Arquivos Mensais: setembro \30\UTC 2011

Aprovação de Dilma sobe de 67% para 71%, aponta Ibope – do g1/ brasilia

30/09/2011 11h04 – Atualizado em 30/09/2011 13h00

Aprovação de Dilma sobe de 67% para 71%, aponta Ibope

Segundo a pesquisa, aprovação do governo aumentou de 48% para 51%.
Instituto ouviu 2.002 eleitores; margem de erro é de dois pontos percentuais.

Sandro LimaDo G1, em Brasília

A presidente Dilma Rousseff é aprovada por 71% dos eleitores, de acordo com pesquisa Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada nesta sexta-feira (30). A pesquisa tem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, o que significa que a aprovação da presidente pode ser de 69% a 73%.

Na comparação com levantamento realizado em julho e divulgado em agosto, a aprovação da presidente subiu quatro pontos percentuais – o índice era 67%.

Dos entrevistados na pesquisa atual, 21% disseram desaprovar a presidente e 8% não souberam ou não responderam. O percentual de desaprovação em julho, que era de 25%, caiu quatro pontos percentuais conforme o Ibope.

Entre 16 e 20 de setembro, o Ibope ouviu 2.002 eleitores com 16 anos ou mais em 141 municípios de todas as regiões do país.

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Governo
A aprovação do governo Dilma também subiu entre julho e setembro. O percentual de entrevistados que consideram o governo ótimo ou bom aumentou de 48% para 51%. Segundo o levantamento, 11% consideraram o governo Dilma ruim ou péssimo, contra 12% na pesquisa anterior.

As expectativas com relação ao restante do governo Dilma continuam positivas, segundo a pesquisa, e praticamente no mesmo nível da pesquisa anterior. O percentual de entrevistados que acreditam que o restante do governo será ótimo ou bom passou de 55% para 56%.

A região Sul passou a ter o mais alto percentual de ótimo ou bom: 57%, a maior entre os entrevistados. Também houve crescimento da avaliação positiva na região Sudeste. Nas regiões Norte/Centro-Oeste e Nordeste houve queda na avaliação positiva da presidente.

A pesquisa aponta que a avaliação do governo é melhor entre os mais velhos, com 50 anos ou mais. Dentre os entrevistados nesta faixa etária, 55% consideram o governo ótimo ou bom. A avaliação também é melhor nas pequenas cidades e nos interior dos estados. O levantamento mostra ainda que quanto menor o nível de renda familiar do entrevistado, melhor a avaliação do governo Dilma.

O tema corrupção foi o assunto mais citado, com 19%, enquanto 13% citaram a ‘faxina’ contra a corrupção promovida pela presidente

Corrupção
O tema corrupção foi o assunto mais lembrado pelos eleitores quando perguntados sobre as notícias do governo Dilma publicadas nas últimas semanas. Denúncias de corrupção foram citadas por 19% dos entrevistados e 13% citaram a “faxina” contra a corrupção promovida pela presidente.

Entre o fim de julho, quando a última pesquisa foi realizada, e o fim de setembro, data da pesquisa atual, dois ministros deixaram o governo por suspeitas de envolvimento em corrupção: Wagner Rossi, da Agricultura, e Pedro Novais, do Turismo.

Nelson Jobim saiu da Defesa após a crise política motivada por declarações – que ele nega ter dado – de que as colegas de ministério Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil) eram “fraquinhas”.

A terceira notícia mais citada, com 10%, foi sobre os investimentos para obras da Copa do Mundo, tais como reforma e construção de estádios e privatização de aeroportos. Os atrasos no cronograma das obras foram citados por 6% dos eleitores.

Governos anteriores
A avaliação do governo Dilma no primeiro mês de setembro do mandato é superior a de seus antecessores – Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso – em igual período do mandato. O percentual de entrevistados que considera o governo Dilma ótimo ou bom é de 51%. Lula teve 43% no primeiro mandato e 48% no segundo mandato. FHC registrou 40% no primeiro mandato e 16% no segundo mandato.

A aprovação da presidente Dilma também é maior que a de Lula e FHC no mesmo período. Lula teve aprovação de 69% no primeiro mandato e de 63% no segundo. FHC foi aprovado por 57% dos eleitores no primeiro mandato e 26% no segundo. Dilma tem 71% de aprovação.

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BRINQUEDOS FURIOSOS – por jorge lescano /são paulo

BRINQUEDOS FURIOSOS

 

Juanito foi assassinado aos onze anos por policiais, este crime pretendia esconder outros crimes. Davi provavelmente ficou apavorado ante o tamanho de sua agressão e para fugir dá um tiro na cabeça. Alguns depoimentos sugerem que ele havia premeditado o suicídio, aos dez anos de idade!

Não tenho provas além daquelas fornecidas pelos noticiários, especialmente os sensacionalistas, que se alimentam da truculência de nosso cotidiano.

Os dois fatos parecem surgidos de um roteiro de vídeo game ou de seriado de televisão. Lamentavelmente, para fugir da violência das ruas, muitas crianças devem ficar trancadas dentro de casa a mercê da “estética” da porrada, da lei do inescrupuloso, da pena de morte aplicada por aquele que tem a arma.

Dois casos extremos da violência diária que se pratica a revelia da lógica e do simples bom senso, às vezes pelas mãos dos pais contra filhos pequenos e que vão do castigo corporal ao estupro e o esquartejamento.

Sem nenhuma pose de moralismo, registro estes fatos na esperança de encontrar alguém que me ajude a compreendê-los. Isto é possível? São conseqüências do estágio de desenvolvimento das sociedades ou uma prova de que a nossa espécie tem origem no assassinato? Talvez seja o começo do fim da espécie. Se assim for, é melhor fornecer logo a toda população um destes brinquedos para que cada um tome seu destino nas mãos e decida a hora e local do suplício.

Até quando vai vigorar a hipocrisia do terrorismo de estado para combater o terrorismo e as “políticas” de desarmamento, do individual ao nuclear?

Somos reféns do “poder público”, cada vez mais poderoso e menos público graças à falácia da Democracia Compulsória (sic).

Quantas crianças deverão ser imoladas para despertar as consciências adormecidas?


LANÇAMENTO DA FRENTE CONTRA A USINA SUJA EM PERNAMBUCO – CONVITE feito por HEITOR SCALAMBRINI COSTA / recife

CONVITE

LANÇAMENTO DA FRENTE CONTRA A USINA SUJA EM PERNAMBUCO


Dia: 3 de outubro (segunda-feira)
Hora: 19: 30 hs

Local: Auditorio do Sindicato dos Médicos (SIMEPE)
Av. João de Barros, 587 – Boa Vista

VENHA DIZER NÃO  AS FONTES ENERGETICAS SUJAS

VENHA DIZER SIM AS FONTES ENERGETICAS LIMPAS

CARNE CELESTE – de solivan brugnara / quedas do iguaçu.pr

                                                                       

Carne celeste

Sinto algo de santificador no céu,

os pássaros e pipas

são batizados por algo sublime.

O metal do avião,

o corpo do aviador

e dos passageiros,

quando molhado pelo azul

se tornam diferentes.

Há na pena,  no meteoro,

no satélite,

no alumínio esmagado

de um acidente aéreo

algo de sagrado.

Mesmo o lixo

quando elevado pelo vento

sublima-se.

Como é lindo ver

os papeis,as sacola plásticas

quando dançam sobre as cidades

num êxtase de cisnes.

Há em mim sempre

a vontade de apanhar granizos

de guardá-los com cerimônias,

e de beber

a água benta da chuva,

de acariciar balões e pára-quedas.

Sim,tenho em minha geladeira granizo

e nas gavetas todas as passagens aéreas,

e qualquer pedaço de papel sujo,

qualquer sacola plástica

que tenha visto dançar.

Em minha carteira

esta uma semente, destas emplumadas,

em uma manhã de domingo olhei ela descer do céu

calmamente,com graça

e pousar tão próxima que a apanhei.

Guardo,porque desconfio,

que como nos pregos

na lança e nos espinho,

fica em tudo que voa um pouco do divino,

por terem todos também

transpassado o corpo de Deus.

Cuba autoriza compra e venda de veículos / havana

28/09/2011 – 14:38 | Thassio Borges | 

Uma das propostas mais esperadas após o VI Congresso do Partido Comunista Cubano foi oficializada nesta quarta-feira (28/09). A partir de agora, os cubanos podem comprar e vender carros legalmente. A proibição já durava mais de 50 anos.

A medida vale para cubanos residentes no país e estrangeiros que também residem na ilha, em caráter permanente ou temporário. Os cubanos podem comprar carros novos contanto que obtenham renda por “seu trabalho em funções designadas pelo Estado ou no interesse deste”, informou a Gazeta Oficial nesta quarta.

Além disso, a compra dependerá de uma permissão que poderá ser obtida uma vez a cada cinco anos no Ministério do Transporte. Os estrangeiros não precisarão de licenças especiais, mas só poderão comprar dois veículos durante o período em que estiverem na ilha.

Anteriormente, os cubanos poderiam até comprar carros modernos, importados ou de segunda mão. As compras, no entanto, só poderiam ser feitas por artistas, esportistas e também por médicos que cumprem missões oficiais em outros países.

Quem deixar o país, a partir de agora, também poderá vender seus veículos antes de partir. Outra opção é transferir o carro para alguém da família. A compra e venda de imóveis é outra medida discutida no Congresso que poderá ser oficializada em breve. Outras mudanças debatidas no Congresso dizem respeito às viagens internacionais de cubanos, ao trabalho por conta própria e à libreta de racionamento, entre outras.

LA BODEGUITA DEL MEDIO bar que ficou famoso pela presença de Hemingway.

*Com informações da AFP.

Das vantagens de sair caminhando por aí – por amilcar neves / ilha de santa catarina

Já estamos quase cansados de tanto exercício, ou melhor, de tanto ouvir falar que a atividade física é importante, talvez fundamental, para a manutenção de boas condições de saúde do corpo e da mente. Mexer-se em ritmo puxado ajudaria a combater a hipertensão arterial e a prevenir a (ou o) diabetes, a reduzir a obesidade e melhorar o sono, a tonificar os músculos e inflar a autoestima, a oxigenar o cérebro e destravar as juntas.


Para os que são da água, costuma-se prescrever a natação como santo remédio; para os da terra, a simples caminhada operaria milagres. O voo seria a atividade física ideal para os que fossem do ar, caso existissem entre os humanos gente com essa habilidade; acredita-se que não exista.


Houve tempo em que fazer exercício era matéria restrita às aulas de educação física nas escolas ou às obrigações dos atletas profissionais nos clubes. Homens adultos, velhos já de 30 anos, usariam terno escuro, camisa branca de colarinho, gravata preta, sapato social de couro e chapéu de abas em feltro também escuro a fim de se protegerem do sol ou do sereno, dependendo do período do dia em que tivessem que se expor às inclemências atmosféricas – e não fariam exercício de espécie alguma sob pena de serem malvistos e malfalados: coisa de desocupados, como os artistas e os escritores.


Às mulheres, então, nem se fala: inadmissível perder-se em exercícios físicos uma senhora casada, mãe de família com três ou quatro filhos paridos na fase da vida de maior rendimento das gestações, ou seja, entre os 20 e os 30 anos (antes de se tornarem balzaquianas, quando então, se não tivessem logrado o matrimônio, passavam automaticamente a contar entre a legião inconsolável e irremediável das solteironas, perdidos para sempre os gozos da vida – e geralmente ainda virgens).


Os tempos mudaram e percebeu-se que os infartos, derrames e tromboses, entre outros males, poderiam ser retardados ou amenizados pela atividade física regular e assistida. Foi quando explodiu a febre das academias e todo homem e cada mulher passou a se ver como atleta de alto rendimento – se não efetivo, pelo menos potencial. A história das autoajudas: você tudo pode se acreditar que pode. Profissionalizou-se o que era exercício banal, repleto de roupas, acessórios, cores e modismos.


Todo mundo começou a caminhar em marcha forçada. Os parques e vias públicas povoam-se cada vez mais de gente paramentada caminhando de um lado para outro, todos sorridentes em seus ares superiores.


Então, de repente, cai a bomba: caminhar não faz mais a cabeça do organismo, não dá mais conta da saúde mental e é preciso romper esse ciclo vicioso ao qual submetemos o nosso corpo que já anda quase sozinho, no piloto automático, sem beneficiar-se mais da imprescindível atividade física.


A ordem agora é correr – com novos equipamentos, com acessórios específicos, com consultores esportivos. Com custos crescentes.


No entanto, ainda é a caminhada, desinteressada do desempenho olímpico, a atividade que permite perceber que as pessoas têm olhos, e não endereços eletrônicos; que concede um tempo pessoal ao andante (quando ele caminha na rua e, não, parado sobre uma esteira mecânica à frente de uma televisão ligada); que revela os jacarés no Rio do Sertão; e que libera o escritor para gerar o seu conto, a sua crônica ou a solução para sua novela, textos que depois, no seu refúgio, é só passar para o papel ou a tela do computador. Com um pé nas costas.

AMILCAR NEVES é membro da Academia Catarinense de Letras.

Lula recebe, hoje, título de doutor Honoris Causa em Paris

Fundação Sciences-Po concedeu honraria ao ex-presidente nesta terça (27).

Ele é a primeira personalidade latinoamericana a receber o título.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta terça-feira (27) o título de Doutor Honoris Causa do Instituto de Ciência Política de Paris, o que ele considerou “uma homenagem ao povo brasileiro”. “Este título não é um reconhecimento pessoal, é uma homenagem ao povo brasileiro”, declarou o ex-presidente em cerimônia no anfiteatro do instituto.

Aplaudido de pé pelos docentes, estudantes e embaixadores de vários países latino-americanos, que agitavam bandeiras verde e amarelas, Lula se tornou a primeira personalidade da América Latina a receber este título.

“É para mim uma grande honra recebê-lo, e ainda maior porque sou o primeiro latino-americano”, declarou Lula.

Lula recebeu a homenagem das mãos de Jean-Claude Casanova, representante do Instituto da França e presidente da Fundação Nacional das Ciência Política. Casanova citou o crescimento da classe média e a redução da desigualdade social durante o governo do petista.

Compareceram também à cerimônia os ex-ministros do governo Lula José Dirceu e Márcio Thomaz Bastos, o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), os diretores do Instituto Lula Luiz Dulci e Clara Ant, o secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, e o ex-primeiro ministro de Portugal, José Sócrates.

Em seu discurso, o ex-presidente enumerou avanços sociais de seus dois mandatos (2003-2011) e destacou o que ele chamou de uma gestão que “começou a tratar os pobres como verdadeiros cidadãos”.

Metalúrgico e líder sindical sem título universitário, que concorreu três vezes à Presidência antes de ser eleito, Lula declarou-se “orgulhoso de ter criado 14 universidades, 126 campi universitários e 214 escolas técnicas.”

“Pertenço a uma geração que acreditou muito que era possível”, afirmou Lula antes de confessar que talvez tenha sido por “orgulho de classe” que quis “demonstrar que um metalúrgico sem diploma universitário podia fazer mais do que a elite política do Brasil”.

Diante de cerca de 20 doutores em Ciência Política sentados nas primeiras filas, o ex-presidente reivindicou a política como “impulsionadora de mudanças” e, se dirigindo aos jovens, a reivindicou como ferramenta de “participação” na democracia.

Este é o sétimo título de doutor Honoris Causa recebido por Lula.

 

 

Do G1, com informações da AFP e do Valor Online

ENOMIS – por jorge lescano / são paulo

Era uma vez um príncipe almejado por todas as donzelas, porém seu grande e verdadeiro amor chamava-se Enomis, e tanto amor lhe vinha não apenas do nome, que significa “a de olhar gentil”, mas também do ouro, um dos seus muitos atributos.

Engana-se quem pense que o metal deslumbrava a mente do mancebo e não a sua beleza ebúrnea.

Erra quem acredite que o amor ao ouro é indignidade. Os que cobiçam ouro para com ele comprar prazeres e poder, não amam em verdade o ouro e sim aqueles prazeres e o poder. O fascínio do ouro não os toca, esbanjam-no qual tagarela as palavras.

Não estava neste caso o príncipe, que com ele se engalanava cada manhã, após as abluções e até na cabeleira espargia uma fina camada do metal precioso. Cintilava o ouro sobre a testa régia, dir-se-ia, do sol, um suave orvalho.

Tal hábito sagrado diferenciava os seres de alta estirpe do resto dos mortais, distinguia-se deste modo o jovem cavalheiro, tanto do campônio rude, quanto do mais erudito cortesão.

Como vedes, de Enomis não poderia desejar o ouro e sim seu puro encanto.

Enomis era, contudo, uma vestal. Sacerdotisa devotada a um vasto culto no qual, após a iniciática cerimônia, onde confluíam duas primaveras, aos astros nunca mais mostrar-se-ia. Viveria, daí por diante, vestida somente pela longa cabeleira. Nada decorava o aposento da reclusa. Imaginava-se, no entanto, que tênues esculturas de vapor perfumavam devagar a cela, por cujo chão marmóreo deslizavam os pés nus.

Existia invisível. Do claustro não vazava sequer a voz de brisa, de castidade era o voto, e de silêncio, e de nunca elevar os olhos para o altar.

Definhava o mancebo em meio a riquezas incontáveis. Ocultava-se na alcova, submerso em melancólica penumbra, pois nem o supremo bem da liberdade o atraia.

Da harpa, as mãos, languidesciam. Temendo ecos de uma voz perdida, as cordas não mais ousava dedilhar. Pesadas cortinas o isolavam da campina circundante. Morriam nas pregas do veludo os trinados e o brilhar do sol, e a lua, menos sutil que Enomis, da presença do amoroso foi banida.

Estórias como esta não tem fim, e mesmo seu final parece incerto.

 

  (Cala-se o venerável bardo e empunha seu cajado. Vá-se.)

 

Aplicativo para celular promete descobrir se seu filho é gay / paris

Segundo organização LGBT, questionário reforça estereótipos

Mães em dúvida sobre a sexualidade do filho podem recorrer à tecnologia. Pelo menos, é o que promete um aplicativo francês para smartphone.

Por 99 centavos de Euro — pouco mais de R$ 2,50 —, é possível saber “se tudo vai bem e em ordem com seu filho”, diz a descrição numa loja virtual. Após preencher um questionário, a mãe deverá ter a resposta para “a pergunta que vem fazendo a si mesma por talvez muito tempo”.

As questões abordam temas que supostamente indicariam a preferência sexual de um rapaz, como o gosto por esportes, os hábitos de beleza e se ele é fã da cantora Mylène Farmer, uma espécie de Madonna francesa.

O controverso aplicativo também pergunta se a mãe é divorciada, insinuando que a ausência de uma figura paterna pode levar à homossexualidade do filho.

Caso o teste indique heterossexualidade, a mãe recebe uma mensagem de parabéns:

— Você não tem com que se preocupar, seu filho não é gay. Você tem uma boa chance de se tornar avó.

Para questionários que indiquem homossexualidade, a mensagem diz:

— Não seja cega. Ele é gay! ACEITE! Ele gosta de garotos tanto quanto você gosta de homens.

Controvérsia

Em comunicado, a Federação LGBT da França afirmou que o aplicativo apresenta uma visão simplista, caricata e degradante da homossexualidade masculina. O porta-voz da organização, Stéphane Corbin, disse ao site Rue89 que, ao reforçar estereótipos e preconceitos, o questionário contribui para a homofobia.

O criador do aplicativo, Christophe De Baran, justificou que as perguntas não passam de uma brincadeira. Segundo ele, o objetivo é tirar a carga dramática da situação e ajudar as mães a aceitarem a homossexualidade de seus filhos.

net.

CONVERSA DE CACHORROS – por olsen jr / ilha de santa catarina

“Sou um vira-latas. Já me acostumei com o nome. O que quer dizer isto? Que não tenho pedigree. Sou o resultado de um sem número de cruzamentos sem

qualquer outra orientação que não o instinto. A exemplo de um herói brasileiro, aquele que não tinha caráter, isto me empresta uma certa distinção. Quer dizer não ter um estilo também é um estilo. Estou há dois dias sem comer, lembro disso enquanto vou trotando por esta calçada, neste bairro nobre da cidade. Espere, nunca vi isto aqui antes. Por que aqueles meus parentes estão lá do outro lado da tela de arame. Estranho. Vou latir para eles. O que vocês estão fazendo, presos? “Não sei”, responde um deles, o mais forte, um Bulldog de pelagem brilhante, concluindo “sempre estivemos aqui”. Lembrei da minha fome e perguntei: o que vocês comem aí dentro? “Estas pastilhas em forma de biscoitos e que chamam de ração”, interfere um Beagle, querendo fazer parte da conversa. Mas é só isso, então? Nem um ossinho de costela, um naco de carne de picanha com uma pontinha de gordura? “O que é osso? O que é picanha? O que é gordura?”, fala aos trancos um Dobermann. Levaria muito tempo para explicar e estava curioso em conhecer mais sobre aquela vida ali dentro. O que fazem durante o dia? Eles pareciam estar preparados para responder, todos falaram ao mesmo tempo e deduzi que, fora o ensinamento de dar a pata dianteira para o dono ou tratador, ou então, pular por dentro de um círculo de metal pendurado num suporte de ferro, ou então arreganhar os dentes para atemorizar os incautos, o que mais faziam era andar dali para cá, de cá para lá, mostrando sempre os pêlos bem escovados e reluzentes, puro exibicionismo, penso, gratuito. Vocês namoram? Fazem sexo? Eu queria saber tudo, mas era inútil, pareciam filhotes crescidos. Eram leigos nos assuntos da vida, viviam uma supra-realidade, limpa, higiênica, bonita, metódica, disciplinada, um mundo só deles. Vocês nunca pensaram em sair daí, em ser livres? Grito antes de ir embora a tempo de ouvir um Collie desdenhando a sugestão “ser livre implica em correr riscos, ser dono do próprio nariz impõe muita responsabilidade e aqui dentro temos tudo”… saio rápido, olhando para os lados com medo da carrocinha, o mundo inteiro para descobrir e a iniciativa para fazê-lo quando bem entendesse. Agora, por exemplo, iria até a casa do poetinha, na Lagoa, onde sempre tinha uns ossos guardados do último churrasco, pena que não houvessem mais “ poetinhas”, e a vida seria bem melhor, mais intuição e menos razão, é o que, afinal, estou fazendo agora.

 

OLSEN JR é membro da Academia Catarinense de Letras.

Mahmoud Abbas na ONU. Aqui o discurso completo. / eua.ONU

“Senhor presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, senhor secretário-geral das Nações Unidas, excelências, senhoras e senhores,
Quero começar dando os parabéns ao sr. Nassir Abdulaziz al-Nasser, que assume a presidência da Assembleia nesta sessão, e desejando-lhe sucesso.
Estendo hoje as minhas sinceras congratulações, em nome da Organização para a Libertação da Palestina e do povo palestino, ao governo e ao povo do Sudão do Sul por sua merecida admissão enquanto membro pleno das Nações Unidas. Desejamos a eles progresso e prosperidade.
Também parabenizo o secretário-geral, Sua Excelência, o sr. Ban Ki-moon, por sua reeleição para um novo mandato no comando das Nações Unidas. A renovação da confiança nele reflete o reconhecimento mundial por seus esforços, que fortaleceram o papel das Nações Unidas.
Excelências, senhoras e senhores,
A Questão da Palestina está intrincadamente ligada às Nações Unidas por meio das resoluções adotadas por seus vários órgãos e agências e também por meio do elogiado e essencial papel desempenhado pela Agência de Auxílio de Trabalho da ONU para Refugiados Palestinos no Oriente Próximo (UNRWA), que encarna a responsabilidade internacional em relação ao drama dos refugiados palestinos, que são vítimas da al-Nakba (Catástrofe) ocorrida em 1948. É nossa aspiração e nosso desejo que a ONU desempenhe um papel mais efetivo na tarefa de buscar uma paz justa e abrangente para nossa região que garanta os direitos nacionais, legítimos e inalienáveis, do povo palestino conforme definidos pelas resoluções de legitimidade internacional da ONU.
Excelências, senhoras e senhores,
Um ano atrás, nesta mesma época, distintos líderes presentes neste mesmo salão abordaram os estagnados esforços de paz para a nossa região. Todos tinham grandes expectativas em relação a uma nova rodada de negociações para a definição de um status final, que tinham começado no início de setembro em Washington sob os auspícios diretos do presidente Barack Obama e com a participação do Quarteto bem como do Egito e da Jordânia, e buscavam firmar um acordo de paz no prazo de um ano. Entramos nestas negociações com o coração aberto, os ouvidos atentos e as intenções mais sinceras, e preparamos toda nossa a documentação, nossos papéis e propostas. Mas as negociações ruíram semanas depois de terem começado.
Depois disto, não desistimos e não paramos com nossos esforços em busca de novas iniciativas e contatos. No decorrer do ano passado não deixamos de bater em cada porta, nem de testar cada canal e nem de experimentar cada rumo, e não ignoramos nenhum participante de estatura e influência, seja formal ou informal, para fazer avançar as negociações. Avaliamos positivamente todas as ideias, propostas e iniciativas apresentadas por muitos países e participantes. Mas todos estes sinceros esforços e empreendimentos promovidos pelos participantes internacionais foram repetidamente arruinados pelas posições do governo israelense, que logo acabou com as esperanças inspiradas pela abertura das negociações no último mês de setembro.
A questão principal é que o governo israelense se recusa a aceitar um compromisso com termos de referência para negociações que têm como base o direito internacional e as resoluções das Nações Unidas, prosseguindo freneticamente na construção cada vez mais acelerada de assentamentos no território do Estado da Palestina.
A construção de assentamentos é a encarnação do núcleo da política de ocupação militar colonial das terras do povo palestino e de toda a brutalidade da agressão e toda a discriminação racial contra o nosso povo que decorrem desta política. A política israelense de ocupação, que constitui uma violação da lei humanitária internacional e das resoluções das Nações Unidas, é a principal causa do fracasso do processo de paz, do colapso de dúzias de oportunidades, e do sepultamento das grandes esperanças que surgiram após a assinatura da Declaração de Princípios de 1993 entre a Organização para a Libertação da Palestina e Israel para o estabelecimento de uma paz justa que desse início a uma nova era para nossa região.
Os relatórios das missões da ONU e também aqueles elaborados por várias instituições israelenses e sociedades civis transmitem um horrível quadro das dimensões desta campanha de assentamento, da qual o governo israelense não hesita em se gabar e que continua a implementar por meio do confisco sistemático das terras palestinas e da construção de milhares de novas unidades residenciais em várias áreas da Cisjordânia, particularmente em Jerusalém Oriental, e acelerando a construção do muro de anexação que está devorando grandes pedaços do nosso território, dividindo-o em terras e cantões isolados, destruindo a vida familiar, as comunidades e o meio de vida de dezenas de milhares de lares. A potência ocupante também continua a se recusar a conceder alvarás de construção para que nosso povo erga suas casas na Jerusalém Oriental ocupada, ao mesmo tempo em que intensifica sua antiga campanha de demolição e confisco de lares, expulsando proprietários e moradores palestinos por meio de uma multifacetada política de limpeza étnica que há décadas busca expulsá-los de sua pátria ancestral. Além disso, foram emitidas ordens para a deportação de representantes eleitos da cidade de Jerusalém. A potência ocupante também insiste em prosseguir com escavações que ameaçam nossos locais sagrados, e seus postos militares de controle impedem nossos cidadãos de chegar a suas mesquitas e igrejas, mantendo a Cidade Sagrada sob sítio com um anel de assentamentos que foi imposto para separar a Cidade Sagrada do restante das cidades palestinas.
A ocupação está correndo contra o tempo para redesenhar as fronteiras da nossa terra de acordo com seus desejos, tentando impor um fait accompli concreto que altere as realidades e que está prejudicando o potencial realista para a existência do Estado da Palestina.
Ao mesmo tempo, a potência ocupante continua a impor seu embargo à Faixa de Gaza e a ameaçar civis palestinos por meio de assassinatos, ataques aéreos e bombardeios de artilharia, persistindo na guerra de agressão iniciada três anos atrás contra Gaza, que resultou na destruição de incontáveis lares, escolas, hospitais e mesquitas, fazendo também milhares de mártires e feridos.
A potência ocupante também prossegue com as incursões em áreas de controle da Autoridade Nacional Palestina por meio de batidas, detenções e assassinatos nos postos de controle. Nos últimos anos, os atos criminosos de milícias formadas por colonos armados, que gozam da proteção especial do exército de ocupação, se tornaram mais frequentes, com ataques cada vez mais comuns contra o nosso povo, tendo como alvo nossos lares, escolas, universidades, mesquitas, campos, colheitas e árvores. Apesar de nossos repetidos alertas, a potência ocupante não agiu para conter estes ataques e nós a consideramos totalmente responsável pelos crimes dos colonos.
Estes são apenas alguns exemplos da política de ocupação dos assentamentos coloniais israelenses, e esta política é responsável pelo contínuo fracasso das sucessivas tentativas internacionais de recuperar o processo de paz.
Esta política vai destruir as chances do estabelecimento de uma solução de dois Estados a respeito da qual já existe um consenso internacional, e aqui faço um alerta em alto e bom som: esta política de construção de assentamentos ameaça sabotar também a estrutura da Autoridade Nacional Palestina, podendo até encerrar a sua existência.
Além disso, enfrentamos agora a imposição de novas condições que não foram anunciadas antes, condições que transformarão o conflito que arde em nossa inflamada região num conflito religioso e numa ameaça ao futuro de um milhão e meio de palestinos cristãos e muçulmanos que são cidadãos de Israel, algo que rejeitamos e que jamais poderemos aceitar.
Todas estas medidas adotadas por Israel no nosso país são atos unilaterais e não têm como base nenhum acordo prévio. De fato, aquilo que testemunhamos é uma aplicação seletiva dos acordos que tem como objetivo perpetuar a ocupação. Israel reocupou as cidades da Cisjordânia por decisão unilateral, e restabeleceu a ocupação civil e militar por decisão unilateral, e cabe ao país determinar se um cidadão palestino tem ou não o direito de residir em alguma parte do Território Palestino. E Israel está confiscando nossa terra e nossa água, e obstruindo nossos movimentos bem como a circulação de bens e mercadorias. É Israel que está obstruindo nosso destino. Tudo isto é unilateral.
Excelências, senhoras e senhores,
Em 1974, nosso líder Yasser Arafat, já morto, veio a este salão e garantiu aos membros da Assembleia Geral que nossa intenção era uma busca afirmativa pela paz, insistindo às Nações Unidas que tornassem reais os inalienáveis direitos nacionais do povo palestino, afirmando: “Não deixem que o ramo da oliveira caia de minha mão”.
Em 1988, o presidente Arafat voltou a falar à Assembleia Geral, que se reuniu em Genebra para ouvi-lo, onde ele entregou o programa palestino para a paz, adotado pelo conselho Nacional Palestino durante a sessão realizada naquele ano na Argélia. Quando adotamos este programa, estávamos dando um doloroso e dificílimo passo para todos nós, especialmente para aqueles que, como eu, foram obrigados a abandonar seus lares, suas cidades e vilarejos, trazendo consigo apenas alguns pertences, nosso luto e as chaves de casa até os campos de exílio e a Diáspora após a Al-Nakba de 1948, uma das piores operações de desterro, destruição e remoção de uma sociedade vibrante e coesa que fazia contribuições pioneiras e estava na vanguarda do renascimento cultural, educacional e econômico do Oriente Médio árabe.
Mas, por acreditarmos na paz e por causa da convicção na nossa legitimidade internacional, e porque tivemos a coragem de tomar decisões difíceis para o nosso povo, e na ausência de uma justiça absoluta, decidimos adotar o rumo da justiça relativa – uma justiça que seja possível e que possa corrigir parte da grave injustiça histórica cometida contra o nosso povo. Assim, concordamos em estabelecer o Estado da Palestina naquilo que seria apenas 22% do território da Palestina histórica – em todo o território palestino ocupado por Israel em 1967.
Ao dar este passo histórico, que foi bem recebido pelos Estados do mundo, nós estamos fazendo uma grande concessão com o objetivo de chegar a um acordo histórico de concessões mútuas que possibilitará a paz na terra da paz.
Nos anos que se seguiram, da Conferência de Madri e das negociações em Washington que levaram ao acordo de Oslo, assinado 18 anos atrás no jardim da Casa Branca e associado a cartas de reconhecimento mútuo assinadas pela OLP e por Israel, perseveramos e lidamos positiva e responsavelmente com todos os esforços que tiveram como objetivo a conclusão de um acordo de paz duradoura. Mas, como já dissemos, cada iniciativa, cada conferência, cada nova rodada de negociações e cada movimento foram esmigalhados sob o peso do projeto israelense de expansão dos assentamentos.
Excelências, senhoras e senhores,
Confirmo, em nome da Organização pela Libertação da Palestina, única representante legítima do povo palestino, que assim continuará sendo até o fim do conflito em todos os seus aspectos e até a resolução de todas as questões de status final, os seguintes pontos:
1. A meta dom povo palestino é a concretização dos seus direitos nacionais inalienáveis dentro do seu Estado independente da Palestina, com Jerusalém Oriental como sua capital, em todo o território da Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e a Faixa de Gaza, que Israel ocupou na guerra de junho de 1967, em conformidade com as resoluções de legitimidade internacional e com o estabelecimento de uma solução justa e de comum acordo para a questão dos refugiados palestinos de acordo com a resolução 194, conformes estipulado pela Iniciativa Árabe de Paz que apresentou a visão árabe consensual para a solução do principal ponto do conflito árabe-israelense e para o estabelecimento de uma paz justa e abrangente. É isto que defendemos e é isto que pretendemos realizar. Para se chegar a esta paz é preciso também que sejam libertados sem demora os prisioneiros políticos e os detentos que se encontram nas prisões israelenses.
2. A OLP e o povo palestino declaram sua renúncia à violência, rejeitando e condenando todas as formas de terrorismo, principalmente o terrorismo de Estado, e defenderão todos os acordos assinados entre a Organização pela Libertação da Palestina e Israel.
3. Defendemos a opção de negociar uma solução duradoura para o conflito de acordo com as resoluções de legitimidade internacional. Neste ponto, declaro que a Organização pela Libertação da Palestina está pronta para voltar imediatamente à mesa de negociações com base nos termos de referência referendados pela legitimidade internacional e partindo da interrupção total da construção de assentamentos.
4. Os palestinos vão prosseguir na sua resistência popular pacífica à ocupação israelense, às suas políticas de assentamento e apartheid, e à sua construção da racista muralha de anexação, e eles recebem apoio à sua resistência, que é consistente com a lei humanitária internacional e as convenções internacionais, contando com o apoio de ativistas defensores da paz vindos de Israel e de outros países, refletindo um impressionante, inspirador e corajoso exemplo da força desde povo indefeso, armado apenas com seus sonhos, sua coragem, sua esperança e seus gritos de guerra, com os quais enfrentam balas, tanques, gás lacrimogêneo e escavadeiras.
5. Ao trazermos nossa luta e apresentarmos nosso caso a este pódio internacional, trata-se de uma confirmação da confiança que depositamos na opção política e diplomática, e também uma confirmação de nossa recusa em adotar medidas unilaterais. Nossos esforços não buscam isolar Israel ou tirar a legitimidade do país; em vez disso, o que buscamos é a legitimação da causa do povo da Palestina. Estamos denunciando apenas a construção de assentamentos, a ocupação, o apartheid e a lógica de força implacável, e acreditamos que todos os países do mundo estão ao nosso lado neste ponto.
Estou aqui para dizer, em nome do povo palestino e da Organização pela Libertação da Palestina: estendemos nossa mão ao governo israelense e ao povo israelense para que cheguemos à paz. Digo a eles: vamos construir urgentemente um futuro para nossas crianças no qual elas possam desfrutar da liberdade, da segurança e da prosperidade. Vamos erguer as pontes do diálogo em vez de postos de controle e muros de separação; construir relações de cooperação com base na paridade e na igualdade entre dois Estados vizinhos – Palestina e Israel – em vez de políticas de ocupação, assentamento, guerra e eliminação mútua.
Excelências, senhoras e senhores,
Apesar do direito inquestionável do nosso povo à autodeterminação e à independência do nosso Estado conforme estipulado nas resoluções internacionais, aceitamos nos últimos anos envolver-nos naquilo que pareceu ser um teste do quanto seríamos merecedores e dignos deste direito. Nos dois últimos anos nossa autoridade nacional implementou um programa para construir as instituições do nosso Estado. Apesar de nossa situação extraordinária e dos obstáculos impostos por Israel, um projeto sério e abrangente foi lançado, incluindo a implementação de planos para reforçar e fazer avançar o judiciário e o aparato necessário para a manter a ordem e a segurança, para desenvolver os sistemas administrativos, financeiros e de supervisão, para melhorar o desempenho das instituições, e para reforçar a autossuficiência no sentido de reduzir a dependência em relação ao auxílio estrangeiro. Graças ao apoio de países árabes e doadores entre os países amigos, alguns projetos de infraestrutura foram implementados, tendo como foco vários aspectos do setor de serviços, com atenção especial às áreas rurais e marginalizadas.
Em meio a este imenso projeto nacional, temos reforçado aquilo que pretendemos transformar nas características do nosso Estado: da preservação da segurança para o cidadão e da ordem pública até a promoção da autoridade judicial e do estado de direito, passando pelo fortalecimento do papel desempenhado pelas mulheres por meio da legislação, das leis e da participação, garantindo a proteção às liberdades públicas e fortalecendo o papel das instituições da sociedade civil, além da institucionalização de regras e regulamentações para garantir a responsabilidade e a transparência no trabalho dos nossos ministérios e departamentos, finalmente promovendo um enraizamento mais profundo da democracia como base da vida política palestina.
Quando a unidade de nossa pátria, nosso povo e nossas instituições foi atingida por divisões, mantivemos a determinação em adotar o diálogo para restaurar nossa união. Meses atrás, conseguimos chegar à reconciliação nacional e esperamos que a sua implementação seja acelerada nas próximas semanas. O pilar central desta reconciliação era a possibilidade de consultar o povo por meio de eleições legislativas e presidenciais dentro do prazo de um ano, porque o Estado que desejamos será um Estado marcado pelo estado de direito, pelo exercício da democracia, e pela proteção das liberdades e da igualdade de todos os cidadãos sem nenhum tipo de discriminação, realizando a transferência do poder por meio das urnas.
Os relatórios publicados recentemente pelas Nações Unidas, pelo Banco Mundial, pelo Ad Hoc Liaison Committee (AI-ILC) e pelo Fundo Monetário Internacional confirmam e elogiam aquilo que já fizemos, considerado um modelo notável e sem precedentes. A conclusão consensual apresentada pelo AI-ILC dias atrás descreveu nossos feitos como “uma notável história de sucesso internacional” e confirmou o preparo do povo palestino e de suas instituições para a imediata independência do Estado da Palestina.
Excelências, senhoras e senhores,
Não é mais possível retificar a questão do bloqueio dos horizontes das negociações de paz com os mesmos meios e métodos que foram tentados tantas vezes e que se mostraram fadados ao fracasso no decorrer dos últimos anos. A crise é profunda demais para ser ignorada, e ainda mais perigosas são as tentativas de simplesmente adiar ou desviar da sua explosão.
Não é possível, nem praticável, nem aceitável voltar a se envolver em negociações como as anteriores, como se tudo estivesse bem. É fútil retomar as negociações na ausência de parâmetros claros, de credibilidade e de um cronograma específico. As negociações não terão sentido enquanto o exército de ocupação continuar a se entrincheirar no nosso território, em vez de recuar, e enquanto a potência ocupante insistir em alterar a demografia do nosso país para criar uma nova base a partir da qual tentará alterar as fronteiras.
Excelências, senhoras e senhores,
Estamos na hora da verdade e meu povo espera para ouvir a resposta do mundo. Será que a comunidade internacional vai permitir que Israel continue com a sua ocupação, a única ocupação em todo o planeta? Vai permitir que Israel continue a ser um país acima da lei e da responsabilidade? Vai permitir que Israel siga rejeitando as resoluções do Conselho de Segurança, da Assembleia Geral das Nações Unidas e do Tribunal Internacional de Justiça, bem como a posição da grande maioria dos países do mundo?
Excelências, senhoras e senhores,
Venho da Terra Santa, da terra da Palestina, da terra das mensagens divinas, da ascensão do Profeta Maomé (que a paz esteja com ele) e do nascimento de Jesus Cristo (que a paz esteja com ele), para falar-lhes em nome do povo palestino, tanto na sua pátria quanto espalhado na Diáspora, e dizer, depois de 63 anos sofrendo uma Nakba contínua: já basta. É chegada a hora do povo palestino recuperar sua liberdade e sua independência.
É chegada a hora de pôr fim ao sofrimento e ao drama de milhões de refugiados palestinos na sua pátria e na Diáspora, de acabar com a sua destituição e de concretizar os seus direitos, sendo que alguns deles foram obrigados a buscar refúgio em diferentes partes do mundo por mais de uma vez.
Num momento em que os povos árabes afirmam seu anseio pela democracia – a Primavera Árabe – é chegada também a hora da Primavera Palestina, o momento da independência.
É chegada a hora de nossos homens, mulheres e crianças viverem vidas normais, de poderem dormir sem esperar pelo pior que o dia seguinte trará; de as mães terem a certeza de que seus filhos voltarão para casa sem temer que sejam mortos, detidos ou humilhados; de os estudantes poderem ir para suas escolas e universidades sem serem obstruídos por postos de controle. É chegada a hora de os doentes poderem chegar aos hospitais normalmente, e de nossos agricultores poderem cuidar de sua boa terra sem temerem que a ocupação confisque seu terreno e sua água, até os quais a muralha lhe impede de chegar, e sem temer os colonos, para os quais assentamentos estão sendo construídos na nossa terra e que estão arrancando e queimando as oliveiras que existem a centenas de anos. É chegada a hora dos milhares de prisioneiros serem libertados das prisões, voltarem às suas famílias e aos seus filhos e se tornem parte da construção da sua pátria, em nome de cuja liberdade eles se sacrificaram.
Meu povo deseja exercer seu direito de desfrutar de uma vida normal como o restante da humanidade. Eles acreditam naquilo que disse o poeta Mahmoud Darwish: Estar aqui, ficar aqui, no permanente aqui, no eterno aqui, e temos uma meta, uma, apenas uma: ser.
Excelências, senhoras e senhores,
Reconhecemos e valorizamos muito as posições de todos os Estados que apoiaram nossa luta e nossos direitos e reconheceram o Estado da Palestina após a Declaração de Independência em 1988, bem como dos países que reconheceram recentemente o Estado da Palestina e aqueles que elevaram o grau da representação palestina em suas capitais. Também saúdo o secretário-geral, que disse alguns dias atrás que o Estado Palestino deveria ter sido estabelecido anos atrás.
Estejam certos de que este apoio ao nosso povo é mais valioso para nós do que podem imaginar, pois faz com que sintamos que há alguém ouvindo nossa narrativa e que a nossa tragédia e os horrores que vivemos com a Nakba e a ocupação, que lhes causaram tamanho sofrimento, não são ignorados. E isto reforça nossa esperança, que emana da crença de que a justiça é possível neste mundo. A perda da esperança é o pior inimigo da paz e o desespero é o mais poderoso aliado do extremismo.
Eu lhes digo: é chegada a hora do meu povo, corajoso e orgulhoso, submetido a décadas de destituição, ocupação colonial e sofrimento contínuo, viver como os demais povos do mundo, livre numa pátria independente e soberana.
Excelências, senhoras e senhores,
Gostaria de informá-los que, antes de fazer este discurso, eu, na minha capacidade de presidente do Estado da Palestina e presidente do Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina, entreguei à sua excelência, o sr. Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas, um pedido para a admissão da Palestina como membro pleno da ONU com base nas fronteiras de 4 de junho de 1967, tendo como sua capital Al-Quds Al-Sharif.
Peço ao sr. secretário-geral que acelere a transmissão do nosso pedido ao Conselho de Segurança, e peço aos distintos membros do Conselho de Segurança que votem em favor da nossa inclusão como membro pleno. Peço também aos Estados que ainda não reconheceram o Estado da Palestina que o façam.
Excelências, senhoras e senhores,
O apoio dos países do mundo ao nosso objetivo é uma vitória da verdade, da liberdade, da justiça, da lei e da legitimidade internacional, e proporciona um tremendo apoio para a opção da paz, reforçando as chances de sucesso nas negociações.
Excelências, senhoras e senhores,
Seu apoio ao estabelecimento do Estado da Palestina e à nossa admissão nas Nações Unidas é a maior contribuição possível para a paz na Terra Santa. Eu lhes agradeço.
Tradução de Augusto Calil

