Arquivos Diários: 11 setembro, 2011

PALAVRAS, TODAS PALAVRAS é elogiadíssimo por seu trabalho na página TELAS FAMOSAS

LUIS MELO | setembro 9, 2011 11:08 am às 11:08 am | Responder |Editar

É DIFICIL DESCREVER UM SITE C/ ESTA QUALIDADE OU ATÉ MESMO, DEFINI-LO. SÓ SEI QUE CADA OBRA DE ARTE QUE AQUI OBSERVEI, ME PARECEU UMA ESTRELA, CADA UMA COM SEU PROPRIO BRILHO, C/ A SUA MAGÌA, C/ SUA GRANDEZA. PARABENS, ADICIONADO.

 

  1. george | setembro 5, 2011 22:32 pm às 22:32 pm | Responder | Editar

    dificil nao se emocionar ….dificil nao se questionar……na realidade um verdadeiro balsamo para a alma……

  2. Francisco Coimbra | julho 5, 2011 14:27 pm às 14:27 pm |Responder | Editar

    Tão impressionante quanto admirar a beleza da pintura é, de cada vez que volto ao blog, encontrar “PALAVRAS, TODAS PALAVRAS”; as coisas, toda a realidade, toda a construção do real, toda a vida, tudo… pode ter a ambição de procurar e ter palavras, todas as palavras. Um blog que parte deste pressuposto e tão bem o ex_pressa… tem e merece: o meu apreço!

  3. Claimar Erni Granzotto | julho 1, 2011 12:53 pm às 12:53 pm |Responder | Editar

    Recomendo…..

  4. José Vieira | junho 10, 2011 20:54 pm às 20:54 pm | Responder | Editar

    Aqui neste espaço
    Contemplo a arte
    E fico perplexo
    Com as côres desde Universo…………………

  5. Angélica Carneiro Faustini | junho 10, 2011 16:33 pm às 16:33 pm | Responder | Editar

    Foi com grande emoção que admirei esse belíssimo site, a maioria das telas já conhecidas e outras não. Além de enriquecer minha cultura, me trouxe momentos de indescritivel beleza que voltarei a rever muitas e muitas vezes. Angélica Faustini. 10 de Junho de 2011.

  6. Telas para pintura | maio 6, 2011 16:02 pm às 16:02 pm |Responder | Editar

    Adorei as obras muito bom gosto e muito bem elaborado o blog parabens!
    Cesar Gritti

  7. helvya maciel | março 1, 2011 19:00 pm às 19:00 pm | Responder |Editar

    por admirar tanta beleza de artistas fantasticos ñ tenho palavras pra dizer adorei!!!!

  8. Francisco Coimbra | fevereiro 13, 2011 23:48 pm às 23:48 pm |Responder | Editar

    Olhar captando num relance a composição, as cores, as formas, o tema… Registar quem e quantos quadros, tudo a correr, até surpreender este espaço final de comentários. Amanhã já não comento, vou tentar apreciar! Dá para comentar ter apreciado…. encontrar este blog!

  9. MARLENE BUENO DOS SANTOS | janeiro 1, 2011 23:48 pm às 23:48 pm | Responder | Editar

    Amei essa página,e demais contemplar a obra dos grandes mestres!!

  10. cleber | dezembro 14, 2010 19:39 pm às 19:39 pm | Responder | Editar

    que bom que alguns tiveram a bençao de poder transmitir tanta beleza na arte em pinturas como as vistas aqui, e um tanto melhor que alguem nos deu a chance de ao menos na telinha poder conhecer um pouco das mesmas em um site como esse. parabens

  11. José Vieira | novembro 23, 2010 20:02 pm às 20:02 pm | Responder |Editar

    Eu diria perante tanta beleza ,tanta perfeição na arte que os meus olhos contemplaram nesta página, que Deus criou o Homem e lhe concedeu poder Divino para que vísse-mos um vislumbre do seu Universo,neste Mundo tão perverso.

  12. Geraldo Reis | julho 25, 2010 14:16 pm às 14:16 pm | Responder | Editar

    Mais do que uma descoberta, um encantamento. Meus aplausos. Estarei divulgando. O site é o máximo.

