CIDADÃO COMUM – por olsen jr / ilha de santa catarina



   Indague para qualquer pessoa quando ela estiver “down” (como dizem lá na matriz) o que é necessário para alguém ser feliz? Você ficará surpreso com as respostas. A maioria dirá que se precisa de pouco: salário, carro, um “cantinho” para chamar de seu…  E até aquela ex-modelo no alto da experiência de seus 21 anos afirmando que “se estou apaixonada moro até embaixo da ponte”.

Curioso é que “Ela”, esta “felicidade”, sempre vem associada a um “ter” qualquer, como no exemplo, mas nunca a um “ser ”que poderia ser compartilhado. O fato é que este estado de espírito ou de “alheamento” se preferirem, precisa de uma sustentação (evito falar em dinheiro) porque não há paixão que resista a ausência de condições materiais… A moçoila que no dizer do Cartola “Mal começaste a conhecer a vida”, apesar do romantismo implícito, está condenada.

Uma vida é composta de momentos, do somatório deles… Juntando-se aí, bons e maus… O enfrentamento de ambos com a nossa capacidade esgrimir com situações antigas e novas… O colorido pode (ao menos deveria) estar nos detalhes, o sorriso, um afago, aquele abraço, no aperto de mão, na empatia sincera de se por no lugar do outro no momento do desamparo e na valorização do que cada ser é… Porque ninguém é bom o tempo todo e poucos são ruins sempre.

Há alguns momentos em que você consegue reconciliar-se com a própria natureza e a outra, uma enlevação interior plena a ponto de dizer “o mundo poderia acabar agora e estaria bem” mesmo sabendo que tal fato poria um fim àquela plenitude. Esta conjunção existencial que possibilita o êxtase pode ser construída, requer para tanto uma consciência sem a qual o ato em si não faz sentido. Não se trata de conformismo, mas de uma trégua ou um armistício com a vida.

Reconhecer estes momentos quando se compartilha deles em grupo é uma arte. Na família se pode constatá-los com maior frequência. Mesmo nas altercações porque todas as pessoas trazem dentro de si uma fera que está encarcerada e que sem o perceber vamos alimentando enquanto vivemos. Um animal que se contenta com pouco. Tudo o que vamos sublimando durante a nossa existência lhe serve: o ódio, rancores, egoísmos e uma memória que não permite o arrefecimento dos sentidos e quando uma realidade reproduz a situação que lhes engendrou, é como abrir a jaula e a fera toma conta… Poderíamos domá-la fazendo com que esta animália se tornasse uma companheira de jornada e não uma algoz… Bastaria que assumíssemos as fragilidades humanas (que nos distinguem dos outros bicho na natureza) que todos carregamos e (só que ao contrário deles) ainda podemos continuar procurando, quem sabe “Ela” (não a fera), a tal felicidade, esteja por aí a espreita para nos poupar de novas buscas?

 

OLSEN JR é membro da ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS.

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