VOCÊ É ALGUÉM? – por omar de la roca / são paulo.sp

Tem que começar por algum lugar. Foi o que consegui pensar. Não adianta querer iniciar com frases de efeito estufa, com algum comentário sobre o metro de SP ( cada dia pior, não sei se o metro ou as pessoas ) ou sobre a política que insiste em se fazer presente,mostrando a cada dia como somos vulneráveis a ela. Ainda não cheguei a uma conclusão sobre o que  nos falta . Talvez  seriedade. Ou vergonha na cara. Mas os exemplos estão por ai, todos os dias. Basta ter olhos para ver.   Acabei de ler um livro. Sinto que terei que rele-lo de novo , não é erro  não, refiro me a reler com novos olhos . Confesso que fui lendo e achando o livro meio chato enquanto virava as páginas. Ele conta a vivência de uma mulher que cresceu em Dublin no meio do século passado e suas experiências sombrias com a família, sexo, alcoolismo,maus tratos e relacionamentos. Mas acho que sobretudo, sobre a convivência dela com ela mesma. Quase no fim, ela me conquistou com as Afterwords, como uma conclusão, um balanço sobre a influência do livro publicado, no seu dia a dia,enquanto o livro esteve em destaque.  Ela publica trechos de cartas que recebeu    de leitores comentando sobre a importância do livro dela em suas vidas. Entre outras, gostaria de destacar :

“ … On the surface my visits serve little purpose and certainly do me no good. But she once said, ‘ You’re the only one I have’ , and so I keep going …”

“ Aparentemente minhas visitas serviam para pouco e não me faziam bem.Mas uma vez ela me disse : ‘ Você é a única pessoa que tenho,’ E então continuei indo…”

“ What can I do but take my chances ? And what else can I do ? Look after my teeth, listen to all the music I can, and keep going. Keep working on my escape tunnels out of the past. Keep hoping to break through to the here-and-now. To be just myself, like the cat, which is so perfectly and unself-conciously a cat and does not know it will perish. What can I do, when everything is so various and so beyond me, but cling on, and thank the God I don’t believe in for the miracles showered on me ? “

“ O que mas posso fazer senão aproveitar minhas chances ? O que mais posso fazer ? Cuidar de meus dentes ,  ouvir toda a musica que puder e ir seguindo. Seguir trabalhando em meus túneis de escape de meu passado . Esperando quebrar a rotina do aqui e agora. Ser eu mesma, como o gato, que , tão perfeita e inconscientemente é um gato e não sabe que ira perecer.  O que mais posso fazer sendo tudo tão variado e tão além de meu controle, senão continuar e agradecer ao Deus que eu não acredito pelos milagres que recebi ? “

Sei que fica meio vago, sem ler o livro.  As vezes uma coisa insignificante para nós, pode ser muito para outra pessoa. Ou pode não ser nada . Um gesto, um abraço, pode ser um conforto. Mas também o outro pode estar querendo mais,muito mais, além do que podemos dar. É Nuala , temos que seguir em frente. Não adianta se lembrar do passado e ficar com pena de si mesmo. É preciso se reinventar, derrubar muros, desbravar fronteiras. Tentar ao menos saber quem somos dentro de nós mesmos. Não temos como saber o que as pessoas esperam de nós. Mas podemos ao menos ser gentis. E atentos. Cada pessoa é em si um continente a ser explorado .  Como poderemos, com nossa própria experiência , saber o que se passa do outro lado ?

O livro é  –  Are you somebody ?  de Nuala O’Faolain , não sei se existe tradução.

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3 Respostas

  1. Meu brilho????????????
    Eu, pérola??? Se tivesse me lembrado a tempo de que a ostra costuma conter a pérola, teria escrito uma outra metáfora, de significado bem diverso.
    De todo modo, obrigada Omar.

  2. Você sabe que a ostra muitas vezes contem a pérola. E com certeza o seu recolhimento está acalentando uma delas que com certeza irá mostrar seu coração a luz, independente de tudo ao redor , pessoas , políticas , pedras , sonhos relacionamentos ,flores seja o que for.Estamos no aguardo que você quebre a concha e reparta o seu brilho conosco.

    Abraço

  3. Deve ser um livro interessante, caro. Eu talvez me identificasse com ele; de qualquer modo, hoje, quando alguém lê algo que escrevo e me faz algum comentário sobre o que leu,é como se atestasse que de algum modo existo, neste mundo que,pelas circunstâncias e situações e impasses políticos e de toda natureza, externos e interiores, me soa, muitas vezes, como mera fantasmagoria de muitíssimo mau gosto e eu, a maior dessas fantasmagorias – isso é que é modéstia! Rsrsrsrs.
    Abraço grande da amiga recolhida em si como em uma ostra
    Zuleika.

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