Beijando a mão que surra – por alceu sperança / cascavel.pr

O Brasil está virado pelo avesso, com violência, corrupção, tudo muito caro, a educação precária e saúde aos pedaços. E mesmo assim os donos do poder vão levando na mesma toada de sempre, na base do “País vive seu melhor momento”.

Deve ser o tal poder do otimismo. Você vê um corpo tombando ao seu lado, sangrando por vários furos de balas, e diz: “No outro mundo ele vai viver melhor!”

Os resultados eleitorais de 2010 mostraram uma retumbante vitória dos dois governos, o de hoje e o de ontem, vitória do projeto de alternância que faz um deles ser também o governo de amanhã.

Para o PMDB, Paris é uma festa. Encontrou a fórmula perfeita para participar de todos os governos e continuar enriquecendo os ricos com o aval dos pobres. Não deu pra mais ninguém. Foi cem por cento de vitória para a engabelação neoliberal em todas as capitais e nas grandes cidades, onde se julga que a população seja mais consciente e menos manipulável pela ideologia e pela propaganda.

É a supremacia definitiva da ilusão eleitoral, montada com a legislação, a propaganda, a máquina oficial e o financiamento privado milionário das campanhas.

Parece espantoso o quanto somos manipuláveis pela ideologia. O Brasil com tudo muito caro e o mundo em meio a uma das mais graves crises da história, e o que se vê? A vitória dos mesmos que criaram e mantêm essa careza e essa crise.

A careza e a crise são resultantes das políticas desenvolvidas até agora. Seus formuladores, gestores e executores são incapazes de responder aos problemas da sociedade, mas vencem cem por cento das eleições das quais participam. As consequências desastrosas de suas administrações empobrecem, enlutam e infelicitam milhões de pessoas pelo mundo afora, mas eles continuam manipulando os cordéis.

A careza e a crise são brutais, mas seus murros não conseguem causar sensação de dor. Há uma couraça maciça de anestesia e engabelação criada para manter os povos sob controle, até com o uso de candidatos operários, negros, jovens, mulheres, ambientalistas etc escalados para fingir que há opção e escolha quando, na verdade, existem apenas atores repetindo um script ensaiado para que a comédia vá se desenvolvendo em programados e sucessivos atos.

É evidente que os vitoriosos nas eleições, suas idéias retrógradas, métodos de gestão superados e partidos traidores dos próprios princípios estão na raiz desses preços tão altos e dessa monumental crise.

Nada leva a crer que lobos se transformarão em ovelhas, num passe de mágica ou aquinhoados por uma benfazeja inspiração divina. Seu papel é continuar mantendo um sistema caracterizado por insanáveis contradições, construído através de ações predadoras, destrutivas e desumanas.

Os preços altos e a crise provam com extrema clareza o fracasso da tecnocracia neoliberal, com suas idéias já moribundas de “liberalização” dos mercados, livre circulação de capitais, comando das nações pelo capital financeiro e grandes multinacionais − o chamado “caminho único” para a prosperidade e a felicidade dos povos.

O fruto dessa ideologia é amargo. Seus gomos venenosos são o caos financeiro, a miséria, a ruína da saúde, a precarização dos direitos, o aumento das desigualdades nacionais e sociais.

Nos países mais desenvolvidos, aumentam os gastos que uma família é obrigada a fazer. Nos mais pobres, piora os já crônicos problemas agro-alimentares, energéticos e ambientais. É a liberdade que nos deram: beijar a mão que nos dá tapa.

 

O autor é escritor

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