Arquivos Mensais: outubro \31\UTC 2011

ARCEBISPO Dom DADEUS acusa o judiciário de CORRUPÇÃO

Após condenação, Dom Dadeus acusa Judiciário de corrupção

Arcebispo questionou quando começará uma faxina no Judiciário 

Indignado com uma condenação do Tribunal de Justiça de São Paulo, o Emílio Pedroso/Agencia RBS

arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings, acusou o Judiciário de corrupção.

— O problema da corrupção no Brasil tem sua base exatamente ali, no Judiciário. Todos sabem disso, mas poucos têm coragem de denunciá-lo. Nossa presidente começou a faxina no Executivo. Quando será a vez do Judiciário, onde o problema é muito mais grave? — disse o arcebispo.

Dom Dadeus foi condenado, juntamente com a diocese de São João da Boa Vista (SP), a pagar indenização de R$ 940 mil a uma família de Mogi Guaçu (SP).

A entrevista coletiva de Dom Dadeus, que se iniciou às 14h, teve como objetivo o anúncio de “fato relevante”. Na sua fala, ele começou dizendo que “chegou ao fim mais um capítulo da agressão do Judiciário contra a Igreja Católica”.

No final da tarde, a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) divulgou nota de indignação quanto à declaração de Dom Dadeus. “É necessário que a cidadania perceba que um país, para ser substancialmente democrático, deve contar com um Poder Judiciário laico, imparcial e independente”, diz a nota, que é assinada pelo presidente da associação João Ricardo dos Santos Costa.


Léo Gerchmann ZH

Anúncios

PRIMEIRO ENCONTRO MUNDIAL DE BLOGUEIROS divulga a Carta de Fóz do Iguaçu

 

Carta de Foz do Iguaçu

 

O 1º Encontro Mundial de Blogueiros, realizado em Foz do Iguaçu (Paraná, Brasil), nos dias 27, 28 e 29 de outubro, confirmou a força crescente das chamadas novas mídias, com seus sítios, blogs e redes sociais. Com a presença de 468 ativistas digitais, jornalistas, acadêmicos e estudantes, de 23 países e 17 estados brasileiros, o evento serviu como uma rica troca de experiências e evidenciou que as novas mídias podem ser um instrumento essencial para o fortalecimento e aperfeiçoamento da democracia.

Como principais consensos do encontro – que buscou pontos de unidade, mas preservando e valorizando a diversidade –, os participantes reafirmaram como prioridades:

– A luta pela liberdade de expressão, que não se confunde com a liberdade propalada pelos monopólios midiáticos, que castram a pluralidade informativa. O direito humano à comunicação é hoje uma questão estratégica;

– A luta contra qualquer tipo de censura ou perseguição política dos poderes públicos e das corporações do setor. Neste sentido, os participantes condenam o processo de judicialização da censura e se solidarizam com os atingidos. Na atualidade, o WikiLeaks é um caso exemplar da perseguição imposta pelo governo dos EUA e pelas corporações financeiras e empresariais;

– A luta por novos marcos regulatórios da comunicação, que incentivem os meios públicos e comunitários; impulsionem a diversidade e os veículos alternativos; coíbam os monopólios, a propriedade cruzada e o uso indevido de concessões públicas; e garantam o acesso da sociedade à comunicação democrática e plural. Com estes mesmos objetivos, os Estados nacionais devem ter o papel indutor com suas políticas públicas.

– A luta pelo acesso universal à banda larga de qualidade. A internet é estratégica para o desenvolvimento econômico, para enfrentar os problemas sociais e para a democratização da informação. O Estado deve garantir a universalização deste direito. A internet não pode ficar ao sabor dos monopólios privados.

– A luta contra qualquer tentativa de cerceamento e censura na internet. Pela neutralidade na rede e pelo incentivo aos telecentros e outras mecanismos de inclusão digital. Pelo desenvolvimento independente de tecnologias de informação e incentivo ao software livre. Contra qualquer restrição no acesso à internet, como os impostos hoje pelos EUA  no seu processo de bloqueio à Cuba.

Com o objetivo de aprofundar estas reflexões, reforçar o intercâmbio de experiências e fortalecer as novas mídias sociais, os participantes também aprovaram a realização do II Encontro Mundial de Blogueiros, em novembro de 2012, na cidade de Foz do Iguaçu. Para isso, foi constituída uma comissão internacional para enraizar ainda mais este movimento, preservando sua diversidade, e para organizar o próximo encontro.

 

Gilberto Dimenstein (pig) e o sentimento da minoria – por paulo teixeira / são paulo.sp

Dimenstein (pig) e o sentimento da minoria


O jornalista Gilberto Dimenstein quis solidarizar-se com o ex-presidente Lula, mas não conseguiu. Em sua coluna “O câncer de Lula me envergonhou”, publicado pela Folha Online deste domingo (30/10), ele condena o preconceito de uma minoria que, neste momento, diz que Lula deveria se tratar no SUS, o Sistema Único de Saúde.

Em seu texto, Dimenstein faz alguns elogios a Lula e diz que o ex-presidente foi conivente com a corrupção. Baseado em quê?

Lula tomou uma série de providências no combate à corrupção durante o seu governo. Se não, vejamos.

Os procuradores gerais indicados pelo então presidente foram indicados sem o compromisso de aliviar a vida do governo, diferentemente do que ocorreu no governo FHC, quando o procurador geral era chamado de “engavetador geral da república”.

A Polícia Federal atuou com independência e autonomia funcional, prendendo inclusive um irmão do então presidente, que sequer foi indiciado depois.

A Controladoria Geral da República (CGU) foi instalada em todos ministérios, atuando como órgão de controle interno com mãos fortes.

Lula enviou para o Congresso Nacional duas legislações importantes de combate à corrupção: a legislação de acesso aos dados públicos, recentemente aprovada, e que exigirá a máxima transparência do Estado brasileiro; e a outra legislação importante, tramitando na Câmara Federal, pune o corruptor.

O texto do jornalista é paradoxal na medida em que, ao condenar tal minoria, a acompanha nos seus preconceitos.

Paulo Teixeira é Deputado Federal do PT.

OS BEATLES e STEVE JOBS – por olsen jr / ilha de santa catarina


(última parte)


   A Apple Corporation (dos Beatles) foi fundada em janeiro de 1968. A ideia era criar uma empresa que gerenciasse os negócios dos Beatles e que se constituísse em uma alternativa para promover artistas de talento dando-lhes uma primeira oportunidade, algo que “eles” próprios não tiveram quando começaram a carreira.  Adotar a maçã como logotipo foi sugestão do Paul McCartney que afirmou ser apaixonado por arte moderna da primeira metade do século XX, em especial pelo artista belga René Magritte de quem adquiriu vários quadros, em um deles havia uma bela maçã verde e não foi difícil convencer os outros Beatles em aceitá-la.

A Apple Computer (do Steve Jobs) foi fundada em 1976. Criadora dos computadores Mac, do popular iPod e o iTunes.

O primeiro processo da Apple Corps contra a Apple Computer veio em 1981, pelo uso do mesmo nome e do mesmo logotipo (a maçã). Jobs pagou US$ 80.000 e fez um acordo de que ficaria fora do ramo da música.

Em 1989 veio outra ação porque a Apple Computer lançou um software de edição de música. Novo acordo e Jobs pagou US$ 26.000.000 e a garantia de que só a Apple Corps teria o direito do uso da maçã e do nome em “criações cujo principal conteúdo é música” e a Apple Computer os direitos em “bens e serviços”.

O terceiro processo teve o seu desfecho neste mês. Graças à iTunes Store. A Apple Corps processou novamente a Apple Computer, alegando que a empresa quebrou o segundo acordo feito em 1989.

O juiz Edward Mann rejeitou a ação da Apple Corps alegando que tanto o iPod e o iTunes não violam o acordo porque se limitam a transmitir dados.

O iPod e o iTunes (programa de download de canções pela internet) já vendeu mais de um bilhão de músicas desde 2002. O aparelho iPod já vendeu mais de 14 milhões de unidades e estima-se que a cada dia são baixadas três milhões de músicas através do iTunes.

A Apple Corps prometeu levar o caso ao Tribunal de Apelações.

Afirmar que os aparelhos se “limitam a transmitir dados” é o mesmo que dizer que uma obra literária (um livro) é um mero reprodutor de caracteres tipográficos… Sim, é isso também, mas é mais que isso, afinal, tem alguém ordenando aqueles signos em palavras, as palavras em frases, estas em períodos, estes em capítulos e todos compondo uma história (de ficção ou não) capazes de prender a atenção de alguém que sem aquele ordenamento (estilo) não teria qualquer significado ou importância.

Talvez a marca da mordida na maçã do logotipo da Apple Computer indique nestes tristes tempos, o mercado predador do qual Steve Jobs (gênio ou não) fazia parte.

 

OLSEN JR  é membro da ACADEMIA DE LETRAS DE SANTA CATARINA.

” NOS MENTEM” livro de Olivier Pastré e Jean-Marc Sylvestre – entrevista de OLIVIER PASTRÉ / por eduardo febbro / paris.fr

Em seu livro “Nos mentem!”, os economistas franceses Olivier Pastré e Jean-Marc Sylvestre elaboraram uma espécie de catálogo da mentira em economia política ao mesmo tempo que evidenciam os erros monumentais dos organismos de crédito multilaterais, das agencias de qualificação e da mídia, que dão crédito às mentiras travestido-as de verdade. Em entrevista à Carta Maior, Pastré sustenta que, com o agravamento da crise, o sistema volta a reproduzir os mesmos problemas e as mesmas mentiras.

Conforme a hora do dia, o analista, o colunista ou o canal de televisão, os argumentos para explicar a crise mundial variam como a cor do céu. Qual é a verdade? Na realidade, a verdade é um acúmulo de mentiras que se disparam de todas as partes: o Fundo Monetário Internacional mente, as agencias de qualificação mentem, os analistas financeiros mentem, as instâncias de regulação mentem. A mentira, ou sua exposição, é a trama do ensaio dos economistas franceses Olivier Pastré e Jean-Marc Sylvestre. Em seu livro “Nos mentem!”, Pastré e Sylvestre elaboraram uma espécie de catálogo da mentira em economia política ao mesmo tempo que evidenciam os erros monumentais dos organismos de crédito multilaterais, das agencias de qualificação e da mídia, que dão crédito às mentiras travestido-as de verdade.
Não escapam às análises os dirigentes políticos e os grupos como o G20, todos amordaçados e paralisados até que o incêndio cerca a casa. Mas como destaca nessa entrevista o professor Olivier Pastré, uma vez que o incêndio se afasta, o sistema volta a reproduzir os mesmos problemas.

Seu livro é uma espécie de catálogo das mentiras que os atores econômicos expandem pelo mundo seja para explicar a crise, seja para ocultá-la. Por acaso pode se dizer que o capitalismo parlamentar nos mentiu para manter as coisas no mesmo lugar?

Como dizia Lampeduza, tem que mudar tudo para que nada mude! Mas acredito que não se deva ter visões simplificadoras. Com isso quero dizer que é muito provável que um segmento importante dos dirigentes não tenha nenhum desejo de que as coisas mudem. Sendo assim, mentem a si mesmos primeiro e depois mentem ao seu público. Contudo, para explicar a cegueira do sistema, também há que mencionar uma espécie de mecanismo de auto-sugestão. Há uma frase muito conhecida na bolsa que diz “as árvores não sobem até o céu”. Até há pouco, os dirigentes da economia de mercado acreditaram que as árvores subiam sim até o céu.

Lembro que existe uma referência recente desta com a bolha internet, a bolha das novas tecnologias. Em 2000, a valorização das empresas que operavam na rede chegou à loucura total. Contudo, os dirigentes políticos, os bancos, os analistas financeiros, os meios de comunicação, todo o mundo dizia que a internet havia criado um novo modelo e que uma empresa podia valer 500 vezes seus lucros anuais. Aqui está uma prova de inconsciência que foi sancionada pelos mercados. O mesmo acontece agora. A inconsciência de 2005, 2006 e 2007 está sendo agora sancionada pelos mercados, mas de uma forma muito mais grave. Hoje, diferente do que ocorreu com a bolha das novas tecnologias, todos os setores e todos os países estão envolvidos. Nisso radica a gravidade da crise atual.

Existem outros emissores de mentiras que detém um poder considerável: as estatísticas, as agências de qualificação e o FMI.

Se observarmos as previsões do FMI constatamos que desde muito tempo são errôneas. O FMI não antecipou a crise e hoje este organismo nos diz com certa dificuldade que a crise se instalou. E, contudo, apesar de que as previsões do FMI são largamente falsas, continuam considerando-as com uma devoção quase religiosa. E com as agencias de qualificação acontece exatamente a mesma coisa. Nenhuma agencia antecipou a crise. Quero lembrar que as agencias de qualificação haviam dado aos créditos sub prime um triple A, o que é muito preocupante. Aqui também se segue escutando as agencias de qualificação como se fossem uma Virgem Santa.

Mas a devoção e a idolatria não têm nenhuma justificativa. Se trata agora de saber a quem há que criticar: as estatísticas, as agências de qualificação, aqueles que lhe dão uma importância maior? Todo o mundo é responsável do que está acontecendo. Os bancos centrais são responsáveis, em particular o banco central norte americano, as autoridades bancárias são responsáveis, os bancos, as agências de qualificação, os analistas financeiros, os Estados são igualmente responsáveis. De fato, não há que destacar um culpável nem procurar um bode expiatório. A responsabilidade é global. A responsabilidade da crise não é só das estatísticas ou das agências de qualificação. A responsabilidade é inescapavelmente coletiva.

Outra das mentiras que você assinala e que se transformou num mito desde 2008 é o da regulação financeira. Você afirma que o G20 é em realidade papel molhado.

Sobre o G20 é preciso dizer três coisas. A primeira é que a criação do G20 foi uma muito boa idéia. Antes da criação do G20 a economia mundial estava governada pelos países mais endividados: Estados Unidos, França, etc. Além disso, haviam sido deixados de fora os países que criavam mais valores, ou seja, Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul. A criação do G20 é então, uma evolução extremamente positiva em matéria de governo econômico mundial.

Em segundo lugar, na cúpula do G20 que se celebrou em Londres em 2009 se tomaram decisões corretas no que concerne ao papel do FMI, os paraísos fiscais ou as bonificações dos traders. Mas em terceiro lugar, e aqui está o problema, desde esta cúpula de Londres o G20 deixou de tomar decisões. Por quê? Pois porque o G20, como todas as demais instâncias de regulação, só toma decisões quando se espalha o medo. Tem que acontecer o que vimos com Lehman Brothers para, seis meses depois, tomar as decisões necessárias.

O problema radica em que, uma vez que passou a tormenta, nos esquecemos de que tivemos medo e tudo volta a começar igual: a especulação, as bonificações surrealistas destinadas aos traders, etc., etc. Prova disso, foi necessário que explodisse a crise grega para que os reguladores tivessem medo e voltassem a regular. Por conseguinte, se pode dizer que o governo mundial só progride com a crise. Só quando os reguladores têm medo se botam a regular.

Mas como se pode explicar tal recurso à mentira em economia política. Economistas, dirigentes políticos, organismos internacionais, todos mentem.

É lamentável mas esta é a triste realidade. Há três tipos de mentiras: a mentira voluntária, esta que se apoia atrás do argumento segundo o qual esconder a realidade é um bom princípio; a mentira involuntária que se funda sobre uma análise errônea da situação e conduz a difundir falsas informações quase de boa fé: e a mentira que se conta a si mesmo, ou seja, quando se dispõe de uma boa análise da situação mas como não se quer reconhecer a validade da mesmo se acaba dissimulando a realidade.

Nos três casos se emitem enunciados falsos e quase ninguém questiona o discurso dominante. Há vários elementos para explicar isso. Um deles é o chamado pensamento único. Às pessoas gostam pensar o que pensam os demais. Na sociedade atual contar com um pensamento heterodoxo não é algo fácil. Por outra parte, os meios de comunicação têm uma marcada tendência a acentuar este fenômeno. Os meios se focalizam no instantâneo, no espetacular. Assim terminam difundindo a mesma análise sem profundidade.

Você é um dos poucos analistas econômicos que afirma sem ambiguidade que os Estados Unidos estão em processo de quebra.

Se os Estados Unidos fossem uma empresa já tinham declarado falência. Não há nenhuma dúvida a respeito. Os Estados Unidos viveram acima de seus meios, se endividando além do razoável e desindustrializando-se em excesso. Isso dura 20 anos! A situação norte americana é muito, muito má.

Entretanto, pese ao inocultável marasmo, você sugere que não tudo está perdido. Como se sai deste pântano? Por acaso há que terminar com a tão comentada globalização?

Eu sou um crítico das teses que propõem o fim da globalização. De fato, a globalização teve muitos defeitos, é obvio que aprofundou as desigualdades, mas, globalmente, a economia mundial nunca conheceu um crescimento tão forte como com o processo de globalização. Não há, então, que se jogar tudo no lixo. A desglobalização poderia acarretar uma perda dos benefícios adquiridos. Não quero dizer com isso que, por exemplo, a situação dos operários chineses que trabalham no setor industrial graças à globalização seja boa, não, nada disso. O que digo, sim, é que a globalização foi um fator de crescimento inquestionável, em particular para os países do sul.

Os excessos da globalização devem ser criticados. Nesse sentido, se continuo sendo otimista é precisamente porque se admitimos que todos somos responsáveis da situação atual, tanto as empresas, os bancos, os dirigentes políticos, as instâncias de regulação como as pessoas em geral, podemos mudar o curso das coisas. Se cada um destes atores econômicos se reforma é possível desembocar num governo econômico mundial mais satisfatório. Lamentavelmente, as reformas só se realizam quando não cabe outra saída. Provavelmente fará falta que a crise se agrave mais para que os dirigentes e os dirigidos aceitem as reformas.

Tradução: Libório Junior

C. M.

Entre nós – de omar de la roca / são paulo

 

 

Outro dia distraído

Quando a dor me invadia

Lembrei-me de cicatriz antiga

Que há tempos não sabia.

( entre nós vou caminhando )

Estranhamento contido

Ri  do pálido recorte.

Que outra mais profunda

Por cima já havia.

( desviando de nós aqui e ali )

A primeira  funda na época,

Mas agora é sutil .

Riscos, as outras se confundem

Com a que já existiu.

( Vou lendo entre os nós)

Outras mais antigas,não.

São sagradas.

Intocáveis.

Doem todos os dias.

( nós entre nós )

Sem que eu tenha visto a arma,punhal,

Na mão que me feria.

Não há ungüento que cure,

(  desencanto,desacato,dez atado nó )

Ninguém que de alivio.

Cortes,recortes, não preciso deles.

Estão ali,testemunhos da dor,

Mas enganados por ela.

( nó , desenlace, laço ,nós ? )

Preso na garganta,

torcido nó.

Que de nós pouco entendo.

Que de nós desentendo.

( Que só sei de nós e só  sei de nós,

apenas o que vejo ) .

 

 

LULA o Brasil ESTÁ com VOCÊ!

WILLIAM WAACK é espião dos EUA / o dia – rio de janeiro

 

Inacreditável. E, agora, vai ser difícil manter as coisas cobertas pelo manto de silêncio. O jornal O Dia publicou a confirmação da história de que todos sabiam – acrescentando mais detalhes – as intimidades entre jornalistas famosos e a embaixada americana no Brasil. Cita, nominalmente, o apresentador da Globo William Waack e Carlos Eduardo Lins da Silva e Fernando Rodrigues, ambos da ‘Folha de S. Paulo’.

As visitas íntimas – pois não foram públicas, nem assunto de matéria por qualquer um deles – não se destinavam a apurar assuntos internacionais ou a falar sobre as relações entre os dois países, mas as avaliações – furadas, como se sabe – da candidatura Dilma Rousseff, no ano passado.
À parte o fato de os EUA escolherem mal seus informantes e analistas, o episódio deixa evidente que estes profissionais ultrapassaram qualquer limite ético no relacionamento com um governo estrangeiro.

Têm todo o direito de serem amigos e buscarem informações com diplomatas estrangeiros, como fez dos citados, Fernando Rodrigues, da Folha, ontem, numa entrevista como o embaixador Thomas Shannon, reportagem legítima e de interesse público. Tem, mesmo, todo o direito de buscar, com eles, informações em off.

Mas não têm o papel de fazer análises privadas para a informação de outro país, escondendo isso de seus leitores e telespectadores. Imaginem se um diretor do NY Times ou um apresentador da NBC fazendo visitas discretas à embaixada brasileira para nos dar uma visão íntima dos candidatos a presidente dos EUA?

Agora, com a publicação de O Dia sobre os telegramas diplomáticos que revelam seu comportamento, vazados pelo Wikileaks, estão obrigados a dar explicações públicas.

Já não podem dizer que a informação é obra de “blogueiros sujos”.

Colher informações, para um jornalista, é sua obrigação.

Fornecer informações, éticamente, é algo que só ao leitor se faz.

Não a diplomatas estrangeiros, ainda mais nas sombras.

Isso tem outro nome, que deixo ao leitor a tarefa de lembrar qual.

BRIZOLA NETO.