LAÍS MANN, cantora, atriz e profissional do rádio e TV concede entrevista – para aldrin cordeiro e érika busani / curitiba

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Seu nome é Laís. Afiada e divertida, bem podia ser Leila, Marieta, Dina, Sônia ou Beth, para citar algumas das mulheres solares que colocaram o Brasil da década de 1970 de canelas para o ar

foto de alexandre mazzo.

Loira, elegante, desbocada. Atriz, mãe, apresentadora, engraçada. Avó, impaciente, cantora, namorada. Hiperativa. Palavras para definir Laís Mann são limitações que não se enquadram na história da mulher que marcou época na vanguarda da tevê no Paraná. Uma eterna estudante de si mesma, a guria autodidata ultrapassou seis décadas de vida com uma certeza: quer descobrir ainda mais sobre a menina que nasceu na Água Verde.

Pouco antes dos 20 anos, Laís já era alvo fácil do imaginário masculino – e do ódio feminino – quando seu “boa noite” era entoado na TV Iguaçu, Canal 4. No célebre programa Show de Jornal, ao lado de Jamur Junior, João José de Arruda Neto (JJ) e Haroldo Lopes, a belle de nuit falava so­­bre política. As­­sunto que rendeu status de celebridade pelas ruas e salões de beleza – e que a levou diversas vezes à Polícia Federal, graças à ditadura militar.

Sem se levar a sério, foi catapultada à profissão de cantora, atriz e radialista – e com louvor. Entre uma mentirinha para fugir dos castigos da mãe e as festas na vida noturna curitibana, Laís se casou três vezes, teve quatro filhos e quatro netos. Com uma biografia que não caberia nesta página, uma verdade inconteste: Laís Mann permanece no posto de diva – ele lhe pertence.

Você é loira legítima?

[risos] Sou loira. É uma loucura. E sabe, né, qualquer mancada eu falo que sou loira. Ainda mais depois da música do Gabriel, O Pensador. Acho bárbaro.

Quando descobriu que era bonita?

Ah, desde pequena. Eu não sabia das diferenças sociais e lia as histórias das princesas. E a Cinderela sempre era linda. Sempre a pobre era linda e casava com o príncipe. Achava que eu era pobre porque era bonita e as ricas eram todas feias. Até quando comecei a ter contato com as meninas ricas e vi que elas eram muito bonitas. Aí não entendi mais nada. [risos]

Você tinha noção do que seria estar na televisão?

Não. Era mais um emprego. E eu só comecei lá após um trato com minha mãe. Trabalharia de manhã em uma loja de roupas femininas e à noite na tevê. Mas ninguém me levava a sério. Nem eu mesma. Aquilo era um trabalho qualquer. Não tinha vaidade.

Você estava interessada no dinheiro?

Mas é claro.

O que o dinheiro lhe deu?

Minha vida mudou. Ajudei minha família. Comprei uma casa. Um carro. Vivia bem com a família. Pagava os melhores médicos para meus irmãos. Tinha dinheiro para acudir meu pai com o problema da bebida.

Como era fazer parte do Show de Jornal?

A gente não podia sair na rua. Era um jornal político. Era tempo de ditadura e éramos celebridades. Nós trabalhávamos no canal do Paulo Pimentel, que ao lado do Cecílio Almeida derrubou o Arol­­do Leon Peres, que era o governador do estado. Um inferno. A gente ia todo dia para a Polícia Federal.

E no cotidiano?

Nem no salão conseguia ir. Até porque as mulheres não viam telejornal. Não queriam saber disso, mulher assistia à novela. Até aparecer uma menina de 19 anos que apresentava assuntos que os maridos gostavam.

Todos esperavam pelo seu “boa noite”.

Só para descobrir como eu iria falar o “boa noite” demorou uma semana na produção. Eu dava “tchau” e fazia algo com meu nariz e os homens gostaram. Virou até um fetiche.

Como lidava com o assédio num ambiente masculino?

Ah, me defendia legal. Isso sempre me incomodou muito. Eu me sentia diminuída e vulgar com o assédio masculino. Quando um ho­­mem vinha me cantar eu tratava logo de dizer uma grosseria.

Você também fez horóscopo no rádio. Fazia o texto?

Sim, fazia tudo. Ficava até as 3 horas da manhã com minha mãe escrevendo. Minha mãe era meio feiticeira e entendia desse assunto. Ela jogava búzios… E era tudo mentira. Tudo inventado. E o povo ainda falava que a gente tinha acertado as coisas.

Em que momento se descobriu cantora?

Quando estava na tevê, o Paulo Ví­­tola e o Adherbal Fortes escreveram uma peça de teatro chamada Ci­­dade sem Portas, em 1972, acho. E eles me convidaram para fazer. Cla­­ro, eu estava na moda e ia ga­­rantir bilheteria. Foi nela que co­­me­­cei a cantar. E eu adoro, mas é uma das coisas que mais me atemoriza. Morro de dor de barriga. Gente, é um inferno quando vou cantar. Porque não fiz escola. Te­­nho complexo. Estou contando is­­so pela primeira vez na minha vida.

Complexo do quê?

Quando vou cantar, qualquer insegurança em relação à música já me dá um complexo. Eu digo “tá vendo, imbecil, se fosse lá aprender a cantar ia saber o que é uma oitava, meia oitava, dois terços, não sei o que lá”. E penso nisso, que na verdade é uma bobagem. Porque se a gente vir as cantoras Angela Maria, Elis Regina e Elizete Cardoso, elas nunca fizeram escola. Elas foram a escola.

Você acompanha as novas cantoras que surgem na cena local?

Ah, sim. Adoro a Ana Cascardo, a Ro­­géria Holtz, a Gisele Oliveira. Es­­sa nova geração é um espetáculo.

O que diria para elas?

Cantem. Cantem muito na vida, se divirtam. Sem complexos. Acho que nesse ponto essa geração é muito bacana. Fazem legal. Nem vou falar da Thaís [Gulin], aquela desgraçada… [risos].

A Thaís Gulin…

Tá com o Chico [Buarque]. Será que tá mesmo? Que preguiça dessas meninas… O Chico é uma en­­ti­­dade. Sinceramente: se eu fos­­se uma cantora talentosa, bo­­nita… você acha que eu ia *** pro Chico? Ah, por favor, ela nem precisa disso. É rica e faz o que quer. Deve ser um horror, gente. Eu seria a última a ter preconceito de velho, mas não quero namorar velho [ri­­sos]. Porque eles tomam aqueles “viagras” e fica uma coisa tão es­­quisita [risos]. Tem gente que acha que ela está com o Chico por in­­teresse. Eu não acredito. Ele faz tudo porque está absolutamente apaixonado. A prova está aí, esse CD que fez agora. Está babando de amor. Nós temos que endeusar a Taís. A santa Taís, que contribuiu pro Chico fazer esse trabalho lindo.

Como foi sua infância?

Nasci em uma família muito pobre no bairro Água Verde. Meu pai era funcionário público e minha mãe dona de casa. Nossa vida era um horror, porque meu pai era alcoólatra. Mas a gente era feliz. E desde cedo minha mãe me fez estudar e trabalhar.

Gostava da escola?

Detestava. Reprovei 10 anos no ginásio. Tinha pavor daquilo. Era hiperativa e não conseguia ficar na sala de aula sem conversar. Achava tudo desinteressante. Que horror.

Como era a sua mãe?

Com ela era? “Escreveu, não leu, o pau comeu.” Uma sargentona. E eu mentia muito. Aprontava mesmo. O nome dela era Altina. Ela me chamava de “barata descascada”. [risos]

Essa é a mesma relação com sua filha?

Com minha filha há um diálogo absolutamente aberto. Ela sempre soube que o nome daquilo é vagina, não perereca. Minha mãe chamava de miçanga. E eu fui saber que miçanga não era vagina quando eu já era grande. Estava assistindo à televisão, um programa da Linda Saparoli, e ela falou que o vestido era todo bordado de miçangas e eu gritei “mãããee”. [risos]

E os seus netos…

É bárbaro. Eu tenho quatro netos. A minha neta com quem convivi mais foi um espetáculo na minha vida. Eu digo “foi” porque hoje ela é pré-adolescente e não quer saber de mim. A não ser pra levá-la à gi­­nástica. E eu aproveito para fazer uma chantagem danada. Digo “va­­mos jantar?”. “Não vovó, eu tenho que estudar”. “Gabriela, quer sa­­ber de uma coisa, vai ….” É uma de­­lícia essa relação.

E na sua juventude, Curitiba ti­­nha coisas melhores para se fazer?

Era uma maravilha. Tinha a Zim­­ba­­loo, a Gogó da Ema, a Jackie O. Eram boates bacanas. Hoje, frequento muito pouco a noite. Even­­tualmente, vou ao Kapelle, um bar que tem uns 200 anos – a minha idade [risos]. É mais um bar cabeça. Às segundas-feiras, vou ao Tatára, que é um hippie remanescente dos anos 70, compositor, cantor, um ma­­luco, um agitador cultural.

O que tem lá?

Às segundas tem a chamada “Se­­gunda Autoral”, quando os jo­­vens artistas, e velhos também, se reúnem para apresentar música. As pessoas estão aprendendo a cultuar os nossos artistas, o que não acontecia antes. Ninguém queria dizer que era fã do cara que morava em cima do seu apartamento. Curitibano é uma coisa absurda. Não adianta.

Mas você é curitibana…

Sou… Mas é por isso que eu falo. As pessoas dizem pra mim: “Mas você não é de Curitiba, né?”. Digo “ai, eu sou”. Porque tem autofagia mesmo. Curitiba tinha uma coisa muito cafona: só era bacana o que vi­­nha de fora. Mas está mudando. Es­­tou percebendo na música, por exemplo, essa coisa de ser bacana o que é daqui. “Você vai gravar um CD? Legal, o que você vai gravar?” “Vou gravar compositores curitibanos.” “Pô, que tesão.” É um as­­pecto bem positivo. A coisa está mudando porque hoje você nem acha mais curitibano. Não sei pra onde foram. Devem ter se desintegrado [risos]. Porque curitibano não sai daqui, né.

Como é envelhecer?

É difícil. Nosso país não está preparado para isso. Há muito preconceito. A vantagem está em ter mais conhecimento. A parte boa é a falta total de pudores e limites. “Não vou dizer isso porque vou ofender a pessoa”. Paciência… Pelos menos disse o que eu queria dizer. Não é uma coisa de querer agredir… O velho é cruel, gente. É como uma criança.

E a solidão…

Tem uma solidão vo­­luntária, porque apren­di a me gostar. Adoro a minha solidão, pois posso ficar mal-humorada quando quiser, dou risada de mim mesma… Já tive vários casamentos [três] e acho que não vim dotada deste talento de manter relacionamentos. Minha vida sentimental está uma porcaria. [risos]

E como é conviver contigo?

Sem bom humor não tem salvação. Adoro essa coisa de dar risada. Senão fica muito sem graça. E detesto pessoas mal-humoradas e pessoas mais ou menos. Tem de ser uma coisa ou outra. A base de todas as relações, profissionais, afetivas, conjugais é o bom humor.

Assista ao vídeo com Laís Mann

Confira os bastidores da entrevista

Beijando a mão que surra – por alceu sperança / cascavel.pr

O Brasil está virado pelo avesso, com violência, corrupção, tudo muito caro, a educação precária e saúde aos pedaços. E mesmo assim os donos do poder vão levando na mesma toada de sempre, na base do “País vive seu melhor momento”.

Deve ser o tal poder do otimismo. Você vê um corpo tombando ao seu lado, sangrando por vários furos de balas, e diz: “No outro mundo ele vai viver melhor!”

Os resultados eleitorais de 2010 mostraram uma retumbante vitória dos dois governos, o de hoje e o de ontem, vitória do projeto de alternância que faz um deles ser também o governo de amanhã.

Para o PMDB, Paris é uma festa. Encontrou a fórmula perfeita para participar de todos os governos e continuar enriquecendo os ricos com o aval dos pobres. Não deu pra mais ninguém. Foi cem por cento de vitória para a engabelação neoliberal em todas as capitais e nas grandes cidades, onde se julga que a população seja mais consciente e menos manipulável pela ideologia e pela propaganda.

É a supremacia definitiva da ilusão eleitoral, montada com a legislação, a propaganda, a máquina oficial e o financiamento privado milionário das campanhas.

Parece espantoso o quanto somos manipuláveis pela ideologia. O Brasil com tudo muito caro e o mundo em meio a uma das mais graves crises da história, e o que se vê? A vitória dos mesmos que criaram e mantêm essa careza e essa crise.

A careza e a crise são resultantes das políticas desenvolvidas até agora. Seus formuladores, gestores e executores são incapazes de responder aos problemas da sociedade, mas vencem cem por cento das eleições das quais participam. As consequências desastrosas de suas administrações empobrecem, enlutam e infelicitam milhões de pessoas pelo mundo afora, mas eles continuam manipulando os cordéis.

A careza e a crise são brutais, mas seus murros não conseguem causar sensação de dor. Há uma couraça maciça de anestesia e engabelação criada para manter os povos sob controle, até com o uso de candidatos operários, negros, jovens, mulheres, ambientalistas etc escalados para fingir que há opção e escolha quando, na verdade, existem apenas atores repetindo um script ensaiado para que a comédia vá se desenvolvendo em programados e sucessivos atos.

É evidente que os vitoriosos nas eleições, suas idéias retrógradas, métodos de gestão superados e partidos traidores dos próprios princípios estão na raiz desses preços tão altos e dessa monumental crise.

Nada leva a crer que lobos se transformarão em ovelhas, num passe de mágica ou aquinhoados por uma benfazeja inspiração divina. Seu papel é continuar mantendo um sistema caracterizado por insanáveis contradições, construído através de ações predadoras, destrutivas e desumanas.

Os preços altos e a crise provam com extrema clareza o fracasso da tecnocracia neoliberal, com suas idéias já moribundas de “liberalização” dos mercados, livre circulação de capitais, comando das nações pelo capital financeiro e grandes multinacionais − o chamado “caminho único” para a prosperidade e a felicidade dos povos.

O fruto dessa ideologia é amargo. Seus gomos venenosos são o caos financeiro, a miséria, a ruína da saúde, a precarização dos direitos, o aumento das desigualdades nacionais e sociais.

Nos países mais desenvolvidos, aumentam os gastos que uma família é obrigada a fazer. Nos mais pobres, piora os já crônicos problemas agro-alimentares, energéticos e ambientais. É a liberdade que nos deram: beijar a mão que nos dá tapa.

 

O autor é escritor

HUGO BLANCO: 50 anos de luta pelo índio peruano.[1] – por manoel de andrade / curitiba

1. Um jovem trotskista e a química revolucionária da década de 60

A ilha de “El Frontón”, um colossal rochedo a 7 quilômetrosdo porto de Callao, deixou de ser a temível penitenciária depois do célebre massacre, pela marinha peruana, de 135 presos políticos do Sendero Luminoso, em junho de 1986, no governo aprista de Allan García. [2]

Quando, em 29 de novembro de 1971, por razões de segurança, voltei de navio à capital peruana, procedente de Guayaquil, pude contemplar de perto a famosa ilha-prisão cujas histórias de tortura e morte eu havia ouvido quando estivera em Lima dois anos antes. Mas Hugo Blanco não estava mais ali. Embora tivesse sido anistiado e libertado, em 14 de setembro de 1971, pelo chamado governo revolucionário de Velasco Alvarado, ironicamente fazia dois meses e meio que fora deportado, pelo mesmo governo, para o exílio no México. No momento em que escrevo estes relatos, em  2011, acompanho ainda, a sua atividade incansável, aos 76 anos, em prol das lutas populares e do movimento indígena, com destaque, para a “Carta aberta a Vargas Llosa”, onde, em janeiro deste ano, Hugo Blanco afirmara que:

 

“O prêmio Nobel outorgado a você representa um golpe a mais do neoliberalismo às populações indígenas, já que dificilmente se encontrará maior inimigo delas que sua pessoa.” [3]

 

Nascido em Cusco, em 1934, Oscar Hugo Blanco Galdós estudou agronomia na Argentina onde se politizou e aderiu definitivamente ao trotskismo, sob a orientação de Hugo Bressano  —  que depois ficaria conhecido como Nahuel Moreno.

Era o início dos anos 60, década em que trotskismo e stalinismo ainda se digladiavam na América Latina numa ofensiva ideológica que começara muito antes do assassinato de León  Trotsky, em 1940, no México, a mando de Stalin. Era a época em que a Revolução Chinesa, de 1949 e a Revolução Cubana, surgida dez anos depois, trouxeram os novos modelos revolucionários ao mundo e ao Continente promovendo debates e confrontos em que as diferentes posições da ideologia marxista disputavam a primazia revolucionária nas lutas libertárias da América Latina. Debruçadas sobre os estudos da natureza da revolução e suas peculiaridades continentais, os intelectuais de esquerda envolveram-se em amplas reflexões e acirradas discussões sobre alianças e estratégias políticas, táticas militares e métodos de luta, fossem eles baseados no foco guerrilheiro ou na organização combativa das massas. Vivia-se numa época em que era imprescindível não confundir marxismo com stalinismo e, por isso mesmo, a teoria e a prática revolucionária estavam divididas, por um lado, na viabilidade da revolução democrático-burguesa por etapas, orientada pela burocracia privilegiada de Moscou e os Partidos Comunistas nacionais,  — cujas conclusões negavam o amadurecimento econômico e social latino-americano para uma revolução socialista  — e, por outro lado, nas idéias trotskistas da “revolução permanente” e no caráter internacional da luta proletária defendido por Trotski na Quarta Internacional, bem como pelas rápidas e avançadas etapas da Revolução Cubana  propondo a luta aberta e armada contra o imperialismo.

Neste sentido, no começo da década de 60, o Peru era um grande laboratório de ideias políticas manipulado com a química revolucionária de jovens e brilhantes ideólogos onde se combinavam e se excluíam os mais diversos ideais de esquerda: maoísmo, trotskismo, castrismo ou guevarismo e, dentro dessas opções, colocou-se a importante dissidência do aprismo. Portanto o grande racha deu-se no antigo APRA[4] (Aliança Popular Revolucionária Americana), de onde surgiu o APRA Rebelde, dirigido por Luiz deLa Puente Uceda que o transformou, em novembro de 1960, no MIR (Movimiento de Izquierda Revolucionaria), caracterizado como uma nova e extrema esquerda peruana. Outros movimentos surgiram posteriormente e, sempre deixando de lado as posições ortodoxas do Partido Comunista  —  chamado Partido Socialista do Peru  –, uma meia dúzia de Frentes e Partidos de esquerda optaram pela luta armada definindo-se, sobretudo, entre trotskistas e castristas, já que entre as organizações de esquerda do Continente nunca predominou um só pensamento sobre a natureza da revolução.

Foi nessa fogueira de sonhos que brilhou a chama revolucionária de Hugo Blanco. Regressando da Argentina em 1956, ingressa no POR (Partido Obrero Revolucionário) e, já na clandestinidade, destaca-se como líder e precursor do movimento guerrilheiro no Peru. Com vistas à necessidade inadiável da reforma agrária, como um imperativo do desenvolvimento nacional, e à luta pela defesa da causa indígena contra a oligarquia agrária e o imperialismo, funda a organização trotsquista FIR (Frente de Izquierda Revolucionaria). Demonstrando um grande despojamento, em 1958 foi trabalhar e viver entre os camponeses humildes do Vale deLa Convencióne de Lares, em Cusco, vestindo-se como eles, vivendo nas suas comunidades e aprendendo a língua quéchua.

 

2. Os símbolos do calvário

 

A região – que fui conhecer em minha segunda passagem por Cusco, em 1970, com a grata companhia e esclarecimentos de dois dirigentes da FUL (Federación Universitária Local), que haviam tido contato com Hugo Blanco   — em fins da década de 50, chamara a atenção do país inteiro pela sua extrema pobreza, pela injusta exploração dos camponeses no extorsivo arrendamento do trabalho agrícola e a sua gratuidade periódica prestada aos proprietários da terra e pelo alarmante índice de mortalidade infantil. Quando Hugo Blanco lá chegou em 1958, encontrou, estampado em cada semblante, os símbolos do calvário. Deparou com a vida dos camponeses marcada pelos crimes mais iníquos. O ser humano humilhado, sua cultura esmagada, seus hábitos religiosos e costumes milenares escarnecidos. Encontrou as faces crucificadas pela miséria, marcadas pelos sulcos indeléveis do sofrimento e os olhos vazios de esperança. Iniciou, então, a fundação de sindicatos camponeses, criando uma federação de 142 núcleos sindicais, pedindo escolas para alfabetizar o povo, promovendo, ao longo de cinco anos, a educação pelo trabalho e diminuindo o uso do fumo e da coca entre os camponeses.

Com o lema “Terra ou Morte”, organizou, a partir de 1961, greves e enfrentamentos  com a oligarquia agrária da região,  — que em todo o país possuía 80% da terra  — tornando-se pessoalmente uma grande referência na mobilização de massas em toda a América Latina. Diante da insustentável situação agrária na região, Hugo Blanco inicia a invasão de latifúndios, expropriações de terras para a Reforma Agrária e lidera grandes manifestações de trabalhadores rurais. Sua imagem combativa e seu carisma arrebatavam, para sua causa libertária, cada vez mais adeptos entre os camponeses indígenas da região e entre estudantes e intelectuais das grandes cidades peruanas.. Faltava apenas o apoio estratégico mais importante: a adesão de um partido político forte e dos trabalhadores urbanos que, infelizmente, nunca veio. Por outro lado o seu nome tornava-se para alguns poucos um estigma maldito porque era pronunciado com ódio e desprezo pelos latifundiários da província de Cusco e do país.

 

“Os trotsquistas sabemos que a luta armada é uma fase obrigatória da revolução, mas somente isso: uma fase. A luta revolucionária é um processo, através do qual as massas crescem em sua organização, em sua consciência, em suas formas de luta, guiadas por sua vanguarda consciente, pelo partido revolucionário. As massas, naturalmente, preferem obter suas reivindicações por vias pacíficas. Durante o processo, percebem que os exploradores não cedem e respondem às suas reivindicações com a violência; é somente então que as massas se vêem obrigadas a opor à violência dos exploradores a sua própria violência. Com o agudizamento deste choque entre a violência dos exploradores e a resposta violenta dos explorados, chega-se à luta armada, inevitavelmente.[5]

 

Hugo Blanco, ao acenar com a igualdade e a justiça de uma sociedade socialista para os camponeses, tal como José Carlos Mariátegui, ao falar do comunismo inca, certamente conhecia muito bem a histórica tradição coletivista do indígena andino, herdeiro de um aperfeiçoado sistema de produção comunitária que lhe garantia a justiça social e o necessário para viver com dignidade. Sabia também, como Mariátegui,  —  e contrariando a “sapiência” dos teóricos  do estalinismo  —  que a revolução socialista possível tinha que ser agrária, anti-imperialista, contra a burguesia local e sem passar pelas etapas da revolução nacional-democrática, como propunha o Partido Comunista Peruano, que nunca participou dela. Para tanto Hugo Blanco tirou do esquecimento a “Lei da Reforma Agrária” e em Chaupimayo deu início à divisão das terras não cultivadas, regulando o processo de distribuição pela autoridade da “Reforma Agrária da Federação Departamental de Camponeses de Cusco”. A polícia não ousava interferir na distribuição da terra para os camponeses e o receio policial era tanto que:

“Quando algum camponês não sindicalizado se queixava de alguém de Chaupimayo, no posto de Guarda Civil do distrito lhe diziam que fosse ao sindicato procurar justiça ou que voltasse ao posto com um pedido assinado por nosso sindicato para atender o caso” [6]

 

Mas esta aurora de justiça no Vale deLa Convención, era apenas o primeiro passo de uma Reforma Agrária que abrangesse o país inteiro e ele sabia que o dono da terra não a reparte sem a guerra.

