Arquivos Diários: 16 agosto, 2011

General afirma que Jobim é prepotente e ‘já foi tarde’

A queda de Nelson Jobim do Ministério da Defesa, no último dia 4, trouxe à tona o ressentimento de oficiais das Forças Armadas com supostas humilhações impostas a militares pelo ex-chefe.

Um artigo do general reformado Luiz Gonzaga Schroeder Lessa, ex-presidente do Clube Militar, expõe mágoas da caserna e afirma que o ex-ministro tinha “psicótica necessidade de se fantasiar de militar” e “já vai tarde”.

O texto foi publicado no site da Academia Brasileira de Defesa e circula desde o fim de semana em blogs de militares. Escrito como desabafo dirigido a Jobim, sugere que parte da classe se sentiu vingada com sua demissão.

Caio Guatelli-13.jan.2010/Folha Imagem
O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim durante visita a instalação brasileira no Haiti; ele deixou o cargo no início do mês
O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim durante visita a instalação brasileira no Haiti; ele deixou o cargo no início do mês

“Como um dia é da caça e outro do caçador, o senhor foi expelido do cargo de forma vergonhosa, ácida, quase sem consideração a sua pessoa, repetindo os atos que tantas vezes praticou com exemplares militares que tiveram […] a desventura de servir no seu ministério”, diz.

“Por tudo de mal que fez à nação, enganando-a sobre o real estado das Forças Armadas, já vai tarde. Vamos ficar livres das suas baboseiras, das suas palavras ao vento, das suas falácias.”

O general afirma que o perfil do ex-ministro publicado pela revista “Piauí” “retrata com fidelidade” o “seu ego avassalador, que julgava estar acima de tudo e de todos, a prepotência, a arrogância e a afetada intimidade com os seus colaboradores”.

Na reportagem, que precipitou a demissão do ex-ministro, Jobim chama a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) de “fraquinha” e diz que Gleisi Hoffmann (Casa Civil) “nem sequer conhece Brasília”.

Em outro trecho, que irritou os militares, a repórter narra uma cena em que ele usa tom ríspido para dar ordens ao almirante José Alberto Accioly Fragelli, diante de outros oficiais e de civis.

O artigo critica o ex-ministro por posar de farda, “envergando uniformes que não lhe cabiam não apenas por seu tamanho desproporcional, mas, também, pela carência de virtudes básicas”.

 

BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO

A ESCOLHA DO NOME – por olsen jr. / ilha de santa catarina



   Escolher um nome para um lugar público sempre enseja dificuldades. Depois de pronto parece simples, mas até se chegar lá, muito “campo precisa ser queimado” como dizem no Sul. Claro está que se precisa de arte, de conhecimentos extraídos do marketing, da sociologia e isso envolve a intuição e o comportamento e por trás de tudo, naturalmente, a credibilidade de quem se propõe em tentar o empreendimento.

Tem situações que se tornam hilariantes, talvez pela falta de propósito ou então, como sugerem os nativos aqui na Lagoa da Conceição, “era só pra inticar mesmo”. Lembro de um bar que abriu na região e começou mal. O proprietário deu o nome do estabelecimento de “Bar McMané” e como se não bastasse ainda, copiou o logotipo da poderosa cadeia de lanchonetes “McDonald’s”… Teve de fechar em menos de um mês…

Um caso singular, entretanto, aconteceu com um cidadão que saiu de Chapecó para tentar a vida nos Estados Unidos. Ele era alfaiate, e dos bons. Acreditou que podia triunfar na terra do “Tio Sam” e depois de muito relutar, finalmente pôs os pés na estrada. O que assistimos foi comunicado através de cartas (na época – década de 1960 – não havia internet) e foi uma questão de adaptação à nova cultura, mas não deixou de ser motivo de muita graça entre os amigos que acompanharam tudo de longe.

Denominar o seu estabelecimento de “Tailor’s Shop” (alfaiataria) parecia demasiadamente comum, ele optou por combinar algo de origem francesa com o seu nome de batismo. Todos o conheciam pelo nome de “Piva” e mandou fazer a placa “Pivas’s Atelier”…

Logo percebeu que nos EUA tudo parecia ser diferente. Os primeiros clientes começaram a chamá-lo de “Mr. Paiva”… “Mr. Paiva pra cá e Mr. Paiva pra lá…”  Acreditando que aquela nova nomenclatura poderia ser um sinal de futuro êxito, não teve dúvidas, mandou alterar a placa para “Paiva’s Atelier”…

Para sua surpresa, a par de novos clientes, começou a cansar de ouvir “Mr. Peiva” e tudo se repetiu com “Mr. Peiva pra cá e Mr. Peiva pra lá”… Pensou que era um novo indicativo de mudança para melhor e não hesitou, pediu para se confeccionar outra placa, deixando como “Peiva’s Atelier”…

E não demorou em ouvir o que sempre pretendeu, pelo menos quando chegou o seu nome de batismo claramente pronunciado, desta vez com indelével sotaque ianque, “Mr. Piva”… Supondo que era tudo uma questão de adaptação mesmo, instalou nova placa “Pivas’s Atelier” e tudo recomeçou… Paiva, Peiva, Piva… Cansado daquela busca, decidiu tirar o seu nome da placa e deixou simplesmente “Tailor’s Atelier” (atelier do alfaiate)…

Não fosse a mulher, teria desistido do negócio nos “Steits” quando o primeiro cliente (depois da instalação da nova placa) o chamou de “Mr. Tailor”…

 

olsen jr é escritor e membro da Academia Catarinense de Letras