Arquivos Diários: 27 setembro, 2011

Lula recebe, hoje, título de doutor Honoris Causa em Paris

Fundação Sciences-Po concedeu honraria ao ex-presidente nesta terça (27).

Ele é a primeira personalidade latinoamericana a receber o título.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta terça-feira (27) o título de Doutor Honoris Causa do Instituto de Ciência Política de Paris, o que ele considerou “uma homenagem ao povo brasileiro”. “Este título não é um reconhecimento pessoal, é uma homenagem ao povo brasileiro”, declarou o ex-presidente em cerimônia no anfiteatro do instituto.

Aplaudido de pé pelos docentes, estudantes e embaixadores de vários países latino-americanos, que agitavam bandeiras verde e amarelas, Lula se tornou a primeira personalidade da América Latina a receber este título.

“É para mim uma grande honra recebê-lo, e ainda maior porque sou o primeiro latino-americano”, declarou Lula.

Lula recebeu a homenagem das mãos de Jean-Claude Casanova, representante do Instituto da França e presidente da Fundação Nacional das Ciência Política. Casanova citou o crescimento da classe média e a redução da desigualdade social durante o governo do petista.

Compareceram também à cerimônia os ex-ministros do governo Lula José Dirceu e Márcio Thomaz Bastos, o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), os diretores do Instituto Lula Luiz Dulci e Clara Ant, o secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, e o ex-primeiro ministro de Portugal, José Sócrates.

Em seu discurso, o ex-presidente enumerou avanços sociais de seus dois mandatos (2003-2011) e destacou o que ele chamou de uma gestão que “começou a tratar os pobres como verdadeiros cidadãos”.

Metalúrgico e líder sindical sem título universitário, que concorreu três vezes à Presidência antes de ser eleito, Lula declarou-se “orgulhoso de ter criado 14 universidades, 126 campi universitários e 214 escolas técnicas.”

“Pertenço a uma geração que acreditou muito que era possível”, afirmou Lula antes de confessar que talvez tenha sido por “orgulho de classe” que quis “demonstrar que um metalúrgico sem diploma universitário podia fazer mais do que a elite política do Brasil”.

Diante de cerca de 20 doutores em Ciência Política sentados nas primeiras filas, o ex-presidente reivindicou a política como “impulsionadora de mudanças” e, se dirigindo aos jovens, a reivindicou como ferramenta de “participação” na democracia.

Este é o sétimo título de doutor Honoris Causa recebido por Lula.

 

 

Do G1, com informações da AFP e do Valor Online

ENOMIS – por jorge lescano / são paulo

Era uma vez um príncipe almejado por todas as donzelas, porém seu grande e verdadeiro amor chamava-se Enomis, e tanto amor lhe vinha não apenas do nome, que significa “a de olhar gentil”, mas também do ouro, um dos seus muitos atributos.

Engana-se quem pense que o metal deslumbrava a mente do mancebo e não a sua beleza ebúrnea.

Erra quem acredite que o amor ao ouro é indignidade. Os que cobiçam ouro para com ele comprar prazeres e poder, não amam em verdade o ouro e sim aqueles prazeres e o poder. O fascínio do ouro não os toca, esbanjam-no qual tagarela as palavras.

Não estava neste caso o príncipe, que com ele se engalanava cada manhã, após as abluções e até na cabeleira espargia uma fina camada do metal precioso. Cintilava o ouro sobre a testa régia, dir-se-ia, do sol, um suave orvalho.

Tal hábito sagrado diferenciava os seres de alta estirpe do resto dos mortais, distinguia-se deste modo o jovem cavalheiro, tanto do campônio rude, quanto do mais erudito cortesão.

Como vedes, de Enomis não poderia desejar o ouro e sim seu puro encanto.

Enomis era, contudo, uma vestal. Sacerdotisa devotada a um vasto culto no qual, após a iniciática cerimônia, onde confluíam duas primaveras, aos astros nunca mais mostrar-se-ia. Viveria, daí por diante, vestida somente pela longa cabeleira. Nada decorava o aposento da reclusa. Imaginava-se, no entanto, que tênues esculturas de vapor perfumavam devagar a cela, por cujo chão marmóreo deslizavam os pés nus.

Existia invisível. Do claustro não vazava sequer a voz de brisa, de castidade era o voto, e de silêncio, e de nunca elevar os olhos para o altar.

Definhava o mancebo em meio a riquezas incontáveis. Ocultava-se na alcova, submerso em melancólica penumbra, pois nem o supremo bem da liberdade o atraia.

Da harpa, as mãos, languidesciam. Temendo ecos de uma voz perdida, as cordas não mais ousava dedilhar. Pesadas cortinas o isolavam da campina circundante. Morriam nas pregas do veludo os trinados e o brilhar do sol, e a lua, menos sutil que Enomis, da presença do amoroso foi banida.

Estórias como esta não tem fim, e mesmo seu final parece incerto.

 

  (Cala-se o venerável bardo e empunha seu cajado. Vá-se.)