Naquela década de 60, os camponeses peruanos viviam vergonhosamente humilhados pela extrema miséria, pelo desprezo cultural e pela condição semi-escrava do trabalho. Apesar de todos esses ingredientes para a rebelião, certas correntes de esquerda, doutrinariamente voltadas para o marxismo europeu, não viam, nessa dependência do campesinato latino-americano à formas tão desumanas da produção capitalista  —  ou pré-capitalista e feudal, como se tem caracterizado essa discussão teórica sobre a natureza na economia ibero-americana a partir da colonização  —  e à doutrina de dominação imperialista,[7] o conteúdo emocional de revolta e o caráter socialmente  indispensável para deflagrar um processo revolucionário no campo, como único caminho para romper essa nefasta dependência.

O grande exemplo acabara de ser dado pela Revolução Cubana, fosse pelo apoio incondicional dos guajiros da Sierra Maestra  —  camponeses sem-terra e explorados pelos latifundiários da região  —  fosse pela rápida transição para o socialismo (agosto-outubro de 1960), frente a uma estrutura socioeconômica dominada até então pelo capital da oligarquia financeira e pelas grandes empresas norte-americanas que mantinham o monopólio da telefonia, eletricidade e produção de açúcar na Ilha. Naturalmente Hugo Blanco conhecia de muito mais tempo a história rebelde dos camponeses latino-americanos. No começo do século, um fenômeno semelhante acontecera no sul do México, quando as terras indígenas, tomadas pelos grandes latifundiários amparados pelo regime corrupto e pró-ianqui de Porfírio Dias (1830-1915), foram reconquistadas por um exército de 30 mil camponeses, liderados por Emiliano Zapata (1879 -1919) Os anais dessa história registraram também a legenda guerrilheira de Augusto César  Sandino, (1895-1934) liderando, na década de 30, um exército de camponeses contra a invasão norte-americana da Nicarágua.

Na mesma época, liderada por Agustín Farabundo Martí (1893-1932), explode, com incontida violência, a revolta do campesinato indígena em El Salvadorcontra a ditadura militar, a usurpação de terras pela burguesia local e as empresas bananeiras norte-americanas, terminando num verdadeiro genocídio perpretado pelo exército contra camponeses mal armados num episódio conhecido como La Matanza, onde morreram cerca de  30 mil pessoas entre homens, mulheres e crianças.[8]

Outro grande exemplo, tão aguerrido como a Revolução Mexicana pela conquista da terra, foi a decisiva participação que tiveram os camponeses e mineiros bolivianos ocupando terras e enfrentando o exército, na Revolução Boliviana de 1952-53, como já comentamos nesta obra.[9][10]

Foi sob esse imenso cenário de revoltas, lutas e grandes sacrifícios indígenas do Continente que Hugo Blanco construiu, no vale deLa Convencióne de Lares, o palco de redenção dos humilhados e oprimidos da sua pátria, para conduzi-los à conquista da terra e da liberdade.

No passado, suas propriedades haviam sido usurpadas, muitos foram mortos impunemente, outros foram expulsos formando as massas de deserdados que sobreviviam nas barriadas de Lima. Os que ousaram ficar jaziam aprisionados pelos grilhões da dor, do medo e do silêncio. Há duzentos anos, no último grito rebelde da raça, houve cem mil caídos e os que sobreviveram derramaram suas últimas lágrimas ante o martírio infamante de Túpac Amaru, ali mesmo, na praça central de Cusco. Agora, surgia um jovem peruano que não era índio, mas conversava com eles na sua língua, cantava suas canções e aprendia seus costumes.  Semeava e colhia com eles a mesma pobreza, vestia-se como eles e trazia nas mãos a chave para abrir os portões de suas antigas terras. De onde viera? Quem era aquele homem que trazia na alma uma legenda missionária iluminada pelo sublime ideal da justiça e pelo sol da esperança?

 

Dia a dia, mês a mês, ano a ano, o sonho de um tornou-se o sonho de todos. Alguns pequenos proprietários na região de Lares chegaram a entender que a Reforma Agrária levada a cabo por Hugo Blanco estava sendo feita “de maneira perfeita, que havia paz social, que pediam ao governo que não perturbasse a tranquilidade da região.” Contudo esse sonho encontrou seus pacíficos e justos caminhos fechados pela resistência feroz dos grandes fazendeiros. Eram os donos da terra, da vida e da morte. Cobertos pelo manto da impunidade eram cruéis, insensíveis e perversos e agora que se viam sitiados pela força organizada por aqueles que escravizavam, agora que o amanhã os ameaçava com a espada da justiça, apelavam por ajuda do governo.

A queixa e o pedido dos “gamonales”  determinou a escalada da repressão, com a prisão de dirigentes sindicais e a instalação de postos da guarda civil na região.

 

3. Das milícias à guerrilha.

 

Então, a frustração daquele sonho, de distribuir pacificamente a terra aos seus verdadeiros donos, transformou-se em punhos crispados, bandeiras libertárias e trincheiras de luta.

 

“O motivo imperioso para nosso passo de mudança da milícia para a guerrilha foi a brutal arbitrariedade cometida pelo dono da “hacienda” Qayara, acompanhado de guardas civis contra a casa de Tiburcio Bolaños, secretário geral do sindicato daquela “hacienda”: saquearam sua casa, levaram dinheiro e móveis e maltrataram seus familiares. O proprietário, na presença dos guardas, pôs  o cano da arma no peito de um menino e ameaçou disparar se ele não dissesse onde estava Bolaños; o garotou ignorava seu paradeiro. O proprietário colocou o cano da arma sobre o braço do menino e disparou.”(…)

(…) Em Chaupimayo, começamos a realizar, de maneira informal, sessões de tiro ao alvo, tanto homens, como mulheres. Como não era costume as mulheres caçarem, a simples fotografia de uma camponesa da região com uma carabina nas mãos, levantava o espírito do campesinato de outros sindicatos.” (…)        

 

(…) Em Chaupimayo, realizávamos treinamentos intensivos, com participação de outros companheiros que vinham, eventualmente não só de La Convención e de Lares, mas também de outros pontos do departamento de Cusco.

       Também foram enviados instrutores a outros sindicatos de vanguarda de La Convención e de Lares.

       As ações eventuais das milícias de Chaupimayo haviam começado ao se ter aprovado oficialmente, na Federação, a formação de “Brigadas”.” [11]

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Já em 1960 todo o território do Vale de Convención era uma poderosa fortaleza social de massa camponesa consciente do seu papel histórico na região e, dois anos depois, suas milícias de autodefesa, transformadas em colunas guerrilheiras sustentavam as desapropriações das grandes fazendas, enfrentavam com bravura os primeiros ataques do exército, tomaram a ofensiva nos confrontos com os soldados e infringiram muitas baixas nas forças militares.

A gesta libertária de Hugo Blanco incendiava o país e ecoava em todo o Continente. Em 1961, os delegados peruanos participantes da reunião da SLATO (Secretariado Latino-americano do Trotskismo Ortodoxo) realizada na Argentina, trouxeram a Hugo Blanco uma extensa carta de Nahuel Moreno  — escritor, teórico do marxismo e  uma das maiores figuras do trotskismo argentino e latino-americano — incentivando a ocupação de terras e a organização sindical no campo. Algum tempo depois chegavam vários quadros do POR argentino para integrar-se ao POR peruano e entre eles  Daniel Pereyra, Eduardo Creus e José Martorelli. Daniel  Pereyra, atuando sobretudo em Cusco, ampliou os quadros do FIR recrutando estudantes, conscientizando os camponeses através da panfletagem e acelerando a preparação da luta guerrilheira em vistas dos níveis a que chegava a luta de classes no campo.

Em Cuba, o jovem poeta Javier Heraud, contagiado pelo sonho de Hugo Blanco e vislumbrando a aurora social que raiava em seu país, integra, em meados de 1962, uma frente guerrilheira composta por 40 intelectuais que chegou ao Peru, no início de 1963,  para unir-se às forças de Hugo Blanco, sonho que infelizmente afogou-se com seu sangue escorrendo nas águas  do Rio Madre de Deusem Porto Maldonado.

Nas grandes cidades peruanas e nas zonas rurais, seus partidários realizavam várias ações políticas, expropriando fazendas e devolvendo as terras aos seus antigos proprietários indígenas, recrutando e armando combatentes para se defenderem da forte repressão militar que apertava o cerco na região de Cusco.

Assim, em início de 1962, o Vale deLa Convencióntornou-se um território totalmente controlado pela organização guerrilheira criada por Hugo Blanco e a Reforma Agrária era feita pela decisão dos próprios camponeses da fazenda onde trabalhavam, que “legislavam” sobre a distribuição da terra, garantidos por suas próprias milícias.

 

“Os camponeses concordaram em prover-nos de tudo que necessitávamos, e aceitar tudo que, voluntariamente, nos ofereceram os pequenos proprietários da região, mas que não confiscaríamos nada deles. Segundo disseram: “para que vejam que o que os camponeses querem é a terra para trabalhar, mas que não somos ladrões para tirar-lhes as suas coisas”. Nós os informamos de nossa intenção de confiscar os “caciques” verdugos, mostrando-lhes que precisamente o nosso Decreto de Reforma Agrária, apesar de seu caráter sintético, assinalava a opção pelo confisco, e que o Decreto sublinhava que, em cada caso específico, o juiz era o campesinato da respectiva “hacienda”, que devia decidir sobre as medidas confiscatórias, e sobre a forma de distribuição da terra, entendendo que a existência da guerrilha não era para substituir, mas para sustentar a vontade camponesa”. (…)

         

(…)”O apoio do campesinato era quase absoluto, emocionante. Alimentava-nos, vestia-nos, guiava-nos, protegia-nos.

       Comam e levem quanto puderem”, nos diziam as companheiras chorando.

       Ai! Nós tão comodamente em nossas casas  e vocês, nas montanhas, perseguidos! Como é doloroso não poder servi-los, cada dia que estão nas montanhas. Companheiros! Irmãos!”

        Como nosso estômago e nossa mochila tinham capacidade limitada, recebíamos um pouco de cada um, para que ninguém se sentisse ofendido”  [12]

 

4. O crepúsculo do movimento

 

Em abril de 1962 o grande líder trotskista argentino Nahuel Moreno, preocupado com o desvio guerrilheiro do movimento dirigido por Hugo Blanco, chegara a Lima para uma reunião da SLATO com o objetivo de corrigir a nova orientação militar do FIR peruano, que optara pela luta armada em face da resistência tenaz da oligarquia agrária ante o avanço da Reforma Agrária. Depois de grandes debates, suas colocações não foram aceitas porque o processo guerrilheiro já estava estrategicamente instalado no Vale de La Convención. Algunsdias depois daquela reunião, o Banco de Crédito, no bairro de Miraflores, em Lima, foi espetacularmente assaltado por um comando de nove militantes do FIR. [13]  O fato talvez não tivesse grandes consequências em Cusco se um dos expropriadores não tivesse sido identificado gerando uma perseguição contra os militantes do MIR em todo o país. Todo o comando acabou sendo preso num posto policial quando descobertos num caminhão que chegava a Cusco. Em maio o poder da repressão aumenta vertiginosamente, e o FIR, sem grande penetração no movimento de massas, é totalmente desbaratado em Lima, Arequipa e em Cusco, onde a perseguição avança para a região rural da província.  Hugo Blanco, completamente isolado, redireciona alguns grupos de camponeses para a guerrilha a fim de defender-se do cerco militar cada vez mais forte  na região.

 

À medida que crescia a repressão armada, cresciam também as arbitrariedades do Poder Judicial:

 

A repressão judicial ao campesinato peruano é permanente, igualada apenas pela repressão armada. Depois de cada matança de camponeses, iniciam julgamentos, por ataque à “força armada”, aos camponeses que se salvaram de morrer, incluindo feridos. Em alguns casos a polícia faz averiguações sobre quem está mantendo os órfãos de suas vítimas e os persegue (Santiago Arroyo, de Ongoy, esteve preso por estar cuidando de seu sobrinho, filho de seu irmão assassinado.” [14]

 

Mas essa luta heroica não era somente contra os grandes latifundiários e as forças da repressão. Na verdade os que estavam, oportunisticamente, aproveitando-se do retrocesso do movimento e dificultando a recuperação da sua combatividade nas áreas libertadas, eram poderosas forças da própria esquerda peruana:

 

“O estalinismo, ajudado pela repressão, tomou grande força na Federação; isso somado com a falta de partido, e a própria repressão, produziram a acentuada polarização da vanguarda ao redor de Chaupimayo. “Ali há outra federação, protestavam os burocratas do PC.”[15] que andavam por Quillabamba.[16]

 

No dia 16 de dezembro de 1962, Hugo Blanco reuniu cerca de 15 mil camponeses na praça central de Quillabamba e num discurso inflamado historiou a imensa memória das injustiças denunciando, acusando e reiterando sua confiança na vitória do movimento e na conquista da terra para aqueles que nela trabalhavam. Contagiou com seu sonho a alma singela e humilde daqueles indígenas secularmente humilhados e levados à miséria extrema pela insensível ganância dos poderosos. Não lutava pelo poder, como faziam os outros movimentos revolucionários, lutava apenas pela dignidade dos camponeses, pela alfabetização dos seus filhos, pela devolução de suas antigas propriedades.

Sua verve revolucionária arrebatou a imensa multidão com aplausos, gritos de apoio e palavras de ordem. Diante da onda crescente de entusiasmo e da revolta da população presente na Praça de Armas, a própria repressão policial se encolheu e as principais autoridades municipais e judiciais abandonaram a cidade.

Contudo, ao findar o ano de 1962, as tropas militares já estavam à vista. Conta Hugo Blanco em seu livro Tierra o Muerte: La lucha campesina en el Peru, que terminou de escrever em maio de 1970, quando ainda estava preso na Ilha Penal El Frontón:

 

Em janeiro, as forças repressivas surpreenderam nossa guerrilha, atacando-nos com toda a munição possível. (…) … nos dispersaram. Depois deste ataque, não pude reunir-me com meus companheiros. Com todas as precauções possíveis, cheguei à choça de um companheiro, que vivia em um lugar isolado. (…) Escondi-me, mas os policiais eram muitos e não foi difícil me achar. Apenas tive tempo de destruir papéis comprometedores para outros companheiros.

        Faziam parte do grupo efetivos da Guarda Cível que tinham ordem de matar-me e membros da Polícia de investigações (PIP), com ordem de capturar-me vivo. Foram os da PIP que me encontraram, algemaram-me e me prenderam. O oficial da Guarda Civil que me encontrou, quando já tinha sido preso, teve de contentar-se em bater na minha cabeça com a coronha do revólver, …(…) Menos sorte que eu e Béjar, tiveram os companheiros De La Puente, Vallejos, Heraud, e tantos outros, que foram mortos a sangue frio depois de capturados, como aconteceu com Che.”[17]

 

5. A prisão, a “pena de morte”, os desterros e o político

 

Depois de preso, em 29 de maio de 1963, Blanco foi levado descalço e com a cabeça sangrando pelos campos. Ao passarem por um povoado, os camponeses, verificando quem era o prisioneiro, espalharam a notícia pelas redondezas. Algumas horas depois surgiram indígenas de todos os lados e quando a patrulha com o guerrilheiro chegou a uma pequena cidade, a multidão já os esperava reunida aos gritos de “Terra ou morte” e “Viva Hugo Blanco”.  Em vista de um confronto para libertar Hugo Blanco, a polícia rapidamente pediu um helicóptero que o levou ao quartel do Exército,em Cusco. Houveuma greve geral pela sua liberdade e a própria oligarquia peruana temia que sua desejada execução levantasse as massas no país inteiro. Preso, em Cusco, com centenas de outros militantes, Blanco foi confinado em uma solitária durante três anos e, posteriormente, transferido para Arequipa. Em 1966  foi “julgado” em Tacna, sob forte pressão internacional pela sua anistia. Contudo em vez da liberdade, foi condenado a 25 anos de prisão na famigerada Ilha “El Frontón”. Os militares, que desejavam sua morte, recorreram, através do fiscal do Conselho Supremo da Justiça,  pedindo a pena capital..

A campanha internacional pela sua liberdade e de outros presos políticos, que já havia começado, intensificou-se com a perspectiva de sua execução pelo governo peruano. Com base na “justiça para os presos políticos”  a campanha fora organizada pela Quarta Internacional, solicitando a  anistia a Hugo Blanco, Hector Bejar e outros prisioneiros, o que resultou numa grande pressão estrangeira  sobre o governo de Balaúnde Terry. Do Chile veio uma emocionante lista com milhares de marcas digitais dos camponeses analfabetos de Arauco  — eram as “assinaturas” dos índios mapuches, historicamente celebrizados com o nome de araucanos  pela sua indomável tradição de quinhentos anos de invencibilidade e de luta pela liberdade  —  bem como o voto unânime de todos  os deputados chilenos pedindo anistia para Blanco. Chegaram mensagens de apoio dos sindicatos argentinos, da Confederação Italiana do Trabalho e dos membros do Parlamento Belga.

Seria cansativo relacionar aqui tantos pedidos internacionais e as demonstrações massivas de apelo dos próprios peruanos pela vida de Hugo Blanco. Contudo é relevante citar ainda os nomes de Jean-Paul Sartre, Bertrand Russell, Simone de Beauvoir, Isaac Deutscher, Yves Montand, além de instituições internacionais de Anistia e Direitos Humanos e intelectuais de todo o mundo.

Os apelos internacionais e a comovedora carta que Blanco escreveu aos estudantes do Peru fizeram  com que o governo de Belaúnde Terry suspendesse o processo da pena de morte e mantivesse a prisão de 25 anos. O governo de Belaúnde caiu em outubro de 1968, mas somente em dezembro de 1970 Hugo Blanco foi beneficiado pela anistia “geral”, promulgada pelo presidente Velasco Alvarado. O ex-chefe guerrilheiro Héctor Béjar, para surpresa de muitos, aceitou um cargo no novo governo.[18] O jornalista e lider trotskista peruano Ismael Frias foi também seduzido pela junta militar e somente Hugo Blanco rejeitou os cargos oferecidos, mantendo o dedo nas grandes feridas sociais que ainda persistiam no governo “progressista” de Alvarado, entre elas por denunciar a mentira oficial de que já não havia presos políticos no Peru. Por estes e outros motivos e, supostamente, por apoiar uma greve nacional de professores, mas sem nenhuma explicação oficial, em 13 de setembro de 1971, Blanco foi detido por 24 horas e em seguida deportado para o México. De lá seguiu posteriormente para a Argentina onde foi detido e encarcerado por três meses e meio e deportado para o Chile onde chegou no ultimo ano do governo de Salvador Allende. Com o golpe de Pinochet, foi enviado para o único país que o aceitou como exilado: a Suécia. Em 1975 houve uma anistia para os deportados peruanos e ele pôde voltar à pátria. Incorporou-se, como membro executivo, à Confederação dos Camponeses e pelos efeitos de suas ideias e liderança, nove meses depois, foi novamente deportado para a Suécia. Voltando em junho de 1978, candidatou-se como deputado nas eleições para Assembléia Constituinte. Novamente é preso e faziam-se os trâmites para expulsá-lo do país, quando a sua estrondosa vitória eleitoral com mais de 600 mil votos, lhe deram a imunidade parlamentar para permanecer no país. Residindo em Lima, mantém até hoje uma atividade incansável, dando conferências por toda a América Latina, participando em eventos mundiais de direitos humanos e mantendo no seu site Lucha Indígena, uma bandeira permanente em defesa dos povos e nações indígenas da América e do mundo.

Ainda que a história oficial tenha deformado sua imagem, Hugo Blanco, como político, nunca defendeu interesses que não fossem dos camponeses e dos operários. Como Antônio Conselheiro, em Canudos, ele construiu no Vale deLa Convenciónum santuário de promissão e liberdade para os deserdados, semeando a coragem para os vencidos e, como Francisco de Assis, ele se fez instrumento da união, do amor, da alegria e da esperança onde havia tanto ódio, tristeza e desespero. Filiado ao Partido Revolucionário dos Trabalhadores, jamais compactuou com coalizões e negociatas inconfessáveis. Propôs a dissolução das Forças Armadas e sua substituição por milícias populares que defendessem a justiça social. Propôs a nacionalização total dos bens estrangeiros que imputaram a indignidade e a miséria aos operários peruanos das regiões serranas. Forçado a trocar a trincheira pela tribuna política, justificou-se aos trabalhadores afirmando que:

 

“Nós participamos destas eleições para demonstrar, entre outras coisas, que não são democráticas, e para organizar o povo e poder continuar na luta. Dizemos ao povo peruano, pela televisão, rádio e jornais, que não confiem que as eleições vão solucionar seus problemas, que somente confiem em sua força.” [19]

 

O FIM DE UM SONHO

 

1. As quatro frentes guerrilheiras de 1965: Puente Uceda, Lobatón,  

    Portocarrero, Fernádez Gasco e Béjar.

 

       Depois que caiu o poeta Javier Heraud em Porto Maldonado e Hugo Blanco foi preso houve um período de dois anos para se avaliar o fracasso guerrilheiro na revolta camponesa no Valle de la Convención em 1963. Contudo, em 1965, outras frentes rebeldes recomeçaram suas atividades militares no Peru. Três delas, vinculadas ao MIR, dividiam as operações em diferentes partes do Peru. Na região de Serra Pelada, na parte oriental do departamento de Cusco, atuava a Guerrilha Pachacutec, dirigida por Luis de la Puente Uceda. A Guerrilha Túpac Amaru, comandada por Guillermo Lobatón e a Guerrilha Manco Capac, chefiada por Elio Portocarrero Rios e Gonzalo Fernández Gasco, atuaram na região central do país. A quarta era a Guerrilha Javier Heraud, vinculada ao ELN, comandada por Héctor Béjar e que atuava na região de Ayacucho. Contudo todo aquele legítimo entusiasmo teve um período fugaz. Em fins de 1965 as quatro frentes já estavam praticamente liquidadas pelo exército e com centenas  de combatentes mortos. Em outubro foi derrotada a guerrilha Pachacutec, caindo seu grande comandante Puente Uceda.[20] A última coluna rebelde a cair foi a guerrilha Túpac Amaru, em 7 de janeiro de 1966,  quando também tombou para sempre seu chefe Guillermo Lobatón. Os únicos comandantes guerrilheiros que sobreviveram foram Héctor Béjar, Elio Portocarrero e Gonzalo Fernández Gasco.

 

Houve, no entanto, um momento em 1965, em que as atividades e avanços das várias colunas guerrilheiras trouxeram preocupação ao exército e pânico à alta burguesia urbana e à oligarquia rural. Seus poderes passaram a pressionar a imprensa reacionária e o governo para ações mais urgentes e táticas contra a guerrilha. Com esse propósito chegaram ao Peru assessores norteamericanos, veteranos do Vietnan, anulando todos os escrúpulos éticos e humanitários que ainda restavam nos militares e propondo novos métodos e propaganda de terror às populações indígenas que apoiassem os guerrilheiros. Em meados daquele ano as guerrilhas  enfrentavam-se em pé igualdade com os efetivos do exército. Os partidos de direita e, pasmem, o próprio APRA, apoiaram as novas medidas de terror de Belaunde Terry, aprovadas, às pressas, no Congresso, transformando meras contravenções e pequenos delitos em longos anos de prisão e pena de morte, com os réus sentenciados por Conselhos de Guerra.

Tal como no Brasil, em 1964, lá a direita também fez uma campanha semelhante ao “Ouro para o bem do Brasil”, com a oligarquia agrária e a burguesia industrial fazendo aprovar leis de emissão de bônus para a “Defesa da Soberania Nacional” arrecadando milhões de soles para contrarestar os sucessos da campanha guerrilheira.

 

2. O terror e o napalm para matar um sonho.

 

A campanha de terror atingiu as famílias dos guerrilheiros, cujas esposas foram presas e mantidas em cárceres até ao fim das operações militares, caracterizando como crime ser esposa de guerrilheiro.

Não faltou o fator psicológico nessa guerra suja que acabou trazendo o pânico aos humildes camponeses indígenas, já historicamente tão traumatizados. Os assessores americanos propuseram, e os bombardeios com napalm não só incendiaram vastas áreas guerrilheiras de florestas, mas arrasaram milhares de hectares em regiões suspeitas de apoiar a guerrilha, habitadas e cultivadas por camponeses, queimando plantações, aldeias, rebanhos e vidas humanas. Nessa guerra de extermínio oito mil camponeses foram massacrados e um número ainda maior de indígenas foram presos e torturados como supostos cúmplices da guerrilha. Trezentos guerrilheiros caíram em combate ou foram torturados até a morte. Os militares peruanos inauguram em 1965 afase mais cruel da história contemporânea da América Latina, seguidos pelas tantas ditaduras do continente, que também contaram com a consultoria de terror dos assessores norte-americanos que, no “bom exemplo” de Daniel Mitrione, produziram, do Uruguai à Guatemala, dores e lágrimas inimagináveis. [21]  Chama-se Alejandro Sierralta o general do exército peruano que comandou, nos Andes Centrais do Peru, essa guerra cruel e covarde de peruanos contra peruanos, de militares bem armados contra camponeses indefesos e jovens idealistas.

 

Foi um sonho? Sim…, foi um sonho apenas! As guerrilhas peruanas, ao lado das guerrilhas gualtematecas, na década de 60, foram dos mais belos ideários sociais do continente. Que mais belo gesto legitima a liberdade senão o direito de sonhar, quando esse sonho é sublimado pela redenção dos humilhados e vencidos? Os guerrilheiros peruanos eram jovens intelectuais bem formados, muitos deles filhos de famílias abastadas, que negaram seus privilégios e, sem nenhum outro interesse, que não fosse a justiça social para o seu povo, semearam a própria vida sonhando com uma aurora de espigas e de frutos para os famintos e esquecidos. Sonharam, nos mesmos anos em que sonharam Ho Chi Mihn e Che Guevara, num tempo em que as sementes prometiam uma primavera de pão e a liberdade para os povos oprimidos do mundo.

 

Foi um sonho? Sim…, foi um sonho, entre tantos os que sonharam e cantaram seus anseios de justiça nos grandes impasses da história da humanidade. Aqui, na América,  por esse sonho cantaram também os poetas e, entre tantos, Marti, Neruda, Castro Alves e caíram, ao longo de quinhentos anos,  Lautaro, Capolicán, Túpac Amaru, Tiradentes, Sandino, o “CHE” e eu quisera nominar aqui todos os bravos. Foram tantos em tantas pátrias, mas nesse transe cruel da história peruana, além dos bravos que caíram em 1965, eles chamam-se José Maria Arguedas, Hugo Blanco e Javier Heraud. Três almas que partilharam, no mesmo sonho, o sonho de todos os peruanos justos. Que sonharam com a redenção dos vencidos numa sociedade marcada pelo desprezo e a voracidade. Três idealistas, três ovelhas no meio de lobos. A pureza e a dignidade contra a ambição e a crueldade. Contudo os idealistas  justificam-se a si mesmos. Seu destino é sublimado pela obstinação e o despojamento, a despeito da indiferença e da inconsciência humana. Suas bandeiras de luta e o que escreveram e escrevem, sinalizam os caminhos da esperança, porque eles apenas sabem semear. Os frutos somente são colhidos pelos filhos do amanhã, porque os sonhadores não florescem nem cabem na época em que viveram.  Eles são os viandantes de um tempo mágico além da vida e da morte. Transitam na imortalidade e na memória imperecível dos povos. Seu sangue é a seiva do futuro, porque sempre ousarão viver o presente com toda a intensidade. Sua existência é um apostolado feito de fé e compromisso, uma trajetória de glória e sofrimento. Como Prometeu, eles surgem na encruzilhada dos tempos para entregar aos homens a chama do amor e da esperança. Nascem predestinados para a luta, para “combater o bom combate”. Vivem para iluminar o caminho da história ensinando o sabor da liberdade e da justiça e, como todos os apóstolos da redenção humana, eles “são o sal da terra e a luz do mundo.


[1] Esse artigo integra o enredo de um livro que o autor está escrevendo sobre os anos que passou na América Latina , nas décadas de 60/70. O presente texto é parte do capítulo: Arguedas, Blanco e Heraud – Três almas entrelaçadas pelo mesmo sonho.  As partes referentes ao escritor José María Arguedas e ao poeta Javier Heraud,  já foram publicadas neste site. As notas e traduções são do autor.

[2] O massacre de El Frontón (135 senderistas mortos) e de Lurigancho (124 senderistas executados um a um com uma bala na nuca, depois de se renderem) no dia 18 de junho de 1986, amotinados por melhores condições carcerárias, bem como os crimes inomináveis cometidos pela Ditadura argentina entre 1976 e 1983 são as manchas mais negras na história das lutas libertárias do século passado, na América do Sul. Na Argentina, muitos dos carrascos da Ditadura foram condenados à prisão perpétua e entre eles o ex-general Jorge Rafael Videla, tristemente célebre pelo seu rosário de crueldades. Contudo Allan García e seus cúmplices continuam impunes, assim como continuam impunes os carrascos da ditadura brasileira. Sabe-se que o caso do bárbaro assassinato dos militantes de Sendero Luminoso em 1986 não está encerrado e que a Corte Interamericana de Direitos Humanos declarou o massacre de El Frontón como um crime contra a humanidade e, por isso mesmo, imprescritível.

 

[3] http://desacato.info/2010/11/carta-aberta-de-hugo-blanco-a-mario-vargas-llosa/

“El premio Nóbel entregado a usted representa um golpe más del liberalismo a las poblaciones indígenas, ya que dificilmente podrá encontrarse mayor enemigo de ellas que su persona”

 

[4] O APRA, movimento político de centro-esquerda fundado em 1924 pelo peruano Victor Haia de la Torre quando do seu exílio no México, baseava sua doutrina numa visão geo-política estritamente cultural, regional e indo-americanista, abrangendo, no seu início vários países do Continente e dando origem a importantes organizações políticas como o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), na Bolívia, o Partido Socialista do Chile (PS), a Ação Democrática (AD), na Venezuela, entre outras. Com a bandeira da Justiça Social com Pão e Liberdade e uma visão crítica do marxismo europeu propunha uma teoria estritamente continental para o processo revolucionário. Acabou restrito ao populismo do PAP (Partido Aprista Peruano), abdicando da sua postura anti-imperialista e, a despeito da sua antiguidade como partido político, tanto no Peru como na América, conseguiu finalmente chegar ao poder em 1985 e em 2006 eleger Alan García, o mais  ilustre ( e cruel) discípulo de Haya dela Torre.

 

[5] BLANCO, Hugo. Terra ou Morte. Editora Versus. São Paulo, 1979, trad. Omar de Barros Filho, p. 81.

 

[6] BLANCO, Hugo. Op. Cit.,  p. 76.

 

[7] O Peru era naqueles anos o paraíso das grandes empresas pesqueiras, petroleiras e mineiras norteamericanas, e entre estas a tristemente célebre Cerro de Pasco Corporatión, cujo perfil já delineamos anteriormente, neste livro.

 

[8] A Revolução de 1932em El Salvador foi um caso raro e único de um  movimento de massa, integrado num processo  guerrilheiro, dirigido por um partido comunista latinoamericano. Farabundo Martí, que foi seu fundador, participou, ao lado de Sandino, da luta guerrilheira contra a ocupação da Nicarágua pelos Estados Unidos.

 

[9] Na Bolívia, em 1951, Victor Paz Estenssoro, com uma campanha contra a oligarquia e o imperialismo, vence as eleições para presidente, mas os militares negam sua posse, dão o golpe e assumem o poder. No ano seguinte os mineiros de Oruro se rebelam exigindo a posse de Paz Estenssoro. Marcham sobreLa Paz, juntam-se aos camponeses e derrotam sete exércitos. Paz Estenssoro assume seu mandato, mas o país fica sobre o controle dos mineiros e camponeses, que criam a Central Obrera Boliviana (COB),  e mantêm-se mobilizados em defesa da Revolução com uma poderosa milícia de 100.000 homens dirigida sobretudo por trotskistas.

 

[10] Um dos documentos mais antigos, na América Latina, de adesão ao trotskismo são as Teses de Pulacayo, aprovadas num congresso de trabalhadores mineiros bolivianos em novembro de 1946, na mina de Pulacayo.  Redigidas por Guillermo Lora, eram uma adaptação do Programa de Transição da IV Internacional e propunham um programa de ação político-revolucionária para a independência econômica nacional e a plena vivência democrática como parte dos caminhos para o estado socialista. Usadas como motivação programática na Revolução de 1952-53 e notórias pelo espírito de vanguarda revolucionária que sempre caracterizou o proletariado boliviano, sua referência histórica e seu conteúdo são celebrados e seguidos ainda na atualidade.

 

[11] Idem.  p. 83, 86 e 89.

 

[12] Idem.  p., 91-92

[13] Data deste ano de 1962  as primeiras “desapropriações de bancos” na América Latina. Neste caso para angariar fundos e compra de armas para as milícias camponesas de Hugo Blanco, cuja ação foi comandada pelo trotskista Daniel Pereyra, conhecido como “Che Pereyra”.

