Arquivos Mensais: fevereiro \28\UTC 2012

ZILDA ARNS: “Deixai vir a mim as crianças…” – por manoel de andrade / curitiba

Quando penso na missão humanitária de Zilda Arns, levando a um povo tão pobre como o do Haiti sua disposição de fundar no país a sua Pastoral da Criança, e ali caindo sob os escombros de uma igreja, lembro-me da história de outros missionários que também deixaram suas pátrias para viver em nome do amor. Sob esta bandeira a enfermeira britânica Florence Nightingale foi para a Turquia atender, como pioneira, os feridos de guerra, na Criméia, onde contraiu tifo. O bispo católico Daniel Comboni, deixou a Itália para dedicar-se aos doentes e miseráveis do Sudão, onde morreu de febre em 1881. Albert Schweitzer já era um reconhecido intelectual alemão quando, aos 30 anos, foi estudar medicina para doar-se inteiramente às comunidades negras da África,  morrendo em Lambaréne, em 1965, cercado pela gratidão do povo do Gabão.

Todas as fronteiras se abriram para Zilda Arns e se há uma imagem que a identificou para o mundo foi a feição solidária do seu  sorriso. Sua expressão era o retrato de um coração que se abria a todos, e sobretudo às crianças, com uma dedicação incondicional, num gesto incansável de esperança pela redenção dos desamparados. Seu amor ao próximo começara na menina que auxiliava os lavradores pobres, os indigentes que cruzavam seus passos e depois buscando recursos públicos para socorrer os necessitados. Médica, fez da pediatria uma especialidade providencial ao compreender que, para as crianças carentes, o carinho, os cuidados com a alimentação, higiene e prevenção são tão ou mais importantes que o tratamento clínico.

A Pastoral da Criança, organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), teve início no ano de 1983, na pequena cidade paranaense de Florestópolis, escolhida pelo altíssimo percentual de crianças mortas e onde o índice anual de mortalidade, depois de iniciado o seu trabalho, caiu de 127 para apenas 28 óbitos. Esta estatística de sucesso e os surpreendentes resultados posteriores apurados no Brasil inteiro, colocaram a Pastoral da Criança na vanguarda dos grandes projetos humanitários do mundo. As sementes do seu trabalho junto às mães e crianças carentes espalhadas nos bolsões de miséria de todo o país floriram e frutificaram, numa rede de solidariedade com mais de 260 mil voluntários, que acompanham cerca de dois milhões de crianças de até seis anos, além de quase 100.000 gestantes em 42.000 comunidades pobres em mais de 4.000 municípios. Suas condecorações, os vários títulos recebidos e a indicação para o  Prêmio Nobel da Paz em 2001, 2002 e 2003 foram os gratos reconhecimentos desse fantástico trabalho.

Mas seu fraterno coração não palpitou apenas pelos pequeninos, como também por aqueles que, depois dos 60 anos, sobrevivem  na miséria e na solidão. Em 2004, funda a Pastoral da Pessoa Idosa, criando uma rede de 15.000 voluntários “eleitos” pela dedicação e o amor com que atendem atualmente cerca de 100.000 idosos, sendo muitos  desses irmãos estigmatizados pela omissão social e tantos deles pela ingratidão dos que mais amaram.

Em 12 de janeiro de 2010, Porto Príncipe foi palco de uma tragédia que sepultou cerca de 200.000  pessoas. Entre tantas vítimas, contavam-se 12 militares brasileiros e a médica e sanitarista Zilda Arns Neumann, catarinense nascida em 25 de agosto de 1934, na cidade de Forquilhinha. Zilda lá chegara em missão internacional para levar a um dos países mais pobres do mundo o tesouro da saúde pela educação e o sonho de sobrevivência das crianças haitianas. Aos 75 anos deixou a roupagem física para entrar na imortalidade da vida. Algumas horas antes, na plenitude de sua obra missionária, proferira a última palestra que deu na Terra, e, referindo-se ao tema que sublimou sua existência, disse, poeticamente, com a beleza das metáforas: “Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe dos predadores, das ameaças e dos perigos, e mais perto de Deus, devemos cuidar de nossas crianças como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-las.”

          Ao dedicar 27 anos de sua vida para atender as crianças do mundo Zilda Arns foi o exemplo mais eloquente da aplicação das palavras de Jesus:

        “Deixai vir a mim as crianças, porque delas é o Reino dos Céus” (Mt. 19, 13-15).

ESTE ARTIGO FOI ESCRITO PARA  O JORNAL ‘MUNDO ESPÍRITA” PUBLICAÇÃO DA FEDERAÇÃO ESPÍRITA DO PARANÁ. PUBLICADO AQUI COM LICENÇA DO AUTOR.

EDIR MACEDO, o bispo profano, fala das suas intenções: OUÇA-O

UM clique no centro do vídeo.

À DERIVA – por olsen jr / rio negrinho.sc

Todos nós já passamos por determinadas situações “não escolhidas” que, se tivéssemos o conhecimento prévio, sequer ousaríamos cogitar em se fazer presentes. Mais ou menos o que, no direito, se chama de vício redibitório. Em outras  palavras, é aquele defeito que o objeto que se pretende adquirir possui, mas que se você tivesse conhecimento antes, não compraria. O caso de um automóvel com o motor fundido, por exemplo.

Bem, estou assistindo a um filme com Clark Gable (1901-1960) e Carol Lombard (1908-1942), provavelmente da década de 1930. Um filme dentro de outro filme. Como aquelas latas de azeite (de antigamente) que estampavam no rótulo uma mulher segurando uma lata de azeite, e nesta, outra mulher mostrando outra lata de azeite que trazia nova mulher com outra, assim, indefinidamente… Minha mãe, fã de Gable, já deveria ter visto aquilo. Todos os protagonistas estão mortos, e não canso de imaginar a maravilha que é o cinema. De repente, entra um comercial, em seguida uma chamada para o BBB, e logo a conversa zôo-técnica de alguém se reportando a manipulação de reses e outras lides campeiras, a título de “ilustrar” sua permanência ao lado de uma piscina na clausura de uma casa na qual não tenho o menor interesse. Desligo em seguida, quando percebo não ter curiosidade nenhuma pelos animais, nem os bípedes que observo e tampouco, pelos quadrúpedes a que eles se reportam. Minha afinidade com animálias, não passa de uma paleta de ovelha na churrasqueira, assim mesmo, se eu preparar o tempero e assá-la. Tudo a ver, diria o velho Horácio Braun, salve!

Não sei como terminou o filme e isto me chateia.

Já se pensou em realizar um BBB só com pessoas “cabeças”. Fizeram um teste nos EUA e foi um fracasso. A audiência caiu em níveis intoleráveis para os patrocinadores. As massas (ou o senso comum) não encontram acolhidas naquilo que não se identificam. Uma existência supra-real não é palpável, ainda que real num outro plano. Sugeriu-se aqui, incluir a Vera Fischer, a Sônia Braga, o Nelson Motta, Chico Buarque, Diogo Mainardi, Arnaldo Jabor, Ziraldo… Bem, seria a primeira vez que as duas atrizes não precisariam fazer o papel de “mulher que trai o marido” ou de “prostituta”, quer dizer, o meio-habitat nestas circunstâncias; o Nelson falando em sintonia fina, do “novo” disco dos Beatles, “Love”, duca; o Chico que não quer ser avô, e “deixa em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa”; o Mainardi afirmando que não agüenta mais bater no PT, não tem interlocutor (e nem ouvinte); o Jabor acreditando que há uma revolução em andamento, mas ninguém sabe onde; o Ziraldo afirmando que nunca brochou na vida, risos, macho uma barbaridade… Macho não quer dizer mucho lembra a atriz Zsa Zsa Gabor…

Quer saber? Gostaria de ter visto aquele filme, a despeito da grande audiência do BBB, estatística esta, da qual não faço parte, e diante de tais licenciosidades, sou mais o Glauber Rocha, é preciso acabar com este liberalismo feminista e estabelecer (logo) o machismo revolucionário.

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NOTAS:

A música é esta e diz respeito, naturalmente, ao momento em que estou vivendo…

http://www.youtube.com/watch?v=-Tu2eZpA4yo&feature=related

Esta composição foi elaborada quando os Beatles freqüentavam a Academia de Meditação Transcendental do guru Maharishi, no Himalaia.

Havia palestras todos os dias seguidas de meditação…

Aquela calmaria toda seguida das complicações do fuso horário, a ausência de bebidas ou qualquer droga, ao mesmo tempo que deixava a cabeça livre para a criação, também facilitava um extremo cansaço, afinal não se conseguia dormir à noite e não se dormia de dia…

Some-se aí, o fim do casamento, no caso de John Lennon que não sabia como dizer isso a primeira mulher (Cynthia Powell) e também não contava com a presença de Yoko Ono…

Isso tudo foi deixando-o cansado… Muito cansado e acabou sobrando até para Sir Walter Raleigh (1552-1618) explorador e poeta inglês (para John era um babaca e idiota) que também era camponês e conseguiu o título de “Sir”  bajulando com insistência a Rainha Elizabeth I… Atribui-se a ele a introdução do tabaco na Europa (levado da América)…

Neste período os Beatles compuseram mais de 40 letras… Parte delas está no que ficou conhecido como Àlbum Branco (The White Album) de 1967…

Esta “I’m so Tired” (“Estou tão Cansado”) é apenas uma delas…

Vem a propósito!

MILTON LUIZ PEREIRA exemplo de ministro para o STJ e STF ! esperamos que os ministros reflitam.

O homem que, em 39 anos de vida pública, só teve um carro

Morto no último dia 16, Milton Luiz Pereira foi prefeito de Campo Mourão, juiz, ministro do STJ e exemplo para as pessoas que conviveram com ele

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O juiz Milton Luiz Pereira foi advogado, prefeito de Campo Mourão e ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Nessas funções, realizou obras e julgamentos importantes. Mas o maior legado que deixou ao Paraná e ao Brasil – segundo relatos de várias pessoas que o conheceram, em artigos e cartas publicadas pela Gazeta do Povo nos últimos dias – foi sua conduta. Um homem público íntegro, humilde e sempre pronto para aprender.

O dr. Milton, como era conhecido entre os servidores da Justiça Federal, morreu em Curitiba aos 79 anos, na madrugada de 16 de fevereiro, poucas horas após o falecimento da esposa, Rizoleta Mary Pereira. Os dois foram vítimas de câncer. Se é possível dizer que há consolo no acontecimento é que ele serviu para reavivar os grandes feitos do juiz, que se aposentou como ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2002.

O historiador Jair Elias dos Santos Júnior, amigo de Pereira, relembra uma série de fatos e frases que ajudam a entender a admiração que o juiz despertava entre tantas pessoas. “Aprendi todos os dias, todas as horas. Quando mais tarde, ao reler os livros de minha vida, quiser tirar a maior lição de todas, saberei que o mais importante é ser humilde”, afirmou Pereira ao sair do STJ.

Campo Mourão

Pereira nasceu em 9 de dezembro de 1932, em Itatinga, interior de São Paulo. Mudou-se adolescente para Curitiba. Na capital, iniciou amizade com José Richa, então estudante de Odontologia. Como advogado, Pereira foi atuar em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), em 1959, e rapidamente foi reconhecido por seu trabalho.

Em 1963 aceitou disputar a eleição para prefeito da cidade pelo Partido Democrata Cristão (PDC), de Ney Braga. O historiador Santos Júnior, que é de Campo Mourão, conta que a eleição parecia perdida. Pereira tinha poucos recursos e concorria com o empresário Ivo Trombini, que além de dinheiro tinha o apoio do ex-presidente Juscelino Kubits­­chek. Então senador, JK fez um grande comício no município. O troco de Pereira foi visitar cada eleitor em casa. Elegeu-se.

Como prefeito, promoveu uma grande inovação para a época: criou o Conselho Comunitário, que contava com a participação de uma pessoa de cada bairro da cidade. O trabalho foi produtivo: as receitas financeiras do município cresceram e a gestão de Pereira entregou várias obras, como bibliotecas, rede de água e esgoto, estradas, a rodoviária. Graças ao Conselho e às obras, Cam­­po Mou­­rão foi escolhido à época como “Município Modelo do Paraná”.

Presente do povo

Em 1967, Pereira renunciou ao cargo de prefeito para ser nomeado juiz federal, atingindo o objetivo de chegar à magistratura. O convite surgiu de contatos com políticos. Eles já haviam oferecido outros cargos – como secretário estadual – e sugerido a candidatura à Assembleia ou à Câ­­ma­­ra Federal. Mas Pereira não se interessou.

Foi nessa época que a população de Campo Mourão fez a célebre arrecadação de dinheiro e comprou um Fusca de presente para o prefeito, que não tinha automóvel. Santos Júnior conta que se esqueceram de colocar gasolina. Mas isso não foi problema. A população empurrou o Fusca – com Pereira, a mulher e os filhos – até a casa deles. “Além do carro, o ex-prefeito ganhou um jogo de canetas, um relógio de ouro e até um frango, presente de um lavrador, que andou 20 quilômetros, a pé”, relata o historiador.

O Fusca azul se tornou um “amuleto” usado por Pereira até o fim da vida. Foi seu único carro. “Toda vez que entro nele, sinto-me em Campo Mourão. Naquele momento, senti que o povo sabe ser justo”, dizia o juiz.

Pereira permaneceu como juiz federal e, em 1988, assumiu a presidência do Tribunal Federal de Recursos (TFR), fato noticiado com destaque na Gazeta do Povo de 20 de novembro. O órgão já estava em vias de ser extinto, por força da nova Constituição. O Judiciário foi remodelado e surgiram os tribunais regionais federais. Pela sua experiência, Pereira assumiu o TRF da 1.ª Região, em São Paulo. Em 1992 foi nomeado ministro do STJ, onde ficou por dez anos.

Aposentado, teve mais tempo para se dedicar às novenas na Igreja São Judas Tadeu, do qual era devoto, e à família. Com Rizoleta Mary teve cinco filhos e com ela viveu até o fim.

