JAIRO PEREIRA, O POETA-CENTAURO – por hélio puglielli / curitiba.pr

Poderia ser na antiga Argólida ou na Ática, mas é em Quedas do Iguaçu, no Paraná, que o poeta-centauro Jairo Pereira chispa fagulhas metafóricas, no empenho prometeico de renovar o fogo da poesia.
São rios incandescentes mais caudalosos que o Iguaçu: palavras geratrizes, palavras motrizes, palavras-objeto, palavras-armadilha, palavras-enigma, palavras-chave, palavras-bomba, todo um arsenal de reinvenções léxicas que o rapsodo gaúcho-paranaense vai espalhando aos quatro ventos, montado em diferentes corcéis, poliédrico centauro.
James Joyce caboclo, arma novas montagens e desmonta anteriores, petulante artista da desconstrução, para o qual a nada é sagrado, invadindo e confundindo territórios de prosa e de poesia, cavalgando com a velocidade do Hermes numa, com a de Mercúrio noutra, inovando identidades e desnudando duplos com o poder da palavra.
Raposa astuta, inventa novas estratégias e até morde a própria cauda, se necessário for para elevar a espiral de palavras que flutuam nos cosmos verbal que demiurgicamente vai criando, em sete dias vezes sete, sem domingo p’ra repousar.
Ébrio com o vinho da criatividade, vai em frente, por trilhas até então indevassadas e supostamente indevassáveis, e sempre continuando a querer ir além.
Incompreendido, tanto pelos que estão demasiadamente à esquerda ou mais à direita da invenção literária, desafia dogmas e cânones, anti-dogmas e anti-cânones, vanguardas desarvoradas e retaguardas pusilânimes, desafia tudo e segue por onde acha que deve ir, desafiando a si próprio.
Da crítica ouviu absurdos, como a referência a um suposto “redundante esteticismo de linguagem” por quem não se apercebeu das artimanhas ocultas na estrutura poética jairiana. Pelo menos o mesmo crítico reconhece, no livro “Capimiã”, a incorporação da temática dos sem-terra sem panfleto. “O Abduzido” foi alvo de quem analisou apressadamente e não considerou que, nas palavras do próprio Jairo, ele “inaugurou a literatura insensata que ataca na raiz do mau pensamento que está no outro”.
Mas pior que ser agredido é não ser visto
Jamil Snege escreveu “Como ser Invisível em Curitiba”; Jairo não escreveu “Como ser Invisível” na cidade que mora, pois é conhecido por todos, como advogado e proprietário da Fazenda-Poema. Mas é um tanto quanto invisível além-fronteiras, onde só há mesmo visibilidade ampla para os inseridos e favorecidos pelo complexo sistema comercial montado por grandes editoras e livrarias, com artifícios promocionais envolvendo a mídia e os próprios estudos e pesquisas acadêmicos no circuito universitário.
Indômito, o poeta-centauro acelera o galope, alheio aos moedeiros falsos que tentam dificultar a promoção de talentos, enquanto, premeditada ou irresponsavelmente, se empenham em promover a mediocridade.
Valente, Jairo se condena a “Escrever para os idiotas, escrever para os professores, escrever para os jornalistas, escrever para os estudantes, escrever para os poetas e escritores, escrever por escrever e escrever e escrever, essa a minha inútil serventia”.
Aí, guerreiro, antes maldições do que subserviência.

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texto originário de Marcos Macedo-facebook ( sem as fotos). fotos do arquivo do site.

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