 

[14] Idem.  p. 97

 

[15] Como atestam  tantos ensaios, artigos e documentos, os interesses  dos partidos comunistas da América Latina, ao longo de quase todo o século XX,  variavam conforme variavam os interesses de Moscou, quer fosse quanto aos paradigmas da natureza da revolução, quer em relação à sua tolerância quanto ao imperialismo norteamericano, conforme a conveniência dos pactos e acordos feitos pela URSS, sobretudo na Segunda Guerra Mundial, ora com os EUA contra a Alemanha, ora com a própria Alemanha ( pacto Molotov-Ribbertrop). Essa flutuação era sobretudo evidente na Argentina e no México, onde o ódio dos comunistas pelo trotsquismo era visceral. A corrente estalinista ditava o comportamento marxista na América Latina e poucos se arriscavam a ter uma visão crítica do que acreditavam ser os verdadeiros ideais do comunismo, com exceção, obviamente, dos partidários do trotsquismo, que eram acusados de “provocadores” e no passado, que ironia, de “agentes do fascismo”.

 

[16] Ibidem.,  p. 86.

[17] Idem,  p. 112

 

[18] Longe de mim julgar aqui o gesto de um escritor premiado, intelectual  brilhante  e a bravura guerrilheira de um homem que empenhou a vida para defender um sonho, como foi o caso de Héctor Béjar. Contudo é indispensável registrar que os mesmos militares que derrubaram Belaúnde, em 1968 foram os mesmos que, em 1965 sob sua autoridade, liquidaram os movimentos guerrilheiros dos quais Béjar foi um dos comandantes, bem como arrasaram com napaln várias comunidades indígenas que apoiavam a guerrilha. É claro que entre os generais houve algumas honrosas exceções, e entre eles Leónidas Rodrigues Figueroa, um mestiço de origem quíchua, nascido em Cuzco, que defendia com unhas e dentes a condição do camponês indígena e o direito às terras que lhes foram tomadas, como já anotei anteriormente nesta obra.

 

[19] BERARDO, João Batista. Guerrilhas e Guerrilheiros no Drama da América Latina. São Paulo, Edições Populares. 1981, p. 178.

 

 

[20] Luis deLa Puente Uceda, o mais ilustre dissidente de esquerda do aprismo, era o mais preparado, entre os intelectuais de origem burguesa que lideraram as guerrilhas peruanas, onde não houve lideranças proletárias. Esteve em Cuba e na Europa e preparou-se para um longo período guerrilheiro, priorizando a politização a longo prazo dos camponeses. Achava que a luta armada era o único caminho para convocar a juventude e redimir o indígena peruano. Caiu num aguerrido combate em 23 de outubro de 1965, depois do estratégico cerco de Serra Pelada pelo exército, e seu corpo jamais foi encontrado.

[21] Leia neste link alguns detalhes de quem foi Daniel Mitrione e também uma amostra do que foi a tortura sofrida pelos revolucionários brasileiros naqueles anos, no eloquente exemplo de Virgílio Gomes da Silva, já citado anteriormente nesta obra.

https://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2010/01/26/o-poeta-manoel-de-andrade-comenta-sobre-a-extradicao-de-militar-torturador-curitiba/

 

 

ASPIRAÇÃO – de zuleika dos reis / são paulo


  

 

Pairem minhas palavras

para sempre

pássaros sem assinatura

sonhos de poemas

jamais escritos

a serem colhidos

por mãos invisíveis

que possam escrevê-los

e assim se faça

a poesia

que nunca hei de ler

no anonimato

que ninguém saberá.

 

Assim me faça

desconhecida

nos poemas

de palavras anônimas

colhidas

por um autor a vir

que se saiba

ou que almeje saber-se

em tal sonho de ritmos

escritos por ninguém.

 

Em espaço onde pairem

sempiternas

as histórias

os silêncios

de tudo o que houve

e não

neste tempo em que eu

NÃO

assim fiquem também meus hiatos

meus vazios

 

ausências

que um poeta a vir preencha

com a própria respiração.

Discurso da presidenta Dilma Rousseff na abertura da Assembleia Geral da ONU

UM clique no centro do vídeo:


“Senhor presidente da Assembleia Geral, Nassir Abdulaziz Al-Nasser,

Senhor secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon,

Senhoras e senhores chefes de Estado e de Governo,

Senhoras e senhores,

Pela primeira vez, na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o Debate Geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nesta tribuna que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo.

É com humildade pessoal, mas com justificado orgulho de mulher, que vivo este momento histórico.

Divido esta emoção com mais da metade dos seres humanos deste Planeta, que, como eu, nasceram mulher, e que, com tenacidade, estão ocupando o lugar que merecem no mundo. Tenho certeza, senhoras e senhores, de que este será o século das mulheres.

Na língua portuguesa, palavras como vida, alma e esperança pertencem ao gênero feminino. E são também femininas duas outras palavras muito especiais para mim: coragem e sinceridade. Pois é com coragem e sinceridade que quero lhes falar no dia de hoje.

Senhor Presidente,

O mundo vive um momento extremamente delicado e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade histórica. Enfrentamos uma crise econômica que, se não debelada, pode se transformar em uma grave ruptura política e social. Uma ruptura sem precedentes, capaz de provocar sérios desequilíbrios na convivência entre as pessoas e as nações.

Mais que nunca, o destino do mundo está nas mãos de todos os seus governantes, sem exceção. Ou nos unimos todos e saímos, juntos, vencedores ou sairemos todos derrotados.

Agora, menos importante é saber quais foram os causadores da situação que enfrentamos, até porque isto já está suficientemente claro. Importa, sim, encontrarmos soluções coletivas, rápidas e verdadeiras.

Essa crise é séria demais para que seja administrada apenas por uns poucos países. Seus governos e bancos centrais continuam com a responsabilidade maior na condução do processo, mas como todos os países sofrem as conseqüências da crise, todos têm o direito de participar das soluções.

Não é por falta de recursos financeiros que os líderes dos países desenvolvidos ainda não encontraram uma solução para a crise. É, permitam-me dizer, por falta de recursos políticos e algumas vezes, de clareza de ideias.

Uma parte do mundo não encontrou ainda o equilíbrio entre ajustes fiscais apropriados e estímulos fiscais corretos e precisos para a demanda e o crescimento. Ficam presos na armadilha que não separa interesses partidários daqueles interesses legítimos da sociedade.

O desafio colocado pela crise é substituir teorias defasadas, de um mundo velho, por novas formulações para um mundo novo. Enquanto muitos governos se encolhem, a face mais amarga da crise – a do desemprego – se amplia. Já temos 205 milhões de desempregados no mundo. 44 milhões na Europa. 14 milhões nos Estados Unidos. É vital combater essa praga e impedir que se alastre para outras regiões do Planeta.

Nós, mulheres, sabemos, mais que ninguém, que o desemprego não é apenas uma estatística. Golpeia as famílias, nossos filhos e nossos maridos. Tira a esperança e deixa a violência e a dor.

Senhor Presidente,

É significativo que seja a presidenta de um país emergente, um país que vive praticamente um ambiente de pleno emprego, que venha falar, aqui, hoje, com cores tão vívidas, dessa tragédia que assola, em especial, os países desenvolvidos.

Como outros países emergentes, o Brasil tem sido, até agora, menos afetado pela crise mundial. Mas sabemos que nossa capacidade de resistência não é ilimitada. Queremos – e podemos – ajudar, enquanto há tempo, os países onde a crise já é aguda.

Um novo tipo de cooperação, entre países emergentes e países desenvolvidos, é a oportunidade histórica para redefinir, de forma solidária e responsável, os compromissos que regem as relações internacionais.

O mundo se defronta com uma crise que é ao mesmo tempo econômica, de governança e de coordenação política.

Não haverá a retomada da confiança e do crescimento enquanto não se intensificarem os esforços de coordenação entre os países integrantes da ONU e as demais instituições multilaterais, como o G-20, o Fundo Monetário, o Banco Mundial e outros organismos. A ONU e essas organizações precisam emitir, com a máxima urgência, sinais claros de coesão política e de coordenação macroeconômica.

As políticas fiscais e monetárias, por exemplo, devem ser objeto de avaliação mútua, de forma a impedir efeitos indesejáveis sobre os outros países, evitando reações defensivas que, por sua vez, levam a um círculo vicioso.

Já a solução do problema da dívida deve ser combinada com o crescimento econômico. Há sinais evidentes de que várias economias avançadas se encontram no limiar da recessão, o que dificultará, sobremaneira, a resolução dos problemas fiscais.

Está claro que a prioridade da economia mundial, neste momento, deve ser solucionar o problema dos países em crise de dívida soberana e reverter o presente quadro recessivo. Os países mais desenvolvidos precisam praticar políticas coordenadas de estímulo às economias extremamente debilitadas pela crise. Os países emergentes podem ajudar.

Países altamente superavitários devem estimular seus mercados internos e, quando for o caso, flexibilizar suas políticas cambiais, de maneira a cooperar para o reequilíbrio da demanda global.

Urge aprofundar a regulamentação do sistema financeiro e controlar essa fonte inesgotável de instabilidade. É preciso impor controles à guerra cambial, com a adoção de regimes de câmbio flutuante. Trata-se, senhoras e senhores, de impedir a manipulação do câmbio tanto por políticas monetárias excessivamente expansionistas como pelo artifício do câmbio fixo.

A reforma das instituições financeiras multilaterais deve, sem sombra de dúvida, prosseguir, aumentando a participação dos países emergentes, principais responsáveis pelo crescimento da economia mundial.

O protecionismo e todas as formas de manipulação comercial devem ser combatidos, pois conferem maior competitividade de maneira espúria e fraudulenta.

Senhor Presidente,

O Brasil está fazendo a sua parte. Com sacrifício, mas com discernimento, mantemos os gastos do governo sob rigoroso controle, a ponto de gerar vultoso superávit nas contas públicas, sem que isso comprometa o êxito das políticas sociais, nem nosso ritmo de investimento e de crescimento.

 

Estamos tomando precauções adicionais para reforçar nossa capacidade de resistência à crise, fortalecendo nosso mercado interno com políticas de distribuição de renda e inovação tecnológica.

Há pelo menos três anos, senhor Presidente, o Brasil repete, nesta mesma tribuna, que é preciso combater as causas, e não só as consequências da instabilidade global.

Temos insistido na interrelação entre desenvolvimento, paz e segurança; e  que as políticas de desenvolvimento sejam, cada vez mais, associadas às estratégias do Conselho de Segurança na busca por uma paz sustentável.

É assim que agimos em nosso compromisso com o Haiti e com a Guiné-Bissau. Na liderança da Minustah, temos promovido, desde 2004, no Haiti, projetos humanitários, que integram segurança e desenvolvimento. Com profundo respeito à soberania haitiana, o Brasil tem o orgulho de cooperar para a consolidação da democracia naquele país.

Estamos aptos a prestar também uma contribuição solidária, aos países irmãos do mundo em desenvolvimento, em matéria de segurança alimentar, tecnologia agrícola, geração de energia limpa e renovável e no combate à pobreza e à fome.

Senhor Presidente,

Desde o final de 2010, assistimos a uma sucessão de manifestações populares que se convencionou denominar “Primavera Árabe”. O Brasil é pátria de adoção de muitos imigrantes daquela parte do mundo. Os brasileiros se solidarizam com a busca de um ideal que não pertence a nenhuma cultura, porque é universal: a liberdade.

É preciso que as nações aqui reunidas encontrem uma forma legítima e eficaz de ajudar as sociedades que clamam por reforma, sem retirar de seus cidadãos a condução do processo.

Repudiamos com veemência as repressões brutais que vitimam populações civis. Estamos convencidos de que, para a comunidade internacional, o recurso à força deve ser sempre a última alternativa. A busca da paz e da segurança no mundo não pode limitar-se a intervenções em situações extremas.

Apoiamos o Secretário-Geral no seu esforço de engajar as Nações Unidas na prevenção de conflitos, por meio do exercício incansável da democracia e da promoção do desenvolvimento.

O mundo sofre, hoje, as dolorosas consequências de intervenções que agravaram os conflitos, possibilitando a infiltração do terrorismo onde ele não existia, inaugurando novos ciclos de violência, multiplicando os números de vítimas civis.

Muito se fala sobre a responsabilidade de proteger; pouco se fala sobre a responsabilidade ao proteger. São conceitos que precisamos amadurecer juntos. Para isso, a atuação do Conselho de Segurança é essencial, e ela será tão mais acertada quanto mais legítimas forem suas decisões. E a legitimidade do próprio Conselho depende, cada dia mais, de sua reforma.

Senhor Presidente,

A cada ano que passa, mais urgente se faz uma solução para a falta de representatividade do Conselho de Segurança, o que corrói sua eficácia. O ex-presidente Joseph Deiss recordou-me um fato impressionante: o debate em torno da reforma do Conselho já entra em seu 18º ano. Não é possível, senhor Presidente, protelar mais.

O mundo precisa de um Conselho de Segurança que venha a refletir a realidade contemporânea; um Conselho que incorpore novos membros permanentes e não-permanentes, em especial representantes dos países em desenvolvimento.

O Brasil está pronto a assumir suas responsabilidades como membro permanente do Conselho. Vivemos em paz com nossos vizinhos há mais de 140 anos. Temos promovido com eles bem-sucedidos processos de integração e de cooperação. Abdicamos, por compromisso constitucional, do uso da energia nuclear para fins que não sejam pacíficos. Tenho orgulho de dizer que o Brasil é um vetor de paz, estabilidade e prosperidade em sua região, e até mesmo fora dela.

No Conselho de Direitos Humanos, atuamos inspirados por nossa própria história de superação. Queremos para os outros países o que queremos para nós mesmos.

O autoritarismo, a xenofobia, a miséria, a pena capital, a discriminação, todos são algozes dos direitos humanos. Há violações em todos os países, sem exceção. Reconheçamos esta realidade e aceitemos, todos, as críticas. Devemos nos beneficiar delas e criticar, sem meias-palavras, os casos flagrantes de violação, onde quer que ocorram.

Senhor Presidente,

Quero estender ao Sudão do Sul as boas vindas à nossa família de nações. O Brasil está pronto a cooperar com o mais jovem membro das Nações Unidas e contribuir para seu desenvolvimento soberano.

Mas lamento ainda não poder saudar, desta tribuna, o ingresso pleno da Palestina na Organização das Nações Unidas. O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal, nas fronteiras de 1967, de forma consistente com as resoluções das Nações Unidas. Assim como a maioria dos países nesta Assembléia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a pleno título.

O reconhecimento ao direito legítimo do povo palestino à soberania e à autodeterminação amplia as possibilidades de uma paz duradoura no Oriente Médio. Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional.

Venho de um país onde descendentes de árabes e judeus são compatriotas e convivem em harmonia – como deve ser.

Senhor Presidente,

O Brasil defende um acordo global, abrangente e ambicioso para combater a mudança do clima no marco das Nações Unidas. Para tanto, é preciso que os países assumam as responsabilidades que lhes cabem.

Apresentamos uma proposta concreta, voluntária e significativa de redução [de emissões], durante a Cúpula de Copenhague, em 2009. Esperamos poder avançar já na reunião de Durban, apoiando os países em desenvolvimento nos seus esforços de redução de emissões e garantindo que os países desenvolvidos cumprirão suas obrigações, com novas metas no Protocolo de Quioto, para além de 2012.

Teremos a honra de sediar a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, em junho do ano que vem. Juntamente com o Secretário-Geral Ban Ki-moon, reitero aqui o convite para que todos os Chefes de Estado e de Governo compareçam.

Senhor Presidente e minhas companheiras mulheres de todo mundo,

O Brasil descobriu que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. E que uma verdadeira política de direitos humanos tem por base a diminuição da desigualdade e da discriminação entre as pessoas, entre as regiões e entre os gêneros.

O Brasil avançou política, econômica e socialmente sem comprometer sequer uma das liberdades democráticas. Cumprimos quase todos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, antes 2015. Saíram da pobreza e ascenderam para a classe média no meu país quase 40 milhões de brasileiras e brasileiros. Tenho plena convicção de que cumpriremos nossa meta de, até o final do meu governo, erradicar a pobreza extrema no Brasil.

No meu país, a mulher tem sido fundamental na superação das desigualdades sociais. Nossos programas de distribuição de renda têm nas mães a figura central. São elas que cuidam dos recursos que permitem às famílias investir na saúde e na educação de seus filhos.

Mas o meu país, como todos os países do mundo, ainda precisa fazer muito mais pela valorização e afirmação da mulher. Ao falar disso, cumprimento o secretário-geral Ban Ki-moon pela prioridade que tem conferido às mulheres em sua gestão à frente das Nações Unidas.

Saúdo, em especial, a criação da ONU Mulher e sua diretora-executiva, Michelle Bachelet.

Senhor Presidente,

Além do meu querido Brasil, sinto-me, aqui, representando todas as mulheres do mundo. As mulheres anônimas, aquelas que passam fome e não podem dar de comer aos seus filhos; aquelas que padecem de doenças e não podem se tratar; aquelas que sofrem violência e são discriminadas no emprego, na sociedade e na vida familiar; aquelas cujo trabalho no lar cria as gerações futuras.

Junto minha voz às vozes das mulheres que ousaram lutar, que ousaram participar da vida política e da vida profissional, e conquistaram o espaço de poder que me permite estar aqui hoje.

Como mulher que sofreu tortura no cárcere, sei como são importantes os valores da democracia, da justiça, dos direitos humanos e da liberdade.

E é com a esperança de que estes valores continuem inspirando o trabalho desta Casa das Nações que tenho a honra de iniciar o Debate Geral da 66ª Assembleia Geral da ONU.

Muito obrigada.”

 

do Planalto.

ALTO-CONTRASTE – por amilcar neves / ilha de santa catarina

As coisas ficam bem mais simples se forem binárias: zero ou um, sim ou não, norte ou sul, direita ou esquerda, certo ou errado, verdade ou mentira. Isso é mais comum encontrar no universo unidimensional, ao longo da linha reta.


Seres unidimensionais não têm dúvidas, comprazem-se alimentando certezas eternas. Assim, desconhecem ou negam outras dimensões, as quais conturbariam o seu mundinho estabelecido e promoveriam uma formidável bagunça em sua tranquilidade dogmática. Como raciocinar e julgar com a profusão de variáveis, já infinitas, de uma realidade bidimensional? Como manter-se inabalável numa tal promiscuidade de alternativas, opções e possibilidades? Como viver com um Norte seguro, digamos assim, em meio a tantas direções possíveis, viáveis e (o que é aterrador) extremamente tentadoras, oferecidas pelas propriedades geométricas do plano?


Seres bidimensionais penam demais, sofrem de dar dó, angustiados e, tais náufragos, sôfregos por agarrarem-se a uma tábua de salvação, que pode ser tanto as Tábuas da Lei como a tradição dos costumes, que se nutrem, umas e a outra, de todas as formas de preconceito. Não faz muito, a sociedade constituída aceitava como natural a figura jurídica da “legítima defesa da honra”, que permitia ao corno, dito desonrado, assassinar a mulher adúltera, ou o amante dela, ou ambos, e o inocentava com ovação pela circunstância de guardar as regras da boa conduta social ao punir exemplarmente a violação das normas instituídas, ainda que fosse ele próprio um adúltero confesso. Extinta a figura, ele agora mata e se mata.


Seres bidimensionais precisam se defender. Então, para não se perderem na inevitabilidade do plano, apegam-se com fervor ao consolo do alto-contraste. Segundo o Houaiss, este vem a ser um “processo de reprodução fotográfica em que os tons claros e escuros são fortemente acentuados em detrimento dos cinza, que podem até desaparecer”. Claro! (ou: escuro!), eliminem-se todos os matizes do cinza – o processo permite essa operação – e fique-se apenas com o preto e o branco! O que não é preto, é branco, e vice-versa. Nada mais fácil e confortável, eles dizem, já que vivemos no plano – e se congratulam pela descoberta.


Boa parte das pessoas no mundo adota o alto-contraste extremo como forma de se manter supostamente viva e com seus critérios intactos. Elas te dizem, arrogantes e autossuficientes: Quem não está comigo, está contra mim (talvez falem: está contra migo), quem discorda de mim, é meu inimigo. Durante a ditadura, o governo golpista apregoava: Brasil, ame-o ou deixe-o. Com isso, tentava vincular de forma criminosa o País ao grupo que assaltou o Poder. Ainda hoje as pessoas escrevem para os jornais e publicam na internet coisas como: Preto, sempre me diverti e fiz tudo o que quis naquele tempo preto, nunca tive qualquer problema; quem mandou alguém querer ser branco?; tinha mesmo era que pagar, e bem caro, pelo atrevimento e pela afronta.


Para a gente do alto-contraste é inadmissível que a primavera comece no próximo dia 23, pois só conseguem compreender o inverno e o verão; à noite mais cerrada, deve suceder-se numa explosão apenas um meio-dia inclemente de 12 horas. Por piedade a eles, não lhes contemos de sombra e de luz, da sombra que cria os meios-tons que sugerem volumes e uma insuportável terceira dimensão, da luz que gera as cores, milhões de variações delas.


Como avaliar e julgar num mundo assim? E mais: para que serve tamanha e tão confusa variedade?


GUERRA DOS FARRAPOS / 20 de setembro de 1835 / RIO GRANDE DO SUL

UM clique no centro do vídeo:

HINO DO RIO GRANDE DO SUL

Como aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o 20 de Setembro
O precursor da liberdade

Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

Mas não basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo

Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

o escudo da bandeira, hoje, é o mesmo da bandeira da REPUBLICA RIO GRANDENSE.

A ALEGRIA na TRISTEZA – por martha medeiros / porto alegre

 
O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se “Alegría de la tristeza” e está no livro “La vida ese paréntesis” que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.

Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.

MÁXIMA FORÇA – de solivan brugnara / quedas do iguaçu.pr

                                                  Máxima força

 

O sonho e a força máxima.

O sonho é o deus infantil escondido atrás

do racional.

O sonho tece tratores

monta fábricas, compõe andaimes.

O sonho abre um shopping.

O sonho não é ingênuo.

O sonho rouba.

O sonho depreda.

O sonho angustia.

O sonho frusta.

O sonho quer ser eleito.

O sonho quer conhecer a África.

O sonho quer vender a cura de doenças.

O sonho planta quatro mil alqueires

de soja todo o ano.

O sonho quer escravos.

O sonho mata e desmata.

O sonho gerou esta era de desperdício.

O sonho é predador de outros sonhos.

O sonho quer mais.

O sonho mistura, aumenta, encolhe,

cães, gatos, bois e cavalos.

O sonho desmesura úberes e quer sempre mais leite.

O sonho.

 

O ESCRITOR E EU – por olsen jr / ilha de santa catarina



Falando sério, às vezes (muitas vezes ultimamente) tenho entrado em conflito com o escritor que me tornei. Não é a pergunta retórica sobre “o que você faz?” que me incomoda, a esta respondo simplesmente, sou um escritor… Mas deveria haver uma maneira mais tranqüila de se ganhar a vida honestamente…

Surpreendo-me conversando com ele:

— Não está sendo fácil! – Exclamo em tom de desabafo.

— Ninguém disse que seria – ele me responde, laconicamente

Fico esperando para que desenvolva a ideia de como deveria ter sido, mas ele se limita em pegar uma folha de papel e ler:

“… mas, no entanto todos sabiam que – no picadeiro da vida – somente aos palhaços não é dado esquecer o seu drama, executando com esmero sua função de provocar o riso.

“ Este, que venha de onde vier. Surja dissimulado nos corações empedernidos, flua com espontaneidade nas mentes puras, brote fácil nos espíritos sensíveis, faça-se notar pelos indiferentes, e sob a lona deste imenso circo da humanidade, nunca deixe de existir.

“ Conviva com feras anacrônicas, catástrofes irremediáveis, destinos programados ou a incredulidade no desconhecido, mas que enquanto houver um homem na platéia, uma criança que o justifique e um poeta para cantar, nenhum clown tenha o direito de purgar suas dores em público.

“Devendo, isto sim, ouvir palavras de escárnio com desdém, seguro do personagem que deve interpretar, conviver com todo o drama que carrega e ninguém vê, avançar tateando nas sombras da solidão sem esperança ou sentir o gosto amargo do desprezo quando o espetáculo termina, pelo papel que assume e pela arte que cultiva.

“ Diante da multidão impaciente, o espetáculo deve sempre continuar, porque de um grande palhaço, o que se quer mesmo é rir! Gargalhar bastante e tanto, que o nosso riso se confunda com o seu pranto, para que não se saiba, no final, se rimos da tragédia que a grandeza da atuação deste palhaço dissimula ou se é ele quem chora pela pequenez do riso que nos provoca!”…

— Bonito! — De quem é?

— É teu, meu caro — ele me responde – encontrei-o nas páginas de um livro inacabado…

— Forço um riso, penso, sou o campeão dos sonhos irrealizados e dos desejos insatisfeitos…

— A tragédia do palhaço é fazer rir enquanto ele está morrendo… E a do escritor é recriar o mundo, onde ele não tem direito a desesperança – pondera…

Ele não precisava ficar lembrando o meu ofício…

— Sei do que se trata – interrompo-o – o escritor vai bem, mas preciso cuidar melhor do homem comum que eu sou… Aliás, estou pensando em montar uma barraquinha para vender churrasquinho na praia neste verão, o que você acha?

— Well, o homem que alimenta o escritor também precisa viver, conclui!

TEORIA DA MEDIOCRIDADE – por albert einstein / do além

Dia desses, um artigo no New York Times me chamou a atenção. Também pudera, o texto tinha como ilustração aquela maldita foto onde apareço de língua de fora. Falo maldita porque na ocasião em que foi clicada, quis apenas estragar os instantâneos dos paparazzi que me importunavam, mostrando a língua a eles. O efeito foi o contrário. Acabei por alimentar ainda mais a imagem de gênio irreverente, distraído e não preso às convenções. Cristalizei o mito que nunca gostei de encarnar. Mas já não reclamo mais. Se isso anima as plateias, tudo bem. Com base nesse episódio, cheguei à seguinte formulação: Entretenimento é igual a mentira vezes casualidade ao quadrado. E= mC2.

Mas voltando ao artigo do NYT, nele Neal Gabler sustenta que as ideias não são mais o que eram antes. As atuais não incendeiam debates, não incitam revoluções nem alteram a maneira como vemos e pensamos o mundo. Há uma falta de gênios públicos. Gabler não acha que as mentes de hoje sejam inferiores às das gerações passadas. O problema não é de burrice. A questão é que ninguém dá a mínima para as grandes ideias. Prestamos atenção só naquelas que podem ser monetizadas. Daí o fascínio pelos empreendedores da web. Para Garber, a Era da Informação transformou todos em acumuladores de fatos e não em pensadores. Maldita internet.

Não discordo por completo do articulista. E acrescento outros aspectos. Em parte, a falta de gênios se deve às redes sociais. Você começa a seguir alguém que considera genial e em poucos postsa pessoa se revela uma besta. Não há mito que resista à proximidade e ao excesso de microfone. A exaltação aocrowdsourcing, modelo de produção que utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários espalhados pela internet, também dilui a importância e a aparição das grandes cabeças. O problema do crowdsourcing é que ele não rende boas estátuas. Os parques não estão preparados para monumentos tão grandes. Além disso, o único gênio desses esquemas colaborativos é o cara que faz o grupo todo trabalhar de graça em seu benefício.

Outro fator que dificulta a identificação de gênios é o uso indiscriminado desse qualificativo. Chama-se de gênio o DJ de fim de semana, a segunda voz da dupla sertaneja, o sujeito que desenhou um novo furador de coco. Há até técnico de futebol, sem grande expressão, que atende pela alcunha de Geninho. O amor sofre do mesmo mal. Esse sentimento, antes elevado e raro, banalizou-se. Amam-se bolsas, cachorros, dietas e tablets. Não amo muito tudo isso.

Mas há uma questão que Glaber não considera. Ser gênio é bom só para consumo dos outros. Viver como um não é tão delicioso. Não falo só da dificuldade de se relacionar com as coisas mundanas e calçar as meias de uma mesma cor. A genialidade é uma anomalia, uma doença cujos sintomas externos enganam: fama, poder e admiração. No entanto, esse estágio, na maioria das vezes, só é alcançado depois da morte ou nos estertores da vida. Quando ela é precoce, se consume ou é consumida rapidamente. O gênio é visionário e como tal passa boa parte da sua carreira na incompreensão. As grandes mentes, em geral, são acompanhadas de obsessões, compulsões, manias e comportamento antissocial. A lista de perturbados pela sua própria genialidade é enorme. Bach, Munch, Michael Jackson, Kant, Santos-Dumont, Marlon Brando, Nietzsche, Van Gogh e Dostoievski, só para citar alguns.

Espero que o último parágrafo tenha lhe servido de consolo e faça você retornar ao Facebook aliviado e sem culpa.

Vitor Knijnik 

Milhares saem às ruas na Europa e EUA em protesto contra mercados financeiros

Na manhã deste sábado (17/09), centenas de pessoas se concentraram nas imediações da Bolsa de Valores de Madrid para protestar contra o mercado financeiro do país. A reivindicação faz parte da iniciativa conhecida como “Occupy Wall Street” (Ocupar Wall Street, em tradução livre) que mobilizou protestos semelhantes em frentes às bolsas de valores de 74 cidades pelo mundo. 

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Como o nome indica, a ação foi iniciada nos Estados Unidos, onde um protesto deverá tomar a Wall Street, símbolo do mercado financeiro do país, na noite deste sábado. O ponto de encontro entre os manifestantes é a estátua do Touro da Wall Street, que simboliza a agressividade do mercado financeiro norte-americano.

Embora semelhantes, cada cidade impõe suas demandas em protestos que deverão durar, pelo menos, até o próximo domingo (18/09). Em Nova York, os manifestantes demandam uma economia a serviço das pessoas, a regulação dos mercados financeiros, a limitação da influência desses mercados na vida política, a criação de um banco público e uma partilha justa e equitativa da riqueza.

Em Madrid, a manifestação foi convidada pelo movimento 15-M, conhecidos como “indignados”, que foram às ruas do país nos últimos meses para exigir reformas políticas, econômicas e sociais.

No protesto, iniciado às 12 de Madrid (07h no horário de Brasília), os manifestantes trazem faixas com dizeres como “FMI, deixe-nos viver”, “Ditadura dos mercados”; “A Bolsa ou a vida”, “Cuidado com a carteira, você está na Bolsa”, “Bancos sim; públicos e para sentar-se”, entre outras em protesto com o sistema financeiro do país.

Vídeo divulgado na Espanha para convocar o protesto

Em meio à crise econômica que afeta países europeus e também os Estados Unidos, diversas manifestações ainda deverão ocorrer neste final de semana em nações como Alemanha, Holanda, Portugal, Grécia, França, entre outras, reunindo milhares de pessoas.

*Com informações do jornal El Mundo e da emissora CNN

PLASTIKOS – de gilda kluppel / curitiba

Plastikos

O ícone da atualidade

dispensando a argila

moderno, termoplástico e elástico

este policloreto de vinila

adquire qualquer formato

por dentro correm as águas

reveste o piso, o teto e a parede

cria flores quase eternas

no frasco onde saciamos a sede

embalando diversos produtos

em tudo o ente plástico

o artificial artefato

descartáveis sintéticos

viram meros entulhos

a natureza em maltrato

no universo submerso

perversos com o meio ambiente

em suas inúmeras peças

formam um mosaico decadente

e nada que impeça

a paisagem em desarmonia

confundem as tartarugas marinhas

engolem seus piores pedaços

algas embrulhadas com plasticidade

como invadiu tantos espaços…

plastificará os mares por inteiro

assustando os marinheiros

de longas jornadas

nós, os passageiros

e o ser plastificador sorrateiro

querendo dominar o cenário

montanhas de lixo plastificadas

estáticas e petrificadas

pelos intrusos não biodegradáveis

realidade plastificante

pensou em seu uso e não no desuso

esquecendo da desplastificação

dos materiais macromoleculares

de longa decomposição

nada é justificável, apenas plastificável.

Dilma vai aos EUA abrir Assembléia da ONU e reunir-se com Obama – por najla passos / são paulo

Dilma Rousseff viaja sábado para os EUA onde será primeira mulher a abrir Assembléia Geral da ONU. Presidenta também vai debater os efeitos da crise econômica e ter encontros bilaterais com Barack Obama (EUA), Nicolas Sarkozy (França) e David Cameron (Reino Unido). Para Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, ‘mundo vive momento de turbulência pouco comum’.


BRASÍLIA – A presidenta Dilma Rousseff embarca sábado para os Estados Unidos onde, na próxima quarta-feira, vai abrir a Assembléia Geral das Nações Unidas, encontro anual em Nova York. Primeira mulher na história a inaugurar o debate, Dilma discursará para 121 chefes de Estado ou governo que já confirmaram presença. O baixo número de mulheres na reunião (12) indica o tamanho do feito.

O estímulo à participação feminina na política será um dos temas que Dilma discutirá nos EUA, em um encontro específico que a ONU vai promover paralelamente à Assembléia, informou nesta quinta-feira (15/09) o porta-voz da Presidência, Rodrigo Baena. A reunião será na segunda-feira (19).

Na passagem pelos EUA, Dilma também pretende discutir os efeitos da crise econômica.
“O mundo vive um momento de turbulência pouco comum e de grande ansiedade, o que faz a ONU mais necessária do que nunca”, afirmou nesta quinta-feira (15/09) o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em entrevista coletiva em Nova York.

Segundo ele, o prolongamento da crise econômica, os desafios humanitários, os conflitos vigentes e as mudanças de todo tipo que estão ocorrendo no mundo fazem com que os povos apostem no organismo para lhes dar respostas. “Sabemos que a ONU continua sendo nossa maior esperança de construir um mundo mais seguro e justo”, disse.

Um dos que esperam um mundo “mais seguro e justo” é o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas. A expectativa é que ele aproveite reunião do Conselho de Segurança da ONU, na quinta-feira (22), para pedir o reconhecimento internacional do Estado Palestino.

O Brasil reconheceu a Palestina em dezembro, em carta enviada do ex-presidente Lula à autoridade palestina. Dilma vai participar da reunião do Conselho, já que o Brasil é membro não-permanente, e tem posição igual à de Lula.