Publicado em 26/02/2012 | ROSANA FÉLIX

Latinos julgam tiranos da ditadura – por ruth costas / londres

Onda de julgamentos na região cria o que especialistas chamam de ‘cascata de justiça’

25 de fevereiro de 2012 | 22h 25

OXFORD, INGLATERRA – Parentes de vítimas de alguns dos massacres mais cruéis da história latino-americana passaram a última semana celebrando a decisão da Justiça da Guatemala de julgar o ex-ditador José Efraín Ríos Montt. Foi uma noticia bem-vinda no ano em que se completam 30 anos da matança de Dois Erres – um entre os muitos massacres ocorridos durante a ditadura de Ríos Montt (1981-1982).

É difícil prever os resultados do julgamento do ex-ditador, mas a decisão de colocá-lo no banco dos réus consolida uma tendência que ganha força na América Latina, definida pela cientista política Kathryn Sikkink como “cascata de justiça”. Nos últimos anos, um número cada vez maior de países da região está abrindo os baús de seus períodos autoritários e levando para os tribunais agentes do Estado responsáveis por atrocidades. A Argentina foi a primeira a investigar os segredos dos generais e é o país que mais avança nos julgamentos por graves abusos aos direitos humanos.

No Uruguai, o Congresso derrogou a lei de anistia em outubro, facilitando o julgamento de militares e policiais. No Chile, desde que Augusto Pinochet teve de alegar demência para não ser julgado, dezenas de militares foram indiciados. No Peru, o ex-presidente Alberto Fujimori foi condenado a 25 anos de prisão em 2009 pelos massacres de Barrios Altos e La Cantuta.

Por fim, no Brasil, apesar de que hoje a possibilidade de que alguém seja julgado pareça ser mínima, uma comissão da verdade será criada para investigar violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988. É claro que os avanços são graduais. “Mas trata-se de uma tendência que está avançando com firmeza na região”, diz Sikkink, que lançou um livro explicando o fenômeno no ano passado e é especialista no que vem sendo chamado de “justiça de transição” – os mecanismos usados para resolver pendências históricas relativas a períodos autoritários ou conflitos civis. “Nesse sentido, o julgamento de Ríos Montt não foi uma surpresa, mas o resultado de um contexto favorável e anos de trabalho daqueles que se esforçaram para documentar os crimes e construir casos fortes.”

O que explica a onda de julgamentos e revisões históricas, após uma geração de imobilismo? “Primeiro, um processo de aprendizagem e troca de experiências entre grupos de defesa dos direitos humanos da região”, diz a socióloga Leigh Payne, da Universidade de Oxford.

Leigh coordena um projeto que está construindo uma base de dados com 91 casos de transições democráticas e processos de paz para analisar como leis de anistia, comissões da verdade, reparações e julgamentos podem favorecer ou dificultar a estabilização de um país e avanços na área de direitos humanos. Ela explica que os ativistas latino-americanos foram bastante “inovadores” em suas táticas para driblar impedimentos materiais e oficiais impostos para a investigação dos crimes após as transições democráticas. Com os anos, as estratégias de sucesso em um país foram exportadas ou copiadas por outros.

Técnicas. Na Guatemala, um grupo de antropólogos forenses começou a abrir as valas comuns sob a tutela de grupos argentinos e chilenos. Os Guatemaltecos seguiram os passos dos chilenos ao alimentar tribunais da Espanha (que clama jurisdição internacional) de evidências contra Ríos Montt e conseguiram um pedido de extradição em 2007. A técnica de coletar DNA de parentes de desaparecidos para identificar seus restos mortais ou encontrar seus filhos sequestrados se popularizou a partir da Argentina. Os argentinos também foram os que mais exportaram inovações no campo jurídico – como a noção de que os desaparecimentos seriam “crimes em curso”, que os excluiu da anistia aos militares.

Um segundo fator por trás da onda de justiça parece estar relacionado a uma questão de geração. Muitas vezes, para os que viveram experiências traumáticas, esquecer é a única forma de tocar a vida adiante. Já os filhos desses sobreviventes ou de desaparecidos, hoje adultos, anseiam por recuperar a história dos pais, como explica Francesca Lessa, pesquisadora de Oxford especialista em Cone Sul. “No Uruguai e Argentina esses jovens estão entre os mais empenhados em impulsionar os julgamentos.”

Marcie Mersky, do International Center for Transitional Justice, ressalta que a passagem do tempo é necessária também por uma questão institucional: “Logo após um período autoritário, o Judiciário costuma estar enfraquecido e pode haver a ameaça de novos golpes”, explica. “Além disso, as pessoas têm medo de falar sobre a repressão.”

Um dos resultados da análise da base de dados na Universidade de Oxford aponta nessa direção. “Estatisticamente, os países que avançaram mais em termos de estabilidade e respeito aos direitos humanos foram os que julgaram os responsáveis pelos abusos, mas que também adotaram leis de anistia em algum ponto”, diz Leigh. “A explicação pode estar ligada ao papel da anistia em evitar instabilidade política em um período inicial e ao fato de que, se há uma lei – e a impunidade não é só uma prática, como em alguns países africanos – ao menos é possível traçar uma estratégia para atacá-la ou flexibilizá-la.”

Outro fator por trás da “cascata de justiça” diz respeito à pressão internacional e a práticas e princípios que estão se consolidando em tribunais regionais e internacionais. A Comissão e a Corte Interamericana de Direitos Humanos, acionadas por grupos locais, pressionaram governos da região a apurarem casos como o de Dois Erres. A corte condenou as anistias de alguns países, como o Uruguai, e advertiu o Brasil a investigar a repressão no Araguaia. “Está ganhando aceitação as ideias de que, primeiro, esses casos de massacres, torturas e desaparições são crimes contra a humanidade e, segundo, agentes estatais podem ser responsabilizados individualmente por eles”, diz Leigh.

Alguns especialistas também apontam para o fator político como um dos propulsores da onda de processos e investigações já que muitos avanços ocorreram quando as rédeas de boa parte da região foram tomadas por governos de esquerda – muitas vezes por líderes perseguidos pela ditadura. Mas esse não é o caso da Guatemala, governada pelo general Otto Perez Molina. “Sabemos que para parte do governo não é interessante abrir precedente com uma condenação de Ríos Montt, mas esperamos que respeitem a independência do Judiciário”, diz Juan Francisco Soto, do Centro de Ação Legal para os Direitos Humanos, na Guatemala.

Ruth Costas – especial para o Estado

PLANALTO E ORGANIZAÇÕES CIVIS PRESSIONAM E MILITARES SE RETRATAM DE NOTA COM CRÍTICAS A PRESIDENTA DILMA

Clubes (sic) que representam militares da reserva recuaram de críticas feitas à presidente Dilma Rousseff por ela não ter censurado falas de ministras e do PT contra a ditadura. A mudança de postura aconteceu após um encontro do ministro da Defesa, Celso Amorim, e os comandantes do Exército, da Aeronáutica e do Estado Maior.

Em nota, os clubes disseram que “desautorizam” o texto que eles mesmos haviam escrito. Publicado no último dia 16, ele sugeria que Dilma se afastava de seu papel de estadista ao não “expressar desacordo” sobre três declarações recentes de auxiliares e do PT.

E a mocinha presa e torturada por seus ideais de DEMOCRACIA, saiu do banco dos réus dos militares para o posto de supremo mandatário da nação e das forças armadas. O POVO brasileiro deu a sua resposta a geração de vassalos  americanos.

clubes (sic) de militares da reserva se retratam de crítica.


Uma agenda para a esquerda só pode ser mundial – por tarso genro* / porto alegre.rs

Conceber a obtenção de conquistas reais dentro do regime capitalista da selvageria financeira, implica considerar que o capitalismo – ele próprio – pode ser mais democrático, política e economicamente. Isso supõe aceitar que ele também pode sair da “enrascada” em que se encontra – sem que haja uma revolução – ainda mais forte, mais agressivo e ainda mais autoritário do que no presente. E que, via de consequência, essa saída pode e deve ser disputada, mesmo que não haja uma ruptura, pois dela podem resultar coisas piores, ou melhores para a humanidade. Nesta última hipótese, para perspectivas de menos guerras, menos injustiças e desigualdades, com a criação de um ambiente mundial política e culturalmente mais favorável aos ideais democráticos do socialismo: ou seja, criar condições fora da antítese do “quanto pior, melhor”, pois a vida tem demonstrado que “quanto pior, pior”.
Para que se concorde com esta análise sumária é preciso ter em consideração que a sua base histórica é a seguinte: parte-se do pressuposto que a disputa, hoje, é entre saídas neoliberais para crise, de um lado, e saídas neo-sociais-democratas, de outro. Não, infelizmente, entre saídas capitalistas e saídas socialistas “strictu sensu”. Esta última possibilidade, saída socialista, implicaria em conceber que estaríamos “novamente” à beira da crise geral do sistema, tanto do seu poder político, como militar. Como isso não é possível supor, é razoável entender que a disputa, na verdade, é sobre qual vai ser a próxima correlação de forças no período subsequente à crise, bem como as influências que ela deixará sobre as democracias políticas do ocidente.

O presente artigo, não tem o propósito de apresentar uma agenda “unitária” para a esquerda mundial, mas visa chamar atenção para a necessidade de construí-la, a partir das forças políticas de “dentro” de cada país. Este “dentro” contém “em si”, o “fora”, o mundo globalizado por inteiro na sua política e na sua economia. A repressão, o constrangimento, a repressão de “dentro”, no próprio sistema democrático, contém o “fora” sistemicamente. O “dentro” e o “fora” integram a mesma totalidade. O que implica dizer que não existem mais estratégias políticas “contra o fora”, como no período de formação dos estados nacionais, mas somente estratégias “com o fora”, ou seja, a transformação nacional e internacional está contida no mesmo processo transformador.

A internacionalização radical da política outorgada pela teoria ao proletariado universal foi realizada pelo anti-humanismo universal do capital financeiro, que capturou os estados e suprimiu soberanias. Quando se fala em agenda “unitária” em termos globais, porém, não se quer dizer “fechada”, totalizante, a ponto de criar a ilusão de que os movimentos “esquerdistas”, naquele sentido já clássico do jargão leninista, possam – por exemplo – valorizar eleições e governos, conquistas dentro da ordem e integração entre lutas sociais e ações de governo: políticas concretas de redução das desigualdades, reformas educacionais dentro da democracia política e crescimento econômico, com inclusão social e produtiva.

A reestruturação produtiva do capital mudou o perfil do mundo do trabalho e reorganizou as formas de compra da força de trabalho, nas regiões mais desenvolvidas do sistema capitalista global. Tal processo mudou a realidade que a esquerda deve lidar, porque as revoluções produtivas também vem alterando o modo de vida e a subjetividade do conjunto de grupos e frações de classes, de todos os setores assalariados e não assalariados. Aos excluídos, em geral, alocados como exércitos de reserva da produção industrial, somam-se -nos dias de hoje- os excluídos do conhecimento, dos novos padrões tecnológicos e das técnicas de acesso ao conhecimento. A vanguarda do trabalho produtivo e socialmente útil, está submetida, também, a um funil de passagem cada vez mais estreito e com diferenciações salariais internas cada vez mais gritantes. Inclusive já baseadas em novos tipos de sub-empregos, precariedades e intermitências.

Refiro-me, nesta análise, à situação do mundo do trabalho, não somente assalariado, dos países que formam o núcleo e a periferia industrializada do sistema-mundo. São os lugares onde tem chances de ocorrer os movimentos políticos e as lutas mais agudas, com alguma capacidade de interferir na situação caótica do mundo globalizado.

Neste quadro, as “mensagens”, as “palavras-de-ordem” tradicionais e análises clássicas da esquerda, alicerçadas naquilo que foi conformado pelo marxismo dominante (como ideologia do proletariado clássico), não mais se reportam aos verdadeiros dramas do mundo do trabalho. Ele está espremido pelo desemprego tradicional, nas novas formas “livres” de prestação de serviços, na desvalorização do trabalho mecânico da fábrica moderna e no império do trabalho imaterial nas redes. A predominância da ética da descartabilidade vem liquidando com a velha ética do trabalho fabril, que chamava as consciências para o público e não para a privatização das emoções.

Nos territórios do ocidente em que isso ocorre, as mudanças expressivas na produção material e imaterial, também já passaram a não respeitar, integralmente, as fronteiras entre tempo de trabalho e tempo privado: entre vida cotidiana e processos do trabalho, entre lazer a trabalho. A dependência jurídica – e a submissão política no interior da fábrica moderna – se é verdade que vem libertando da tutela patronal direta os trabalhadores da vanguarda produtiva (os ligados aos “bits”, à info-digitalidade e à informação, por exemplo) e criando, ao lado deles, legiões de excluídos e baixos assalariados, vem também intensificando as formas mais duras de expropriação do trabalho imaterial. Seus métodos de dominação impulsionam a adesão a novos “modos de vida”, cuja sociabilidade tende a reproduzir, em tempo integral, a exploração da força de trabalho imaterial.

As novas formas de produção também vêm reduzindo a responsabilidade social das empresas -cada vez mais alheias à preservação de um estoque mínimo de trabalhadores comuns qualificados – e, ainda, aumentando o controle pelo resultado e a fragmentação de tarefas. Tanto na concepção como na realização. Assim, fica mais reduzida a subordinação direta contratual: reduz-se a integração do trabalhador na vida coletiva da empresa e também a responsabilidade empresarial sobre os contratos, mas aumenta a subordinação geral, de classe, pois os movimentos coletivos dos trabalhadores ficam mais fragilizados. Nesta hipótese, há uma transcendência da dominação tradicional da subordinação fabril, para uma dominação completa da vida por inteiro.

