LEVA MEUS VERSOS – de solange rech / tubarão.sc

Leva meus versos, que nada pesam.
São carga leve, como isopor.
São luz de vela, são mãos que rezam,
Sorriem sempre, apesar da dor.

Leva meus versos, que não são nada
Perto da tralha que a gente traz.
Esses coitados não têm morada,
Pródigos filhos buscando paz.

Leva meus versos, trata-os com calma,
Pois só recebem desprezo e grito.
Vem das origens todo o seu drama
Já que nasceram de um pai aflito.

Leva meus versos, vê que me esforço
Por arranjar-lhes um lar fecundo.
Como pai deles, tenho remorso
De que se sintam párias do mundo.

Leva meus versos, guarda-os contigo.
Far-te-ão feliz nas horas tristonhas.
Nas tempestades serão abrigo
A resguardar o mundo que sonhas.

Leva meus versos e outros cantares,
tão desprezados, tão pobrezinhos.
Morrerão todos se os não levares
ou vão perder-se em ínvios caminhos.

Leva meus versos, são peregrinos
de almas sensíveis, como é a tua.
Que eles não sejam, como os meninos,
versos sem teto, versos de rua.

Leva meus versos, que nada pesam.
São carga leve, como isopor.
São luz de vela, são mãos que rezam,
sorriem sempre, apesar da dor.

-.-


SACERDÓCIO POÉTICO. Solange Rech, Editograf, Florianópolis – SC, 2004, p. 37. 

Solange Rech (Tubarão29 de maio de 1946 — Florianópolis29 de janeiro de 2008) foi um poeta catarinense contemporâneo.[1]

Apesar do nome ser normalmente feminino, Solange Rech era um homem. Aos nove anos surgiram seus primeiros versos e aos doze disputou, com adultos, concursos de trovas-repente. Aos dezesseis anos publicou seu primeiro livro, intitulado “Trovões Dolentes”, uma coletânea de 60 poesias. Foi funcionário do Banco do Brasil como fiscal agrícola.

Mario Quintana assim se expressa a seu respeito:

“Teus versos às vezes cortam como espada. Outras vezes lembram a doçura do açúcar. Mas são todos primorosos, especialmente os sonetos.”

Premiado em vários concursos literários, tem trabalhos publicados em diversos países e participou de mais de 35 antologias poéticas, inclusive no exterior. É chamado por seus colegas “O Poeta-Rei”.

Principais obras

  • “Para Matar a Noite” – 1987
  • “De Amor Também Se Vive” – 1999
  • “Os Espartanos de Deus” – 2000
  • “A História da FENABB” – 2000
  • “Serões na Rede” – 2002
  • “AABB – Florianópolis – Meio Século de História” – 2003
  • “Sacerdócio Poético” – 2004
  • “Meus Sonetos Premiados” – 2005
  • “A Hora da Colheita” – 2005
  • “Versos do Tempo Quase” – 2006

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