 de agosto de 2011

 

o poeta MANOEL DE ANDRADE na exposição em PARIS . (4/8/2011)

Comando da Aeronáutica repudia reportagem do Fantástico sobre voar no Brasil

Nota Oficial 

Esclarecimentos sobre reportagem do Fantástico exibida em 07/08/2011

O Comando da Aeronáutica repudia veementemente o teor da reportagem do jornalista Walmir Salaro, levada ao ar no Fantástico deste domingo, sete de agosto, e no Bom Dia Brasil desta segunda-feira, oito de agosto.

A matéria em questão parte de princípios incorretos e de denúncias infundadas para passar à população brasileira a falsa impressão de que voar no Brasil não é seguro. A reportagem contradiz os princípios editoriais da própria Rede Globo ao apresentar argumentos com falta de Correção e falta de Isenção, itens considerados pela própria emissora como sendo atributos da informação de qualidade.

O jornalista embarcou em uma aeronave de pequeno porte (aviação geral), que tem características como nível de voo, rota, classificação e regras de controle aéreo diferentes dos voos comerciais. A matéria trata os voos sob condições visuais e instrumentos como se obedecessem as mesmas regras de controle de tráfego aéreo, levando o espectador a uma percepção errada.

O piloto demonstra espanto ao avistar outras aeronaves sobre o Rio de Janeiro e São Paulo, dando um tom sensacionalista a uma situação perfeitamente normal e controlada que ocorre sobre qualquer grande cidade do mundo. Nesse sentido, causa estranheza que a reportagem tenha mostrado a proximidade dos aviões como algo perigoso para os passageiros no Brasil. As próprias imagens revelam níveis de voo diferenciados, além de rotas distintas.

Além disto, o piloto que opta por regras de voo visual, só terá seu voo autorizado se estiver em condições de observar as demais aeronaves em sua rota, de acordo com as regras de tráfego aéreo que deveriam ser de seu pleno conhecimento. Mesmo assim, o piloto receberá, ainda, avisos sobre outros voos em áreas próximas.

Foi exatamente o que ocorreu durante a reportagem, que mostra o contato constante dos controladores de tráfego aéreo com o piloto. Desde a decolagem foram passadas informações detalhadas sobre os demais tráfegos aéreos na região, sem que houvesse qualquer perigo para as aeronaves envolvidas.

A respeito da dificuldade demonstrada em conseguir contato com o serviço meteorológico, é interessante lembrar que há várias frequências disponíveis para contato com o Serviço de Informações Meteorológicas para Aeronaves em Voo (VOLMET), que está disponível 24 horas por dia em todo o país. Além destas, há frequências de ATIS (Serviço Automático de Informação em Terminal) que fornecem continuamente, por meio de mensagem gravada e constantemente atualizada, entre outros dados, as condições meteorológicas reinantes em determinada Área Terminal, bem como em seus aeroportos. Como, aliás, é o caso da Terminal de Belo Horizonte, incluindo os aeroportos da Pampulha e de Confins.

Ressalte-se que, a despeito da operação de tais serviços, todos os pilotos têm a obrigação de obter informações meteorológicas antes do voo pessoalmente nas Salas de Informações Aeronáuticas dos aeroportos, por telefone ou até pela internet.

Ao realizar o voo sem, possivelmente, ter acessado previamente informações meteorológicas, o piloto expôs a equipe de reportagem a uma situação de risco desnecessário. Tratou-se, obviamente, de mais um traço sensacionalista e sem conteúdo informativo.

A respeito do momento da reportagem em que o controle do espaço aéreo diz que não tem visualização da aeronave, cabe esclarecer que o voo realizado pela equipe do Fantástico ocorreu à baixa altitude, em regras de voos visuais, uma situação diferente dos voos comerciais regulares.

Na faixa de altitude utilizada por aeronaves como das empresas TAM e GOL, extensamente mostradas durante a reportagem, há cobertura radar sobre todo o território brasileiro. Para isso, existem hoje 170 radares de controle do espaço aéreo no país. Como dito acima, é feita uma confusão entre perfis de voos completamente diferentes. Dessa forma, o telespectador do Fantástico ficou privado de ter acesso a informações que certamente contribuem para a melhor apresentação dos fatos.

No último trecho de voo da reportagem, o órgão de controle determinou a espera para pouso no Aeroporto Santos-Dumont. O que foi retratado na matéria como algo absurdo, na realidade seguiu rigorosamente as normas em vigor para garantir a segurança e fluidez do tráfego aéreo. Os voos de linhas regulares, na maioria das vezes regidos por regras de voo por instrumentos, gozam de precedência sobre os não regulares, visando a minimizar quaisquer problemas de fluxo que possam afetar a grande massa de usuários.

A reportagem também errou ao mostrar que Traffic Collision Avoidance System (TCAS) é acionado somente em caso de acidente iminente. O fato do TCAS emitir um aviso não significa uma quase-colisão, e sim que uma aeronave invadiu a “bolha de segurança” de outra. Essa bolha é uma área que mede 8 km na horizontal (raio) e 300 metros na vertical (raio).

Cabe ressaltar ainda que a invasão da bolha de segurança não significa sequer uma rota de colisão, pois as aeronaves podem estar em rumos paralelos ou divergentes, ou ainda com separação de altitude, em ambiente tridimensional.

A situação pode ser corrigida pelo controle do espaço aéreo ou por sistemas de segurança instalados nos aviões, como o TCAS. Nem toda ocorrência, portanto, consiste em risco à operação. O TCAS, por exemplo, pode emitir avisos indesejados, pois o equipamento lê as trajetórias das aeronaves, mas não tem conhecimento das restrições impostas pelo controlador.

Todas as ocorrências, no entanto, dão início a uma investigação para apurar os seus fatores contribuintes e geram recomendações de segurança para todos os envolvidos, sejam controladores, pessoal técnico ou tripulantes. É esse o caso dos 24 relatórios citados na reportagem. A existência desses documentos não significa a ocorrência de 24 incidentes de tráfego aéreo, e sim uma consequência direta da cultura operacional de registrar todas as situações diferentes da normalidade com foco na busca da segurança.

A investigação tem como objetivo manter um elevado nível de atenção e melhorar os procedimentos de tráfego aéreo no Brasil, pois é política do Comando da Aeronáutica buscar ao máximo a segurança de todos os passageiros e tripulantes que voam sobre o país. Incidentes e acidentes não são aceitáveis em nenhum número, em qualquer escala.

Sobre a questão dos controladores de tráfego aéreo, ao contrário da informação veiculada, o Brasil tem atualmente mais de 4.100 controladores em atividade, entre civis e militares. No total, são mais de 6.900 profissionais envolvidos diretamente no tráfego aéreo, entre controladores e especialistas em comunicação, operação de estações, meteorologia e informações aeronáuticas.

Para garantir a segurança do controle do espaço aéreo no futuro, o Comando da Aeronáutica investe na formação de controladores de tráfego aéreo. A Escola de Especialistas de Aeronáutica forma anualmente 300 profissionais da área. Todos seguem depois para o Centro de Simulação do Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA), inaugurado em 2007 em São José dos Campos (SP). Com sistemas de última geração e tecnologia 100% nacional, o ICEA ampliou de 160 para 512 controladores-alunos por ano, triplicando a capacidade de formação e reciclagem.

Vale salientar que a ascensão operacional dos profissionais de controle de tráfego aéreo ocorre por meio de um conselho do qual fazem parte, dentre outros, os supervisores mais experientes de cada órgão de controle de tráfego aéreo. Desse modo, nenhum controlador de tráfego aéreo exerce atividades para as quais não estejam plenamente capacitados.

A qualidade desses profissionais se comprova por meio de relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA). De acordo com o Panorama Estatístico da Aviação Civil Brasileira, dos 26 tipos de fatores contribuintes para ocorrência de acidentes no país entre 2000 e 2009, o controle de tráfego aéreo ocupa a 24° posição, com 0,9%. O documento está disponível no link:
http://www.cenipa.aer.mil.br/cenipa/Anexos/article/19/PANORAMA_2000_2009.pdf

A capacitação dos recursos humanos faz parte dos investimentos feitos pelo DECEA ao longo da década. Entre 2000 e 2010, foram R$ 3,3 bilhões, sendo R$ 1,5 bilhão somente a partir de 2008. O montante também envolve compra de equipamentos e a adoção do Sistema Avançado de Gerenciamento de Informações de Tráfego Aéreo e Relatórios de Interesse Operacional (SAGITÁRIO), um novo software nacional que representou um salto tecnológico na interface dos controladores de tráfego aéreo com as estações de trabalho. O sistema tem novas funcionalidades que permitem uma melhor consciência situacional por parte dos controladores. Sua interface é mais intuitiva, facilitando o trabalho de seus usuários.