Tal contexto abarca a natureza do consumo, a redução do espaço público para a fruição livre, a uniformização de uma indumentária que integra, pela aparência, os setores assalariados com os padrões das classes privilegiadas. É notório, ainda que, cada vez mais, o próprio lazer é “produzido” como lazer mercantil, ditado e ocupado por inteiro pela acumulação. Os mega-shows dos mega-artistas, com mega-públicos e mega-custos, constituem os mega-espaços “rebeldes”, onde rebelião, mercadoria e consumo, dominação e liberdades formais, erguem os novos templos das culturais globais. Estas, já iconizadas num espaço onde tudo é aparente identidade coletiva, mas, para cada um dos indivíduos ali presentes, tudo é expressão da sua concreta singularidade.

Lukács dizia, para justificar a passividade dos operários alemães, perante as propostas revolucionárias, que eles ainda “tinham anõezinhos nos jardins”, para atrair “sorte” e espantar o “mal”, o que seria o símbolo do seu atraso. Isso corresponderia, hoje, a dizer que os potenciais de rebelião da maioria dos jovens de todos os setores assalariados de renda média e baixa, contra as injustiças, estão temporariamente suspensos pelas luzes feéricas dos concertos de Elton John e pelas lembranças das belas canções de Fred Mercury, embora estes artistas não tenham gerado a sua arte para esta finalidade. É lazer, cultura, artes visuais com novas tecnologias, subjetividades pulsantes, mais drogas e álcool, não como livre opção existencial, mas como decurso da lógica do mercado: modo de vida capturado para o anonimato em busca de um sentido.

Os novos e antigos movimentos sociais, que estão no centro da questão democrática, os “sem” teto, terra, proteção social, os hóspedes das praças, os rebeldes das redes sociais, os que não cabem no sistema, os indignados, querem os seus direitos e a sua parte no sistema. Parte destes setores, originários da classe média fragmentada, nem imagina que as suas demandas integrais por inclusão, não podem ser acolhidas no sistema, pois a transição para o “cume”, isoladamente, nos melhores postos de trabalho, só pode ser molecular. Podem compreender, porém, que é possível uma transição de parte deles -de alguns grupos que estão “fora”, para “dentro” do sistema, abrindo fendas na sua ossatura férrea. No caso , podendo gerar novos mecanismos democráticos de gestão no sistema, alargando a influência da ação política para a resolução da crise que os expeliu.

É o capítulo da disputa pela a hegemonia, portanto, para instituir políticas de desenvolvimento e políticas públicas de coesão social, que apontem para um novo Contrato Social, cuja bases não são somente as instituições republicanas clássicas, mas as combinações destas instituições com as formas de democracia direta, presenciais e virtuais. O sistema atual é, por natureza, limitadamente democrático e centralizador, e a sua unicidade supranacional é determinada pela força coercitiva do capital financeiro globalizado. A participação direta na gestão pública é, por natureza, democrática e aberta. A sua unidade global é demandada pela democracia política, que repele, dentro dos quadros da constituição política, o autoritarismo e a centralização burocrática inerentes ao sistema.

Só a democracia política exercida de forma plena, sobre a gestão do Estado e na definição das suas políticas globais, é capaz de expor a desumanidade das contradições que separam, cada vez mais, regime democrático e capitalismo. O desequilíbrio entre o regime de acumulação, forçado pela especulação, e a necessidade de tomada de decisões públicas no âmbito da democracia, sugerida pela política limitada pela representação, institui desigualdades cada vez mais graves, entre as classes sociais, internamente, e os estados nacionais na geoeconomia global.

Estas desigualdades também ocorrem na escala salarial interna da empresas e na estrutura de salários do funcionalismo estatal. São diferenciais de renda que também são apropriados – a partir das “sobras para poupança” dos altos salários – para fortalecer os laços do capital financeiro com esta nova massa de “rentistas”. Ela faz fluir parte dos seus recursos para a ciranda do lucro financeiro.

As formas e os meios pelos quais as crises serão solucionadas -sejam as soluções engendradas pela soberania estatal ou pelas agências de risco- é que determinarão a correlação de forças no próximo período. Só a recuperação da força normativa e da legitimidade política do Estado é que pode gerar um centro aglutinador de poder para enfrentar, concomitantemente -na esfera da política e da economia- uma nova saída neoliberal, ainda mais autoritária e elitista, para a crise do capital, que certamente estender-se-á, no mínimo, por mais cinco anos.

A crise emendou a vitória do tatcherismo sobre a esquerda européia com o fim da URSS; a crise do “sub-prime” com o “euro”; a ocupação do Iraque com o fracasso do Presidente Obama; a emergência do Brasil no cenário mundial com a “flexibilização” da social-democracia européia. O que pode, neste contexto, unificar distintas matizes da “nova” e da “velha” esquerda -contra as políticas de decomposição das funções públicas do Estado- é o exercício, pelo Estado, de políticas antagônicas às ditadas pelas agências privadas, que hoje orientam as políticas de Estado e são responsáveis pela crise. Não é a derrubada do Estado para a instalação de uma nova ordem, que, de resto sequer tem suporte social para configurá-la, que está na ordem do dia.

Os leninistas clássicos precisam compreender que a classe operária é vanguarda apenas para defender os seus direitos no emprego, o que é potencialmente transformador; os sociais-democratas tradicionais precisam compreender que já se afundaram demais no liberalismo economicista e faliram, tanto quanto o regime soviético – e que o resgate dos ideais sociais-democratas só é possível com mais democracia, não com menos -; os radicais do corporativismo precisam compreender que nem revolução, nem cirurgia, podem ser “permanentes” (senão gangrenam), mas que, se as saídas da crise atual se derem nos marcos da rendição grega, mais distantes todos estaremos de qualquer utopia.

Trata-se de um período não revolucionário e de reação política, de falência tanto dos modelos socialistas dito marxistas, como dos modelos da social-democracia clássica: o neoliberalismo está com a sua hegemonia abalada, mas ainda não sucumbiu.

As demandas por direitos, dos movimentos sociais que lutam pela água, pela defesa das suas culturas, das suas terras, do ambiente natural protegido da lógica mercantil; as lutas pela inclusão educacional, pelo direito ao trabalho produtivo ou improdutivo (este voltado para recuperação da natureza depredada), para o cuidado dos velhos e das crianças; as lutas para melhorar as prestações sociais do Estado, as lutas dos trabalhadores por seus direitos, as lutas democráticas pela transparência e pela ética pública, não terão resultados práticos nem estimularão demandas mais complexas, se não tiverem resultados no cotidiano das pessoas, que está subjugado pela ideologia do mercado. Para que o resultado possa ocorrer, porém, é preciso subtrair o Estado da tutela do capital financeiro, que crescentemente esgota a sua capacidade de financiar políticas públicas de dignificação da vida comum. Isso certamente não ocorrerá fora da política, seja ela processada na sociedade civil, para interferir sobre a gestão do Estado, seja ela intra-estatal, a saber, a que se processa entre as instituições e agências políticas, administrativas e financeiras do próprio Estado.

A integração, portanto, das “lutas sociais” com as “lutas políticas” tradicionais, promovidas pelas esquerdas modernas e pós-modernas, pode ser baseada numa agenda comum, que remeta para a recuperação das funções públicas do Estado. Todavia ela não surtirá efeito sem um confronto que tenha diversas origens no cenário global, seja através de eventos como o Fórum Social Mundial, de manifestações pontuais (ainda que impotentes até agora), como as dos indignados espanhóis e dos rebeldes e Wall Street, ou mesmo como as reformas do neo-constitucionalismo boliviano, com a sua árdua tarefa de compatibilizar modos de vida secularmente arraigados e “arcaicos” – tanto do ponto de vista do capitalismo como do socialismo por razões diferentes – com a república, a modernização produtiva e a agregação de valor.

Num outro lugar destas lutas, mas olhando para uma mesma direção, estão as eleições periódicas nas democracias capitalistas mais avançadas, como as que ocorrerão brevemente na França. São elas que, até agora, tem tido potência para -no âmago do Estado- tanto dar sustentação, como desenvolver contrapontos fortes ao neoliberalismo. Os governos nacionais, regionais e locais, que se opõem à “tutela grega” podem ser, juntamente com os movimentos sociais e os partidos de esquerda e do centro democrático, os “agendeiros” do próximo período de lutas, como o Brasil fez na América do Sul.

Embora nosso país tenha começado um novo modelo econômico e desenvolvido uma política de articulação global, para reduzir os efeitos da dominação dos bancos e das agências privadas sobre a nossa economia, sabemos que o desfecho deste processo não é ,nunca, um desfecho exclusivamente nacional. Seu desfecho, ou é vitorioso também no espaço político global ou será derrotado. A extorsão permanente do nosso trabalho e do desenvolvimento industrial e comercial do país, continua sendo processada através da drenagem de riquezas através dos juros e serviços da dívida, que ajudam o sistema especulativo global a manter-se forte. A “confiança” dos investidores no Brasil -refiro-me aos investidores da especulação financeira- é a confiança do “senhor” sobre o “escravo”, pois o “senhor” sabe que o “escravo” não tem outra saída, por enquanto, que não a de continuar submetido.

Se os partidos de esquerda não reduzirem as suas taxas de pragmatismo e não se unificarem numa agenda política avançada, inclusive em termos de reforma política, não atentarem para esta nova etapa estratégica -que deverá ser enfrentada pelo nosso Estado Democrático e suas instituições políticas- tudo que obtivemos até agora poderá ser perdido. O fortalecimento democrático, financeiro, político e militar, do Estado brasileiro (combinado com ousadas políticas de combate às desigualdades sociais e regionais), é a grande contribuição que o nosso país pode dar ao mundo para uma saída da crise por fora da tragédia grega.

As eleições municipais deste ano no Brasil e as eleições nacionais na França, constituem uma modesta preliminar deste novo enredo em direção a 2014 e aos próximos dez anos, para formatar a próxima correlação de forças em escala política globalizada.

Não é de graça que a esfera da política é tão udenisticamente atacada pelos principais meios de comunicação que sempre apoiaram as reformas neoliberais, e também tão atacada pelos pequenos partidos esquerdistas com o mesmo viés moralista. Uns e outros descartam o fortalecimento de um Estado público. Os primeiros porque isso faz mal ao neoliberalismo. Os segundos, porque o fortalecimento democrático do Estado descarta a ilusão revolucionária, que alimenta os seus rarefeitos adeptos que esperam a “crise geral”. Agora sim, sem saída.

(*) Tarso Genro é governador do Estado do Rio Grande do Sul

DITADURA: “GENERAIS DESCONTENTES NO CLUBE MILITAR” – paulo henrique amorim / são paulo

Tá parecendo o vôvo que briga com a enfermeira porque ela limpou a mdele.

POR QUE OS GENERAIS SEM DIVISAS SE MIJAM NOS PIJAMAS?

Quantas divisões têm os generais de pijama ?, perguntaria Stalin sobre oPapa.

Na Argentina – Oh !, que inveja ! -, não têm divisão nenhuma. E ainda estão na PRISÃO PERPÉTUA!!!

E, condenados e encarcerados, limitam-se a blasfemar contra os presidentes Kirchner.

Aqui, não.

O Forte Apache dos TORTURADORES é o Supremo Tribunal Federal.

Com a inesquecível relatoria de Eros Grau, o Supremo, por maioria, anistiou os TORTURADORES uma segunda vez.

Mas, a COMISSÃO de 1/2 VERDADE pode RECONTAR metade dessa história – e levar alguns deles, sobreviventes, ao CÁRCERE.

Se não antes, com o Tribunal que a DESTEMIDA LUIZA ERUNDINA montar na Câmara dos Deputados, para concluir, desde já, a metade que faltar na Comissão.

Os GENERAIS DE PIJAMA atacam o alvo errado.

Hoje, o problema deles é menos a Comissão do que Erundina.

Paulo Henrique Amorim


GENERAL VIDELA, ex-Ditador assassino argentino: “Nosso pior momento chegou com os Kirchner” – Nestor e Cristina, presidentes do povo argentino.

Em uma entrevista para a revista espanhola Cambio 16, o chefe da última ditadura argentina, Jorge Rafael Videla, reivindicou a chegada dos militares ao poder em 1976 como um “ato de salvação” de um país com “vazio de poder, paralisado institucionalmente e sob risco de anarquia”.

Ele enfatizou o apoio prestado pelos EMPRESÁRIOS E PELA IGREJA CATÓLICA para o GOLPE e criticou o que chamou de “revanchismo” do casal Kirchner que o colocou ATRÁS DAS GRADES PARA O RESTO DA VIDA!

SILAS MALAFAIA: “Pastor pode virar réu por incitar ódio aos gays” / são paulo.sp

Pastor pode virar réu por incitar ódio aos gaysFoto: Divulgação

MINISTÉRIO PÚBLICO QUER QUE SILAS MALAFAIA SE RETRATE POR TER DEFENDIDO “BAIXAR O PORRETE” E “ENTRAR DE PAU” CONTRA INTEGRANTES DA PARADA GAY

20 de Fevereiro de 2012 às 22:21

 – O Ministério Público Federal quer que a Justiça obrigue o programa “Vitória em Cristo”, exibido pela Rede Bandeirantes, se retrate de comentários homofóbicos feitos pelo pastor Silas Malafaia. O malfeito ocorreu em julho do ano passado.

Usando gírias e palavrões, o pastor defendeu “baixar o porrete” e “entrar de pau” contra integrantes da Parada Gay. De acordo com o pedido encaminhado pelo MPF, a retratação deverá ter, no mínimo, o dobro do tempo usado nos comentários preconceituosos.

“Os caras na Parada Gay ridicularizaram símbolos da Igreja Católica e ninguém fala nada. É pra Igreja Católica ‘entrar de pau’ em cima desses caras, sabe? ‘Baixar o porrete’ em cima pra esses caras aprender (sic). É uma vergonha”, afirmou o pastor evangélico, durante o programa.

Indignada com as manifestações preconceituosas, a associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais protocolou reclamação no Ministério Público Federal, o que motivou a abertura de um inquérito civil para apurar o caso e terminou numa ação, com pedido liminar.

