Arquivos Diários: 17 setembro, 2011

TEORIA DA MEDIOCRIDADE – por albert einstein / do além

Dia desses, um artigo no New York Times me chamou a atenção. Também pudera, o texto tinha como ilustração aquela maldita foto onde apareço de língua de fora. Falo maldita porque na ocasião em que foi clicada, quis apenas estragar os instantâneos dos paparazzi que me importunavam, mostrando a língua a eles. O efeito foi o contrário. Acabei por alimentar ainda mais a imagem de gênio irreverente, distraído e não preso às convenções. Cristalizei o mito que nunca gostei de encarnar. Mas já não reclamo mais. Se isso anima as plateias, tudo bem. Com base nesse episódio, cheguei à seguinte formulação: Entretenimento é igual a mentira vezes casualidade ao quadrado. E= mC2.

Mas voltando ao artigo do NYT, nele Neal Gabler sustenta que as ideias não são mais o que eram antes. As atuais não incendeiam debates, não incitam revoluções nem alteram a maneira como vemos e pensamos o mundo. Há uma falta de gênios públicos. Gabler não acha que as mentes de hoje sejam inferiores às das gerações passadas. O problema não é de burrice. A questão é que ninguém dá a mínima para as grandes ideias. Prestamos atenção só naquelas que podem ser monetizadas. Daí o fascínio pelos empreendedores da web. Para Garber, a Era da Informação transformou todos em acumuladores de fatos e não em pensadores. Maldita internet.

Não discordo por completo do articulista. E acrescento outros aspectos. Em parte, a falta de gênios se deve às redes sociais. Você começa a seguir alguém que considera genial e em poucos postsa pessoa se revela uma besta. Não há mito que resista à proximidade e ao excesso de microfone. A exaltação aocrowdsourcing, modelo de produção que utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários espalhados pela internet, também dilui a importância e a aparição das grandes cabeças. O problema do crowdsourcing é que ele não rende boas estátuas. Os parques não estão preparados para monumentos tão grandes. Além disso, o único gênio desses esquemas colaborativos é o cara que faz o grupo todo trabalhar de graça em seu benefício.

Outro fator que dificulta a identificação de gênios é o uso indiscriminado desse qualificativo. Chama-se de gênio o DJ de fim de semana, a segunda voz da dupla sertaneja, o sujeito que desenhou um novo furador de coco. Há até técnico de futebol, sem grande expressão, que atende pela alcunha de Geninho. O amor sofre do mesmo mal. Esse sentimento, antes elevado e raro, banalizou-se. Amam-se bolsas, cachorros, dietas e tablets. Não amo muito tudo isso.

Mas há uma questão que Glaber não considera. Ser gênio é bom só para consumo dos outros. Viver como um não é tão delicioso. Não falo só da dificuldade de se relacionar com as coisas mundanas e calçar as meias de uma mesma cor. A genialidade é uma anomalia, uma doença cujos sintomas externos enganam: fama, poder e admiração. No entanto, esse estágio, na maioria das vezes, só é alcançado depois da morte ou nos estertores da vida. Quando ela é precoce, se consume ou é consumida rapidamente. O gênio é visionário e como tal passa boa parte da sua carreira na incompreensão. As grandes mentes, em geral, são acompanhadas de obsessões, compulsões, manias e comportamento antissocial. A lista de perturbados pela sua própria genialidade é enorme. Bach, Munch, Michael Jackson, Kant, Santos-Dumont, Marlon Brando, Nietzsche, Van Gogh e Dostoievski, só para citar alguns.

Espero que o último parágrafo tenha lhe servido de consolo e faça você retornar ao Facebook aliviado e sem culpa.

Vitor Knijnik 

Milhares saem às ruas na Europa e EUA em protesto contra mercados financeiros

Na manhã deste sábado (17/09), centenas de pessoas se concentraram nas imediações da Bolsa de Valores de Madrid para protestar contra o mercado financeiro do país. A reivindicação faz parte da iniciativa conhecida como “Occupy Wall Street” (Ocupar Wall Street, em tradução livre) que mobilizou protestos semelhantes em frentes às bolsas de valores de 74 cidades pelo mundo. 

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Como o nome indica, a ação foi iniciada nos Estados Unidos, onde um protesto deverá tomar a Wall Street, símbolo do mercado financeiro do país, na noite deste sábado. O ponto de encontro entre os manifestantes é a estátua do Touro da Wall Street, que simboliza a agressividade do mercado financeiro norte-americano.

Embora semelhantes, cada cidade impõe suas demandas em protestos que deverão durar, pelo menos, até o próximo domingo (18/09). Em Nova York, os manifestantes demandam uma economia a serviço das pessoas, a regulação dos mercados financeiros, a limitação da influência desses mercados na vida política, a criação de um banco público e uma partilha justa e equitativa da riqueza.

Em Madrid, a manifestação foi convidada pelo movimento 15-M, conhecidos como “indignados”, que foram às ruas do país nos últimos meses para exigir reformas políticas, econômicas e sociais.

No protesto, iniciado às 12 de Madrid (07h no horário de Brasília), os manifestantes trazem faixas com dizeres como “FMI, deixe-nos viver”, “Ditadura dos mercados”; “A Bolsa ou a vida”, “Cuidado com a carteira, você está na Bolsa”, “Bancos sim; públicos e para sentar-se”, entre outras em protesto com o sistema financeiro do país.

Vídeo divulgado na Espanha para convocar o protesto

Em meio à crise econômica que afeta países europeus e também os Estados Unidos, diversas manifestações ainda deverão ocorrer neste final de semana em nações como Alemanha, Holanda, Portugal, Grécia, França, entre outras, reunindo milhares de pessoas.

*Com informações do jornal El Mundo e da emissora CNN

PLASTIKOS – de gilda kluppel / curitiba

Plastikos

O ícone da atualidade

dispensando a argila

moderno, termoplástico e elástico

este policloreto de vinila

adquire qualquer formato

por dentro correm as águas

reveste o piso, o teto e a parede

cria flores quase eternas

no frasco onde saciamos a sede

embalando diversos produtos

em tudo o ente plástico

o artificial artefato

descartáveis sintéticos

viram meros entulhos

a natureza em maltrato

no universo submerso

perversos com o meio ambiente

em suas inúmeras peças

formam um mosaico decadente

e nada que impeça

a paisagem em desarmonia

confundem as tartarugas marinhas

engolem seus piores pedaços

algas embrulhadas com plasticidade

como invadiu tantos espaços…

plastificará os mares por inteiro

assustando os marinheiros

de longas jornadas

nós, os passageiros

e o ser plastificador sorrateiro

querendo dominar o cenário

montanhas de lixo plastificadas

estáticas e petrificadas

pelos intrusos não biodegradáveis

realidade plastificante

pensou em seu uso e não no desuso

esquecendo da desplastificação

dos materiais macromoleculares

de longa decomposição

nada é justificável, apenas plastificável.