PRIMAVERAS – de joão batista do lago / curitiba


Há primaveras sem paixão onde o amor é solitário

Escondido sob nuvens escondidas sob rochas de cimento

Sob um azul cinzento e verticalizado chovendo rosas e flores incolores

Sem o ungüento das abelhas sem beijos para distribuir a fração da gera

 

 

Nestas primaveras surgem do nada o canto maior dos amores

Enquanto flores e pássaros se aninham sob um sol de nuvens torrenciais

Dançando sobre os telhados a valsa dos amores agora ansiados

Sob os olhares espantados dos que não aprenderam a amar

 

 

 

Nestes dias de primavera há um homem querendo amar

Assim como o vento ama ao espaço: infinitamente!

Sem a presunção de querer ser mais que o próprio de si: simplesmente amor!

 

 

Nestes dias de primavera um navegante solitário enfrenta suas tormentas

Num mar de lutas onde suas sereias teimam em não vê-lo (e)

Nadam rumo ao desconhecido imenso trapaceiro destino solitário

Morte por Solidão – por sergio coutinho de biasi* / new jersey – eua

A teoria mais conhecida sobre a queda do mítico, gigantesco, santo e sagrado Império Romano é a de que ele teria sido ao longo de séculos primeiro desestruturado e então literalmente, concretamente, fisicamente destruído por invasões militares bárbaras. Este é um desses factóides enciclopélicos freqüentemente “ensinados” em escolas.

Uma teoria um pouco menos conhecida é a de que não teria sido bem isso que aconteceu. Existem fartos e grandes indícios de que 1) a maior parte dos bárbaros não tinha qualquer interesse em destruir o Império Romano e 2) a desintegração do modo “romano” de viver não está perfeitamente sincronizada com a desintegração do império. Elaboremos.

O fato é que o Império Romano exercia *imenso* fascínio sobre os bárbaros, que em geral queriam tão somente *permissão* para migrar pacificamente para dentro das fronteiras do império em busca, por assim dizer, de uma vida melhor. Queriam aprender a língua (e em grande parte o fizeram, tanto quanto foi possível), queriam adotar as religiões, as instituições, o modo de ser romano. Quem de fato não queria isso eram os cidadãos romanos, que achavam os bárbaros, com seus modos selvagens e aparência pouco “sofisticada”, indignos de ingressar no império. Quer dizer, indignos *exceto* para executar tarefas que os romanos mesmos não queriam mais executar, via pela qual – por exemplo como soldados mercenários – hordas inteiras de bárbaros foram eventualmente assimiladas. Então criou-se uma situação na qual mais e mais bárbaros foram fazendo na prática parte do império romano, até chegar um momento em que simplesmente assumiram o poder de fato. E o que fizeram com isso, resolveram denunciar todos os valores romanos? Não! De forma alguma. Os bárbaros buscaram na maior extensão possível dos seus esforços preservar toda a estrutura política, administrativa e cultural do império, muito depois do último imperador ter sido deposto. Mas não foram bem sucedidos em fazê-lo, e a decadência paulatina de todos esses aspectos se deu irreversivelmente ao longo de grandes períódos de tempo.

Qualquer semelhança com o mundo atual é mera identidade.

Para reforçar o ponto, vamos a uma teoria ainda menos conhecida sobre o que de fato ocorreu. O império romano passou por uma cisão espontânea em dois e o império do oriente durou ainda mais um bom tempo. Qualquer explicação do colapso do império do ocidente tem que levar isso em conta, isto é : o que deu errado no ocidente que fez com que a queda viesse tão antes e fosse tão mais dramática? Bem, uma força que alguns historiadores consideram que se deveria levar em conta é que os árabes, repentinamente inspirados e unidos pela doce mensagem de paz e amor do corão, decidiram partir da Arábia, invadir o Iraque e então conquistar militarmente todo mundo ao seu redor. Ironicamente, em termos de religião e teologia, os árabes eram bem mais tolerantes que os papólicos, e achavam que cristãos e judeus cultuavam uma forma imperfeita de islamismo que mesmo sendo errada tinha valor suficiente para ser respeitável (ao contrário de todo o resto, que tinha mesmo era que se converter ou morrer; e aliás tentar converter alguém do islamismo para o cristianismo por exemplo seguiu sendo crime passível de pena de morte). Então em um dado momento, após conquistarem um dos maiores impérios da historia, resolveram ficar mais calmos e parar com a farra. Mas a essa altura, muito mais de cultura e civilização estava crescentemente sendo preservado no império árabe do que na Europa. Por que? Uma possivel explicação é que a riqueza do império romano em geral e da Europa em particular era enormemente dependente de impostos e de comércio. Ao perder acesso às rotas através do Mediterrâneo e dos territórios agora em mãos dos Árabes, os restos moribundos do império romano no centro da Europa, mesmo não tendo sido completamente subordinados aos árabes, perderam completamente sua viabilidade econômica, enquanto o império do oriente ainda persistiria por séculos. O problema não seria então basicamente militar, ou cultural, mas econômico.

Recapitulemos então as idéias que levantamos até agora sobre a desintegração do império romano.

A) O império romano teria se desintegrado diante de derrotas militares
B) O império romano teria se desintegrado diante de decadência e descaraterização cultural
C) O império romano teria se desintegrado diante de se ter tornado economicamente inviável

Vamos agora à piéce de résistance : as teorias mais modernas sobre o colapso do império romano.

Estudos arqueológicos recentes mostraram um fenômeno estranho ocorrendo ao longo de um grande período de tempo : despopulação espontânea. A cidade de Roma em seu auge pré-medieval chegou a possuir da ordem de um milhão de habitantes. Então progressivamente, o que se observou foi uma queda da população, um descréscimo contínuo. Quinhentos mil, cem mil, etc. Isso não ocorreu somente em Roma; ocorreu em grande escala. Um grande número de construções romanas foram encontradas desertas, desocupadas, sem que isso tenha sido o resultado de algum grande cataclisma ou invasão. Poder-se-ia pensar que isso teria sido o resultado de algum tipo de migração para o campo, mas existem várias evidências de que não seja o caso. Como grupo biológico, os romanos simplesmente pararam de se reproduzir. Um dos motivos por que isso passou despercebido como idéia por tanto tempo ao se pensar sobre o assunto é o quão contraintuitivo soa que uma das civilizações aparentemente mais bem sucedidas do mundo tenha resolvido voluntariamente entrar em apoptose. Então mesmo quando as pistas estavam lá o tempo todo, elas freqüentemente foram interpretadas como conseqüência e não como causa. Mas um acúmulo cada vez maior de fatos leva a crer que a despopulação não seria então uma *conseqüência* da decadência, e sim sua causa. Então não seria o caso de que os bárbaros, ou os árabes, ou os vikings ou ninguém mais  teria destruído a cultura romana de fora para dentro ou expulsado geograficamente os romanos de onde se encontravam. Tais grupos apenas ocuparam o vácuo deixado por uma civilização que desapareceu por crescente falta de gente.

O mais irônico, ou assustador, ou informativo (dependendo do ponto de vista que assumirmos) é que esse é precisamente o fenômeno que observamos *hoje* nas nações mais “desenvolvidas” do mundo. Ao atingirem o auge da “sofisticação”… tornam-se biologicamente estéreis, inférteis, cometem suicídio filogenético. Seus representantes simplesmente param de se reproduzir e o vácuo resultante é entao ocupado por populações nas quais ainda queima a chama primitiva, selvagem e renovadora de “eu quero produzir mais indivíduos da minha espécie”. E sem isso, sem esse fogo biológico primordial, sem essa vontade irracional de se conectar genuinamente a outros seres humanos e com isso produzir novas vidas e cuidar delas ao invés de se preocupar primordialmente apenas com o próprio nariz e comjoguinhos estúpidos de apostar a própria sobrevivência e felicidade na impostura de querer se fingir sofisticado demais para ser um primata, sem isso nenhuma civilização do mundo, por mais culturamente avançada, por mais intelectual, tecnologicamente, economicamente pujante que seja, por mais militarmente poderosa que tenha se tornado, pode sobreviver.

O grande, sagrado, santo, mitológico império romano não morreu por falta de poder militar, decadência cultural, ou mesmo colapso econômico. Todos esses fenômenos de fato ocorreram, mas foram conseqüências, não causas. Não, o império romano morreu por falta de gente. O império romano morreu de solidão.

historiador brasileiro falecido há poucos meses.

Kadafi – por philomena gebran / rio de janeiro

 

Acabo de ver transmitida pela Globonews,  parte da história do mais terrível ditador de todos, os tempos, se é que é que é possível dizer “o mais terrível “ quando todos os ditadores, são sinônimos de terror, sem exceções. Mas o que mais me impressionou, foi como todos os chefes de estado do Ocidente há seu tempo, se curvaram diante desse ditador prestando-lhe honras de grande estadista, preocupando-se, inclusive em achar lugares aprazíveis para a montagem de suas tendas. Eram os interesses econômicos falando mais alto, que as atrocidades muito bem conhecidas de todos, que Kadafi praticava com seu povo. Mas para os políticos em ação, o que é o povo diante dos interesses capitalistas e do petróleo que poderiam obter da Líbia, bajulando seu ditador; os interesses falam mais alto; o povo que se dane. O que me deixa ainda perplexa é que todos agora criticam as comemorações do povo, nas ruas da Líbia pela captura e morte do seu algoz; sem estabelecer nenhum  juízo de valor, me solidarizo com o povo líbio pela sua vitória e vida longa a esse bravo povo revolucionário, que lutou e resistiu até conseguir sua Vitória.

URUGUAY aprova lei que anula anistia de crimes da ditadura / montevideo.ur

Parlamento uruguaio aprova lei que anula anistia de crimes da ditadura

 

27/10/11

DA EFE

 

A Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou na madrugada desta quinta-feira em caráter definitivo um projeto de lei que declara imprescritíveis os crimes cometidos na última ditadura (1973-1985), antes que o prazo expirasse no dia 1º de novembro.

Após 12 horas de discussão, os deputados aprovaram com os votos da governista Frente Ampla –50 dos 90 legisladores presentes– o projeto que havia sido votado na terça-feira no Senado e que agora passará ao Poder Executivo para a promulgação.

A norma restabelece o pleno exercício da pretensão punitiva do Estado para os crimes cometidos em aplicação ao terrorismo de Estado até 1º de março de 1985, data do retorno da democracia.

Além disso, declara estes delitos “crimes de lesa humanidade, de acordo com os tratados internacionais”, e afirma que “não será computado prazo algum, processual, de prescrição ou de caducidade” para o julgamento.

O projeto de lei derruba de fato a denominada Lei de Caducidade da Pretensão Punitiva do Estado, aprovada em 1986 quando a justiça começava a indiciar militares por violações aos direitos humanos, e um ano e meio depois de outra norma que anistiou a maioria dos presos políticos.

Pablo Porciuncula/France Presse
Vista geral do Parlamento uruguaio durante votação que anula anistia de abusos da ditadura
Vista geral do Parlamento uruguaio durante votação que anula anistia de abusos da ditadura

Um cenário – por amilcar neves / ilha de santa catarina


Cocal do Sul, SC – O Bin Laden Guinchos situa-se logo após a ponte sobre o Rio Cocal, à esquerda de quem sai da cidade em direção a Urussanga pela rua principal, com a qual se confunde a rodovia estadual enquanto corta o perímetro urbano. Na manhã modorrenta de domingo, alguns carros passam sem olhar para os lados. As motos também cruzam o rio, mas só olham para as moças, quando as há por ali: nem todo mundo está na rua, apesar do clima morno e sonolento de início da primavera.


Na véspera houve, na cidade, uma reunião de mulheres Osórias, primas entre si vindas de todos os municípios do Sul do Estado (à exceção de Imaruí, onde não vingam Osórios de quaisquer gêneros): muitas não se viam há anos, décadas até, e tinham muito a se conferir e se contar. A tarde e a parte da noite destinadas ao evento foram insuficientes para colocar os assuntos em dia. Todas as tardes e noites da vida nunca serão bastantes para dar conta de tamanha tarefa.


Na casa ao lado do encontro Osório, uma festa de aniversário tomou a tarde de sábado com parabéns entusiásticos renovados a cada convidado que chegava: um pai, uma avó, uma madrinha. O casal mirava com carinho e atenção o aniversariante, seu irmãozinho e os amiguinhos que acorreram: tanto a mãe dos dois pequenos, separada do pai deles que, dizem, a espancava, quanto a sua amada companheira, uma mãezona para as crianças.


Tomando à esquerda em ângulo reto logo após o Bin Laden Guinchos (haverá lá uma Bin Laden Demolições?), cruza-se adiante o mesmo Rio Cocal, que confirma seu caminho pelo relevo ondulado do lugar. Debruçando-se alguém sobre o parapeito desta segunda ponte, haverá de ver um pequeno remoinho com muitas penas brancas e, de permeio, umas vísceras cruas (supostamente de ave) girando em círculo na água. Vem de baixo um cheiro desagradável. Não convém meter o nariz ali.


Próxima à margem oposta, uma pequena construção, um dia modesta casa de material, teve a porta e as janelas da frente, de contornos ainda aparentes, lacradas com alvenaria. A parede resultante da operação foi pintada com tinta escassa e diluída que deixa ler o nome de uma sorveteria. No lado que dá para o rio, duas aberturas apenas: uma janela de venezianas hermeticamente fechadas e uma porta, já perto da parede dos fundos, aberta de todo. Aberta, permite ver pessoas em atitude de respeito, de pé desde a parede de trás, voltadas para a frente da casa e seguindo os gestos de um suposto celebrante.


Duas quadras além, a Rua Tubarão termina junto ao mesmo Rio Cocal, bem ao lado da Sociedade Recreativa Cocal do Sul, um largo prédio meio abandonado, meio em reformas, que ostenta a vistosa placa de um convênio com a Secretaria Estadual do Bem-Estar da Família. À margem do rio, leivas recém-colocadas e, a espaços regulares de menos de dois metros, buracos abertos na grama logo antes da chuva da véspera feitos como para instalar postes de luz. Abaixo, em espreita, o rio continua passando.


No jornal local, a manchete e a notícia: “Dono de bar é morto a facadas em Cocal do Sul – Aldoir Anga, de 46 anos foi morto com quatro facadas no próprio bar na tarde de ontem (29)…” Indignada, Samanta S. diz que é tudo mentira e escreve: “o nome dele não é esse a idade dele não é essa ele não é dono do bar e a causa não foi essa quando não tiver certeza não falem do assunto ha e não foi quatro facadas”. Aldoir talvez tenha se safado dessa.


Tudo leva a crer que algo está para explodir de súbito na manhã bucólica de domingo.

AMILCAR NEVES  é membro da ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS.

NAVIO FANTASMA – por jorge lescano / são paulo.sp

Clorinda olhava com olhos lânguidos, como se dizia naquele tempo, o sub-gerente Belmiro. Seria difícil dizer qual dos dois correspondia aos olhares do outro, pois era simultânea a languidez. Falavam-se, como é de praxe numa empresa de meio porte, em função dos seus afazeres, contudo, um observador perspicaz poderia ver que os olhares não correspondiam exatamente às palavras, sempre ocasionais, como devem ser entre funcionários dedicados,

No réveillon do primeiro ano que Clorinda passava na firma, na hora das despedidas e dos convencionais beijos de bons augúrios, Belmiro abandonou sub-repticiamente nas mãos de Clorinda um pequeno barquinho de papel. Era de um modelo pouco comum, lembrando mais uma gôndola. Talvez por esta particularidade Clorinda o guardou na bolsa e ao chegar em casa o jogou numa caixa de papelão onde soia guardar pequenos objetos que por um motivo ou outro tivessem algum significado numa vida que ela considerava sem significado.

O tempo foi passando e Clorinda achou outro admirador que a contemplava com olhos lânguidos. Sem sentir a mesma emoção de quando era olhada por Belmiro, deixou que o namoro acontecesse e depois o casamento e mais tarde a maternidade. A essa altura dos acontecimentos há muito que se demitira da firma. Poderia jurar, se fosse uma moça menos modesta, que os olhos de Belmiro conservavam aquela antiga languidez no momento do aperto de mãos derradeiro entre funcionários que se despedem de um colega. O futuro marido ainda não surgira no horizonte.

Dez anos mais tarde, procurando algo com que entreter seu terceiro filho, deu com a caixa de papelão e dentro dela o barquinho de Belmiro. Tirá-lo da caixa e que a criança o rasgasse foi um ato só. Então Clorinda percebeu que no interior da folha de sulfite havia algo escrito:

Srta. Clorinda, amanhã se inicia um novo ano. Espero-a na porta da Biblioteca Municipal às 16 h. para tratar de assunto que diz respeito ao NOSSO futuro. Se não comparecer, saberei que me enganei sobre o significado do seu olhar e minha vida não terá novo capítulo, por assim dizer.

Seu, Belmiro, sub-gerente.

Com a folha entre os dedos, Clorinda olha através da janela o quintal vazio, limitado por um muro cinzento. Algum colega, dos antigos, poderia jurar que seu olhar adquirira a languidez de outrora.

CARAVANA ANTINUCLEAR parte para o Sertão nesta quinta-feira – 27/10/11 – recife.pe


 

No período de 28 a 31 de outubro a Caravana Antinuclear estará percorrendo os municípios pernambucanos de Belém do São Francisco, Floresta, Itacuruba e Jatobá. O objetivo é levar para estas cidades sertanejas informações sobre os impactos que ocorrerão com a instalação de uma usina nuclear em Itacuruba. O ônibus conduzindo seus integrantes sairá da frente da Reitoria da UFPE, às 17 horas desta quinta-feira, dia 27. Nele vão embarcar integrantes do MESPE – Movimento Ecossocialista de Pernambuco, do Greenpeace e da Articulação Anti Nuclear Brasileira, acompanhados de professores universitários, jornalistas, artistas e ambientalistas daqui e de outras partes do país, que vieram apoiar essa mobilização.

 

A Caravana terá atividades integradas como exposições, debates, feira de ciências, apresentação de teatro, cantadores e poetas populares, para ajudar a população a compreender os riscos de uma usina nuclear na região, assim como as possibilidades de gerar energia elétrica a partir do sol, dos ventos, de outras fontes renováveis de energia que não destroem a natureza e nem causam danos às pessoas. “A Caravana Antinuclear espera alertar as populações para os riscos da instalação dessa usina. O governo decidiu e planeja instalar a usina nuclear, mas não faz um diálogo com o povo da região para que ele fique ciente dos riscos, principalmente à saúde e ao meio ambiente. A Caravana vem para cumprir esse papel, para isso organizações locais ajudam a mobilizar o maior número de pessoas”, afirma o coordenador da Caravana, físico e professor Heitor Scalambrini Costa.

 

A primeira parada será nesta sexta-feira, em Belém do São Francisco, no sábado a Caravana aporta em Floresta, no domingo em Itacuruba, local onde está prevista a instalação da usina. A última cidade a receber os manifestantes antinucleares será Jatobá, com a programação prevista para segunda-feira. Todas as atividades da Caravana serão gratuitas. Associações, sindicatos, igrejas, escolas e várias outras organizações sociais da região estão se mobilizando para participar do evento, que tem como um dos organizadores o Movimento Cultura de Paz da Diocese de Pesqueira

 

Contato: Heitor Scalambrini Costa – 9964.4366

Jornalista/Assessor de Imprensa: Gerson Flávio – 8649.8759 ou 7812.0080

A FELICIDADE NÃO MORREU! – por mhario lincoln / curitiba

Quem conheceu Flor de Lys de perto, sabe muito bem como ela encarava a vida. Foi uma vitoriosa, antes de tudo. Conseguiu feitos inacreditáveis para a época em que São Luís, capital do Estado do Maranhão, mergulhava em total escuridão pertinente aos direitos humanos, direitos da mulher e respeito público às senhoras desquitadas. Foi exatamente nessa plenitude da escuridão que Flor de Lys apareceu e iluminou os novos rumos socioculturais da capital do Maranhão.
Suas vitórias são incontestes. Rompeu as barreiras do machismo ao integrar, pela primeira vez, uma banda masculina de ginásio (Liceu e Escola Normal) tocando corneta no desfile de Sete de Setembro. Foi a segunda mulher a dirigir um carro de passeio nas ruas de São Luís. Lembro-me (eu tinha de 11 para 12 anos): quando Flor de Lys parava sua Rural Willys na praça João Lisboa, em frente aos Correios, quem estava lá, se aproximava para ver se era realmente verdade uma mulher dirigir uma camionete/rural.
E foi nessa mesma rural que num dia chuvoso, ao levar minha irmã Orquídea para o curso primário do Colégio São Luís Gonzaga, na rua do Sol, da fantástica Zuleide Bogea, a camionete derrapou numa curva, na rua dos Afogados, subiu na calçada e entrou no quarto do então Delegado do Trabalho, pela janela da frente, derrubando a parede frontal. Um bafafá daqueles, logo às sete da manhã…e o delegado acabara de levantar de sua rede armada à beira da janela, rede essa que acabou servindo de freio para o avanço, quarto adentro, da camionete de seis cilindros.
Praticamente tudo aconteceu durante a vida de nossa mãe. Mas ela sempre se saiu vitoriosa, não só por sua força interior, mas por sua qualidade indisfarçável de nunca desistir de seus objetivos. Por exemplo, um dos mais importantes para nós foi diante da Justiça, quando conseguiu a nossa guarda; dos dois primeiros filhos, após a separação de nosso pai, advogado José Santos. (Ah, sim! Flor teve mais dois maridos – Humberto Marão e Eloy Cutrim – e mais duas filhas, Cristina e Dalvinha, respectivamente, rompendo mais essa barreira social).
Toda a vida de Flor de Lys foi marcada por muita luta. Desde o começo, pela sobrevivência, quando trabalhava pela manhã no Jornal Pequeno, à tarde no TRE-MA e à noite nas recepções sociais. Antes, no começo, ela eracrooner de um trio de músicos do Hotel Araçagy, do saudoso Moacir Neves.
Nessa época lançou “Tudo que eu tinha na Vida”, música que rodou o Brasil e fez muito sucesso. Por pouco, Maysa Matarazzo não gravou. Como era difícil gravação e envio para o Rio de Janeiro, a letra e música de Flor de Lys não chegou à tempo, a fim de que o estúdio pudesse aprovar a composição e incluí-la no novo long play que a cantora estava finalizando.
Uma coisa, porém, no meio desse furacão de acontecimentos prós e contras, Flor de Lys sustentou algo que passou para os filhos: liberdade e persistência. Ela me disse várias vezes quando eu me sentia chateado com alguma coisa: “Nem que o Céu lhe caia na cabeça, nunca desista”. Esse era seu lema, repito: Liberdade e Persistência. Isso, todos os quatro filhos conseguiram absorver nitidamente.
Por isso, neste 03 de novembro, quando mamãe Flor de Lys completaria 83 anos e 7 meses dessa viagem ao Universo, voando nas asas de anjos de luz do Senhor, não teremos dúvida. Vamos comemorar a vida. Vamos festejar a vida. Vamos cultuá-la como em vida na Terra estivesse. Esse era seu desejo. E será literalmente cumprido. (Benção minha mãe). De teus filhos Mhario Lincoln, Orquídea Santos, Cristina Martins e Dalva Lima.
Obs: Em 2009 minha mãe veio  visitar-me em Curitiba para continuar seu tratamento da vista. Aqui, brincando, eu e Mariana, minha filha mais nova, fizemos um vídeo (gravado em máquina digital). De repente, esse simples vídeo marcou a última entrevista de Flor de forma espontanea, como ela sempre foi em vida. A seguir, a entrevista escrita:http://www.mhariolincoln.com/noticias/ver/neste-sabado-poetico-a-ultima-entrevista-de-flor-de-lys

STEVE JOBS E OS BEATLES – por olsen junior / ilha de santa catarina


(primeira parte)


   Recebo um texto de Renato Cruz, do “Estadão” falando do recém falecido Steve Jobs e associando-o a movimentos típicos da contracultura, afirmando que fez uma viagem à Índia (para conhecer o guru Neem Karoli Baba), participou de sessões de terapia do grito (no Centro Zen de Los Altos) e defendeu o uso do LSD afirmando que foi “uma das duas ou três coisas mais importantes que fez na vida”.