O pastor chegou a ser ouvido pelo MPF. Malafaia explicou que tinha feito uma crítica severa às atitudes de determinadas pessoas “desse segmento social”, acrescida também de reflexão e crítica sobre a ausência de posicionamento adequado por parte das pessoas atingidas. Ele defendeu que as expressões “baixar o porrete” ou “entrar de pau” significam “formular críticas, tomar providências legais”.

Para o Procurador Regional dos Direitos do Cidadão, Jefferson Aparecido Dias, as gírias têm claro conteúdo homofóbico, por incitar a violência em relação aos homossexuais. “Mais do que expressar uma opinião, as palavras do réu em programa veiculado em rede nacional configuram um discurso de ódio, não condizente com as funções constitucionais da comunicação social”, disse o procurador.

Dias afirma que, como líder religioso, Malafaia é formador de opiniões e moderador de costumes. “Ainda que sua crença não coadune com a prática homossexual, incitar a violência ou o desrespeito a homossexuais extrapola seus direitos de livre expressão”, argumentou. Por isso, a importância da retratação de seus comentários homofóbicos diante de seus telespectadores, além da abstenção de veicular novas mensagens homofóbicas.

A ação também é movida contra a TV Bandeirantes. O MPF sustenta que cabe à emissora que outras mensagens homofóbicas sejam exibidas, além de veicular a retratação. “A emissora é uma concessionária do serviço público federal de radiofusão de sons e imagens e deve compatibilizar sua atuação com preceitos fundamentais como o direito à honra e à não discriminação”.

Fernando Porfírio _247

A Imagem Urbana e o Enigma da Paisagem – por almandrade / salvador.ba

“Este mundo é dado ao homem como um enigma a resolver” (1)

A simplicidade de uma imagem urbana pode condensar fisionomias diferentes de uma cidade. Se num primeiro instante ela não nos conta nada, somos obrigados a sonhar diante do seu silêncio e falar diante de nossa impertinência de pescar significados naquilo que se entrega à percepção. Estamos sempre a falar da paisagem urbana a partir de suas relações com as contradições sociais, com o passado que a memória não esqueceu ou com os conflitos e harmonias que fazem o presente; encontramos enfim, uma causa, uma explicação para as imagens onde a cidade se deixa perceber. Mas é nas imagens poéticas que a cidade provoca a imaginação e solta os seus enigmas. “Em torno de cada imagem escondem-se outras. Forma-se um campo de analogias, simetrias e contraposições”. (2)

1.      O Olhar Discreto

Se a cidade é um pedaço do mundo, suas imagens são enigmas que ao tentarmos decifra-las, lançamos sobre elas também nossas interpretações subjetivas. Discretamente o olhar sonha e encontra outras razões diante das imagens da cidade. Um filósofo apaixonado, perambulando pelas ruas de Moscou, imagina suas imagens sobre aquelas que o olho vê; Walter Benjamim no “Diário de Moscou” (3), ao projetar suas fantasias e esperanças, escreveu um precioso documento pessoal sobre essa cidade. As imagens de uma cidade não se resumem ao que é visto na sua objetividade, livre das desordens do desejo e do devaneio de um sonhador; são todas as fotografias por ele imaginadas. A cidade enquanto paisagem tem a imaginação como uma faculdade fundamental de sua interpretação. Os devaneios atribuem sentido na leitura da imagem urbana, para o filósofo francês Gaston Barchelard, eles são indispensáveis à vida. Na leitura de uma cidade, precisamos ter cuidado para não confundirmos as imagens do mundo real e as que são por nós inventadas, motivadas por um desejo de ver e encerrar dentro de um conceito ou dentro de um repertório o objeto observado. É preciso dizer que por trás das imagens oferecidas à objetividade do olhar, existem outras que se mostram em doses homeopáticas, que são aquelas imagens instantâneas, surgidas da relação direta do sujeito com a cidade, principalmente quando ele é dominado por um estado de devaneio.

Em “Incidentes” (4), Roland Barthes é um turista no Marrocos, e ele registra o que vê e ouve do cotidiano de um lugar, ao sabor de um fascínio imediato, sem uma exigência metodológica. A cidade é uma escrita que o intelectual lê nas horas de recreio e identifica outras imagens, livres de teorias, mas imagens singulares que apontam para a particularidade de um lugar e de quem o observa e imagina. A cidade é um espetáculo de imagens e de metáforas. O técnico, muitas vezes limitado dentro do seu próprio saber, é um mero espectador, na sua observação passiva nada pode fazer, a não ser traduzi-la para um código que demande uma intervenção técnica. Quando se desconhece o encanto das imagens inventadas sobre as imagens percebidas, se apaga a poética.

2.      O Armário do Tempo

A passagem do tempo imprime no corpo da cidade um mundo de imagens que falam de várias histórias. Passado, presente e possibilidades de futuro são acidentes geográficos que marcam a linguagem urbana. Para Bérgson: “…se aprendemos as coisas sob forma de imagens, é em função de imagens que devemos colocar o problema.” (5) É na forma de imagens que a cidade ganha uma existência concreta na memória de seus habitantes e visitantes, e documenta as mensagens do tempo. Sem as imagens que habitam sua própria memória, a cidade estaria perdida num fragmento do tempo, sem as recordações o presente não teria continuidade. É nas suas lembranças e recordações que ela tece a sua história, e busca na infância os antecedentes de sua contemporaneidade.

É graças à magia de uma memória que as imagens do seu passado não se precipitam num abismo escuro onde o tempo se esconde. Através de imagens os enigmas do tempo se acumulam e datam um território geográfico. Quando o homem quer penetrar em seu próprio passado, ele recorre a essas imagens, e encontra nelas motivos para recordações. É sempre possível a partir de imagens urbanas de outros tempos, como a arquitetura, ruas, praças e monumentos que caracterizam um centro histórico, encontrar a infância da cidade. O passado já não é mais para os olhos do presente. As imagens que armazenam ou evocam a memória é um túnel que nos leva a revisitar  o passado, dentro de um contexto que deverá nos ajudar a dar sentido ao presente através do qual vamos compreender este passado. Os vários tempos vividos de uma cidade estão encenados nas imagens de seu espaço físico, nos significantes de seus núcleos históricos e nas imagens inventadas por um sonhador urbano que revive na imaginação aquilo que o progresso anulou. “E o sonhador se transforma no ser de sua imagem.”(6) Fisionomias de outrora retornam em forma de imagens de sonhos diurnos.

3.      Multiplicidade da Aparência

A cidade nos fornece simultaneamente imagens dispersas e contraditórias que vão se infiltrando na percepção e fazendo provocações a memória. “As verdadeiras imagens são gravuras. A imaginação grava-se na memória. Elas aprofundam lembranças vividas para se tornarem lembranças da imaginação.”(7) As imagens urbanas gravadas na memória se multiplicam na imaginação. A cidade além de ser o território onde fixamos imagens que nos levam a um pedaço do passado, às vezes muito particular, um passado que nos pertence, ela é reconstruída pela imaginação em outras imagens, em outros cenários; múltiplas imagens que podem apontar ainda para um tipo de organização social, uma apropriação estratégica do espaço, a política ou a economia dominante da cidade. Existem várias hipóteses para se decifrar os enigmas das imagens urbanas, quando elas não são efêmeras imagens da publicidade, onde o enigma se desfaz no consumo. Na cidade moderna há um excesso de imagens, na maioria das vezes, imagens sem passado e sem futuro, passageiras. O mundo imaterial é mais sedutor que o mundo real, tudo se transforma em imagens. A “Pop-art” percebeu a força e a importância dada a essas imagens e fez delas as naturezas mortas da sociedade moderna, o próprio Andy Warhol fez de seu corpo uma imagem da mídia americana. O cinema também compreendeu o que significava o que significava a imagem da cidade moderna. Em “weekend” de Godard: a primeira imagem da cidade é um longo engarrafamento, o ícone do desespero de um fim de semana de uma sociedade motorizada. Em “Paris, Texas” de Win Wenders: a cidade tem uma semelhança com o deserto pela falta de intimidade. No deserto há quase uma ausência de imagens, ao contrário da cidade onde há um excesso. O personagem do filme não se identifica nem na ausência nem no excesso de imagens. “Hoje somos bombardeados por uma tal quantidade de imagens a ponto de não podermos distinguir mais a experiência direta daquilo que vimos há poucos segundos na televisão.”(8) Na civilização da imagem as faces da cidade são estilhaços de linguagens que acendem e apagam como néon. Chuvas de imagens multiplicam e diversificam sua aparência como espetáculos.

Notas:

1.                    BATAILLE, George – A Experiência Interior, Trad: Celso Libanio Coutinho, Magali Montagne e Antonio Ceschin; São Paulo, Ática SA – 1992. p 7.

2.                    CALVINO, Ítalo – Seis Propostas para o Próximo Milênio, Trad: Ivo Barroso. São Paulo; Companhia das Letras, 1990. p 104.

3.                    BENJAMIM, Walter – Diário de Moscou. Trad: Hildegard Herbold. São Paulo; Companhia das Letras, 1989.

4.                    BARTHES, Roland – Incidentes. Trad: Julho Castañon Guimarães. Rio de Janeiro; Guanabara, 1977.

5.                    BERGSON, Henri – Matéria e Memória. Trad: Paulo Neves da Silva. São Paulo; Martins Fontes, 1990. p 1

6.                    BACHELARD, Gaston – A Poética do Espaço. Trad: Antonio da Costa Leal. São Paulo e Lídia do Valle Santos Leal. São Paulo: Abril Cultural, col. Os Pensadores, 1979. p 310.

7.                    Op. cit. p. 217.

8.                    CALVINO, Ítalo – Op. cit. p. 107.


Almandrade,

É arquiteto, poeta e artista plástico

Lançamento do livro “O Lugar do Olhar – a cianotopia no ensino em artes visuais” – de joaquim jesus / port.pt

U.Porto Editorial / Universidade do Porto

23 de fevereiro, às 18h00

Fnac de Santa Catarina (Porto)

 

 

 

“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”. É com estas palavras de José Saramago em “Ensaio sobre a Cegueira” que Joaquim Jesus inicia a obra “O Lugar do Olhar. A cianotipia no ensino em artes visuais”, na qual propõe “uma reflexão crítica sobre os processos de aprender a ver” no âmbito do ensino das artes visuais. O livro, editado pela U.Porto editorial vai ser apresentado no próximo dia 23 de fevereiro, às 18h00, na Fnac de Santa Catarina, no Porto, por José Alberto Correia, diretor da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, e Catarina Martins, professora na Faculdade de Belas da U.Porto.

Considerando que os mecanismos de visão moldam a perceção daquilo que vemos e a nossa compreensão do presente, Joaquim Jesus convida-nos, neste livro, a pensar criticamente a maneira como olhamos para as coisas. O convite dirige-se particularmente aos alunos de artes visuais para os quais é essencial entender criticamente os fenómenos da visão e da perceção.

“O Lugar do Olhar” resulta de uma experiência em contexto de estágio numa escola secundária: a partir do diálogo entre uma fotografia com câmara e uma fotografia sem câmara (cianotipia) constrói-se uma alegoria que faz pensar criticamente a construção da visua­lidade do aluno e do professor no ensino em artes visuais, bem como os efeitos desta na produção de subjetividades. Para esse efeito, a Cianotipia (procedimento fotográfico monocromático que permite obter uma cópia em cor azul) enquanto instrumento concetual deste discurso, permite abordar, através de um olhar crítico sobre o ensino das artes visuais, algumas questões “permanentes” em educação.

Joaquim Jesus (1980) é licenciado em Artes Plásticas-Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e mestre em Ensino das Artes Visuais pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação e Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Expõe regularmente conta já com diversos prémios na área da pintura. Atualmente é professor de Artes Visuais no Ensino Básico e Secundário, e Investigador colaborador do I2ADS — Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

 

 

U.Porto editorial

Reitoria da Universidade do Porto

Praça Gomes Teixeira, 4099-002 PORTO

Tel.: 220 408 196  Fax: 220 408 186

URL: editorial.up.pt/

STEVE JOBS, Presidente da APPLE. Um mes antes de morrer – eua.us

No final da existência. Um mês antes de morrer.

“Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo – expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar – caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.”

“Às vezes a vida te bate com um tijolo na cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me fez continuar foi que eu amava o que eu fazia. Você precisa encontrar o que você ama. E isso vale para o seu trabalho e para seus amores. Seu trabalho irá tomar uma grande parte da sua vida e o único meio de ficar satisfeito é fazer o que você acredita ser um grande trabalho. E o único meio de se fazer um grande trabalho é amando o que você faz. Caso você ainda não tenha encontrado, continue procurando. Não pare. Do mesmo modo como todos os problemas do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer relacionamento longo, só fica melhor e melhor ao longo dos anos. Por isso, continue procurando até encontrar, não pare”
“Não tenha medo de seguir o seu coração ou sua intuição, pois eles sabem o que você pode se tornar e até onde pode chegar. Todo o resto é secundário”.
“Você não pode conectar os pontos olhando para a frente; você só pode conectar os pontos olhando para trás. Assim, você precisa acreditar que os pontos irão se conectar de alguma maneira no futuro. Você precisa acreditar em alguma coisa – na sua coragem, no seu destino, na sua vida, no karma, em qualquer coisa. Este pensamento nunca me deixou na mão, e fez toda a diferença na minha vida.”
“Seu tempo é limitado. Por isso, não perca tempo em viver a vida de outra pessoa. Não se prenda pelo dogma, que nada mais é do que viver pelos resultados das ideias de outras pessoas”
“Ninguém quer morrer. Mesmo as pessoas que querem chegar ao paraíso não querem morrer para estar lá. Mas, apesar disso, a morte é um destino de todos nós. Ninguém nunca escapou. E deve ser assim, porque a morte é provavelmente a maior invenção da vida. É o agente de transformação da vida. Ela elimina os antigos e abre caminho para os novos”

A MIDIA NÃO É INEVITÁVEL – por jorge lescano / são paulo.sp


Sim, é possível.

Livro das cinzas e do vento.