  13. Monsueto Araujo de Castro | junho 5, 2010 22:32 pm às 22:32 pm| Responder | Editar

    Gostei muito das pinturas. São quadros dos imortais da pintura de minha preferência Da Vinci, Van Gogh, Valazquez, Rubens, Raphael, Dali, Caravaggio e Botticelli. Obrigado pela oportunidade.
    Monsueto Araujo de Castro – Mogi das Cruzes – SP

  14. Thúlio Jardim | junho 4, 2010 20:49 pm às 20:49 pm | Responder |Editar

    Pra mim já tá ótimo, tendo o nome dos artistas. Pôr o nome das telas, deveria dar um trabalho danado! Gostei tanto desse arrumado, que acabo de postar referência no Twitter.

    @thuliojardim

  15. Francinaide | maio 27, 2010 10:38 am às 10:38 am | Responder | Editar

    Espetacular!!!! É o que no mínimo posso externar. Obras desta qualidade, desta sensibilidade nos az viajar, aguça nossa imaginação, e nos conduz a caminhos maravilhosos de inteira sintonia com o univrso!!!
    PARABÉNS!!!

     

  16. Tania Mara Alves Brito | maio 13, 2010 11:09 am às 11:09 am |Responder | Editar

    NÃO ESPERAVA ENCONTRAR TANTA MARAVILHA, POEMAS DE QUALIDADE, QUADROS, A BELEZA MULTIPLICADA EM UM ÚNICO SITE. VOLTAREI MIL VEZS PARA UMA VISITA MAIS DEMORADA. POR ENQUANTO É O QUE POSSO DIZER, ALÉM DE UMA OBSERVAÇÃO: O PRÊMIO RECEBIDO DA VEJA É POUCO PARA UM SITE TÃO EXCEPCIONAL. (TANI – A Lâmina Fugaz)

  17. maria das graças | maio 11, 2010 11:03 am às 11:03 am | Responder |Editar

    Olha, que beleza estou fazendo uma pesquisa e procurando imagens de obras de Valazquez… perfeito valeuuuuuuuuuuu.

  18. Heloisa B.P. | abril 23, 2010 22:09 pm às 22:09 pm | Responder | Editar

    MAS QUE ESPECTACULAR GALERIA E QUE BELISSIMO “TOUR” NO TEMPO E NA ARTE QUE SE DISTINGUE EM ESTILO, ESCOLAS E MOVIMENTOS E…QUE, A UM TEMPO, FAZ O *TEMPO* PARAR!
    E…NOS EM CONTEMPLACAO!

    MUITO OBRIGADA POR TAO SOBERBO “PASSEIO”!!!!!

  19. Didi tenório | abril 15, 2010 19:40 pm às 19:40 pm | Responder | Editar

    Achei um fascínio de página.
    Os grandes gênios pintores que tenho paixão..
    É pena não saber cópiar para fazer uma tela.
    Deus bendiga este SITE e que cresça muito.
    Boa noite. Didi tenório/AL

  20. denize macedo | março 15, 2010 16:02 pm às 16:02 pm | Responder |Editar

    Essas telas são de tirar o folego de todas as pessoas pois elas são muito lindas. BEIJOS…..

  21. ELIANE | janeiro 9, 2010 22:03 pm às 22:03 pm | Responder | Editar

    infelizmente nós brasileiros temos pouco contato com obra de arte , não somos educados ainda para compreender as entrelinhas de artes de grandes mestres como estes, felizmente, a Educação no país está se voltando para os olhos da Arte, e, nosso povo deixará de ser analfabeto da arte, pois, são poucos que receberam instruções para analisar, valorizar e compreender, uma verdadeira obra de arte.Que bom que iniciativas como estas, possibilitem as pessoas um acesso rápido, e possivel ao mundo artístico.

  22. Arari A C Martins | novembro 24, 2009 20:08 pm às 20:08 pm |Responder | Editar

    Divago olhando estas pinturas. Parabéns!

