Arquivos Diários: 4 outubro, 2011

Bandidos fashion week – por tutty vasques / são paulo

ILUSTRAÇÃO POJUCANBandido no Brasil, em geral, não liga pra beca! O chamado “pé-de-chinelo”, muito particularmente, veste só bermuda e camiseta regata quando sai da toca para fazer o movimento na vizinhança. Um cordãozinho de ouro é, na maioria dos casos, o cúmulo da vaidade nesse meio de ladrão de galinha. Aquela história de que os caras usam uniforme oficial do Corinthians é lenda paulistana!

Houve um tempo em que delinquente de olho grande em tênis importado roubava adolescente nas ruas para consumo próprio, mas, ultimamente, não se ouve mais falar nesse tipo de ganho. Dificilmente rola um sinal de riqueza aparente na indumentária do crime.

Repara só: guarda-roupa de assaltante não denuncia a prosperidade do ladrão, e só mesmo em filme de suspense alguém se veste para matar! Bandido a caráter no Brasil é um ser humano como outro qualquer: veste-se de acordo com o ambiente que frequenta.

Tem para todos os gostos: do supracitado pé-de-chinelo ao de colarinho branco, tem bandido de farda, máfia de branco, gangue do capacete, ratos de praia, sem que nenhum homem de bem que ande de sandália, de terno, de uniforme militar, de moto, de jaleco ou de sunga se sinta genericamente ofendido com a ressalva aos maus elementos de suas respectivas tribos.

Atire a primeira pedra o jornalista, economista ou taxista que não conheça um coleguinha em dívida com os bons costumes. Nada mais natural!

Daí a surpresa de quase todo brasileiro com o ataque de nervos de parte significativa do Judiciário em reação ao debate sobre a existência de “bandidos de toga”. Teve magistrado que quase rasga a unhadas a capa de ofício da corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, que puxou a conversa.

Enfim, vestiram a carapuça por cima da toga!

Igreja Anglicana cria Coral Masculino Gay em São Paulo

IGREJA ANGLICANA MOSTRA CASAIS DE SANTOS QUE FORAM GAYS

BACO e SERGIO.

=

NEARCO e POLIEUCTO

=

PERPÉTUA e FELICIDADE

O maestro Walter Fajardo e os participantes do Coral Masculino Gay

Uma paróquia da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, localizada no centro de São Paulo, iniciou no último sábado, 21 de agosto, os ensaios do Coral Masculino Gay. Convidado pelo reverendo da Igreja, Arthur Cavalcante, o maestro Walter Fajardo aceitou o desafio de liderar um coral de vozes masculinas. “A intenção é incluir esses homens através da música, fazendo com que participem de eventos culturais pela cidade”.

A novidade já conta com a adesão de 12 homens e a meta é que esse número chegue a 40. Corais com esse perfil já são organizados em cidades como Los Angeles, São Francisco, Nova Iorque e Londres.

A paróquia da Santíssima Trindade, onde o reverendo Cavalcante atua, já é reconhecida por trabalhar a diversidade. No último 18 de agosto a paróquia e outras 24 empresas foram homenageadas pelo governador José Serra com o Selo Paulista da Diversidade, que reconhece ações voltadas para a inclusão de grupos discriminados.

De acordo com Cavalcante, a criação do coral “é coerente com a tradição dessa comunidade anglicana de acolher pessoas, independente de sua orientação sexual”. O maestro, que também é frequentador da igreja, diz que a igreja anglicana “trabalha com a percepção da humanidade, ao entender que a dignidade não está na sexualidade”.

O Reverendo Arthur ainda faz um convite para que qualquer homem participe deste coral, independente de sua orientação sexual, e identificado favoravelmente com os direitos humanos.

Os interessados em participar do Coral Masculino Gay de São Paulo devem entrar em contato com a Secretaria da Paróquia da Santíssima Trindade no endereço: Praça Olavo Bilac, 63, Campos Elíseos, São Paulo, SP, CEP 01201-050. Telefone: (11) 3667-8161 ou e-mail trindade@trindade.org.

A CULTURA, A ARTE E A POLÍTICA CULTURAL – por almandrade / salvador

Nas chamadas políticas culturais emergenciais, na maioria das vezes, são
discursos onde a cultura não passa de uma fantasia, uma miragem no fim do
túnel. Como ela não é assunto prioritário, foi transferida para a iniciativa
privada. Os investimentos visam retornos, fala-se em números, percentuais,
nas leis de renúncia fiscal, sem uma idéia clara de cultura e seu papel na
sociedade. Todo mundo se acha no direito de opinar, o patrocinador, o
empresário, o político, o produtor cultural, o professor universitário, o
curador etc. menos o artista e os que trabalham diretamente com as práticas
artísticas, os operários da linguagem.