Coincidências à parte, a vida de Jobs (que nasceu em 1955) vem colada a existência dos Beatles…

Foi o dentista de George Harrison que estava com John Lennon (acompanhados de suas esposas) na primavera de 1965, quem adicionou uma droga no café de ambos, sem que soubessem, iniciando-os no ácido lisérgico… Eles acreditaram que estavam “ficando loucos”… Mas o “Dr. Robert” foi homenageado em uma bela canção.

Em 1968, os Beatles foram para Rishikesh, Uttar Pradesh, na Índia estudar Meditação Transcendental com o Maharishi Yogi.

Após a experiência no Ashram do Maharishi, os Beatles fundam naquele mesmo ano, a Apple Corporation (Apple Corps.) da qual a Apple Records viria a ser o braço melhor sucedido.

O primeiro disco com o novo selo, a maçã verde, foi um compacto com “Hei Jude” no lado “A” e “Revolution”, no “B” (está aqui comigo, em 45rpm). A bossa era: no lado “A” a maçã estava inteira, no “B” ela vinha cortada ao meio.

Em 1970, John Lennon participou sob a orientação do Dr. Artur Janov, de uma experiência do autoconhecimento chamada de Teoria do Grito Primal. O grito como sugere a técnica para libertar o indivíduo de traumas de infância, no caso de Lennon, o abandono pelo pai e os distúrbios mentais da mãe. Daí sairam dois álbuns: “John Lennon/Plastic Ono Band” e “Imagine”, este último, um fenômeno de vendas.

A Apple Computer foi criada por Steve Jobs e outros, em 1976.

A Apple dos Beatles é britânica; a Apple do Jobs é norte-americana.

Neste momento só pretendi mostrar que embora Steve Jobs tenha feito como ninguém a ponte entre a contracultura beatnik (da qual fez parte tardiamente) que até hoje tem como referência a Livraria City Lights (fundada pelo poeta Lawrence Ferlinghetti ainda em atividade no alto de seus mais de 90 anos) em San Francisco e os nerds que deram origem à era digital (nas garagens do Vale do Silício) na California com um estilo de vida criativo e autossustentável, em termos de comportamento ele “bebeu” muito nos Beatles, tanto que chegou a nomear a empresa que ajudou a criar com o mesmo nome: Apple e, como se não bastasse, com o mesmo logotipo: uma maçã verde!

Olsen Jr. é membro da ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO – Campus do Recife convida:

 

Cristina ganó con más del 54% de los votos – EL CLARÍN / buenos aires.ar

Cristina ganó con más del 54% de los votos

Todos los sondeos coinciden en que la Presidenta superó el caudal que había logrado en las Primarias. Se convierte así en el tercer mandatario reelegido en la historia argentina en períodos consecutivos. El 10 de diciembre asumirá su segunda presidencia. El socialista Hermes Binner quedaría segundo, aunque a unos 40 puntos de distancia

“A Queimada” – de lêdo ivo / rio de janeiro

“A Queimada”

 

 

“Queime tudo o que puder :
as cartas de amor
as contas telefônicas
o rol de roupas sujas
as escrituras e certidões
as inconfidências dos confrades ressentidos
a confissão interrompida
o poema erótico que ratifica a impotência
e anuncia a arteriosclerose

 

os recortes antigos e as fotografias amareladas.
Não deixe aos herdeiros esfaimados
nenhuma herança de papel.

 

Seja como os lobos : more num covil
e só mostre à canalha das ruas os seus dentes afiados.
Viva e morra fechado como um caracol.
Diga sempre não à escória eletrônica.

 

Destrua os poemas inacabados,os rascunhos,
as variantes e os fragmentos
que provocam o orgasmo tardio dos filólogos e escoliastas.
Não deixe aos catadores do lixo literário nenhuma migalha.
Não confie a ninguém o seu segredo.
A verdade não pode ser dita”.

 

 

A POESIA E A LÓGICA DA LINGUAGEM – por almandrade / salvador.ba

 “A poesia é uma arte da linguagem; certas combinações de
palavras podem produzir uma emoção que outras não produzem, e que denominamos poética.”
Valery

O poeta vive num canteiro de obras. A musa, o acaso,  a
razão, o sentimento, os pensamentos abstratos são matérias primas para
a sua poesia. Ele produz a partir da leitura de textos alheios,
articulando idéias e costurando a linguagem. A poesia é um trabalho
que exige de quem faz uma quantidade de reflexões, de decisões, de
escolhas e de combinações. As leituras e as experiências modificam a
escrita, as palavras não são totalmente espontâneas, como nas pinturas
de um Pollock, há um trabalho e um cálculo da escrita. A linguagem
poética difere da linguagem que utilizamos para a comunicação diária.
Cada poeta explora a linguagem na busca de um acontecimento
inesperado, de uma experiência singular. A linguagem cotidiana
desaparece ao ser vivida, é substituída por um sentido. A poesia não,
ela é feita expressamente para renascer de suas cinzas e vir a ser
indefinidamente o que acabou de ser. Numa época marcada pelo
desaparecimento do durável, transmutação rápida dos valores, sem
tradição poética, a poesia retorna como um lugar de experiências
contraditórias, para atender uma necessidade de lazer e divertimento,
do que uma vontade de saber.  Os saraus, recitais e debates têm
mostrado uma ausência de uma percepção mais ampla das contradições da
cultura, particularmente da literatura. A poesia que já participou
como protagonista nos movimentos de vanguarda nos anos 20 e 50/60,
reaparece na cena urbana deslocada de sua materialidade para falar de
aparências e emoções.

_
Antônio Luiz Mário Andrade (Almandrade) é Artista plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano, poeta e professor de teoria da arte das oficinas de arte do Museu de Arte Moderna da Bahia.

Proteínas – de jamil snege+/ curitiba


 

Eu gostaria de ajudar
todas as crianças pobres,
carentes, desnutridas.
Gostaria, Senhor…
mas tenho a alma fatigada
de proteínas.

 

Ao Pé do Túmulo – de auta de souza / natal.r n

Eis o descanso eterno, o doce abrigo
Das almas tristes e despedaçadas;
Eis o repouso, enfim; e o sono amigo
Já vem cerrar-me as pálpebras cansadas.

Amarguras da terra! eu me desligo
Para sempre de vós… Almas amadas
Que soluças por mim, eu vos bendigo,
Ó almas de minh’alma abençoadas.

Quando eu d’aqui me for, anjos da guarda,
Quando vier a morte que não tarda
Roubar-me a vida para nunca mais…

Em pranto escrevam sobre a minha lousa:
“Longe da mágoa, enfim, no céu repousa
Quem sofreu muito e quem amou demais”.

Historiador israelense defende que povo judeu é invenção do sionismo – fabio victor / são paulo

Na carteira de identidade do historiador israelense Shlomo Sand, no lugar reservado à nacionalidade está escrito que ele é judeu.

Sand, 64, solicitou ao governo que seja identificado de outro modo, como israelense, porque acredita que não existe nem um povo nem uma nação judeus.

Seus motivos estão expostos em “A Invenção do Povo Judeu”. Best-seller em Israel, traduzido para 21 idiomas e incensado pelo historiador Eric Hobsbawm, o livro chega agora ao Brasil (Benvirá).

O autor defende que não há uma origem única entre os judeus espalhados pelo mundo. A versão de que um povo hebreu foi expulso da Palestina há 2.000 anos e que os judeus de hoje são seus descendentes é, segundo Sand, um mito criado por historiadores no século 19 e desde então difundido pelo sionismo.

“Por que o sionismo define o judaísmo como um povo, uma nação, e não como uma religião? Acho que insistem em ser um povo para terem o direito sobre a terra. Povos têm direitos sobre terra, religiões não”, diz à Folha, por telefone, de Paris.

Olivia Grabowski-West/Divulgação
O historiador israelense Shlomo Sand, autor de "A Invenção do Povo Judeu", lançado no Brasil pelo selo Benvirá
O historiador israelense Shlomo Sand, autor de “A Invenção do Povo Judeu”, lançado no Brasil pelo selo Benvirá

“Na Idade Média a palavra povo se aplicava a religiões: o povo cristão, o povo de Deus. Hoje, aplicamos o termo a grupos humanos que têm uma cultura secular -língua, comida, música etc. Dizemos povo brasileiro, povo argentino, mas não povo cristão, povo muçulmano. Por que, então, povo judeu?”

Valendo-se de fontes e documentos históricos, a tese de Sand, ele mesmo admite no livro, não é em si nova (cita predecessores como Boaz Evron e Uri Ram). “Sintetizei, combinei evidências e testamentos que outros não fizeram, pus de outro modo.”

Ele compara: até meados do século 20, “a maioria dos franceses achava que era descendente direto dos gauleses, os alemães dos teutões e os italianos, do império de Júlio César”. “São todos mitos”, afirma, “que ajudaram a criar nações no século 19”.

Neste século 21, sustenta, não há mais lugar para isso.

“Não só o Brasil é uma grande mistura. A França, a Itália, a Inglaterra são. Somos todos misturados. Infelizmente há muitos judeus que se acham descendentes dos hebreus. Não me sinto assim. Gosto de ser uma mistura.”

Filho de judeus, nascido num campo de refugiados na Áustria, o autor lutou do lado israelense contra os árabes na Guerra dos Seis Dias, em 67, quando o país ocupou Cisjordânia e faixa de Gaza.

Em seguida virou militante de extrema esquerda e passou a defender um Estado palestino junto ao de Israel.

Professor na Universidade de Tel Aviv e na França, onde passa parte do ano, o historiador avalia que as hostilidades entre israelenses e palestinos, reavivadas nas últimas semanas, continuarão por tempo indeterminado.

“Enquanto o Estado palestino não for reconhecido nas fronteiras de 67, acho que a violência não vai parar.”

A INVENÇÃO DO POVO JUDEU
AUTOR Shlomo Sand
EDITORA Benvirá
TRADUÇÃO Eveline Bouteiller
QUANTO R$ 54,90 (576 págs.)

Cabo Anselmo, o porco assassino do período negro criado pelo golpe militar de 1964, inaugura nova fase do ‘Roda Viva’ / são paulo

os cartuns abaixo são de PAULO CARUSO. foto livre.

o porco traidor e assassino no centro do roda viva em17/10/2011.

foto de J F  Diario/AE

GILBERTO SOUTO convida para lançamento de seu livro dia 20/10/11 – ilha de santa catarina

LEVA MEUS VERSOS – de solange rech / tubarão.sc

Leva meus versos, que nada pesam.
São carga leve, como isopor.
São luz de vela, são mãos que rezam,
Sorriem sempre, apesar da dor.

Leva meus versos, que não são nada
Perto da tralha que a gente traz.
Esses coitados não têm morada,
Pródigos filhos buscando paz.

Leva meus versos, trata-os com calma,
Pois só recebem desprezo e grito.
Vem das origens todo o seu drama
Já que nasceram de um pai aflito.

Leva meus versos, vê que me esforço
Por arranjar-lhes um lar fecundo.
Como pai deles, tenho remorso
De que se sintam párias do mundo.

Leva meus versos, guarda-os contigo.
Far-te-ão feliz nas horas tristonhas.
Nas tempestades serão abrigo
A resguardar o mundo que sonhas.

Leva meus versos e outros cantares,
tão desprezados, tão pobrezinhos.
Morrerão todos se os não levares
ou vão perder-se em ínvios caminhos.

Leva meus versos, são peregrinos
de almas sensíveis, como é a tua.
Que eles não sejam, como os meninos,
versos sem teto, versos de rua.

Leva meus versos, que nada pesam.
São carga leve, como isopor.
São luz de vela, são mãos que rezam,
sorriem sempre, apesar da dor.

-.-


SACERDÓCIO POÉTICO. Solange Rech, Editograf, Florianópolis – SC, 2004, p. 37. 

Solange Rech (Tubarão29 de maio de 1946 — Florianópolis29 de janeiro de 2008) foi um poeta catarinense contemporâneo.[1]

Apesar do nome ser normalmente feminino, Solange Rech era um homem. Aos nove anos surgiram seus primeiros versos e aos doze disputou, com adultos, concursos de trovas-repente. Aos dezesseis anos publicou seu primeiro livro, intitulado “Trovões Dolentes”, uma coletânea de 60 poesias. Foi funcionário do Banco do Brasil como fiscal agrícola.

Mario Quintana assim se expressa a seu respeito:

“Teus versos às vezes cortam como espada. Outras vezes lembram a doçura do açúcar. Mas são todos primorosos, especialmente os sonetos.”

Premiado em vários concursos literários, tem trabalhos publicados em diversos países e participou de mais de 35 antologias poéticas, inclusive no exterior. É chamado por seus colegas “O Poeta-Rei”.

Principais obras

  • “Para Matar a Noite” – 1987
  • “De Amor Também Se Vive” – 1999
  • “Os Espartanos de Deus” – 2000
  • “A História da FENABB” – 2000
  • “Serões na Rede” – 2002
  • “AABB – Florianópolis – Meio Século de História” – 2003
  • “Sacerdócio Poético” – 2004
  • “Meus Sonetos Premiados” – 2005
  • “A Hora da Colheita” – 2005
  • “Versos do Tempo Quase” – 2006

SOLEDAD a mulher do Cabo Anselmo – por urariano mota /são paulo

Quem foi, quem é Soledad Barrett Viedma? Qual a sua força e drama, que a maioria dos brasileiros desconhece? De modo claro e curto, ela foi a mulher do Cabo Anselmo, que ele entregou a Fleury em 1973. Sem remorso e sem dor, o Cabo Anselmo a entregou grávida para a execução. Com mais cinco militantes contra a ditadura, no que se convencionou chamar “O massacre da granja São Bento”. Esse crime contra Soledad Barrett Viedma é o caso mais eloquente da guerra suja da ditadura no Brasil.

 O programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, entrevista nesta segunda, às 22 horas, o ex-militar José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo, ex-participante de um motim na Marinha, nos anos 60, que, após um período de exílio em Cuba, voltou para o Brasil, foi preso e delatou perseguidos políticos ao delegado Sérgio Paranhos Fleury, do DOPS. A lista de denunciados incluiu sua companheira, Soledad Viedma, que acabou torturada e morta pela ditadura. A TV Cultura escolheu o Cabo Anselmo como entrevistado para marcar a estreia de Mario Sergio Conti, ex-diretor da Veja e atual diretor de redação da revista Piauí, na condução do programa.

A escolha se dá justo no momento em que se discute no Brasil a instalação da Comissão da Verdade, que enfrenta muita resistência de setores que insistem em manter na penumbra fatos ocorridos em um dos períodos mais tenebrosos da história do Brasil. Publicamos a seguir um artigo do escritor Urariano Mota, autor de um livro sobre Soledad Viedma. 

********************************

Em 1970, de volta ao Brasil, Anselmo foi preso pela ditadura militar. Em troca da liberdade, delatou perseguidos políticos ao delegado Sérgio Paranhos Fleury, do Dops. A lista de denuciados incluía sua namorada, Soledad Viedma, que acabou morta devido à tortura.

Quem lê “Soledad no Recife” pergunta sempre qual a natureza da minha relação com Soledad Barrett Viedma, a bela guerreira que foi mulher do Cabo Anselmo. Eu sempre respondo que não fomos amantes, que não fomos namorados. Mas que a amo, de um modo apaixonado e definitivo, enquanto vida eu tiver. Então os leitores voltam, até mesmo a editora do livro, da Boitempo: “mas você não a conheceu?”. E lhes digo, sim, eu a conheci, depois da sua morte. E explico, ou tento explicar.

Quem foi, quem é Soledad Barrett Viedma? Qual a sua força e drama, que a maioria dos brasileiros desconhece? De modo claro e curto, ela foi a mulher do Cabo Anselmo, que ele entregou a Fleury em 1973. Sem remorso e sem dor, o Cabo Anselmo a entregou grávida para a execução. Com mais cinco militantes contra a ditadura, no que se convencionou chamar “O massacre da granja São Bento”. Essa execução coletiva é o ponto. No entanto, por mais eloquente, essa coisa vil não diz tudo. E tudo é, ou quase tudo.

Entre os assassinados existem pessoas inimagináveis a qualquer escritor de ficção. Pauline Philipe Reichstul, presa aos chutes como um cão danado, a ponto de se urinar e sangrar em público, teve anos depois o irmão, Henri Philipe, como presidente da Petrobras. Jarbas Pereira Marques, vendedor em uma livraria do Recife, arriscou e entregou a própria vida para não sacrificar a da sua mulher, grávida, com o “bucho pela boca”. Apesar de apavorado, por saber que Fleury e Anselmo estavam à sua procura, ele se negou a fugir, para que não fossem em cima da companheira, muito frágil, conforme ele dizia. Que escritor épico seria capaz de espelhar tal grandeza?

E Soledad Barrett Viedma não cabe em um parêntese. Ela é o centro, a pessoa que grita, o ponto de apoio de Arquimedes para esses crimes. Ainda que não fosse bela, de uma beleza de causar espanto vestida até em roupas rústicas no treinamento da guerrilha em Cuba; ainda que não houvesse transtornado o poeta Mario Benedetti; ainda que não fosse a socialista marcada a navalha aos 17 anos em Montevidéu, por se negar a gritar Viva Hitler; ainda que não fosse neta do escritor Rafael Barrett, um clássico, fundador da literatura paraguaia; ainda assim… ainda assim o quê?

Soledad é a pessoa que aponta para o espião José Anselmo dos Santos e lhe dá a sentença: “Até o fim dos teus dias estás condenado, canalha. Aqui e além deste século”. Porque olhem só como sofre um coração. Para recuperar a vida de Soledad, para cantar o amor a esta combatente de quatro povos, tive que mergulhar e procurar entender a face do homem, quero dizer, a face do indivíduo que lhe desferiu o golpe da infâmia. Tive que procurar dele a maior proximidade possível, estudá-lo, procurar entendê-lo, e dele posso dizer enfim: o Cabo Anselmo é um personagem que não existe igual, na altura de covardia e frieza, em toda a literatura de espionagem. Isso quer dizer: ele superou os agentes duplos, capazes sempre de crimes realizados com perícia e serenidade. Mas para todos eles há um limite: os espiões não chegam à traição da própria carne, da mulher com quem se envolvem e do futuro filho. Se duvidam da perversão, acompanhem o depoimento de Alípio Freire, escritor e jornalista, ex-preso político:

“É impressionante o informe do senhor Anselmo sobre aquele grupo de militantes – é um documento que foi encontrado no Dops do Paraná. É algo absolutamente inimaginável e que, de tão diferente de todas as ignomínias que conhecemos, nos faltam palavras exatas para nos referirmos ao assunto.