Os resultados desses investimentos foram demonstrados pela auditoria realizada em 2009 pela International Civil Aviation Organization (ICAO), organização máxima da aviação civil, ligada às Nações Unidas, com 190 países signatários. A ICAO classificou o Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro entre os cinco melhores no mundo. De acordo com a ICAO, o Brasil atingiu 95% de conformidade em procedimentos operacionais e de segurança.

Sem citar quaisquer dessas informações, para realizar sua reportagem, a equipe do Fantástico exibe depoimentos sem ao menos pesquisar qual a motivação dessas fontes. O Sr. Edileuzo Cavalcante, por exemplo, apresentado como um importante dirigente de uma associação de controladores, é acusado por atentado contra a segurança do transporte aéreo, motim e incitação à indisciplina, e responde por essas acusações na Justiça Militar.

O Sr. Edileuzo Cavalcante foi afastado da função de controlador de tráfego aéreo em 2007 e recentemente excluído das fileiras da Força Aérea Brasileira. Em 2010, também teve uma candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral.

Quanto à informação sobre as tentativas de chamada por parte do controlador de tráfego aéreo, Sargento Lucivando Tibúrcio de Alencar, no caso do acidente ocorrido com a aeronave da Gol (PR-GTD) e a aeronave da empresa Excel Aire (N600XL) em 29 de setembro de 2006, cabe reforçar que elas não obtiveram sucesso devido à aeronave da Excel Aire não ter sido instruída oportunamente a trocar de frequência e não a qualquer deficiência no equipamento, conforme verificado em voo de inspeção. Durante as tentativas de contato, a última frequência que havia sido atribuída à aeronave estava fora de alcance, impossibilitando o estabelecimento das comunicações bilaterais.

Já quando foi consultar o Departamento de Controle do Espaço Aéreo, a equipe de reportagem omitiu o fato que trataria de problemas de tráfego aéreo. Foi informado que se tratava unicamente sobre a evolução do tráfego aéreo de 2006 a 2011.

Por fim, o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica ressalta que voar no país é seguro, que as ferramentas de prevenção do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro estão em perfeito funcionamento e que todas as ações implementadas seguem em concordância com o volume de tráfego aéreo e com as normas internacionais de segurança. No entanto, este Centro reitera que a questão da segurança do tráfego aéreo no país exige um tratamento responsável, sem emoção e desvinculado de interesses particulares, pessoais ou políticos.

Brasília, 9 de agosto de 2011.
Brigadeiro-do-Ar Marcelo Kanitz Damasceno
Chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica

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blog do Nassif

Esperando Solon – por amilcar neves / ilha de santa catarina

Ligaram várias vezes. Vezes sem parar, quase se poderia dizer. A primeira vez foi mais ou menos assim:

– Solon B. S.! – a voz da moça do televendas é impositiva, imperativa, revestida da autoridade típica das pessoas que têm muita pressa, muitos objetivos a atingir e não podem, portanto, ficar perdendo tempo com conversa fiada, não estão aí para jogar conversa fora, pois, como se diz, tempo é dinheiro; a identificação da circunstância de ser uma ligação de televendas, mais do que pelo tom de voz contrariado, se faz pelo som ambiente do local de onde parte a chamada telefônica, altamente ruidoso e agitado, além do fato característico de o telefone tocar e a pessoa, ao atender, ver-se pendurada na linha por longos segundos até que, do outro lado, a moça (sempre botam uma mulher para te ligar) se digne a falar. E, quando fala, ela o faz dando-te ordens.

– Ah, Solon B. S., claro! – o homem responde. – Que que tem? O que houve com ele? E quem quer saber, por favor?

– É da Cartão de Crédi. Ele se encontra?

– Olhe, pelo tom da sua voz, diria que ele se perdeu. Acho que se trata, o dele, de um caso perdido.

– A que horas ele chega?

– Parece que não chega, meu amor. E não tenho a menor ideia de quem seja a figura, sinto muito – e ouve baterem o telefone em seu ouvido.

Cinco vezes, todo dia, aconteceu assim. No sexto:

– Solon B. S.!

– Olha, moça, já cansei da brincadeira. Não existe nem nunca existiu qualquer Solon B. S. neste número – eles sempre falam o nome completo do sujeito, com sobrenome e tudo, mas aqui, de público, não podemos fazer o mesmo, ou seja, citá-lo nominalmente com todas as letras, sob pena de processos judiciais – geralmente acatados pelos juízes e bem sucedidos nos tribunais – pedindo polpudas indenizações por danos morais e à honra dos nominados. – Peço que tirem meu número dessa lista e não me liguem mais.

– Impossível, senhor. O número está no banco de dados da empresa, não tem como ser removido e nos será apresentado sem parar até que o Solon B. S. Atenda.

– Mas já disse que não há Solon algum por aqui! Vocês têm que tirar o meu telefone da lista.

– Impossível, senhor, já lhe disse.

– Muito bem. Então chame o seu supervisor, quero falar com ele.

– Nossos supervisores não falam ao telefone.

– Perfeito. Então diga-lhe que farei um boletim de ocorrências na delegacia do bairro se vocês me perturbarem de novo. Aí é a Cartão de Crédito mesmo ou alguma terceirizada?

– Não, senhor, a Cartão de Crédi não terceiriza serviços – e desliga.

Continuaram ligando, óbvio. Um bom profissional não se abate com um mísero não, não se intimida com uma vaga ameaça. O bom profissional persiste até o fim.

– Solon B. S.!

– Ele não está no momento. Pode ser com Soloff B. S., o russo?

Duas horas depois:

– Solon B. S.!

– Vou chamar. Solonzinho, telefone pra ti! – e o telefone dorme, ligado, em frente ao aparelho de som, ligado, até a moça desistir.

Passaram a ligar literalmente a toda hora. Só no sábado foram seis ligações, tarde a dentro, a última às 16h15, meia hora depois da penúltima.

– Solon B. S.!

– Claro, espera um pouquinho só. Sol! Solzinho, vem cá!

Nunca, talvez, o pessoal do televendas tenha escutado tanta música, embora não mais do que escutamos quando precisamos falar com uma empresa. Agora, na casa, sempre existe um som ligado para receber a chamada urgente e irremovível para um certo Solon B. S., o procurado.


Rodrigo Vianna: Jornalista da Globo denuncia que emissora vai atacar Amorim / são paulo


Acabo de receber a informação, de uma fonte que trabalha na TV Globo: a ordem da direção da emissora é partir para cima de Celso Amorim, novo ministro da Defesa.

O jornalista, com quem conversei há pouco por telefone, estava indignado: “é cada vez mais desanimador fazer jornalismo aqui”.Disse-me que a orientação é muito clara: os pauteiros devem buscar entrevistados – para o JN, Jornal da Globo e Bom dia Brasil – que comprovem a tese de que a escolha de Celso Amorim vai gerar “turbulência” no meio militar. Os repórteres já recebem a pauta assim, direcionada: o texto final das reportagens deve seguir essa linha. Não há escolha.

Trata-se do velho jornalismo praticado na gestão de Ali Kamel: as “reportagens” devem comprovar as teses que partem da direção.

Foi assim em 2005, quando Kamel queria provar que o “Mensalão” era “o maior escândalo da história republicana”. Quem, a exemplo do então comentarista Franklin Martins, dizia que o “mensalão” era algo a ser provado foi riscado do mapa. Franklin acabou demitido no início de 2006, pouco antes de a campanha eleitoral começar.

No episódio dos “aloprados” e do delegado Bruno, em 2006, foi a mesma coisa. Quem, a exemplo desse escrevinhador e de outros colegas na redação da Globo em São Paulo, ousou questionar (“ok, vamos cobrir a história dos aloprados, mas seria interessante mostrar ao público o outro lado – afinal, o que havia contra Serra no tal dossiê que os aloprados queriam comprar dos Vedoin?”) foi colocado na geladeira. Pior que isso: Ali Kamel e os amigos dele queriam que os jornalistas aderissem a um abaixo-assinado escrito pela direção da emissora, para “defender” a cobertura eleitoral feita pela Globo. Esse escrevinhador, Azenha e o editor Marco Aurélio (que hoje mantem o blog “Doladodelá”) recusamo-nos a assinar. O resultado: demissão.

Agora, passada a lua-de-mel com Dilma, a ordem na Globo é partir pra cima. Eliane Cantanhêde também vai ajudar, com os comentários na “Globo News”. É o que me avisa a fonte. “Fique atento aos comentários dela; está ali para provar a tese de que Amorim gera instabilidade militar, e de que o governo Dilma não tem comando”.

