O poeta e webeditor J B VIDAL é entrevistado pelo poeta JAIRO PEREIRA na Ilha de Santa Catarina.

ENTREVISTA PARA A REVISTA  ‘CLIC MAGAZINE’:

o poeta declama seus poemas na PRIMEIRA SEMANA DA POESIA PARANAENSE. CURITIBA. foto do jorn. Gustavo H. Vidal.

1. J B Vidal, a quantas anda a sua poesia, uma vez que você se dedica muito ao Site Palavras, Todas Palavras?

– Me considero um poeta que não tem compromisso com a produção em termos quantitativos, portanto, não tenho que estar criando poemas para atender as vontades do editor – que não tenho. Não sou poeta de escrever por “encomenda” ou de escrever por escrever, fazer da poesia uma maratona – quem escreve menos é mulher do padre – deste tipo de “poeta”, tu sabes bem, estão cheios o país e o mundo. Respondendo, então, a tua pergunta – que coisa horrível – a minha produção poética está onde deve estar, na placa mãe, na quantidade diretamente ligada às minhas emoções, sentimentos, racionalismos e devaneios que realmente vivi nem que tenha sido por segundos de medo e continuo a  escrever quando dessas ocorrências. O  site, você é um dos responsáveis pela criação, tornou-se um espaço onde me exteriorizo através das publicações selecionadas – sem censura- considerando conteúdo e o que pode atingir o público para retirá-lo do seu abestalhamento. Eu converso com os leitores através deles. Continuo publicando os “sem mídia”, “sem editores” e, raramente, publico, alguns dos mortos meus preferidos.

2. O Site Palavras, Todas Palavras, é um dos mais visitados do país, e publica não só poemas, contos, literatura em geral, mas também ensaios, artigos, vídeos… como foi chegar a tanto?

– Está com pouco mais de três anos e senti que precisava “abrir”- era só poesia, contos e crônicas, um que outro artigo – ampliar o leque de abrangência em termos literários e do cultural quotidiano. Os leitores começaram a exigir, e foram excelentes nas exigências. Cedi. Hoje a média é de 2.000 acessos/dia. Sem mulher pelada, sem piada sem graça, sem vender nada. Não busquei isso – acessos – veio naturalmente, através do nível cultural do nosso povo, e comprova que as pessoas querem ler e buscam ler, querem saber. Na maioria das vezes é um vôo cego, claro. Só é lamentável que eu não consiga alcançar as
suas expectativas. Dá muito trabalho realmente, mas, como disse, me comunico através da produção dos demais autores, e os comentários (mais de 5.000 até agora) são uma prova disso. Acredito que seja uma modesta contribuição a arte e a cultura brasileira – através desse mundo novo das comunicações – que, diga-se, andam numa pobreza criativa como há muito não se via. Eu visito em torno de 150 a 200 sites/blogs por semana, menos de dez por cento pode-se aproveitar alguma coisa, o resto é lixo! E pior, o lixo é que faz sucesso, ganha adeptos e multiplicadores. Deve ser sinais dos tempos rsrsrsrsrsrs a humanidade genérica sempre frequentou os lixões das prateleiras, e agora, os “aterros sanitários” da virtualidade. A intelectualidade brasileira evaporou-se com a ditadura e não conseguiu recompor-se porque é de uma mediocridade a qualquer prova, oriunda das universidades que proliferaram vendendo diplomas e contratando esses diplomados, assim segue. Hoje o grande tema em discussão é descobrir qual o melhor meio de transportar dinheiro para liberar meias e cuecas. A nossa intelectualidade não sabe dizer, ao presidente do momento, “quando” é necessário defender-se a paz ou os direitos humanos. Ela ainda não se convenceu de que é sempre. Para ela paz e direitos humanos são relativos. Ora, por favor! Como alguém, não lembro quem, já disse: “…são um bando de hienas pós-graduadas em esnobismo.” E, por força da atividade, temos de enfrentar esse lixo que roda no mundo virtual dos emails, sites, blogs e filmecos. Na literatura, então, o que dizer? O que é isso que estão publicando e premiando? Aonde querem levar o público leitor? Aonde querem levar a nossa literatura?  Há dois ou tres anos iniciei a leitura de um livro de autor brasileiro, premiadíssimo, havia ganhado todos os grandes prêmios do ano, não consegui passar das primeiras páginas, ilivel. Sucesso fabricado pelo grande “mercado editorial”. É a máfia do livro impresso. Mesmo  com toda a badalação dos críticos de aluguel, o publico não respondeu favoravelmente. Às vezes o povo reage, timidamente. Veja a ABL em que se transformou? Não opina mais sobre os grandes temas nacionais, como antes. Quando a ABL se posicionava o país parava para ouvi-la. Hoje não serve para nada. Desmoralizada e ridícula.