Depois de descrever e informar sobre cada um dos cinco outros camaradas que seriam assassinados, referindo-se a Soledad (sobre a qual dá o histórico de família, etc.), o que ele diz é mais ou menos o seguinte:

‘É verdade que estou REALMENTE ENVOLVIDO pessoalmente com ela e, nesse caso, SE FOR POSSÍVEL, gostaria que não fosse aplicada a solução final’.

Ao longo da minha vida e desde muito cedo aprendi a metabolizar (sem perder a ternura, jamais) as tragédias. Mas fiquei durante umas três semanas acordando à noite, pensando e tentando entender esse abismo, essa voragem”.

Esse crime contra Soledad Barrett Viedma é o caso mais eloquente da guerra suja da ditadura no Brasil. Vocês entendem agora por que o livro é uma ficção que todo o mundo lê como uma relato apaixonado. Não seria possível recriar Soledad de outra maneira. No título, lá em cima, escrevi Soledad, a mulher do Cabo Anselmo. Melhor seria ter escrito, Soledad, a mulher de todos os jovens brasileiros. Ou Soledad, a mulher que apredemos a amar.

(*) Urariano Mota, 59 anos, é natural de Água Fria, subúrbio da zona norte do Recife. Escritor e jornalista, publicou contos em Movimento, Opinião, Escrita, Ficção e outros periódicos de oposição à ditadura. Atualmente, é colunista do Direto da Redação e colaborador do Observatório da Imprensa. As revistas Carta Capital, Fórum e Continente também já veicularam seus textos. Autor de Os corações futuristas (Recife, Bagaço, 1997), um romance de formação, que se passa sob a ditadura de Emílio Garrastazu Médici (1969–1974), e de Soledad no Recife (São Paulo, Boitempo, 2009).

C.M.

NUNCA MAIS por olsen jr / ilha de santa catarina

Estou em casa, tendo a minha frente à imensa varanda, e aos fundos, a Lagoa da Conceição. Fim de tarde, a placidez daquela água ali em frente me empresta uma sensação de paz. Estou pensando em como é bom ser brasileiro, catarinense, morar em Florianópolis, na Lagoa da Conceição, Avenida das Rendeiras, beco dos Poetas… Quando descubro que estou sentindo algo que nunca havia sentido, embora nada tenha mudado na minha vida nos últimos cinco anos, a não ser, claro, o que de fato me prostrou ali, como um exilado em minha própria terra, mas isso já passou, penso, ou deveria ter passado. Subitamente, uma sensação de que tenho uma casa, um lar, uma família, pô! Mas o que se passa? Lembro de Ortega Y Gasset – “no sabemos lo que nos pasa y eso es lo que pasa” – e tenho a consciência de que estou sendo enganado pelos meus próprios sentidos.

Alguma coisa mudou, sinto, é só isso, mas o que? De repente, meus olhos se detêm em uma cadeira solitária ali na varanda. Acredito, minha filha deve tê-la trazido enquanto lia o indefectível Stephen King (é duro competir com a “rapaziada” que detém a fórmula, o marketing e o monopólio do “gosto” universal, mas é a vida) e esqueceu-a … não podia ser outra coisa. O fato é que a cadeira vazia num ângulo de 45 graus, voltada para a Lagoa da Conceição, como se alguém a tivesse abandonado recentemente, talvez, para buscar um café, um chá, ou simplesmente para ir a algum lugar com a intenção de voltar logo… Aquela cadeira estava fazendo toda a diferença. Nunca tinha percebido o quanto de “doméstico” tem uma cadeira sozinha numa varanda num final de tarde, é como diria o Sartre, é preciso que se repita de uma só vez “uma cadeira sozinha, numa varanda, num final de tarde, num domingo” poderia acrescentar-se na casa do “poeta” na Lagoa da Conceição… Mas é outra história, desgraçada de cadeira, tinha que me fazer lembrar que já tive uma casa, um lar, uma família… pô! Por que nós humanos temos essa coisa de “sermos” o somatório de nossas lembranças? Por que temos que carregar o “nosso” passado para onde vamos? Por que diabos uma desgraçada de uma cadeira sozinha numa varanda evoca toda uma vida? E por que tinha de ser comigo? Por que não é com aquele bestalhão que entra de moto aqui no beco todos os dias, fazendo barulho e acabando com a harmonia do dia? Talvez porque ele seja apenas um bestalhão… a noite vai tomando conta de tudo e continuo ali na varanda contemplando aquela cadeira, não tenho iniciativa para arredar o pé dali, sua presença já evocou toda a minha vida, o som do último CD de George Martin com as músicas dos Beatles me mantém ligado, a canção “Ticket to Ride” com as “Meninas de Petrópolis” alimenta a minha nostalgia. Fecho a porta porque já não suporto mais aquela viagem solitária. Desligo o som porque preciso me sentir, saber que existo, além daquele passado que não me abandona… Depois sinto baterem na vidraça ali na sala, aproximo-me com temor, estou no segundo andar, vejo um vulto escuro, parece uma ave negra, um bico insistente no vidro da janela… Penso em Edgar Allan Poe, na felicidade, e percebo um ruflar de asas e um grasnar repetindo… “Leonor” ou “never more!”

Olsen Jr. é membro da ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS.

Lançamento do livro “Avaliação em Planeamento Urbano” / Reitoria da Universidade do Porto / portugal


Demonstrar que é possível e desejável avaliar de forma sistemática a atividade de planeamento urbano é o propósito de Vítor Oliveira no livro “Avaliação em Planeamento Urbano”, obra editada pela U.Porto editorial que será apresentada no próximo dia próximo dia 24 de outubro, na Fnac de Santa Catarina. Paulo Pinho, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e coordenador da Secção de Planeamento do Território e Ambiente e diretor do Centro de Investigação do Território, Transportes e Ambiente daquela faculdade fará a apresentação do livro.

Depois de uma primeira parte, em que faz um enquadramento teórico e metodológico do tema, o autor propõe uma metodologia de avaliação do Plano Diretor Municipal (PDM), o elemento central do sistema de planeamento urbano em Portugal. Aplica a metodologia aos planos diretores atualmente em vigor em Lisboa e no Porto, avaliando cada um destes dois casos em termos de racionalidade do plano, de performance do processo de planeamento e de conformidade dos resultados obtidos. Conclui que é possível aplicar uma metodologia de avaliação de planos diretores que  permita um juízo de valor sobre os documentos e que  contribua, através de um processo de contínua aprendizagem, para melhorar a qualidade desses planos, dos processos de planeamento, e do ambiente urbano das cidades em que intervêm.

A sessão de apresentação terá lugar pelas 18h30, na Fnac de Santa Catarina, no Porto. A entrada é livre.

U.Porto editorial

Reitoria da Universidade do Porto

Praça Gomes Teixeira, 4099-002 PORTO

Tel.: 220 408 196  Fax: 220 408 186

URL: editorial.up.pt/

Hoje na História: 64 d. C. – Apóstolo Pedro é crucificado em Roma – por max altman / são paulo

Um dos principais apóstolos de Jesus, Pedro, é crucificado em Roma em 13 de outubro de 64 em seguida às perseguições de Nero contra os cristãos. Cristo lhe havia dado esse nome para simbolizar sua função de fundador da Igreja. São Pedro é o apóstolo investido da dignidade de primeiro papa pelo próprio Jesus. “Você é Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja”. 
Pedro nasceu em Bethsaida na Galileia. Pescador no lago Tiberíades, junto com o irmão André, seu nome era Simão, que em hebraico significava “Deus te ouviu”. Simão e André tinham sua própria frota de barcos, em sociedade com Tiago e João. Casado, teria também uma filha, Santa Petronilha. André, depois de ter ouvido de João Batista a exclamação “Eis o anjo de Deus!” apontando para Jesus, contou depois a Simão que havia conhecido o Messias.

Pedro foi chamado por Cristo a segui-lo, dizendo-lhe: “Você é Simão, filho de João. Você se chamará Pedro.” Em seguida, depois da pesca milagrosa, recebeu a promessa de Cristo que se tornaria pescador de almas.

Foi dos apóstolos o mais ativo e certamente o mais impulsivo, razão pela qual se tornou o porta-voz e líder reconhecido: “Te darei a chave do Reino do Céu e tudo o que ligares na Terra terá sido ligado nos céus; e tudo o que desligares na Terra terá sido desligado nos céus.”

Outro dado interessante era a estreita amizade entre Pedro e João Evangelista, atestado por exemplo na Última Ceia, quando pergunta ao Mestre, através do Discípulo Amado, quem o haveria de trair ou quando ambos encontram o sepulcro de Cristo vazio no Domingo de Páscoa. Fato é que tal amizade perdurou até mesmo após a Ascensão de Jesus, como podemos constatar na cena da cura de um paralítico posto nas portas do Templo de Jerusalém.

Não obstante, foi presa de grande temor durante a prisão e o suplício de Jesus e o renegou três vezes. Mas logo se arrepende e deixa cair amargas lágrimas de remorso. Ele não é um asceta, um diplomata e diz o que pensa. E protesta quando o Mestre prenuncia sua iminente morte: “Tem compaixão de ti, Senhor, isso de modo algum te acontecerá.”. Ou quando se recusou a lavar os pés de Jesus durante a última ceia. Porém recebeu admoestações de Cristo e, embora não as compreendendo, se dispôs a aceitá-las por intuir que estava diante da verdade.

Os apóstolos no afã de propagar o cristianismo a todos e não somente aos judeus, depois de permanecer 12 anos em Jerusalém espraiaram-se pelo mundo conhecido de então.

Pedro tinha o dom de operar milagres. À porta do templo curou um pobre aleijado, suscitando entusiasmo entre os populares e preocupação no Sinédrio – sob o domínio romano, assembléia judia de anciãos da classe dominante. É preso, seviciado e miraculosamente libertado. Deixa Jerusalém onde a vida se havia tornado perigosa devido à perseguição de Herodes Antipa. Empreende numerosas viagens antes de se fixar em Roma, centro do imenso Império Romano. Ali se tornou bispo e o primeiro papa durante 24 anos.

Em virtude do incêndio de Roma em 64, do qual foram culpados os cristãos, iniciou-se a primeira perseguição por vontade de Nero e que vitimou milhares de pessoas. Pedro termina na prisão e no mesmo ano é crucificado na colina do Vaticano. Seu corpo é sepultado à direita da via Cornélia, onde mais tarde foi erguida a Basílica Costantiniana.

WILSON RIO APA – VIDA e OBRA: lançamento dia 16/10/2011 no SOLAR DO ROSÁRIO / curitiba

Uruguai considerou entrar em guerra contra Argentina em 2007, diz ex-presidente / buenos aires – por email

O ex-presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, revelou nesta terça-feira (11/10) que considerou a hipótese de entrar em um conflito armado com a Argentina em 2007. Na ocasião, os países passavam por um momento de crise diplomática pela instalação de uma fábrica de celulose às margens do rio Uruguai, na fronteira entre os dois países. 

Durante uma palestra em uma escola uruguaia, Vázquez afirmou que pediu apoio do então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e de sua secretária de Estado, Condoleezza Rice na resolução do entrave.

“Eu considerei todos os cenários, de que não acontecesse nada, de que um dia acordássemos e o problema estivesse resolvido, até que houvesse um conflito bélico”, explicou.

Em um vídeo gravado no evento, é possível escutar um trecho da palestra, na qual o uruguaio afirma que o conflito com a Argentina era “muito sério”. “Um presidente tem a obrigação de considerar todos os cenários possíveis que possam se apresentar diante de determinado problema, e não esperar que o problema surja para ver o que fazer”, explicou.

UM clique no vídeo abaixo:

 
Segundo informações do jornal uruguaio El Observador, o ex-presidente revelou também que, no ápice das tensões com o país vizinho, chegou a se reunir com os comandantes das Forças Armadas para discutir a situação. Os militares teriam respondido na ocasião que poderiam “fazer uma luta de guerrilha” contra a Argentina.

Em março deste ano, despachos secretos filtrados pelos Wikileaks e publicados por jornais de Montevidéu revelaram fortes críticas do então ministro de Indústria uruguaio, Jorge Lepra, ao país vizinho, em 2006. Em encontro com o encarregado de negócios da delegação diplomática dos EUA, James Nealon, Lepra teria afirmado que o governo do Uruguai encarava as divergências com a Argentina com “seriedade”.

Segundo o despacho assinado por Nealon, o ministro uruguaio teria pedido sugestões de quem poderia ajudar na resolução do conflito e afirmado que “quando um ‘hermano’ bate na cara de outro ‘hermano’, é preciso que um tio mais velho ponha um ponto final no assunto”. Lepra também teria se referido à administração do então presidente Néstor Kirchner como “a pior cara do partido peronista”.

No despacho, o diplomata norte-americano afirmou ainda estar “surpreso” com o tom do ministro uruguaio, devido aos “duros comentários sobre o governo justicialista da Argentina, o qual [Lepra] considerou ser mais ‘camisas pardas’ (em referência aos nazistas de Hitler) que de esquerda” e à menção de que “nos tempos em que [o ex-presidente] Juan Domingo Perón proibiu os uruguaios de entrar na Argentina durante a década de 1950″.

| Luciana Taddeo | Buenos Aires

Morar num shopping – por amilcar neves / ilha de santa catarina


Começou a se incomodar com aquele negócio de cortar a grama duas vezes por mês. Pagava para o Gumercindo fazer o serviço, sentou, fez as contas e viu que era mais barato comprar uma máquina e ele mesmo aparar o gramado. Até uma terapia, como de fato foi no início. Depois virou obrigação, e aí é como ir trabalhar com horário fixo e ter um chefe fungando na nuca. Tinha a mulher, que não tolerava mato no quintal, folha alta demais saindo do chão. Chovesse ou fizesse sol, no frio invernal ou no calor infernal, tinha a grama para cortar a cada 15 dias.

 

Impermeabilizou o terreno ele mesmo, após umas buscas na internet, a compra de pisos cerâmicos, de cimento cola, de rejunte e de uma cortadeira elétrica de azulejos. Semanas de labuta seguindo o manual que imprimiu no escritório, lá eles têm papel que nunca acaba e tinta de impressão à vontade. E a qualidade profissional que sai daquela impressora. Aproveitou para aterrar a piscina, cobrindo o local com um piso azul cinzento em memória do equipamento de lazer que, nos últimos tempos, não foi mais usado e só dava uma trabalheira insana para deixar a água nos padrões mínimos de sanidade com químicas e produtos caríssimos.

 

Seu quintal ficou uma beleza, lisinho e brilhante, zero de grama, tendo sobrevivido apenas uma pitangueira, uma goiabeira e uma ameixeira. As duas primeiras emporcalhavam o chão: metade do ano com folhas, a outra metade com frutos enjoativamente maduros. A ameixeira juntava morcegos como um hotel de alta rotatividade. E os bichinhos não paravam de lambuzar tudo em sua incontinência intestinal. Um fedor, a mulher não se conformava, abateu as três árvores e tapou com restos de piso o que restava de terra à vista em sua casa.

 

O diabo, porém, são os vizinhos. Não adianta falar, pedir que cuidem das folhas geradas em seus quintais e das sementes de todos os tipos que as plantas largavam do outro lado do muro. Ia-se solicitar providências e eles riam, primeiro pelas costas, a gente sabe, depois na cara mesmo. Morar em casa e reclamar da sujeirinha que os gatos alheios fazem de noite no quintal, eles falavam, melhor então mudar para um apartamento.

 

Quando um vizinho sugeriu que o denunciassem à secretaria do meio ambiente e o processassem na Justiça porque se recusava a abater uma araucária estéril que tinha, decidiram, ele e a mulher, que chegara a hora de partir, venderam a casa, aplicaram o dinheiro e escolheram um shopping para morar.

 

Num grande centro de compras tem-se de tudo e não se precisa levar quase nada para lá: cafés para um farto desjejum, bancas com jornais e revistas de todo o país, televisões ligadas por todos os lados, praça de alimentação tão variada que se pode passar meses sem repetir cardápio, os lançamentos do cinema internacional, lavanderias, bancos, banda larga gratuita, serviço de cerzidos, academia, agência de turismo para o caso de uma viagem de férias e segurança quase absoluta. Há uma farmácia para tratar de resfriados e cefaleias, banheiros sempre limpos e uma livraria para abastecer-se de livros de autoajuda, com frases inteiras que ele sublinha e destaca como orientação para sua vida particular, dele e da mulher, e como subsídio para sua atividade profissional.

 

Quanto ao verde, o mais próximo que eles chegam é das árvores de Natal, que não largam folhas nem abrigam bichos que sujam. Vivem muito felizes morando no shopping de sua eleição: não tem igual, proclamam, satisfeitos da vida, e não tem vizinho por perto.

 

AMILCAR NEVES é membro da ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS.

Ciranda de mãos soltas no aniversário de Zuzu – por omar de la roca / são paulo

Primeira volta ( 10/10/11)

Queria estar naqueles dias inspirados para escrever alguma coisa muito especial para o seu aniversário.Que falasse de portas e janelas abertas para o céu para o mar, que falasse de gaivotas ao vento de terras distantes. De temperos, sabores, cores e perfumes exóticos. De risos soltos,pés na areia, correndo da onda que vem branquinha.De caminhos que se cruzam ao entardecer,ao por de sol descansado. De mesas postas , de horas cheias, de liberdades poéticas, pelos menos. Da chuva caindo mansa, ah a chuva.Da agua santa do coco verde, do peixe fresco pulando.De olhos brilhando na tranquilidade da solidão.De mentes libertas pensando nas flores, fontes, folhas, pedras e palavras tardias.De mãos estendidas para o giro e para o sol,de corpos dançando nus na lua cheia. De cabeças frescas , de problemas resolvidos .
Infelizmente me falta a inspiração.  Mas não para desejar que este ano que se inicia possa te trazer muita paz,muita luz e a tão sonhada liberdade.

Segunda volta (11/11/10 )

Acho que acordei encontado hoje.
Vim pensando em falar sobre flores de cerejeira espreguiçando e alisando as roupas para bem receber o beija flor que vem de mansinho contar seus segredos ( que elas já sabem). Ou o som da harpa distante do bardo improvável.Do espelho que reflete as cores outonais da floresta. Ou do sol dourado cochichando para as montanhas azuis. De flores se abrindo no jardim para as borboletas coloridas. Da brisa suave carregando o polén e o perfume. De meus sonhos pendurados em cabides num canto, onde vou de vez em quando só para tirar o pó deles. De minhas palavras, que só são minhas porque eu as disponho a minha vontade. Ou, coloco minhas palavras a teus pés, ( e não meus sonhos ,pois só elas tenho ) , pisa com cuidado pois estás pisando em minhas palavras. Da comédia de todos os dias,que as vezes fazemos de drama talvez para chorar um pouco e nos sentirmos melhor. Mas escolho a comédia, mesmo que chore com ela.Pensei em conchas brincando com as marés,se enrolando nas algas. Gaivotas de origami pousando em páginas de livros. Haicais perfeitos declamados pelo mestre adormecido. Místicos avatares rodando enquanto rezam . Uma folha verde que cai em minha mão quando passo pela árvore do bosque imaginário. De todas as minhas invenções , delírios inofensivos , viagens imaginárias. De todas as palavras tolas , imaturas . De todo sentimento guardado como uma poesia escondida num livro antigo no fundo de um armário. De coisas que vem a tona quando menos esperamos e nos ferem e nos fazem querer esquecer. Da memória que,como a fotografia que não foi tirada , se amolda a paisagem ideal de nossos sonhos . De águas límpidas , pouco exploradas, que a cada um só interessa a própria margem .
Mas é apenas um conto, que já parece mais um capítulo.Como este que se inicia hoje. Apenas mais um capítulo. Que a comédia seja o tom dele. Que a tranquilidade esteja presente em todas as páginas.Que passe rápido se você assim o quiser. E que a imaginação ( esse grande desafio ) possa impregnar cada linha , libertando a mente de todas as âncoras as quais insistimos em segurar .

Artista alemão apresenta uma nova forma de usar petit pavé na 6ª Bienal de Curitiba

Adrian Lohmüller, participante da Bienal de Curitiba, criou Uma Praça da Liberdade no Museu Oscar Niemeyer

 

 

 Uma instalação está chamando a atenção do público no Museu Oscar Niemeyer. Em uma das salas de exposição da 6ª VentoSul – Bienal Internacional de Arte Contemporânea, uma plataforma de petit pavé, coberta por almofadas, convida os visitantes a sentar, refletir e relaxar sobre a obra, assinada pelo artista alemão Adrian Lohmüller.

 

Depois de bastante pesquisa sobre essa pedra de origem portuguesa, o artista propõe um novo uso para ela, o de sentar e não pisar como habitualmente é feito nas calçadas de petit pavé. Batizada de “Uma Praça da Liberdade”, a obra foi criada especialmente para a Bienal de Curitiba. Trata-se de uma forma urbana usada como composição geométrica popular, portadora de identidade local e de novas formas de experimentar o espaço público. A plataforma é feita com mosaicos de petit pavé e coberta de almofadas estampadas.

 

Em Curitiba, as calçadas de petit pavé são bastante tradicionais. No centro da cidade é possível encontrar mosaicos feito com as pedras brancas e pretas representando símbolos locais como a Araucária e o Pinhão, além de nomes de prédios e empreendimentos.