  23. Paulo | outubro 11, 2009 22:55 pm às 22:55 pm | Responder | Editar

    “Estas belas obras são um trabalho de pessoas que eternizaram suas épocas e transportaram para tela.”Parabéns para os organizadores desse fino trabalho.

  24. Virginia | setembro 27, 2009 9:34 am às 9:34 am | Responder | Editar

    Sempre agradavel repassar os nossos mestres, colirio visual…….

  25. carmen minussi | setembro 12, 2009 23:16 pm às 23:16 pm |Responder | Editar

    MARAVILHOSO !!!!!!!!!! OBRIGADA.

  26. carmen minussi | setembro 12, 2009 23:14 pm às 23:14 pm |Responder | Editar

    Achei a pagina de excelente qualidade e muito bom gosto. A arte sempre nos tras conhecimento e a pintura é uma forma maravilhosa de ensinar. Obrigada.

  27. Miriam Catão | agosto 24, 2009 12:46 pm às 12:46 pm | Responder |Editar

    de Magrit, incrível a tela do beijo dos mascarados. Rosto sem rosto! Rever estas telas é repaginar nossas cabeças, nossa cultura em todos os sentidos. Muito bom.

  28. Ademir Picinatto | agosto 17, 2009 21:17 pm às 21:17 pm |Responder | Editar

    Não tenho muito conhecimento nesta área mas achei uma página maravilhoso. Obrigado!

  29. Guilherme Cantidio | julho 13, 2009 19:38 pm às 19:38 pm |Responder | Editar

    Um colírio para os olhos…Bálsamo para a alma. Na verdade um ticket virtual para um tour (idem) ao…Louvre?…Quiçaz.

  30. maria lucia mascelani mourão | maio 12, 2009 19:15 pm às 19:15 pm | Responder | Editar

    gostei muito de passear por aqui. agradecida.

  31. Ana Elisa | abril 3, 2009 20:33 pm às 20:33 pm | Responder | Editar

    Impossível passar imune por todas estas telas, de tão diferentes épocas e não menos brilhantes uma das outras.
    Eu, particularmente, amo Salvado Dali ,Miró, Magrite e foi uma agradável surpresa conhecer de Hockney e outros.

    Ainda verei essas obras em seus devidos museus, pessoalmente.

    Iolanda Settin | fevereiro 2, 2009 18:07 pm às 18:07 pm | Responder |Editar

  32. Parabéns!!!

    É a primeira vez que faço comentário…
    Impossível não manifestar nada diante deste trabalho .
    Encontrar palavras para traduzir essa sensação?
    MARAVILHOOOOOOOSO…

  33. Ana Elisa | janeiro 22, 2009 19:41 pm às 19:41 pm | Responder | Editar

    Quem pode dizer que essas pinceladas não foram obra de algo sobrenatural, pois a grandiosidade e o que elas nos passam é um imenso mar de emoções, sentimentos, e até mesmo um pouco (ou muito, não sei) do que cada pintor tinha no âmago do seu ser.

    Simplismente singular!

    Ana Elisa

  34. Marcus Monteiro | dezembro 5, 2008 18:24 pm às 18:24 pm |Responder | Editar

    Grandiosidade, Genialidade, Beleza, Arte, Cultura,… Precisamos de mais iniciativas como essa! Parabéns pelo trabalho!

  35. Penha Sewell | julho 20, 2008 9:43 am às 9:43 am | Responder | Editar

    Adorei as telas, adorei o site, é a primeiravez que entro.
    Parabéns.