Agenda e comitiva
A comitiva e a agenda de Dilma são extensas. Ele viajará acompanhada de pelo menos seis ministros: Antonio Patriota (Relações Exteriores), Fernando Pimentel (Desenvolvimento), Orlando Silva (Esporte), Alexandre Padilha (Saúde), Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Helena Chagas (Comunicação Social).

Já na segunda (19), a presidenta participará de reunião sobre doenças crônicas não transmissíveis, apontada por pesquisas recentes do órgão como a maior causa de morte no mundo. O objetivo é definir estratégias de controle, com foco particular nos desafios econômicos que o problema acarreta para os países em desenvolvimento.

Na terça, Dilma estará no lançamento de um protocolo internacional chamado de “Parceria para o governo aberto”, no qual os países se declaram defensores de mecanismos que deixem o setor público mais transparente a suas populações. No ano que vem, o Brasil vai sediar um encontro sobre isso.

Os limites da segurança nuclear serão pauta de reunião na quinta-feira (22). A ONU quer discutir critérios para assegurar o uso consciente e seguro da energia nuclear, principalmente em função do acidente na usina de Fukushima, no Japão, por causa de um tsunami que atingiu o país em março.

Além dos encontros multilaterais, Dilma também terá reuniões bilaterais com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, da França, Nicolas Sarkozi, do México, Felipe Calderón, e com o primeiro-ministro da Inglaterra,  David Cameron. A presidenta decola de volta ao Brasil na quinta-feira, 22 de setembro.

“ÁRIA ANTIGA” – de alceu wamosy / uruguaiana.rs

Chora o orvalho da luz sobre a rosa do dia
que se fecha. O jardim todo lembra um altar
para o qual sobe o incenso azul da nostalgia,
e onde os lírios estão de joelhos, a rezar.

Tu cantas para mim. Tua voz, triste e mansa,
vem trazendo, a gemer, dos confins da lembrança,
qualquer coisa de velho, onde a vida se esfume.

Quando a voz adormece um fantasma desperta.
A tua boca é como uma rosa entreaberta
que a saudade acalante e o passado perfume.

E essa velha canção que o teu lábio cicia,
no momento em que a tarde adormece no olhar,
enche o meu coração de uma vaga harmonia,
de um desejo pueril de ser bom, e chorar…

O poder de Santa Catarina sobre as florestas do Brasil – por amilcar neves / ilha de santa catarina


Quando governador do Estado, Luiz Henrique da Silveira, que se tem na conta de intelectual, tentou através de projeto de lei – e por pouco não conseguiu – alienar para as prefeituras, ou para a iniciativa privada, na falta de interesse ou de recursos daquelas, dois museus estaduais e o Teatro Álvaro de Carvalho. Propôs idêntico destino à Biblioteca Pública do Estado de Santa Catarina, contanto que sua sede, no Centro de Florianópolis, fosse desocupada. Nem que o acervo de mais de 115 mil títulos ficasse encaixotado nalgum depósito qualquer sem prazo de resgate.


Quando governador, LHS travestiu-se de autoridade ambiental, propôs, logrou aprovar na Assembleia e sancionou a lei que institui o Código Estadual do Meio Ambiente e impõe sensíveis reduções na proteção de nascentes, rios e lagos, coisa de estreitar a faixa de matas nativas dos cursos d’água para cinco metros, ao invés de 30, como preconiza a lei federal. Sua lei, que ele afirma ser “moderna e desenvolvimentista”, é questionada na Justiça por suspeita de inconstitucionalidade. Não por acaso, o governador recebeu o apoio entusiástico de ruralistas, especuladores imobiliários e deputados ligados a setores que colocam o lucro acima de qualquer consideração coletiva. Acima, inclusive, da própria sobrevivência a médio prazo.


Como senador, Luiz Henrique apresentará neste 14 de setembro, na CCJ – Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, seu parecer ao Projeto de Lei nº 30/2011 da Câmara, que estabelece o novo Código Florestal Brasileiro. Aliás, o projeto mantém a definição da Lei vigente: são áreas de preservação permanente as terras situadas “em altitude superior a 1.800 metros, qualquer que seja a vegetação”; aqui, usou-se muito essa definição para fazer terrorismo, afirmando que todo o Planalto catarinense, incluindo a vinicultura e a produção de maçã em São Joaquim, estaria condenado às feras porque nada mais ali se poderia plantar por situar-se – e agora a desinformação ou a má-fé – acima de 800 metros…


Como relator da CCJ, LHS não gostou do projeto da Câmara, refugou as 57 emendas oferecidas por seus pares e elaborou um substitutivo, ou seja, outro projeto. Nele, fixa três novos entendimentos: do que sejam “utilidade pública”, “interesse social” e “atividades eventuais ou de baixo impacto ambiental”, generalizando que essas coisas, que permitirão o desmatamento e o assalto ao meio ambiente, serão “definidas em ato do Chefe do Poder Executivo” – federal, estadual ou municipal. Se a lei catarinense feria a lei nacional, mude-se, pelo mesmo autor, a lei nacional.


Singularmente, contrariando a pluralidade da população brasileira e dos entendimentos a respeito da questão, LHS é relator do projeto em três das quatro comissões do Senado em que ele será discutido e votado.


Elaborado por especialistas da área reunidos no Grupo de Trabalho do Código Florestal criado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC e Academia Brasileira de Ciências – ABC, foi publicado este ano, e está integralmente disponível na internet, um documento de 124 páginas intitulado O Código Florestal e a Ciência – contribuições para o diálogo. Os cientistas se queixam que nem LHS, nem qualquer congressista, aceitou o diálogo, preferindo fugir de uma discussão racional.


Com a ajuda arbitrária de Santa Catarina, a decisão parece já estar tomada. Que se cuidem as florestas e o meio ambiente do Brasil. Que nos cuidemos nós.


IMPRESSÕES – por olsen jr / ilha de santa catarina

Abstraindo a bisbilhotice pura e simples acredito, o homem sempre foi movido pela curiosidade. A curiosidade (junto com a necessidade) pode ser uma fonte de inusitadas descobertas. Penso na borracha por exemplo. Mas é outra história… Saber o que os outros pensam de você desperta certo interesse. Como você é visto? Well… Mas quando isso acontece ao vivo e em cores, intrigante…

    O ambiente tinha uma luz mortiça, contrariando meus princípios, estava de costas para a entrada, de maneira que não percebi a mesa que se formou atrás da minha. Pela altercação de sons e linguagens, imaginei que poderia tratar-se de três vozes femininas e uma masculina.

Lá pelas tantas a conversa recaiu sobre a literatura de modo geral e a catarinense em particular. Uma das mulheres comentou que havia recebido emprestado de uma amiga o livro “Memórias de um Fingidor”, já tinha lido e apreciado muito, mais, que gostaria de ter sido a “heroína” da história…

Estou ouvindo aquilo e tive ímpetos de me levantar de onde estava e me apresentar, quem sabe seria um bom papo… Logo uma voz interior me alertou, deixa de ser exibido, fica quietinho aí e quem sabe você aprenda alguma coisa… Ou você pretende sentar ali, monopolizar a conversa e passar por um “cara” chato e insuportável?

Logo ouço “mas ele parece ser um sujeito de poucos amigos, carrancudo e mal humorado”… Foi sensato, penso… Poucos amigos? É verdade… Poucos e bons, acrescento… Carrancudo? É vero… Lembro de um debate na televisão com os então candidatos Mário Covas, Afif Domingues e outros (devia ser para o governo do Estado de São Paulo) e o Afif acusou o Covas de que ele tinha “duas caras” e perguntou com a qual ele iria se apresentar naquela eleição? O Mário Covas não se fez de rogado, afirmando “Ora, se eu tivesse duas caras, você acha que eu iria sair com esta?” O auditório veio abaixo… Mal humorado? Quem? Eu? Sou espirituoso, mais ou menos na linha do Bernard Shaw, Grouxo Marx, Woody Allen, mas posso ser mordaz, no gênero H. L. Mencken, Jorge Jean Nathan, Oscar Wilde ou eclético Voltariano – como lembrou o professor José Curi… Nada ofensivo, apenas cultural… Não suporto a boçalidade tentando se estabelecer… Não era o caso…

Ser “carrancudo” não muda o fato de o sujeito ser um bom escritor, afirma outra mulher, acrescentando logo em seguida “sabe-se lá com quais demônios ele se depara quando enfrenta a página em branco”… Gostei daquela última frase… Ainda assim contei até dez para não me levantar e tomar parte naquela conversa… Como a minha força de vontade nestes casos é zero, tratei de pedir a conta, não sem antes pensar no Paulo Francis “As aparências enganam, se me permitem cunhar uma frase original”… Contenho o riso e não olho para os lados quando me despeço do garçom!

 

 

A fonte das teorias conspiratórias do 11 de setembro – por jeremy stahl, The New York Times / eua

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As teorias conspiratórias do 11 de setembro vêm antes do 11 de setembro. Em 25 de julho de 2001, numa transmissão de duas horas e meia de seu programa Infowarts TV, num canal de acesso público, Alex Jones expôs o que via como a história dos ataques falsos fabricados pelo governo – do incidente do Golfo de Tonquim, que Lyndon Johnson usou para afundar ainda mais os EUA na guerra do Vietnã, ao primeiro ataque do World Trade Center, em 1993, e o atentado de Oklahoma City, em 1995, que Jones alegava ser um terrorismo fabricado pelo governo para ajudar Bill Clinton a subir nas pesquisas e oprimir as liberdades civis. Enquanto comparava Oklahoma City ao incêndio de Reichstag, Jones exibia na tela os números de telefone do congresso e da Casa Branca.

“Ligue para a Casa Branca e diga a eles que sabemos que o governo está planejando terrorismo’’, disse ele. “Bin Laden”, continuou ele, desenhando aspas com as mãos, “é o bicho-papão de que eles precisam neste sistema orwelliano falso’’.

Seis semanas depois, no dia em que as torres gêmeas caíram, Jones iniciou sua transmissão declarando que, conforme havia previsto, a administração Bush havia tomado parte de um ataque terrorista encenado. “Vou lhes dizer o principal’’, afirmou ele. “As chances de que este foi um bombardeio produzido pelo governo são de 98 por cento’’.

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A teoria da demolição controlada segue como o maior dogma unificador dos ‘adeptos da verdade’ do 11 de setembro, como eles chamam a si mesmos. Mas imediatamente após os ataques, essa era uma posição complicada de adotar. No mês seguinte ao 11 de setembro, a constante pregação de Jones de que o ataque seria um trabalho interno lhe custou mais de 70 de suas cem estações afiliadas de rádio. Por outro lado, esse posicionamento inicial também lhe trouxe credibilidade, quando o desencanto tanto da direita e da esquerda cresceu progressivamente na década seguinte. Hoje, Jones está de volta em mais de 60 estações de rádio, com uma audiência de 3 milhões de ouvintes por dia e ostenta seu papel como disseminador da teoria conspiratória do 11 de setembro: “Eu sou o progenitor disso tudo”.

Mas não foram apenas os curiosos entusiasmados que elevaram a popularidade da teoria conspiratória do 11 de setembro. Fatos do princípio – aparentemente peças inconsequentes, divulgadas pela internet logo após os ataques – também tiveram um papel importante. Até essas informações serem desmentidas, a teoria invocada por elas já havia recebido ampla aceitação.

A primeira placa na estrada quando se entra em Sebastapol, na Califórnia -uma pequena cidade duas horas ao norte de São Franciso -, é do vidente da cidade. Dirigindo pela rua principal, o visitante é similarmente bombardeado por fileiras de lojas hippies e orgânicas, além de anúncios de um mistério de assassinato interativo. É quase um clichê que num local como este, numa rua secundária, viva outro fundador da teoria conspiratória do 11 de setembro, Michael Ruppert. Porém, muito dele se encaixa no estereótipo do conspiratório em tempo integral.

Quando chego à sua propriedade rural de 0,8 hectare, Ruppert me oferece um passeio por seu jardim pessoal e galinheiro, colhendo uma framboesa orgânica, um pouco de alface e uma folha de manjericão como oferta de boas-vindas. No andar de cima, seu escritório é adornado com fotos de colegas conspiratórios como Cynthia McKinney, ex-congressista democrata e candidata presidencial do Partido Verde. Ruppert obteve um pequeno grau de celebridade há dois anos, após escrever e estrelar o aclamado documentário ‘Collapse’, sobre suas duas obsessões atuais – a crise econômica e o pico do petróleo. Ele se gaba de que o filme lhe rendeu uma amizade com Mel Gibson e Leonardo DiCaprio e é também um orgulhoso usuário de maconha. Ele é inclinado a rompantes bizarros sobre ter previsto a atual crise econômica.

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“Sou o Aleksandr Solzhenitsyn da América”, afirma ele. “Estou num gulag. Não como ele, não fisicamente. Estou num gulag de invisibilidade. O governo dos Estados Unidos e a grande mídia não se atrevem a mencionar meu nome. Eu previ todos esses eventos, não todos, mas a maioria deles, com uma clareza alarmante’’.

Antes do 11 de setembro, Ruppert vinha trabalhando em outras teorias conspiratórias – sobre um programa de supercomputação do governo, sobre acusações de que a AIG estaria lavando dinheiro de drogas, sobre tráfico sendo organizado pela CIA. Ele é obcecado pela CIA e por drogas desde que, segundo ele, a agência tentou recrutá-lo por meio de sua ex-noiva, ‘Teddy’, quando ele trabalhava como policial de narcóticos na polícia de Los Angeles, em 1976. A dramática narrativa de sua queda – de policial a paranoico de carreira – e contada no livro ‘Among the Truthers’, de Jonathan Kay, no capítulo sobre a psicologia dos conspiratórios: “Dois anos depois de conhecer ‘Teddy’, Ruppert se internou num hospital psiquiátrico, reclamando sobre ameaças de morte. Logo depois ele deixou a polícia de Los Angeles e começou a vender diferentes versões de sua história – incluindo a alegação de que a CIA tentou recrutá-lo para proteger suas operações de tráfico em L.A. – a quaisquer jornalistas crédulos que lhe dessem atenção’’. O site de Ruppert, ‘From the Wilderness’, foi um dos primeiros a questionar a prestação oficial de contas do 11 de setembro. Na manhã de 11 de setembro de 2001, Ruppert estava trocando e-mails com sua ex-esposa, que testemunhara os ataques de seu apartamento em Battery Park, no 35o andar. Enquanto Ruppert tentava consolar virtualmente a mulher, ele viu ao vivo, na TV, o segundo avião atingir a Torre Sul.

“Assim que o segundo avião bateu, eu soube que aquilo estava muito errado”, disse ele. “Posso não ter reportado isso imediatamente, mas eu estava num modo completamente investigativo do momento em que vi o segundo avião atingir a torre’’. E quando o Pentágono foi atingido pelo voo 77, Ruppert teve a confirmação de que o governo havia sido conivente.

Nesse ponto, Ruppert interrompe a história para me mostrar um armário que abriga sua coleção de facas e “suprimentos pessoais de sobrevivência emergencial’’. Ele puxa uma foto emoldurada de um piloto da Força Aérea, ao lado de diversas medalhas e fitas de combate. “Este é meu pai”, explica ele.

“Ele era oficial de radares em aviões interceptores F-89 e F-90 no Alasca, esperando por bombardeiros russos que viessem pelo polo. Fui criado nessa cultura. Segundo os procedimentos do Norad (Comando de defesa aeroespacial da América do Norte) e da Força Aérea, é impossível que aquele avião chegasse até o Pentágono. Estávamos preparados para aquilo desde 1950’’.

Para Ruppert, era inconcebível que o sistema de defesa aéreo mais caro do mundo pudesse ter falhado naquele dia. Não importa que aquele sistema tivesse a missão de manter guarda contra invasões soviéticas por 40 anos, e que continuou focado exclusivamente em ameaças externas na década seguinte ao fim da Guerra Fria. Ele tinha de estar preparado e se não estava, então teria ocorrido alguma sabotagem interna.

Emprestando credibilidade a essa conspiração, o cronograma oficial, divulgado por comandantes do exército logo após os ataques, estava incorreto. De início, o Norad alegou que caças haviam sido notificados de que o voo 77 fora sequestrado e que os caças foram enviados na direção de Washington no que deveria ter sido tempo suficiente para interceptar o terceiro avião antes que atingisse o Pentágono. Posteriormente, usando uma intimação judicial, a Comissão do 11 de Setembro conseguiu montar o verdadeiro cronograma dos eventos naquele dia. Essa retratação demonstrou que, diferente das alegações iniciais, o exército não havia ficado sabendo de nenhum dos sequestros antes de já ser tarde demais. Embora oficiais militares tenham sido inocentados de enganar intencionalmente a investigação, alguns membros da comissão posteriormente descreveriam os testemunhos como deliberadamente falsos.

Então a semente da teoria conspiratória do 11 de setembro se baseou numa falsidade propagada pelo governo. As gravações do dia feitas na sede do Norad, finalmente divulgadas ao público em 2007, mostrariam que os caças não conseguiriam ter feito muita coisa. Mas isso já não importava mais. Em novembro de 2001, Ruppert já fazia palestras para mil pessoas, na Universidade Estadual de Portland, sobre as ‘Verdades e Mentiras do 11 de Setembro’, que ele gravava e vendia posteriormente. Mais tarde, ele catalogou seus relatos do site From the Wilderness num livro, ‘Crossing the Rubicon: The Decline of the American Empire at the End of the Age of Oil’, vendendo mais de 100 mil cópias. Nas semanas e meses após o 11 de setembro, Jones e Ruppert já estavam formulando uma vasta teoria conspiratória que levaria vários anos para atingir seu pico de popularidade. Havia outra teoria, porém, que se espalhou de forma mais ampla e morreu mais rapidamente, pelo menos no Ocidente. Como tal, ela serve como uma lição sobre como e onde – além de por que – as teorias de conspiração funcionam: pegando uma pequena peça da verdade e construindo mitologias completas ao redor dela.

Demorou menos de 24 horas para que começassem a circular algumas teorias vagas, atribuindo os ataques a Israel. Quatro dias após o 11 de setembro, foi relatada a primeira peça de evidência ligando Israel aos ataques, no jornal sírio ‘Al Thawra’. O jornal estatal afirmava que “4 mil judeus faltaram em seus empregos no dia das explosões’’, sugerindo que 4 mil judeus teriam sido avisados dos ataques pelos perpetradores, colegas judeus. A história se espalhou pelo Oriente Médio. A fonte original desse preciso número de 4 mil foi o Jerusalem Post, que relatou no dia dos ataques que “o ministério do Exterior em Jerusalém recebeu, até agora, os nomes de 4 mil israelenses que teriam sido vistos nas áreas do World Trade Center e do Pentágono no momento dos ataques’’.

A Slate, junto ao popular site de desmistificação Snopes.com, foi um dos primeiros veículos de comunicação a desmentir os rumores. Porém, dez anos depois, versões adaptadas da desacreditada história dos ‘judeus avisados’ ainda são repetidas por teóricos conspiratórios antissemitas, incluindo o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. A teoria não ganhou muita força nos EUA, mesmo entre os teóricos conspiratórios do 11 de setembro, mas manteve uma popularidade consistente nas ruas árabes – onde, segundo o ‘New York Times’, o fato de judeus terem sido avisados dos ataques já se tornou senso comum.

Em 2008, uma pesquisa mundial de opinião pública mostrou que 43 por cento dos egípcios e 31 por cento dos jordanianos culpavam Israel pelo 11 de setembro, enquanto 36 por cento dos turcos culpavam o governo dos Estados Unidos. Nos territórios palestinos, 27 por cento colocavam a culpa nos EUA, enquanto 19 por cento afirmavam que Israel havia organizado o atentado.

Edições árabes da teoria conspiratória antissemita original, ‘Os Protocolos dos Sábios de Sião’, ficaram entre os mais vendidos na Síria e no Líbano, e a famosa mentira foi adaptada pela televisão egípcia num ‘drama histórico’ de 41 partes em 2002.

Segundo Charles Hill, veterano de 32 anos de serviços no estrangeiro, há no Oriente Médio uma forte corrente afirmando que praticamente tudo que acontece no mundo – de bom ou ruim – seria causado por uma conspiração internacional de judeus americanos. “A América é uma espécie de grande ordem judia, pois ‘os judeus controlam a mídia, eles controlam comitês do Congresso e controlam as universidades’”, disse ele. No caso do rumor dos 4 mil judeus, explicou Hill, a própria especificidade da acusação lhe concedeu credibilidade – mesmo também permitindo que a ideia fosse rapidamente desmentida. Conspiratórios gostam de um fato “que é inventado para ser plausível, pois ele é altamente específico’’, afirmou Hill. “E porque ele é altamente específico, e por ter sido ‘descoberto’, por ter sido acobertado, criado para não ser conhecido, e foi revelado graças a um erro ou por alguém que o encontrou por acaso, tudo isso prova ou agrega credibilidade à acusação geral’’. O destaque dado ao rumor dos 4 mil judeus no Oriente Médio até os dias de hoje, além de seu fracasso nos Estados Unidos, é um caráter ilustrativo de um fato crucial da popularidade das teorias conspiratórias: elas precisam de um terreno fértil para florescer. Nos EUA, nos primeiros dias após o 11 de setembro, os campos eram improdutivos. Dezoito meses após os ataques, porém, isso começaria a mudar. The New York Times News Service/Syndicate – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito do The New York Times.

O ABDUZIDO: DESABAFO DE UM RECUSADO CLÁSSICO / por jairo pereira / ilha de santa catarina


E a literatura brasileira?! Muitos autores (inventores) detonados. Conheço uns quantos que viraram músicos, outros abandonaram o ofício e tão fazendo qualquer outra coisa. As megaeditoras estrangeiras estabelecidas no país, (e as autóctones) estão enquadrando, qualidade de obras, gosto de leitores e destino de autor… Uma piada é claro, verdadeiro crime de lesa-cultura. Não acredito que editoras e suas “meninas” diretoras de Conselhos Editoriais, tenham capacidade pra dizer o que é boa literatura ou não. É sempre o tal de: “embora sua obra apresente qualidades literárias, não se enquadra na nossa linha editorial” ou “devido a já estar comprometida a agenda de publicações para este ano, não podemos acolher o seu livro”. Um país (no plano cultural) se faz com obras. Obras no sentido de compostos elevados/enlevados do espíritho, linguagem sobre linguagem, sem concessões ao fácil entendimento, ao que agrada, ajuda ou tenha qualquer utilidade imediata, prática… Dá pra se dizer (só pra citar alguns escritores) que James Joyce, João Guimarães Rosa, Osman Lins, e tantos outros criadores/inventores, seriam recusados hoje, tal o nível de discernimento dos “avaliadores” de editoras. O que é publicado, (em literatura impressa, meios convencionais, livro-livro) não representa absolutamente, e nem chega perto do melhor da literatura nacional. É de se ver, que só aparece a ponta do iceberg. A criação enfim acadêmica, e de autores que fazem peripécias políticas pra chegar numa editora (dessas grandes) não passa de mediana, insossa, que favorece o mercado e mente pra eles mesmos (os tais escritores bem sucedidos) e pra nós, que é alta cultura. Na web transita em drops, grande parte da boa poesia nacional, do conto e excertos de romances. Nas gavetas de autores, obras e obras, a espera de editor. Pelos critérios de avaliação de editoras, é perigoso se presumir sejam tais livros amortecidos, ruins. Livros. Livros. Os natimortos, livros de autores recusados. Uma mentira, o fomento literário, os concursos cartas marcadas. Concursos que já nascem com fim mercadológico: promover editoras e autores (publicados) de qualidade duvidosa. E o pior de tudo: grande leva de autores recusados por editoras, aceita tacitamente a empulhação. Bons cabritos que não berram. Tá na hora do levante. Tirar a máscara dos detentores dos meios de produção do livro. Desvelar a grande mentira da cultura livresca nacional. É de se perguntar: e o avanço do estético como fica? O conteúdo inovador? A arte verdadeira, revoluciona na forma ou no conteúdo, ou em ambos ao mesmo tempo, (e isso tem pouco a ver, com o discurso fácil, dirigido ao público x ou y ), e é a que mais representa a cultura nacional, sendo a estampa cult da nação. Uma nação tem que ter a sua bandeira literária, que a identifique, em obras complexas, acima do entendimento de massas, muitas vezes. As portas devem estar abertas no setor produtivo do livro, para de tempos em tempos surgir o inesperado, em qualidade. E, não simplesmente se fechar o acesso de autores ao mundo editorial (de mercado e leitores). Aliás, é o desejo de todo país, ter suas grandes obras literárias, creio eu. Como um Fausto de Goethe na Alemanha, Ulisses de James Joyce na Irlanda, A divina comédia, de Dante na Itália, Os miseráveis de Vitor Hugo na França, Os irmãos Karamazov de Dostoiévski, na Rússia, e por aí afora. Sem contar, um sem fim de obras que fogem do cânone clássico, e que foram urdidas na experimentação. A coisa é séria sim. Quando o sistema é brutal, alija criadores do processo cultural, evita seu contato com as novas gerações, tranca portas às novas linguagens, comete o crime de lesa-cultura. A cultura ilustra a educação, a faz avançar, abre os canais da percepção do educando. Observa-se que em encontros literários, o que se apresenta ao público é cultura oficial, editorial por excelência (e até escabrosa), de nomes mezzoconsagrados na sua secular medianidade. Alguns chamam isso de valor da tradição. Tradição, essa palavra-conceito remete a coisas boas e também à coisas perigosas, atraso no processo do conhecimento. Pra mim, sinceramente tá longe de representar o melhor da nossa cultura literária, o que está sendo vendido aí. Não se dá acesso e voz aos autores recusados (entenda-se por recusados independentes em geral), aqueles que fazem parte também da cultura nacional, a literatura suja, a literatura de estorvo, a literatura “persona non grata” no sistema. Evitado esse autor ao público, agride-se o todo da cultura nacional, conspurca-se o intelecto e achata-se a literatura, como produto estético, inventivo, construtivo, expansivo do conhecimento. Ora, vão se catar, Senhores opressores do talento. A nossa parte a gente tá fazendo, escrevendo… A realidade dos nossos sonhos transformada em vida nova, o phuturo. O phuturo das linguagens, o phuturo do estético, o phuturo do conteúdo bom, forte, revolucionário. Tem que pegar pesado com essa gente. Onde eles botar dez autores (tradicionalistas de linguagem) nós temos que botar mais dez doidos, de caótica linguagem. Quando eles enfrenar a vida das linguagens com bridão de aço, devemos atropelar o corcel, veloz, triloz dos novos tempos, na arte e na literatura, com ousadas variações do fazer. Parem de se iludir garotos com grupelhos poéticos, afetações de ser escritor ou poeta, seus blogs, sites, seus posts, nessa árida terra da especulação, do embuste, do retorno fácil a qualquer investimento, e que em arte verdadeira, não existe nenhum. Infelizmente, como anjo vingador de poeta recusado que sou, cumpre me acorda-los pra dura realidade: estamos em guerra, plena guerra contra a tirania editorial. Só se chega a uma dessas grandes editoras, dando pra alguém… sabe-se lá o que? Ou vendendo a alma ao diabo. Tô de saco cheio, já deu pra sentir né, com essa palhaçada!? Nunca vou ter coragem de dizer pra um menino que quer ser escritor que se deve ser um idiota: escrever certinho, com regras (razão) esquemas de fácil entendimento, a um público, composto de outros tantos idiotas como ele o escritor. (Segredo do sucesso). E o “desregramento dos sentidos” de que dizia Rimbaud? E os fantasmas interiores? E o mergulho no mundo do profano, do caótico, do que é pura verthigem? O artista no fio da navalha, entre os duplos, céus x infernos, limpo x imundo, cândido x cruel…  O artista garimpando nos espaços do indizível, abrindo canais de comunicação com o desconhecido. Em primeiro lugar devo começar assim: como abduzido & recusado clássico que sou devo dizer lhe que… patati patatá patatá… Toda ilusão de reconhecimento nesse estúpido mundo da literatura, manipulado por interesses e gente sem o menor critério de avaliação, é vã. Esse status broxanthi’s, mesmo assim, não será capaz de nos fazer desistir do sonho-bom: nossa indignação pelas linguagens atirada aos bons e maus espírithos. Nossa busca de razão, desrazão, no caos. Posso dizer no prosseguinte de mim, que primeiro temos que mostrar a nossa face, produtora de cultura. A nossa face, verdadeira na pegada… desbancar a má tradição que não condiz com os endereçamentos bons ao phuturo. A teleológica da pruzirithílica é essa: acrescer no processo, romper paradigmas, inventar e não diluir, como já bem colocou Erza Pound. Apontar os responsáveis pelo mau uso dos meios de produção do livro, coisa que nos envergonha e ao país, pois que muitos nem brasileiros são, e os brasílicos já estão meio-vendidos nessa coisa de transformar literatura em mercadoria “barata”… Esses obtusos Senhores da escuridão, estão ditando as regras do jogo cultural. Do que deve ser lido, vendido e o pior de tudo: escrito. É pra acabar… e a nossa pátria varonil, nada faz pra rebater o império do baixo espíritho. De parte do Governo, o MINC tá por fora. Ninguém vê, ou se vê, faz que não vê… o que está acontecendo. Não é pouca coisa, quando gerações e gerações de autores, estão sendo massacradas por um sistema produtivo do livro, que as anula no plano da criação & chegada ao público leitor. Tive uma ideia: nós também vamos começar a recusa nos livros editados por vocês. Tem umas meninas aqui, amigas nossas que são campeãs pra isso nos seus ótimos critérios avaliatórios. Vamos carimbar na capa R E C U S A D O e espalhar por aí. O meu grupo de excluídos é grande pra mais de metro. É muita gente mesmo… pega o Brasil inteiro. Um perigo! Tá na hora de denunciarmos a nhacaziiiraaaa que estão fazendo com a literatura brasileira. Um país deve estar atento à produção de seus autores, o que realmente é vigoroso em termos de linguagem, construção do espíritho, e não a essa literatura insossa que grassa por aí, com todo o empenho midiático de supervalorização. A estampa cultural de uma nação é o que ela tem de verdadeiro na arte, na literatura, na poesia, NUNCA O QUE É FEITO MERAMENTE PARA SER ABSORVIDO POR ESTE OU AQUELE PÚBLICO. Absorvido, levemente encantador (de trouxas), o que não faz consequência, não causa, não transforma… O universal, o absoluto, em arte, se impõe por seus próprios meios, forma, conteúdo bom, e não depende de jogadas de marketing, mentiras, engambelações. Não posso mentir às crianças, não posso iludir os meninos escribas que estão vindo, com “maravilhas” nas letras do país. Isso aí, já tem muito professor, acadêmico em geral e marqueteiro editorial fazendo. É um des-serviço à cultura e a sociedade. Comigo é na veia… se criamos galinha de três pernas, ei-las… não vamos enfeitar o pavão da mediocridade. A coisa tá de mal a pior nessa área do livro impresso. As armas devem ser as mesmas, os meios, os mesmos, os recursos os mesmos, para uma cultura dita oficial, estabelecida ou tradicional e aquela que jaz nas gavetas, no limbo da recusa. Literatura independente, a custo e suor dos autores. Afinal de contas, não é e nunca poderá ser o homem o que deve cercear o homem como artífice, obscurecer a obra, a criação. Deixa o louco falar, por favor, deixa o louco escrever, edite o louco-bom, deixa o inventor trançar cateto com hipotenusa, na enteléquia da proselitílica. Porra! E, vamos promover isso. Senão vai rolar só titica de galinha nas nossas cabeças de cabritos super-resignados. É outro o descortínio de signos que pretendemos, outro chão, outro céu e outro inpherno.

P S. A sacanagem é bem maior do que a gente possa imaginar. Me chamem de despeitado se quiserem. Tô nem aí! EHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH.

 

     jAiRo pEreIra

Autor de O abduzido –prosa longa- 584 pgs., Arijo – romance rapsódico, 1.097    pgs., O antilugar da poesia –manifesto-, e outros. Todos recusados      por editores comerciais.

PRESIDENTA DILMA dá um PITO na atrevida jornalista da TV GLOBO (Fantástico de 11/09/2011)

UM clique no centro do vídeo.

Terrorismo midiático: a tentativa de desmoralização da presidenta Dilma na capa do UOL

Terrorismo midiático: a tentativa de desmoralização da presidenta Dilma na capa do UOL

a chamada “grande mídia” segue CHAFURDANDO NA LAMA!  se tiverem que sair do esgoto é censura!

Por REDACAO BLOG LADO B | Publicado:10 DE SETEMBRO DE 2011
“Faxina” e “Dilmona” na piada carregada de ódio e preconceito do UOL

Quando a gente pensa que já viu de tudo, em termos de baixaria e de manipulação, o PIG – Partido da Imprensa Golpista – se supera e consegue apresentar um lixo ainda maior, disfarçado de “jornalismo” nas manchetes que estampa. Remexendo esse lixo, você encontra todo tipo de má fé, de ódio, de preconceito, de calúnia e de difamação.

Arquivo da montagem tosca tem nome de “arte” para o site…

O olhar perspicaz e atento da blogueira feminista Rosângela Basso não deixou passar a mais nova tentativa de desmoralização da presidenta Dilma Rousseff (PT) na capa do site UOL nesta manhã de sábado. O UOL postou uma montagem com a foto da presidenta no palanque oficial do 7 de Setembro em Brasília, colocando a seu lado um Marcos Valério com cartaz em que se lê: “Dilmona é pra varrer e não voar. Se voar, é bruxa”. Do outro lado de Dilma, uma mulher abraça e fala ao ouvido da presidenta, como quem se posiciona ali para tirar uma foto. O próprio termo “faxina” que o noticiário político costuma fazer uso para se referir às medidas enérgicas de Dilma no combate à corrupção e no apuro de denúncias levantadas, cai como uma luva no gosto do PIG num governo comandado por uma mulher. Típico!

… Já a foto do carro de Vettel foi salva com nome do fotógrafo e da agência.