Detalhe: eu não liguei para o colega jornalista. Foi ele quem me telefonou: “rapaz, eu não tenho blog para contar o que estou vendo aqui, está cada vez pior o clima na Globo.”

A questão é: esses ataques vão dar certo? Creio que não. Dilma saiu-se muito bem nas trocas de ministros. A velha mídia está desesperada porque Dilma agora parece encaminhar seu governo para uma agenda mais próxima do lulismo (por mais que, pra isso, tenha tido que se livrar de nomes que Lula deixou pra ela – contradições da vida real).

Nada disso surpreende, na verdade.

O que surprendeu foi ver Dilma na tentativa de se aproximar dessa gente no primeiro semestre. Alguém vendeu à presidenta a idéia de que “era chegada a hora da distensão”. Faltou combinar com os russos.

A realidade, essa danada, com suas contradições, encarregou-se de livrar Dilma de Palocci, Jobim e de certa turma do PR. Acho que aos poucos a realidade também vai indicar à presidenta quem são os verdadeiros aliados. Os “pragmáticos” da esquerda enxergam nas demissões de ministros um “risco” para o governo. Risco de turbulência, risco de Dilma sofrer ataques cada vez mais violentos sem contar agora com as “pontes” (Palocci e Jobim eram parte dessas pontes) com a velha mídia (que comanda a oposição).

Vejo de outra forma. Turbulência e ataques não são risco. São parte da política.

Ao livrar-se de Jobim (que vai mudar para São Paulo, e deve ter o papel de alinhar parcela do PMDB com o demo-tucanismo)  e nomear Celso Amorim, Dilma fez uma escolha. Será atacada por isso. Atacada por quem? Pela direita, que detesta Amorim.

Amorim foi a prova – bem-sucedida – de que a política subserviente de FHC estava errada. O Brasil, com Amorim, abandonou a ALCA, alinhou-se com o sul, e só cresceu no Mundo por causa disso.

Amorim é detestado pelos méritos dele. Ou seja: apanhar porque nomeou Amorim é ótimo!

Como disse um leitor no twitter: “Demóstenes, Álvaro Dias e Reinaldo Azevedo atacam o Celso Amorim; isso prova que Dilma acertou na escolha”.

Não se governa sem turbulência. Amorim é um diplomata. Dizer que ele não pode comandar a Defesa porque “diplomatas não sabem fazer a guerra” (como li num jornal hoje) é patético.

O Brasil precisa pensar sua estratégia de Defesa de forma cada vez mais independente. É isso que assusta a velha mídia – acostumada a ver o Brasil como sócio menor e bem-comportado dos EUA. Amorim não é nenhum incediário de esquerda. Mas é um nacionalista. É um homem que fala muitas línguas, conhece o mundo todo. Mas segue a ser profundamente brasileiro. E a gostar do Brasil.

O mundo será, nos próximos anos, cada vez mais turbulento. EUA caminham para crise profunda na economia. Europa também caminha para o colpaso. Para salvar suas economias, precisam inundar nosso crescente mercado consumidor com os produtos que não conseguem vender nos países deles. O Brasil precisa se defender disso.  A defesa começa por medidas cambiais, por política industrial que proteja nosso mercado. Dilma já deu os primeiros passos nessa direção.

Mas o Brasil – com seus aliados do Cone Sul, Argentna à frente – não será respeitado só porque tem mercado consumidor forte, diversidade cultural e instituições democráticas. Precisamos, sim, reequipar nossas forças armadas. Precisamos fabricar aviões, armas. Precisamos terminar o projeto do submarino com propulsão nuclear.

Não se trata de “bravata” militarista. Trata-se do mundo real. A maioria absoluta dos militares brasileiros – que gostam do nosso país – não vai dar ouvidos para Elianes e Alis; vai dar apoio a Celso Amorim na Defesa, assim que perceber que ele é um nacionalista moderado, que pode ajudar a transformar o Brasil em gente grande, também na área de Defesa.

O resto é choro de anões que povoam o parlamento e as redações da velha mídia.

O PALHAÇO SEM GRAÇA – por olsen jr / ilha de santa catarina

 Na casa lotérica perguntei se podia pagar com o cartão. O atendente disse que sim, depois – como se lembrasse de alguma coisa – pediu pelo nome do banco e finalmente concordou. Pego uma senha e fico esperando a minha vez. O lugar vai sendo tomado. Metade da manhã, dia ensolarado de inverno, acredito, todos querem livrar-se logo dos encargos para aproveitar aquela energia solar providencial e necessária.

   A conta, tudo somado (água, luz, internet, telefone fixo e móvel, mais o IPTU) deu pouco menos de R$ 800,00 e a moça que me atendeu afirma que o limite para o pagamento com o cartão é de R$ 500,00… Digo que não tem problema e que eu completo com dinheiro…

Alguém que tinha acabado de chegar e ouviu a conversa vociferou: “Limite com o cartão só de R$ 500,00… A minha conta dá quase mil e eu aqui na fila fazendo o papel de palhaço”… Amarfanha a senha que tinha nas mãos e joga o papel no chão, saindo em seguida, como um touro espumando pelas ventas, diria o gaudério.

Fico pensando na expressão “fazendo o papel de palhaço”… Uma injustiça… Para ser um verdadeiro palhaço o sujeito precisa de talento. Talento este cultivado na observação do cotidiano, um duro aprendizado da vida, isso demanda tempo e muita dedicação. Assim mesmo, com todas as características definidas, o indivíduo corre o risco de não ter graça nenhuma. Um palhaço sem graça é desnecessário e inútil, lembrei do Scott Fitzgerald “Nada mais supérfluo do que uma bíblia no apartamento de um hotel cinco estrelas.”

Há indivíduos (gosto desta categoria sartriana para nomear o Ser que ainda não é, mas pode vir a ser) que gastam demasiada energia, despropositada mesmo, para mostrar que estão vivas. Curioso é que sempre “sobra” para quem não tem nada a ver com isso. Algumas pessoas não deveriam levar-se demasiadamente a sério. A vida é muito curta e custa muito emprestar-lhe um sentido, a consciência do fato já deveria bastar para não se dilapidar energia de maneira inútil.

Manifestações irascíveis, gratuitas, quase sempre carregam vestígios de carência afetiva que, naturalmente não podem ser “curadas” com mais violência, mas é outro papo…

   I pagliacci, como dizem os italianos… Fazer pilhérias, momices, gracejos, trejeitos, malabarismos com graça requer muito talento e ainda por cima fazer rir o que é curioso, porque nos espelhamos no ridículo que todo o humano carrega consigo e quando rimos, de certa maneira, estamos rindo de nós mesmos… Mas é preciso fazê-lo com arte e não com fúria como o indivíduo da casa lotérica, porque com esta, até um touro babão faz melhor.

    olsen jr é jornalista, advogado e membro da Academia Catarinense de Letras

*Honda City brasileiro – VERGONHA!* / roda na internet por email

Vai fundo brasileiro pagador de impostos !!!! **
Continuem vendo carnaval, BBB 11, futebol e novela, é o que os políticos querem !!
*
Honda City brasileiro é lançado no México com preço inicial de R$ 25.800
Como é possível?
*
[image:
http://carplace.virgula.uol.com.br/wp-content/uploads/2009/09/honda-city-2010-mexico-01.jpg]
*

A Honda lança no México o novo City. O sedan brasileiro, produzido na fábrica da Honda localizada em Sumaré – SP, chega ao mercado mexicano com apenas duas importantes diferenças: a primeira é a entrega com mais
equipamentos desde a versão de entrada e a segunda é o preço equivalente a menos da metade do cobrado no Brasil.

**No México, todas as versões são equipadas com freios à disco nas quatro rodas com ABS e EBD, airbag duplo, ar condicionado além dos vidros, travas e retrovisores elétricos. O motor é o mesmo que equipa a versão vendida no Brasil, ou seja, um 1.5 litro que entrega 116 cv de potência.

Por lá, a versão de entrada será oferecida por 197 mil pesos mexicanos, o que equivale a cerca de **R$ 25.800**. No Brasil, o City LX com câmbio
manual (versão de entrada) que não conta com freios ABS, tem preço sugerido
de **R$ 56.210**.* *
*

**Mesmo lembrando que Brasil e México possuem um acordo comercial que isenta a cobrança de impostos de importação, fica a pergunta: **Como é possível um
carro fabricado no Brasil ser vendido, com lucro, por menos da metade do preço em outro país?

