“Copia Fiel” – Um Kiarostami original . Ou não? – por monica benavides / curitiba.pr

Assisti mais um filme iraniano.  Copia Fiel, de Kiarostami.

Se quando citei iraniano e Kiarostami, você se animou com imagens de areia, deserto, camelos e exóticas caravanas de beduínos; digo que infelizmente não, esse Kiarostami não vai lhe agradar. Diferente do filme que colocou o Irã na moda e transformou o diretor em queridinho do cinema mundial (Gosto da Cereja), aqui Abbas Kiarostami guarda de sua origem persa muito pouco, apenas um toque. Em todo o mais ele se aproxima totalmente da escola francesa de cinema.

Em Cópia Fiel, esse toque a que me referi fica muito evidenciado. Eu o descreveria  como uma capacidade herdada pela sua origem,  para enxergar uma diferença básica entre o sexo feminino e masculino, uma sutileza de compreensão da vida e relação com o desejo, por parte da mulher, um passar de tempo consciente para elas, que acredito fique  sem eco aos homens ocidentais nascidos após o vitoriano.

No filme, Juliette Binoche, madura, linda e como sempre hipnotizante, (prestem atenção na cena do brinco), apresenta uma forma de sedução velada, com gestos, meio-sorrisos (sua marca registrada), olhares e porque não dizeres, que poderia ser considerada o supra-sumo do uso da feminilidade em uma relação de conquista homem e mulher. Enlouquecendo aos poucos ou não, (aqui está a escola francesa), a personagem de Kiarostami apresenta toda a sua capacidade de fantasiar e brincar de faz-de-conta com o viver.  Isso se dá devagar, através dos diálogos e os famosos closes femininos do diretor, que se desenrolam e que aparentemente surreais, surpreendem o espectador pela carga dramatica, o levando a sem sentir, sofrer por ela em sua tentativa ingênua e constrangedora de cativar.
Willian Shimell, esta muito bem no papel, quase a altura de sua parceira de cena. Mas sua perplexidade soa um tanto falsa e forçada, o que para o clima correto que o roteiro exige, deixa a desejar.

É importante avisar que não existe explicação racional aqui, o expectador não verá uma história lógica com começo, meio e fim e com certeza sairá da experiência um tantinho atordoado.

Se essa era a intenção do diretor, não importa. Para mim, o que há de mais iraniano nesse filme é justamente a capacidade de Abba, como um excelente exemplo do artista originário do Oriente médio (quem já leu Mahfuz e Layla sabe), de contar uma bela história de amor do jeito certo. Dando valor aos detalhes,  às pequenas reações individuais, a dinâmica dos diálogos de quem quer amar e ao medo que provoca querer alguém que não se conhece. Ou conhece?

Aqui definitivamente a cópia é o original, quem ver o filme entenderá.

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