CARNE CELESTE – de solivan brugnara / quedas do iguaçu.pr

                                                                       

Carne celeste

Sinto algo de santificador no céu,

os pássaros e pipas

são batizados por algo sublime.

O metal do avião,

o corpo do aviador

e dos passageiros,

quando molhado pelo azul

se tornam diferentes.

Há na pena,  no meteoro,

no satélite,

no alumínio esmagado

de um acidente aéreo

algo de sagrado.

Mesmo o lixo

quando elevado pelo vento

sublima-se.

Como é lindo ver

os papeis,as sacola plásticas

quando dançam sobre as cidades

num êxtase de cisnes.

Há em mim sempre

a vontade de apanhar granizos

de guardá-los com cerimônias,

e de beber

a água benta da chuva,

de acariciar balões e pára-quedas.

Sim,tenho em minha geladeira granizo

e nas gavetas todas as passagens aéreas,

e qualquer pedaço de papel sujo,

qualquer sacola plástica

que tenha visto dançar.

Em minha carteira

esta uma semente, destas emplumadas,

em uma manhã de domingo olhei ela descer do céu

calmamente,com graça

e pousar tão próxima que a apanhei.

Guardo,porque desconfio,

que como nos pregos

na lança e nos espinho,

fica em tudo que voa um pouco do divino,

por terem todos também

transpassado o corpo de Deus.

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