Arquivos Diários: 28 setembro, 2011

Cuba autoriza compra e venda de veículos / havana

28/09/2011 – 14:38 | Thassio Borges | 

Uma das propostas mais esperadas após o VI Congresso do Partido Comunista Cubano foi oficializada nesta quarta-feira (28/09). A partir de agora, os cubanos podem comprar e vender carros legalmente. A proibição já durava mais de 50 anos.

A medida vale para cubanos residentes no país e estrangeiros que também residem na ilha, em caráter permanente ou temporário. Os cubanos podem comprar carros novos contanto que obtenham renda por “seu trabalho em funções designadas pelo Estado ou no interesse deste”, informou a Gazeta Oficial nesta quarta.

Além disso, a compra dependerá de uma permissão que poderá ser obtida uma vez a cada cinco anos no Ministério do Transporte. Os estrangeiros não precisarão de licenças especiais, mas só poderão comprar dois veículos durante o período em que estiverem na ilha.

Anteriormente, os cubanos poderiam até comprar carros modernos, importados ou de segunda mão. As compras, no entanto, só poderiam ser feitas por artistas, esportistas e também por médicos que cumprem missões oficiais em outros países.

Quem deixar o país, a partir de agora, também poderá vender seus veículos antes de partir. Outra opção é transferir o carro para alguém da família. A compra e venda de imóveis é outra medida discutida no Congresso que poderá ser oficializada em breve. Outras mudanças debatidas no Congresso dizem respeito às viagens internacionais de cubanos, ao trabalho por conta própria e à libreta de racionamento, entre outras.

LA BODEGUITA DEL MEDIO bar que ficou famoso pela presença de Hemingway.

*Com informações da AFP.

Das vantagens de sair caminhando por aí – por amilcar neves / ilha de santa catarina

Já estamos quase cansados de tanto exercício, ou melhor, de tanto ouvir falar que a atividade física é importante, talvez fundamental, para a manutenção de boas condições de saúde do corpo e da mente. Mexer-se em ritmo puxado ajudaria a combater a hipertensão arterial e a prevenir a (ou o) diabetes, a reduzir a obesidade e melhorar o sono, a tonificar os músculos e inflar a autoestima, a oxigenar o cérebro e destravar as juntas.


Para os que são da água, costuma-se prescrever a natação como santo remédio; para os da terra, a simples caminhada operaria milagres. O voo seria a atividade física ideal para os que fossem do ar, caso existissem entre os humanos gente com essa habilidade; acredita-se que não exista.


Houve tempo em que fazer exercício era matéria restrita às aulas de educação física nas escolas ou às obrigações dos atletas profissionais nos clubes. Homens adultos, velhos já de 30 anos, usariam terno escuro, camisa branca de colarinho, gravata preta, sapato social de couro e chapéu de abas em feltro também escuro a fim de se protegerem do sol ou do sereno, dependendo do período do dia em que tivessem que se expor às inclemências atmosféricas – e não fariam exercício de espécie alguma sob pena de serem malvistos e malfalados: coisa de desocupados, como os artistas e os escritores.


Às mulheres, então, nem se fala: inadmissível perder-se em exercícios físicos uma senhora casada, mãe de família com três ou quatro filhos paridos na fase da vida de maior rendimento das gestações, ou seja, entre os 20 e os 30 anos (antes de se tornarem balzaquianas, quando então, se não tivessem logrado o matrimônio, passavam automaticamente a contar entre a legião inconsolável e irremediável das solteironas, perdidos para sempre os gozos da vida – e geralmente ainda virgens).


Os tempos mudaram e percebeu-se que os infartos, derrames e tromboses, entre outros males, poderiam ser retardados ou amenizados pela atividade física regular e assistida. Foi quando explodiu a febre das academias e todo homem e cada mulher passou a se ver como atleta de alto rendimento – se não efetivo, pelo menos potencial. A história das autoajudas: você tudo pode se acreditar que pode. Profissionalizou-se o que era exercício banal, repleto de roupas, acessórios, cores e modismos.


Todo mundo começou a caminhar em marcha forçada. Os parques e vias públicas povoam-se cada vez mais de gente paramentada caminhando de um lado para outro, todos sorridentes em seus ares superiores.


Então, de repente, cai a bomba: caminhar não faz mais a cabeça do organismo, não dá mais conta da saúde mental e é preciso romper esse ciclo vicioso ao qual submetemos o nosso corpo que já anda quase sozinho, no piloto automático, sem beneficiar-se mais da imprescindível atividade física.


A ordem agora é correr – com novos equipamentos, com acessórios específicos, com consultores esportivos. Com custos crescentes.


No entanto, ainda é a caminhada, desinteressada do desempenho olímpico, a atividade que permite perceber que as pessoas têm olhos, e não endereços eletrônicos; que concede um tempo pessoal ao andante (quando ele caminha na rua e, não, parado sobre uma esteira mecânica à frente de uma televisão ligada); que revela os jacarés no Rio do Sertão; e que libera o escritor para gerar o seu conto, a sua crônica ou a solução para sua novela, textos que depois, no seu refúgio, é só passar para o papel ou a tela do computador. Com um pé nas costas.

AMILCAR NEVES é membro da Academia Catarinense de Letras.