**Fonte: **
http://carplace.virgula.uol.com.br/honda-city-brasileiro-e-lancado-no-mexico-com-preco-inicial-de-r-25-800-como-e-possivel/
*<http://carplace.virgula.uol.com.br/honda-city-brasileiro-e-lancado-no-mexico-com-preco-inicial-de-r-25-800-como-e-possivel/>
*
**E não é só imposto o lucro exorbitante das montadoras no Brasil, alivia as perdas em outros mercados, os trouxas macaquitos pagam para sustentar a vida
na Europa, EUA e Japão, continua tudo igual, somos os colonizados, temos que trabalhar e fechar o bico.**

Trinta anos atrás hoje: o dia em que a classe média morreu – por michael moore / eua

De tempos em tempos, alguém com menos de 30 anos irá me perguntar: “Quando tudo isso começou, o deslizamento da América ladeira abaixo?”. Eles dizem que ouviram falar de um tempo em que o povo trabalhador podia criar uma família e enviar as crianças à faculdade com a renda de um só dos pais (e que as faculdades em estados como Califórnia e Nova York eram quase gratuitas). De um tempo em que quem quisesse ter um trabalho remunerado decente o teria; em que as pessoas só trabalhavam cinco dias por semana e oito horas por dia, tinham todo o fim de semana de folga e as férias pagas todo verão. Que muitos empregos eram sindicalizados, de empacotadores em supermercados ao cara que pintava sua casa, e isso significava que não importava qual o seu trabalho, pois, por menos qualificado que fosse, lhe daria as garantias de uma aposentadoria, aumentos eventuais, seguro saúde e alguém para defendê-lo se fosse tratado injustamente.

As pessoas jovens têm ouvido a respeito desse tempo mítico – só que não é mito, foi real. E quando eles perguntam: “quando tudo isso acabou?”, eu digo: terminou neste dia: 5 de agosto de 1981.

A partir desta data, 30 anos atrás, o Grande Negócio e a Direita decidiram “botar para quebrar” – para ver se poderiam de fato destruir a classe média, e assim se tornarem mais ricos.

E eles se deram bem.

Em 5 de agosto de 1981, o presidente Ronald Reagan atacou todos os membros do sindicato dos controladores de vôo [PATCO – sigla em inglês], que tinha desafiado sua ordem de retornarem ao trabalho e declarou seu sindicato ilegal. Eles estavam de greve há apenas dois dias.

Foi um movimento forte e audacioso. Ninguém jamais tinha tentado isso. O que o tornou ainda mais forte foi o fato de que o PATCO foi um dos dois únicos sindicatos que tinha apoiado Reagan para presidente! Isso gerou uma onda de pânico nos trabalhadores ao longo do país. Se ele fez isso com as pessoas que votaram nele, o que fará conosco?

Reagan foi apoiado por Wall Street na sua corrida para a Casa Branca e eles, junto à direita cristã, queriam reestruturar a América e mudar a direção da tendência inaugurada pelo presidente Franklin D. Roosevelt – uma tendência concebida para tornar a vida melhor para o trabalhador comum. Os ricos odiavam pagar salários melhores e arcarem com os custos dos benefícios sociais. E eles odiavam ainda mais pagar impostos. E desprezavam os sindicatos. A direita cristã odiava qualquer coisa que soasse como socialismo ou que defendesse o reconhecimento de minorias ou mulheres.

Reagan prometeu acabar com tudo. Assim, quando os controladores de tráfego aéreo entraram em greve, ele aproveitou o momento. Ao se livrar de todos eles e jogar seu sindicato na ilegalidade, ele enviou uma clara e forte mensagem: os dias de todos com uma vida confortável de classe média acabaram. A América, a partir de agora, será comandada da seguinte maneira:

* Os super-ricos vão fazer muito, mas muito mais dinheiro e o resto de vocês vai se digladiar pelas migalhas deixadas pelo caminho.

* Todos devem trabalhar! Mãe, Pai, os adolescentes, na casa! Pai, você trabalha num segundo emprego! Crianças, aqui estão as suas chaves para vocês voltarem para casa sozinhas! Seus pais devem estar em casa na hora de pô-los para dormir.

* 50 milhões de vocês devem ficar sem seguro de saúde! E para metade das companhias de seguro: vão em frente e decidam quem vocês querem ajudar – ou não.

* Os sindicatos são maus! Você não será sindicalizado! Você não precisa de um advogado! Cale a boca e volte para o trabalho! Não, você não pode ir embora agora, não terminamos ainda. Suas crianças podem fazer seu próprio jantar.

* Você quer ir para a faculdade? Sem problemas – assine aqui e fique empenhado num banco pelos próximos 20 anos!

*O que é “aumento”? Volte ao trabalho e cale a boca!

E por aí vai. Mas Reagan não poderia ter levado tudo isso a cabo sozinho, em 1981. Ele teve uma grande ajuda: a AFL-CIO

A maior central sindical dos EUA disse aos seus membros para furarem a greve dos controladores de tráfego aéreo e irem trabalhar. E foi só o que esses membros do sindicato fizeram. Pilotos sindicalizados, comissários de bordo, motoristas de caminhão, operadores de bagagens – todos eles furaram a greve e ajudaram a quebra-la. E os membros do sindicato de todas as categorias furaram os piquetes ao voltarem a voar.

Reagan e Wall Street não podiam crer nos seus olhos! Centenas de milhares de trabalhadores e membros dos sindicatos apoiando a demissão de companheiros sindicalizados. Foi um presente de natal em Agosto para as corporações da América.

E isso foi só o começo. Reagan e os Republicanos sabiam que poderiam fazer o que quisessem, e o fizeram. Eles cortaram os impostos para os ricos. Tornaram a sua vida mais dura, caso quisesse abrir um sindicato no seu local de trabalho. Eliminaram normas de segurança do trabalho. Ignoraram as leis contra o monopólio e permitiram que milhares de empresas se fusionassem ou fossem compradas e fechassem as portas. As corporações congelaram os salários e ameaçaram mudar de país se os trabalhadores não aceitassem receber menos e com menos benefícios. E quando os trabalhadores concordaram em trabalhar por menos, eles exportaram os empregos mesmo assim.

E a cada passo dado nesse caminho, a maioria dos americanos estavam juntos, apoiando-os. Houve pouca oposição ou contra-ataque. As “massas” não se levantaram e protegeram os seus empregos, suas moradias e escolas (os quais costumavam ser os melhores do mundo). Simplesmente aceitaram seu destino e tomaram porrada.

Eu sempre me pergunto o que teria ocorrido se eles tivessem parado de voar, ponto, em 1981. E se todos os sindicatos tivessem dito a Reagan “Dê a esses controladores de voo os seus empregos de volta ou eles derrubarão o país”? Você sabe o que teria acontecido. A elite das corporações e seu boy, Reagan, teriam se dobrado.

Mas nós não fizemos isso. E assim, passo a passo, peça por peça, nos 30 anos seguintes aqueles que estiveram no poder destruíram a classe média em nosso país e, em troca, arruinaram o futuro de nossa juventude. Os salários permaneceram estagnados por 30 anos. Dê uma olhada nas estatísticas e você poderá ver que todo o declínio que estamos sofrendo agora teve seu início em 1981 (eis aqui http://www.youtube.com/watch?v=vvVAPsn3Fpk uma pequena cena para ilustrar essa história, do meu filme mais recente).

Tudo isso começou neste dia, há 30 anos. Um dos dias mais obscuros na história dos EUA. E nós deixamos que isso ocorresse a nós. Sim, eles tinham o dinheiro e a mídia e as corporações. Mas nós tínhamos 200 milhões de nós. Você já se perguntou o que seria se 200 milhões tivessem se enfurecido e quisessem seu país, sua vida, seu emprego, seu fim de semana, seu tempo com suas crianças de volta?

Nós todos simplesmente desistimos? O que estamos esperando? Esqueça os 20% que apoiam o Tea Party – nós somos os outros 80%! Esse declínio só vai terminar quando exigirmos isso. E não por meio de uma petição online ou de uma twittada. Teremos de desligar as tevês e os computadores e os videogames e tomar as ruas (como o fizeram no Wisconsin). Alguns de vocês precisam sair dos seus gabinetes de trabalho local no próximo ano. Precisamos exigir que os democratas tenham coragem e parem de receber dinheiro de corporações – ou as deixem de lado.

Quando será suficiente, o suficiente? O sonho da classe média não reaparecerá magicamente. O plano de Wall Street é claro: a América deve ser uma nação dos que têm e dos que nada têm. Isso está bem para você?

Por que não aproveitar hoje (05/08) para parar e pensar a respeito dos pequenos passos que você pode dar pela sua vizinhança e em seu local de trabalho, em sua escola? Há algum outro dia melhor para começar a fazer isso, que não seja hoje?

