A ESCOLHA DO NOME – por olsen jr. / ilha de santa catarina



   Escolher um nome para um lugar público sempre enseja dificuldades. Depois de pronto parece simples, mas até se chegar lá, muito “campo precisa ser queimado” como dizem no Sul. Claro está que se precisa de arte, de conhecimentos extraídos do marketing, da sociologia e isso envolve a intuição e o comportamento e por trás de tudo, naturalmente, a credibilidade de quem se propõe em tentar o empreendimento.

Tem situações que se tornam hilariantes, talvez pela falta de propósito ou então, como sugerem os nativos aqui na Lagoa da Conceição, “era só pra inticar mesmo”. Lembro de um bar que abriu na região e começou mal. O proprietário deu o nome do estabelecimento de “Bar McMané” e como se não bastasse ainda, copiou o logotipo da poderosa cadeia de lanchonetes “McDonald’s”… Teve de fechar em menos de um mês…

Um caso singular, entretanto, aconteceu com um cidadão que saiu de Chapecó para tentar a vida nos Estados Unidos. Ele era alfaiate, e dos bons. Acreditou que podia triunfar na terra do “Tio Sam” e depois de muito relutar, finalmente pôs os pés na estrada. O que assistimos foi comunicado através de cartas (na época – década de 1960 – não havia internet) e foi uma questão de adaptação à nova cultura, mas não deixou de ser motivo de muita graça entre os amigos que acompanharam tudo de longe.

Denominar o seu estabelecimento de “Tailor’s Shop” (alfaiataria) parecia demasiadamente comum, ele optou por combinar algo de origem francesa com o seu nome de batismo. Todos o conheciam pelo nome de “Piva” e mandou fazer a placa “Pivas’s Atelier”…

Logo percebeu que nos EUA tudo parecia ser diferente. Os primeiros clientes começaram a chamá-lo de “Mr. Paiva”… “Mr. Paiva pra cá e Mr. Paiva pra lá…”  Acreditando que aquela nova nomenclatura poderia ser um sinal de futuro êxito, não teve dúvidas, mandou alterar a placa para “Paiva’s Atelier”…

Para sua surpresa, a par de novos clientes, começou a cansar de ouvir “Mr. Peiva” e tudo se repetiu com “Mr. Peiva pra cá e Mr. Peiva pra lá”… Pensou que era um novo indicativo de mudança para melhor e não hesitou, pediu para se confeccionar outra placa, deixando como “Peiva’s Atelier”…

E não demorou em ouvir o que sempre pretendeu, pelo menos quando chegou o seu nome de batismo claramente pronunciado, desta vez com indelével sotaque ianque, “Mr. Piva”… Supondo que era tudo uma questão de adaptação mesmo, instalou nova placa “Pivas’s Atelier” e tudo recomeçou… Paiva, Peiva, Piva… Cansado daquela busca, decidiu tirar o seu nome da placa e deixou simplesmente “Tailor’s Atelier” (atelier do alfaiate)…

Não fosse a mulher, teria desistido do negócio nos “Steits” quando o primeiro cliente (depois da instalação da nova placa) o chamou de “Mr. Tailor”…

 

olsen jr é escritor e membro da Academia Catarinense de Letras

 

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Uma resposta

  1. Vidal, salve!
    Congratulações pelo Blog…
    Está bonito e espero que continue eficiente…
    Abração nórdico!
    Olsen Jr.

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