Adrian Lohmüller nasceu em 1977, em Gengenbach (Alemanha) e hoje vive em Berlim. Seu trabalho já foi visto em importantes espaços culturais como Städtische Galerie Nordhorn e Mining the Moon, em Berlin, além de ter participado de eventos como a 6ª Bienal de Arte Contemporânea de Berlin, entre outros.

 

A 6ª Bienal de Curitiba está aberta ao público até o dia 20 de novembro de 2011, com obras de mais de 80 artistas de 37 países dos cinco continentes. A programação geral inclui projeto educativo, palestras, mesas-redondas, cursos, oficinas, mostra de filmes, performances e interferências urbanas, ocupando os principais museus, centros culturais, ruas, praças e parques da cidade.  Para conferir a programação completa e obter mais informações sobre visitas guiadas e mediadas, de bicicleta, de van e a pé, basta acessar o sitewww.bienaldecuritiba.com.br.

 

 

Serviço:

6ª VentoSul – Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba

Instalaçao de Adrian Lohmüller

Museu Oscar Niemeyer

Rua Mal. Hermes, 999. Centro Cívico. Curitiba – PR

Funcionamento de terça à domingo, das 10h às 18h.

Mais informações:             (41) 3350-4400      .

ENTRADA R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia).

Não passarão! – de ademar adams / cuiabá

Não passarão!

 

Os corruptos não podem vencer esta,

Fazendo do cê, do ene e do jota,

No mundo da Justiça letra morta,

E do erário, um bacanal, uma festa.

 

A toga não pode ser a casamata,

De quem não é digno de trajá-la.

Patriotas, preparemos a batalha

Ou a nação o corrupto arrebata.

 

A guerreira levantou a sua voz,

E não segui-la nesta hora atroz,

É ceder o Brasil à empulhação.

 

Em frente passionária corregedora!

Branda a tua espada moralizadora!

À luta! Viva o Brasil! Não passarão!

QUASE COMPLÔ! – por olsen jr / ilha de santa catarina



   Na minha infância quando as “coisas” não iam bem era comum se ouvir a expressão “Quando o circo vai mal até o anão cresce”.  Em outras palavras, quando você imagina que nada mais pode acontecer, ainda assim, alguma coisa acontece… Ah! Quase esqueço e acrescento, para pior!

Parece mentira ou algo de quem possui imaginação, mas a realidade está constantemente competindo com a nossa capacidade criativa. Vejamos, esperei a minha vida toda para encontrar uma “agente literária” (por que somente mulheres se dão bem nesta área é algo para ser discutido outro dia) e, finalmente, quando menos esperava, embora estivesse atento sempre, eis que “ela” se apresenta.

Por e-mail digo da minha satisfação por estar em contato diretamente com ela e gostaria de conversar… Ela me responde afirmando que para não “ficar só na conversa” eu poderia enviar uma coleção dos meus livros para serem avaliados e uma síntese de cada um, assim já ganharíamos tempo…

Apreciei aquela desenvoltura e vou atrás das obras. Algumas (pelo menos três) estão esgotadas e aí me ocorreu procurá-las nos sebos aqui da Capital. Depois de alguns dias, consigo recuperar duas delas e a terceira, pego da minha coleção particular para não atrasar o processo. Junto com as outras quatro, num total de sete, tudo arrumado numa caixa de sedex, anexo uma carta com uma pequena sinopse de cada livro e no dia 09 de outubro de 2011 despacho na agência da Lagoa da Conceição.

No final daquela tarde, celebrando o fato de que só na metade da minha existência (sou um otimista) estava dando, finalmente, um encaminhamento científico para a minha carreira literária, fui celebrar sozinho bebendo um espumante (ver Blog Enoteca Le Pic) e saborear aquele acontecimento.

Não comentei com ninguém porque era apenas o início do que se poderá constituir uma grande parceria.

Na manhã seguinte abro os jornais e me deparo com a Greve dos Correios…   Quase 30 dias depois e a paralisação perdura.

O pessoal do Correio me pergunta (via e-mail) o que penso da greve, respondo:

A “greve” é um direito democrático e estou solidário, espero que desta vez o pleito seja atendido e tudo volte à normalidade… Enviei um sedex (protocolo SZ904391519BR) era algo importante e urgente… Bem a encomenda ainda não foi entregue embora já esteja na cidade do destinatário… Como disse, estou solidário com a Greve, talvez o coletivo deva prevalecer sobre o individual, neste caso, o meu problema é o menor… Sorte para vocês…

Parece um complô… Aconteceu o mesmo com os bancos… Com o Detran, com a saúde, com os professores… Todo mundo fazendo greve simultaneamente… Alguém me alertou, mas tem um lado positivo, ainda bem que a AMBEV é uma empresa privada… Está bem, a boemia está salva, menos mal!

OLSEN JR é membro da ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS

Campana vai bem de Isaías – por helio de freitas puglielli / curitiba

Que Fábio Campana escreve bem é uma realidade que só pode ser negada por inimigos explícitos (que ele mesmo diz não serem poucos) e pelos não-declarados (sabe-se lá quantos).

Qualquer crítico isento, que esteja concentrado no texto e não na pessoa, que procure a qualidade literária acima de tudo, não se deixando influenciar por antagonismos de opinião ou desavenças pessoais, terá de chegar necessariamente à conclusão: Fábio escreve bem.

Escrever bem já é mérito inconteste, considerando que muita gente pretenciosa anda por aí barbarizando a língua, não vamos dizer portuguesa, mas a língua de Machado, Lima Barreto e Mário de Andrade, a nossa língua literária, bem brasileira.

E bem brasileiro é o Fabio, não obstante o castelhano tenha ressoado junto ao seu berço e acompanhado seus primeiros passos.

E da língua pulamos para o que realmente interessa. Pois a verdade é que não basta escrever bem. Há quem escreva bem sem dizer nada. Há quem escreva bem sem qualquer forma de identificação, com sua época, com os outros e até sem qualquer identificação ou compromisso consigo próprio. Parte da literatura brasileira contemporânea anda padecendo desse mal, com que muitos não se importam e que, por isso mesmo, tende a se alastrar.

Compreende-se que, depois do surto geral de engajamento liberado pela redemocratização dos anos 80, a literatura brasileira deveria tratar menos de temas ligados ao dramático período de combate à ditadura e à repressão. Mas as letras também não são favorecidas por obras vazias de conteúdo, exercícios de escrita sem nenhuma motivação concreta vinda da sensibilidade de alguém perante o mundo.

O escritor não é obrigado a ser homem de seu tempo, a filtrar nos textos os problemas da vida real e as angústias do contexto histórico. Quando foi obrigado, como na época do “realismo socialista”, formulado por Jdanov e imposto por Stalin, os resultados não foram bons. Mas o escritor tem de insuflar vida ao que escreve, pois o texto pelo texto (ou a arte pela arte, dizia-se antigamente) não se sustenta. “Muitos escritores estão voltando à masturbação”, resumiria grosseiramente o  filósofo da Boca Maldita, se ainda existisse um filósofo na Boca.

Fabio não só escreve bem, mas sente com intensidade tudo o que vem de fora e de dentro de si próprio, ou seja, sua consciência entra em sintonia com os fatos externos e os interioriza para a seguir processá-los na forma de texto. A quem objetar que é sempre assim com qualquer escritor, replicaremos que tudo depende do grau da intensidade, do grau de consciência e do grau de sintonia, além da forma de processamento. Nosso autor, em matéria de todos esses graus, está no alto da escala, ao passo que muitos escritores contemporâneos estão lá embaixo.

E vem vindo em escala ascendente, desde os contos de Restos Mortais e No Campo do Inimigo, passando pela poesia de O Paraíso em Chamas, até chegar aos romances O Guardador de Fantasmas, Todo o Sangue, O Último Dia de Cabeza de Vaca e Ai.

Agora, reúne suas crônicas mais recentes no volume A Árvore de Isaías, colocando-se no nível dos grandes cronistas brasileiros. E, como o Brasil teve e tem bons cronistas, figurar em pé de igualdade com eles é, sem dúvida, uma façanha.

Nosso autor não conquista essa posição apenas com talento. Sua maturidade é fruto de um longo processo existencial, que ele descreve explicitamente na primeira crônica do livro e, aqui e ali, em várias outras.

Parece que só quem sofreu, só quem passou por traumáticas desilusões, quem sobreviveu ao desmoronar de certezas e esperanças, pode agora narrar fatos com lucidez, equilíbrio, firmeza e suave ironia (em alguns textos não tão suave, vale ressalvar).  Como bom jornalista (e o escritor se fortalece com isso), Fabio enfrenta, glosa e transfigura fatos, retalhos do mundo e do seu mundo, suas memórias, seus pensamentos.

Ótimo cronista. E, se na Boca está faltando um filósofo, tudo indica que Curitiba, o Paraná e além-fronteiras estão bem servidos, pois as ressonâncias da filosofia de vida podem (e devem) reverberar na plena autenticidade do texto literário.

O recém-falecido Steve Jobs, gênio da informática. afirmou que trocaria toda a sua tecnologia por uma tarde com Sócrates. Eu troco um monte de livros de intragáveis autores promovidos pela mídia editorial por apenas um volume de um escritor como Campana.

Helio de Freitas Puglielli é jornalista e professor.

Não poema – de omar de la roca / são paulo

Não poema

Fechei meus olhos,para que não te visses neles e recebi com carinho teus beijos não dados.
Abri meus olhos, os teus já fechados,pousei um beijo em cada um com a delicadeza de uma borboleta numa folha, para não te acordar.
Encostei minha mão no teu rosto e não acordastes.
Recolhi a mão,fechei os olhos, senti a mão que voce não colocara em meu rosto e curvei a cabeça para receber o carinho não dado,prendendo tua mão não estendida entre o rosto e o ombro.
Segurei com cuidado tua cabeça,para que não batesse no vidro do ônibus,mas tirei a mão já que abrias os olhos.
E fiquei vendo o teu reflexo bo espelho, enquanto mantinhas os olhos vigilantes, e olhei direto para teu rosto enquanto mantinhas teus olhos fechados.Não, não os abra,quero decorar teu rosto.Sim, abra-os,quero ver de relance a cor de teus olhos enquanto desvio o olhar.São claros ? Não se i.
Tens sono.Fecho meus olhos e te vejo em meus sonhos despertos.Espero estar nos seus,mesmo que misturados com tua vigília.Abro meus olhos.Em tua boca o contorno de um sorriso.Do que te lembrastes? O que fizestes ? Fecho meus olhos e sorrio também.Me lembrei do que fiz? Não.Gravei teu rosto.
Estamos chegando.Sussurro ao teu ouvido,está na hora.Não te dás conta.Espero-te ? Não respondes.Te olho mais uma vez quando chegamos ao ponto final.
Respondo com um sorriso ao até amanhã que não me destes.Até amanhã.Espero te ver de novo.Mesmo que seja durante os quinze minutos que a viagem dura.
Te abraço forte,mas pareces não sentir.Eu, entretanto, quase não respiro com a força do teu abraço não dado.
Te levantas rápido. E finges não perceber que te deixo descer na minha frente.Aguardas na calçada e não me estendes a mão, que pego com avidez.
Agradeço a gentileza não feita,enquanto amarras o tênis.Sigo até a escada rolante.Vo cê vai pela fixa.Mas ainda nos vemos no andar de cima em lados opostos.Te procuro e te acho.Dou um sorriso de satisfação pelo teu sorriso não dado.Aceno de volta para o teu aceno não dado.Viras a tua esquerda e eu viro a minha esquerda.
Quem sabe amanhã.Quem sabe amanhã tocarei teu corpo com o meu sem querer,perto da porta de saída,descendo as escadas.
Quem sabe amanhã um motorista descuidado não freia rápido,jogando tua cabeça para perto da minha.Quem sabe irei pisar em teu pé,meio que por acidente,só pra te olhar bem, me desculpar,e ver teus olhos verdes olhando para mim.

Do lixo viemos e com lixo enriqueceremos / por alceu sperança / cascavel.pr

Todos conhecemos o ditado popular, que herdamos de nossos avós: nem tudo o que reluz é ouro. Isso quer dizer que as aparências enganam. Nas eleições, as aparências enganam muito mais.

Quanto mais dinheiro o candidato tem, mais pode pagar uma propaganda que o deixa bonito na fotografia e dizendo apenas coisas bonitas e agradáveis aos nossos ouvidos.

O advogado Ives Gandra Martins, com quem temos fundas divergências mas também concordâncias, como neste caso, escreveu que o eleitor não vota no político em si, como ele é, mas na imagem que os especialistas em ilusões fabricam.

Esses especialistas em ilusões, segundo o dr. Martins, “criam um herói cinematográfico e vendem esta imagem”.

O que fazer para não cair na ilusão de ótica montada pela propaganda? O melhor é procurar se aprofundar nas ideias dos candidatos, pois promessas são fáceis de fazer e difíceis de cumprir.

Quem vota em pessoas corre um grande risco de errar, se não conseguir perceber que está sendo vítima de uma ilusão. Mas quem vota em ideias erra menos, pois ao procurar idéias semelhantes às suas próprias convicções escapa da armadilha de confiar em promessas que dificilmente serão cumpridas.

**

A humanidade está evoluindo, a cada descoberta, a cada nova invenção, e, nessa marcha, um grupo de cientistas descobriu algo que os recicladores já sabem há muito tempo: que do lixo se pode extrair força e riqueza. Mas não deixa de ser espantosa a descoberta feita por esses cientistas.

Foi com partes do DNA que se consideravam inúteis, um DNA lixo, portanto, que nós, humanos, aprendemos no curso da evolução de nossa espécie a usar nossos braços e mãos para manipular ferramentas e inclusive para andar de pé, ou seja, na forma ereta.

Parece inacreditável que esse DNA considerado “lixo” tenha sido responsável por algumas das nossas mais destacadas ações como seres humanos e que nos distinguem dos animais ditos irracionais.

Uma análise comparativa dos genomas do homem, do chimpanzé, do macaco rhesus e de outros primatas, indica que a evolução humana pode ter sido promovida não apenas por uma sequência de mudanças genéticas, mas por transformações em áreas do genoma que até então se achava que não serviam para nada.

Quem quiser se aprofundar no assunto pode pesquisar no novo deus da humanidade (o Google – “pedi e receberás) o cientista James Noonan e o DNA lixo.

Segundo os pesquisadores, essas mudanças foram responsáveis originariamente pela ativação de genes no polegar e no dedão do pé. Ora, essas são duas das características que ao se desenvolver tornaram os humanos os “donos” da natureza.

Como se trata de um assunto extremamente complexo, vamos ficar por enquanto com essa ideia fantástica: ao contemplar algo aparentemente inútil, pode estar ali, no coração daquele material, ou da pessoa considerada imprestável, marginal, uma riqueza de valor material ou espiritual que nossos sentidos ainda não conseguiram captar.

 

ALCEU SPERANÇA  é jornalista e escritor.

ERNESTO “CHÊ” GUEVARA: hoje aniversário de sua morte

“Os jovens… e eu me vejo como um… nós precisamos estudar e estudar pesado. Nós não devemos dizer que meus olhos ardem ou que eu não gosto de ler, que eu fico cansado, que não há óculos, que eu tenho muita vigia, que as crianças não me deixam dormir… todas essas coisas que as pessoas levantam. Nós precisamos estudar por todos os meios.” 


Che Guevara

 


SALVE A SELEÇÃO! SALVEM-NOS!

 

…o SUFICIENTE!

U$A: “URUBUS QUE PRETENDEM ESCOLHER O PRÓXIMO PRESIDENTE” – por greg palast / new york

Greg Palast, 

O magnata dos fundos hedge Paul Singer gosta de comer carcaças em decomposição no café da manhã. O que ele mastiga e engole é de embrulhar o estômago, mas os convivas dele também provocam enjoo: os bilionários Ken Langone e os irmãos Koch, Charles e David.

Singer convocou reunião do clube dos meninos bilionários com o propósito de escolher o próximo presidente para nós. O estilo antigo de escolher presidentes – democracia, contagem de votos e tudo isso – nunca foi o favorito dessa turma. Posso falar isso com base nas minhas investigações sobre cada um destes cavalheiros para o The Guardian. Quando a

CHARLES KOCH

Estátua da Liberdade tem pesadelos, ela sonha que esses caras vão se juntar para tomar a América através de um golpe de estado via dinheiro.

Benvindos ao pesadelo.  Singer, Langone e os Koch decidiram, no mês passado, eleger Chris Christie para nós. A pseudo-campanha do governador de Nova Jersey naufragou antes de decolar. Mas isso não importa. Agora que a Suprema Corte efetivamente acabou com os limites de financiamento de campanhas e permitiu contribuições secretas através das corporações, essa nova combinação de ultra ricos não deve ser vista como apenas como uma ameaça aos Democratas e sim à Democracia.

Deixe-me apresentar uma lista dos arquivos que cheiram DAVID KOCH

a enxofre desse homens que querem dar as cartas.

Bilionário 1: Ken Langone

Langone gosta de ser identificado como o fundador do Home Depot, um sujeito simples, de avental  azul levando uma sacola de parafusos.

Mas ele também foi o homem, com seus colegas da extrema direita, por trás da Database Technologies (DBT). Foi na minha primeira investigação sobre o Langone, em 2000, que descobri que a DBT tinha criado uma lista de vários milhares de “criminosos” – quase todos negros, todos inocentes, todos eliminados das listas de eleitores da Flórida pela cliente da DBT, Katherine Harris. E a empresa do Langone sabia exatamente o

KEN LANGONE- esquerda

que estava acontecendo.

O que qualifica o Langone para escolher nosso presidente? Nas palavres dele mesmo: “Eu sou doido, eu sou rico”.

Bilionários 2 e 3: David e Charles Koch

Você acha que já leu tudo sobre os irmãos bilionários. Bem, aqui vai mais:

Em 1996, Richard Elroy, agente do FBI, disse àminha equipe que petróleo havia sido roubado da reserva indígena Osage, em Oklahoma. Ele e outro homem filmaram o furto, segundo testemunhas pessoalmente encomendado por Charles Koch. Uns barris aqui, uns barris ali.

E foram somando: cerca de um bilhão e meio de barris de petróleo roubado, diz um especialista, um terço da fortuna dos Koch naquela época. David e Charles dividiram o produto do furto através da empresa privada deles, a Koch industries.

Bilionário 4: Paul Singer

Agora chegamos ao rei da carcaça, Paul Singer, conhecido como Singer O Urubu. Não fui eu que o apelidei. O nome Urubu foi dado a eles pelo primeiro ministro britânico e pelo Banco Mundial. Recentemente, o ex-enviado das Nações Unidas Winston Tubman sugeriu que eu perguntasse ao Singer ou aos sócios deles, “Você sabe que está provocando a morte de bebês?”

O que esse cara faz, bota veneno no leite das crianças? Pior: ele retira o leite.

modus operandi do Singer é encontrar pequenas dívidas de nações pobres esquecidas (Peru e Congo estavam no cardápio dele). Ele espera os contribuintes dos Estados Unidos e da Europa perdoarem a dívida da nação pobre, depois espera um pouco mais pelas ofertas de ajuda em alimentos, medicamentos e empréstimos para investimentos. Aí Singer ataca. Legalmente, toma todos os recursos e todo o dinheiro que estava indo para o país em desespero. As trocas comerciais param, os fundos ficam congelados e toda a economia efetivamente se torna refém.

Singer, então, exige das nações que estão oferecendo ajuda que paguem regates monstruosos para permitir que as trocas comerciais recomecem. No programa Newsnight da TV BBC nós descobrimos que  Singer exigiu 400 milhões de dólares do Congo por conta de uma dívida que ele comprou por 10 milhões de dólares. Se ele não recebe seus 4.000% de lucro, ele pode efetivamente  matar a nação de fome. E eu não digo isso figurativamente – digo matar de fome, sem comida. No Congo-Brazzaville, no ano passado, um quarto de todas as mortes de crianças com menos de cinco anos de idade foram provocadas por má nutrição.

Para a BBC, tentei  fazer ao Urubu Singer a pergunta do diplomata sobre a matança de bebês, mas não pude ir além de George Gershwin. (Na torre de Nova York que abriga o poleiro do bilionário, um sósia de Gershwin, de fraque e cartola, toca canções em um piano de calda para a entrada triunfal de Singer).

E não são apenas pobres carcaças africanas. Durante as investigações para o meu livro “Vulture’s Picnic” (em português seria piquenique do urubu), descobri que o primeiro grande ataque de urubu do Singer foi às vítimas americanas de amianto.

Pano de fundo: Os executivos de três empresas – a operadora de minas WR Grace, a construtora de chapas para revestimento de paredes USG e a empresa de materiais de construção Owens Corning – sabiam que a exposição ao amianto em suas operações estava matando os trabalhadores. Quando foram pegas e processadas, as empresas entraram com pedido de falência e concordaram em dar quase toda a receita bruta das operações às pessoas que estavam morrendo ou que ficaram doentes por causa do amianto.

Mas o Singer teve uma ideia melhor. Essas empresas, como você pode imaginar, valiam quase nada e o Singer comprou a Owens Corning por uns trocados.

Se ele pudesse reduzir o montante pago às vítimas, Singer poderia aumentar muito o valor da Corning. Então, começou a campanha de relações públicas, atacando os trabalhadores que estavam morrendo, dizendo que todos estavam fingindo.

