Arquivos Diários: 26 dezembro, 2011

O BRASIL SE LEVANTA EM DEFESA DE ELIANA CALMON! /editoria / ilha de santa catarina

as associações dos magistrados, na maioria dos estados, estão dirigidas pelos “bandidos togados” a que se referiu a ministra ELIANA CALMON. por isso reagiram com “manifestos” contra as denúncias. o sistema judiciário brasileiro está podre! desde o início da república. guarda-se poucas e honradas exceções que mantém a chama da justiça acesa.

UM clique no centro do vídeo:

O PÔSTER NA PAREDE – por olsen jr / ilha de santa catarina.sc

Recebo poucas visitas aqui em casa. Não é que esteja me tornando (as)social ou misantropo. Ou então, pior, em uma ação premeditada tentando “criar” um tipo mais ou menos como o do escritor Dalton Trevisan ou J. D. Salinger, porque a imaginação aguça a curiosidade e assim se pode mitificar o desconhecido tornando, quem sabe, a obra mais interessante.

A verdade é que pretendo deixar o “mundanismo” lá fora mesmo. Para se discutir obviedades há os botecos da vida. Claro que se pode fazer de qualquer canto uma espécie de taberna privilegiada, ou como disse outro dia, bem anotado pelo Horácio Braun em seu eclético cardápio “sou um boêmio, está certo, mas adoro minha casa, para mim é o meu segundo bar”. Não escondo o riso, assim posto, tudo parece muito simples.

Portanto, quando o meu sobrinho ligou indagando se podia me visitar porque tinha um trabalho para fazer na universidade e precisava discutir algumas idéias comigo, assenti. Costumava brincar afirmando que ele era o meu sobrinho favorito, o que era verdade. Inteligente, educado, com interesse igual por literatura, música, artes. De certa forma me enxergava nele quando tinha a sua idade.

No começo falou rapidamente sobre a importância das bebidas para a formação e consagração de talentos (ou não) desde o café e o álcool, passando pelo renascimento até nossos dias. Disse que era um ponto de vista interessante e tinha muito material. Mas percebi que não era bem aquilo que ele pretendia falar comigo, parecia ser mais um aquecimento antes de entrar no busílis (gostaram? Sempre quis usar esta palavra em algum lugar) da questão.

Depois o surpreendo em frente de um pôster na parede, representando num bico de pena, o Cavern Club, lugar onde os Beatles tocavam quando foram descobertos por Brian Epstein que viria a ser o seu primeiro empresário.

O quadro tinha uma história, aliás, como tudo ali. Fora presente de um marujo inglês que o trouxera de Londres e dado a Trude, proprietária de um bar à beira do cais na cidade de Itajaí. O bar era todo decorado com bandeiras de navios de dezenas de países. O pôster do Cavern Club era uma raridade e ficava em frente do balcão. Várias pessoas tinham tentado comprá-lo, inclusive eu, na primeira vez em que lá estive. A proprietária era inflexível, “não estava à venda e pronto”.

— Como ele veio parar aqui, então? Quis saber.

— Explico: o bar era freqüentado por médicos, advogados, prostitutas, gente do lugar, estrangeiros, turistas e a marujada que batia ponto ali. No dia em que pretendi comprar o dito, diante da negativa, pus-me a falar dos Beatles para o amigo que me acompanhava, ali mesmo no balcão, bebericando cerveja, olhando para o pôster na nossa frente e monologando sobre os Beatles. Falei, acredito, durante mais de duas horas sobre o assunto. Parecia que estava conversando sobre a minha própria família, tal a intimidade com fatos e coisas deles. Enquanto falava, percebi que a Trude estava sempre nas proximidades, ouvia o que estava dizendo, e para surpresa de todos ali presentes, quando terminei, ela foi até a parede, tirou o quadro, passou um pano devagar, com carinho, como se estivesse em uma cerimônia de adeus, e me deu de presente. “Toma, é teu!”. Não acreditei. “A senhora sabe o que está me dando? Questionei”. “Sim, é teu”. Um médico que estava vendo tudo me disse, “não sei o que você fez, mas meus parabéns fazem mais de três anos que venho tentando comprar este quadro”.

Depois da história sobre o pôster, a conversa se descontraiu um pouco, mas ele não dizia a verdadeira razão para estar ali, o que queria comigo? Também, não sabia como podia ajudá-lo. Nisso toca o celular, ele atende, afirma que a sua mãe veio buscá-lo e ele não pode perder a carona. Combinamos então, para hoje, a tal conversa, daqui a pouco ele deve estar chegando, penso!

