Os bandidos que ninguém anda “pacificando” – por alceu sperança /cascavel.pr

Se alguém sujar a água da sua caixa-reservatório estará cometendo um crime,

não é? Um crime contra você e sua família.

Se alguém fizer fogueiras ao redor de sua casa, estará sujando o ar que você, sua família e seus vizinhos respiram. Não é um crime?

Deveria ser. Mas no Brasil estragar a água, a terra, o ar, a natureza para ganhar dinheiro e lucrar com a destruição, em prejuízo da natureza e das pessoas, não é considerado crime.

Não deveria ser? Parece tão claro isso, tão claro que é crime estragar a natureza, que não pensamos na verdade: os interesses egoístas, para não ter obstáculos à sua ação predatória, deram um jeito de destruir sem que essa destruição seja considerada crime.

O advogado criminalista Guilherme Nostre, em sua tese de doutorado “Direito Penal das Águas”, para a Faculdade de Direito da USP, pergunta por que não existe no Brasil uma lei que considere crime sujar a água.

Os donos de terra foram tão espertos que só se considera crime a água poluída se ela leva animais (seres humanos também) à morte.

Se não provar que foi a água que matou, enterra o falecido e tudo fica do mesmo jeito.

Um crime perfeito, não?

Mas não existe crime perfeito. Sujar a água é um crime, uma indecência, um desrespeito à vida.

Existe uma planta no Cerrado brasileiro que limpa o solo contaminado com metais pesados. Esses metais, que provocam terríveis prejuízos à saúde humana e ao equilíbrio da natureza, ficam escondidos nos descartes de produtos industriais.

A planta milagrosa, cujo nome científico é Galianthe grandifolia, pertence à família do nosso conhecido café.

Ela foi definida como uma faxineira de metais pesados no ambiente por uma tese de doutorado elaborada pela pesquisadora Divina Vilhalva, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas,

Essa planta é a primeira conhecida que absorve grandes quantidades de cádmio, um metal muito perigoso para a vida, encontrado em baterias de telefones celulares e pilhas. Se ele contaminar o corpo humano, vai causar doenças renais, enfisemas pulmonares, osteoporose e vários tipos de câncer.

A descoberta da função de faxineira de metais pesados por parte dessa planta é da maior importância.

Hoje, os processos de fitorremediação – ou seja, a descontaminação do solo com plantas – são realizados, na maioria das vezes, com plantas geneticamente modificadas originárias de outros países.

Por aí percebemos que a natureza, quando consegue, encontra em si mesma os remédios para os nossos males.

Mas para isso precisamos estudá-la melhor e favorecer a ação dos vegetais capazes de fazer a faxina daquilo que sujamos sem pensar ou, no caso dos capitalistas gananciosos, de caso criminosamente pensado.

O que mais precisamos, no entanto, é deixar de causar danos à natureza para que ela depois tenha que se virar sozinha para resolver.

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