Um dos atacantes era um cara chamado George W. Bush.

Em Janeiro de 2005, o presidente organizou um encontro televisionado para promover um “especialista” que declarou que mais de meio milhão de trabalhadores que processavam a indústria do Singer eram mentirosos. Se os trabalhadores não podiam respirar, ele disse ao presidente, não era culpa do amianto.

O “especialista” não era um médico mas, notavelmente, sua “pesquisa” foi em parte financiada por… Paul Singer. Como Bush também foi. Depois da morte de Ken Lay, da Enron, Singer e seu bando de urubus do fundo hedge Elliot International se tornaram os maiores contribuintes do Comitê Nacional Republicano. É difícil medir com precisão sua generosidade porque parte desta ajuda chega por portas laterais. Por exemplo, Singer colocou dinheiro na campanha difamatória do Swift Boat, contra o adversário de Bush, John Kerry. (Nota do Viomundo: o anúncio, na televisão, distorcia a atuação de Kerry na guerra do Vietnã).

O ataque legal, político e de relações públicos aos trabalhadores a beira da morte reduziu as compensações que seriam pagas pelas empresas de amianto, aumentando seu valor. Singer então revendeu a Corning com o belo lucro de um bilhão de dólares.

É legal. É brilhante. É doente. É Singer.

Um dos meus gols favoritos do Singer foi a trama bem sucedida para legalmente roubar o Tesouro do Peru. Um dos advogados americanos do país me disse, de boca aberta, como o Singer deixou o velhaco presidente do Peru, Alberto Fujimori, fugir do país para escapar de acusações de assassinato. Singer tomou o avião de Fujimori. E o urubu deu seu preço: um dos últimos atos de Fujimori como presidente antes de fugir foi fazer com que sua pobre nação pagasse 58 milhões de dólares ao Singer.

Por que os bilionários precisam comprar a Casa Branca

Um executivo da Koch Industries (ele não sabia que estava sendo gravado) disse que perguntou a Charles Koch, que já tinha um bilhão de dólares de herança, porque Koch estava usurpando alguns dólares, por semana, dos índios americanos. Koch disse a ele: “eu quero a minha justa parte, e é tudo isso”.

Tudo isso, claro, inclui a Casa Branca.

Colocar Bush na Casa Branca valeu ouro para esses cavalheiros – mais, na verdade. E agora, os Koch, Singer e Langone se juntaram para escolher um candidato que, rezam, possa tomar de volta o imóvel 1600 da Avenida Pensilvânia.

Langone

A lista de “criminosos” da empresa DBT, do Langone, incluía apenas pessoas inocentes por isso, certamente, você não encontraria ali o nome do Langone. Em 2004, o Procurador Geral de Nova York, Eliot Spitzer, apresentou acusação formal contra o Langone de conspiração, acusando o bilionário de subverter as investigações de reguladores da bolsa de valores sobre negócios suspeitos do banco de investimentos do Langone.

Um detalhe técnico encerrou a ação civil de conspiração.

Mas agora, a reforma bancária e de ações do Obama, apesar de fraca, dá aos reguladores novos poderes para manter um olho independente sobre as travessuras no mercado de ações. Para Langone, escolher o presidente significa cerrar o olho regulador.

Os Koch

Elroy, o homem do FBI, disse aos nossos investigadores que o Departamento de Justiça iria permitir que o FBI algemasse Charles Koch por conta da acusação de roubo do petróleo dos índios Osage. Porém, diz Elroy furioso, os amigos bem financiados pelos Koch, na época senadores Bob Dole e Don Nickles, entraram em cena – e Koch saiu livre. Sem acusação.

Dennis DeConcini, senador do Arizona na época, quis saber por que acusações civis ou criminais nunca foram apresentadas contra os Koch. Essa não era uma pergunta muito sábia. O senador me disse que os Koch apeaçaram destruí-lo politicamente no comitê do Congresso que ele presidia se ele fosse adiante com as investigações a respeito do roubo do petróleo dos indígenas. Ele continuou, mas sua carreira política não.

Durante o governo Clinton, as indústrias dos Koch foram acusadas criminalmente por violarem a Lei da Água Limpa. Sob o presidente Bush, as acusações, mas não a água, foram lavadas.

Em outras palavras, o crime paga bem – se você escolher quem vai ser o xerife.

Paul Singer

Paul Singer apostou pesado na indústria de amianto e depois foi arrumar o cassino, ajudando a instalar Bush na Casa Branca. Ou seja, ele tinha um presidente disposto a bater nos trabalhadores de amianto e apoiar a chamada “reforma ilícita” que solapou as alegações das vítimas. O que as vítimas perderam, Singer ganhou.

Mas existem problemas no horizonte para Singer. Em 2007, o governo Britânico proibiu Singer e todos os especuladores-urubus de dívidas do Terceiro Mundo de coletarem suas libras de carne no Reino Unido. Outras nações europeias estão seguindo o mesmo caminho.

Vários congressistas americanos estão brigando por uma proibição ao estilo britânico das atividades do Singer. (Até mesmo a Corporação Chevron está reclamando dos ataques dos urubus. Quando a Chevron chama banqueiros de inescrupulosos, eles devem ser realmente muito inescrupulosos). Sem uma caneta de veto sobre o Congresso, Singer pode perder centenas de milhões de dólares.

Singer está jogando na defesa, mas é melhor no ataque: para coletar contra a Argentina, seus lobistas conseguiram aprovar no congresso uma lei que estrangulava as trocas comerciais com a nação da América do Sul. Obama e a Secretária Hillary Clinton bloquearam esse ato louco contra nosso aliado. Como resultado Singer não é um gaúcho contente. Vai haver sangue. Obama terá que pagar.

Todos eles

Existe uma coisa que todo bilionário quer: outro bilhão. E isso está ameaçado pelos planos do Obama de taxar os lucros hoje isentos.

Caras como Singer e Langone não pagam impostos como eu e você. Enquanto pagamos impostos sobre salários, os lucros de especulações tipo urubu e arbitragem são via de regra declaradas como “carried interest”, efetivamente não são taxados. É um benefício de um bilhão de dólares para os bilionários, e todos os candidatos republicanos juraram manter essa brecha na legislação aberta e garantir que eu e você paguemos os impostos para o Singer.

Infelizmente, para Singer, os Koch e Langone, os candidatos republicanos que estão beijando a bunda dos bilionários não parecem ser elegíveis.

Então, o Clube dos Meninos Bilionários instigou o Governador Christie, o bully de Jersey, a usar os músculos para entrar no Escritório Oval. Christi não decolou, o que não foi surpresa. Mas se eles vão escolher o candidato republicano ou recuar para a tática de difamar nos bastidores, uma frágil coisa chamada democracia tem poucas chances contra o poder de tsunami dos talões de cheques somados do quarteto.

As reportagens investigativas de Greg Palast são veiculadas no programa Newsnight da BBC.  O livro dele, “Vulture’s Picnic: in Pursuit of Petroleum Pigs, Power Pirates, and High-Fincance Carnivores” será lançado pela  Penguin USA no dia 14 de Novembro de 2011.

Tradução: Heloisa Villela

fonte original: aqui

UNIVERSIDADE ESPANHOLA CONCEDE DOUTORADO HONORIS CAUSA A LULA / madri

O Conselho de Governo da Universidade Internacional Menéndez Pelayo (UIMP), da Espanha, aprovou nesta quinta-feira a concessão do Doutorado Honoris Causa ao ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva. O título é um reconhecimento ao seu “papel fundamental” na erradicação da pobreza e na luta pela democracia.
Em comunicado, a UIMP destacou que após assumir a presidência do Brasil, Lula tentou erradicar a pobreza, impulsionou a criação de empregos, investiu em programas sociais e cortou as taxas de juros.
Em política externa, o ex-presidente nascido em 1945 e fundador do Partido dos Trabalhadores em 1980 buscou o reconhecimento internacional e assinou vários acordos, defendeu a Amazônia e reivindicou para o Brasil um posto permanente no Conselho de Segurança da ONU.
O comunicado lembra também do segundo mandato de Lula, quando ele se centrou no Mercosul, na União de Nações Sul-Americanas (Unasul), e no Grupo do Rio, embora tenha mantido uma boa relação com os Estados Unidos e a União Europeia.
A UIMP acrescentou que o ex-presidente, também agraciado com o prêmio Príncipe de Astúrias de Cooperação Internacional e o Prêmio pela Paz da Unesco, alcançou níveis de popularidade inéditos, reconhecimento internacional, uma significativa redução da pobreza, e a realização dos jogos Olímpicos no Rio de Janeiro em 2016.
A cerimônia de entrega do prêmio será no próximo verão no Palácio de La Magdalena de Santander. Além de Lula, a UIMP também concederá o Doutorado Honoris Causa ao jornalista espanhol Iñaki Gabilondo por sua defesa da liberdade de expressão, que de acordo com o comunicado da universidade se reflete em uma aposta constante em um jornalismo de qualidade e no seu compromisso com a informação.

…porque a morte é provavelmente a maior invenção da vida. É o agente de transformação da vida. Ela elimina os antigos e abre caminho para os novos…STEVE JOBS / eua

Biógrafo equipara Jobs a Edison e Ford – por walter isaacson /eua

Em artigo para a revista ‘Time’, Walter Isaacson diz QUE Jobs foi o maior executivo de nossa época

 SÃO PAULO – “Jobs tornou-se assim o maior executivo de nossa época, aquele que com maior certeza será lembrado daqui a um século. A história vai colocá-lo no panteão, bem ao lado de Edison e Ford.” A afirmação é de Walter Isaacson, biógrafo de Steve Jobs, em artigo publicado na revista americana Time. O livro será lançado no dia 24 de outubro no Brasil. O texto está no site da Companhia das Letras, com tradução de Pedro Maia Soares.
Biografia inédita do co-fundador da Apple será lançada no dia 24 de outubro - Divulgação
Divulgação
Biografia inédita do co-fundador da Apple será lançada no dia 24 de outubro

Veja abaixo a íntegra do artigo.

A saga de Steve Jobs é o mito de criação da revolução digital em grande escala: o início de um negócio na garagem de seus pais e sua transformação na empresa mais valiosa do mundo. Embora não tenha inventado muitas coisas de cabo a rabo, Jobs era um mestre em combinar ideias, arte e tecnologia de uma maneira que por várias vezes inventou o futuro. Ele projetou o Mac depois de apreciar o poder das interfaces gráficas de uma forma que a Xerox não foi capaz de fazer, e criou o iPod depois de compreender a alegria de ter mil músicas em seu bolso de uma forma que a Sony, que tinha todos os ativos e a herança, jamais conseguiu fazer. Alguns líderes promovem inovações porque têm uma boa visão de conjunto. Outros o fazem dominando os detalhes. Jobs fez ambas as coisas, incansavelmente.

Em consequência, revolucionou seis indústrias: computadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets e publicação digital. Pode-se até adicionar uma sétima: lojas de varejo, que Jobs não chegou a revolucionar, mas repensou. Ao longo do caminho, ele não só produziu produtos transformadores, mas também, em sua segunda tentativa, uma empresa duradoura, dotada de seu DNA, que está cheia de designers criativos e engenheiros ousados que podem levar adiante sua visão.

Jobs tornou-se assim o maior executivo de nossa época, aquele que com maior certeza será lembrado daqui a um século. A história vai colocá-lo no panteão, bem ao lado de Edison e Ford. Mais do que ninguém de seu tempo, ele fez produtos que eram completamente inovadores, combinando o poder da poesia com processadores. Com uma ferocidade que poderia tornar o trabalho com ele tão perturbador quanto inspirador, também construiu o que se tornou, ao menos por um período do mês passado, a empresa mais valiosa do mundo. E foi capaz de infundir nela a sensibilidade para o design, o perfeccionismo e a imaginação que fizeram da Apple, com toda probabilidade, mesmo em décadas futuras, a empresa que melhor prospera na intersecção entre arte e tecnologia.

No início do verão de 2004, recebi um telefonema de Jobs. Ele havia sido intermitentemente amigável comigo ao longo dos anos, com rajadas ocasionais de intensidade, em especial quando lançava um novo produto que queria na capa da Time ou em programa da CNN, lugares em que eu trabalhava. Mas agora que eu não estava mais em nenhum desses lugares, não tinha notícias frequentes dele. Conversamos um pouco sobre o Instituto Aspen, para o qual eu havia recentemente entrado, e o convidei para falar no nosso campus de verão no Colorado. Ele disse que ficaria feliz de ir, mas não para estar no palco. Na verdade, queria dar uma caminhada comigo para que pudéssemos conversar.

Isso me pareceu um pouco estranho. Eu ainda não sabia que dar uma longa caminhada era a sua forma preferida de ter uma conversa séria. No fim das contas, ele queria que eu escrevesse sua biografia. Eu havia publicado recentemente uma de Benjamin Franklin e estava escrevendo outra sobre Albert Einstein, e minha reação inicial foi perguntar, meio de brincadeira, se ele se considerava o sucessor natural naquela sequência. Supondo que ele estava no meio de uma carreira oscilante, que ainda tinha muitos altos e baixos pela frente, eu hesitei. Não agora, eu disse. Talvez em uma década ou duas, quando você se aposentar.

Mas depois me dei conta de que ele havia me chamado logo antes de ser operado de câncer pela primeira vez. Enquanto eu o observava lutar contra a doença, com uma intensidade incrível, combinada com um espantoso romantismo emocional, passei a achá-lo profundamente atraente, e percebi quão profundamente sua personalidade estava entranhada nos produtos que ele criava. Suas paixões, o perfeccionismo, os demônios, os desejos, o talento artístico, o talento diabólico e a obsessão pelo controle estavam integralmente ligados a sua abordagem do negócio, e decidi então tentar escrever sua história como estudo de caso de criatividade.

A teoria do campo unificado que une a personalidade de Jobs e os produtos começa com sua característica mais saliente, a intensidade. Ela era evidente já nos tempos de escola secundária. Naquela época, ele já começara com as experiências que faria ao longo de toda a sua vida com dietas compulsivas – em geral, somente de frutas e legumes – de tal modo que era tão magro e firme quanto um whippet. Ele aprendeu a olhar fixo para as pessoas e aperfeiçoou longos silêncios pontuados por rajadas em staccato de fala rápida.

Essa intensidade estimulou uma visão binária do mundo. Os colegas se referiam à dicotomia herói/cabeça de bagre; você era um ou o outro, às vezes no mesmo dia. O mesmo valia para produtos, ideias, até para a comida: As coisas ou eram “a melhor coisa do mundo” ou uma droga. Era capaz de provar dois abacates, indistinguíveis para os mortais comuns, e declarar que um deles era o melhor já colhido e o outro, intragável.

Julgava-se um artista, o que incutiu nele a paixão por design. No início da década de 1980, quando estava construindo o primeiro Macintosh, não parava de exigir que o projeto fosse mais “amigável”, um conceito estranho aos engenheiros de hardware da época. Sua solução foi fazer o Mac evocar um rosto humano, e chegou a manter a faixa acima da tela fina para que não fosse uma cara de Neanderthal.

Jobs compreendia intuitivamente os sinais que um projeto adequado emite. Quando ele e seu companheiro de projeto Jony Ive construíram o primeiro iMac, em 1998, Ive decidiu que o aparelho deveria ter uma alça situada na parte superior. Era uma coisa mais brincalhona e semiótica do que funcional. Tratava-se de um computador de mesa. Não muitas pessoas iriam carregá-lo para cima e para baixo. Mas a alça emitia um sinal de que você não precisava ter medo da máquina, que podia tocá-la e ela lhe obedeceria. Os engenheiros objetaram que aquilo aumentaria o custo, mas Jobs ordenou que fizessem daquele jeito.

Sua busca pela perfeição levou à compulsão de que a Apple tivesse um controle de ponta a ponta de todos os seus produtos. A maioria dos hackers e aficionados gostava de personalizar, modificar e conectar coisas diferentes em seus computadores. Para Jobs, tratava-se de uma ameaça para uma experiência de usuário inconsútil de ponta a ponta. Seu parceiro inicial Steve Wozniak, um hacker nato, discordava. Ele queria incluir oitoslots no Apple II para que os usuários pudessem inserir as placas de circuito menores e os periféricos que quisessem. Jobs concordou com relutância. Mas, alguns anos mais tarde, quando construiu o Macintosh, ele o fez à sua maneira. Não havia slots extras ou portas, e chegou mesmo a usar parafusos especiais para que os aficionados não pudessem abri-lo e modificá-lo.

Seu instinto de controle significava que ele tinha urticária, ou algo pior, ao contemplar o excelente software da Apple rodando em hardwares ruins de outras empresas, e também era alérgico à ideia de aplicativos ou conteúdos não aprovados poluindo a perfeição de um dispositivo da Apple. Essa capacidade de integrar hardware, software e conteúdo em um sistema unificado lhe possibilitava impor a simplicidade. O astrônomo Johannes Kepler, declarou que “a natureza ama a simplicidade e a unidade”. O mesmo acontecia com Steve Jobs.

Isso o levou a decretar que o sistema operacional do Macintosh não estaria disponível para o hardware de qualquer outra empresa. A Microsoft seguiu a estratégia oposta, permitindo que seu sistema operacional Windows fosse promiscuamente licenciado. Isso não produziu os computadores mais elegantes, mas levou a Microsoft a dominar o mundo dos sistemas operacionais. Depois que a fatia de mercado da Apple caiu para menos de 5%, a estratégia da Microsoft foi declarada vencedora no reino do computador pessoal.

A longo prazo, no entanto, o modelo de Jobs mostrou ter algumas vantagens. Sua insistência na integração de ponta a ponta deu à Apple, no início do século XXI, uma vantagem no desenvolvimento de uma estratégia de hub digital, o que permitiu que seu computador de mesa se ligasse perfeitamente a uma variedade de dispositivos portáteis e gerenciasse seu conteúdo digital. O iPod, por exemplo, fazia parte de um sistema fechado e totalmente integrado. Para usá-lo, era preciso utilizar o software iTunes da Apple e baixar conteúdos da iTunes Store. Em consequência, o iPod, tal como o iPhone e o iPad que vieram depois, eram um deleite elegante, em contraste com os canhestros produtos rivais que não ofereciam uma experiência perfeita de ponta a ponta.

Para Jobs, a crença em uma abordagem integrada era uma questão de retidão. “Não fazemos essas coisas porque somos malucos por controle”, explicou. “Nós as fazemos porque queremos fazer grandes produtos, porque nos preocupamos com o usuário e porque gostamos de assumir a responsabilidade por toda a experiência, ao invés fabricar a porcaria que outros fazem.” Ele também acreditava que estava prestando um serviço às pessoas. “Elas estão ocupadas fazendo o que sabem fazer melhor e querem que façamos o que fazemos melhor. Suas vidas estão ocupadíssimas; elas têm mais coisas a fazer do que pensar em como integrar seus computadores e dispositivos.”.

Em um mundo cheio de dispositivos inúteis, software pesados, mensagens de erro inescrutáveis e interfaces irritantes, a insistência de Jobs em uma abordagem integrada levou à criação de produtos surpreendentes, caracterizados por uma experiência de usuário deliciosa. Usar um produto da Apple podia ser tão sublime quanto caminhar em um dos jardins zen de Quioto que Jobs amava, e nenhuma dessas experiências foi criada pela adoração no altar da abertura ou deixando mil flores florescem. Às vezes é bom estar nas mãos de um maníaco por controle.

Há algumas semanas, visitei Jobs pela última vez em sua casa de Palo Alto. Ele se mudara para um quarto no andar de baixo, porque estava fraco demais para subir e descer escadas, e estava encolhido com um pouco de dor, mas sua mente ainda estava afiada e seu humor vibrante. Conversamos sobre sua infância, e ele me deu algumas fotos de seu pai e da família para usar em minha biografia. Como escritor, estou acostumado a manter distanciamento, mas fui atingido por uma onda de tristeza quando tentei dizer adeus. A fim de disfarçar minha emoção, fiz a pergunta que ainda me deixava perplexo. Por que ele se mostrara tão disposto, durante quase cinquenta entrevistas e conversas ao longo de dois anos, a se abrir tanto para um livro, quando costumava ser geralmente tão discreto? “Eu queria que meus filhos me conhecessem”, disse ele. “Eu nem sempre estava presente, e queria que eles soubessem o porquê disso e entendessem o que fiz.”

estadao.com.br

PERFUME – de edu hoffmann / curitiba

chove chuva de chuveiro

é uma lisonja ensaboar

a quem a mui lejos foi monja

ela me disse que tudo passa

– passe bem de leve a esponja

melodias realejo

ambígua língua dançando

distraída no seu umbigo

  blues no azul do azulejo

 

 

 

 

 

 

Curitiba, pastelão e chuva! – por wagner de oliveira mello / curitiba

Mentira é tudo mentira!

 Nunca tive uma estante, cama, mesa ou quarto; desde que fralda era um pedaço de pano que segurava minha merda presa à bunda eu divago por ai, sem burro, sem alça, às vezes um tênis, em outras uma calça. À merda com essa rima estúpida, tá pensando que tua vida é a Odisséia rapá.

