ASPIRAÇÃO – de zuleika dos reis / são paulo


  

 

Pairem minhas palavras

para sempre

pássaros sem assinatura

sonhos de poemas

jamais escritos

a serem colhidos

por mãos invisíveis

que possam escrevê-los

e assim se faça

a poesia

que nunca hei de ler

no anonimato

que ninguém saberá.

 

Assim me faça

desconhecida

nos poemas

de palavras anônimas

colhidas

por um autor a vir

que se saiba

ou que almeje saber-se

em tal sonho de ritmos

escritos por ninguém.

 

Em espaço onde pairem

sempiternas

as histórias

os silêncios

de tudo o que houve

e não

neste tempo em que eu

NÃO

assim fiquem também meus hiatos

meus vazios

 

ausências

que um poeta a vir preencha

com a própria respiração.

6 Respostas

  1. Imagine eu imaginar que você se gabe de alguma coisa. Você nunca faz isso,anjo.
    Beijo
    Zu.

  2. Mas Zuzu, eu também quase nada sei…e o pouco que sei não tenho certeza. Somos assim mesmo. Não quis me gabar de meu ( pouco ) conhecimento,desculpe me se dei esta impressão.

    bjk

  3. Oi. Segundo o que li sobre o Akasha,pensamentos, sim, que estes não podem acontecer sem palavras. Intuições,não sei, mas, por que não? Omar, não sei dizer mais,pouco conheço, ou melhor conheço quase nada de todas as coisas. Eu só falei do Akasha porque me foi a inspiração poética para o texto, só por essa razão.
    Abraço da amiga
    Zu.

  4. Espero que os registros akashikos possam conter alem das palavras, pensamentos e intuições já que muitas vezes não conseguimos expressar com palavras, realizar em nossos pensamentos e controlar em nossas intuições.

  5. Bem, só posso louvar a beleza do teu poema-comentário. Este meu ASPIRAÇÃO, que já tem quase oito anos de existência, inspirou-se em uma concepção da Tradição Oculta segundo a qual há um espaço chamado Akasha, onde todos os nossos pensamentos e palavras permanecem gravados para sempre.É uma ideia deveras muito forte e densamente poética. Assustadora, também. Dela me veio este poema.
    Beijo
    Zu…zu

  6. Palavras que se escondem ou que escondes,
    vazios sempre preenchidos por alguma coisa.
    Poesias sem assinatura possível,
    letras que caem pela cachoeira
    num papel impermeável
    e correm para o mar batendo os bracinhos aflitos.
    Ventos enclausurados em muros sem altura visível.
    A ciência da intuição.
    O silêncio das ondas batendo forte contra as rochas,
    a tempestade nas matas,
    tempestades tímidas,
    sem continuação possível.
    A brisa quente na ilha perdida
    que a água vai continuamente encobrindo
    até que fique apenas um montículo de areia molhada.
    Até que respire apenas um pequeno pássaro azul
    em busca de flores de cerejeira.

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