As mensagens que o PIG tenta passar têm um único objetivo: afetar a alta popularidade da chefe da Nação, seja colando o escândalos do Mensalão e denúncias de corrupção no palanque presidencial, seja associando conteúdos homofóbicos, quando carimba um rótulo homossexual na imagem – Dilmona, abraçada a uma mulher. E a montagem tosca mereceu destaque entre as chamadas de notícias do site, ou seja, o espaço consagrado às principais manchetes, dividido com a pole position de Sebastian Vettel na Fórmula 1, os temporais em Santa Catarina e as “musas” do Brasileirão.

O arquivo da foto da tragédia em SC também é identificado pelo crédito do fotógrafo…

Da onde vem tanto ódio e ataque de terror? O PIG que pareceu ter dado trégua à Dilma logo após sua eleição e posse, que chegou a dedicar atenção ao ex-presidente Lula e foi mirando os ministros (em especial as ministras) para cercar Dilma, como se estivesse em um grande tabuleiro de xadrez, volta com toda força a destilar seu veneno contra a presidenta. Da forma mais vil e violenta que lhe é peculiar. E isso acontece justamente uma semana após o 4º Congresso Nacional do PT deliberar como pauta de debate nacional o marco regulatório da mídia e a liberdade de expressão, ampliando o horizonte sobre o que se convencionou chamar de comunicação social e que não é mais compatível com a concentração de poder e renda nesse setor estratégico ao desenvolvimento com inclusão social.

.. . e até a montagem “artística” das musas do Brasileirão foi creditada devidamente.

Agora, está tudo muito claro! Não justifica, mas elucida de onde vem o tiro e o calibre do perigo. Qualquer relação com a presepada da cobertura sobre a troca de tiros no Complexo do Alemão esta semana, como tentativa de se desfazer – e por que não dizer frustrar? – dos avanços por lá não soam como mera coincidência. Aliás, o UOL também resgatou em meio ao episódio sua brincadeirinha de bang-bang predileta: e a imprensa em geral, os coletes azuis do “medo”. A mais usual ferramenta de manipulação de todos os tempos.

PALAVRAS, TODAS PALAVRAS é elogiadíssimo por seu trabalho na página TELAS FAMOSAS

LUIS MELO | setembro 9, 2011 11:08 am às 11:08 am | Responder |Editar

É DIFICIL DESCREVER UM SITE C/ ESTA QUALIDADE OU ATÉ MESMO, DEFINI-LO. SÓ SEI QUE CADA OBRA DE ARTE QUE AQUI OBSERVEI, ME PARECEU UMA ESTRELA, CADA UMA COM SEU PROPRIO BRILHO, C/ A SUA MAGÌA, C/ SUA GRANDEZA. PARABENS, ADICIONADO.

 

  1. george | setembro 5, 2011 22:32 pm às 22:32 pm | Responder | Editar

    dificil nao se emocionar ….dificil nao se questionar……na realidade um verdadeiro balsamo para a alma……

  2. Francisco Coimbra | julho 5, 2011 14:27 pm às 14:27 pm |Responder | Editar

    Tão impressionante quanto admirar a beleza da pintura é, de cada vez que volto ao blog, encontrar “PALAVRAS, TODAS PALAVRAS”; as coisas, toda a realidade, toda a construção do real, toda a vida, tudo… pode ter a ambição de procurar e ter palavras, todas as palavras. Um blog que parte deste pressuposto e tão bem o ex_pressa… tem e merece: o meu apreço!

  3. Claimar Erni Granzotto | julho 1, 2011 12:53 pm às 12:53 pm |Responder | Editar

    Recomendo…..

  4. José Vieira | junho 10, 2011 20:54 pm às 20:54 pm | Responder | Editar

    Aqui neste espaço
    Contemplo a arte
    E fico perplexo
    Com as côres desde Universo…………………

  5. Angélica Carneiro Faustini | junho 10, 2011 16:33 pm às 16:33 pm | Responder | Editar

    Foi com grande emoção que admirei esse belíssimo site, a maioria das telas já conhecidas e outras não. Além de enriquecer minha cultura, me trouxe momentos de indescritivel beleza que voltarei a rever muitas e muitas vezes. Angélica Faustini. 10 de Junho de 2011.

  6. Telas para pintura | maio 6, 2011 16:02 pm às 16:02 pm |Responder | Editar

    Adorei as obras muito bom gosto e muito bem elaborado o blog parabens!
    Cesar Gritti

  7. helvya maciel | março 1, 2011 19:00 pm às 19:00 pm | Responder |Editar

    por admirar tanta beleza de artistas fantasticos ñ tenho palavras pra dizer adorei!!!!

  8. Francisco Coimbra | fevereiro 13, 2011 23:48 pm às 23:48 pm |Responder | Editar

    Olhar captando num relance a composição, as cores, as formas, o tema… Registar quem e quantos quadros, tudo a correr, até surpreender este espaço final de comentários. Amanhã já não comento, vou tentar apreciar! Dá para comentar ter apreciado…. encontrar este blog!

  9. MARLENE BUENO DOS SANTOS | janeiro 1, 2011 23:48 pm às 23:48 pm | Responder | Editar

    Amei essa página,e demais contemplar a obra dos grandes mestres!!

  10. cleber | dezembro 14, 2010 19:39 pm às 19:39 pm | Responder | Editar

    que bom que alguns tiveram a bençao de poder transmitir tanta beleza na arte em pinturas como as vistas aqui, e um tanto melhor que alguem nos deu a chance de ao menos na telinha poder conhecer um pouco das mesmas em um site como esse. parabens

  11. José Vieira | novembro 23, 2010 20:02 pm às 20:02 pm | Responder |Editar

    Eu diria perante tanta beleza ,tanta perfeição na arte que os meus olhos contemplaram nesta página, que Deus criou o Homem e lhe concedeu poder Divino para que vísse-mos um vislumbre do seu Universo,neste Mundo tão perverso.

  12. Geraldo Reis | julho 25, 2010 14:16 pm às 14:16 pm | Responder | Editar

    Mais do que uma descoberta, um encantamento. Meus aplausos. Estarei divulgando. O site é o máximo.

  13. Monsueto Araujo de Castro | junho 5, 2010 22:32 pm às 22:32 pm| Responder | Editar

    Gostei muito das pinturas. São quadros dos imortais da pintura de minha preferência Da Vinci, Van Gogh, Valazquez, Rubens, Raphael, Dali, Caravaggio e Botticelli. Obrigado pela oportunidade.
    Monsueto Araujo de Castro – Mogi das Cruzes – SP

  14. Thúlio Jardim | junho 4, 2010 20:49 pm às 20:49 pm | Responder |Editar

    Pra mim já tá ótimo, tendo o nome dos artistas. Pôr o nome das telas, deveria dar um trabalho danado! Gostei tanto desse arrumado, que acabo de postar referência no Twitter.

    @thuliojardim

  15. Francinaide | maio 27, 2010 10:38 am às 10:38 am | Responder | Editar

    Espetacular!!!! É o que no mínimo posso externar. Obras desta qualidade, desta sensibilidade nos az viajar, aguça nossa imaginação, e nos conduz a caminhos maravilhosos de inteira sintonia com o univrso!!!
    PARABÉNS!!!

     

  16. Tania Mara Alves Brito | maio 13, 2010 11:09 am às 11:09 am |Responder | Editar

    NÃO ESPERAVA ENCONTRAR TANTA MARAVILHA, POEMAS DE QUALIDADE, QUADROS, A BELEZA MULTIPLICADA EM UM ÚNICO SITE. VOLTAREI MIL VEZS PARA UMA VISITA MAIS DEMORADA. POR ENQUANTO É O QUE POSSO DIZER, ALÉM DE UMA OBSERVAÇÃO: O PRÊMIO RECEBIDO DA VEJA É POUCO PARA UM SITE TÃO EXCEPCIONAL. (TANI – A Lâmina Fugaz)

  17. maria das graças | maio 11, 2010 11:03 am às 11:03 am | Responder |Editar

    Olha, que beleza estou fazendo uma pesquisa e procurando imagens de obras de Valazquez… perfeito valeuuuuuuuuuuu.

  18. Heloisa B.P. | abril 23, 2010 22:09 pm às 22:09 pm | Responder | Editar

    MAS QUE ESPECTACULAR GALERIA E QUE BELISSIMO “TOUR” NO TEMPO E NA ARTE QUE SE DISTINGUE EM ESTILO, ESCOLAS E MOVIMENTOS E…QUE, A UM TEMPO, FAZ O *TEMPO* PARAR!
    E…NOS EM CONTEMPLACAO!

    MUITO OBRIGADA POR TAO SOBERBO “PASSEIO”!!!!!

  19. Didi tenório | abril 15, 2010 19:40 pm às 19:40 pm | Responder | Editar

    Achei um fascínio de página.
    Os grandes gênios pintores que tenho paixão..
    É pena não saber cópiar para fazer uma tela.
    Deus bendiga este SITE e que cresça muito.
    Boa noite. Didi tenório/AL

  20. denize macedo | março 15, 2010 16:02 pm às 16:02 pm | Responder |Editar

    Essas telas são de tirar o folego de todas as pessoas pois elas são muito lindas. BEIJOS…..

  21. ELIANE | janeiro 9, 2010 22:03 pm às 22:03 pm | Responder | Editar

    infelizmente nós brasileiros temos pouco contato com obra de arte , não somos educados ainda para compreender as entrelinhas de artes de grandes mestres como estes, felizmente, a Educação no país está se voltando para os olhos da Arte, e, nosso povo deixará de ser analfabeto da arte, pois, são poucos que receberam instruções para analisar, valorizar e compreender, uma verdadeira obra de arte.Que bom que iniciativas como estas, possibilitem as pessoas um acesso rápido, e possivel ao mundo artístico.

  22. Arari A C Martins | novembro 24, 2009 20:08 pm às 20:08 pm |Responder | Editar

    Divago olhando estas pinturas. Parabéns!

  23. Paulo | outubro 11, 2009 22:55 pm às 22:55 pm | Responder | Editar

    “Estas belas obras são um trabalho de pessoas que eternizaram suas épocas e transportaram para tela.”Parabéns para os organizadores desse fino trabalho.

  24. Virginia | setembro 27, 2009 9:34 am às 9:34 am | Responder | Editar

    Sempre agradavel repassar os nossos mestres, colirio visual…….

  25. carmen minussi | setembro 12, 2009 23:16 pm às 23:16 pm |Responder | Editar

    MARAVILHOSO !!!!!!!!!! OBRIGADA.

  26. carmen minussi | setembro 12, 2009 23:14 pm às 23:14 pm |Responder | Editar

    Achei a pagina de excelente qualidade e muito bom gosto. A arte sempre nos tras conhecimento e a pintura é uma forma maravilhosa de ensinar. Obrigada.

  27. Miriam Catão | agosto 24, 2009 12:46 pm às 12:46 pm | Responder |Editar

    de Magrit, incrível a tela do beijo dos mascarados. Rosto sem rosto! Rever estas telas é repaginar nossas cabeças, nossa cultura em todos os sentidos. Muito bom.

  28. Ademir Picinatto | agosto 17, 2009 21:17 pm às 21:17 pm |Responder | Editar

    Não tenho muito conhecimento nesta área mas achei uma página maravilhoso. Obrigado!

  29. Guilherme Cantidio | julho 13, 2009 19:38 pm às 19:38 pm |Responder | Editar

    Um colírio para os olhos…Bálsamo para a alma. Na verdade um ticket virtual para um tour (idem) ao…Louvre?…Quiçaz.

  30. maria lucia mascelani mourão | maio 12, 2009 19:15 pm às 19:15 pm | Responder | Editar

    gostei muito de passear por aqui. agradecida.

  31. Ana Elisa | abril 3, 2009 20:33 pm às 20:33 pm | Responder | Editar

    Impossível passar imune por todas estas telas, de tão diferentes épocas e não menos brilhantes uma das outras.
    Eu, particularmente, amo Salvado Dali ,Miró, Magrite e foi uma agradável surpresa conhecer de Hockney e outros.

    Ainda verei essas obras em seus devidos museus, pessoalmente.

    Iolanda Settin | fevereiro 2, 2009 18:07 pm às 18:07 pm | Responder |Editar

  32. Parabéns!!!

    É a primeira vez que faço comentário…
    Impossível não manifestar nada diante deste trabalho .
    Encontrar palavras para traduzir essa sensação?
    MARAVILHOOOOOOOSO…

  33. Ana Elisa | janeiro 22, 2009 19:41 pm às 19:41 pm | Responder | Editar

    Quem pode dizer que essas pinceladas não foram obra de algo sobrenatural, pois a grandiosidade e o que elas nos passam é um imenso mar de emoções, sentimentos, e até mesmo um pouco (ou muito, não sei) do que cada pintor tinha no âmago do seu ser.

    Simplismente singular!

    Ana Elisa

  34. Marcus Monteiro | dezembro 5, 2008 18:24 pm às 18:24 pm |Responder | Editar

    Grandiosidade, Genialidade, Beleza, Arte, Cultura,… Precisamos de mais iniciativas como essa! Parabéns pelo trabalho!

  35. Penha Sewell | julho 20, 2008 9:43 am às 9:43 am | Responder | Editar

    Adorei as telas, adorei o site, é a primeiravez que entro.
    Parabéns.

  36. Sara Vanégas C. | julho 6, 2008 22:46 pm às 22:46 pm | Responder |Editar

    Hermosa muestra de lo mejor de las pinturas clásicas. Ha sido un bello y entretenido repaso de buena parte de la historia del arte universal.
    Felicitaciones por la página.
    Y un saludo afectuoso

  37. nilza | julho 6, 2008 16:45 pm às 16:45 pm | Responder | Editar

    adorei ver tanta beleza!!!! obrigada

  38. mazemendes | junho 29, 2008 15:34 pm às 15:34 pm | Responder |Editar

    Adorei , conheço todas essa spinturas(não pessoalmente) algumas já tive a oportunidade de olhar ao vivo e a cores. Vai mais sugestões: Vermeer (pintor holandes) da famosa pintura “a moça com brinco de pérola” . TURNER (suas marinhas,1842, são belíssimas) GOYA (pelotão de fuzilamento/1808 REMBRANDT , GEORGES de LA TOUR (1625 ), GUSTAV KLINT( o Beijo,1908) MUNCH (o Grito ,1900) FRANCIS BACON (década de 70) e ai vai… são muitos famosos, milhares cada coisa maravilhosa. Perto deles somos “pequenos” artistas. Logo posso te passar mais uns nomes.

Vítimas em 2001, EUA foram os algozes do 11 de setembro no Chile / santiago-eua

Antes de serem vítimas do 11 de Setembro de Osama bin Laden, os Estados Unidos foram algozes num outro 11 de setembro, no Chile, 38 anos atrás. O golpe que derrubou o presidente socialista Salvador Allende, com apoio norte-americano, instaurou uma ditadura brutal, responsável pela morte de três mil pessoas e pelas torturas cometidas contra 28 mil, na estimativa conservadora dos registros oficiais.

Clique na imagem acima para acessar o especial completo do Opera Mundi

Mas se lições ligam estes dois episódios, elas não foram aprendidas. É o que disse ao Opera Mundium dos protagonistas desta data negra para o Chile, o cientista político Heraldo Muñoz, de 63 anos, membro do breve governo Allende. Hoje, Muñoz é subsecretário geral do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), em Nova York. Mas o cargo diplomático não o impediu de fazer uma leitura crítica da política norte-americana.

Wikicommons

Trabalhadores chilenos marcham em apoio a Salvador Allende, em 1964

“Estas duas histórias se comunicam pela porta dos fundos, já que os EUA  foram atores em ambos os casos”, disse Muñoz, em entrevista concedida por email. “Primeiro, Washington ajudou a perpetrar a violência no Chile contra um povo indefeso. Mais tarde, os norte-americanos foram objeto da violência fanática no 11 de Setembro de 2001, que também cobrou vitimas inocentes. Mas não sei se a lição histórica – da necessidade de respeitar irrestritamente os direitos humanos – foi aprendida por eles”, afirmou.

Chile: epitáfio do outro 11 de setembro 

Em 1973, Muñoz dirigia um ambicioso projeto idealizado por Allende, chamado Almacenes del Pueblo (Armazéns do Povo), uma rede que pretendia fazer chegar comida à população, sem depender da intermediação dos empresários privados do ramo. Na época, donos de supermercados e armazéns faziam lockouts para esconder produtos alimentícios, como forma de jogar o povo contra o governo da Unidade Popular (UP) e forçar a derrubada de Allende, que, em resposta, começou a confiscar e estatizar redes privadas de supermercados.

A radicalização do governo da UP – que também nacionalizou o cobre, principal produto de exportação do Chile, e deu início a uma profunda reforma agrária – encontrou resistência imediata da direita. Em tempos de Guerra Fria, a ameaça representada por um modelo socialista e democrático no que os EUA viam como seu quintal, era algo inadmissível.

Divulgação

Muñoz: EUA não aprenderam a lição entre o 11 de setembro de 1973 e o de 2001

No dia 11 de setembro de 1973, o general chileno Augusto Pinochet liderou o golpe de Estado contra Allende. O Palacio de la Moneda, sede do governo, foi bombardeado por caças da Força Aérea do Chile (Fach), enquanto atiradores posicionados nos edifícios do centro de Santiago disparavam contra os poucos membros da guarda presidencial, leais a Allende. Cercado, o presidente fez seu último discurso, transmitido pela rádio, antes de suicidar-se com o disparo no queixo de um fuzil AK-47, presente do amigo cubano Fidel Castro.

“O 11 de setembro do Chile significou a perda da democracia e a interrupção da aspiração de construir o socialismo por uma na via pacifica, pela força dos votos”, analisou Muñoz. “O golpe marcou as vidas de toda uma geração, em todo o mundo. Uma vez, nos anos 1990, eu estive com a ex-primeira ministra do Paquistão Benazir Bhutto, assassinada em 2007, e ela me falou do impacto que o nosso 11 de setembro teve nas forças progressistas paquistanesas neste momento, não apenas no Paquistão, mas também em toda a Ásia e no mundo inteiro.”

Os EUA como algozes

O governo norte-americano – que travava, então, uma guerra sem fronteiras contra o comunismo – viu no Chile o embrião de uma experiência com potencial para levantar uma verdadeira onda esquerdista na América Latina. A resposta de Washington veio por meio do então chefe do Departamento de Estado no governo de Richard Nixon, Henry Kissinger. “Não vejo porque temos de esperar e permitir que um país se torne comunista por causa da irresponsabilidade de seu próprio povo”, afirmou Kissinger.

Um dia depois do golpe no Chile, Kissinger conversou com Nixon sobre o ocorrido. “Há algo novo, que seja de importância?”, perguntou o presidente. “Nada grave. A coisa do Chile é questão de consolidação e, é claro, os jornais são sangue por todos os lados porque um governo pró-comunista foi derrubado”, respondeu Kissinger, antes de agregar: “no período de Eisenhower (presidente norte-americano que forjou a doutrina segundo a qual os EUA deveriam intervir em qualquer país do mundo que sofresse influência soviética) teríamos sido heróis.” Nixon, receoso, perguntou: “Bom, como você sabe, nossa mão não pode ser detectada neste caso”. E ouviu de seu braço direito: “Claro. Não há nenhuma dúvida disso. Eu me refiro ao fato de que nós os ajudamos (trecho ilegível) a criar as condições mais favoráveis possíveis”. Nixon encerra a conversa dizendo: “Muito bom. É o que deveria ter sido feito.”

Mas Muñoz reconhece que o dramático golpe de 1973 também provocou inevitavelmente respostas positivas da sociedade. “O movimento global dos direitos humanos nasceu, em grande medida, em resposta ao 11 de setembro chileno. Hoje, acredito que a data lembra, além da dor da perda de vidas humanas e violações dos direitos humanos, a necessidade de conjugar mudanças sociais e consolidação da democracia”, disse.

A herança do 11/9

O Chile de hoje está construído sobre uma Constituição elaborada durante a ditadura, nos anos 1980. O país é democrático. A Carta, nem tanto. Ela “fossilizou” um sistema político binominal, como disse o jornal britânico Financial Times há uma semana. Só chegam a presidente os candidatos ligados aos dois grandes blocos políticos existentes hoje. De um lado, a Concertação – que governou o Chile por 20 anos, do fim da ditadura, em 1990, até o ano passado – de outro lado, a Coalizión por El Cambio, que em março de 2010 venceu as eleições, dando início ao primeiro governo de direita no Chile desde o fim do governo militar. E o primeiro de direita eleito democraticamente no país em 50 anos.

Para o chileno Claudio Fuentes Saavedra, PhD em Ciência Política pela Universidade da Carolina do Norte, a Constituição foi “um exercício de engenharia institucional elaborada em 1980, que transferiu a soberania popular a um corpo de representantes que, embora sejam eleitos, na prática, podem alterar as normas básicas de convivência nacional à margem de qualquer escrutínio cidadão”.

Prova disso é que o país amarga há quase quatro meses sua maior crise política desde a redemocratização. Milhares de estudantes pedem o fim do lucro na Educação e a melhoria da qualidade do ensino. Apesar de ter o respaldo de 80% da população, estas propostas não avançam. A Constituição proíbe a realização de referendos, plebiscitos e outras consultas populares diretas, salvo sob condições bastante estritas, como um impasse entre o Executivo e o Legislativo. Assim, o país segue imobilizado. Mesmo com o governo tendo a aprovação de apenas 26% dos chilenos.

Além da Constituição, os reflexos concretos do 11 de Setembro chileno também são perceptíveis no sistema hiper privatizado. Não existe nenhuma possibilidade de que um trabalhador chileno possa aderir hoje a um sistema público de aposentadoria. A saúde também é esmagadoramente explorada por planos privados. E nenhum estudante tem direito a estudar em uma universidade pública gratuita, salvo se conseguir acesso a uma bolsa de estudo.

O país levou a extremos inimagináveis o liberalismo econômico, encarnado pela geração dos Chicago Boys, discípulos do Consenso de Washington que fizeram do Chile um tubo de ensaio para uma abertura econômica sem limites, ainda durante a ditadura.

O país tem crescido a uma taxa de 6% ao ano, mas é um dos mais desiguais da América Latina. De acordo com Julio Berdegué, doutor em Ciências Sociais e pesquisador do Centro Latino-Americano para o Desenvolvimento Rural, quatro famílias do país detém o equivalente ao salário de 80% da população. A principal delas é a do presidente Sebastián Piñera, dona de uma fortuna avaliada em US$ 2,4 bilhões.

A matemática macabra do 11 de setembro – por marco aurélio weissheimer

A resposta dos EUA ao ataque contra o World Trade Center engendrou duas novas guerras e uma contabilidade macabra. Para vingar as mais de 2.900 vítimas do ataque, algumas centenas de milhares de pessoas foram mortas. Para cada vítima do 11 de setembro, algumas dezenas (na estatística mais conservadora) ou centenas de pessoas perderam suas vidas. Mas essa história não se resume a mortes. A invasão do Iraque rendeu bilhões de dólares a empresas norteamericanas. Essa matemática macabra aparece também no 11 de setembro de 1973. O golpe de Pinochet provocou 40 mil vítimas e gordos lucros para os amigos do ditador e para ele próprio: US$ 27 milhões, só em contas secretas.

 

O mundo se tornou um lugar mais seguro, dez anos depois dos atentados de 11 de setembro e da “guerra ao terror” promovida pelos Estados Unidos para se vingar do ataque? A resposta de Washington ao ataque contra o World Trade Center e o Pentágono engendrou duas novas guerras – no Iraque e no Afeganistão – e uma contabilidade macabra. Para vingar as mais de 2.900 vítimas do ataque, mais de 900 mil pessoas já teriam perdido suas vidas até hoje. Os números são do site Unknown News, que fornece uma estatística detalhada do número de mortos nas guerras nos dois países, distinguindo vítimas civis de militares. A organização Iraq Body Count, que usa uma metodologia diferente, tem uma estatística mais conservadora em relação ao Iraque: 111.937 civis mortos somente no Iraque.

Seja como for, a matemática da vingança é assustadora: para cada vítima do 11 de setembro, algumas dezenas (na estatística mais conservadora) ou centenas de pessoas perderam suas vidas. Em qualquer um dos casos, a reação aos atentados supera de longe a prática adotada pelo exército nazista nos territórios ocupados durante a Segunda Guerra Mundial: executar dez civis para cada soldado alemão morto. Na madrugada do dia 2 de maio, quando anunciou oficialmente que Osama Bin Laden tinha sido morto, no Paquistão, por um comando especial dos Estados Unidos, o presidente Barack Obama afirmou que a justiça tinha sido feita. O conceito de justiça aplicado aqui torna a Lei do Talião um instrumento conservadora. As palavras do presidente Obama foram as seguintes:

“Foi feita justiça. Nesta noite, tenho condições de dizer aos americanos e ao mundo que os Estados Unidos conduziram uma operação que matou Osama Bin Laden, o líder da Al Qaeda e terrorista responsável pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças.”

O conceito de justiça usado por Obama autoriza, portanto, a que iraquianos e afegãos lancem ataques contra os responsáveis pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças. E provoquem outras milhares de mortes. E assim por diante até que não haja mais ninguém para ser morto. A superação da Lei do Talião, cabe lembrar, foi considerada um avanço civilizatório justamente por colocar um fim neste ciclo perpétuo de morte e vingança. A ideia é que a justiça tem que ser um pouco mais do que isso.

Nem tudo é dor e sofrimento

Mas a história dos dez anos do 11 de setembro não se resume a mortes, dores e sofrimentos. Há a história dos lucros também. Gordos lucros. Uma ótima crônica dessa história é o documentário “Iraque à venda. Os lucros da guerra”, de Robert Greenwald (2006), que mostra como a invasão do Iraque deu lugar à guerra mais privatizada da história: serviços de alimentação, escritório, lavanderia, transporte, segurança privada, engenharia, construção, logística, treinamento policial, vigilância aérea…a lista é longa. O segundo maior contingente de soldados, após as tropas do exército dos EUA, foi formado por 20 mil militares privados. Greenwald baseia-se nas investigações realizadas pelo deputado Henry Waxman que dirigiu uma Comissão de Investigação sobre o gasto público no Iraque.

Parte dessa história é bem conhecida. A Halliburton, ligada ao então vice-presidente Dick Cheney, recebeu cerca de US$ 13,6 bilhões para “trabalhos de reconstrução e apoio às tropas. A Parsons ganhou US$ 5,3 bilhões em sérvios de engenharia e construção. A Dyn Corp. faturou US$ 1,9 bilhões com o treinamento de policias. A Blackwater abocanhou US$ 21 milhões, somente com o serviço de segurança privada do então “pró-Cônsul” dos EUA no Iraque, Paul Bremer. Essa lista também é extensa e os números reais envolvidos nestes negócios até hoje não são bem conhecidos. A indústria da “reconstrução” do Iraque foi alimentada com muito sangue, de várias nacionalidades. Os soldados norte-americanos entraram com sua quota. Até 1° de setembro deste ano, o número de vítimas fatais entre os militares dos EUA é quase o dobro do de vítimas do 11 de setembro: 4.474. Somando os soldados mortos no Afeganistão, esse número chega a 6.200.

A matemática macabra envolvendo o 11 de setembro e os Estados Unidos manifesta-se mais uma vez quando voltamos a 1973, quando Washington apoiou ativamente o golpe militar que derrubou e assassinou o presidente do Chile, Salvador Allende. Em agosto deste ano, o governo chileno anunciou uma nova estatística de vítimas da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990): entre vítimas de tortura, desaparecidos e mortos, 40 mil pessoas, 14 vezes mais do que o número de vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001. Relembrando as palavras do presidente Obama e seu peculiar conceito de justiça, os chilenos estariam autorizados a caçar e matar os responsáveis pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças.

Assim como no Iraque, nem tudo foi morte, dor e sofrimento na ditadura chilena. Com a chancela da Casa Branca e a inspiração do economista Milton Friedman e seus Chicago Boy’s, Pinochet garantiu gordos lucros para seus aliados e para si mesmo também. Investigadores internacionais revelaram, em 2004, que Pinochet movimentava, desde 1994, contas secretas em bancos do exterior no valor de até US$ 27 milhões. Segundo um relatório de uma comissão do Senado dos EUA, divulgado em 2005, Pinochet manteve elos profundos com organismos financeiros norte-americanos, como o Riggs Bank, uma instituição de Washington, além de outras oito que operavam nos EUA e em outros países. Segundo o mesmo relatório, o Riggs Bank e o Citigroup mantiveram laços com o ditador chileno durante duas décadas pelo menos. Pinochet, amigos e familiares mantiveram pelo menos US$ 9 milhões em contas secretas nestes bancos.

Em 2006, o general Manuel Contreras, que chefiou a Dina, polícia secreta chilena, durante a ditadura, acusou Pinochet e o filho deste, Marco Antonio, de envolvimento na produção clandestina de armas químicas e biológicas e no tráfico de cocaína. Segundo Contreras, boa parte da fortuna de Pinochet veio daí.

Liberdade, Justiça, Segurança: essas foram algumas das principais palavras que justificaram essas políticas. O modelo imposto por Pinochet no Chile era apontado como modelo para a América Latina. Os Estados Unidos seguem se apresentando como guardiões da liberdade e da democracia. E pessoas seguem sendo mortas diariamente no Iraque e no Afeganistão para saciar uma sede que há muito tempo deixou de ser de vingança.

À FLOR DA PELE – de ana vidal / lisboa.pt

 

 

 

Toco, teço e entrelaço

Com dedos de descobrir

Lanço redes num abraço

À flor da pele me desfaço

Na vertigem de sentir

Tudo é matéria, se é tempo

De epidérmicas razões

Danço num sopro de vento

Rasga-me cada tormento

Gelam, queimam, emoções

 

E todavia, invisível

Eterno e primordial

Corre o rio do intangível

Imperioso, indefinível

Matriz de tudo, afinal

A ARTE de BEIJAR – por lourivaldo baçan / são paulo

O dicionário diz que um beijo é “uma saudação feita tocando com os lábios apertados e separando-os, próximo do “alvo”, de repente.

Disto é bastante óbvio que, embora se possa saber algo sobre palavras, não se sabe nada sobre beijos.

Se nós formos descobrir o real significado da palavra beijo, ao invés de irmos pesquisar velhos alfarrábios e dicionários,deveríamos ir perguntar isso aos poetas que ainda têm o sangue quente da paixão da mocidade nas veias.

O grande segredo e a arte do beijo.

Coleridge chamava o beijo de respiração de néctar. Shakespeare dizia que um beijo é um “selo de amor.” Marcial, poeta romano, dizia que um beijo era “a fragrância de bálsamo de árvores aromáticas, o odor do açafrão abundando, o perfume saboroso de frutas maduras, os prados floridos pelo verão, o âmbar esquentado pela mão de uma menina, um buquê de flores que atraem as abelhas”.


Sim, um beijo é tudo isso… e mais.

Outros disseram que um beijo era: o bálsamo de amor; a primeira e última das alegrias; o idioma do amor; o selo de felicidade; o tributo do amor; o gole refrescante e o néctar de Vênus.

Sim, um beijo é tudo isso. . . e mais.

Um beijo não pode ser definido, simplesmente porque cada beijo é diferente do anterior e do que virá em seguida, da mesma maneira que nenhuma pessoa é semelhante à outra.
Assim, não há dois beijos semelhantes, porque são as pessoas que fazem os beijos. Pessoas reais, vivas, que pulsam com vida, amor e felicidade extremas.


TIPOS DIFERENTES DE BEIJOS

Claro que há tipos diferentes de beijos. Por exemplo, há o beijo que a pessoa devota deposita no anel do Papa. Há o beijo materno de uma mãe em sua criança. Há o beijo amigável entre duas pessoas que estão se encontrando ou estão se separando. Há o beijo que um rei exige de seus escravos.

Mas embora todos eles sejam chamados de beijos,eles não são os beijos a que vamos nos referir neste livro. Nossos beijos são o único tipo de beijos que vale a pena considerar: os beijos de amor. O beijo, talvez, que Robert-Bums tinha em mente quando escreveu:

Doces selos de afetos suaves, suaves preces de felicidade futura,querido laço de conexões jovens,o primeiro galanteio de amor, beijo de virgem.

A coisa surpreendente sobre o beijo é que, embora o gênero humano tenha beijado desde que Adão se virou e viu Eva próximo dele, não houve praticamente nada escrito no assunto.

Todos os anos são publicadas centenas de livros ensinando como fazer isso ou aquilo, como ganhar dinheiro, como conseguir um trabalho, como cozinhar, como escrever e até como viver.

Mas, da arte de beijar, escreveu-se muito pouco. Uma razão para essa falta de instrução formal é devida ao senso de moral vitoriano, que persistiu através dos tempos. Para os puritanos do passado, qualquer coisa que se referisse ao amor era sujo e pornográfico.

Os escritos de John Bunyan mostram o que esses puritanos pensavam do beijo. Ele escreveu, em ” The Pilgrim’s Progress”, que os beijos eram “as saudações comuns de mulheres que eu detesto. É odioso para mim sempre que vejo isso.

Quando eu vejo homens bons saudar essas mulheres que eles conhecem ou que visitaram, eu faço minhas objeções contra; e quando eles respondem que é apenas um pouco de civilidade, eu lhes falo que não é uma visão graciosa.

Realmente, algumas mulheres consideram o beijo santo; entretanto, eu lhes pergunto porque fazem diferenciações; por que saudam os homens belos e saudáveis e deixam passar os feios e doentes?”

Talvez o velho Bunyan pensasse desse modo porque era um dos feios e doentes que jamais foram beijados.

Mas, hoje em dia, as pessoas têm uma perspectiva mais ampla da vida. Nossos jogos estão se tornando mais civilizados e menos mortais. Nossas artes não são mais censuradas por leis. Livros estão sendo escritos sobre assuntos que nenhum autor antigo teria ousado pôr no papel.

Anticoncepcionais, divórcios e a ciência do matrimônio são assuntos comuns em livros. Até mesmo os vícios estranhos do gênero humano são expostos e discutidos e não mais mofam nas câmaras escuras da censura.

Sim, livros como o de Van de Velde, “Matrimônio Ideal” e o de Stope, “Amor Casado”, são abertamente vendido em livrarias.