  36. Sara Vanégas C. | julho 6, 2008 22:46 pm às 22:46 pm | Responder |Editar

    Hermosa muestra de lo mejor de las pinturas clásicas. Ha sido un bello y entretenido repaso de buena parte de la historia del arte universal.
    Felicitaciones por la página.
    Y un saludo afectuoso

  37. nilza | julho 6, 2008 16:45 pm às 16:45 pm | Responder | Editar

    adorei ver tanta beleza!!!! obrigada

  38. mazemendes | junho 29, 2008 15:34 pm às 15:34 pm | Responder |Editar

    Adorei , conheço todas essa spinturas(não pessoalmente) algumas já tive a oportunidade de olhar ao vivo e a cores. Vai mais sugestões: Vermeer (pintor holandes) da famosa pintura “a moça com brinco de pérola” . TURNER (suas marinhas,1842, são belíssimas) GOYA (pelotão de fuzilamento/1808 REMBRANDT , GEORGES de LA TOUR (1625 ), GUSTAV KLINT( o Beijo,1908) MUNCH (o Grito ,1900) FRANCIS BACON (década de 70) e ai vai… são muitos famosos, milhares cada coisa maravilhosa. Perto deles somos “pequenos” artistas. Logo posso te passar mais uns nomes.

Vítimas em 2001, EUA foram os algozes do 11 de setembro no Chile / santiago-eua

Antes de serem vítimas do 11 de Setembro de Osama bin Laden, os Estados Unidos foram algozes num outro 11 de setembro, no Chile, 38 anos atrás. O golpe que derrubou o presidente socialista Salvador Allende, com apoio norte-americano, instaurou uma ditadura brutal, responsável pela morte de três mil pessoas e pelas torturas cometidas contra 28 mil, na estimativa conservadora dos registros oficiais.

Clique na imagem acima para acessar o especial completo do Opera Mundi

Mas se lições ligam estes dois episódios, elas não foram aprendidas. É o que disse ao Opera Mundium dos protagonistas desta data negra para o Chile, o cientista político Heraldo Muñoz, de 63 anos, membro do breve governo Allende. Hoje, Muñoz é subsecretário geral do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), em Nova York. Mas o cargo diplomático não o impediu de fazer uma leitura crítica da política norte-americana.

Wikicommons

Trabalhadores chilenos marcham em apoio a Salvador Allende, em 1964

“Estas duas histórias se comunicam pela porta dos fundos, já que os EUA  foram atores em ambos os casos”, disse Muñoz, em entrevista concedida por email. “Primeiro, Washington ajudou a perpetrar a violência no Chile contra um povo indefeso. Mais tarde, os norte-americanos foram objeto da violência fanática no 11 de Setembro de 2001, que também cobrou vitimas inocentes. Mas não sei se a lição histórica – da necessidade de respeitar irrestritamente os direitos humanos – foi aprendida por eles”, afirmou.

Chile: epitáfio do outro 11 de setembro 

Em 1973, Muñoz dirigia um ambicioso projeto idealizado por Allende, chamado Almacenes del Pueblo (Armazéns do Povo), uma rede que pretendia fazer chegar comida à população, sem depender da intermediação dos empresários privados do ramo. Na época, donos de supermercados e armazéns faziam lockouts para esconder produtos alimentícios, como forma de jogar o povo contra o governo da Unidade Popular (UP) e forçar a derrubada de Allende, que, em resposta, começou a confiscar e estatizar redes privadas de supermercados.

A radicalização do governo da UP – que também nacionalizou o cobre, principal produto de exportação do Chile, e deu início a uma profunda reforma agrária – encontrou resistência imediata da direita. Em tempos de Guerra Fria, a ameaça representada por um modelo socialista e democrático no que os EUA viam como seu quintal, era algo inadmissível.

Divulgação

Muñoz: EUA não aprenderam a lição entre o 11 de setembro de 1973 e o de 2001

No dia 11 de setembro de 1973, o general chileno Augusto Pinochet liderou o golpe de Estado contra Allende. O Palacio de la Moneda, sede do governo, foi bombardeado por caças da Força Aérea do Chile (Fach), enquanto atiradores posicionados nos edifícios do centro de Santiago disparavam contra os poucos membros da guarda presidencial, leais a Allende. Cercado, o presidente fez seu último discurso, transmitido pela rádio, antes de suicidar-se com o disparo no queixo de um fuzil AK-47, presente do amigo cubano Fidel Castro.