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NOTAS:

A música é esta “Im My Life”, do disco “Rouber Soul” (1965) dos Beatles…

John Lennon a considerava “sua” primeira obra-prima…

Refere-se as perdas que vamos acumulando na vida (amigos, pessoas que amamos) e também aos lugares que vão sendo desfigurados, das nossas referências que são alteradas… Nem sempre para melhor…

Mas, de tudo sempre resta algo, talvez aquele amor, você, ele ou ela… Que não se esquece…

Embora a via continue e no fundo, continuamos também, sempre sozinhos…

É uma das minhas canções (dos Beatles) favoritas…

DA UTOPIA E DO CRIME – por jorge lescano / são paulo


 

Para Urda Klueger

 

Não há nada de quixotesco nem romântico em querer mudar o mundo.

É possível. É o ofício ao qual a humanidade se dedicou desde sempre.

 Não concebo melhor vida que uma dedicada à efervescência, às ilusões,

à teimosia que nega a inevitabilidade do caos e à esperança.

Gioconda Belli

Em termos gerais concordo com o pensamento da escritora nicaragüense, de quem conheço apenas esta frase, remetida por uma companheira de utopia. O que me motivou a escrever a nota são os conceitos quixotesco e romântico, citados por ela como pejorativos, ao gosto da mentalidade liberal burguesa.

Nada mais humano que o homicídio premeditado, o matricídio, o parricídio, o fratricídio, o latrocínio e a tortura. Nenhuma outra espécie comete estes crimes em sã consciência, eles são atributos exclusivamente humanos. O que um homem fez, a espécie faz. Nenhum indivíduo pode se declarar isento das características da manada humana. Nada mais humano, também, que o anseio de conhecimento, de liberdade, de justiça, de felicidade.

A sombra de Hitler nunca ofuscará a luminosidade de Mozart, a inquietante clarividência de Kafka. A prepotência de Mussolini não apagou a alegria de Vivaldi. Os crimes de Stalin só ressaltam a verdade da obra de Dostoievski que denuncia o absurdo da violência dos homens. O obscurantismo de Franco nunca empanou a lucidez de Cervantes. A desfaçatez de Obama que pretende justificar guerras injustificáveis, não perturba o reconhecimento das românticas viagens de Poe à região nebulosa da mente, não pode ocultar a melancolia dos quadros de Hopper nem o bom humor da música de Cage. É óbvio que tais nomes não esgotam o elenco de protagonistas da eterna luta entre a luz e as trevas. Eles perambulam anônimos ao nosso redor.

Toda revolução é romântica porque pretende mudar o mundo, realizar a utopia.

É revolucionário – não importa qual seja o teor da atividade nem o volume de sua tarefa – todo aquele que sonha com a justiça plena, isto é: os mesmos direitos para todas as diferenças. Muda-se o mundo menos pela gestão política que pela consciência individual que obrigará o político a obedecer.

Descreio de instituições cuja única função é disputar cargos públicos. A diferença entre um partido político e o movimento político é que aquele concorre ao governo do Estado (entidade semidivina na atualidade) e este educa, forma as pessoas para a autogestão. Em geral é trabalho realizado individualmente porque o poder político sempre acaba institucionalizando (entenda-se encampando, neutralizando e manipulando) os frutos da tarefa coletiva.

Se não podemos mudar de mundo, mudar o mundo é a única alternativa, única utopia válida. Deve-se pretender o máximo para conseguir o mínimo. Assim funciona a sociedade humana.

O Quixote era uma sátira na época de Cervantes, tornou-se paradigma moral e moralista por algum tempo, volta a ser exemplo de estupidez, de ingenuidade e loucura (?) nos tempos que correm porque não produz lucros monetários, valor máximo da comunidade ocidental e cristã.

A arte, por revolucionária que seja, não muda o mundo, apenas ilustra a doutrina de que a pensamento não deve ficar preso a preceitos estabelecidos pela “autoridade”. Isto é válido em todos os ramos, para todas as categorias. O conhecimento científico também caminha assim, desrespeitando a autoridade estabelecida pelo poder político das academias. O pensamento deve ser campo aberto para o cultivo. Somente os dogmas afirmam possuir verdades imutáveis.

Reivindico para mim os motes de romântico e quixotesco pelo que eles têm de inconformismo, e não é preciso que ninguém aprove ou adira à minha escolha. Tenho o mau costume de ver a realidade pelo avesso. Não fosse assim e teria me dedicado a vender apólices de seguros de vida e estaria em paz com os deuses (todos eles!) e com o mundo.