Se transformarem-na em um bloco carnavalesco para a terceira idade será um final feliz.

3. Os livros inéditos de poesia, do poeta J B Vidal serão publicados em livro, impressos?

-Tenho material para seis livros, bem, dependendo do número de páginas de cada volume, são em torno de 860 poemas publicáveis, sem contar outro tanto renegados a segundo plano. Os filhos que decidam rsrsrsrs, sempre disse que do ponto de vista da poesia eu nasci póstumo rsrsrsrsrs talvez publique OFERTÓRIO em vida. Uma pequena traição a eles rsrsrsrs.

4. Em Ofertório, série de poemas de livro inédito, você se joga de corpo e alma aos ímpios? Isso é provocação?

Na verdade, OFERTÓRIO é um tipo de confissão, aberta, pública. E toda confissão é provocadora em algum grau, principalmente as publicadas. Rigorosamente, eu não tenho mais aptidão para as provocações que fazia alguns anos atrás. Cansei pela falta total de resultados. Está  cheio de gente se auto proclamando poeta e escrevendo só droga, porcaria, lixo. Como não teem o talento, tentam copiar o Bukowski, o Beaudelaire, com uma desfaçatez incrível e, lógico, sem nenhuma qualidade. Só me obrigo a ler esse lixo justamente para não publicá-lo, distraidamente. –  Escrevê-lo – o OFERTÓRIO – não foi fácil. As condições subjetivas existiam – sentimentos e outras cositas – a questão é escrever a verdade sobre si próprio, é muito difícil. A vontade de omitir ou mentir é enorme. É preciso um grande esforço para que isso não ocorra. Mesmo que em determinado aspecto você não tenha nenhuma culpa, admitir isto torna-se ingênuo, babaca, aí você se tranca, não aborda, omite ou mente.  Mas enfim, consegui escrevê-lo são 12 poemas orientados pelos sentidos e alguns sentimentos. Durou quatro anos esse processo. Há muito não se lê autores com esse realismo (isto, é cabotinismo, antes que alguém pense), acham antigos, ultrapassados, mofentos,  rsrsrsrs… não sabem de nada. Para mim, foi muito bom ter escrito OFERTÓRIO, melhorei, cresci, para a poesia não sei e também não estou interessado; a poesia existirá com ou sem os meus poemas ou os desses bandos de imbecis que saem espalhando lama pela cidade chamando de poesia. Não há poesia no mal nem no inferno.

o poeta JAIRO PEREIRA  entrevista o poeta J B VIDAL em sua residência.

5. São muitos os Vidais, o poeta, o contista, o agitador cultural, num dos sites mais badalados do Brasil. É a execução de um projeto cultural, existencial… que está dando certo?

O poeta, o contista, o agitador cultural, o marido, o pai, o avô, o político, o trabalhador, enfim, entendo que tudo o que fazemos com esforço, com dedicação e vontade faz parte do topo do nosso processo existencial. Se está dando certo, não sei, acredito que sim pois já tem muita gente me odiando! rsrsrs. Meu caro amigo, não busco louros nem reconhecimentos, busco fazer a  parte que me cabe nesse mar de ausências.

6. Numa época, dá pra se dizer não-literária, onde a juventude perde-se nos links na Web, você acha que a literatura, a poesia, ainda terão futuro?

– É fato que temos futurólogos de todo tipo e para qualquer assunto, a grande maioria atletas da imaginação na busca da verdade que sequer sonham o que é e onde pode estar. Sem dúvida que a internet abriu caminhos para a democratização do saber, da informação, do conhecimento, foi a revolução da comunicação, sem dúvida, agora, daí dizer-se que a literatura, a poesia está com os dias contados é de uma mulice extraordinária; a literatura, a poesia são o que mais se lê no meio virtual! Estão aí as pesquisas informando: o que se lê na internet brasileira? Em primeiro lugar: noticias, em segundo lugar: poesia! Poesia meu caro, poesia! Ela é uma forma elevada de comunicação entre os homens, sempre existirá.

7. Essa pode lhe deixar nervoso. O Senhor é humilde na sua apreensão da vida pelos signos. Ou expande-se, ou pouco mais, quando interessa?

Você não pode viver falseando consigo mesmo, isto é autodestruição. Você é  sua vida. Fora disso não existe nada. Tudo é morto, e você não é. Portanto meu amigo, sempre tudo me interessa.

