Curitiba, pastelão e chuva! – por wagner de oliveira mello / curitiba

Mentira é tudo mentira!

 Nunca tive uma estante, cama, mesa ou quarto; desde que fralda era um pedaço de pano que segurava minha merda presa à bunda eu divago por ai, sem burro, sem alça, às vezes um tênis, em outras uma calça. À merda com essa rima estúpida, tá pensando que tua vida é a Odisséia rapá.

• Acordei atrasado como se fosse a primeira vez, saí  sem escovar os dentes ou dizer bom dia pro espelho; à portaria fui invadido pela mesma dúvida que me assombra todas as manhãs, voltei tropeçando escada acima conferir se tranquei a porta…  – É claro que trancou, complexado idiota.
Tomei um cafezinho com pastel podre no china koreano e corri pro tubo. Chovia pra caralho naquela hora. Usuários de guarda-chuva  embaixo das marquises?! Eu a  nandar na sarjeta, desviando das pedras soltas que jogam lama nos calçados, nas calças, podendo subir até à camiseta dependendo da intensidade do passo.  Enfim,  semi-ensopado no tubo, advinha? esqueci o cartão de transporte e óbvio que estava duro. O cobrador que já me conhece bem, olhou pros dois lados antes de  liberar. “Entra pela portinha lateral, dá nada não, você ta sempre aí, outro dia me paga um café e ta tudo certo”. “Porra cara, valeu, valeu mesmo!” Como tem gente santa nesse mundo, e geralmente são as mais simples. Eu no seu lugar teria mandado o sujeito passear. O mundo não é bom, e pessoas boas cedo ou tarde acabam se fudendo; ou acha que se o fiscal da URBS, escondido atrás de um poste lá do outro lado da rua visse essa cena não teria delatado o pobre coitado; aí já era rapá! Não faz dessas coisas não meu filho, que Deus não abençoa!
• Trânsito parado, ônibus lotado, cheio de gente encasacada, molhada, empunhando guarda-chuva com olhar ameaçador como quem diz: “Esse canto é meu, não chega perto que te bato com isso na cabeça!” E eu numa ressaca braba, sonhando com minha cama, garrafas de água com gás e possíveis falecimentos que impedissem o expediente. Nada! A porta se abriu, e com muito custo consegui sair do coletivo, na verdade não sai, fui expelido porta à fora com a pressão dos que entravam pela outra. Alívio e desconcerto juntos. Mal desci do ônibus, um carro buzina ao meu lado, advinha quem era? Meu chefe é claro, nem pra me dar carona, jamais daria, esporro sem platéia não é esporro.
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Uma resposta

  1. Muito bacana… e real!

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