• Acordei atrasado como se fosse a primeira vez, saí  sem escovar os dentes ou dizer bom dia pro espelho; à portaria fui invadido pela mesma dúvida que me assombra todas as manhãs, voltei tropeçando escada acima conferir se tranquei a porta…  – É claro que trancou, complexado idiota.
Tomei um cafezinho com pastel podre no china koreano e corri pro tubo. Chovia pra caralho naquela hora. Usuários de guarda-chuva  embaixo das marquises?! Eu a  nandar na sarjeta, desviando das pedras soltas que jogam lama nos calçados, nas calças, podendo subir até à camiseta dependendo da intensidade do passo.  Enfim,  semi-ensopado no tubo, advinha? esqueci o cartão de transporte e óbvio que estava duro. O cobrador que já me conhece bem, olhou pros dois lados antes de  liberar. “Entra pela portinha lateral, dá nada não, você ta sempre aí, outro dia me paga um café e ta tudo certo”. “Porra cara, valeu, valeu mesmo!” Como tem gente santa nesse mundo, e geralmente são as mais simples. Eu no seu lugar teria mandado o sujeito passear. O mundo não é bom, e pessoas boas cedo ou tarde acabam se fudendo; ou acha que se o fiscal da URBS, escondido atrás de um poste lá do outro lado da rua visse essa cena não teria delatado o pobre coitado; aí já era rapá! Não faz dessas coisas não meu filho, que Deus não abençoa!
• Trânsito parado, ônibus lotado, cheio de gente encasacada, molhada, empunhando guarda-chuva com olhar ameaçador como quem diz: “Esse canto é meu, não chega perto que te bato com isso na cabeça!” E eu numa ressaca braba, sonhando com minha cama, garrafas de água com gás e possíveis falecimentos que impedissem o expediente. Nada! A porta se abriu, e com muito custo consegui sair do coletivo, na verdade não sai, fui expelido porta à fora com a pressão dos que entravam pela outra. Alívio e desconcerto juntos. Mal desci do ônibus, um carro buzina ao meu lado, advinha quem era? Meu chefe é claro, nem pra me dar carona, jamais daria, esporro sem platéia não é esporro.

Como Água para Chocolate – por mônica benavides / curitiba

Como Água para Chocolate – Um livro/filme de receitas; para aprender a preparar comida, amor e lágrimas

 

O realismo fantástico é um gênero literário, que se desenvolveu principalmente na América Latina, e que encontrou aqui os seus expoentes máximos, gênios como García Marquez e Isabel Allende, de quem todos, (independente de amarem a leitura ou não), ou já ouviram falar ou já folhearam um livro na estante de uma livraria, banca de jornal ou farmácia (incrível, mas fato, hoje em dia se vende de tudo na farmácia menos remédios. Para esses, eles só aceitam um acordo financeiro que contemple sua assinatura em sangue sobre um contrato, no valor equivalente ao de uma alma em boas condições).

 

Bem, voltando; com certeza você já ouviu falar dos dois, blá, blá, blá… e não me delongarei no assunto. O que importa é que talvez, e digo chorando por você, infelizmente talvez, você não saiba que existe uma senhora mexicana, representante desse gênero que é um verdadeiro deleite. Seu nome: Laura Esquivel.  Essa mulher teve a ousadia de juntar o realismo fantástico com a cozinha ficção. O resultado?  Um cozido quente, com molho grosso e cheiroso; diria que opulento.

 

E eu fiz questão de falar desse livro, porque sei que muitas pessoas odeiam ler e que o cinema lhes vão em socorro para que conheçam adaptações das obras mestras da literatura,  consequentemente, conheçam as melhores histórias que a humanidade já inventou e contou. Na minha opinião, em noventa por cento dos casos de forma lamentável e criminosa. Quer um exemplo? Olha o que fizeram com o Germinal do Zolá… mas deixa essa história para outro dia.

 

Bem, voltando novamente (não sei porque, mas hoje estou tergiversando além do normal), Laura Esquivel é mexicana, tem um livro maravilhoso de estréia, perfeito representante do realismo fantástico latino americano, o dito é um deleite para quem ama cozinha (fiz duas receitas entremeadas na história e digo: elas dão certo), e que faz parte dos dez por cento restantes, que incluo nas adaptações cinematográficas aceitáveis, e digo até… MUITO bem feitas.

 

O filme é fiel à história, aos personagens, e o mais importante, mantem íntegro o clima do livro; romance, drama e intensa perplexidade.

 

Bem, quem não viu e não leu, pare de ler agora. Depois daqui começam os spoilers.

 

Como água para chocolate, é antes de tudo uma história de várias gerações (uma das características marcantes desse gênero literário), um romance com pitadas de melodrama (olha aí a segunda), e uma história povoada com o pó de ouro e a riqueza dos mitos e lendas de uma região (pronto está aí a terceira), além disso, entremeia a narração com fatos absurdos, que contrariam totalmente as leis da física e que se aproximam mais da ficção científica que dos documentários do Discovery Channel (pronto aí está a quarta e derradeira).

 

O livro e consequentemente o filme, contam a história de amor de Pedro e Tita e a história de ódio de Mamãe Elena. Mas o mais importante é que o livro, e graças ao cuidado com o roteiro e a fotografia, o filme; nos transportam para o mundo da cozinha de uma casa mexicana, com seus cheiros, sabores, suores e lágrimas.

 

O livro e o filme, apresentam cada capítulo da história com uma receita especial, lida por uma tataraneta de Tita, que é a narradora principal. Essa história guarda em si cenas belíssimas, que mostram como o cozinhar e o amar caminham juntos, desde que a primeira mulher das cavernas, assou um pedaço de caça para impressionar o homem que amava. As perdizes feitas por Tita utilizando as rosas destruídas, são a mais bela expressão de amor que já vi. Assim como o bolo misturado com as lágrimas de sua dor, mostram como a alma de alguém, quando torturada ao seu limite, pode causar desarranjos nas idéias impostas por outros.

 

O filme é lindo, a atriz mexicana Lumi Cavazos está fantástica no papel, mas perde muito para a soberba interpretação de Regina Torné como Mamãe Elena (ela realmente nos faz querer matá-la). Quanto ao erotismo é bem dosado, sem apelação e a cena de consumação (no sentido literal, afinal eles se consomem pelo fogo), do amor dos dois é belíssima.

 

Digo sempre a quem quer ouvir e a quem não quer também, que leia o livro antes de ver o filme, mas nesse caso digo com mais ênfase, porque aqui o prazer será maior, você verá que as descrições que te levam a criar os cenários da autora na cabeça se descortinaram na tela.

 

Será como ter uma revelação. Uma experiência, em que você verá sua imaginação praticamente transportada para o filme. Esse efeito é conseguido porque o diretor Alfonso Arau foi detalhista e cuidadoso. Fiel completamente aos cenários e aos personagens de Esquivel.

 

Esse livro e esse filme são jóias valiosas e um tanto discretas, como aquelas tabernas nos porões de casas simples em cidadezinhas européias da França ou da Espanha. Você entra receoso, porque são menos famosos do que deveriam (somente se conhece por indicação pois não constam em guias), mas sai maravilhado e saudoso, porque guardam em si um universo de sabores surpreendentes. E isso, é importante dizer, é muito mais do que se pode dizer de diversos pratos, servidos nos mais famosos restaurantes.

 

CASO E DESCASO – de jorge lescano / são paulo


 

CASO

Uma dupla de HOMOSSEXUAIS foi agredida na Avenida Paulista no último fim de semana. O fato está na moda. Os repórteres acompanham o movimento da investigação. Os jornalistas esperam que este não seja mais um caso de DISCRIMINAÇÃO impune. Ótimo! Ninguém gosta de ser agredido gratuitamente.

 

DESCASO

No interior de São Paulo (não guardei o nome da cidade porque a notícia não foi reprisada) o FILHO de um VEREADOR agrediu e ameaçou verbalmente um CAMINHONEIRO NEGRO. Este, na sua santa inocência pediu a intervenção policial. A polícia chegou e ELE (só ele) foi levado para a delegacia. O CIDADÃO perguntou por que só ele estava sendo conduzido ao distrito policial. Resposta: cumprimos ORDENS SUPERIORES (!?). O VEREADOR, seu FILHO e sua NAMORADA ou esposa foram embora tranquilamente, não sem antes entrar numa loja de conveniências e comprar cigarros e uma lata de cerveja.

           

CONCLUSÃO (?)

No Caso se procuram os agressores e se supõe ou espera que sejam punidos. No Descaso se tem o agressor e não se espera que haja punição por “Ordens Superiores”. À discriminação social e racial do Caminhoneiro se soma a Discriminação Jornalística, que noticiou uma vez e esqueceu o assunto. Coisa de somenos que não merece manchete, especialmente quando no interior se produz uma tragédia por questões financeiras em família tradicional.

            Assim marcha a Democracia Compulsiva. VIVA! 

CIDADÃO COMUM – por olsen jr / ilha de santa catarina



   Indague para qualquer pessoa quando ela estiver “down” (como dizem lá na matriz) o que é necessário para alguém ser feliz? Você ficará surpreso com as respostas. A maioria dirá que se precisa de pouco: salário, carro, um “cantinho” para chamar de seu…  E até aquela ex-modelo no alto da experiência de seus 21 anos afirmando que “se estou apaixonada moro até embaixo da ponte”.

Curioso é que “Ela”, esta “felicidade”, sempre vem associada a um “ter” qualquer, como no exemplo, mas nunca a um “ser ”que poderia ser compartilhado. O fato é que este estado de espírito ou de “alheamento” se preferirem, precisa de uma sustentação (evito falar em dinheiro) porque não há paixão que resista a ausência de condições materiais… A moçoila que no dizer do Cartola “Mal começaste a conhecer a vida”, apesar do romantismo implícito, está condenada.

Uma vida é composta de momentos, do somatório deles… Juntando-se aí, bons e maus… O enfrentamento de ambos com a nossa capacidade esgrimir com situações antigas e novas… O colorido pode (ao menos deveria) estar nos detalhes, o sorriso, um afago, aquele abraço, no aperto de mão, na empatia sincera de se por no lugar do outro no momento do desamparo e na valorização do que cada ser é… Porque ninguém é bom o tempo todo e poucos são ruins sempre.

Há alguns momentos em que você consegue reconciliar-se com a própria natureza e a outra, uma enlevação interior plena a ponto de dizer “o mundo poderia acabar agora e estaria bem” mesmo sabendo que tal fato poria um fim àquela plenitude. Esta conjunção existencial que possibilita o êxtase pode ser construída, requer para tanto uma consciência sem a qual o ato em si não faz sentido. Não se trata de conformismo, mas de uma trégua ou um armistício com a vida.

Reconhecer estes momentos quando se compartilha deles em grupo é uma arte. Na família se pode constatá-los com maior frequência. Mesmo nas altercações porque todas as pessoas trazem dentro de si uma fera que está encarcerada e que sem o perceber vamos alimentando enquanto vivemos. Um animal que se contenta com pouco. Tudo o que vamos sublimando durante a nossa existência lhe serve: o ódio, rancores, egoísmos e uma memória que não permite o arrefecimento dos sentidos e quando uma realidade reproduz a situação que lhes engendrou, é como abrir a jaula e a fera toma conta… Poderíamos domá-la fazendo com que esta animália se tornasse uma companheira de jornada e não uma algoz… Bastaria que assumíssemos as fragilidades humanas (que nos distinguem dos outros bicho na natureza) que todos carregamos e (só que ao contrário deles) ainda podemos continuar procurando, quem sabe “Ela” (não a fera), a tal felicidade, esteja por aí a espreita para nos poupar de novas buscas?

 

OLSEN JR é membro da ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS.

Bandidos fashion week – por tutty vasques / são paulo

ILUSTRAÇÃO POJUCANBandido no Brasil, em geral, não liga pra beca! O chamado “pé-de-chinelo”, muito particularmente, veste só bermuda e camiseta regata quando sai da toca para fazer o movimento na vizinhança. Um cordãozinho de ouro é, na maioria dos casos, o cúmulo da vaidade nesse meio de ladrão de galinha. Aquela história de que os caras usam uniforme oficial do Corinthians é lenda paulistana!

Houve um tempo em que delinquente de olho grande em tênis importado roubava adolescente nas ruas para consumo próprio, mas, ultimamente, não se ouve mais falar nesse tipo de ganho. Dificilmente rola um sinal de riqueza aparente na indumentária do crime.

Repara só: guarda-roupa de assaltante não denuncia a prosperidade do ladrão, e só mesmo em filme de suspense alguém se veste para matar! Bandido a caráter no Brasil é um ser humano como outro qualquer: veste-se de acordo com o ambiente que frequenta.

Tem para todos os gostos: do supracitado pé-de-chinelo ao de colarinho branco, tem bandido de farda, máfia de branco, gangue do capacete, ratos de praia, sem que nenhum homem de bem que ande de sandália, de terno, de uniforme militar, de moto, de jaleco ou de sunga se sinta genericamente ofendido com a ressalva aos maus elementos de suas respectivas tribos.

Atire a primeira pedra o jornalista, economista ou taxista que não conheça um coleguinha em dívida com os bons costumes. Nada mais natural!

Daí a surpresa de quase todo brasileiro com o ataque de nervos de parte significativa do Judiciário em reação ao debate sobre a existência de “bandidos de toga”. Teve magistrado que quase rasga a unhadas a capa de ofício da corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, que puxou a conversa.

Enfim, vestiram a carapuça por cima da toga!

Igreja Anglicana cria Coral Masculino Gay em São Paulo

IGREJA ANGLICANA MOSTRA CASAIS DE SANTOS QUE FORAM GAYS

BACO e SERGIO.

=

NEARCO e POLIEUCTO

=

PERPÉTUA e FELICIDADE

O maestro Walter Fajardo e os participantes do Coral Masculino Gay

Uma paróquia da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, localizada no centro de São Paulo, iniciou no último sábado, 21 de agosto, os ensaios do Coral Masculino Gay. Convidado pelo reverendo da Igreja, Arthur Cavalcante, o maestro Walter Fajardo aceitou o desafio de liderar um coral de vozes masculinas. “A intenção é incluir esses homens através da música, fazendo com que participem de eventos culturais pela cidade”.

A novidade já conta com a adesão de 12 homens e a meta é que esse número chegue a 40. Corais com esse perfil já são organizados em cidades como Los Angeles, São Francisco, Nova Iorque e Londres.

A paróquia da Santíssima Trindade, onde o reverendo Cavalcante atua, já é reconhecida por trabalhar a diversidade. No último 18 de agosto a paróquia e outras 24 empresas foram homenageadas pelo governador José Serra com o Selo Paulista da Diversidade, que reconhece ações voltadas para a inclusão de grupos discriminados.

De acordo com Cavalcante, a criação do coral “é coerente com a tradição dessa comunidade anglicana de acolher pessoas, independente de sua orientação sexual”. O maestro, que também é frequentador da igreja, diz que a igreja anglicana “trabalha com a percepção da humanidade, ao entender que a dignidade não está na sexualidade”.

O Reverendo Arthur ainda faz um convite para que qualquer homem participe deste coral, independente de sua orientação sexual, e identificado favoravelmente com os direitos humanos.

Os interessados em participar do Coral Masculino Gay de São Paulo devem entrar em contato com a Secretaria da Paróquia da Santíssima Trindade no endereço: Praça Olavo Bilac, 63, Campos Elíseos, São Paulo, SP, CEP 01201-050. Telefone: (11) 3667-8161 ou e-mail trindade@trindade.org.

A CULTURA, A ARTE E A POLÍTICA CULTURAL – por almandrade / salvador

Nas chamadas políticas culturais emergenciais, na maioria das vezes, são
discursos onde a cultura não passa de uma fantasia, uma miragem no fim do
túnel. Como ela não é assunto prioritário, foi transferida para a iniciativa
privada. Os investimentos visam retornos, fala-se em números, percentuais,
nas leis de renúncia fiscal, sem uma idéia clara de cultura e seu papel na
sociedade. Todo mundo se acha no direito de opinar, o patrocinador, o
empresário, o político, o produtor cultural, o professor universitário, o
curador etc. menos o artista e os que trabalham diretamente com as práticas
artísticas, os operários da linguagem.

Depois da descoberta tardia que a cultura não se restringe às linguagens
artísticas, as práticas acionadoras do pensamento crítico passaram a ser
vistas com desconfiança, “coisas de elite”, foram marginalizada e o
entretenimento passou a ser o centro do financiamento público. A festa
passou a ser o alvo dos investimentos públicos e privados em detrimento da
cultura pensamento.

O que deveria ser uma política pública de cultura? Uma pergunta oportuna em
momentos de transição política, quando as reivindicações reaparecem e as
disputas por cargos públicos emergem. Antes de ser um problema de economia,
de leis de incentivo, de política partidária, a cultura é um dispositivo da
cidadania, um direito básico que deve fazer parte da formação do sujeito. “A
cultura é coisa do homem que mora num certo lugar e num certo tempo”  (Gerardo
Mello Mourão). Portanto, antes de falar dos reduzidos recursos econômicos
destinados à área cultural, é estratégico se pensar em intervir
culturalmente no modelo de desenvolvimento que afeta  o meio ambiente, as
condições materiais, sociais e culturais de uma comunidade.

Uma política de cultura deve primeiramente levar em conta o quanto ela
contribui para o imaginário das pessoas, tornando-as capazes de assumir
decisões nas suas vidas. Que ela é uma forma de relacionamento com o mundo e
seu cotidiano, antes de ser uma mercadoria e um objeto da política. Relegada
à condição de entretenimento, passou a fazer parte das diversões, regida
pela economia da cultura. E tudo que faz a economia crescer, que gera
emprego e renda é ético nesta sociedade onde o emprego é cada vez mais
difícil. Mas a ética e lógica da cultura é outra. Se a diversão faz a
economia crescer, atende a demanda de habitantes, e turistas carentes de
lazer, poucas vezes contribui para o aumento e transformação do repertório.

O homem vive entre a natureza e a cultura. E a cultura é uma construção do
homem. Um trabalho. Resultado de um longo caminho. Cada cidade, estado ou
região tem uma cultura que lhe é própria e múltipla. Uma política de cultura
deve garantir a liberdade das diversas manifestações, sem qualquer
interferência, e transferir as decisões para quem faz cultura, quem conhece
as particularidades das linguagens, quem diretamente lida com o patrimônio
material e imaterial que faz o acervo de uma cultura.

E quando se fala de artes, produtos diversificados e delicados e ao mesmo
tempo conhecimentos específicos que fazem parte de uma cultura, o político,
o produtor ou o atravessador deve ser substituído pelo técnico ou o
especialista do metié. E uma instituição que trabalha com as artes tem como
princípio estimular a liberdade de expressão e não servir com extensão de
outras políticas ou de outras instituições.
 

*(artista plástico, poeta, arquiteto e presidente da Associação de Artistas
Visuais da Bahia)*

A FARRA da CASERNA – por maurício dias / são paulo

A farra da caserna


Investigação: Roberto Gurgel, procurador-geral, decidirá se indicia ou não o general Enzo Peri (acima). Foto: Renato Araújo/ABR

Desde 15 de agosto, a Procuradoria-Geral da República analisa uma representação encaminhada pelo Ministério Público Militar. Trata-se de um pedido de investigação “em desfavor” do comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, citado num espinhoso escândalo de corrupção, talvez o mais ruidoso da Força em seus 363 anos de história. Ao todo, 25 oficiais de variadas patentes, incluindo sete generais e oito coronéis, são suspeitos de integrar um esquema que fraudou licitações, superfaturou contratos, fez pagamentos em duplicidade e pode ter desviado dos cofres públicos ao menos 15 milhões de reais entre 2003 e 2009, segundo os cálculos do Tribunal de Contas da União (TCU).

O rombo, na verdade, pode ser maior. Apenas um dos envolvidos no escândalo, o major Washington Luiz de Paula, acusado de montar a rede de empresas fantasmas beneficiadas no esquema, acumulou uma fortuna pessoal que surpreendeu os investigadores.

Dados obtidos por CartaCapital revelam que o militar, com renda bruta mensal estimada em 12 mil reais, teria cerca de 10 milhões de reais de patrimônio em imóveis, incluindo um apartamento na Avenida Atlântica, em Copacabana, bairro nobre na zona sul do Rio, estimado em modestos 880 mil reais, certamente por falta de atualização. Seria proprietário ainda de duas casas na Barra da Tijuca, avaliadas em 2,9 milhões de reais cada. Em nome de seu sogro, que recebe uma aposentaria de cerca de 650 reais, estaria registrado um luxuoso apartamento de 2,8 milhões de reais na Barra (organograma à pág. 29). O inquérito que apura o caso revela, ainda, que o major movimentou mais de 1 milhão de reais em sua conta em apenas um ano.

Fadado a decidir se indicia ou não o chefe do Exército, o procurador-geral Roberto Gurgel terá ainda de tomar uma posição também sobre o foro privilegiado dos generais, que só podem ser julgados pelo Superior Tribunal Militar (STM), onde até agora um único general foi condenado, e posteriormente absolvido no Supremo Tribunal Federal (STF).

