Arquivos Diários: 29 novembro, 2011

STF e STJ: Empresários pagam encontro de juízes em resort na Paraíba – por frederico vasconcelos / são paulo

29/11/2011 – 09h08

Ministros do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça participaram, no último fim de semana, de evento fechado em um resort na Paraíba com despesas pagas pela Fetronor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Nordeste)

Seguradoras bancam evento para cúpula da Justiça em resort no Guarujá

O “Terceiro Encontro Jurídico de Transportes Públicos do Nordeste” foi realizado no Mussulo Resort, que fica no litoral do Estado. A diária do hotel custa R$ 609 (quarto para duas pessoas).

Além dos ministros, participaram do encontro juízes e advogados, que também tiveram suas despesas pagas.

O evento teve o apoio da Petrobras, que ofereceu patrocínio de R$ 50 mil.

OUTRO LADO

Para o presidente da AMB, Henrique Nelson Calandra, o evento teve finalidade acadêmica. “Não vejo por que censurar. Significa que entidades da iniciativa privada acreditam que juízes podem dizer coisas importantes e investem para ouvir teses que podem ser contrárias às suas.”

A Petrobras atribui o patrocínio ao encontro à “política comercial e de relacionamento com grandes clientes da Petrobras Distribuidora”.

Leia mais na edição da Folha desta terça-feira.

Editoria de Arte/Folhapress  

Brasil tem 19 novos milionários por dia, diz estudo – por silvio guedes crespo / são paulo

29 de novembro de 2011 | 11h17

O crescimento econômico faz com que, desde 2007, 19 pessoas se tornem milionárias a cada dia no Brasil, tendência que deve continuar por mais três anos, segundo um estudo apresentado na conferência Private Banking Latin America 2011, realizada em Miami (EUA). Os dados foram divulgados em blog da revista americana “Forbes“.

A pesquisa define como milionários aqueles cujas riquezas chegam a 1 milhão de reais (não de dólares), incluindo investimentos, propriedades, poupança e outros ativos.

Guilhermo Morales, um executivo da Millennium BCP que estava na conferência, disse que o ritmo de crescimento do número de milionários deve se reduzir daqui a três anos – “para tudo há limites”, afirmou.

O motivo de haver cada vez mais pessoas ricas está, segundo os autores do estudo, na expansão do PIB (produto interno bruto) e particularmente, na do consumo, o que impulsiona a fortuna nos setores varejista, bancário e em alguns ramos da indústria.

Os altos executivos têm se beneficiado com o “boom” econômico. Segundo Morales, é comum, no Brasil, profissionais de bancos de investimento ganharem um bônus anual de R$ 1 milhão.

Para Emerson Pieri, que apresentou as estatísticas, o País proporciona uma “enorme oportunidade” para atividades de private banking para atender as demandas da “crescente comunidade de milionários”.

Brasil tem atualmente 137 mil milionários e 30 bilionários, segundo a “Forbes”, com 70% da riqueza concentrada em São Paulo e no Rio de Janeiro.

RESTOS MORTAIS – por olsen jr / ilha de santa catarina.sc

 

Tinha 14 anos quando tomei conhecimento da existência do poeta Cruz e Sousa. Estava na Escola Agro-Técnica  Lysímaco Ferreira da Costaem Rio Negro, no Paraná e o livro era da editora Nova Aguillar, obras completas. Fiquei só na poesia: Broquéis, Faróis, Últimos Sonetos e o Livro Derradeiro.

Foi amor à primeira vista. Todo o meu tempo livre era dedicado a ler e reler aqueles poemas… Até o professor Venceslau Muniz me por nas mãos o “Eu”, de Augusto dos Anjos (assunto para outro dia).

Dois anos depois, em 1972 já em Curitiba prestando vestibular para arquitetura, na prova de português caiu uma interpretação do soneto “Vida Obscura”, do livro “Últimos Sonetos”. Acertei a questão relativa ao texto e me senti orgulhoso por ser catarinense e por perceber que todos os meus colegas tinham feito uma leitura equivocada do poema. O poeta faz a descrição do sofrimento de alguém e através de uma metáfora remetendo, no paroxismo, a crucificação de cristo, descreve os seus últimos momentos… Ele se referia (e foi a resposta certa) a um amigo… Na condição de artífice sei que ele estava imaginando a própria morte, claro, se esta alternativa estivesse nas respostas teria criado um impasse. A maioria dos candidatos foi ludibriada pelo verso “sei que cruz infernal prendeu-te os braços” e assinalou a resposta que aludia a Jesus Cristo…

Em 1994 fiz uma ponta no filme “Alva Paixão”, da diretora Maria Emília em que trata da vinda do corpo de Cruz e Sousa, que morreuem Minas Gerais, para o Rio de Janeiro num vagão de trem de transporte de animais. A mulher Gavita veio junta.

Faço o fiscal da estação ferroviária que recebe o corpo do poeta. Aquela cena me marcou, não só pelo fato de quase ter perdido a falange do polegar da mão direita prensado na porta emperrada de um vagão de trem no interior de Rio Negrinho onde as locações se deram, mas pela interpretação da Zezé Mota (assunto para outro dia) que fez Gavita, a mulher de Cruz e Sousa, também pelo realismo da situação. Hoje podemos ver com a clareza facultada pelo distanciamento histórico, um dos maiores poetas brasileiros, seu maior simbolista, morto com tuberculose na mais completa miséria que sofreu durante toda a sua vida a discriminação de seus contemporâneos, que foi protelado em cargos públicos e até da Academia Brasileira de Letras por um mestiço chamado Machado de Assis, que a história lhe faça justiça longe da literatura, trasladado num vagão de transporte de animais é dose. Nem na morte lhe deram compaixão, foi um maldito até o fim.

No dia 29 de novembro de 2007, depois de uma batalha que levou mais de 30 anos, finalmente o governo do Estado de Santa Catarina consegue resgatar os restos mortais do Sr. João da Cruz e Sousa.

Trazido agora de avião e depois por um caminhão do corpo de bombeiros, uma mala de aço contendo uma urna de madeira com os restos mortais do poeta que finalmente volta para casa, recebidos no Palácio Cruz e Sousa, bela construção arquitetônica com o seu nome, com direito a um coral entoando música clássica, louvado por autoridades acadêmicas e políticas, a promessa de um grande Memorial em sua homenagem onde se possam recitar poemas, onde sua obra nunca será esquecida e onde as lembranças de seu calvário serão sepultadas junto.

Foi diferente hoje, não era mais a cena de um corpo chegando em situações precárias numa estação do interior, era o poeta mesmo, mais de 100 anos depois, recebido em sua terra natal, o filho de escravos alforriados, o  “ser humilde entre humilde seres”…  Aquele para quem o “… mundo foi negro e duro”… O cidadão que chegou “… Ao saber de altos saberes”, “tornando-te mais simples e mais puro”…

Estive lá num canto observando tudo a distância, não suporto que me vejam emocionado em público, de poeta para poeta com a mesma dor, estava precisando de um trago, saí dali rumo ao mercado público, “… E neste conciliábulo mundano/ Pelos botecos da vida, confesso:/É solitário que eu me sinto humano!”.

Requiescat in pace!