Tradução: Katarina Peixoto

Claudia Ioschpe publicou no jornal ZERO HORA: “Poses sensuais de modelo de 10 anos causam polêmica.” / porto alegre

“a grande imprensa, familiar, brasileira serve para ISTO. serve também para tentar desgastar governos que não lhe paguem convenientemente, serve para caluniar, mentir, difamar seus adversários, serve para esconder a roubalheira da ditadura (vide: ponte rio niterói, transamazônica e outras centenas), a roubalheira do FHC (vide a privataria), a roubalheira do PC Farias no Collor, porque a “grande imprensa brasileira” estava junto nessas oportunidades, nada divulgando e recebendo propinas de “corruptos e corruptores”. esta publicação é para mostrar aos leitores ingênuos o grande serviço prestado à nação por esse conjunto de lama impressa, digital e televisiva.”

O Editor.

Poses sensuais de modelo de 10 anos causam polêmica

08 de agosto de 20116

Em fotos provocantes, a modelo de 10 anos Thylane Lena-Rose Blondeau está causando polêmica no mundo da moda. A top aparece deitada entre almofadas com estampas de onça e pintando os lábios.

O ensaio na revista Vogue Enfants causou críticas de ONGs de proteção à criança. Segundo matéria publicada no site da ABC News, ativistas criticam duramente a publicação por expôr a menina em situações com temática sensual.

Thylane é considerada uma grande promessa na moda. Nascida na Costa do Marfim, a modelo já foi comparada a Brigitte Bardot, que também causou polêmica ao posar para a revista Elle aos 15 anos.

Postado por Equipe N9ve, às 10:00

Comentários (6)

  • Suzy diz:8 de agosto de 2011

    Os pais deveriam ser processados, no mínimo receberão uma
    bolada as custas da filha, inadmissivel isso, essa menina deveria
    estar brincando de bonecas…revoltante.

  • JAQUE diz:8 de agosto de 2011

    SEI LÁ, UMA COISA E CERTA A MENINA VAI SER MUITO LINDA, JA É…..

  • Oliveira diz:8 de agosto de 2011

    Creio que o fotografo só quis mostrar que menina tem futuro pra moda, e no minimo as outras modelos já estão vendo que vai diminuir os seus caches por conta da menina que tem tudo pra ser sucesso no mundo da moda.

  • Apenas um pai diz:8 de agosto de 2011

    Verdadeiramente um absurdo. Vivemos num mundo em que as pessoas ‘doentes’ procuram justamente este tipo de midia. Já não basta as novelas, realitys, programas de auditorio e humoristicos que exploram a tematica sexual, com mulheres em trajes minimos, agora estão investindo em crianças, nem adolescentes, crianças mesmo. Sei que não é uma publicação brasileira, mas mesmo assim cabe a cada um de nós acessar o site desta revista e manifestar nossa repulsa e indignação.

  • Dorval Petrarca Vignol diz:8 de agosto de 2011

    Um viva aos pais dessas crianças que vendem seus filhos por 30 moedas. Que poupança, hein? Daqui há uns tempos não precisarão mais trabalhar, viverão às custas das filhas. Agora, aqui pra nós, não é o que todo mundo acha bonito e quer?

  • Thiago diz:8 de agosto de 2011

    Que absurdo. Essa adultização das crianças é ridícula. Essa menina deveria estar é brincando de boneca, ela vai ter o resto da vida pra ser adulta depois. A adultização precoce é extremamente prejudicial, muitos passam depois a vida inteira tentando recuperar a infância perdida (ex. Michael Jackson).

O TRATADO DE ZUGUEIB / curitiba


Jamil se pergunta o que leva os homens a se matarem por uma terra ou mesmo por um time de futebol. Para responder, subiu montanhas, cruzou oceanos e vasculhou a própria memória. Nela encontrou a “Guerra do Pente”, uma história curitibana que comoveu

 .

O fim do conflito entre árabes e judeus está longe de acabar. Mas na casa número 1 de uma pequena rua do Abranches, atrás da Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba, a paz é possível. E não é de hoje. Ali mesmo, no quintal, debaixo de uma cerejeira e do latido da cachorrada, o psicólogo social Jamil Zugueib, 62 anos, já promoveu uns tantos colóquios sobre o Oriente Médio e outros embates da hora.

“Sou um libertário”, gaba-se entre baforadas de Marlboro o homem calvo de cabelos longos, em golas de padre, sotaque indecifrável – uma figura que parece saída dos livros de Milton Hatoum ou Raduan Nassar. É meio Che Guevara, meio monge João Maria, mas tão familiar quanto nosso vizinho árabe mais próximo, e não são poucos. O “turco” Jamil, como é chamado – sem se importar com o erro que costuma deixar sírios e libaneses a três palmos do chão – tem de fato um deserto e mais 1.001 histórias no currículo.

Professor do curso de Psi­co­logia da UFPR, pesquisador de comportamento em situações de conflito social, fez trabalhos em hospitais psiquiátricos e no Instituto Médi­co-Legal. Nos anos 90, iniciou um intercâmbio de estudos no Líbano, o que lhe permitiu proezas como subir a montanha e ter com os “drusos”, etnia “nada confiável” da qual tanto seu pai falava.

À moda árabe, em 2010 devolveu a hospitalidade brindando os conterrâneos com seus estudos sobre uma história que presenciou na infância, ocorrida em 1959, na Praça Tiradentes – a Guerra do Pente. “Foi uma manifestação de xenofobia, sim”, afirma, sobre o quebra-quebra iniciado num bazar libanês, mobilizando cerca de 2 mil manifestantes. Foram 181 casas comerciais. E um exemplo da bestialidade das massas.

Você já sofreu discriminação por ser árabe?

Não. Mas por ser um pouco diferente dos curitibocas, sim. [risos] A culpa de algum curitibano ser tão arredio deve ser do pinhão. Só pode ser isso. Tem alguma coisa ali…

O que significa seu nome em árabe?

Jamil quer dizer “bonito”, “gente boa”. Zugueib se refere às penas de um passarinho. Mas aqui sou o turco Jamil, o Turquinho. Acho carinhoso.

Já rolou algum conflito com as origens?

Bom, já fiz de tudo na vida. Fui, inclusive, jornalista em uma revista de turismo. Corria atrás de anúncios e falava com gente de todas as etnias. O árabe me parecia o mais pão-duro. Foi quando comecei a idealizar. Gostaria que fossem mais graduados. Acho que a gente podia ter representatividade cultural mais forte. Por exemplo, o nosso vice-presidente, Michel Temer. Ele é filho de libanês, mas o que ele tem de árabe? De quem mais dá para falar? Do Maluf? Nem pensar.

Como é uma casa libanesa?

A principal marca é a “anfitrionice”. As famílias são muito alegres e gostam de receber bem. A mulher, pelo menos em países como Síria, Egito e Jordânia, é muito forte e tem orgulho dos filhos. É parecida com a mãe italiana – histriônica, berra, chora, mas sempre está ali. Mas a família árabe, quando é um pouco mais intelectualizada, tem um quê de melancolia. Acho que é porque muitos vivem no sonho do despontar da cultura do ano 1000. O grande Salah Ad-Din [1138-1193] ainda é o paradigma do guerreiro valoroso e honrado. Foi um grande líder na luta contra os cruzados, retomou Jerusalém dos cristãos, sem matar ninguém por vingança, inclusive defendendo os judeus.

Como os árabes veem o Brasil?

Acham que é o Éden. Carnaval, caipirinha, churrasco e dinheiro para ganhar. Além do futebol. Na Copa do Mundo torciam pelo Brasil. Mas sempre criamos estereótipos, principalmente quando estamos muito longe. Aqui estamos no bairro Abranches, longe de tudo [risos].

Como seu pai reagiu ao saber que você iria estudar Psicologia?

O sonho do meu pai era que eu fosse para a Aeronáutica. Mas a leitura de Monteiro Lobato fez com que eu me interessasse pelo mundo grego, e, já no ginásio, pela Filosofia. Um dia falei com o padre Emir Calluf para saber a diferença entre Psicologia e Psiquiatria. Escolhi. Meu pai ficou triste: “O que é esse troço? Que coisa horrorosa. Vai ficar pobre” [risos]. Meu pai viveu 94 anos. Aos 90 ainda dirigia e batia o carro para burro.

Seu pai, enfim, foi determinante, como nos livros do Milton Hatoum e Raduan Nassar…

Tenho passaporte libanês, mas sou brasileiro. Meus pés estão aqui, nas várzeas do Rio Iguaçu. Tal qual o Caetano Veloso falou: pus os meus pés no riacho e acho que nunca os tirei. Meu pai colocava discos de música árabe aos domingos, comíamos kibe e ele se lembrava do Líbano. Falava muito da etnia drusa, que realmente era muito perigosa. Isso ficou gravado na minha memória. Mais tarde, para saber quem eram os drusos, fui até o Líbano e subi a montanha. Mas há um ditado: “Para comer, vá na casa de um druso. Para dormir, na casa de um cristão.” Um druso te trata muito bem, mas pode te matar à noite.