Neste fim de semana a notícia sensacional è a morte da linda cantora pop Whitney Houston aos 48 anos. Espécie de fenômeno de vendas de discos e com carreira em vários ramos do espetáculo há mais de trinta anos. A notícia é repetida com insistência em todos os canais de televisão e pela internet e eu me perguntava quem seria esta celebridade, como se diz hoje. Só ao ver um retrato da artista quando jovem é que a reconheci. De fato, eu havia visto o filme O guarda-costas dez dias antes num canal de televisão especializado em filmes “antigos”, como se costuma dizer. Para mim ela morreu com dez dias de idade, pois antes de ver o filme nunca tivera notícia de sua existência.

Parece que existe uma hierarquia criada pelos meios de comunicação que vai de ídolo à celebridade e desta ao mito. Um leitor me adverte que Whitney Houston não era uma celebridade e sim uma cantora, aí eu me perco e não sei mais como tratar o tema, pois parece que se alguém é cantor não pode ser celebridade, e/ou vice versa.

A minha ignorância do assunto se deve ao puro desinteresse por esse ramo do jornalismo e das artes do espetáculo? Não tenho certeza.

Interrogando-me sobre o assunto notei que nunca assisti o famigerado BBB, tão popular, ironizado e vilipendiado por uma fração da imprensa e alguns internautas. Contudo, precisamente por esta insistência, estou desconfiando que eu acabe sendo mais um número na estatística do IBOP do tal programa. É de domínio público a frase: Falem mal de mim, mas falem? Parece que funciona. Se eu ceder à tentação televisiva prometo comunicar isto ao gentil leitor com o intuito de ele tirar suas próprias conclusões sobre a propaganda boca a ouvido (não boca a boca, por favor!).

Não me lembro de ter lido qualquer comentário dos críticos do BBB sobre a violação de leis trabalhistas brasileiras praticada pela rede Mcdonald, ou sobre a provável relação entre celibato e pedofilia na igreja católica, ou do crime contra a educação representado pelos livros destinados a alunos da rede pública vendidos como sucata (a autoridade responsável declarou que os livros obsoletos – do ano anterior – são vendidos para ser picotados e que os atuais serão distribuídos oportunamente. Assim anda a educação: o conhecimento é descartável ano a ano.). Isto para não falar dos aparelhos médicos e ambulâncias retidas em depósitos pela burocracia.

Estes assuntos circulam pelos mesmos meios que divulgam os programas de TV. Não costumo freqüentar as mídias mais sofisticadas. Sou uma pessoa à moda antiga, que lê manchetes de jornais, ouve rádio e assiste telejornais, portanto posso estar sendo injusto com esses críticos. Ainda assim a quantidade de referencias a estes assuntos (que aqui servem apenas de exemplos, há muitos mais) são menos volumosas que às do BBB. Sobre este programa não tenho opinião contra nem a favor, antes pelo contrário, isto pela simples razão de que nunca o vi. Acho que nisto minha consciência leva vantagens sobre as dos seus críticos.

Os políticos em geral não têm tempo para se ocupar da mídia (a não ser para aparecer nela) e tratam dos seus próprios negócios (graças a Deus, se não seria o caos). No congresso fazem política partidária acusando e/ou defendendo colegas e ministros corruptos dos outros partidos (fidelidade partidária é fundamental) e batalham duramente para conseguir cargos no governo. Assim, a mídia corre solta ao gosto dos patrocinadores e da Democracia Compulsória.

A coisa não merece texto mais longo. O que pretendo dizer é que a mídia não é inevitável, isto é, pode-se viver nos grandes centros urbanos, freqüentar a internet e, no entanto, permanecer moderadamente a salvo da influência da cultura de massas (!?) e dos meios de comunicação para as mesmas massas. Reconheço a existência da mídia – o seu questionamento pressupõe este reconhecimento – mas contesto a sua prepotência que direciona e controla inclusive a opinião dos seus críticos. As drogas existem e estão ao nosso alcance, não preciso consumir ou traficar para constatar a sua realidade. Negar a mídia seria como negar a existência das estrelas.

Por falar em estrelas, quem, que não seja especialista, criança ou morador de rua se preocupa com a existência delas? Serei eu um fenômeno isolado, único?

Senhoras e senhores, respeitável público, eu vos garanto: não sou um ET!

DESENCONTROS – por olsen jr / rio negrinho.sc

 

Foi na arrumação de uma caixa que percebi o envelope, era uma carta entre duas mulheres contendo um perfil de alguém que uma delas parecia interessada, não fosse… Afirmava: “… Se você pretende ser uma pessoa nom grata na casa dele, basta fazer estas coisas, não necessariamente nesta ordem: depois de comer, limpar a boca ou as mãos no pano de enxugar pratos; utilizar o garfo com que está comendo para esgravatar uma salada ou qualquer outro à mesa; terminada a refeição, indagar se na casa não existe palitos; servir-se de uma fatia de pão e sair espalhando migalhas pela casa; esquecer o cigarro aceso no balcão do bar (o seu canto favorito depois da biblioteca) de maneira que a xepa queime e atinja a madeira”…

Fui lendo distraidamente o texto e achando curioso que alguém se desse aquele trabalho, continuo… “Mexer nas peças de barro que representam o nosso boi-de-mamão e perguntar se pode levar esta ou aquela figura de recordação; pedir um livro emprestado de sua biblioteca; no banheiro, fazer xixi e não acionar a descarga ou lavar as mãos e respingar a água num raio de10 cmao redor da pia; tentar beliscar a carne na churrasqueira antes que ela esteja assada; pedir se não dá pra gelar um pouco o vinho tinto”…

Comecei a prestar mais atenção naquele comportamento sistematizado, até porque estava constatando certa familiaridade com o que eu próprio fazia, sigo… “Fazer a seguinte observação, sem ofender, mas não dá pra por um pouco de açúcar no chimarrão; cortar o queijo com a mesma faca com que você usou para passar geléia no pão; adoçar o café com a colher do açucareiro; perguntar se “ele” já consertou o desgraçado do telhado”…

Já estava identificado com muita coisa ali, ou então era uma grande coincidência, avanço… “Indagar quando irá por uma maldita lareira naquela casa; questionar se é bom morar sozinho naquele paraíso; especular se “ele” não gosta de outro grupo musical além dos Beatles; descobrir se “ele” não tem um interesse honesto por outra coisa que não sejam os livros e a literatura; ousar conhecer os segredos do “feiticeiro”, ou seja, saber se “escrever é fácil”; confirmar o que disse o poetinha Vinicius de Moraes, se o cachorro é o melhor amigo do homem ou se o uísque é o cachorro que vem engarrafado; finalmente, você sabe que “está na hora de ir embora” quando, imitando o mais nobre sotaque ilhéu, “ele” pergunta: — “Já vais? (pronunciando como um manezinho: — “Já vásss?”.

Se este cara aí não for minha “alma gêmea” então sou eu mesmo. Não contenho o riso. A carta estava datada de 1995 com a recomendação de me ser entregue depois que sua autora estivesse viajado para os Estados Unidos… Nunca dei importância, talvez a encarregada da incumbência não me inspirasse confiança e tivesse pensado que a tal carta fosse dela… Cá entre nós, não mudaria nada, afinal a cretina tinha feito uma radiografia acurada, claro, passado tanto tempo poderia ser acrescentado outros detalhes, aliás, o detalhe é a sofisticação do método, mas ela concluiu bem na carta para a amiga “… Meu anarquismo plebeu não combina com as esquisitices de um intelectual”…

E se fosse o contrário, penso, com esta sensibilidade, a escritora poderia ser ela!

 

 

NOTAS:

 

Olá, camaradas, salve!

Com esse texto me despeço…

Vamos manter a comunicação…

Em breve retomo, de outro lugar… Assim espero…

 

http://www.youtube.com/watch?v=CKHA2AGbXtI

Essa música “You’ve Got to Hide Your Love Away”, dos Beatles integra o

álbum “Help” (1965) e também faz parte da trilha sonora do filme de igual nome…

Sempre tive um carinho especial por ela, pela sonoridade, eles eram muito musicais…

Foi a segunda música em que convidaram alguém de fora (o flautista John Scott) para participar de uma gravação…

A primeira vez foi com “Love me Do”…

A letra diz que “você deve esconder o seu amor”…

Well, não é fácil… Nem esconder “o seu” amor e tampouco partir… Ir embora…

Dói…

Dói mesmo!

Até breve in another place…

 

PAULO – de gilda kluppel / curitiba.pr

 

Entre tantas escolhas

a mais difícil

ser um educador

retirando do cotidiano

a inspiração para as letras

não apenas adicionadas

e mal coladas

sílabas quaisquer

não pertencentes a ninguém

mas, agora construídas

formam

o tijolo do pedreiro

a agulha da costureira

a farinha do padeiro

sem o beabá dos outros

daquela cartilha estranha

sem a alma do povo

de repetidas palavras mudas

distantes da realidade de cada um.

E em boa hora se soletraria:

Ci-da-da-ni-a!

Paulo

fora dos confortáveis gabinetes

sempre misturado com gente

forneceu a trilha

da esperança

povo educado

corruptos envergonhados.

Sonho…utopia?

Ensinou

de que serve a vida sem ideais.

Este era Paulo

conhecido por peregrino

de sobrenome Freire.

Portugal vive maior protesto dos últimos 30 anos / lisboa.pt

Mais de 300 mil pessoas encheram o Terreiro do Paço na maior manifestação já vista em Lisboa nos últimos 30 anos. “O FMI não manda aqui” foi a palavra de ordem ouvida durante o discurso do líder da Confederação Geral dos Trabalhadores de Portugal (CGTP), Armenio Carlos, que defendeu a renegociação da dívida porque o país precisa “que lhe tirem a corda da garganta”.

 

Segundo a CGTP, a manifestação nacional contou com 300 mil pessoas e encheu a baixa de Lisboa durante a tarde de sábado. A central sindical vai reunir o Conselho Nacional na próxima quinta-feira e decidir aí novas formas de luta, tendo em conta a mobilização desta manifestação.

No seu primeiro discurso após tomar posse como secretário-geral da Intersindical, Arménio Carlos apontou baterias ao governo da troika. “De austeridade em austeridade, os sacrifícios sucedem-se sem fim à vista, o país definha economicamente e a pobreza alastra”, declarou, acrescentando que “os pacotes sucessivos de austeridade e sacrifícios não criam riqueza. O país precisa que lhe tirem a corda da garganta”.

Para que isso aconteça, Arménio Carlos defendeu a “renegociação da dívida em prazos, montantes e juros mas também a alteração de políticas que tenham como prioridade o crescimento económico, o emprego e a salvaguarda do interesse nacional”. O líder da CGTP aproveitou para responder a Paulo Portas, que considera que a renegociação é passar uma mensagem de caloteiro para o exterior. “Caloteiro não é aquele que exige a renegociação da dívida para criar riqueza e emprego e criar condições para pagar aquilo que se deve. Caloteiro é aquele que se submete, que aceita o que lhe é imposto, sabendo de antemão que jamais em tempo algum com estas condições irá pagar aquilo que deve”, declarou o sindicalista.

Para Francisco Louçã, esta manifestação foi “um sinal de dignidade, porque o país já percebeu uma coisa: é que o governo sussurra no ouvido dos ministros alemães que ditam a sorte de Portugal, mas não ouve as razões da maioria do povo português”. “O governo e a troika dizem-nos o seguinte: mais facilidade de demissões, dias de trabalho gratuito, perdem o subsídio de natal e de férias e no fim há mais dívida e talvez um novo empréstimo para mais dívida ainda”, acrescentou o dirigente bloquista presente no “Terreiro do Povo”.

Sobre a visita da troika prevista para a próxima semana, Arménio Carlos lembrou que o acordo “é bom para eles”, referindo-se aos milhares de milhões que o país é chamado a pagar só em juros e comissões, ao dinheiro posto à disposição da banca e aos favores feitos ao patronato, aos acionistas das empresas privatizadas e aos detentores das cadeias de distribuição. Para o líder da CGTP, “o povo português está a encher o Terreiro do Paço e a dizer ao Governo e às entidades patronais que aqui não há rendição”.

No início do discurso, Arménio Carlos referiu-se às lutas dos trabalhadores gregos, “um povo que já marcou a história pela sua heroicidade, que não abdica de lutar por aquilo que tem direito” e aos trabalhadores espanhóis, que “anunciaram uma jornada de luta para contestar as medidas que o Governo anunciou para, tal como aqui, embaratecer os despedimentos”.

 

esquerda.net

Veja os cinco maiores arrependimentos daqueles que estão para morrer / londres.en

09/02/2012 – 12h19

DE SÃO PAULO

Uma enfermeira que aconselhou muitas pessoas em seus últimos dias de vida escreveu um livro com os cinco arrependimentos mais comuns das pessoas antes de morrer.

Bronnie Ware é um enfermeira que passou muitos anos trabalhando com cuidados paliativos, cuidando de pacientes em seus últimos três meses de vida. Ela conta que os pacientes ganharam uma clareza de pensamento incrível no fim de suas vidas e que podemos aprender muito desta sabedoria.

“Quando questionados sobre desejos e arrependimentos, alguns temas comuns surgiam repetidamente”, disse Bronnie ao jornal britânico “The Guardian”.

Confira a lista e os comentários da enfermeira:

1. Eu gostaria de ter tido a coragem de viver a vida que eu quisesse, não a vida que os outros esperavam que eu vivesse

“Esse foi o arrependimento mais comum. Quando as pessoas percebem que a vida delas está quase no fim e olham para trás, é fácil ver quantos sonhos não foram realizados. A maioria das pessoas não realizou nem metade dos seus sonhos e têm de morrer sabendo que isso aconteceu por causa de decisões que tomaram, ou não tomaram. A saúde traz uma liberdade que poucos conseguem perceber, até que eles não a têm mais.”

