Não poema – de omar de la roca / são paulo

Não poema

Fechei meus olhos,para que não te visses neles e recebi com carinho teus beijos não dados.
Abri meus olhos, os teus já fechados,pousei um beijo em cada um com a delicadeza de uma borboleta numa folha, para não te acordar.
Encostei minha mão no teu rosto e não acordastes.
Recolhi a mão,fechei os olhos, senti a mão que voce não colocara em meu rosto e curvei a cabeça para receber o carinho não dado,prendendo tua mão não estendida entre o rosto e o ombro.
Segurei com cuidado tua cabeça,para que não batesse no vidro do ônibus,mas tirei a mão já que abrias os olhos.
E fiquei vendo o teu reflexo bo espelho, enquanto mantinhas os olhos vigilantes, e olhei direto para teu rosto enquanto mantinhas teus olhos fechados.Não, não os abra,quero decorar teu rosto.Sim, abra-os,quero ver de relance a cor de teus olhos enquanto desvio o olhar.São claros ? Não se i.
Tens sono.Fecho meus olhos e te vejo em meus sonhos despertos.Espero estar nos seus,mesmo que misturados com tua vigília.Abro meus olhos.Em tua boca o contorno de um sorriso.Do que te lembrastes? O que fizestes ? Fecho meus olhos e sorrio também.Me lembrei do que fiz? Não.Gravei teu rosto.
Estamos chegando.Sussurro ao teu ouvido,está na hora.Não te dás conta.Espero-te ? Não respondes.Te olho mais uma vez quando chegamos ao ponto final.
Respondo com um sorriso ao até amanhã que não me destes.Até amanhã.Espero te ver de novo.Mesmo que seja durante os quinze minutos que a viagem dura.
Te abraço forte,mas pareces não sentir.Eu, entretanto, quase não respiro com a força do teu abraço não dado.
Te levantas rápido. E finges não perceber que te deixo descer na minha frente.Aguardas na calçada e não me estendes a mão, que pego com avidez.
Agradeço a gentileza não feita,enquanto amarras o tênis.Sigo até a escada rolante.Vo cê vai pela fixa.Mas ainda nos vemos no andar de cima em lados opostos.Te procuro e te acho.Dou um sorriso de satisfação pelo teu sorriso não dado.Aceno de volta para o teu aceno não dado.Viras a tua esquerda e eu viro a minha esquerda.
Quem sabe amanhã.Quem sabe amanhã tocarei teu corpo com o meu sem querer,perto da porta de saída,descendo as escadas.
Quem sabe amanhã um motorista descuidado não freia rápido,jogando tua cabeça para perto da minha.Quem sabe irei pisar em teu pé,meio que por acidente,só pra te olhar bem, me desculpar,e ver teus olhos verdes olhando para mim.

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Uma resposta

  1. Um belo jogo de escritas de idas não idas, vindas não vindas, estar não estando, ser não sendo, partir não partindo… Muito bom, Omar.
    Abraço da amiga
    Zu.

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