“O 11 de setembro do Chile significou a perda da democracia e a interrupção da aspiração de construir o socialismo por uma na via pacifica, pela força dos votos”, analisou Muñoz. “O golpe marcou as vidas de toda uma geração, em todo o mundo. Uma vez, nos anos 1990, eu estive com a ex-primeira ministra do Paquistão Benazir Bhutto, assassinada em 2007, e ela me falou do impacto que o nosso 11 de setembro teve nas forças progressistas paquistanesas neste momento, não apenas no Paquistão, mas também em toda a Ásia e no mundo inteiro.”

Os EUA como algozes

O governo norte-americano – que travava, então, uma guerra sem fronteiras contra o comunismo – viu no Chile o embrião de uma experiência com potencial para levantar uma verdadeira onda esquerdista na América Latina. A resposta de Washington veio por meio do então chefe do Departamento de Estado no governo de Richard Nixon, Henry Kissinger. “Não vejo porque temos de esperar e permitir que um país se torne comunista por causa da irresponsabilidade de seu próprio povo”, afirmou Kissinger.

Um dia depois do golpe no Chile, Kissinger conversou com Nixon sobre o ocorrido. “Há algo novo, que seja de importância?”, perguntou o presidente. “Nada grave. A coisa do Chile é questão de consolidação e, é claro, os jornais são sangue por todos os lados porque um governo pró-comunista foi derrubado”, respondeu Kissinger, antes de agregar: “no período de Eisenhower (presidente norte-americano que forjou a doutrina segundo a qual os EUA deveriam intervir em qualquer país do mundo que sofresse influência soviética) teríamos sido heróis.” Nixon, receoso, perguntou: “Bom, como você sabe, nossa mão não pode ser detectada neste caso”. E ouviu de seu braço direito: “Claro. Não há nenhuma dúvida disso. Eu me refiro ao fato de que nós os ajudamos (trecho ilegível) a criar as condições mais favoráveis possíveis”. Nixon encerra a conversa dizendo: “Muito bom. É o que deveria ter sido feito.”

Mas Muñoz reconhece que o dramático golpe de 1973 também provocou inevitavelmente respostas positivas da sociedade. “O movimento global dos direitos humanos nasceu, em grande medida, em resposta ao 11 de setembro chileno. Hoje, acredito que a data lembra, além da dor da perda de vidas humanas e violações dos direitos humanos, a necessidade de conjugar mudanças sociais e consolidação da democracia”, disse.

A herança do 11/9

O Chile de hoje está construído sobre uma Constituição elaborada durante a ditadura, nos anos 1980. O país é democrático. A Carta, nem tanto. Ela “fossilizou” um sistema político binominal, como disse o jornal britânico Financial Times há uma semana. Só chegam a presidente os candidatos ligados aos dois grandes blocos políticos existentes hoje. De um lado, a Concertação – que governou o Chile por 20 anos, do fim da ditadura, em 1990, até o ano passado – de outro lado, a Coalizión por El Cambio, que em março de 2010 venceu as eleições, dando início ao primeiro governo de direita no Chile desde o fim do governo militar. E o primeiro de direita eleito democraticamente no país em 50 anos.

Para o chileno Claudio Fuentes Saavedra, PhD em Ciência Política pela Universidade da Carolina do Norte, a Constituição foi “um exercício de engenharia institucional elaborada em 1980, que transferiu a soberania popular a um corpo de representantes que, embora sejam eleitos, na prática, podem alterar as normas básicas de convivência nacional à margem de qualquer escrutínio cidadão”.

Prova disso é que o país amarga há quase quatro meses sua maior crise política desde a redemocratização. Milhares de estudantes pedem o fim do lucro na Educação e a melhoria da qualidade do ensino. Apesar de ter o respaldo de 80% da população, estas propostas não avançam. A Constituição proíbe a realização de referendos, plebiscitos e outras consultas populares diretas, salvo sob condições bastante estritas, como um impasse entre o Executivo e o Legislativo. Assim, o país segue imobilizado. Mesmo com o governo tendo a aprovação de apenas 26% dos chilenos.