CAMPECHE: passarela da arrogância VAI AO CHÃO / ilha de santa catarina

Comunidade do Campeche faz ouvir sua voz: cai a passarela

Por Elaine Tavares – jornalista

De repente, no meio das dunas, entre o verde da mata e o amarelo da areia começou a crescer um monstro de pau. Misteriosamente vinha de um condomínio de luxo, construído na beira da praia. Por dias, o que se via da areia era uma profusão de madeiras, pregos e homens. A comunidade espiava, no seu jeito ilhéu, cismando. E o monstro vindo.
Então, numa manhã, aquela língua de madeira chegou à praia, destacando-se nas dunas como uma ferida aberta, uma grotesca chaga, um manifesto separatista. Desembocava cinicamente, e sem pudor, no exato lugar onde por anos vicejou o bar do Chico, espaço solidário da comunidade do Campeche, lugar das conspirações, das lutas e das festas populares.  O bar que foi derrubado numa manhã chuvosa e gris, sem que as gentes do lugar pudessem fazer nada, depois de levar anos em luta para mantê-lo onde estava. Vieram as máquinas e os homens do poder. “Está sobre as dunas, tem que cair”, diziam.
Agora, o Condomínio Essence, um pequeno monstrengo moderno, de dezenas de apartamentos espremidos entre si, mas de alto padrão, reafirmava seu poder, tripudiando da comunidade na qual pretende incluir mais de mil moradores. O monstro de madeira era uma passarela que ia desde a saída dos prédios até a beira da praia, serpenteando por entre as dunas. Um refúgio seguro para os privilegiados moradores. Uma caminhada de 300 metros sem colocar o pé no chão. A natureza servindo utilitariamente apenas como paisagem.
A comunidade que cismava, decidiu agir. Vieram reuniões, idas aos órgãos ambientais, prefeitura, secretarias. Se o bar do Chico caíra, porque a passarela haveria de ficar nas dunas? “Vai proteger”, alardeavam alguns defensores da natureza. Mas, quem vive no Campeche sabe muito bem o que é que protege as dunas e a natureza. É a gente do Campeche, pessoas que amam o lugar e que amam viver num bairro jardim, onde a natureza não é coisa, é parte de cada um. Esse povo não protege a natureza porque é bonito ver o verde, as dunas e a praia. Protege porque o verde, as dunas, a praia estão entranhados no modo de ser de quem vive nesse lugar, nativo ou não.
Todos os caminhos institucionais foram trilhados, mas ninguém ouviu o clamor. O secretário do “desenvolvimento” ainda ameaçou: “Isso é o futuro. Virão outras”. Isso porque o projeto dessa gente que administra a cidade é fazer uma Florianópolis só para quem pode pagar bem caro por ela. E isso inclui a natureza. Nos enormes cartazes das construtoras, a praia, a areia, o sol, tudo está à venda, incluído no preço. E com um sabor a mais. A pessoa ainda não precisará viver o incômodo de sujar o pé. Pode pegar sua cadeirinha na porta de casa e ir até a beira do mar protegida pela passarela. Haverão de banhar-se?
Na última sexta-feira (30) o povo protestou. Nada aconteceu. No dia seguinte, voltaram as gentes. Desta vem em maior número. Sábado de sol. Praia bonita. Passarela terminada, bem nos destroços do bar do Chico. Era coisa demais. Uma instalação artística re-construiu o velho bar, com uma foto do seu Chico.  Alguns choravam. Outros reclamavam, indignados. Então alguém gritou: “ao chão”. O mesmo grito dos homens do poder ao histórico bar numa manhã chuvosa. Mas, nesse sábado, não teve máquina. Teve gente. Teve comunidade. Uma a uma, unidas em pequenos grupos, as pessoas foram arrancando os paus, na mão mesmo, puxando,  quebrando, libertando a duna do monstro de pau. Em pouco tempo já havia uma montanha de madeira e o malfadado “deck” já era. Ouvia-se o riso, corriam as lágrimas, palmas. “Foi um dia histórico. A comunidade mostrou que, unida, pode fazer valer a sua voz”.
A passarela foi arrancada da duna, mas a luta não acabou. Essa é uma queda de braço entre dois projetos muito claros: um deles prega o desenvolvimento predador, ainda que só de alguns, os clientes. O outro insiste em manter um modo de vida que avança com o tempo, mas que não destrói. Que preserva cultura, jeito de ser, simplicidade e harmonia com a natureza. É uma batalha titânica que cabe agora ao sul da ilha. O norte já passou por isso e perdeu. Aqui no Campeche, agora que é noite e cai uma chuva fina, as pessoas estão em casa, cismando e fazendo planos. Conheço meus vizinhos e sei: se depender de cada um, a passarela não volta mais.

O GLOBO DE HOJE DESMENTE O GLOBO DE ONTEM E O DE ANTEONTEM / por mello

 
jornalismo de resultados de O Globo vai de mal a pior. E cada vez mais rápido.

Reportagem na página 4, publicada no Globo de hoje, desmente reportagem de ontem (que foi manchete de primeira página) e de quebra outra de anteontem. Nem deu tempo para o jornal virar embrulho de peixe (nos tempos de antanho) ou forro pra cocô de passarinho, cachorro ou preá.

A de ontem dizia que o governo da presidenta Dilma não havia liberado nenhum tostão para obras de prevenções de enchentes no Rio. Hoje, o jornalão se desmente:

“O Palácio do Planalto informou nesta segunda-feira que o repasse de recursos para ações de defesa civil no Rio de Janeiro chega a R$ 52,3 milhões em 2011.”

Mas um erro de zero pra R$ 52,3 milhões até que foi coisa pouca, se compararmos ao cometido na edição de anteontem do Globo. Lá, havia a informação de que o programa Minha Casa Minha Vida só havia liberado R$ 3,5 milhões até o momento para a construção de casas. Agora, a informação correta:

“Nota assinada pelos ministérios do Planejamento, das Cidades e Caixa Econômica Federal diz que os valores pagos para o Minha Casa Minha Vida, em 2011, totalizam o montante de R$ 4,34 bilhões.”

Fica aí, “de grátis”, um bom slogan para o jornalão do Oligopólio Globo: O Globo escreve hoje o desmentido de amanhã.

WALL STREET: 700 PRESOS nos protestos contra o desemprego e a corrupção. VEJA OS VÍDEOS / eua

Mais de 700 manifestantes foram detidos neste sábado nos Estados Unidos, durante um protesto que bloqueou a ponte do Brooklyn, em Nova York, na 15ª jornada promovida pelo movimento Ocupar Wall Street, que mantém um acampamento no Zucotti Park, no centro de Manhattan.

UM clique no centro do vídeo:

==

ESTOU FICANDO LINDO! – de jorge barbosa filho / campo mourão.pr

ESTOU FICANDO LINDO!

(Heróica parte 1)

Não sei como você agüenta essa coisa de dar satisfação.

Não sei, não! Tudo que queríamos, era pura invenção.

Não sei da tua, como atuas, e disfarças os teus dias-a-dias,

Tuas mágicas são tão pequenas!

Ok! Corro o risco lembrando-me de você,

Quase me tornei um sapo… Bem, agora tou bem Safo!

Mesmo que isto tudo me encha o saco, pago…

Pra ver! Pra ter!  Pra ser!  Pra valer!

 

Todos teus disfarces, teus passes, teus toques sem faces!

Nunca acreditei um instantinho de tuas festinhas

Em nossa cama embolada de amor, amor?

Faço a correria do modo que gosto, e posso.

Vivo do meu talento e detesto quem é lento.

Repare que o mundo roda. Acorda! A corda!

O vento é meu amigo! Quero vê-lo bater no teu tento, agora!

Pra ver! Pra ter! Pra ser! Pra valer!

 

Aposto que de nós não sobrou nada no espelho.

Quando passo por ele, apenas me vejo e me dou um beijo!

Fico cabreiro enquanto percebo alguns fantasmas…

Rezo para o Sempre e digo que isto é uma farsa, e passa

Pelo seu tranquilo metal e líquido, feito mera fumaça!

Sou aquilo que sei, sou, sonho e desejo,

Às vezes me despejo de tudo e de mim mesmo…

Pra ver! Pra ter! Pra ser! Pra valer!

Mas não tenho medo de tentar a sorte, ou a morte.

Sinto-me forte apesar de todo enredo…

Vejo jacus britânicos e caiçaras americanos por todos os lados

Consumirem seus relógios, seus ópios, seus óbvios,

Descansarem sem culpa no interior de seus óbitos!

Deus dê longa vida aos necrológios e aos necromaquiados!

Pois eu vivo, vivo! De cara, na lata! Não finjo, não fujo, não!

Pra ver! Pra ter! Pra ser! Pra valer!

 

MAR – de omar de la roca / são paulo

MAR

 

 

 

Que palavra é essa que se agita em mim?

Que mar é esse ?

Como uma onda que me cobre a cabeça,

E eu tenho que bater os pés com força para respirar

Ou como uma tábua de salvação

A que me agarro

E me desgarro quando o pé encontra o chão.

Como a onda que me leva boiando no espaço liquido.

Onde faço lentos movimentos circulares.

Onde sufoco um pouco, um pouco ofego

Sôfrego de luz e de palavras.

Como o barco, que só alcanço a borda

Sem força para nele me chegar

Fraco,tímido, sôfrego  de medo

Tremendo,querendo mergulhar

Mais fundo e mais e mais

Deixando que  a corrente me transporte.

Trazendo a tona a água dividida.

E quebro a onda, com meu corpo

Cujo destino é pedra. E alga.

Com a mão aliso a vaga

Que me levanta e a mim salga.

E sigo resistindo a sereia que se enrosca

Em meus tornozelo, e a mim puxa,

Para o fundo,para o fundo.

Mas me sacudo e me livro

 

Como faço com palavras que me incomodam

Pondo no papel, pondo ao vento

Como roupas a secar e a chuva molha,

Apelando ao perdido pensamento,

Sentimento que não volta.

Que mar é esse ?

Que palavra é essa?

Aceno a mão para o navio inexistente,

Querendo voltar ao porto que ainda não existe,

A água sobe e perco o pé, mais esforço feito,

para ficar a tona, cabeça de fora,nariz de fora.

Ar , que te quero puro.

Ar que é preciso, e eu preciso .

Que palavra que se agita

Em mim e logo grita,

Que mar, no qual me agito,

Muito alem de meu próprio grito?

O sol chia ao encostar na água lá no horizonte.

Logo será noite. Encontrarei areia. Bato os pés

Em desalinho,respiro,afundo.

Me agarro a um tronco. Devo estar perto de terra firme.

Bato os pés e vou seguindo.Vou seguindo.

Que palavra, que mar ?

Bato os braços,os  pés.

Chego lá ? Não sei,engulo água,

E ,me agito mais forte para respirar,

para alem de minha mágoa.

Que cor é essa com a qual escrevo?

Cor de água do mar.

E o papel ? Transparente ,de vidro.

Que mar ?…afundo.

Que palavra ? Surdo, de água.

Areia,concha,alga e pedra. Mar.

E no ar seguro de novo.

DR. PELUSO, O QUE É ISSO? RICARDO TEIXEIRA BANCA TORNEIO PARA JUÍZES FEDERAIS

O juiz da 2ª Vara de Execuções Fiscais de São João de Meriti (Baixada Fluminense), Wilson Witzel, diretor de esportes da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), fez a convocação para o encontro previsto para os dias 11, 12 e 13 de novembro. Será na Granja Comary, em Teresópolis, onde fica o centro de treinamento da Seleção Brasileira:

“a hospedagem e o material esportivo para os jogadores será por conta da CBF”.

Enquanto isso, o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro investigará Ricardo Teixeira (presidente da CBF) por lavagem de dinheiro.

UM clique no centro do vídeo:

Era só o que faltava: a confraternização entre cartola acusado de corrupção e juízes de toga que poderão julgá-lo.

Será que o Dr. Peluso, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), tem certeza de que as declaraçãoes da corregedora, Eliana Calmon, foram exageradas, quando disse:

“…a magistratura.. está com gravíssimos problemas de infiltração de bandidos que estão escondidos atrás da toga…”

 do Lancepress.

Ecos do terror de Estado – mino carta / são paulo

Saberá ouvi-los a dita Comissão da Verdade? Foto: Ag. O Globo

De vez em quando, o  estrondo das bombas do Riocentro volta a ecoar nos meus ouvidos. Hoje, por exemplo. Passaram-se mais de 30 anos e ainda ouço aquelas desastradas explosões. Uma bomba detonou antes da hora no colo de quem a carregava. A outra, colocada na caixa de força da estação elétrica, provavelmente mal iscada, não causou maior prejuízo. Havia uma terceira, desativada pelos peritos que acorreram ao local. Como catalogar o episódio, tragédia ou comédia? Ou tragicomédia, a ser atribuída a um misto de delírio tropical com a incompetência daqueles terroristas de Estado?

Agora pergunto: o que aconteceria se as bombas explodissem conforme a programação urdida na Vila Militar, sob o comando do general Gentil Marcondes? Era noite de festa, véspera do Dia do Trabalho, 30 de abril de 1981, 20 mil pessoas, na maioria jovens, lotavam o Riocentro para ouvir seus cantores preferidos. Não é árduo imaginar a cena de pânico que se estabeleceria se o plano desse certo, o corre-corre, os corpos que caem, logo pisoteados por quem sobrevém de carreira, o morticínio. Vinte mil pessoas estiveram expostas naquela noite ao risco monstruoso, milhares seriam as vítimas. A quanto subiria o número de assassinados pela ditadura nativa?

Há quem diga e escreva sobre papel impresso que por 21 anos o Brasil foi dominado por uma “ditabranda”. Há quem faça as contas: na Argentina morreram 30 mil, no Uruguai 3 mil, no Chile nem se sabe quantos, aqui 300. “Apenas.” E se os terroristas do I Exército conseguissem o que pretendiam? O Brazil-zil-zil ombrearia na cifra dos eliminados com os demais países do Cone Sul, ora viva.

Recordo que, naquela mesma noite, o chefe da Casa Civil, Golbery do Couto e Silva, pediu ao ditador João Figueiredo a cabeça do general Gentil, como se dera com o comandante do II Exército, Ednardo D’Avila Melo, em janeiro de 1976, depois do assassínio do operário Manuel Fiel Filho no DOI-Codi paulistano, aliás, outro momento de monumental incompetência dos algozes da Rua Tutoia. O Manuel a ser seviciado era outro. O chefe do SNI, Octavio Medeiros, manifestou-se contra a demissão. Golbery avisou, peremptório: “Ou ele, ou eu”. Sinto muito, replicou Figueiredo, fico com ele. Ou melhor, com eles, Medeiros e Marcondes. Golbery esperou três meses e, enfim, demitiu-se.

Que ditabranda é esta pronta a endossar um atentado programado para matar milhares de inocentes por obra de um plano tramado com a evidente responsabilidade- de um general comandante do Exército? Temo que a chamada Comissão da Verdade, que acaba de ser aprovada pelo Congresso, seja de fato destinada a perpetrar outro gênero de atentados, contra a memória e a história do País. Como era de se esperar, aflora a tese de que a simples aprovação da Comissão da Verdade representa um avanço notável. Este também é o Brasil useiro, inescapável, imaturo, eternamente disposto à conciliação dos senhores.

Por trás de uma deplorável tradição de arreglos selados há séculos para deixar as coisas como estão, vinga ainda a conveniência de um exército que em vez de servir ao Estado por este é servido. Um exército de ocupação, é o caso de dizer. Em proveito de quem? De si próprio? Ora, ora… Em relação aos tempos das bombas do Riocentro, novas levas fardadas substituíram aquelas dos ditadores da casta. Quem continua a postos são os vetustos donos do poder, os paisanos que mandam de fato, se não aqueles ao menos os novos intérpretes da mentalidade de antanho, sempre viva, imutável. E tão sincera e eficazmente defendida pela mídia nativa.

As Forças Armadas no golpe de 64 arcaram com o papel de gendarmes dos senhores da Casa-Grande. Na ocasião, Raymundo Faoro via nelas o sucedâneo dos capitães do mato. Quem fala de ditadura militar, em boa ou má-fé, escamoteia a verdade, foi ditadura, e ponto final, e de inaudita ferocidade, embora amiúde estulta no desperdício, digamos assim, da raiva e da violência, quando bastaria muito menos para atingir seus nefastos objetivos. Não se trata agora de punir os sobreviventes terroristas de farda, de fato parvos paus-mandados. Trata-se de entregar à execração perene, infelizmente tardia, os primeiros responsáveis por uma quadra tão dolorosa, a vincar em profundidade o atraso do Brasil.

Poupo-me e poupo os leitores de lugares-comuns a respeito da importância da memória, em proveito da verdade histórica. Resta entender que a reconstituição não interessa à chamada elite e aos seus aspirantes. Na resistência à elucidação dos eventos do passado infeliz, estes vêm antes que um ou outro chefe militar ancorado ao passado.

Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde. redacao@cartacapital.com.br

Câmara Federal absolve deputado VALDEMAR COSTA NETO e veta protesto contra corrupção – najla passos / brasilia

Manifestantes que pretendiam distribuir vassouras a parlamentares são impedidos de entrar no Congresso. Ao mesmo tempo, Câmara inocentava deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), acusado de participar de esquema de desvios no ministério dos Transportes, em mais um sinal de que Congresso está descolado da sociedade.

BRASÍLIA – O Conselho de Ética da Câmara absolveu nesta quarta-feira (28) o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), que havia sido acusado por dois partidos (PPS e PSOL) de quebra de decoro por participar de suposto esquema de desvio de verba pública no ministério dos Transportes.

Enquanto o Conselho, por 16 votos a 2, inocentava Costa Neto, cerca de 30 manifestantes ligados a grupos de combate à corrupção promoviam a faxina simbólica da rampa do Congresso Nacional. A coindicência é mais um exemplo de como o Congresso está descolado da opinião pública e contribui para desmoralizar a classe política perante a sociedade.

Os manifestantes, que ignoravam o julgamento no Conselho de Ética, foram proibidos de entrar no Congresso. Eles planejavam entregar vassouras verde-amarelas aos 513 deputados e 81 senadores, numa tentativa de pressionar os parlamentares a votar medidas anti corrupção.

Impedidos de distribuir os “brindes”, os protestantes recolheram as vassouras – que, desde a véspera, estavam fincadas em gramado em frente ao Congresso – para reaproveitá-las num ato marcado para o dia 12 de outubro.

“Todos falam muito da importância do papel da sociedade civil na luta contra a corrupção, mas quando nos organizamos e realizamos uma manifestação pacífica, somos proibidos de entrar no parlamento. Será que os deputados e senadores estão com medo das nossas vassouras?”, questionou a ativista de direitos humanos Leiliane Rebouças.

Antônio Carlos Costas, presidente da Organização Não-Governamental Rio de Paz, explicou que a vassoura foi usada como metáfora para expressar o desejo de todo o povo brasileiro de ver o Congresso envolvido nesta campanha nacional de combate à corrupção. “Queremos um país mais justo, menos desigual, onde não haja corrupção, onde a verba pública seja canalizada para outra finalidade”, disse.

Revolta
Dentro da Câmara, parlamentares se revoltaram com a decisão do Conselho de Ética de rejeitar a denúncia contra Costa Neto. “Se nada aconteceu no Ministério dos Transportes, por que a presidente Dilma afastou o ministro e 20 funcionários do órgão?”, questionou o relator do processo, deputado Fernando Francischini (PSDB-PR).

O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) propôs a extinção do órgão colegiado. “É melhor fecharmos logo esse Conselho de Ética que, primeiro, teve sua decisão de cassar a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) derrotada em plenário e, agora, elimina na raiz a possibilidade de investigar Costa Neto, para evitar que o problema se repita”, afirmou.

Mais cedo, Alencar havia participado do pequeno grupo de parlamentares que deixou o Congresso para cumprimentar os manifestantes do ato contra a corrupção. “Vocês deviam ficar de olho também no Supremo Tribunal Federal, ali do outro lado da rua, que está ameaçando dar um golpe na democracia ao cassar os poderes do Conselho Nacional de Justiça”, recomendou.

Senador de primeiro mandato, Pedro Taques (PDT-MT), que foi até os manifestantes para receber uma vassoura. “Falar contra a corrupção, hoje, é defender a cidadania e a democracia. Segundo o Tribunal de Contas da União, um terço do dinheiro da saúde é desviado pela corrupção. Há muita coisa errada. A corrupção mata e rouba o futuro de uma geração”, afirmou.

O presidente da Frente Parlamentar Mista Contra a Corrupção, deputado Francisco Praciano (PT-AM), lembrou que há mais de 100 projetos de combate à corrupção tramitando na Câmara e do Senado, sendo que 21 deles, prontos para serem votados, como é o caso do projeto que propõe o fim do voto fechado para os casos previstos pelo regimento, como nas votações de quebra de decoro parlamentar. “Se a sociedade não brigar, se a imprensa não ajudar, não vamos ter nunca o voto aberto nessa Casa”, afirmou.

Panfletagem
Após participar do ato, Praciano comandou uma panfletagem, dentro da Câmara, com o objetivo de sensibilizar seus colegas a agilizar a tramitação dos projetos que tratam do combate à corrupção. Um dos primeiros parlamentares a receber o material preparado pela Frente foi o presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS).

Segundo Praciano, o encaminhamento de projetos como o que propõe o voto aberto será discutido na próxima reunião do colegiado de líderes, semana que vem.

Marco Maia, que assinou o manifesto lançado pela Frente Parlamentar Mista em Defesa do Voto Aberto, em conjunto com outros 270 senadores e deputados, afirmou que é a favor da medida, mas com exceções, como a eleição para presidir a Câmara e o Senado.