8. Há algo de novo no front, ou… a diluição e repetição de formas e conteúdos é o lugar comum?

Acredito que sempre tem alguém criando alguma coisa para benefício de todos. Acho que brevemente teremos uma grande mexida na internet em termos tecnológicos. Ela irá ao cosmos no sentido do aprimoramento da criação de conjunto.

9. O homem J B Vidal, interfere no social, buscando o literário, o crítico, ou o quê? Fale-nos sobre isso.

A minha intervenção no social é decorrente do meu quotidiano, nada tem de especial ou de objetivo porquanto não manipulo nem me deixo manipular. O literário, o critico e o “o quê” surgem no Vidal como consequência da sua interagência humana e sensível com o ser coletivo, naturalmente, sem estudos prismáticos.

o poeta declamando seus poemas no HERMES BAR. Curitiba. 2009. foto do jorn. Gustavo H. Vidal

10. O poeta J B Vidal, gosta de oralizar sua poesia, em bares… Ação poética é fundamental? Ou o poeta, deve ser o fantasma do livro impresso, aquele que não aparece?

Nem uma nem outra. Na poesia o fundamental é a poesia. Ponto final. Há quem te ofereça um tratado sobre ela como a mais cristalina das verdades. Lixo. Oralizar – declamar, para mim, – poemas em bares é muito mais prazeroso porquanto estão todos bêbados, nenhum presta atenção e todos aplaudem ao final  rsrsrsrs

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6 Respostas

  1. É isso aí, Vidal. O que falta em nossa literatura é isso que você faz aqui, colocar os trabalhos no ar e deixar que o leitor leia, pense, crie e se delicie. Tudo o mais é vão! Parabéns pela força expressiva na entrevista!

  2. Essa tua bronca Vidal, essa invejável veemência, essa respeitável irreverência é a parte mais atraente da tua honestidade e tua consciência crítica do mundo. Mas há também uma história de bravura por trás desse teu ousado perfil de grande poeta. Você não fala e não quer que eu fale do teu lado revolucionário e da militância com que sublimaste teus ideais de liberdade e de justiça. Mas te revelas, discretamente, nas entrelinhas ao explicitar que “ é necessário defender-se a paz ou os direitos humanos”, “sempre”.
    Essa parte de tua vida merece também uma entrevista e aqui fica a sugestão.
    Vidal, meu irmão, meu companheiro, parabéns pela coragem da opinião. “Que tua palavra seja: sim, sim; não, não.” Sobre o tal livro, que ganhou todos os prêmios do ano, aconselho que ninguém perca o tempo que perdi conseguindo me arrastar até o fim. Sobre ABL, Jabuti e outras fraudes, também assino embaixo.
    Quanto aos versos do OFERTÓRIO, não atices ainda mais nosso apetite. Estamos esperando pela CONSAGRAÇÃO desse lirismo e pelo sabor e a COMUNHÃO dessa oferenda.

  3. Sendo rapida e rasteira, gostei da entrevista, mais uma vez suas respostas diretas, suscintas , marcantes , funcionais e ‘ graciosas’, agem como flecha macia em meu cora&ao e pena de pavao na sola de meus pe’s.
    ( linhas 6,7) e’ ……… Respondendo, então, a tua pergunta – que coisa horrível –……… “FECHOU” !!!!!! Sera’ que o seu entrevistador viu muita reportagem na Globo ou ????? : )
    Bj

  4. Vidal, meu camarada, salve!
    Somente hoje, agora mais precisamente, li tua entrevista…
    Como lembrou o velho Kafka, “é difícil encontrar a verdade porque ela tem um corpo vivo e por conseguinte, está sempre mudando”…
    De qualquer maneira, parte desta verdade pode ser encontrada nas tuas respostas, nos questionamentos que fazes e nas conclusões quixotescas a que chegas, invariavelmente só…
    Porque é este o destino de vozes que desafinam no coreto dos homens acomodados…
    Com os meus cumprimentos, aceite também a minha solidariedade!

  5. Vidal, mano velho. Excelente! Inteligente! Convincente! Ridente! [ ]’s Juca.

  6. Avani Maria Silveira Martins | Resposta

    Li e gostei da entrevista dada pelo Vidal, acho que é verdadeiro no que diz e se agrada ou não agrada o que fala é problema de quem pensa assim, a verdade é que realmente estamos meio órfãos de conteudo em poesia, teatro cinema, claro que temos alguma coisa que se salva , mas acho que há uma falta enorme de peças novas com criatividade. Parabens por falar o que pensa e com coragem de se expor.
    Avani Maria Silveira Martins

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