Você virou objeto da sua própria pesquisa?

Fiquei emocionado com minha pesquisa. Eu nem imaginava chegar lá. Depois, na Síria, onde tudo é esturricado, eu estava louco para vir embora. Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá. As aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá. Gosto muito de pássaros, e lá tinha só dois ou três passarinhos vagabundinhos.

Qual o lugar da loucura e da histeria no estudo?

Eu trabalhei muito em hospital psiquiátrico. Agora, pesquiso a resistência psíquica em tempos de guerra. O que faz alguém gostar tanto de uma terra a ponto de defendê-la com a própria vida? Sei lá: é como um torcedor do Coritiba e um atleticano. A camisa rubro-negra só se veste por amor. Atlético até morrer [risos]. Comecei essa história com o Lampião, lá na infância…

Conte para nós…

Minha avó materna, uma russa-prussiana, contava muitas aventuras do Lampião. Foi sobre ele o primeiro livro que comprei, aos 14 anos. Sempre fui fascinado por figuras marginais, na linha dos “rebeldes primitivos”, dos quais fala o historiador Eric Hobsbawm. São os bandidos de honra, como o Lampião e o Robin Hood.

Como você vê as revoltas da Primavera Árabe?

Formidável. Em Damasco floresceu porque o povo não aguentava mais o Bashar Assad. Claro que saem na imprensa mentiras sobre o mundo árabe, como na execrável Veja. Tem gente que manda dinheiro para o Hezbollah, claro, mas não há quem, morando aqui, vá servir o Exército em Israel?

Alguma rusga com os judeus?

Tenho amigos judeus, trabalho, estudo com eles. O que faz o homem é a palavra dele, a conduta. Em Jerusalém pedi informação na rua para um hassídico, que é bem radical. Ele não respondeu, cutuquei com o dedo. Ele quase cuspiu na minha cara. Se me desse um tapa, eu revidaria. Seria uma briga feia…

Seria uma Guerra do Pente em Israel…

[risos] Sim, mas lá o clima é muito mais pesado. As feridas estão abertas desde as Cruzadas…

Você pesquisou a Guerra do Pente. Essa história lhe pertence?

Lá pelas tantas, comecei a relembrar da minha infância no Uberaba, no meio de ucranianos. Eu escutava: “Ei, turquinho, veio roubar o Brasil?” A recordação da Guerra do Pente veio junto. Eu tinha uns 11 anos e estava na casa de uma tia. Lá pelas 6 horas da tarde, meu tio falou que estava comendo o pau na Tiradentes porque um turco vendeu um pente e o cara pediu a nota.

Como foi o conflito?

A Tiradentes era a Turcolândia [risos]. Havia a campanha “seu talão vale um milhão”. O pessoal pedia nota fiscal, valia uma fortuna. O cara pediu para o árabe, o Hajj, por causa de um pente, eles se estranharam e o sujeito falou um palavrão. Foi por causa disso que tudo começou. Mas tinha xenofobia. Tanto é que, no segundo dia da guerra, os manifestantes desceram a Praça Tiradentes, assustando os árabes da Casa 3 Irmãos. Um deles deu um tiro no chão. Foram dando murro no sujeito até a Praça Zacarias. Ele foi parar no hospital, em estado grave. Depois virou bagunça. Só parou quando a garoa veio [risos]. A massa não tem forma, vai pelo impulso.

O que mais surpreendeu na pesquisa?

Achava que o Hajj tinha ficado marcado. Imagine o que significou para um turco ter loja toda quebrada, ainda mais nas vésperas do Natal. Mas em três dias ele já estava trabalhando. O Ali, um dos filhos do Hajj, fala que havia inveja porque a loja estava crescendo, pagava caminhonete para fazer propaganda nos bairros. Outra hipótese é que o cliente do pente teria dito que foi na Casa da Pechincha, de um judeu, e que lá fora bem atendido. Uma provocação. Chegaram a dizer que tudo nasceu de uma orquestração do Partido Comunista.

Loucura…

Outra condicionante é que havia gente saindo do trabalho naquela hora. E um boteco do lado da loja. É o lúmpen proletariado de qual falo. Atrás vieram os desocupados, os loucos pirados de tudo que é espécie. Os abilolados são atraídos pela massa. A Maria do Cavaquinho estava lá. O Sacarrolha. O Chupeta.

Que interesse esse episódio despertou no Líbano?

Em 1959 saiu no jornal do Líbano algo como “quebra-quebra contra os libaneses em Curitiba”. Quando eu fui, contei a história para doutorandos. Falei da vontade de vencer, o que para o libanês é muito forte. Hajj partiu para frente, assimilou o Brasil, isso agradou muito, porque é um valor para os libaneses.

Estamos sempre à espre­i­­ta de uma guerra do pente…

A etnização do mundo está perigosa. O mundo está caminhando para uma agudização de sentimentos. E tem o individualismo. Hoje mesmo [dia 12 de julho] na CBN ouvia sobre o Dnit. Como o povo aceita isso, cadê a UNE? Os diretórios acadêmicos não fazem nada. No meu tempo era filme, debate, hoje fazem gincana. São crianças. Acho que estou velho.

por ROSANA FÉLIX E JOSÉ CARLOS FERNANDES.

MONIZ BANDEIRA: “Legalidade foi o primeiro levante civil a impedir um golpe”

Entrevista concedida a Eleonora de Lucena. /SÃO PAULO

 

A Campanha da Legalidade não deixou nenhum legado, pois o golpe frustrado em 1961 aconteceu em 1964. A avaliação é de Luiz Alberto Moniz Bandeira, 75. Como repórter, ele testemunhou, de Brasília, a crise da renúncia de Jânio Quadros e os debates para a implantação do parlamentarismo.

Historiador e cientista político, ele é autor de livros como “A Renúncia de Jânio Quadros e a Crise Pré-64” [Brasiliense, 1989] e “O Governo João Goulart – As Lutas Sociais no Brasil (1961-1964)” [Civilização Brasileira, 1977].

Nesta entrevista, Moniz Bandeira analisa a crise militar desencadeada pela Campanha da Legalidade e a adesão do Terceiro Exército ao movimento contra o golpe.

Folha – Qual o significado político e militar da Campanha da Legalidade? Qual o seu legado?

Luiz Alberto Moniz Bandeira – A Campanha da Legalidade possibilitou que, pela primeira vez na história do Brasil, um levante civil, ao qual 3º Exército aderiu, impedisse um golpe de Estado. Não creio que tenha deixado nenhum legado pois o golpe militar, frustrado em agosto/setembro de 1961, foi consumado em 1° de abril de 1964.

O sr. concorda com a avaliação de que a campanha causou uma cisão inédita nas Forças Armadas brasileiras?

Sempre houve distintas tendências políticas nas Forças Armadas, porém os militares, na sua imensa maioria, tinham formação legalista e de respeito à hierarquia e à disciplina. Um dos pressupostos da Aliança para o Progresso, lançada pelos EUA há 50 anos, era não reconhecer governos que resultassem de golpes de Estado ou revoluções e não obedecessem às normas do regime democrático-representativo. Esse pressuposto colidia com a diretriz do Pentágono, que, considerando as Forças Armadas como a organização social mais estável e modernizadora na América Latina, promoveu a mutação na estratégia de segurança continental, com a doutrina da Civic Action (Ação Cívica). Essa doutrina incentivou os militares a participarem da política interna em seus respectivos países, a fim de conter um suposto avanço do comunismo.

Como explicar a conduta do comandante do Terceiro Exército naquele momento?

O general Machado Lopes, comandante do 3º Exército, relutou a princípio em aderir ao movimento. Disse que era um soldado e que cumpriria ordens. Porém, tinha formação legalista e, com o levante popular promovido pelo governador Leonel Brizola e com a mobilização da Brigada, ele deve ter percebido a justa causa da campanha.

Jango e Brizola divergiram naqueles dias. Quem tinha razão? Como o sr. os define?

Divergências entre Jango e Brizola sempre ocorreram. Os dois tinham temperamento e estilo político diferentes. As variáveis são muitas e avaliar a razão de um ou de outro não passaria de especulação. Estou convencido, porém, de que a marcha sobre Brasília defendida por Brizola não seria simples passeata. Haveria luta armada. Carlos Lacerda, governador do Estado da Guanabara, tinha apoio militar e estava envolvido na articulação do golpe.

A mobilização, que incluiu a distribuição de armas à população, é comparável a outros episódios da história brasileira?