Mas, em nenhuma parte nós encontramos um livro que instrua as pessoas na arte de beijar, uma arte que é absolutamente essencial para uma vida feliz, como discutiremos nos próximos capítulos deste livro.

Porque nós não estamos livres absolutamente das correntes do puritanismo? Em certas partes do país, foram presos homens por beijar as esposas na rua! Isto é civilização?

É por isso que este livro foi escrito. Para ser um manual do beijo.

Aqui nós vamos discutir a maioria dos métodos aprovados de beijar, as vantagens de certos tipos, as desvantagens de outros, as reações mentais e físicas de beijoqueiros, episódios históricos de beijos, junto com exemplos da literatura mundial na qual beijos foram o assunto. Assim, aprume-se, prepare seus lábios e vamos à arena dos beijos!

POR QUE AS PESSOAS BEIJAM?

O que acontece quando um homem e uma mulher se beijam?

Quer dizer, o que acontece em várias partes do corpo quando duas pessoas apaixonadas unem seus lábios em felicidade? Anos atrás, antes de nossos biólogos conhecerem a existência das glândulas em nossos corpos, um escritor citou um cientista que teria dito que “beijar é agradável porque os dentes, mandíbulas e lábios estão cheio de nervos e quando os lábios se encontram uma corrente elétrica é gerada “.


Que tolice! Que tolice absoluta!

Em primeiro lugar, duas pessoas se beijam porque estão satisfazendo uma necessidade dentro delas, uma necessidade que é tão natural quanto a de comida, de água e de conhecimento.

É a fome de sexo, que os dirige um para o outro. Depois dessa necessidade saciada, então vem a de uma casa, a de crianças e de felicidade matrimonial.Essa necessidade é instintiva, isto é, nós nascemos com ela, todos nós, e não podemosaprender ou podemos adquirir isso de alguma forma.

POR QUE BEIJAR É AGRADÁVEL?

Uma vez que essa necessidade de sexo oposto se comprova, acontece no corpo humano o que é conhecido como tumescência que, em idioma simples, é a contração rítmica dos vários músculos do corpo junto com o funcionamento de certas glândulas que a ciência esteve impossibilitada de definir quais eram.

Especialistas em glândula sabem,executando certas operações, que a suprarenal, a pituitária, a gônada e outras glândulas controlam o comportamento sexual de seres humanos.

São essas glândulas que reagem, que secretam os hormônios no sangue que, em troca, leva-os aos vários órgãos envolvidos na reação sexual.

Então, pode ser dito que é a satisfação parcial da necessidade de sexo que torna beijar tão aprazível. Eletricidade é usada para girar motores, acender luminárias e aquecer ferros-elétricos. Mas eletricidade não dá satisfação completa ao beijo. E chega de ciência estéril!

Nós temos pela frente uma leitura aprazível sobre a felicidade do beijo. Agora que aprendemos porque homens e mulheres se beijam, vamos entrar nos métodos usados para beijar, de onde vem realmente a satisfação desse prazer.

MÉTODOS APROVADOS DE BEIJAR

O único beijo que conta é aquele trocado por duas pessoas apaixonadas entre si. Essa é a primeira exigência do beijo que satisfaz. Um beijo é realmente a união de duas almas-gêmeas que estão juntas porque nasceram uma para a outra. A razão para isso é porque o beijo é a introdução para se amar o verdadeiro amor.

O beijo prepara os participantes para a vida de amor do futuro. É a fundação, o ponto de partida do amor sexual. E é por isso que a maneira como o beijo é dado se torna extremamente importante.

Ainda há jovens mulheres que acreditam que os bebês são o resultado de beijos! Este é um fato! E essa condição existe porque nossos pais ou ignoram os métodos de explicar sexo às crianças ou ficam embaraçados de fazê-lo.

O resultado é que as crianças obtêm a informação sexual nas ruas e ruelas ou então permanecem ignorante e acabam acreditando em mentiras e fantasias.

BEIJOS SÃO PRELÚDIO PARA O AMOR.

TEXTO 3 – por wagner de oliveira melo / curitiba

Corrompi todo o Código Penal Padre; deus sabe que tentei ficar em casa rezando. Mas elas estavam ali o dia inteiro, perdidas, sem nada fazer. Tentei ficar em casa, mas o diabo me corrompeu. Se falar do mal, a igreja tem algo a dizer: “de boas intenções o inferno está cheio, meu filho”; “ótimo!, então não há mais lugar para mim; parto sem fim, padre”. Quero viver, fazer o bem, remunerar o jovem trabalhador, forjar uma nação e contribuir para o espetáculo do crescimento. Uns gostaram, outras nem tanto, outros ainda… Nada. Peixinhos. A maioria nunca tem opinião; é apenas movida de lá para cá ao sabor do poder, delícia dos anos 30: uma fotografia de mulher seminua da cintura pra cima. Ainda mais com toda a ofensa aos bons costumes… Nada. Peixinhos. Somos todos cordeirinhos, “meu pai não me levou à zona, foi tudo sem crase, mamãe foi junto, ela trabalhava lá, tenho orgulho, foi o que pagou meu estudo, hoje, quando derramo a última lágrima do funeral, imploro por seu perdão, mamãe, as leis eram mais fortes, não pude ser o contador do bordel”. Não há mães e pais no mundo, somos todos nós abusadores de criancinhas, elas gostam, serão nós, seremos elas, juntas elas fazem a pressão subir, uma com o dedinho na outra, até que o casamento acabe com tudo. Sou pra casar, cada vez que cometo uma atrocidade penso, Maria, me salve, case comigo, por favor. Tudo é saudade, quando não está aqui, quem sou se não o mal, o mal que posso fazer, pensando no meu bem. Vice-versa. Melhor dizer o mal, sei que elas queriam mais que eu, mas eu sei, li, não fui assassinado quando o exército vermelho exterminou todos aqueles que usavam lentes, suspeitos de serem leitores, – crime capital, pena: eu agora querendo mais, elas lá fora, esperando o dia inteiro, uma apóia na outra, “eu gosto assim, faz pra mim”. Queria poder me culpar mais, queria o suplício; mas confesso e não blasfemo: a culpa é sua, por que não está aqui comigo? Vergonha? Deve ser, eu também teria, jamais me encararia, esses olhos negros não têm fim, a gente se perde neles; tenta-se fixar o olhar, impossível, os olhos negros não têm pupilas, é preto e branco, um na cozinha, outro comendo, sendo servido. Bocejando há horas, Maria, José, João, qual é mesmo o nome da insônia? Insônia é simplesmente desistir de dormir. Tomar remédios, desabar, insônia só amanhã de manhã. Cada qual em sua realidade; cada qual pensando em fazer o bem; cada qual submerso em seus pecados – os olhos talvez os escondam, talvez queiram mais, mais bem, mais bem, mais bondade. Incrédulos, gentes, nações e organizações acreditam que o bem resta estático, pontual, – amantes do pragmatismo, “vamos distribuir remédios na áfrica”, “cotas raciais”, “o meu bem deve prosperar, afinal é o bem, é a bondade, é a minha religião: o bem”. – Te sento a mão na cara moleque, mas é para o seu próprio bem. – Aprenda de uma vez por todas que não se pode falar palavrões à mesa, sem crase, toma, toma, mais essa, toma e fica quieto, já pro seu quarto, que hoje não te quero ver nem pintado nem crucificado: Jesus botava tanto medo em José que, quando este lhe deu a primeira porrada, um milagre aconteceu. Nomes bíblicos dão tesão; para uns a religião é o próprio pecado, para outros é apenas destruir imagens de gesso em cadeia nacional, há aqueles ainda que juram não a ter – (tome cuidado) a natureza não reage, mas se vinga, preserve-a.

7 de SETEMBRO: “Liberdade é pensar por si mesmo” – por brizola neto / rio de janeiro

Toda hora a gente ouve os economistas e os comentaristas falarem dos “fundamentos da economia”. E da velha regra de que quando a demanda cai, a produção cai e os preços, idem.
Lógico, isso reduziria a inflação, não é?
A obviedade, porém, não resiste à prova dos fatos.
Quem tem mais de 40 anos e viu, já adulto, a espiral inflacionária, sabe que o poder de compra do povo brasileiro caía, caía e os preços, ao contrário, subiam, subiam.
Mesmo depois do Plano Real, o combate à inflação sempre foi o argumento usado para proteger a mais vergonhosa espoliação do nosso país.
Em nome dele, endividou-se o nosso país a níveis inacreditáveis. Desde lá, até 2001, nosso endividamento passou de 15 para 55% de toda a riqueza produzida no país. E pagamos, neste período, mais de 200% de juros reais, líquidos, descontada a inflação.
Isso não é aplicação financeira, é prática de agiotagem.
Há mais de 40 anos praticamos uma política que, quando consegue – e foram raras as vezes em que conseguiu – dar algum impulso à economia, o fez à custa da renda do trabalho e do desenvolvimento soberano do país.
Faz pouco tempo que isso mudou. E olha que nem mudou tanto.
Na segunda metade de seu primeiro mandato, iniciado com um país combalido, o Governo Lula passou a ensaiar um caminho diferente, que se consolidou e afirmou como rumo permanente no seu segundo mandato, notadamente a partir da crise de 2008.
Conservamos o regime de metas de inflação – um mandamento divino, na visão de nossos conservadores – mas colocamos ao lado deles metas – embora menos formais – de crescimento do emprego, do salário-mínimo e da economia como um todo.
O dia da independência deve nos trazer à mente uma reflexão serena, mas corajosa.
Algo só perde valor quando este valor se transfere para outro lugar, porque valores materiais não se evaporam.
A grande perda da economia brasileira não é a inflacionária, embora a inflação não deva ser tolerada tanto por seu poder corrosivo sobre a renda do trabalho quanto pela perda de referências que isso traz.
A grande perda do Brasil é exaurir suas riquezas, as da natureza e do trabalho humano, alienando-as da sociedade e retirando-as da circulação interna em que teriam um efeito multiplicador.
Agora, que o destino nos aquinhoou com uma imensa massa de petróleo, que representa uma possibilidade de recuperarmos uma parte, apenas uma parte, de tudo o que já se levou deste país, agridem e sabotam nossa maior e mais lucrativa empresa.
A política de defesa do poder de compra e das riquezas nacionais é atacada como quando, ao atirar em seu próprio peito, Vargas acusou:
“Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente”.
Os tempos, nestes quase 60 anos mudaram. A equação, não.
Os países podem emergir sem rupturas. A China recompôs os laços com o mundo que a revolução havia rompido. A Índia jamais rompeu abruptamente suas relações, embora sejam dolorosas as marcas de seu passado colonial.
Mas jamais poderão emergir pensando pela mente alheia.
Como um ser humano, um país precisa amar e respeitar a sim mesmo, encontrar sua identidade, aprender a conviver com os demais em harmonia fraterna, mas jamais injusta.
Um pequeno gesto, mínimo mesmo, em defesa de nós mesmos, como foi a redução de meio – apenas meio por cento! – por cento nos juros que pagamos, os mais altos do planeta, despertou uma fúria insana contra uma política econômica que, no essencial, tem seguido as regras da “cartilha”, produzindo superávits e apenas cortando com prudência os exageros da especulação.
Temos uma elite feroz, que infelizmente conseguiu espalhar sua ideologia aos setores da inteligência brasileira que, em troca de ser cosmopolita de segunda ou terceira categoria, deixou de nos ver como um só país, uma só nação, um só povo.
O dia da pátria nos traga, em lugar de um nacionalismo formal e vazio, a ideia de que essa mãe deve ser gentil a todos os brasileiros.
E que acreditemos que esse país, enorme e rico como é, tem não arenas o direito, mas o dever de trilhar um caminho próprio. Um caminho onde seu povo não seja mais excluído.
O seu caminho inevitável, como a nossa história está desenhando.

DANIEL DANTAS, o banqueiro porco, QUER PROCESSAR E AMEAÇAR OS LEITORES do jornalista PAULO HENRIQUE AMORIM / são paulo

Juíza Quintela se recusa a fazer censura e derrota Dantas

Juíza Andrea Quintela, da 23ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro,rejeitou pedido de indenização por danos morais e materiais, promovido por Daniel Dantas contra o jornalista Paulo Henrique Amorim. Acolhimento do pedido, diz a sentença, “revelaria um tipo de censura e um retrocesso inadmissível”. Juíza também rejeitou pedido para identificação dos IPs de leitores do jornalista avaliando que “o mesmo revela mais um intuito de ameaça aos leitores e ao réu”.

Paulo Henrique Amorim – Conversa Afiada


O advogado Cesar Marcos Klouri, que defende este ansioso blogueiro nas ações cíveis com que pretendem censurá-lo  “as 37 ações que movem contra Paulo Henrique Amorim , ou diz-me quem te processa e dir-te-ei quem és” – acaba de enviar a íntegra da sentença proferida pela juíza Andrea Quintela, da 23ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro – RJ, nos autos do processo nº 0389985-84.2009.8.19.0001, promovido por Daniel Valente Dantas.

[Nota da Redação]: A magistrada rejeitou o pedido de indenização por danos morais e materiais , feito por Daniel Dantas, considerando que “o acolhimento do pedido do autor revelaria, na verdade, um tipo de censura, um retrocesso inadmissível que esta magistrada não endossará”.

A juíza Andrea Quintela também rejeitou o pedido do autor da ação para a identificação dos IPs de leitores do réu “com o objetivo evidente de identificá-los: tais pessoas não são parte nesta ação, inexistindo portanto amparo legal para o pedido”. “Ademais, parece-me que o mesmo revela muito mais um intuito de ameaça aos leitores e ao réu, e menos a verdadeira intenção de identificá-los”.

“Brinquedos Proibidos” de René Clement – por mônica benavides / curitiba

Hoje assisti ao belíssimo “Brinquedos Proibidos”, um filme de René Clement, com uma fantástica trilha de guitarra do Narciso Yepes.

Carregado em dramaticidade porém livre de pieguices, como a maior parte da escola realista francesa do pós-guerra, “Le Jeux Interdits” no original, conta a história de Paulette uma menininha francesa na época da ocupação alemã (1940).

Órfã, a menina vaga pela França carregando o corpo de seu cachorrinho morto, até ser encontrada por um menino, Michel Dolle, filho de uma rude e ignorante família camponesa. Apesar da intensa dificuldade de adaptação de Paulette, ela verá no novo amigo a possibilidade de entender e sobreviver ao desmoronamento de seu mundo.

O filme tem um final previsível, porém assustador, que faz pensar muito no que aconteceu com as crianças órfãs da segunda guerra, e na incrível e insuperável capacidade que a raça humana tem, de superar os momentos de mais completo desespero, através da simples esperança.

Clement conseguiu separar bem o mundo adulto, cheio de mesquinhez e ódio, do infantil carregado de ternura e inocência. Mesmo caricatural sua crítica social é tocante e a separação das crianças angustiante. Como se não bastasse, mesmo datada a interpretação dos pequenos é maravilhosa.

 

O filme, apesar de recusado por Cannes (absurdamente), ganhou o reconhecimento do mundo com um Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e com o Leão de Ouro em Veneza no ano de 1952 (merecidamente), suprema recompensa e menção especial do juri “…por ter elevado a uma singular pureza lírica a inocência da infância acima da desolação da guerra…”

 

Em tempos como o nosso de conflitos velados e pseudo guerras cirúrgicas, o filme realmente consegue a proeza de marcar nossa alma com um selo de intensa bondade e anti-belicismo.

 

Recomendadíssimo!!!!!

PRONTOFALEI – por pero vaz de caminha / do além

Quando fui convidado a assumir o cargo de escrivão oficial da Armada de Cabral, fiquei deveras honrado. Pareceu-me uma tarefa gloriosa: relatar às Cortes de Lisboa o que encontraríamos no caminho para as novas índias. Não confundir com o novo caminho para as Índias. Era razoável vislumbrar que eu me candidatara, naquele momento, a ser o escritor de uma das páginas mais importantes da história da humanidade. Não achei desmedido sonhar com o Pulitzer.

Foi-me entregue a estrutura que pedi, me deram boas condições de trabalho. Não tenho do que me queixar.  Mas as coisas não saíram como planejadas. Pelo menos não na cobertura da expedição. Logo depois da nau recolher a âncora, vazaram alguns tuítes que quase comprometeram a empreitada. Num deles, um tripulante perguntava se em Pindorama a voltagem era 110 ou 220. O que fez muita gente duvidar do real coeficiente de aventura que envolvia nossa expedição.

Vi que ia ser difícil tomar conta da situação. Todos que estavam a bordo eram potenciais concorrentes, senão à glória jornalística, à atenção da corte e do povo. Munidos de telefones com câmeras, cada marujo começou a emitir sua versão da expedição. Não deu outra. Em pouco tempo, alguns ganharam fama repentina escrevendo como um Cabral gago. Vai entender as coisas que funcionam nas redes sociais. Outros arrastaram hordas de seguidores simplesmente sacaneando os meus posts. Um engraçadinho propôs a rashtag #lugaresparaprimeiramissa e a partir dali as timelines foram tomadas de todo tipo de sugestão. A que mais me causou graça foi: na Igreja Universal.

Enquanto isso, eu tentava impressionar a corte e a plebe com posts longos, rebuscados e de pífia repercussão. É duro ser oficial. Antes de publicar qualquer coisa, é preciso apurar, conferir as fontes, passar pelo crivo do editor e depois pela revisão. Vocês não imaginam o trabalho que dá publicar uma simples informação objetiva como esta: quarta-feira, 22 de abril: Neste dia, a horas de vésperas, houvemos vista de terra! Primeiramente dum grande monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao sul dele: e de terra chá, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão pôs nome:O MONTE PASCOAL e à terra: a TERRA DA VERA CRUZ. Até esse processo todo se concluir, alguém já te fura dando umcheck-in no foursquare.

Quando fui abrir minha conta no Twitter, o @caminha não estava disponível. Tive de me contentar com o @caminharealmesmodeverdade. Ficou claro que não seria fácil arregimentar seguidores. O Caminha fake era muito mais divertido e sem compromissos. Propus à Corte promover o sorteio de alguns iPads para mantermos o interesse do público pelo relato oficial nas redes sociais. Mas o rei falou que o momento português não recomenda esse tipo de investimento e que para comprar tais artefatos teria de pedir dinheiro emprestado aos bancos europeus.

De qualquer forma, não tenho muito a lamentar. Um ano que já teve Primavera árabe, tsunami no Japão, morte do Bin Laden, falecimento da Amy, massacre de Oslo, chacina no Realengo, enchentes na Serra Fluminense, crise dos mercados financeiros, rebaixamento da nota da dívida americana, queda do Kaddafi e assassinato da Norma, os relatos da descoberta de uma nova sede para eventos esportivos mundiais não permaneceriam nem 15 minutos nos Trending Topics.

 blogdoalém.

Consciência Democrática – O que é isso? – por rui rodrigues / são paulo

 

Acreditamos na humanidade. Não acreditamos que a humanidade seja pecadora desde a nascença. Acreditamos na boa vontade entre homens e mulheres, Não acreditamos que a violência possa resolver algum conflito, porque nada nesta vida é eterno. A história Universal é prova do que dizemos.

Não representamos nenhuma ideologia em particular, nem partido político, nem nenhum político, filósofo, religião, empresa ou nação. Nem a nós mesmos nos representamos. Pelo contrário, cada um de todos nós, que compomos a humanidade tem a sua consciência do que deseja de bem para si mesmo e para a humanidade.
Acreditamos que o progresso do mundo, sem guerras nem violência de qualquer natureza, sem partidarismos, sem excessos, pode ser muito maior e proveitoso se os recursos dos impostos puderem ser canalizados para as maiores necessidades da população: Infra-estruturas, Saúde Pública, Trabalho, Transportes, Saúde, Pesquisa, Sustentabilidade, Educação. Tem sido enorme o desperdício de verbas em corrupção e guerras que atrasaram o progresso e a evolução da humanidade.
Não vemos outra forma efetiva de melhorar o mundo senão através da palavra de cada ser humano expressa pelo voto instantâneo, dado ou retirado a qualquer instante, podendo eleger/deseleger e aprovar/desaprovar.
Ideologias, algumas extremistas, e líderes que as seguem mais ou menos estritamente, demonstraram ao longo da história que não conseguiram resolver qualquer problema sério da humanidade.
A palavra deve ser dada à humanidade independente.
A humanidade espera a sua vez de falar e se fazer ouvir.
O mundo tem que provar que pode ser melhor.

Como funciona a Democracia Participativa?

Se extraterrestres chegassem ao nosso querido planeta e comparassem as democracias que existissem tal como são hoje, com países onde se aplicasse a Democracia Participativa, não veria diferenças aparentes. Teria que se aproximar o bastante para ver o comportamento das populações nas ruas, no interior de suas casas, em seus ambientes de trabalho, no campo. As diferenças fundamentais entre as duas democracias estão na qualidade de vida, na felicidade dos cidadãos, na motivação, na alegria de saberem que estão construindo algo de útil sempre para o futuro da sobrevivência humana, do planeta, da vida em geral, e que não há diferenças sociais gritantes. Não há guerras, não há movimentos de reivindicação pelas ruas, que o policiamento foi reduzido, que os hospitais atendem normalmente e não há deficiências nos serviços. Nem em hospitais, nem nas escolas, universidades e centros de pesquisa. Nem há pobres mendigando pelas ruas. E que nesses países, onde se aplica a Democracia Participativa, também existem grandes empresas, gente rica, mas não gente pobre nem miserável. Verão um planeta que sabe conviver com a biodiversidade, que tem as suas reservas para a vida selvagem, onde animais não são caçados nem maltratados.

Como funcionaram os governos desde o inicio da humanidade até hoje?

Os livros de História Universal contam a história da Humanidade. Uma consulta, mesmo simples, nos diz que desde cerca de 12.000 anos, o poder se estabeleceu pela necessidade de gerir grupos humanos que variavam de 60 indivíduos, no começo da humanidade, até cerca de 10.000 quando se descobriu a agricultura que permitiu a concentração maior de massas humanas, pela disponibilidade de alimento. Geralmente este poder de uma pequena parte do grupo sobre a maioria, foi exercido pela força das armas, ou pela submissão consentida, baseada na religião, que propagava a idéia de que o Rei ou soberano tinha origem divina. Muitos governos, ou quase todos os da antiguidade, como os de Roma, Grécia, Egito, eram baseados no poder divino de deuses folclóricos inventados para governar através de doutrinas dos religiosos que amedrontavam as populações com os poderes divinos. Quase todos os governos eram Teocracias, isto é, os chefes de governos eram também sacerdotes.
Porém, cerca do ano 400 AC, apareceu na Grécia um modelo novo de governo: Em praça pública, aos cidadãos lhes era perguntado se apoiavam ou não uma lei do governo, um projeto de uma nova rua, de criação de impostos, e lhes eram explicadas as razões de sua necessidade. Levantando os braços, a população determinava pela maioria de braços levantados, o que apoiava ou não, se elegia, ou retirava de cargo público. Mas outros interesses, que não os da população, se impuseram, e um grupo que posteriormente foi identificado como “sofistas”, acabou com esta linda democracia. Era a Democracia Participativa, porque o povo participava dela. Deixou então de participar. O povo passou a assistir ao que os governos determinavam sem poder interferir. Cidadãos de todas as classes passaram a, passivamente, assistir à sua exploração sem terem uma palavra que pudessem gritar pelas ruas e lares, contrarias à vontade dos governos. Deram depois novos nomes a várias formas de governo, mas em nenhuma delas o povo tem realmente voz ativa, mesmo elegendo os seus “representantes” a cada quatro anos com voto isolado, órfão, ineficiente, solitário.
Não podemos dizer que o mundo não evoluiu. Evoluiu sim, mas como os deuses eram guerreiros, e o poder exercido pela força inventou-se mitos de que a humanidade tinha sido “fabricada” com pecados originais e tinha sido castigada pelo deus criador. O deus guerreiro castigava e a humanidade tinha-lhe medo. Não só a deuses a humanidade tinha medo, mas também e de forma mais imediata ao governo com o seu poder das armas e de apedrejar, matar, confiscar bens, criar impostos extorsivos. Isto aconteceu até cerca do ano 1.500 de nossa era, quando o Feudalismo chegava ao fim. No Feudalismo, um senhor nobre era o “suserano”, submisso ao rei, que tinha terras doadas pelo rei, e governava essas terras e os escravos que pertenciam às terras e não podiam ser vendidos sem elas. Como as terras eram muitas e situadas em lugares diversos, cada suserano podia ter os seus “vassalos”, senhores daquelas terras, que recolhiam a maior parte dos lucros dos seus escravos, artífices e artesãos.

De lá para cá, houve um movimento para que o povo fosse mais participativo, como a Revolução francesa do século XVI, que se baseava na liberdade, na Igualdade e na Fraternidade, mas não foi adiante. Em 1917, a humanidade assistiu a um novo amanhecer com a revolução russa instaurando o comunismo, mas em menos de cem anos, ficou reduzida a três países por não conseguir resolver os principais problemas da humanidade,

A partir de 2008, assiste-se ao auge daquela forma de governo que se iniciou há cerca de 12.000 anos atrás: O capital das grandes empresas e dos Bancos domina os Partidos Políticos. Estes, com as verbas do capital dessas empresas e dos Bancos, indica os políticos que ocuparão os cargos no governo. Quando eleitos, dependem da vontade dos Partidos. Nos corredores dos palácios dos governos, existem indivíduos especializados a que chamamos de lobistas, que cuidam dos interesses daqueles Bancos e daquelas empresas que pagaram os custos da eleição dos representantes dos partidos… Todo o governo a serviço do capital das empresas e dos Bancos.

Não há um só Lobby dos cidadãos nesses corredores. A corrupção é geral, instaurou-e a ditadura democrática de governos “democráticos”. Enquanto a Suíça e a Islândia usaram as redes sociais da Internet para aprovarem pelo voto dos cidadãos as suas constituições, ainda não completamente democráticas, e a Espanha reclama a sua oportunidade de ter uma constituição assim, aprovada popularmente; enquanto todo o Norte de África de tradição fortemente muçulmana pede a democracia plena aprendida pelas redes internacionais da NET, no restante do mundo assiste-se a dois panoramas: a dos três ou quatro pequenos países comunistas onde reinam ditadores que somente pretendem largar o poder quando morrerem; e uma imensa parte da humanidade, o restante, que, ou por ignorância como em África, ou com todo o conhecimento disponível, como na Europa, Oceania, Ásia e Américas, não perceberam ainda que seu padrão de vida esteja seriamente ameaçado, sua liberdade condicionada, o trabalho ocupando a maior parte de suas vidas, apesar dos distúrbios e movimentos recentes na Espanha, na Grécia, em Portugal, no Chile, na Inglaterra, e no rebaixamento dos governos dos EUA e da Inglaterra no índice de risco de aplicação financeira estabelecidos por agências especializadas na análise da capacidade de governos de honrar suas dívidas do capital.

Qual o segredo, então, da Democracia Participativa e porque não existe ainda?

Não existe ainda porque há doze mil anos os governos se impõem sobre os cidadãos, ora movidos pela força, ora pela religião, ora pelo capital, ou simplesmente pela vaidade pessoal no poder. Estes quatro grandes motivos para a perpetuação do governo de uns poucos sobre multidões tem-se perpetuado, sem que, a cada novo governo, não ficassem os resquícios da inércia que movia os regimes anteriores. O povo, a população, os cidadãos, contribuem sempre para os governos na expectativa de que algum dia, um deles olhe devidamente para o povo e lhe pergunte o que o povo quer… Até hoje, está patente que isso só aconteceu em Atenas há 2.500 anos…

A democracia participativa tem muitos segredos que nunca quiseram desvendar, e nunca foi devidamente explicada pelos professores. Parecia impossível até o advento da Internet e das redes sociais. Hoje vemos que é a mais fácil forma de governar, a mais simples, a mais eficiente, capaz de eliminar dos governos os vícios que os acompanham há milhares de anos. A democracia participativa obriga á consulta popular pelo voto.

Que cidadão votaria contra a melhoria das escolas e estabelecimentos de ensino, da educação, da saúde pública, das estradas, das infra-estruturas como água, esgotos, energia elétrica… Ou dos centros de pesquisa, da qualidade de vida, dos transportes, da preservação do planeta, da qualidade das plataformas continentais…?

Que cidadão votaria a favor de uma guerra sem motivo forte de antes ter sido atacado em seu próprio território?

Que cidadão votaria na porcentagem de impostos a ser aplicada sobre seu trabalho e seus lucros, sem primeiro ter aprovado o orçamento prévio que os justificasse?

Que cidadão votaria nos altos salários dos eleitos para o governo, em suas mordomias, se não os representam realmente?

Deite sua cabeça no travesseiro e medite sobre uma sociedade dizendo o que quer que o governo faça, em vez de fazer o que obrigam a fazer… Pense nisso, e pense também o que modificaria no modo de vida se pudesse votar o que o governo vota nos palácios sem que consulte mais do que quinhentos cidadãos, todos estes comprometidos com seus partidos que por sua vez se comprometem com o capital que lhes é dado para as eleições.

MATÉRIA DA MEMÓRIA – por olsen jr. / ilha de santa catarina



   Cinco pessoas à mesa. Na minha frente uma mulher, no lado direito outra mulher e um homem e à esquerda outro homem. Três pizzas tinham sido pedidas, duas salgadas, com vários sabores de acordo com o gosto de cada um e uma terceira, doce. No momento estamos tomando um vinho, acompanhado de água como deve ser. O vinho é o “Escudo Rojo”, amadeirado, forte de buquê generoso do país vizinho, a argentina…

Foi aquela associação que me trouxe a lembrança nas fotografias de um álbum de parede fixadas embaixo da escada que levava ao segundo piso, uma em que apareço sentado num banco de tijolos em uma Praça em Buenos Aires. Cabelos longos, barba escura, uma bolsa de couro marrom à tiracolo contrastando com a camisa jeans e ao lado meu filho, com uma camisa xadrez, brinca com o relógio de pulso e olha desafiadoramente para o futuro naquele momento determinado pela lente da máquina fotográfica manipulada pela mãe dele…

Havia perguntado para ela, minutos antes, se ela se lembrava de quando a gente levava aquela menina ali no colo? “Sim, afirma, e também jogava xadrez” disse, apontando para a fotografia em que aparece junto a uma mesa e a nossa filha com três anos, compenetradíssima faz o gesto de mover uma peça tendo aos fundos uma cópia que fiz de um Cartão de Natal dos Beatles em tamanho gigante e que parece vai abraçar as duas naquela mesa onde estão…

Olho então para ela, a mãe deles, que se movimenta ali na frente, tendo na parede lateral, um pôster em que aparece com um blazer branco, foto de meio corpo, num grande momento de sua carreira na televisão e lembrando a atriz americana Lauren Bacall…

Depois penso já se passaram mais de 30 anos… A barba e o cabelo embranqueceram. Aquele garoto se transformou em um empresário e a menina uma intelectual… Ambos casados e com suas próprias teses sobre a existência, religião e o mundo… Demos o exemplo e eles não se distanciaram, talvez aqui e ali, mas sem prejuízos morais para eles e o grupo, a família estava reunida para mostrar isso…

Semelhante àqueles Clãs nórdicos de onde descendemos, os mais velhos, nós os pais, nutrimos uma satisfação interior (raramente demonstrada em público porque os vikings são econômicos em suas emoções) por todos terem seguido o seu próprio caminho… Assim, as reuniões são festivas, risonhas e repletas de afirmações que sugerem segurança e determinação…

Evito o termo “felicidade”, mas nada impede de estar alegre naquele momento quando uma gata persa que andava rondando a mesa desconfiada decide se aninhar no colo da dona da casa como a dizer, estou aqui e também faço parte da família!

 

A RIVAL – zuleika dos reis / são paulo


 

Criei-te rival

odor transpirando

na pele do homem

que chamei de meu

sem poder para arrancar-te

de nós.

 

Criei-te outra fêmea

para o prazer do homem

que me chamou de sua

sem poder para arrancar-te

de mim.

 

Em nós

uma grande brecha

para abrigar-te assim

imensa como és.

 

Mulher assim transbordante

deste imaginário

na cama do homem

que em noites incontáveis

invisíveis

no sêmen

de segundos

foi entranha em mim.

 

Talvez por tão bela

antiga como não fui

talvez pela fragrância

na pele

no rosto

dos versos

Cântico dos Cânticos

 

mulher, quero amar-te

não por ti

não mais que

pela suspeita

de também habitares

a saudade do homem

que em noites incalculáveis

no bater dos segundos

do tempo  que não existe

chamei de homem meu.

Revelações no crepúsculo / de tonicato miranda / curitiba


 

a tarde cai de mansinho

saiba caem folhas de mim

vou me desfolhando no jardim

sou as folhas presas no ancinho

 

confesso jamais estive em Teerã

estou nas tristes folhas do galho

voando vou até mais um orvalho

quando a noite pousar na manhã

 

preso estou nesta janela e na dela

a esperar telefonemas ao meio dia

pois me encontre lá na chuva fria

serei o dedo esfregando a remela

 

a tarde vai, nada há mais para ver

o Sol foi brilhar outro lado do fim

deixou brotos de tristezas em mim

sou sorvete demorando a derreter

 

a tarde vai, morrerei no escurecer

serei na noite prisioneiro da ferida

terei aqui apenas palavras e bebida

pode até a luz não mais aparecer

 

a tarde se foi, é imensa a tristeza

rezo, não rezo, rezo por ninguém

darei de graça meu último vintém

comprarei com milhões sua leveza

 

Tarde! Demore-se mais por aqui

queria parir este último poema

dizer a ela da caçada a seriema

após tê-la nas mãos deixei-a fugir

 

Tarde esta foi mais uma bobagem

precisava revelar o novo dilema

amo a vela, não é tolice de cinema

tola é a vida, mas bela a viagem

 

Ah tarde, agora pode ir embora

já disse tudo, chutei muitos baldes

disse coisas na sala, nos arrabaldes

no quarto do olhar e até porta afora

 

A queda dos juros – por paulo nogueira batista jr / paris

Escrevo de Paris, leitor, onde estou para reuniões do G-20 e do FMI. Essas reuniões costumam ser longas e penosas. A primeira durou dez horas! Já havia resolvido não escrever a coluna para este sábado.