2. Eu gostaria de não ter trabalhado tanto

“Eu ouvi isso de todo paciente masculino que eu trabalhei. Eles sentiam falta de ter vivido mais a juventude dos filhos e a companhia de seus parceiros. As mulheres também falaram desse arrependimento, mas como a maioria era de uma geração mais antiga, muitas não tiveram uma carreira. Todos os homens com quem eu conversei se arrependeram de passar tanto tempo de suas vidas no ambiente de trabalho.”

3. Eu queria ter tido a coragem de expressar meus sentimentos

“Muitas pessoas suprimiram seus sentimentos para ficar em paz com os outros. Como resultado, ele se acomodaram em uma existência medíocre e nunca se tornaram quem eles realmente eram capazes de ser. Muitos desenvolveram doenças relacionadas à amargura e resentimento que eles carregavam.”

4. Eu gostaria de ter ficado em contato com os meus amigos

“Frequentemente eles não percebiam as vantagens de ter velhos amigos até eles chegarem em suas últimas semanas de vida e não era sempre possível rastrear essas pessoas. Muitos ficaram tão envolvidos em suas próprias vidas que eles deixaram amizades de ouro se perderem ao longo dos anos. Tiveram muito arrependimentos profundos sobre não ter dedicado tempo e esforço às amizades. Todo mundo sente falta dos amigos quando está morrendo.”

5. Eu gostaria de ter me permitido ser mais feliz

“Esse é um arrependimento surpreendentemente comum. Muitos só percebem isso no fim da vida que a felicidade é uma escolha. As pessoas ficam presas em antigos hábitos e padrões. O famoso ‘conforto’ com as coisas que são familiares O medo da mudança fez com que ele fingissem para os outros e para si mesmos que eles estavam contentes quando, no fundo, eles ansiavam por rir de verdade e aproveitar as coisas bobas em suas vidas de novo.”

“PRESIDENTA” é o CORRETO ! – por joão eduardo fayad

o leitor JOÃO EDUARDO FAYAD postou o seguinte texto no link “Presidente ou Presidenta?”

O correto é presidentA, conforme define a lei abaixo:

LEI Nº 2.749, DE 2 DE ABRIL DE 1956

Dá norma ao gênero dos nomes designativos das funções públicas

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , faço saber que o CONGRESSO NACIONAL decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art 1º Será invariavelmente observada a seguinte norma no emprego oficial de nome designativo de cargo público:

“O gênero gramatical desse nome, em seu natural acolhimento ao sexo do funcionário a quem se refira, tem que obedecer aos tradicionais preceitos pertinentes ao assunto e consagrados na lexeologia do idioma. Devem portanto, acompanhá-lo neste particular, se forem genericamente variáveis, assumindo, conforme o caso, eleição masculina ou feminina, quaisquer adjetivos ou expressões pronominais sintaticamente relacionadas com o dito nome”.

Art 2º A regra acima exposta destina-se por natureza as repartições da União Federal, sendo extensiva às autarquias e a todo serviço cuja manutenção dependa, totalmente ou em parte, do Tesouro Nacional.

Art 3º Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 2 de abril de 1956; 135º da Independência e 68º da República.
JUSCELINO KUBITSCHEK
Nereu Ramos

UM DIA DE O. HENRY – por olsen jr / rio negrinho.sc

 

(para Júlio de Queiroz)

 

 

 

O escritor norte-americano William Sidney Porter, conhecido como O. Henry foi o criador de tipos e de uma técnica narrativa que durante muito tempo cativou leitores em todo o mundo. Até hoje uma das láureas mais cobiçadas nos EUA para quem escreve ficção é o Prêmio O. Henry. Bom observador, imaginação fértil, conseguiu, com fluência, captar o romantismo, a mesquinhez e o que move a gente simples, da ambição ao altruísmo, enfim, o que faz a grandeza e a pequenez dos seres humanos. Daí a empatia com os leitores fascinados, invariavelmente, com os desfechos inesperados e engenhosos de suas histórias.

No conto “O Guarda e o Hino”, por exemplo, o personagem, um mendigo diante do inverno rigoroso que se avizinhaem Nova York, decide cometer algum delito para ser enviado a uma prisão (que ele chama de “A Ilha”) por três meses. Preso, teria um lugar para ficar: teto, cama, banho e comida. Enfim, tudo sem precisar humilhar-se com as instituições de caridade. Decisão tomada começa apedrejando uma vitrine e esperando ser preso. O guarda não acredita que ele tenha feito aquilo e persegue outra pessoa que está correndo nas proximidades para pegar um ônibus; depois ele decide jantar em um restaurante e sair sem pagar a conta, os seguranças do lugar limitam-se a jogá-lo na calçada; tenta assediar uma mulher que finge contemplar algo exposto em uma loja, a mulher topa o convite e o policial não pode fazer nada; mais tarde, furta um guarda-chuvas (de alguém que já o tinha encontrado em outro local) e acredita que ele seja o legítimo dono, e nada acontece… Depois de tentar outros expedientes do gênero, passando por uma igreja, ouve um hino que lembra sua infância. Emociona-se com os acordes, percebe que teve uma família, amigos e ainda tem tempo de mudar a vida que leva. Empolga-se e decide recomeçar… Quando sente os braços de um policial que indaga sobre o que ele está fazendo? – Afirma “nada”, então é preso por vadiagem e enviado a tal “Ilha” (prisão) que tanto ambicionara antes…

Ironias à parte leio que o cidadão Marcelino Alves, 21 anos, pouco mais que um adolescente, simula um furto para ser preso e comer um cachorro quente, a primeira refeição decente depois de 15 dias, descontando o que comia catando no lixo… Aconteceu em Florianópolis, mais de 100 anos depois da narrativa escrita por O. Henry.

Que País é este que um cidadão deve sonhar com um presídio para dispor de um teto, uma cama, um prato de comida e um banho no final de um dia duro a procura de um trabalho que lhe subsidie este pesadelo?

O sujeito toma alguns goles de cana pra criar coragem, mas na “hora H” a moral fala mais forte e ele pensa “podia”, mas não vou “roubar nada”, gostaria que me prendessem para ter o que preciso: cama, comida e banho… Claro, enfatiza, gostaria de trabalhar…

Muitas pessoas me perguntam se “escrever é difícil?”, pô! Diante desta realidade toda a ficção é supérflua. Este País (basta ficar uma semana fora para saber) me traz idéias de esperança e sentimentos de desprezo, quando a arte recria a vida, eu sonho… Mas quando a vida imita a arte naquilo que denuncia, dá vontade de sair por aí, arregimentando homens de boa vontade para começar logo a revolução, tão prometida, tão esperada e que nunca acontece!

 

NOTAS:

A música poderia ser esta, depende de cada um…

“He Ain’t Heavy, He’s My Brother”, do “The Hollies”… (video no final)

A banda britânica formada no início dos anos de 1960. O nome foi uma homenagem ao compositor e cantor americano Buddy Holly…

Composta pelos amigos de infância Allan Clarke (vocalista), Grahan Nash (posteriormente membro do grupo “Crosby, Stills and Nash” que também já foi “Crosby, Stills, Nash and Young”), Don Rothbene (bateria), Eric Haydock (baixo), Vic Steele (guitarra solo) que foi logo substituído por Tony Hicks…

Contratados pela Palophone em 1963 foram coletas dos Beatles na mesma gravadora e durante muito tempo o grupo de maior sucesso depois dos Beatles na Grão-Bretanha…

Tinham um impecável trabalho vocal (duplos e triplos)… Emplacaram vários sucessos, entre eles: “Bus Stop”, “Sorry Suzanne”, “Stop in the Name of Love” e naturalmente, a indefectível “He Ain’t Heavy, He’s My Brother”…

Em 2010 entraram para o Hall da Fama do Rock and Roll…

http://www.youtube.com/watch?v=C1KtScrqtbc

 

 

MENINO E DEUS – por jorge lescano / são paulo.sp

O menino estava sentado no centro da nave do templo, mantinha os olhos fechados. O local vazio lhe dava um ar solene. O silêncio em volta aumentava a sensação de concentração do rosto moreno. Estava absolutamente imóvel, na penumbra poderia ser confundido com algum dos ídolos que se espalhavam pelo altar, ladeando o corpo esquálido e ensangüentado da figura principal.

Pelo silêncio e imobilidade poderia se acreditar que estava ali por não ter para onde ir. As roupas modestas e a trouxinha ao seu lado, os sapatos gastos, sugeriam que poderia ser um retirante, um dos tantos que nesses dias percorriam os campos e as estradas fugindo da violência das cidades devastadas, saqueadas, bombardeadas. As mãos juntas descansavam sobre as coxas.

Um grupo de pessoas entrou ocupando os bancos com murmúrios e cochichos. Desse grupo surgiu um rapaz que foi direto para o menino que deve ter sentido a sua presença, mas não abriu os olhos.

— O que você faz aqui? Este não é lugar para bandidos.

— Estou rezando – respondeu sem olhá-lo.

— Aqui? Você é um infiel!

— O templo estava vazio e eu precisava orar.

— Mas você é um infiel!

— Deus é um só, clemente e misericordioso e está em todo lugar – salmodiou o menino. – Por que não atenderia as prezes de um muçulmano na casa dos cristãos?

PELA BOLA SETE – por plinio marcos* / são paulo.sp

O Bereco era do devagar. Não queria nada com o batente. Seu negócio era sinuca. E nisso ele era cobra. De taco na mão, fazia embaixada. Conhecia os trambiques do jogo e sabia como entrutar o parceiro. Então, estava sempre com a bufunfa em cima. Sabe como é o lance. Sempre tem um panaca pra desconhecer o nome do mandarim. E o Bereco ajudava. Se vestia como um Zé Mané qualquer. Neca de beca legal. Isso espanta o loque. O babado era se fazer de besta. Tirar onda de operário trouxa, desses que dão um duro do cacete de sol a sol, se forram de prato feito e na folga vão fazer marola em boteco. Daí, sempre tem um malandrinho pra tomar os pixulés do otário. Se fazer passar por coió era o grande trambique do Bereco. Com essas e outras, ele engrupia até muito vagau escolado. Até no Bar Seleto de São Vicente, ponto certo dos grandes tacos do mundo, o Bereco deu esse deschavo. E grudou. Pensaram que ele era pão-ganho e ele tomou o sonante dos pinta. E assim o Bereco ia remando seu barco em maré mansa. Só ganhando. Um pato atrás do outro era depenado. Sem dó. Que, nas paqueras da vida, é cada um pra si. Até que um dia aconteceu um esquinapo.

Era fim de mês. Dia de pagamento da Refinaria de Petróleo. O Bereco, que estava por dentro, se picou pro Cubatão. Se plantou num salão dos bordejos da refinaria e ficou na moita. Logo foi baixando a freguesia. Tudo de capacete de lata. A patota estava contentona, de envelope no chorro. E o Bereco só espiando o lance. De vez em quando, tirava um paco de nota pra pagar uma Coca-Cola. Era a milonga. Logo, um capacete de lata mais afobado se assanhou com o dinheiro do majura. Sentiu a muquinha pega e quis tomar. Mediu o Bereco e foi no chaveco do pinta. O capacete de lata tinha um joguinho enganador. Desses que funcionam em mesa de sindicato. Mas levou fé em si e nenhuma no Bereco. Encarnou no moço:

— Como é, parceiro? Quer fazer um joguinho?
O Bereco não deu pala:
— Não jogo nada.
O capacete de lata cercou:
— A leite de pato.
O Bereco deixou andar:
— Se é brinquedo, vamos lá.

E começou o jogo. O Bereco sentiu o parceiro e tirou de letra. O capacete não sabia nada. O Bereco deu o engano. Os primeiros dez mirréis, os segundos e os terceiros, o Bereco empurrou pro trouxa. E se fez de bronqueado. Partiu pros vinte, pros cinqüenta e pros cem mil. O capacete de lata estava se deitando. Era seu bilhete premiado. Com o dinheiro que ganhou do Bereco e o seu ordenado, já tinha um milheiro no porão. Daí, o Bereco selou:

— Ou tudo ou nada.
O capacete de lata nem balançou:
— Um milhão na caçapa.

Todo mundo de botuca ligada na mesa. O capacete de lata saiu pela cinco. Errou. O Bereco se tocou que o xereta estava nervoso. Teve que maneirar. Cozinhar o galo. Senão, ia ficar escrachado o perereco. Errou na cinco, que estava cai, não cai. E o joguinho ficou de duas muquiranas. Só na bola da mesa. O Bereco não embocava. Só colhia as mancadas do capacete de lata. Se o bruto metia uma três, o Bereco fingia que era sem querer e deixava uma sinuca de bico pro inimigo. E na catimba do Bereco e no virador do capacete de lata, o jogo foi comprido paca. Os sapos nem chiavam. Seguravam as pontas. Era tudo torcedor do capacete de lata. Trabalhadores da refinaria. Mas o Bereco nem estava aí. Já contava com o dinheiro da caçapa. Aí chegaram na bola sete. Só a sete estava na mesa. E o jogo estava por ela. O Bereco, folgado, muito à vontade, encostou a negra na parede. O capacete de lata tremia, suava. Estava com o motor batendo acelerado. Fez mira. Começou a pensar que tinha quatro filhos no seu chatô, aluguel de casa, rango, escola, remédio e os cambaus. Pensou no que ia dizer pra mulher. Com a cabeça cheia de minhocas, deu na cara da bola. Uma chapada. A negra rolou pra um lado, a branca, pra outro. O capacete de lata sentiu um alívio. Pelo menos acertou na bola. Mas o recreio durou pouco. Quando as bolas pararam, a sete estava na boca da botija. Pedindo pra cair. E a branca, no meio da mesa. Ninguém, por mais cego que fosse, errava aquela bola. O Bereco sorriu. Deu a volta na mesa devagar. Bem devagarinho. Enrustido, sem dar bandeira, ia gozando as fuças dos otários. O capacete de lata só faltava abrir o bué. Deu a volta e ficou atrás da caçapa em que a bola ia cair. O Bereco deu uma dica de leve:

— Vai secar?

