Morre o líder ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-il

Comentário:

Morre mais um ditador. Que lembranças leva? Que recordações deixa? Não ter alcançado os seus ideais de socialismo? Ter deixado a Coréia do Norte afastada do mundo, durante 17 anos, em continuidade ao período também ditatorial de seu pai, por 46 anos? Kim Jong-il governou a chama República Democrática Popular da Coréia com a mesma mentalidade autocrática de seu antecessor e foi mais longe ainda: tornou-se conhecido em todo o mundo como o mais totalitário chefe de estado do planeta. Governou o país sem liberdade de imprensa ou religião, sem liberdades políticas (como todo ditador, detestava a oposição – consta que manteve nada menos que 200 mil prisioneiros políticos durante seu governo) e com baixos índices de educação e de proteção à saúde, em contraste com sua eterna inimiga-irmã, a Coréia do Sul. Mas sempre preocupado em continuar com a mesma linha ideológica de culto à personalidade criada por seu pai (seus epítetos preferidos eram “Líder Supremo”, “Querido Líder”, “Camarada Comandante Supremo” e “Nosso Pai”), característica narcisista também própria aos ditadores.  Deixa sue filho Kim Jong-nam como sucessor. Também se fala de um cunhado seu, Kim Jong-nam, como outro possível sucessor. Tudo em família, numa nação que se diz república, democrática e popular. Mas lembremos de outro líder, também falecido no último domingo: Václav Havel, ex-presidente da República Tcheca, antípoda político do líder coreano. Dramaturgo, escritor, ensaísta, poeta e dissidente político, lutou, com suas peças teatrais, contra o regime totalitário que então Tchecoslováquia, o que lhe valeu bons anos de prisão, com a debilitação de sua saúde, o que colaborou para apressar sua morte. Este, sim, deixa uma obra digna de ser chamada de humana. Em 75 anos de vida, publicou seis livros de poemas, 22 peças teatrais, um livro de ficção e nove não ficcionais, além de um filme. Havel será sempre lembrado como o bardo que devolveu a liberdade a seu povo, num ato histórico chamado de Revolução de Veludo. Mas ele tinha os pés no chão. Dizia que não havia nada mais significativo, durante os acidentes da história, do que as vozes dos poetas que se opõe a impérios e regimes militares. “As vozes de aviso de poetas – dizia ele –  devem ser cuidadosamente ouvidas e levadas muito a sério, talvez até mais sério do que as vozes dos banqueiros ou dos corretores bolsas. Mas, ao mesmo tempo, não podemos esperar que o mundo nas mãos dos poetas possa, repentinamente, ser transformado em um poema.” Cleto de Assis

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Uma resposta

  1. Morre mais um ditador. Que lembranças leva? Que recordações diexa? Não ter alcançado os seus ideais de socialismo? Ter deixado a Coréia do Norte afastada do mundo, durante 17 anos, em continuidade ao período também ditatorial de seu pai, por 46 anos? Kim Jong-il governou a chama República Democrática Popular da Coréia com a mesma mentalidade autocrática de seu antecessor e foi mais longe ainda: tornou-se conhecido em todo o mundo como o mais totalitário chefe de estado do planeta. Governou o país sem liberdade de imprensa ou religião, sem liberdades políticas (como todo ditador, detestava a oposição – consta que manteve nada menos que 200 mil prisioneiros políticos durante seu governo) e com baixos índices de educação e de proteção à saúde, em contraste com sua eterna inimiga-irmã, a Coréia do Sul. Mas sempre preocupado em continuar com a mesma linha ideológica de culto à personalidade criada por seu pai (seus epítetos preferidos eram “Líder Supremo”, “Querido Líder”, “Camarada Comandante Supremo” e “Nosso Pai”), característica narcisista também própria aos ditadores. Deixa sue filho Kim Jong-nam como sucessor. Também se fala de um cunhado seu, Kim Jong-nam, como outro possível sucessor. Tudo em família, numa nação que se diz república, democrática e popular.
    Mas lembremos de outro líder, também falecido no último domingo: Václav Havel, ex-presidente da República Tcheca, antípoda político do líder coreano. Dramaturgo, escritor, ensaísta, poeta e dissidente político, lutou, com suas peças teatrais, contra o regime totalitário que então Tchecoslováquia, o que lhe valeu bons anos de prisão, com a debilitação de sua saúde, o que colaborou para apressar sua morte. Este, sim, deixa uma obra digna de ser chamada de humana. Em 75 anos de vida, publicou seis livros de poemas, 22 peças teatrais, um livro de ficção e nove não ficcionais, além de um filme.
    Havel será sempre lembrado como o bardo que devolveu a liberdade a seu povo, num ato histórico chamado de Revolução de Veludo. Mas ele tinha os pés no chão. Dizia que não havia nada mais significativo, durante os acidentes da história, do que as vozes dos poetas que se opõe a impérios e regimes militares. “As vozes de aviso de poetas – dizia ele – devem ser cuidadosamente ouvidas e levadas muito a sério, talvez até mais sério do que as vozes dos banqueiros ou dos corretores bolsas. Mas, ao mesmo tempo, não podemos esperar que o mundo nas mãos dos poetas possa, repentinamente, ser transformado em um poema.”

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