Atribuem-me a (má?) fama de iconoclasta. Não sei se isto é verdadeiro, sei sim que nunca pactuei com o culto à personalidade de nenhum ídolo, que sempre acaba servindo ou criando seitas, clubes, partidos apenas diferentes nas cores e tamanhos. Isto não impede que reconheça o valor de pessoas e obras sem que, necessariamente, deva render-lhes culto.

Em meus rascunhos abundam nomes de artistas. Suas obras, de diversos modos, moldaram a minha escrita. Também Natividad Cardozo, minha mãe e lavadeira analfabeta, colaborou com ela; e se não deixou frase memorável para ser citada formou o homem que sou hoje, com todos meus defeitos.

Talvez o sentido da vida de cada um seja procurar a perfeição (?), esta a utopia individual. Nisto acreditam diversas seitas de todas as latitudes. Eu me reservo o direito à dúvida.

Hora de sair pra pescar ou apertar o parafuso? – por alceu sperança/cascavel.pr


Houve um tempo em que os utópicos pregadores de um novo mundo eram uma minoria de doidos varridos. De vez em sempre até prendiam os mais ousados e sinceros, chamados de “comunistas” mesmo que fossem apenas reformistas superficiais.

Banqueiros que financiavam operações para apanhá-los hoje imploram pelo mesmo que esses elementos perigosos queriam: a intervenção do Estado para custear as despesas dos incapazes de arcar com elas.

Agora, depois da rendição de um alto executivo da General Eletric aos argumentos dos “subversivos” que eram castigados com prisão, tortura e morte, será que já seria a hora desses velhos utópicos da paz sair para pescar?

O CEO (manda-chuva, numa tradução horrível para o Português) da GE, Jeffrey Immelt, disse em Nova Iorque, em fins de 2008, que em um período de seis a nove meses as noções de poder e riqueza das nações “vão mudar muito”. De fato, mudaram tanto que o planeta virou de cabeça pra baixo.

Immelt é considerado um dos administradores mais capazes do mundo. E ele diz, simplesmente, o seguinte: aqueles que não entenderem o atual momento de “reorganização emocional, social e econômica” têm poucas chances de ver seus negócios vingarem no futuro.

Ele acredita, em suma, que o capitalismo vai ser substituído por algo novo. Nesse novo, a responsabilidade social da empresa, vai casar com o papel do Estado em áreas como a da saúde, que está uma zona. Com isso, aquela baboseira de “Estado mínimo” será simplesmente atirada na lata do lixo, por estar caduca.

Um bocado de idéias criptomarxistas para um capitalista-mor, que comanda uma cadeia enorme de interesses econômicos, cujos 327 mil funcionários dão a seus negócios US$ 180 bilhões de faturamento por ano.

Ele acha que já passou o tempo dos “fazendeiros que se transformaram em industriais e que migraram para a área de serviços”, pois isso deu na joça que aí está. Agora, diz o guru capitalista, é preciso olhar para as pessoas.

Com gente assim tão qualificada repetindo os recados que estamos transmitindo a vida inteira, o jeito não é sair pra pescar?

Na verdade, não! Ainda há muita canalhice neste mundo e a pescaria relaxante vai ter que aguardar. Nota-se que os grandes responsáveis pela crise estão querendo se fingir de bonzinhos. Vão maquiar tanto a cara que ninguém vai reconhecê-los como os autores dessa catástrofe capitalista.

Se acharem bom para o marketing, eles próprios vão editar tiragens fantásticas de O Capítal. E se, contra toda lógica, Barack Obama realmente cumprir o que prometeu – carregar os ricos de impostos e aliviar para os pobres –, o outrora simpatizante da Ku Klux Klan vai descobrir sangue negro em seu DNA e anunciará amplamente no horário nobre: “Sou negão e provo no cartório!”

Eles são malandros. Não é sem motivo que não resolvem nenhum dos problemas relevantes das famílias e do planeta (paz, habitação, renda, ambiente), mas vencem todas as eleições. A operação que se seguirá à atual tentativa de salvar o capitalismo será ocultar os verdadeiros responsáveis e as causas reais da crise.

Será manipular a propaganda de tal forma que as massas se convençam que elas, mesmo sendo exploradas vilmente pela ideologia, têm culpa por tudo, terão que pagar a conta e não, como seria justo, virar tudo pelo avesso.

Com esse pacto, “uma nova ordem mundial”, ficará entendido que os ricos vão dar aos pobres a chance de pagar os custos da crise. Em troca haverá uma refundação do capitalismo, mas sem alterações de fundo nas políticas que alimentaram a especulação e a exploração desenfreadas, que são a origem da crise.

Por isso, a pescaria fica adiada sine die.