Estreia nesta sexta – 06/01/12 – “Cavalo de Guerra”, um dos melhores trabalhos de Steven Spielberg – por marcelo perrone / porto alegre.rs

Longa renova a fé em Spielberg como grande artesão do cinema

Estreia nesta sexta "Cavalo de Guerra", um dos melhores trabalhos de Steven Spielberg David Appleb/DreamWorks

“Cavalo de Guerra” traz elenco jovem e talentoso e muitas sequências magistraisFoto: David Appleb / DreamWorks

 

Falar que nesta sexta-feira estreia um filme candidato a empilhar estatuetas no próximo Oscar não diz muito sobre as qualidades de Cavalo de Guerra, visto o histórico de títulos esquecíveis premiados pela Academia.

Acrescentar que é um filme de Steven Spielberg, grande mestres do ofício cinematográfico, é, sem dúvida, um atrativo.

E acredite: indicado ao Globo de Ouro, Cavalo de Guerra é um dos melhores trabalhos de Spielberg. Nele o diretor, além de imprimir as marcas autorais de suas mais aclamadas realizações, renova a fé no cinema grandiosamente espetacular que poucos além dele ainda sabem fazer.

É um modelo de cinema clássico, que a cada fotograma parece evocar uma obra-prima de John Ford, um melodrama sob pano de fundo histórico como …E o Vento Levou, um trepidante filme de guerra como o próprio Spielberg fez em O Resgate do Soldado Ryan. A costurar essas referências, uma história bem ao gosto do diretor, que combina rito de passagem de jovens diante de uma provação, laços de amizade, o inabalável afeto familiar, a força extraordinária que rompe essa harmonia e a jornada épica dos protagonistas para se recomporem.

Adaptação do livro homônimo do inglês Michael Morpurgo, já levado com sucesso aos palcos, Cavalo de Guerra tem início na Inglaterra rural às vésperas da I Guerra (1914 – 1918). O protagonista é o cavalo Joey, domesticado pelo jovem Albert (Jeremy Irvine) para ajudar na lida da pequena fazenda da família. Quando estoura o conflito, o pai de Albert, endividado, vende Joey para o exército britânico.

Tem início então a odisseia do valente e tenaz cavalo pelos campos conflagrados da França, onde britânicos e alemães se massacram. Joey passa de montaria de um oficial inglês a animal de carga do inimigo, ganha abrigo de um fazendeiro francês e sua netinha, volta para os alemães e outra vez para os ingleses. Nessa ciranda que mantém o cavalo sempre no primeiro plano, Spielberg, com engenhosidade, apresenta diferentes núcleos de personagens que conduzem a história até Albert entrar outra vez em cena.

Enumerar as sequências magistrais de Cavalo de Guerra é um estimulante exercício cinéfilo, da delicadeza com que emoldura uma execução à complexa engenharia cenográfica que move a hora final do filme, ambientada na chamada “terra de ninguém”, o espaço devastado entre trincheiras inimigas.

Importante destacar a mão do diretor para garimpar jovens e excelentes atores, como, entre tantos, o estreante inglês Jeremy Irvine, seu compatriota Benedict Cumberbatch (o moderno Sherlock Holmes da série da BBC) e o alemão David Kross (de O Leitor), cada qual com seu momento de brilho.

A lamentar apenas a opção de Spielberg em padronizar no idioma inglês todas as falas. Com esmero, talento e autenticidade transbordando em Cavalo de Guerra, ele poderia ter seguido o exemplo de Quentin Tarantino, que fez dessa fidelidade linguística um dos charmes de Bastardos Inglórios.

Cavalo de Guerra (War Horse)
De Steven Spielbeg. Com Jeremy Irvine, Emily Watson e Peter Mullan.
Drama, EUA, 2012. Duração: 146 minutos. Classificação: 12 anos.
Em cartaz a partir desta sexta .
Cotação: 4 de 5

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