DOS BEATLES… PAUL MCCARTNEY! – por olsen jr / rio negrinho.sc

DOS BEATLES… PAUL MCCARTNEY!


   Talvez quem mais tenha sofrido com a separação dos Beatles tenha sido o Paul.

Os historiadores costumam situar os Beatles num espaço cronológico de 1962 (quando gravaram o primeiro disco) até 1972 (quando venceu o contrato que os mantinha unidos enquanto grupo) num lapso de tempo menor que dez anos. Acontece que John e Paul, George em seguida, se conheceram em 1957 e paralelamente aos ensaios, também compunham. A música “Love me Do” é desta época, uma das raras que se salvou depois que Jane Asher (namorada de Paul) em uma faxina despachou um caderno onde ele costumava anotar suas criações.

Durante o período em que a banda existiu, os Beatles eram muito gregários, andavam sempre juntos, compunham, trabalhavam, divertiam-se, faziam festas, viviam como uma família… Bonitos, bem sucedidos, ricos, famosos, além de trabalhadores (mais criativos que Beethoven, segundo uma crítica da época), revolucionários, tornaram-se uma referência mundial.  A juventude copiava seus cortes de cabelos, modos de vestir, irreverência, desprezo pelas instituições que tinham envelhecido sem acompanhar os apelos do seu tempo, eles mostravam novos caminhos onde certamente a paz e o amor tinham lugar assegurado e onde tudo era permitido, exceto a indiferença.

.  As intermináveis sessões fotográficas da banda (porque não existe na história da música pop mundial um grupo que teve tantos registros fotográficos como os Beatles) eram organizadas por Paul, também o projeto de fazer um filme e lançar dois álbuns por ano…

Paul McCartney raciocinava como um escritor, disse mesmo em uma entrevista que pensava os discos como se fossem livros, desde o título às ideias que norteavam suas feituras, os álbuns conceituais “White Album” e “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” , são exemplos.

A morte de Brian Epstein, descobridor e primeiro empresário dos Beatles em 1967 – tido por muitos como o “Quinto beatle” deixou um espaço livre para o surgimento das “diferenças” entre os componentes da banda.. E foi de Paul o fantasioso e incompreendido projeto da gravação do “Magical Mistery Tour” dentro de um ônibus, sem roteiro… O primeiro vídeoclip a ser mostrado na televisão. Uma tentativa de mantê-los ocupados e adiando o conflito que estava por vir.

Antes de o John Lennon proferir a célebre frase “The dream is over”, os Beatles individualmente já tinham consciência disso.

Natural, portanto, que passada aquela euforia onde tudo parecia possível, sobreviesse um tempo de angústia, de desespero, um não saber como continuar seguindo adiante sem os outros.

Em 1971, os Beatles mostraram ainda por que eram os melhores, Paul McCartney lançou “Another Day”, John Lennon “Mother”, George Harrison “My Sweet Lord” e Ringo Starr “It Don’t Come Easy”… Todas as composições fizeram enorme sucesso e indicavam o caminho e o momento que cada um estava vivendo… Paul que tinha dado a volta por cima; John buscando na perda da mãe a origem de sua angústia; George um reencontro com a espiritualidade e Ringo, a arte de representar que lhe era latente.

Os Beatles continuam sendo um marco a ser batido com mais de um bilhão de discos vendidos… E seus integrantes já fazem parte da história musical do mundo, alguns ainda podem ser vistos e admirados, como Sir James Paul McCartney em Florianópolis, finalmente!

BOX I

O COMEÇO DO FIM

   Quando morreu Brian Epstein (em 1967) as fissuras dentro do grupo começaram a aparecer. A Apple, empresa que haviam criado para dar sustentação aos negócios deles como músicos e de outros que tivessem talento (um caos com muitas possibilidades) estava perdendo dinheiro. Eles também gastavam sem conta, principalmente o John. Aliás, foi o próprio John Lennon quem disse numa entrevista que se tudo continuasse daquele jeito eles e a Apple estariam falidos em pouco tempo. Foi o contador deles que se demitiu deixando um bilhete: “Suas contas pessoais estão uma zona”.