Depois da descoberta tardia que a cultura não se restringe às linguagens
artísticas, as práticas acionadoras do pensamento crítico passaram a ser
vistas com desconfiança, “coisas de elite”, foram marginalizada e o
entretenimento passou a ser o centro do financiamento público. A festa
passou a ser o alvo dos investimentos públicos e privados em detrimento da
cultura pensamento.

O que deveria ser uma política pública de cultura? Uma pergunta oportuna em
momentos de transição política, quando as reivindicações reaparecem e as
disputas por cargos públicos emergem. Antes de ser um problema de economia,
de leis de incentivo, de política partidária, a cultura é um dispositivo da
cidadania, um direito básico que deve fazer parte da formação do sujeito. “A
cultura é coisa do homem que mora num certo lugar e num certo tempo”  (Gerardo
Mello Mourão). Portanto, antes de falar dos reduzidos recursos econômicos
destinados à área cultural, é estratégico se pensar em intervir
culturalmente no modelo de desenvolvimento que afeta  o meio ambiente, as
condições materiais, sociais e culturais de uma comunidade.

Uma política de cultura deve primeiramente levar em conta o quanto ela
contribui para o imaginário das pessoas, tornando-as capazes de assumir
decisões nas suas vidas. Que ela é uma forma de relacionamento com o mundo e
seu cotidiano, antes de ser uma mercadoria e um objeto da política. Relegada
à condição de entretenimento, passou a fazer parte das diversões, regida
pela economia da cultura. E tudo que faz a economia crescer, que gera
emprego e renda é ético nesta sociedade onde o emprego é cada vez mais
difícil. Mas a ética e lógica da cultura é outra. Se a diversão faz a
economia crescer, atende a demanda de habitantes, e turistas carentes de
lazer, poucas vezes contribui para o aumento e transformação do repertório.

O homem vive entre a natureza e a cultura. E a cultura é uma construção do
homem. Um trabalho. Resultado de um longo caminho. Cada cidade, estado ou
região tem uma cultura que lhe é própria e múltipla. Uma política de cultura
deve garantir a liberdade das diversas manifestações, sem qualquer
interferência, e transferir as decisões para quem faz cultura, quem conhece
as particularidades das linguagens, quem diretamente lida com o patrimônio
material e imaterial que faz o acervo de uma cultura.

E quando se fala de artes, produtos diversificados e delicados e ao mesmo
tempo conhecimentos específicos que fazem parte de uma cultura, o político,
o produtor ou o atravessador deve ser substituído pelo técnico ou o
especialista do metié. E uma instituição que trabalha com as artes tem como
princípio estimular a liberdade de expressão e não servir com extensão de
outras políticas ou de outras instituições.
 

*(artista plástico, poeta, arquiteto e presidente da Associação de Artistas
Visuais da Bahia)*

A FARRA da CASERNA – por maurício dias / são paulo

A farra da caserna


Investigação: Roberto Gurgel, procurador-geral, decidirá se indicia ou não o general Enzo Peri (acima). Foto: Renato Araújo/ABR

Desde 15 de agosto, a Procuradoria-Geral da República analisa uma representação encaminhada pelo Ministério Público Militar. Trata-se de um pedido de investigação “em desfavor” do comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, citado num espinhoso escândalo de corrupção, talvez o mais ruidoso da Força em seus 363 anos de história. Ao todo, 25 oficiais de variadas patentes, incluindo sete generais e oito coronéis, são suspeitos de integrar um esquema que fraudou licitações, superfaturou contratos, fez pagamentos em duplicidade e pode ter desviado dos cofres públicos ao menos 15 milhões de reais entre 2003 e 2009, segundo os cálculos do Tribunal de Contas da União (TCU).

O rombo, na verdade, pode ser maior. Apenas um dos envolvidos no escândalo, o major Washington Luiz de Paula, acusado de montar a rede de empresas fantasmas beneficiadas no esquema, acumulou uma fortuna pessoal que surpreendeu os investigadores.

Dados obtidos por CartaCapital revelam que o militar, com renda bruta mensal estimada em 12 mil reais, teria cerca de 10 milhões de reais de patrimônio em imóveis, incluindo um apartamento na Avenida Atlântica, em Copacabana, bairro nobre na zona sul do Rio, estimado em modestos 880 mil reais, certamente por falta de atualização. Seria proprietário ainda de duas casas na Barra da Tijuca, avaliadas em 2,9 milhões de reais cada. Em nome de seu sogro, que recebe uma aposentaria de cerca de 650 reais, estaria registrado um luxuoso apartamento de 2,8 milhões de reais na Barra (organograma à pág. 29). O inquérito que apura o caso revela, ainda, que o major movimentou mais de 1 milhão de reais em sua conta em apenas um ano.

Fadado a decidir se indicia ou não o chefe do Exército, o procurador-geral Roberto Gurgel terá ainda de tomar uma posição também sobre o foro privilegiado dos generais, que só podem ser julgados pelo Superior Tribunal Militar (STM), onde até agora um único general foi condenado, e posteriormente absolvido no Supremo Tribunal Federal (STF).