“ For the world is more full of weeping than you can understand “ – por omar de la roca / são paulo.sp

 

Se quebraram meus vasos de porcelana rara. Eu peguei os cacos e vi que não eram nada além de barro comum. Estalaram as cordas da harpa que se cansou da conhecida música. A ultima rosa de verão, tão acalentada, mirrou e suas pétalas se transformaram em pó. Nada mais resta de meus sonhos exaustos. Só o cansaço me acompanha fiel. Este cansaço “de todas as coisas”, ancestral,velho de milênios. Cansado de si mesmo, arrastando-se pelo sol em cega caminhada. De um lado a água profunda e escura do outro o deserto escaldante. A trilha estreita que me empurra ora para um lado ora para outro. Sem me dar chance de escolher, de dizer, é este que eu quero e não aquele. Meu coração, como o espelho, partiu-se de lado a lado. E cada lado se partiu em outros dois pedaços numa seqüência fractal indefinida. Espero com os pés na areia,mas a estrela não cai mais.A primavera congelou no tempo.Me cortaram as asas.Só eu continuo por aqui. Mas não sei como. Não sei como sou. Não sei quem sou nem o que importo. Nem se importo. Eu quem ? Mas a impossível continuidade segue em frente, e me carrega com ela. Como uma onda que varre tudo pelo caminho e vai levando, vai levando. Sem dizer para onde e nem se vai parar. A canoa  solta das amarras, insiste em ficar no mesmo lugar. Só vai balançando de um lado para o outro. Não vira e nem segue em frente. Não segue a corrente de água (límpida? turva? não sei ). Os dedos do salgueiro continuam tocando de leve a água do lago. Mas eles não escrevem mais, apenas observam as gotas escorrendo deles como as lágrimas que não chora. Nada mais me importa. Nem me interessa mais agradar a ninguém. Nem me interessa me dar bem com ninguém. Será apenas um momento? Será apenas este infinito, irremediável cansaço? Serei capaz de suportar este azul que insiste em se mostrar? Mas o azul não esta mais dentro de mim.  O falcão refugiou-se na gaiola e não quer mais voar pelas campinas amarelas. As borboletas, as flores de cerejeira, o beija flor, ficaram só na fotografia. Nada restou. Algo virá para ocupar o vazio? Há bastante espaço. Mas o vazio não quer ser incomodado com mágoas e sonhos destruídos. Nem as minhas. O vazio quer apenas o vazio e nada mais. Quer ficar vazio para sobreviver. Quer sobreviver?  Não sei.

Come away, O human child!
To the waters and the wild
With a faery hand in hand,
For the world’s more full of weeping than you can understand

Vá embora, criança,                                                                                                                                   Vá para os lagos e floresta                                                                                                                   com uma fada em cada mão,                                                                                                                deste mundo cheio de tristeza e choro,                                                                                             além de sua compreensão.

E este interminável cansaço. Cansado de si mesmo e dos outros.. A última fibra de rompeu. Cansaço, companheiro inseparável de todas as horas. E eu, que pensava ser forte, cai em mim e percebi que não sou nada além de apenas mais um .Sem direito a nada mais do que meu cansaço me impele a conseguir. Será que vai ser só isso? Sem esperança de ir mais além? Só sei que cada vez estou mais triste, com menos esperanças. Era mais fácil quando eu acreditava que algo mais viria. Agora, não sei. Será só esta inexistência insossa? Só me resta esperar que meu cansaço me responda. Dá me tua mão cansaço,vamos seguir mais um pouco.

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