Para retomar o caminho, Paul tinha escolhido para gerir os negócios, Lee Eastman o sogro (pai da Linda Eastman com quem estava casado) e John (com Yoko que o apoiava em tudo) preferia Allan Klein (que tinha sido empresário dos Rolling Stones e que Mick Jager detestava e alertou os Beatles “evitem este cara”). Mas Klein estava assediando a banda fazia muito, até conseguir uma audiência com John/Yoko e tomar a frente os negócios do fab four. Paul foi o único que não concordou, mas os outros três assinaram um contrato por três anos, o que deixava, na prática, os Beatles vinculados até 1972.

A história, no entanto, mostraria que Paul estava certo. Mais tarde os outros três Beatles processaram Klein.

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 BOX II

O ÚLTIMO SHOW PELA ARTE

Em 1968 eles foram fazer meditação transcendental na Índia buscando uma autoavaliação do que eram e do que poderiam se tornar… Cerca de 40 composições foram produzidas no período, boa parte do “Álbum Branco”.

Na verdade Paul tentava dar um rumo para a banda. Este esforço parecia aos outros, uma tentativa de dominação, eram considerados ofensivos e davam a entender sempre ser “mais um projeto” de Paul McCartney que, aliás, era meticuloso, detalhista, sempre premiando a habilidade, fazendo diferente… A composição “Ob-ladi, Ob-lada” foi gravada mais de 40 vezes, para se ter uma ideia…

Ringo disse em uma entrevista que “O Paul queria que trabalhássemos o tempo todo… Era um viciado em trabalho”, um workaholic…

Para o produtor George Martin “Paul era mandão e os outros caras detestavam… Mas era o único jeito de mantê-los juntos… Num processo de desintegração generalizado”.

Enquanto gravavam o disco “Let it Be” (que deveria se chamar Get Back, originalmente) os Beatles tocaram 52 músicas novas… Muitas destas acabaram entrando no “Abbey Road” (o último disco deles) ou fazendo parte do melhor material dos álbuns solos dos membros da banda.

Para completar o filme/documentário que saiu com o mesmo nome do disco “Let it Be”, o diretor Lindsay-Hogg queria um final e, por sugestão de alguém foi marcado para o dia 30 de janeiro no telhado do escritório da Apple um show com os Beatles… Acompanhados por Billy Preston, foi o primeiro show desde agosto de 1966 e também foi o último… “Também foi o melhor o que diz muito sobre o poder coletivo da afinidade musical e do carisma que os quatro cultivaram, e que nem suas desavenças mútuas seriam capazes de apagar.”

Paul declarou a um jornal: “Ringo saiu primeiro, depois George, então John. Eu fui o último a sair! Não fui eu! (Revista Rolling Stone Brasil/setembro de 2009).

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BOX III

O RECOMEÇO

   Paul ficou arrasado com a separação dos Beatles, era a banda da qual ele fazia parte desde os 15 anos…

No final de 1969, afastado dos holofotes, casado com Linda, vivendo seu retiro na Escócia… Bebia pela manhã, de tarde e á noite, parou de compor, ficou irascível entregando-se a uma depressão paralisante… Foi com o apoio da mulher que tinha pedido para ele voltar ao trabalho e retomar a carreira que o ex-beatle reacendeu para o mundo, porque a vida deveria continuar desta vez sozinho e no natal daquele mesmo ano Paul começou a trabalhar no seu primeiro LP solo.

Depois de gravar dois álbuns, “McCartney” (1970) e “Ram” (1971) tentando ainda provar que poderia ter êxito na carreira sem ser um “beatle” , forma outra banda, “Wings” que tinha como princípio não tocar nenhuma composição dos Beatles.

Ao todo, sete álbuns (1971/1979) e o sucesso chegou já no segundo com a canção “My Love” que foi logo ao primeiro lugar, depois o “Band of the Run” que se tornou o maior sucesso da banda e foi eleito o disco do ano (1974)… A catarse que precisava para existir sem os Beatles estava feita e surgiu daí um novo artista predestinado a bater recordes: em 1979 o Guinness declarou-o como o compositor de maior sucesso da história da música pop mundial de todos os tempos… Em 1990 tocou pela primeira vez no Brasil, foi no “Maracanã” para 184 mil pessoas, batendo o recorde de público em uma única apresentação de um artista solo.

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OLSEN JR é membro da ACADEMIA DE LETRAS DE SANTA CATARINA

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