Além da Constituição, os reflexos concretos do 11 de Setembro chileno também são perceptíveis no sistema hiper privatizado. Não existe nenhuma possibilidade de que um trabalhador chileno possa aderir hoje a um sistema público de aposentadoria. A saúde também é esmagadoramente explorada por planos privados. E nenhum estudante tem direito a estudar em uma universidade pública gratuita, salvo se conseguir acesso a uma bolsa de estudo.

O país levou a extremos inimagináveis o liberalismo econômico, encarnado pela geração dos Chicago Boys, discípulos do Consenso de Washington que fizeram do Chile um tubo de ensaio para uma abertura econômica sem limites, ainda durante a ditadura.

O país tem crescido a uma taxa de 6% ao ano, mas é um dos mais desiguais da América Latina. De acordo com Julio Berdegué, doutor em Ciências Sociais e pesquisador do Centro Latino-Americano para o Desenvolvimento Rural, quatro famílias do país detém o equivalente ao salário de 80% da população. A principal delas é a do presidente Sebastián Piñera, dona de uma fortuna avaliada em US$ 2,4 bilhões.

A matemática macabra do 11 de setembro – por marco aurélio weissheimer

A resposta dos EUA ao ataque contra o World Trade Center engendrou duas novas guerras e uma contabilidade macabra. Para vingar as mais de 2.900 vítimas do ataque, algumas centenas de milhares de pessoas foram mortas. Para cada vítima do 11 de setembro, algumas dezenas (na estatística mais conservadora) ou centenas de pessoas perderam suas vidas. Mas essa história não se resume a mortes. A invasão do Iraque rendeu bilhões de dólares a empresas norteamericanas. Essa matemática macabra aparece também no 11 de setembro de 1973. O golpe de Pinochet provocou 40 mil vítimas e gordos lucros para os amigos do ditador e para ele próprio: US$ 27 milhões, só em contas secretas.

 

O mundo se tornou um lugar mais seguro, dez anos depois dos atentados de 11 de setembro e da “guerra ao terror” promovida pelos Estados Unidos para se vingar do ataque? A resposta de Washington ao ataque contra o World Trade Center e o Pentágono engendrou duas novas guerras – no Iraque e no Afeganistão – e uma contabilidade macabra. Para vingar as mais de 2.900 vítimas do ataque, mais de 900 mil pessoas já teriam perdido suas vidas até hoje. Os números são do site Unknown News, que fornece uma estatística detalhada do número de mortos nas guerras nos dois países, distinguindo vítimas civis de militares. A organização Iraq Body Count, que usa uma metodologia diferente, tem uma estatística mais conservadora em relação ao Iraque: 111.937 civis mortos somente no Iraque.

Seja como for, a matemática da vingança é assustadora: para cada vítima do 11 de setembro, algumas dezenas (na estatística mais conservadora) ou centenas de pessoas perderam suas vidas. Em qualquer um dos casos, a reação aos atentados supera de longe a prática adotada pelo exército nazista nos territórios ocupados durante a Segunda Guerra Mundial: executar dez civis para cada soldado alemão morto. Na madrugada do dia 2 de maio, quando anunciou oficialmente que Osama Bin Laden tinha sido morto, no Paquistão, por um comando especial dos Estados Unidos, o presidente Barack Obama afirmou que a justiça tinha sido feita. O conceito de justiça aplicado aqui torna a Lei do Talião um instrumento conservadora. As palavras do presidente Obama foram as seguintes:

“Foi feita justiça. Nesta noite, tenho condições de dizer aos americanos e ao mundo que os Estados Unidos conduziram uma operação que matou Osama Bin Laden, o líder da Al Qaeda e terrorista responsável pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças.”

O conceito de justiça usado por Obama autoriza, portanto, a que iraquianos e afegãos lancem ataques contra os responsáveis pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças. E provoquem outras milhares de mortes. E assim por diante até que não haja mais ninguém para ser morto. A superação da Lei do Talião, cabe lembrar, foi considerada um avanço civilizatório justamente por colocar um fim neste ciclo perpétuo de morte e vingança. A ideia é que a justiça tem que ser um pouco mais do que isso.