O capacete de lata quis falar, mas não deu. Se engasgou. O Bereco não se flagrou no olhar do panaca. Se tivesse visto as bolas de sangue nas botucas do capacete de lata, ia ficar cabreiro. Não viu e fez a presepada. Passou giz no taco, com calma. Se ajeitou na mesa, com calma. Aí, levantou a mira. Viu a bola branca, a sete, a caçapa, atrás da caçapa um revólver quarenta e cinco e, atrás do revólver, o capacete de lata. O Bereco quis saber:

— Que é isso, meu compadre?
O capacete de lata espumou, babou e resmungou:
— Se meter essa bola, eu te mato.

O Bereco viu logo que era jura. Se fechou em copas. Deu na bola de esguelha, o taco espirrou. Raspou na sete e as duas ficaram na berba da caçapa. Coladas. O Bereco fingiu que não havia nada. Deu a treta:

— Ficou pra você, compadre.

O capacete de lata guardou o revólver, a raiva e tudo. Foi de cabeça. Deu no taco e bimba. A branca e a negra mergulharam juntas. O Bereco ficou só olhando. As lágrimas correram dos olhos do capacete de lata. Estava tão por baixo que não dava pra pegar a arma e aprontar o salseiro. Só deu um lamento:

— Tenho quatro bacuris.

O Bereco fez que não escutou. Recolheu a grana e saiu de fininho. O capacete de lata saiu logo atrás. Ninguém se mexeu. Passou um tempo e veio o estouro. Meio mundo foi ver as rebarbas. No meio da rua, o capacete de lata estava estarrado. Tinha o revólver na mão e uma bala na orelha. Se acabou. O Bereco só teve pena de nunca mais poder dar grupo em trouxa do Cubatão. Perdeu um grande pesqueiro.

PLINIO MARCOS faleceu em 19 de novembro de 1999.

BEN GAZZARA: CRÔNICA DE UM AMOR LOUCO / los angeles.eua

UM clique no centro do vídeo:

O poeta JAIRO PEREIRA entrevista o poeta ANTONIO THADEU WOJCIECHOWSKI / curitiba.pr

Poeta, compositor, professor e publicitário. Nascido em Curitiba em 24 de dezembro de 1950. Tem como filosofia de vida a seguinte máxima: tudo ao mesmo tempo agora já neste momento inclusive antes e depois. Boêmio e extremamente curioso com tudo que se refere a relações humanas. Livros de cabeceira: EU, do Augusto dos Anjos e Tao, o Livro, de Lao Tsé.

o poeta J B VIDAL e THADEU em Sambaqui, Floripa. foto do poeta VINÍCIUS ALVES.

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1.       Transitando por tantas linguagens o poeta é, ou pode tornar-se demiurgo?

É porque pode. O poeta tem uma certa tendência doentia (sic) a assenhorar-se do universo como espelho de si e de sua própria criação. Mas transitar entre inteligências e artes diversas é  um privilégio e pode dar a ele a capacidade de antecipação, de estar antes e poder contar. Pound o designa como antena da raça, mas atingir este estado não é pra qualquer um. A maioria se perde nos processos de racionalização e materialização do mundo.

2.       O poeta Thadeu, faz sua própria poesia, escreve a muitas mãos, traduz e se comunica com o mundo. A vida poética te exige muito?

Acho tudo muito divertido, escrever a sós ou a N mãos é a mesma coisa. As lâmpadas vão se acendendo, as idéias se multiplicando e a técnica entrando em ação. O mundo está cheio de mestres e mestres não dizem, mas mostram caminhos que vc pode trilhar para procurar.

Quando estou com o violão na mão ou quando um parceiro ao lado está, conversar é criar, compor, transgredir. A vida é movimento e é  certo que ela, viva, revela perfis inéditos através do trivial, do picaresco, do cotidiano, do fútil.

3.       Na tua visão pra onde caminha a poesia brasileira contemporânea?

Acho que para a apropriação de tudo, a perda da propriedade intelectual, fazer uso de algo existente para criar um diferente,  novo, todos os signos se inter-relacionando. As possibilidades já são quase infinitas, mas há um perigo em tudo isso: OS VENDILHÕES DO TEMPLO ESTÃO SEMPRE DE PLANTÃO. Não dá pra simplesmente eliminar a figura do mestre, daquele que veio antes. Pelo contrário, sua técnica, sua forma de arte, sua expressão, devem ser canibalizadas, deglutidas, incorporadas e só depois pode-se pensar em superação.

4.       O Tao, seria o caminho… no teu caminho Faustos vendem a alma ao diabo?

Eu traduzi as duas obras junto com o Roberto Prado, Alberto Centurião, Marcos Prado, Sérgio Viralobos. O TAO levou 14 anos pra ficar pronto, UM FAUSTO DOIS, 3 anos. Não sei se vendi a alma ao diabo ou se só a emprestei durante aquele período. Sei que caminhar dentro dessas duas obras deu a mim e à minha pena um apuramento da técnica e da musicalidade que eu considero essencial para conseguir fazer o que faço hoje em dia.

5.       Você nunca foi um poeta bem comportado, mas é um aglutinador de mentes privilegiadas, já se indispôs com muita gente?

Eu não tenho muita noção do que é ser bem comportado, eu sou feliz e vivo intensamente. Minha casa tem as portas abertas à criatividade e  à alegria. O pessoal vem pra cá porque é divertido, todos se sentem vivos e atuantes, participantes dessa maravilhosa aventura que é estar sobre o planeta Terra. A gente tem uns arranca-rabos de vez em quando, mas isso não é nada. Só expulsei um até hoje, era um poetinha, exatamente do tamanho do nada.

6.       Tua obra (vasta) traz o clássico (nas formas e conteúdos), o moderno, pós, transcontemporâneo e a construção despojada. O poema é Senhor do seu próprio destino?

Sim, mas só até eu enfiar a mão na cara dele, depois somos amparados um pelo outro. A diferença está na projeção de tempo que cada um faz.

7.        Até que ponto o poeta Thadeu W é o gestor majoritário dos signos da composição, seja na poesia ou na poesia/letra de MPB?

Não penso assim, como um cálculo a ser feito para se decidir o percentual de cada parceiro. Muitas vezes, assino um poema com mais meia dúzia, mas é só porque eles estavam lá e indiretamente participaram daquela energia criadora. Pra mim, estar de bem com a vida, me divertindo com os amigos, cantando até altas horas, ou simplesmente sentado no meu escritório escrevendo, é o que conta. E dividir com eles a autoria é um prazer enorme e justo.

8.       Música e poesia, na sua vida de poeta, convivem de que maneira?

Em tempo integral e inseparáveis. Fico o dia inteiro pensando versos e melodias. Criando, repetindo, analisando, consultando, lendo, relendo. Está cada vez mais difícil de trabalhar com propaganda, parece que estou em outro mundo. Queria chegar ao ponto de não precisar pensar em mais nada além da poesia e da música.

9.       O que mudou,  ao seu ver, com o advento da internet nas linguagens poéticas, e na sua particularmente?

Acho que nada, mas a exposição é muito maior e vc pode ter um feedback instantâneo sobre o que está fazendo. Em época nenhuma se veiculou tanta poesia, TVs, rádios tocando o dia inteiro, jornais, revistas, as mídias da internet etc. Não se fala aqui de qualidade e, sim, de quantidade. Mas o acesso leva inevitavelmente a um novo patamar de qualidade. Fazer arte é como treinar karatê, vc tem o estágio da faixa branca, amarela, laranja, alguns, infelizmente poucos, um belo dia, chegam à preta.

10.   É possível a poesia advir somente da linguagem, sem o sentir propriamente do poeta no social?

Pra mim, não. É como querer separar corpo e alma, mas tem muito poeta fazendo joguinhos de palavras, tipo monta-desmonta de terapia ocupacional, que pensa o contrário. Eu quero uma arte tão rica de imaginação, mas tão rica, que a realidade não possa mais interferir. E imaginar é criar a partir de mim, de tudo que sou,  vivo,  sei e sinto.

11.   O livro impresso, a palavra manchando a página branca, terá algum futuro… diante dos sistemas e meios eletrônicos, o e-book, blogs, facebook?

Bom, acho que o prazer táctil que um livro em sua forma impressa

me proporciona é insubstituível. Isso nunca vai acabar. Adoro livros, mas transito em outras mídias com a mesma desenvoltura. Tenho milhares de fãs que me conhecem somente através da internet, com os blogs, facebook, twitter, site, entre outros. Uma coisa não anula outra. O Tavinho Paz acaba de fazer um e-book com meus poemas e fotos. O lançamento vai ser no Rio. Veja só: ele pegou matéria da Internet e fez. O livro é meu, mas é dele também.

12.   Quantas gerações você já perdeu como poeta, ou elas podem ainda ser resgatadas no turbilhão dos signos estéreis?

Eu não perdi nada, eu encontrei muita coisa boa. Amigos excepcionalmente criativos, bons de conversa, melhor ainda de versos. Augusto dos Anjos, por exemplo, está quase sempre presente. Cruz e Sousa, Dante, Shakespeare, Rimbaud, Baudelaire, Maiakovski, Emily, Poe, Yeats, Bashô, Issa, Adam, Kliébnikov, Marcos Prado, Leminski, Machado, Dalton, Nelson Rodrigues, Noel Rosa, Nelson Cavaquinho, enfim, a companhia é grande. Tem sempre algo novo no antigo. Tem sempre algo antigo no novo. Muita gente acha que essas quinquilharias tecnológicas (espelhinhos pra enganar índio) são o novo. Vivem iludidos na matéria, trocando sua eternidade por produtinhos e artiguinhos de grifes, nem desconfiam que a novidade é uma impossibilidade matemática.

E pra terminar:

poeminha no cu da madrugada

tec

tec
tec
etc…

antonio thadeu wojciechowski

TRIBUNAL DE JUSTIÇA de Brasilia gasta com pessoal 5 vezes mais que Supremo

Corte mais cara do País, TJ-DF gasta com pessoal 5 vezes mais que Supremo

Folha de pagamento será de R$ 1,4 bi neste ano; contracheque supera R$ 400 mi no caso de um desembargador

A folha de pagamento do tribunal estadual mais caro do País vai custar R$ 1,4 bilhão aos cofres públicos este ano. Custeado pela União, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJ-DF) vai gastar cinco vezes mais que o Supremo Tribunal Federal (STF)com a folha de pagamento e o dobro das despesas do Superior Tribunal de Justiça (STJ) com pessoal. Essas cortes também são custeados pelo Orçamento da União.

Veja também:
link TCU já julgou indevidos salários e acúmulo de cargos de servidores

Assim como nos tribunais de Justiça de São Paulo e do Rio de Janeiro, a folha de subsídios da corte do DF (o mais caro entre todos os estaduais) é engordada com as chamadas “vantagens eventuais”. Em dezembro passado, os cofres federais pagaram salários milionários aos magistrados e servidores do tribunal na capital federal.

Naquele mês, um dos desembargadores recebeu de uma só vez R$ 370,3 mil em benefícios, que, incorporados ao salário de R$ 24,1 mil, garantiram ao magistrado um total de R$ 401,3 mil. No mesmo mês, um juiz substituto ganhou R$ 240,5 mil só em vantagens.

O relatório de pagamentos, publicado em cumprimento à Resolução 102 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostra que os benefícios não são exclusividade dos magistrados.

Um analista judiciário, cujo salário é de R$ 11 mil, recebeu R$ 205 mil em vantagens. Também em dezembro, um técnico ganhou R$ 145,9 mil, ou seja, 22 vezes mais do que o salário que recebe mensalmente pelo cargo que ocupa – R$ 6,5 mil.

Na soma de exemplos como esses, a folha atingiu R$ 205 milhões, sendo mais da metade – R$ 132 milhões – só com as vantagens. O valor retido pelo teto foi de R$ 160 mil.

Alana Rizzo, de O Estado de S. Paulo

VITÓRIA da MINISTRA ELIANA CALMON e do POVO BRASILEIRO !

BRDE convida para SHOW RURAL / curitiba

LULA É LAUREADO COM O ‘FOUR FREEDOMS AWARD’

O ex-presidente brasileiro Luís Inácio Lula da Silva será laureado este ano com o ‘International Four Freedoms Award’. Lula receberá o prêmio por sua luta de anos contra as desigualdades sociais e econômicas no Brasil. A notícia foi divulgada nesta quarta-feira na Holanda pela Fundação Roosevelt.
A fundação afirma que a luta implacável de Lula contra a pobreza no Brasil continua a ser fonte de inspiração para povos e líderes mundiais.
Outros premiados pela Fundação Roosevelt em 2012 são o canal de televisão Al Jazeera, que receberá o Freedom of Speech and Expression Award por seu compromisso com a liberdade de imprensa; sua santidade Arcebispo Bratholomeu I, da Igreja Católica Ortodoxa Hispânica, laureado com o Freedom of Worship Award por sua dedicação à liberdade e conciliação religiosa; a indiana Ela Ramesh Bhatt, indicada para o Freedom of Want Award por seu trabalho contra a opressão das mulheres na Índia; e Hussain Al-Shahristani, ministro da energia do Iraque, que por seus esforços pela democracia em seu país receberá o Freedom from Fear Award.
A entrega do prêmio a Lula e aos outros homenageados acontecerá no dia 12 de maio na Nieuwe Kerk, na cidade de Middelburg, na Holanda.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Lula’s rise from abject poverty to the Presidency of Brazil, and his determination to rid Brazil of the extreme poverty and social injustice that for too long has plagued the less fortunate of his countrymen, has been an inspiration to the world community.

Leia mais em: O Esquerdopata: Lula é laureado com o ‘Four Freedoms Award’
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STF: Veja como votaram os ministros do Supremo sobre autonomia do CNJ / brasilia.br

Ação contestava competência do órgão de investigar e punir magistrados.
Seis ministros foram contrários a limitar poder do CNJ e cinco, favoráveis.

Do G1, em Brasília

Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (2) manter os poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para abrir investigações sobre magistrados independentemente das corregedorias estaduais.

