Do lixo viemos e com lixo enriqueceremos / por alceu sperança / cascavel.pr

Todos conhecemos o ditado popular, que herdamos de nossos avós: nem tudo o que reluz é ouro. Isso quer dizer que as aparências enganam. Nas eleições, as aparências enganam muito mais.

Quanto mais dinheiro o candidato tem, mais pode pagar uma propaganda que o deixa bonito na fotografia e dizendo apenas coisas bonitas e agradáveis aos nossos ouvidos.

O advogado Ives Gandra Martins, com quem temos fundas divergências mas também concordâncias, como neste caso, escreveu que o eleitor não vota no político em si, como ele é, mas na imagem que os especialistas em ilusões fabricam.

Esses especialistas em ilusões, segundo o dr. Martins, “criam um herói cinematográfico e vendem esta imagem”.

O que fazer para não cair na ilusão de ótica montada pela propaganda? O melhor é procurar se aprofundar nas ideias dos candidatos, pois promessas são fáceis de fazer e difíceis de cumprir.

Quem vota em pessoas corre um grande risco de errar, se não conseguir perceber que está sendo vítima de uma ilusão. Mas quem vota em ideias erra menos, pois ao procurar idéias semelhantes às suas próprias convicções escapa da armadilha de confiar em promessas que dificilmente serão cumpridas.

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A humanidade está evoluindo, a cada descoberta, a cada nova invenção, e, nessa marcha, um grupo de cientistas descobriu algo que os recicladores já sabem há muito tempo: que do lixo se pode extrair força e riqueza. Mas não deixa de ser espantosa a descoberta feita por esses cientistas.

Foi com partes do DNA que se consideravam inúteis, um DNA lixo, portanto, que nós, humanos, aprendemos no curso da evolução de nossa espécie a usar nossos braços e mãos para manipular ferramentas e inclusive para andar de pé, ou seja, na forma ereta.

Parece inacreditável que esse DNA considerado “lixo” tenha sido responsável por algumas das nossas mais destacadas ações como seres humanos e que nos distinguem dos animais ditos irracionais.

Uma análise comparativa dos genomas do homem, do chimpanzé, do macaco rhesus e de outros primatas, indica que a evolução humana pode ter sido promovida não apenas por uma sequência de mudanças genéticas, mas por transformações em áreas do genoma que até então se achava que não serviam para nada.

Quem quiser se aprofundar no assunto pode pesquisar no novo deus da humanidade (o Google – “pedi e receberás) o cientista James Noonan e o DNA lixo.

Segundo os pesquisadores, essas mudanças foram responsáveis originariamente pela ativação de genes no polegar e no dedão do pé. Ora, essas são duas das características que ao se desenvolver tornaram os humanos os “donos” da natureza.

Como se trata de um assunto extremamente complexo, vamos ficar por enquanto com essa ideia fantástica: ao contemplar algo aparentemente inútil, pode estar ali, no coração daquele material, ou da pessoa considerada imprestável, marginal, uma riqueza de valor material ou espiritual que nossos sentidos ainda não conseguiram captar.

 

ALCEU SPERANÇA  é jornalista e escritor.

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