Brizola não distribuiu armas a toda a população. A Brigada Militar distribuiu apenas 2.000 revólveres, calibre 38, com uma caixa de balas, mediante recibo. E pediu à indústria Taurus que aumentasse sua produção de armas, inclusive metralhadoras leves. Foi um ato heroico, porém não haveria condições para um enfrentamento armado se o 3º Exército não aderisse à campanha.

Como o sr. acompanhou os fatos naquele momento?

Eu estava em La Paz, hospedado na residência do embaixador do Brasil, Mario Antônio de Pimentel Brandão, quando ele me mostrou telegramas do Itamaraty sobre o agravamento da crise política. Decidi regressar imediatamente ao Brasil. No dia 25 de agosto, tomei o avião para Santa Cruz de la Sierra, onde embarquei para o Brasil, em aparelho da companhia Cruzeiro do Sul. E, ao chegar a São Paulo, por volta das 14h, escutei a notícia de que Jânio Quadros renunciara à presidência da República, pois Carlos Lacerda, governador do Estado da Guanabara, havia denunciado pela televisão que ele estava a articular um golpe contra as instituições, a fim de adquirir poderes especiais, por meio do ministro da Justiça, Oscar Pedroso d’Horta. Com as informações que possuía, foi-me fácil concluir que Lacerda havia lancetado o tumor. Viajei então para o Rio, e João Dantas, o proprietário do “Diário de Notícias”, onde eu era editor político, mandou que fosse imediatamente para Brasília acompanhar a evolução da crise.

Acompanhei os acontecimentos de dentro da Câmara dos Deputados, pois o deputado Sérgio Magalhães, meu amigo pessoal e em cujo apartamento sempre me hospedava, assumira a presidência do Congresso quando o deputado Ranieri Mazzilli foi investido na presidência da República. Tinha muitas informações de bastidores e cujas fontes (muitas das quais militares) não podia revelar. Assim, dois meses após a renúncia, em novembro, publiquei o livro “O 24 de Agosto de Jânio Quadros”, no qual deslindei o enigma, ao mostrar que ele renunciou à Presidência da República esperando voltar ao governo com o apoio das multidões. O respeitável jornalista Carlos Castelo Branco, seu secretário de imprensa, ouviu-o dizer a Francisco Castro Neves, ministro do Trabalho: “Não farei nada por voltar, mas considero minha volta inevitável. Dentro de três meses, se tanto, estará na rua, espontaneamente, o clamor pela reimplantação do nosso governo”.

Como o sr. acompanhou Jânio Quadros?

Em janeiro de 1960, com 24 anos, eu era redator político do “Diário de Notícias”, e seu diretor determinou que eu acompanhasse Jânio na campanha eleitoral, que ele estava a começar. Nunca fui simpatizante, muito menos partidário de Jânio. Porém, não podia deixar de cumprir a ordem. Viajei com Jânio seis meses, durante todo o primeiro semestre de 1960. Na viagem, escutei diversas vezes Jânio declarar que processaria o Congresso perante o povo, promoveria sua responsabilidade, caso ele não lhe desse as leis que pedia, culpando-o pela situação do país. Jânio manifestava o inconformismo de ter de governar dentro dos marcos constitucionais. Repetia que não poderia governar “com aquele Congresso”.

A Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul, Jânio disse que, “com aquele Congresso”, dominado pelos conservadores, não poderia avançar para a esquerda, tomar iniciativas para reformar as instituições e promover a transformação da estrutura econômica e social do país, com a limitação das remessas de lucros para o exterior, a criação de uma lei antitruste e a implantação da reforma agrária. Precisava, portanto, de poderes extraordinários. Seduzido, Brizola comentou com o ex-presidente Juscelino Kubitschek o objetivo de Jânio Quadros e sua disposição de apoiá-lo.

Porém, com Carlos Lacerda, a conversa era diferente, embora a conclusão fosse a mesma. “Com aquele Congresso”, dentro do regime democrático, não poderia governar, sem fazer “concessões às esquerdas e apelar para elas”. Necessitava, em conseqüência, de poderes extraordinários. Percebi que sua pretensão era jogar a opinião pública contra o Legislativo e, provavelmente, dar um golpe de Estado sui generis. A deflagração da crise, portanto, não me surpreendeu.

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fotos do site.

Estamos almoçando, lanchando e jantando veneno – por renata camargo / são paulo

“Cada brasileiro consome, em média, 5,2 litros de agrotóxicos por ano. Desde 2008, o Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos!”


Renata Camargo Renata Camargo

O alerta é feito pelo documentário O veneno está na mesa, do renomado cineasta brasileiro Sílvio Tendler. O filme estreou na semana passada, e é um grito necessário para chamar a atenção dos brasileiros sobre a contaminação dos nossos alimentos e os riscos do agrotóxico.

Autor do documentário Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global Visto do Lado de Cá, e do aclamado Jango, que chegou a ser sucesso de bilheteria durante a campanha das Diretas, Tendler – que, em suas obras, sempre buscou pensar a realidade – aponta que o uso indiscriminado e abusivo de agrotóxicos na produção agrícola brasileira está levando a um cenário desastroso de prejuízos à saúde humana e analisa os interesses por trás desse mercado.

Tendler mostra como o forte lobby do setor rural produtivo, em nome da produtividade agrícola, ultrapassa os limites legais de uso dos defensivos. No documentário, a presidenta da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), argumenta que o uso do agrotóxico é feito para baixar o preço dos alimentos para o consumidor.

“Essas pessoas se esquecem que elas também comem, e que elas querem comer barato. Se ele tem um bom salário na Anvisa, não é o caso de milhares e milhares de brasileiros que ganham salário mínimo ou que não ganham nada e que, portanto, precisam comer comida com defensivo sim, porque é a única forma de produzir barato. (…) Não compreendo onde essas pessoas querem chegar. Elas querem atingir as pessoas pobres, que não podem pagar comida cara? Ou eles estão revoltados que o Brasil reduziu o preço da comida a não sei quantos por cento? (…) O pior de tudo isso, o mais desonesto dessa luta, é que a bandeira é bonita: é a saúde humana em jogo. A população toda fica a favor deles”, afirma Kátia Abreu, criticando diretor da Anvisa entrevistado na reportagem Brasil Envenenado, do Le Monde Diplomatique, publicada no ano passado.

O mercado brasileiro é o maior consumidor de defensivos agrícolas do mundo, representando 16% da venda mundial, num mercado cujo faturamento é em torno de U$ 8 bilhões. Pesquisa da Anvisa, no Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para) do ano passado, mostrou que 65% dos pimentões fiscalizados possuem vestígios de agrotóxicos acima dos permitidos por lei. O mesmo acontece com o morango, com a uva, a cenoura e outros alimentos.

Os agrotóxicos são responsáveis pela segunda maior causa de intoxicação da população brasileira, além de causadores de problemas hormonais, reprodutivos, câncer e outros males. Nós, brasileiros, estamos engolindo quantidades genocidas de agrotóxicos mesmo sem querer. Portanto, se a bandeira da “saúde humana em jogo” é desonesta, mais desonesto ainda é embutir no discurso da produtividade agrícola a falaciosa preocupação com a população mais pobre.

Assista à íntegra do documentário O veneno está na mesa:

Parte – 1

Parte – 2

Parte – 3

Parte – 4

Imortal chama colega da ABL de “macilento boquirroto”

Uma rixa antiga entre dois integrantes da ABL (Academia Brasileira de Letras) ressuscitou nesta semana com ares de folhetim.

Irritado porque o ex-ministro da Educação Eduardo Portella, 78 anos, conversava durante uma fala sua durante sessão na semana passada, o poeta e tradutor Lêdo Ivo, 87 anos, leu aos acadêmicos na sessão de ontem (quinta-feira, 4/8) um texto desancando o colega, sem no entanto citar o nome dele.

Conhecedores do dia a dia da ABL não têm dúvidas de que o alvo dos ataques é Portella –velho desafeto de Ivo. O professor ex-ministro da Educação (governo Figueiredo) estava no auditório quando foi insultado, mas não se manifestou.

No discurso, Ivo chamou o adversário de “macilento boquirroto”, queixando-se que durante 25 minutos ele emitiu “ganidos, gemidos, vagidos, coaxos, grasnidos, uivos, ladridos, miados, pipilos e arrulhos intoleráveis, senão obscenos”.

Sempre em linguagem cifrada, fez chiste com os cabelos pintados do colega, chamado de “tintureiro de si mesmo” (definição do padre Manuel Bernardes).

“Há velhos que procuram enganar-se a si mesmos, pintando os cabelos, embora as florejantes e fartas cabeleiras antigas já tenham sido devastadas pela sabedoria ou impiedade dos tempo, que as converte em insidiosas relíquias capilares”, escreveu.