Em dezembro, o relator do processo, ministro Marco Aurélio Mello, decidiu provisoriamente limitar a autonomia do conselho. O plenário do tribunal, porém, reverteu a decisão. Veja abaixo como votou cada ministro considerando a ordem de votação.

Ministro Marco Aurélio Mello STF (Foto: Carlos Humberto/SCO/STF)(Foto: Carlos
Humberto / STF)

Marco Aurélio Mello, relator
Votou a favor de limitar os poderes do CNJ
“A Constituição não autoriza o Conselho Nacional de Justiça a suprimir a independência dos tribunais. (…) Como tenho enfatizado à exaustão, o fim a ser alcançado não pode justificar o meio empregado, ou seja, a punição dos magistrados que cometem desvios de conduta não pode justificar o abandono do princípio da legalidade.”


Ministro Ricardo Lewandowski STF (Foto: Nelson Jr./SCO/STF)(Foto: Nelson Jr. / STF)

Ricardo Lewandowski
Votou a favor de limitar os poderes do CNJ
“O CNJ embora tenha recebido essa competência complementar […] não pode exercê-la de forma imotivada, visto que colidira com princípios e garantias que os constituintes originários instituíram não em prol apenas dos magistrados, mas de todos os brasileiros.”


Ministro Joaquim Barbosa STF (Foto: Nelson Jr./SCO/STF)(Foto: Nelson Jr. / STF

Joaquim Barbosa
Votou contra limitar os poderes do CNJ
“Quando as decisões do conselho passaram a expor situações escabrosas no seio do Poder Judiciário Nacional vem essa insurgência súbita, essa reação corporativista contra um órgão que vem produzindo resultados importantíssimos no sentido da correição de mazelas no nosso sistema de Justiça.”


Ministra Rosa Weber STF (Foto: Felipe Sampaio/SCO/STF)(Foto: Felipe Sampaio
/ STF)

Rosa Weber
Votou contra limitar os poderes do CNJ
“Entendo que a atuação do CNJ independe de motivação expressa, sob pena de retirar a própria finalidade do controle que a ele foi conferido.”

 


Ministro Luiz Fux STF (Foto: Carlos Humberto/SCO/STF)(Foto: Carlos
Humberto / STF)

Luiz Fux
Votou a favor de limitar os poderes do CNJ
“É possível o Conselho Nacional de Justiça ter competência primária e originária todas as vezes que se coloca uma situação anômala a seu ver.”

 


Ministro Dias Toffoli STF (Foto: Carlos Humberto/SCO/STF)(Foto: Carlos
Humberto / STF)

Dias Toffoli
Votou contra limitar os poderes do CNJ
“As competências do conselho acabam por convergir com as competências dos tribunais. Mas é certo que os tribunais possuem autonomia, não estamos aqui retirando a autonomia dos tribunais.

 


Ministra Cármen Lúcia STF (Foto: Carlos Humberto/SCO/STF)(Foto: Carlos
Humberto / STF)

Cármen Lúcia
Votou contra limitar os poderes dos CNJ
“A competência constitucionalmente estabelecida é primária e se exerce concorrentemente de forma até a respeitar a atuação das corregedorias.”

 


Ministro Ayres Britto STF (Foto: Carlos Humberto/SCO/STF)(Foto: Carlos
Humberto / STF)

Carlos Ayres Britto
Votou contra limitar os poderes do CNJ
“O CNJ não pode ser visto como um problema. […] O CNJ é uma solução, é para o bem do Judiciário.”

 


Ministro Gilmar Mendes STF (Foto: Nelson Jr./SCO/STF)(Foto: Nelson Jr. /
STF)

Gilmar Mendes
Votou contra limitar os poderes do CNJ
“Isso é um esvaziamento brutal da função do Conselho Nacional de Justiça. […] Até as pedras sabem que as corregedorias não funcionam quando se trata de investigar os próprios pares.”

 


Ministro Celso de Mello STF (Foto: Carlos Humberto/SCO/STF)(Foto: Carlos
Humberto / STF)

Celso de Mello
Votou a favor de limitar os poderes do CNJ
“Se os tribunais falharem, cabe assim, então, ao conselho investigar. Não cabe ao conselho dar resposta para cada angústia tópica que mora em cada processo.”

 


Ministro Cezar Peluso STF (Foto: Nelson Jr./SCO/STF)(Foto: Nelson Jr. /
STF)

Cezar Peluso
Votou a favor de limitar os poderes do CNJ
“Eu não tenho nenhuma restrição em reconhecer que o CNJ tem competência primária para investigar, mas tampouco não tenho nenhuma restrição a uma solução que diga o seguinte: Quando o CNJ o fizer dê a razão pela qual está prejudicando a competência do tribunal.”

Do G1, em Brasília

OS EMPEDERNIDOS DE AMANHÃ – por olsen jr / ilha de santa catarina

 

Havia um par de chinelos na entrada do restaurante, no primeiro degrau da escada que dava para a calçada. Era de uma criança. Os dois pés deveriam estar alinhados no lado direito da porta, não fosse alguém ter chutado o esquerdo,
sem o perceber, quando entrou. Era um calçado de material sintético e não destes comuns, de tiras que quase todo o mundo na região usava. Faço aquelas observações mentalmente enquanto cumprimento o garçom, acreditando no inusitado daquela atitude: típica da população interiorana. É o que me ensinaram na década de 1950, quando era guriem Chapecó. Todasàs vezes que ia visitar alguém, num gesto instintivo (de uma educação que lhe era anterior) tirava os sapatos e os deixava na porta de entrada.

Entro e vejo o relógio na parede dos fundos marcando 21h50min, estranho penso, alguém ter esquecido aqueles chinelos lá. Quando me aproximo do balcão, quase não dou por elas, duas crianças com menos de nove anos de idade, tendo nas mãos o que parecia ser estas embalagens de isopor onde se leva o que os comensais não conseguiram degustar em uma refeição, ou eles próprios pedem para levar para comer em outra hora.

Ao ver os dois pequenos ali em frente faço logo a advertência de que não deveriam deixar os calçados por aí, que alguém poderia levar, e um deles arregala os olhos e tive a sensação de que uma vida inteira lhe passou pela cabeça antes de certificar-se de que estava falando dos “seus” chinelos e sair em disparada, driblando os garçons entre as mesas, não sem antes agradecer o que viera fazer ali e ser secundado pelo outro garoto que repetiu o gesto, do agradecimento e da desabalada correria ali dentro.

Pergunto para um garçom se eles queriam comida. — “Não sei” – respondeu… Indago para outro sobre o que “eles” pretendiam. — “Quem?” Devolve-me a indagação dando a entender que não tinha visto nada… Hei! Interpelo um terceiro, o que as crianças estavam fazendo aqui sozinhas há esta hora? — “Estava atendendo uma das mesas, não prestei atenção nelas “…

Vou para o balcão, enquanto aguardo, fico imaginando o quanto estamos ensimesmados com nós mesmos. Duas crianças entram num restaurante lotado e ninguém dá por elas. Estavam ali sozinhas, aparentemente sem nenhum responsável… Sou interrompido pelo barman que me pede “vai o de sempre?”, aceno com a cabeça e resolvo fazer mais uma tentativa para saber o que os dois pequenos queriam ali àquela hora… “Estavam vendendo alho” , responde-me o caixa que os havia atendido, erguendo à altura da cabeça, uma bela réstia contendo várias cabeças daquele tempero. Antes que fizesse algum comentário, ele próprio acrescentou  (ainda com a amostra do que tinha adquirido nas mãos) “onde já se viu, duas crianças trabalhando a esta hora”… “E nem é o trabalho, mas eram duas crianças”, ratifica “vai ver que os pais estão por aí, em algum bar, esperando elas chegarem com algum dinheiro para beber mais”… Ele, após aquela observação, volta-se para o seu trabalho como se nada tivesse acontecido.

Beber ou não beber, não tem importância, o que deveria importar é o que estamos fazendo com as “nossas” crianças? Estas criaturinhas que tiveram as “suas” infâncias suprimidas, que ficaram “adultas” antes do tempo, vão se tornar os “durões” de amanhã, sem formação, sem sensibilidade para interromperem aquela seqüência hereditária, apenas reproduzindo de maneira ambígua a velha lição, aprendida nas ruas, no infortúnio: diante da vida, sobreviver é o que importa e se há um paraíso aos homens de boa vontade, bem, então vamos descobrir por nós mesmos, embora, claro, ninguém acredite nisso por que: primeiro, negamos-lhes a infância com a nossa caridade; depois, sustentamos-lhes a adolescência com a nossa indiferença; mais tarde, suportamos-lhes a maioridade com o nosso medo. Ontem, lhes demos o que tínhamos de menos: o excedente do nosso egoísmo; hoje, pensamos ouvir-lhes os gritos com o que temos demais: o zelo pelo que acumulamos e amanhã, pretendemos perdoar-lhes devolvendo-lhes a cidadania com o que ainda resta, trocando o nosso desprezo pelo desprezo deles!

NOTAS:

 

A música é esta…

“I Started a Joke”, do Bee Gees…

Lançada em 1968, foi a primeira canção deles a fazer sucesso no Brasil e primeira colocada na lista da Billboard…

Também integrou a trilha sonora da novela “Beto Rockfeller”, de Bráulio Pedroso em 1969…

A primeira novela a romper com os cânones do que até então se fazia na área, a primeira a incluir cenas aéreas, em fazer tomadas de rua, a incluir a gíria, a usar o merchandising…

A  insolência do cotidiano cabe aqui, acredito, combina com o texto, o que procuro fazer sempre…

http://www.youtube.com/watch?v=Dq6YmSVAOG8&feature=related

 

Morre poeta Wislawa Szymborska, Nobel de Literatura em 1996 / varsóvia

DA EFE, EM VARSÓVIA

A poetisa polonesa Wislawa Szymborska, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 1996, morreu nesta quarta-feira aos 88 anos na Cracóvia vítima de um câncer de pulmão.

“Morreu em casa, tranqüila, enquanto dormia”, disse à imprensa seu secretário pessoal, Michal Rusinek, lembrando que a escritora foi sempre um fumante incorrigível apesar das constantes advertências dos médicos.

Embora Wislawa, nascida em Kornik, no oeste da Polônia, em julho de 1923, fosse a poetisa mais conhecida da Polônia, teve que esperar até a concessão do Nobel em 1996 para que sua obra chegasse ao resto do mundo.

A autora destacou-se por uma poesia cheia de humor e pela habilidade em usar trocadilhos, presente desde seu primeiro poema publicado em um jornal local em 1945.

Soren Andersson/Associated Press
A poeta Wislawa Szymborska fumando durante o banquete servido na entrega do Prêmio Nobel de Literatura de 1996
A poeta Wislawa Szymborska durante banquete servido na entrega do Prêmio Nobel de Literatura de 1996

“MONA LISA”: museu espanhol encontra cópia / londres

Quadro teria sido pintado na mesma época do retrato original

01 de fevereiro de 2012 | 16h 47
Reuters

MADRI – O Museu do Prado encontrou em seus arquivos uma cópia da Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, que acredita-se ter sido pintada ao mesmo tempo que o retrato original no ateliê do artista italiano, segundo uma publicação artística.


Pintura foi descoberta no Museu do Prado, em Madri - Reuters
Reuters
Pintura foi descoberta no Museu do Prado, em Madri

 

A revelação foi feita por uma especialista do museu espanhol em um seminário na Galeria Nacional de Londres há duas semanas, e foi divulgado pela primeira vez na revista The Art Newspaper.

A pinacoteca de Madri confirmou somente que apresentaria a obra no fim de fevereiro, já que ainda está em restauração.

Segundo a revista, o quadro teria sido feito por um pupilo de Leonardo da Vinci ao mesmo tempo em que o mestre pintava sua obra mais famosa, entre 1503 e 1506, mas ficou relegada nos depósitos do Prado por se pensar que era mais uma cópia do famoso retrato exposto no Museu do Louvre.

Análises de raios-x permitiram comprovar que sob um verniz escuro na obra – praticamente do mesmo tamanho que a Mona Lisa autêntica – havia um fundo paisagístico da Toscana parecido ao do quadro original.

Está previsto que o quadro, cuja autenticidade foi comprovada pelo Prado e o Louvre, viaje a Paris, onde ficará exposto temporariamente junto com a obra original.

EXÉRCITO BRASILEIRO: DENÚNCIA VERGONHOSA! É PRECISO QUE O MPF E O MPM, INVESTIGUEM E PUNAM OS INFRATORES

Comentário de IVAN DE SALLES:

 
Tenho vergonha de mim mesmo. Isto é, fui soldado do 2 Batalhão de
Caçadores, que fica na cidade de São Vicente-SP. Tenho vergonha e nojo
quando recordo em minha mente, que fui obrigado a vestir a farda do
Exército Brasileiro. Que, para mim, é menos que um pano que se coloca no
piso onde ando. Fui agredido a tapas pelo capitão LUCIANO DA SILVA
NOGUEIRA. Além disso, fui colocado na SOLITÁRIA por trinta dias. O
coronel ALAOR GONÇALVES COUTO, comandante do batalhão, não
tomou qualquer providências a respeito da agressão.Foi omisso e
covarde.A covardia dos militares das Forças Aramadas,é conhecida no
planeta terra.Fui um soldado desonrado dentro do Exército Brasileiro. O
Exército Brasileiro deve satisfação a NAÇÃO BRASILEIRA.Todos os
torturadores, bandidos fardados, deveriam conhecer a prisão perpétua.
Na Argentina,generais,brigadeiros e almirantes, estão na cadeia.E no
Brasil, qual foi a punição aos bandidos do Exército,Marinha e Aeronáutica?
Portanto, é vergonhoso dizer que sou brasileiro.Tenho pena das famílias
que tiveram filhos,maridos,namorados e amigos torturados e mortos pela
ditadura militar. Que vergonha ! Que desonra !

matéria na qual foi postado este comentário: AQUI