A odisséia ou o erro do pavão – de solivan brugnara / quedas do iguaçu.pr

O pavão

de olhinhos nervosos

irrequieto bípede

tirou dolorosamente

suas queridas penas

uma a uma

e colou

em folhas de papel sulfite.

Despiu-se de suas jóias

transgrediu o pudor

sentiu frio

ficou só

sua família não agüentou

a verdade nua.

Não satisfeito

regurgitou a pouca quirela

do jantar

e vendo o vômito convulso e amarelo

lembrou-se de Van Gogh

e chorou.

Colou sua bile no sulfite

e com as folhas e penas e vômitos

profissionalmente encadernados,

a pobre ave implume

saiu a procura de editor.

Seria mais fácil, pássaro

achar editor

se deixasse as penas no corpo

e levasse as folhas em branco

profissionalmente encadernadas

sempre

profissionalmente encadernadas.

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Uma resposta

  1. Falou-o e disse-o, Solivan!

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