IMPRESSÕES – por olsen jr / ilha de santa catarina

Abstraindo a bisbilhotice pura e simples acredito, o homem sempre foi movido pela curiosidade. A curiosidade (junto com a necessidade) pode ser uma fonte de inusitadas descobertas. Penso na borracha por exemplo. Mas é outra história… Saber o que os outros pensam de você desperta certo interesse. Como você é visto? Well… Mas quando isso acontece ao vivo e em cores, intrigante…

    O ambiente tinha uma luz mortiça, contrariando meus princípios, estava de costas para a entrada, de maneira que não percebi a mesa que se formou atrás da minha. Pela altercação de sons e linguagens, imaginei que poderia tratar-se de três vozes femininas e uma masculina.

Lá pelas tantas a conversa recaiu sobre a literatura de modo geral e a catarinense em particular. Uma das mulheres comentou que havia recebido emprestado de uma amiga o livro “Memórias de um Fingidor”, já tinha lido e apreciado muito, mais, que gostaria de ter sido a “heroína” da história…

Estou ouvindo aquilo e tive ímpetos de me levantar de onde estava e me apresentar, quem sabe seria um bom papo… Logo uma voz interior me alertou, deixa de ser exibido, fica quietinho aí e quem sabe você aprenda alguma coisa… Ou você pretende sentar ali, monopolizar a conversa e passar por um “cara” chato e insuportável?

Logo ouço “mas ele parece ser um sujeito de poucos amigos, carrancudo e mal humorado”… Foi sensato, penso… Poucos amigos? É verdade… Poucos e bons, acrescento… Carrancudo? É vero… Lembro de um debate na televisão com os então candidatos Mário Covas, Afif Domingues e outros (devia ser para o governo do Estado de São Paulo) e o Afif acusou o Covas de que ele tinha “duas caras” e perguntou com a qual ele iria se apresentar naquela eleição? O Mário Covas não se fez de rogado, afirmando “Ora, se eu tivesse duas caras, você acha que eu iria sair com esta?” O auditório veio abaixo… Mal humorado? Quem? Eu? Sou espirituoso, mais ou menos na linha do Bernard Shaw, Grouxo Marx, Woody Allen, mas posso ser mordaz, no gênero H. L. Mencken, Jorge Jean Nathan, Oscar Wilde ou eclético Voltariano – como lembrou o professor José Curi… Nada ofensivo, apenas cultural… Não suporto a boçalidade tentando se estabelecer… Não era o caso…

Ser “carrancudo” não muda o fato de o sujeito ser um bom escritor, afirma outra mulher, acrescentando logo em seguida “sabe-se lá com quais demônios ele se depara quando enfrenta a página em branco”… Gostei daquela última frase… Ainda assim contei até dez para não me levantar e tomar parte naquela conversa… Como a minha força de vontade nestes casos é zero, tratei de pedir a conta, não sem antes pensar no Paulo Francis “As aparências enganam, se me permitem cunhar uma frase original”… Contenho o riso e não olho para os lados quando me despeço do garçom!

 

 

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