Nem tudo é dor e sofrimento

Mas a história dos dez anos do 11 de setembro não se resume a mortes, dores e sofrimentos. Há a história dos lucros também. Gordos lucros. Uma ótima crônica dessa história é o documentário “Iraque à venda. Os lucros da guerra”, de Robert Greenwald (2006), que mostra como a invasão do Iraque deu lugar à guerra mais privatizada da história: serviços de alimentação, escritório, lavanderia, transporte, segurança privada, engenharia, construção, logística, treinamento policial, vigilância aérea…a lista é longa. O segundo maior contingente de soldados, após as tropas do exército dos EUA, foi formado por 20 mil militares privados. Greenwald baseia-se nas investigações realizadas pelo deputado Henry Waxman que dirigiu uma Comissão de Investigação sobre o gasto público no Iraque.

Parte dessa história é bem conhecida. A Halliburton, ligada ao então vice-presidente Dick Cheney, recebeu cerca de US$ 13,6 bilhões para “trabalhos de reconstrução e apoio às tropas. A Parsons ganhou US$ 5,3 bilhões em sérvios de engenharia e construção. A Dyn Corp. faturou US$ 1,9 bilhões com o treinamento de policias. A Blackwater abocanhou US$ 21 milhões, somente com o serviço de segurança privada do então “pró-Cônsul” dos EUA no Iraque, Paul Bremer. Essa lista também é extensa e os números reais envolvidos nestes negócios até hoje não são bem conhecidos. A indústria da “reconstrução” do Iraque foi alimentada com muito sangue, de várias nacionalidades. Os soldados norte-americanos entraram com sua quota. Até 1° de setembro deste ano, o número de vítimas fatais entre os militares dos EUA é quase o dobro do de vítimas do 11 de setembro: 4.474. Somando os soldados mortos no Afeganistão, esse número chega a 6.200.

A matemática macabra envolvendo o 11 de setembro e os Estados Unidos manifesta-se mais uma vez quando voltamos a 1973, quando Washington apoiou ativamente o golpe militar que derrubou e assassinou o presidente do Chile, Salvador Allende. Em agosto deste ano, o governo chileno anunciou uma nova estatística de vítimas da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990): entre vítimas de tortura, desaparecidos e mortos, 40 mil pessoas, 14 vezes mais do que o número de vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001. Relembrando as palavras do presidente Obama e seu peculiar conceito de justiça, os chilenos estariam autorizados a caçar e matar os responsáveis pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças.

Assim como no Iraque, nem tudo foi morte, dor e sofrimento na ditadura chilena. Com a chancela da Casa Branca e a inspiração do economista Milton Friedman e seus Chicago Boy’s, Pinochet garantiu gordos lucros para seus aliados e para si mesmo também. Investigadores internacionais revelaram, em 2004, que Pinochet movimentava, desde 1994, contas secretas em bancos do exterior no valor de até US$ 27 milhões. Segundo um relatório de uma comissão do Senado dos EUA, divulgado em 2005, Pinochet manteve elos profundos com organismos financeiros norte-americanos, como o Riggs Bank, uma instituição de Washington, além de outras oito que operavam nos EUA e em outros países. Segundo o mesmo relatório, o Riggs Bank e o Citigroup mantiveram laços com o ditador chileno durante duas décadas pelo menos. Pinochet, amigos e familiares mantiveram pelo menos US$ 9 milhões em contas secretas nestes bancos.

Em 2006, o general Manuel Contreras, que chefiou a Dina, polícia secreta chilena, durante a ditadura, acusou Pinochet e o filho deste, Marco Antonio, de envolvimento na produção clandestina de armas químicas e biológicas e no tráfico de cocaína. Segundo Contreras, boa parte da fortuna de Pinochet veio daí.

Liberdade, Justiça, Segurança: essas foram algumas das principais palavras que justificaram essas políticas. O modelo imposto por Pinochet no Chile era apontado como modelo para a América Latina. Os Estados Unidos seguem se apresentando como guardiões da liberdade e da democracia. E pessoas seguem sendo mortas diariamente no Iraque e no Afeganistão para saciar uma sede que há muito tempo deixou de ser de vingança.