“No episódio em pauta”, prossegue “o uso imoderado dessa tintura, ou pintura, para esconder o inescondível e disfarçar o indisfarçável, casa-se com a boquirrotice provocadora.”

“Mas, tintureiro de si mesmo e boquirroto, esse personagem bizarro merece e reclama, de nossa parte, não um ato agressivo ou belicoso, ou alagoano [Ivo nasceu em Alagoas], mas a muda expressão dessa piedade e dessa misericórdia que devem habitar sempre os nossos corações.”

Sobrou também para o presidente da ABL, Marcos Vinicios Vilaça, acusado de ser omisso e leniente no episódio –pois, disse Ivo, teria o dever de impor silêncio ao auditório.

Lêdo Ivo diz que, momentos antes de seu discurso, Vilaça queixara-se dos gastos excessivos com táxi de um dos acadêmicos (não o nomeia), mas, durante a sessão, não deu devida atenção ao episódio.

Leia a seguir a íntegra da carta enviada por Lêdo Ivo aos acadêmicos:

“Sr. Presidente,

Senhoras Acadêmicas,

Senhores Acadêmicos,

Nesta Academia, como em todas as corporações que se regem pelas normas da civilização, da boa educação, da polidez e da conviviabilidade, o silêncio do auditório, durante a fala de um dos seus integrantes, é um princípio pétreo.

Esse princípio, Sr. Presidente, foi vulnerado quinta-feira última, quando eu estava falando sobre Gonçalves de Magalhães.

Durante 25 minutos, este auditório ouviu, ininterruptamente, ganidos, gemidos, vagidos, coaxos, grasnidos, uivos, ladridos, miados, pipilos e arrulhos intoleráveis, senão obscenos, de um macilento boquirroto ostensivamente deliberado a tisnar e perturbar a minha exposição.

Momentos antes, Sr. Presidente, V. Exa. exarava o seu zelo por esta Casa versando sobre a quilometragem exorbitante de um dos táxis que servem aos acadêmicos do plenário e que, em seu alto juízo, golpeava as burras fartas desta Academia, a mais rica do mundo.

Esse zelo, que é louvável, ou extremamente louvável, se cingiu na sessão de 5. feira última, a um inquietante item monetário, e não voltou a florescer quando um dos mais antigos integrantes desta Casa discorria sobre Gonçalves de Magalhães.

Entendo que era dever inarredável de V. Exa. impor então ao auditório o silêncio de praxe, exercendo plenamente a sua Presidência.

Esse entendimento, aliás, não é só meu — mas ainda o de outros companheiros que, finda a sessão, e ao longo da semana, estranharam a omissão, leniência ou tolerância de V. Exa.

Houve até companheiros que me externaram a opinião de que eu deveria ter suspendido a minha palestra, já que ela fluía num ambiente toldado pela enxurrada de grasnidos a que já aludi.

E não posso nem devo esconder que outros confrades, apreciadores das soluções surpreendentes ou belicosas que quebram a monotonia da vida e das instituições me interpelaram, surpresos, desejosos de saber onde estava a minha alagoanidade, que não se manifestara.

A todos esses companheiros fiéis à tradição de urbanidade e conviviabilidade desta Academia, onde estou há 25 anos, expliquei o ter lido o meu texto até o fim.

Deus, em sua infinita generosidade, assegurou-me, aos 87 anos, o timbre de voz de minha juventude.

Não pertenço à raça dos velhos trôpegos que, com voz de falsete, emitem arrulhos indecorosos em ocasiões em que a decência reclama o ritual do silêncio.

Mas a razão decisiva que me levou a não suspender a minha palestra é outra. Além de ter mantido em mim a voz de minha juventude, Deus me aquinhoou com o sentimento da misericórdia –que é a compaixão suscitada pela miséria alheia– e da piedade, que é dó e comiseração.

Confesso, Sr. Presidente, que me confrange o coração assistir ao penoso espetáculo dos que, alcançada a velhice, ostentam em seu trajeto os sinais indeléveis e quase póstumos da decadência física, mental e moral aceleradas, e mesmo amparados por bengalas astutas rastejam nos salões, corredores e auditórios tão lastimosamente, com os olhos mortiços fixados no chão, como se temessem resvalar em uma cova aberta.

Há velhos que não sabem envelhecer e, desprovidos da alegria e do amor à vida, e do emblema do convívio, destilam ódio, inveja e despeito, porejam calúnias e intrigas, bebem o fel do ostracismo e da obscuridade.

Há velhos que procuram enganar-se a si mesmos, pintando os cabelos, embora as florejantes e fartas cabeleiras antigas já tenham sido devastadas pela sabedoria ou impiedade dos tempo, que as converte em insidiosas relíquias capilares.

Esses velhos enganosos e enganados, o padre Manuel Bernardes os estampilha de “tintureiros de si mesmo”.

No episódio em pauta, o uso imoderado dessa tintura, ou pintura, para esconder o inescondível e disfarçar o indisfarçável, casa-se com a boquirrotice provocadora.

Mas, tintureiro de si mesmo e boquirroto, esse personagem bizarro merece e reclama, de nossa parte, não um ato agressivo ou belicoso, ou alagoano, mas a muda expressão dessa piedade e dessa misericórdia que devem habitar sempre os nossos corações.

Encerro esta palesta com um verso de Lucrécio: “É doce envelhecer de alma honesta”.

Deus guarde V. Exa. Senhor Presidente, e os demais integrantes desta Casa.

Tenho dito.”

 

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FABIO VICTOR/sp

A PRESIDENTE DILMA FOI MUITO CONDESCENDENTE COM “JHONBIM”, O INÚTIL.

JHONBIM o “soldadinho de chumbo”,  dos americanos, CAIU. As Forças Armadas brasileiras AGRADECEM a PRESIDENTA DILMA pela a atitude de afastar o INÚTIL FARSANTE que se locupletava com “muito prazer” do cargo que ocupava. Foi, realmente, uma perda de tempo a sua permanência.

 

arte de NETTO.

ATELIÊ EDITORIAL convida: Eliete Negreiros lê e canta Paulinho da Viola na Livraria da Vila / são paulo

Ateliê Editorial

SEMANA ANTI NUCLEAR na cidade de RECIFE / pernambuco

Neste mês de agosto ocorrerá em Recife a Semana Anti Nuclear, organizada pelo Movimento Ecossocialista de Pernambuco (www.mespe2011.ning.com) com o apoio da Fundação Lauro Campos, Fundação Heinrich Böll, Greenpeace, Centro Cultural Correios, Simples Consultoria e Articulação Anti Nuclear Brasileira.

Na quarta-feira dia 10, as 19 horas, no Centro Cultural Correios haverá o lançamento da Revista Ecoss de Pernambuco com o tema “Reflexões sobre Energia Nuclear”, reunindo textos de autores do mundo acadêmico, político e de organizações sociais. Em seguida ocorrerá o debate Pernambuco: Energia Nuclear e Desenvolvimento, tendo com debatedores o professor Claudio Ubiratan Gonçalves (UFPE), o professor Heitor Scalambrini Costa (UFPE/Mespe) e Roberto Malvezzi, conhecido como Gogó, militante social e escritor.

As 19:30 horas, da sexta-feira dia 12 de agosto, no teatro Hermílio Borba Filho (Teatro Apolo) será apresentado o espetáculo Poético Musical de Educação Ambiental Bicho Homem, com textos de literatura de cordel e músicas de Allan Sales e Trupe. Na ocasião será lançado o cordel “Não queremos usina nuclear em Pernambuco, no Nordeste e no Brasil”, de autoria de Allan Sales.

Serviço:
Lançamento da Revista Ecos de Pernambuco
Debate Pernambuco: Energia Nuclear e Desenvolvimento
Dia: 10 (quarta-feira)
Mês: agosto de 2011
Hora: 19 horas
Local: Centro Cultural Correios, Av. Marques de Olinda-262 (bairro do Recife)
Fones: 3224-5739/3424-1935

Espetáculo Poético Musical de Educação Ambiental Bicho Homem e
Lançamento do cordel “Não queremos usina nuclear em Pernambuco, no Nordeste e no Brasil”
Dia: 12 (sexta-feira)
Mês: agosto de 2011
Hora: 19:30 horas
Local: Teatro Hermílio Borba Filho (teatro Apolo), Rua do Apolo, 121 (bairro do Recife)
Fone: 3355-3320

Movimento Ecossocialista de Pernambuco
site: www.mespe2011.ning.com
e-mail: mespe2011@gmail.com
Twitter: @mespe2011
Facebook: www.facebook.com/mespe2011