Eis que fui surpreendido pela decisão do Banco Central de reduzir em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juro. Bela surpresa. Ora, o economista que vos escreve passou anos e anos reclamando da política de juros do Banco Central. Nada mais justo, nada mais apropriado do que fazer um esforço especial para escrever hoje – mesmo depois de uma reunião de dez horas.

Pega no contrapé, a turma da bufunfa deve estar ventando fogo pelas narinas. Daqui de longe, fico imaginando investidores e economistas de banco dando os proverbiais arrancos triunfais de cachorro atropelado. Mas a decisão do Banco Central foi correta, e traz mais benefícios do que custos e riscos, no meu entender.

O Banco Central usou três argumentos para explicar a sua decisão: a) a marcada deterioração do cenário internacional; b) a desaceleração da economia brasileira; e c) a revisão do cenário para a política fiscal.

O principal argumento é o primeiro. Alguns críticos da decisão estão dizendo que o Banco Central exagerou na descrição do quadro externo. Parece bem claro, entretanto, que a piora do contexto mundial, principalmente nos EUA e na zona do euro, foi realmente abrupta; eu diria mesmo: dramática. Falei a esse respeito na coluna de sábado retrasado.

O meu local de trabalho, a diretoria do FMI, é um ponto de observação privilegiado. Posso lhe assegurar, leitor, que o clima no Fundo é de extrema preocupação, quase alarme. Teme-se que a economia dos principais países desenvolvidos possa sofrer uma crise semelhante àquela que ocorreu depois do colapso do banco Lehman Brothers em 2008.

O que não poderia acontecer de modo algum era o Banco Central repetir o seu comportamento daquela ocasião. Em 10 de setembro de 2008, a taxa básica de juro havia sido aumentada de 13% para 13,75% no Brasil. Menos de uma semana depois, no dia 15 de setembro, veio o colapso do Lehman, fato que desencadearia uma crise financeira em escala global com forte efeito recessivo na economia brasileira. Mesmo assim, numa inexplicável inércia, o Banco Central manteve a taxa em 13,75% nas reuniões de outubro e dezembro, reduzindo a taxa apenas em janeiro – só depois que o nível de atividade econômica despencou no Brasil!

Recorde-se que, naquela época, antes de sofrer o violento choque externo, a economia brasileira vinha crescendo rapidamente. Agora, ao contrário, ela se encontra em franca desaceleração. Mais uma razão para se antecipar aos fatos e começar a reduzir, desde logo, a estratosférica taxa de juro brasileira. Diga-se de passagem que, mesmo depois dessa redução, ela ainda é, e por larga margem, a mais alta do mundo em termos reais.

A chave é manter uma política fiscal ultradisciplinada, o que permitirá continuar diminuindo a taxa de juro gradualmente. Até agora os resultados das contas públicas são favoráveis: o superávit primário tem sido maior e o déficit nominal, menor do que em 2010. O governo acaba de aumentar a meta para o superávit primário em 2011, um movimento programado para dar cobertura à redução dos juros.

A queda da taxa de juro ajudará no equilíbrio das contas públicas ao reduzir o custo da dívida pública, inclusive o de carregar as reservas internacionais do país. Além disso, juros menores combinados com controles de capital e medidas macroprudenciais ajudarão a corrigir o grave problema da sobrevalorização cambial.

Abriu-se uma oportunidade para corrigir o mix de políticas monetária e fiscal no Brasil, um problema antigo que causa distorções importantes. Com a Fazenda e o Banco Central atuando de maneira coordenada, essa oportunidade pode ser aproveitada com grandes benefícios para o desenvolvimento do país, notadamente a superação do custoso binômio juro alto/câmbio sobrevalorizado que nos atormenta há décadas.

Mais de 400 mil saem às ruas pedindo justiça social em Israel / tel aviv

TEL AVIV/AP

Milhares de israelenses se mobilizaram neste sábado e saíram às ruas centrais de várias cidades exigindo mudanças na política econômica do governo Netanyahu. A maior manifestação ocorreu em Tel Aviv, onde cerca de 300 mil pessoas se reuniram na praça Kikar Hamedida, no centro da cidade. Os manifestantes levavam cartazes e faixas com o slogan “O poder do povo” ou com mensagens para o primeiro ministro “Bibi Netanyahu, vá para casa”, e gritavam consignas como “Queremos justiça social”.

 

Apesar do recrudescimento da situação em Gaza, milhares de israelenses se mobilizaram neste sábado e saíram às ruas centrais de várias cidades em defesa de reformas no sistema econômico e educacional, de uma mudança na legislação trabalhista e da baixa de custos para adquirir ou alugar uma moradia, produto da política neoliberal do ministro Benjamín Netanyahu.

Segundo os organizadores, mais de 450 mil pessoas participaram dos protestos – número superior as 300 mil que saíram às ruas no mês passado – naquela que foi considerada a maior manifestação da história de Israel por motivos não vinculados ao conflito no Oriente Médio.

Ainda que o cartaz de convocação da manifestação afirmasse, em um jogo de palavras, “Eles só entendem números”, os organizadores insistem que o êxito do protesto não deve ser medido unicamente pelo número de participantes. O ministro da Defesa, Ehud Barak, disse que só 100 mil pessoas participaram dos protestos.

A maior manifestação ocorreu em Tel Aviv, onde cerca de 300 mil pessoas se reuniram na praça Kikar Hamedida, no centro da cidade. Os manifestantes levavam cartazes e faixas com o slogan “O poder do povo” ou com mensagens para o primeiro ministro “Bibi Netanyahu, vá para casa”, e gritavam consignas como “Queremos justiça social”.

“Queremos só uma coisa, que não é fácil, mas simples, viver neste país. Não só queremos amar o Estado de Israel como já fazemos, mas sim existir aqui com dignidade e viver aqui dignamente”, disse Shmuelei, um dos líderes do movimento de protesto.

“Eles nos disseram que o movimento estava parando. Hoje estamos mostrando que é o oposto. Nós somos os novos israelenses, determinados a continuar a luta por uma sociedade melhor e mais justa”, disse o presidente do sindicato dos estudantes, Itzik Shmuli, à multidão.

Netanyahu designou um comitê liderado pelo economista argentino Manuel Trajtenberg para analisar mudanças sócio-econômicas. Trajtenberg disse que apresentará suas recomendações no período das próximas festas judaicas, no final de setembro.

Pagina/12

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

MALABARISTA – de wagner oliveira de melo / curitiba

Malabarista!
Eu sou você!
Destino ou acaso, quem é que decide?
Tortas ou retas, todas as linhas levam pro mesmo lugar. ( Afirmação ingrata).
No cartório, com nome e sobrenome legalizaram o aborto.
-Vai meu filho ser malabarista nessa vida!
Embora pequeno, já é adulto aquele menino. Vestindo a camiseta da ganância, todas as tardes ele compartilha suas moedas escassas com aquele espelho d`água; e sob o reflexo narcisista dos edifícios, repete o pedido de ontem, o mesmo de amanhã.
Voar, voar!
Tão alto quanto os edifícios, mais alto ainda, muito além das faces que se escondem atrás dos vidros escuros, olhos escuros, óculos escuros. Negligênciando, vilipendiando, atropelando a sua imagem e semelhança.
Eu sou você sem querer ser.

revista “VEJA” o conteúdo do ano! / são paulo

 

SUFICIENTE.

 

Uruguai sentencia ex-ditador Gregorio Álvarez a 25 anos de prisão / montevidéu

A Suprema Corte de Justiça do Uruguai confirmou hoje a condenação de 25 anos de prisão do ex-ditador Gregorio Álvarez por 37 homicídios “muito especialmente agravados” cometidos durante o regime militar (1973-1985).

A Justiça também ratificou a pena de 20 anos para o ex-capitão da Marinha Juan Carlos Larcebeau por outros 29 homicídios.

Os crimes referem-se às desaparições forçadas de uruguaios que foram enviados O ex-ditador uruguaio Gregorio Álvarez (Fito Mendez - 19.dec.2007/AP)da Argentina, em 1978, pelo Plano Condor, que coordenou as ações repressivas das ditaduras do Cone Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai).

A sentença avaliou que os crimes cometidos pelos militares não prescreveram em virtude da “periculosidade” de ambos os acusados e pela própria “gravidade do crime” cometido.

A sentença confirma a tipificação dos crimes da ditadura como “homicídio muito especialmente agravado” e descarta a atribuição de “desaparição forçada” defendida pela Procuradoria Geral, já que essa classificação não existia quando os crimes foram cometidos.

O juiz Luis Charles anunciou a sentença em primeira instância em 22 de outubro de 2009, embora Álvarez e Larcebeau estejam presos desde 2007.

Os crimes pelos quais ambos são julgados estão excluídos da Lei da Caducidade, que desde 1986 concede impunidade a militares e policiais que violaram os direitos humanos durante a ditadura.

Álvarez tem 85 anos e ocupou a Presidência entre 1981 e 1985. Ele é o único ex-ditador vivo, depois da morte, em 17 de julho, de Juan María Bordaberry, que deu o golpe de Estado em 27 de junho de 1973.

 

DA ANSA, EM MONTEVIDÉU

O músico GUEGO FAVETTI entrevistado pelo poeta JAIRO PEREIRA: / quedas do iguaçu.pr

PINHA, PINHÃO DO PARANÁ

Compositor, cantor e instrumentista, formado pela Faculdade de Artes do Paraná -FAP

Licenciatura Plena em Música -1985, e atua como músico há mais de 30 anos.Iniciou sua carreira em 1976 em Curitiba apresentando-se no Teatro da Reitoria da Universidade Federal do Paraná.Participou do programa – Som Brasil de Rolando Boldrin em 1982 com Nice Luz.Fez parte do Grupo D´América de Música Latino americana de 1982 a 1986, apresentando-se em festivais importantes.

Fez show no Teatro Paiol de Curitiba em Abril de 2007 com o Trio Desidério Favetti, e também apresentou-se no Programa Sr. Brasil, de Rolando Boldrin na TV Cultura   de São Paulo, neste mesmo mês e ano.Show de lançamento do CD “Branco” no Teatro da Caixa em Novembro de 2007.Show-Guego Favetti convida Carlinhos Vergueiro, no Teatro Paiol em Agosto de 2008.Show com Nice Luz – Terça Brasileira no Teatro Paiol em Junho de 2009.  

CDs:   Noites Curitibanas – 1998 

Ensaio – 2001 – Experimental Bossa Nova e outros.

Sertão em Vozes – 2003 – Experimental de Clássicos Caipiras.

“Arretirança” – 2005, com o Trio D Favetti 

“Branco” – 2007 de sua autoria e outros autores locais.

1.       Pra começarmos… Como a música aconteceu em sua vida?

A música sempre me perseguiu e sempre esteve presente na minha vida através da família.Me perseguiu porque até a minha dolescência era algo um pouco distante das minhas coisas pessoais, apesar de ser muito presente, como já disse, na família.O meu Nono(avô) Pedro Favetti era maestro da igreja que frequentava nos anos 40, no Rio Grande do Sul e minha mãe Vitorina Bíscaro,  cantava afinadinho também.O meu pai Desidério, continuou o canto na família, que foi seguido pelos meus irmãos mais velhos, que cantavam lindamente e ainda cantam até hoje.A música sempre foi algo natural na minha casa.Lembro que quando criança, ainda no Rio Grande do Sul, nos anos cinquenta, ouvi Marina de Dorival Caymmi.

E disso posso dizer que sempre se ouviu de tudo, sem restrição.A seleção do que era bom também era natural.Daí saíram os grandes clássicos que perduram até hoje.As pessoas em geral e nós que sabíamos cantar, naturalmente mantínhamos canções sempre lembradas e tocadas nas rádios e propagadas ao longo do tempo.Então a música como canção ficou enraizada na gente.Após a adolescência, portanto, mesmo trabalhando em empresa familiar de vários ramos, é que fui me envolvendo mais com a música popular em geral.

Ouvi muito Nat King Cole, Louis Armstrong, Al Hirt, Bert Kaempfert, a música mexicana que influenciou enormemente a música da América Latina nos anos 50 e 60.Depois a música italiana, que dominava o cenário romântico dos anos sessenta e enfim a nossa música que é a tal de MPB, o samba que virou uma paixão, mas também a Bossa Nova, João Gilberto no começo dos anos 70, Chico e cia.Aí não parou mais o envolvimento, até que resolvi assumir essa paixão, que se me cobra uma realidade incansável e inconstante, também me dá muita alegria, prazer e amizades verdadeiras e algum dinheiro.

2.       O Guego Favetti é do samba, da modinha sertaneja, da MPB Cult… O que mais lhe atrai musicalmente?

Essa é uma questão interessante, não porque eu tenho as minhas “tempestades cerebrais”, como diz o Caetano Veloso, ou como diz James Joyce (escritor irlandês) sobre “o fluxo da consciência”, que é dado a todos nós pensar o tempo todo, quando acordados.E quando dormimos sonhamos explicações detonamos desejos do nosso eu profundo, como diz Freud.Quero dizer com isso, que não consigo separar as manifestações artísticas especialmente da canção(que compreende letra e música), então como que num tormento saboroso, me inspiro, me emociono, choro, grito, esperneio, se ouço ou canto por exemplo “Sobre todas as coisas”, do Edu Lobo e Chico Buarque(ouçam e verão), quando o Chico fala de que se Deus existe(?), é porque nos fez para o prazer e para a alegria também e que devemos e podemos “desfrutar dos vales onde jorra o leite e o mel”… .

Depois em seguida ouço Tonico e Tinoco sem medo, ouço Negros Mestizos y Blancos, do uruguaio Daniel Viglietti e mais depois volto a João Gilberto, me enleioem Noel Guaranie Noel Rosa com a mesma paixão, buscando compreender o lirismo a ironia, a crítica.Essa foi a minha formação musical e intelectual, sem preconceito, sem medo, sem exasperação, mas com muita beleza.E tendo vivido muitas experiências musicais como ouvinte e como produtor de cultura, estou sempre antenado nos movimentos subjacentes que acontecem na periferia da mídia e da vida cotidiana das pessoas.Existe uma inquietação a partir dessa linha de raciocínio, de que a canção tal como se conhece – letra e música, harmonia, melodia, está com os dias contados! É uma longa discussão.

Eu como um apaixonado pela harmonia, sinto um pouco que tudo se repete, tudo se requenta e compositores maravilhosos hoje amparam-se no “minimalismo harmônico”, ou a volta de dois, tres acordes que resultam em belas canções.Ou seja um cansaço e esgotamento de tudo o que se fez e faz.Claro que a coisa continuará por muito tempo, mas a ascensão do RAP(Rithm And Poetry – Ritmo e Poesia), por exemplo, se dá um pouco por isso.É a fala e as palavras que se sobressaem, não mais a melodia e a harmonia.Me fascina aliás, como as comunidades periféricas se levantaram e se levantam através do Hip Hop, um movimento que pretende aglutinar as forças, que não aceitam mais ficar à margem do processo civilizatório.Esse tipo de movimento me emociona, me encanta e tenho esperança que seja reconhecido.Hip Hop é estrangeiro?Sim, mas somos todos estrangeiros e bem brasileiros, não é mesmo.Sobre o que me atrai musicalmente, diria que é a harmonia da canções populares, as vezes simples, as vezes complexas.

Me atrai algo que aprendi em casa e de tão natural se torna uma “doença”, no bom sentido, que é sempre fazer uma outra voz além da voz que sola e faz a melodia.Me dá um prazer enorme e me deixa extremamente feliz, porque externa beleza e lirismo.É assim que acontece quando canto com meus irmãos Titi e Tita no Trio D Favetti e também quando cantamos em família ou com amigos.É uma terapia maravilhosa.Mas devo dizer que me fascina também a música erudita contemporânea(aquela que organiza em sinais e notas tradicionais, os sons de tudo, desde a natureza até o som de uma panela).Despertei para isso quando fazia faculdade de música nos anos 80, e sempre compreendi essa linguagem, também sem medo e sem pudor.Conheço obras belíssimas de Shoenberg, Berg, Boulez, Henry, o nosso Almeida Prado, Arrigo Barnabé, a música experimental contemporânea e das cores de Jorge Antunes e tantos mais, maravilhosos.

apresentação do TRIO FAVETTI em Florianópolis. foto de Rudi Bodanese.

3. Sua música de autoria, traz parceiros poetas (Reinoldo Atem e outros), além do próprio TRIO D FAVETTI? MPB e poesia são indissociáveis?

Pois é, é uma inquietação a autoria de canções.A gente faz por prazer e paixão e se espalha por aí.A amizade e parceria com Reinoldo Atem me foi muito prazeirosa e fascinante, pois ele também é uma pessoa inquieta com a cultura e as palavras.Fizemos também músicas em família e com o próprio Trio.Sobre a MPB, acredito que sua grandeza se deve a exuberância da nossa mistura de raças e ritmos.A poesia se mostrou vigorosa através das letras das músicas, quase que se bastando poeticamente mesmo como letra, porque levou às derradeiras consequências da manifestação bem brasileira e com muita novidade, nas criações de Chico Buarque, Paulo Cesar Pinheiro e Vinícius de Moraes, Aldir Blanc, Noel Rosa, Cartola e Dorival Caymmi, prá citar apenas alguns dos tantos e tantos craques das palavras para a canção popular.A poesia existe e vai muito bem sozinha.Mas quando usa o veículo brutal ( no bom sentido) da música, se transforma numa força e numa ameaça até, porém na verdade chega aos mais longínquos rincões do mundo, espraiando-se com uma força extraordinária, às vezes para o bem às vezes para o mal.

4.      Qual o problema de um possível mercado à música que se faz no Paraná?
Honestamente é a criatividade.Sei da quantidade enorme de obras criadas por paranaenses e tem muita, mas muita coisa boa.Nas várias linguagens musicais, mais acentuadamente no rock e na música popular moderna e contemporânea.Mas não nos iludamos, pois a avalanche do que é produzido nos mesmo lugares de sempre, São Paulo, Rio, Bahia, Minas, Rio Grande do Sul, Nordeste e até Centro-Oeste, têm um vigor e uma expressão estabelecida e consagrada.Nós, e nesse nós me incluo, estamos construindo uma obra, uma história.Tenho plena consciência disso.Não adianta esbravejar e iludir ninguém.Precisamos produzir mais e melhor.

Agora, se os paranaenses mesmos não reconhecem o que se faz aqui, com extremo bom gosto e qualidade, como fazem meus conterrâneos gaúchos, por exemplo, não mudará tão cedo.Nós mesmos precisamos sempre bater na tecla e difundir nossos compositores e poetas.Eu faço isso sempre.Às vezes até esqueço de mim, o que é um erro, mas procuro apostar na qualidade de quem está ouvindo, prá valer a pena, e canto coisas minhas, de Ronald Magalhães, Sidail César,Cláudio Menandro, Marcelo Sandmann e Benito Rodriguez, Etel Frota, Reinoldo Atem, Iso Fischer, Rosi Greca, Daniel Faria e outros.Mas temos que acreditar mais em nós mesmos e soltar o verbo e as notas.

5.       A experiência da noite… dos bares da vida, valeu muito na sua carreira? Fale nos sobre isso.
Valeu e vale.Adoro boteco, bar, Restaurante.É aquela balbúrdia, o fim do mundo para o músico, mas sempre alguém se interessa, pergunta, participa.E vale a pena.Estou um pouco afastado esse ano, porque fizemos muitos shows em teatros no norte do Paraná e aqui no Sesc da Esquina e também eventos.Mas a noite ensina muito.Pode derrubar a gente, se não tivermos atenção.É fascinante demais.Mas tenho alguma prática e me seguro no braço do violão.

6.     O amálgama de uma arte que nos identifique como paranaense é possível, a seu ver?
Esse amálgama está sendo construido, como falei.Parece uma eternidade o tempo que demora e que se possa perceber alguma estrutura e formato mais perceptíveis, daquilo que é feito para construir a identidade especificamente da música popular paranaense.As novas gerações têm avançado bastante e organizado movimentos bem densos e importantes.Único problema é que essas novas gerações, não ariscam nada ou quase nada e dependem quase que exclusivamente do poder público para se manter, com projetos e recursos públicos, sem passar pelo caminho que eu passei, muitos bons músicos passaram, como passaram tantos músicos consagrados da Música Popular Brasileira.Como diz a cantora baiana Rosa Passos, não se chega entendendo muito bem no final do alfabeto, sem tropeçar no ABC.É um pouco o que aconteceu com muito músico paranaense, que se escorou nos orgãos públicos para fazer sua carreira.Condeno isso!O Hermeto e outros sabem bem disso…?!
Quanto às outras artes, Curitiba e o Paraná vão muito bem, há muito tempo.E o amálgama é um pouco ensaduichado entre o extremo sul e o restante do Brasil.Mas tem muita coisa interessante acontecendo no cinema, na poesia.

7.       Você viveu um tempo no exterior… Como é, ver a música brasileira de fora do país, vivendo enfim, numa outra realidade social, política…?
Pois é, em 1987 e 1991, morei por duas vezes um tempo curto de tres meses em Genebra, na Suíça, que foi difícil e maravilhoso ao mesmo tempo.Mas é uma cidade encantadora e pequena e tem uma simplicidade e grandeza no ar, que é bem perceptível.Na época adoravam a música brasileira.Mas o jazz ainda era mais requisitado.Os europeus em geral, conhecem bem a nossa música e percebi que definitivamente, é a nossa maior força e expressão cultural.O futebol foi e já não é mais, pois ninguém é mais ingênuo e o futebol mundial cresceu e se desenvolveu, portanto é tudo muito parecido e não existem mais surpresas.Na música ainda encanta os estrangeiros o samba e as escolas, Tom Zé, Hermeto, Toninho Horta, Tom Jobim, e assim mantemos cada vez mais abrindo canais e portas.A capoeira tem dado uma contribuição extraordinária para divulgar o Brasil.

Morei por dois anos nos Estados Unidos e senti um pouco mais alheio, o interesse pela nossa música.É que a América tem toda aquela efervecência musical.Muito Rap, muito Flach Back e o mesmo que acontece no Brasil, o ostracismo dos grandes músicos que acompanharam estrelas.Parece uma praga do capitalismo.Apesar de que em Cuba também, grandes artistas foram lembrados no final de suas vidas, num trabalho do cineasta alemão Wim Wenders e o guitarrista Ry Cooder no show Buena Vista Social Club, (“…um amigo considera um filme desonesto com os cubanos…”)o que não é uma maldição só por aquelas bandas, mas aqui o nosso Mestre Cartola, chegou a lavar carros nas ruas do Rio de Janeiro para sobreviver.Então é uma praga do show biz, da falta de respeito e consideração por quem fez e faz a história da música em qualquer lugar.

8.       Música popular brasileira e o fazer propriamente…  Existe um caminho, um ideal estético a que o artista persegue?

Temos as referências, que são as mais diversas e diferentes possíveis, na criação estabelecida pelos compositores de música popular.Se sobressai a graça, a malemolência, o tempero, a elegância, muita força e muito vigor rítmico.A invenção é o ponto alto, ao lado do improviso.A música popular brasileira, traduz muito do que somos como nação, como bons improvisadores da sobrevivência, dando o famoso”jeitinho” de resolver os problemas.Por isso sai tanta música boa, nos nossos dias nem tanto, pelo esgotamento que falei anteriormente, mas ainda no campo do samba, são criadas verdadeiras obras.A gente se espelha nisso, claro que carregando as nuances da nossa terra, do sul do Brasil.Amo o samba, como amo a Bossa Nova, que afinal é um tipo de smaba, mas amo muito a canção de raiz rural e sertaneja.E embevecido nessas fontes murmurantes, como diz Ary Barroso na famosa Aquarela do Brasil, a gente produz e procura refletir e traduzir o que se vê e se sente ao redor, nesse Brasil grande de tantas contradições e belezas.

9.    Fale nos um pouco do TRIO D FAVETTI que está fazendo um trabalho que orgulha a música no Paraná, e que também como alguns intelectuais do Estado, forja na praxis uma identidade paranaense.
Pois então, disso que falava na pergunta anterior, procuramos traduzir o mundo que vemos, ouvimos e sentimos à nossa volta.Com as vozes nos referenciamos num grupo como MPB4, também Os Cariocas, mas bastante marcados pelas vozes do Quinteto Farroupilha, que do Rio Grande do Sul, nos anos 50, 60 e 70, ecoava canções das mais diversas linguagens, desde a Bossa Nova, até clássicos estrangeiros e muito a música regional gaúcha, mostrando lirismo, poesia, e beleza aos ouvintes dessa época.
Desde criança ouvíamos o Quinteto Farroupilha e nos marcou, pois sempre, como já disse anteriormente, foi natural na minha família, fazer vozes e mais vozes, das mais diversas formas e sonoridades.Então nesse quinteto nós bebemos e fomos bebendo e assim estamos agora deixando uma marca única, na vida das pessoas que nos escutam, pois a timbragem e as cores vocais se entrelaçam e permeiam todas a possíveis linguagens da música popular, que conhecemos até hoje, desde o samba até a guarânia, o chamamé, à bossa nova e a música moderna de José Miguel Wisnik, Luiz Tatit, Itamar Assumpção e porque não de Tom Zé, misturado num caldo de composições bem paranaenses, criadas a partir dessa expressão, pressionada entre o norte e o sul brasileiro.Estamos fazendo.Deixaremos nossas marcas!

Solidão Furiosa – por omar de la roca / são paulo

 

Então,tudo o que fazemos é por medo da solidão? É por isso que renunciamos a todas as coisas as quais iremos nos arrepender no fim da vida ? É por isso que raramente dizemos o que pensamos?Porque, alem disso,nos prendemos a casamentos falidos,falsas amizades,entediantes festas de aniversário? O que aconteceria se recusássemos tudo isso, por um fim a chantagem disfarçada e fossemos nós mesmos? Se deixássemos nossos desejos aprisionados e nossa fúria desta escravidão jorrar forte como uma fonte ? Em que consiste esta tão temida solidão ? No silêncio de  mudas reprovações ?Em não precisar engatinhar no campo minado da vida de casado ou de meias verdades amigáveis, prendendo a respiração? Na liberdade de não ter alguém a nossa frente durante as refeições? Na integridade do tempo que boceja quando não temos compromissos? Estas coisas não são maravilhosas? Uma situação divina ? Então, porque teme-la ? Não é na verdade um medo que existe apenas porque não pensamos através dos objetos ? Um medo que nos foi incutido pelos pais , professores ou padres ?E como podemos estar certos que os outros não nos invejarão ao ver a extensão de nossa liberdade ? E que eles se afastarão em resposta?

Amadeu do Prado

MORTE POR SOLIDÃO – por sergio coutinho de biasi

A teoria mais conhecida sobre a queda do mítico, gigantesco, santo e sagrado Império Romano é a de que ele teria sido ao longo de séculos primeiro desestruturado e então literalmente, concretamente, fisicamente destruído por invasões militares bárbaras. Este é um desses factóides enciclopélicos freqüentemente “ensinados” em escolas.

Uma teoria um pouco menos conhecida é a de que não teria sido bem isso que aconteceu. Existem fartos e grandes indícios de que 1) a maior parte dos bárbaros não tinha qualquer interesse em destruir o Império Romano e 2) a desintegração do modo “romano” de viver não está perfeitamente sincronizada com a desintegração do império. Elaboremos.

O fato é que o Império Romano exercia *imenso* fascínio sobre os bárbaros, que em geral queriam tão somente *permissão* para migrar pacificamente para dentro das fronteiras do império em busca, por assim dizer, de uma vida melhor. Queriam aprender a língua (e em grande parte o fizeram, tanto quanto foi possível), queriam adotar as religiões, as instituições, o modo de ser romano. Quem de fato não queria isso eram os cidadãos romanos, que achavam os bárbaros, com seus modos selvagens e aparência pouco “sofisticada”, indignos de ingressar no império. Quer dizer, indignos *exceto* para executar tarefas que os romanos mesmos não queriam mais executar, via pela qual – por exemplo como soldados mercenários – hordas inteiras de bárbaros foram eventualmente assimiladas. Então criou-se uma situação na qual mais e mais bárbaros foram fazendo na prática parte do império romano, até chegar um momento em que simplesmente assumiram o poder de fato. E o que fizeram com isso, resolveram denunciar todos os valores romanos? Não! De forma alguma. Os bárbaros buscaram na maior extensão possível dos seus esforços preservar toda a estrutura política, administrativa e cultural do império, muito depois do último imperador ter sido deposto. Mas não foram bem sucedidos em fazê-lo, e a decadência paulatina de todos esses aspectos se deu irreversivelmente ao longo de grandes períódos de tempo.

Qualquer semelhança com o mundo atual é mera identidade.

Para reforçar o ponto, vamos a uma teoria ainda menos conhecida sobre o que de fato ocorreu. O império romano passou por uma cisão espontânea em dois e o império do oriente durou ainda mais um bom tempo. Qualquer explicação do colapso do império do ocidente tem que levar isso em conta, isto é : o que deu errado no ocidente que fez com que a queda viesse tão antes e fosse tão mais dramática? Bem, uma força que alguns historiadores consideram que se deveria levar em conta é que os árabes, repentinamente inspirados e unidos pela doce mensagem de paz e amor do corão, decidiram partir da Arábia, invadir o Iraque e então conquistar militarmente todo mundo ao seu redor. Ironicamente, em termos de religião e teologia, os árabes eram bem mais tolerantes que os papólicos, e achavam que cristãos e judeus cultuavam uma forma imperfeita de islamismo que mesmo sendo errada tinha valor suficiente para ser respeitável (ao contrário de todo o resto, que tinha mesmo era que se converter ou morrer; e aliás tentar converter alguém do islamismo para o cristianismo por exemplo seguiu sendo crime passível de pena de morte). Então em um dado momento, após conquistarem um dos maiores impérios da historia, resolveram ficar mais calmos e parar com a farra. Mas a essa altura, muito mais de cultura e civilização estava crescentemente sendo preservado no império árabe do que na Europa. Por que? Uma possivel explicação é que a riqueza do império romano em geral e da Europa em particular era enormemente dependente de impostos e de comércio. Ao perder acesso às rotas através do Mediterrâneo e dos territórios agora em mãos dos Árabes, os restos moribundos do império romano no centro da Europa, mesmo não tendo sido completamente subordinados aos árabes, perderam completamente sua viabilidade econômica, enquanto o império do oriente ainda persistiria por séculos. O problema não seria então basicamente militar, ou cultural, mas econômico.

Recapitulemos então as idéias que levantamos até agora sobre a desintegração do império romano.

A) O império romano teria se desintegrado diante de derrotas militares
B) O império romano teria se desintegrado diante de decadência e descaraterização cultural
C) O império romano teria se desintegrado diante de se ter tornado economicamente inviável

Vamos agora à piéce de résistance : as teorias mais modernas sobre o colapso do império romano.

Estudos arqueológicos recentes mostraram um fenômeno estranho ocorrendo ao longo de um grande período de tempo : despopulação espontânea. A cidade de Roma em seu auge pré-medieval chegou a possuir da ordem de um milhão de habitantes. Então progressivamente, o que se observou foi uma queda da população, um descréscimo contínuo. Quinhentos mil, cem mil, etc. Isso não ocorreu somente em Roma; ocorreu em grande escala. Um grande número de construções romanas foram encontradas desertas, desocupadas, sem que isso tenha sido o resultado de algum grande cataclisma ou invasão. Poder-se-ia pensar que isso teria sido o resultado de algum tipo de migração para o campo, mas existem várias evidências de que não seja o caso. Como grupo biológico, os romanos simplesmente pararam de se reproduzir. Um dos motivos por que isso passou despercebido como idéia por tanto tempo ao se pensar sobre o assunto é o quão contraintuitivo soa que uma das civilizações aparentemente mais bem sucedidas do mundo tenha resolvido voluntariamente entrar em apoptose. Então mesmo quando as pistas estavam lá o tempo todo, elas freqüentemente foram interpretadas como conseqüência e não como causa. Mas um acúmulo cada vez maior de fatos leva a crer que a despopulação não seria então uma *conseqüência* da decadência, e sim sua causa. Então não seria o caso de que os bárbaros, ou os árabes, ou os vikings ou ninguém mais  teria destruído a cultura romana de fora para dentro ou expulsado geograficamente os romanos de onde se encontravam. Tais grupos apenas ocuparam o vácuo deixado por uma civilização que desapareceu por crescente falta de gente.

O mais irônico, ou assustador, ou informativo (dependendo do ponto de vista que assumirmos) é que esse é precisamente o fenômeno que observamos *hoje* nas nações mais “desenvolvidas” do mundo. Ao atingirem o auge da “sofisticação”… tornam-se biologicamente estéreis, inférteis, cometem suicídio filogenético. Seus representantes simplesmente param de se reproduzir e o vácuo resultante é entao ocupado por populações nas quais ainda queima a chama primitiva, selvagem e renovadora de “eu quero produzir mais indivíduos da minha espécie”. E sem isso, sem esse fogo biológico primordial, sem essa vontade irracional de se conectar genuinamente a outros seres humanos e com isso produzir novas vidas e cuidar delas ao invés de se preocupar primordialmente apenas com o próprio nariz e com joguinhos estúpidos de apostar a própria sobrevivência e felicidade na impostura de querer se fingir sofisticado demais para ser um primata, sem isso nenhuma civilização do mundo, por mais culturamente avançada, por mais intelectual, tecnologicamente, economicamente pujante que seja, por mais militarmente poderosa que tenha se tornado, pode sobreviver.

O grande, sagrado, santo, mitológico império romano não morreu por falta de poder militar, decadência cultural, ou mesmo colapso econômico. Todos esses fenômenos de fato ocorreram, mas foram conseqüências, não causas. Não, o império romano morreu por falta de gente. O império romano morreu de solidão.