Arquivos Diários: 22 maio, 2012

cabo anselmo: por unanimidade, comissão nega indenização ao TRAIDOR DUPLO

Atuação do ex-militar em casos de tortura inviabiliza reparação, na avaliação dos conselheiros; julgamento foi o primeiro caso de pedido feito por agente duplo

22 de maio de 2012 | 20h 10
Leonêncio Nossa, da Agência Estado

BRASÍLIA – A Comissão de Anistia negou nesta terça-feira, 22, por unanimidade pedido de indenização de José Anselmo dos Santos, 70 anos, que entrou para a história do Brasil como Cabo Anselmo, protagonista de uma revolta de marinheiros dias antes do golpe contra o presidente João Goulart e, depois, participante de reuniões de militantes de esquerda e agente duplo da repressão contra ex-colegas de farda e perseguidos políticos.


Cabo Anselmo durante gravação do programa Roda Viva, exibido no ano passado - JF Diório/AE
JF Diório/AE
Cabo Anselmo durante gravação do programa Roda Viva, exibido no ano passado

 

Em reunião que começou à tarde e se estendeu até o início da noite, Nilmário Miranda, relator do processo do ex-militar, afirmou em seu voto que Cabo Anselmo tornou-se parte “explícita” do regime militar, atuando em ações que resultaram na tortura e na morte de adversários da ditadura, em especial a própria companheira, Soledad Barret Viedma. Nilmário Miranda sustentou a versão de que Cabo Anselmo já era agente duplo nas agitações na Marinha nos primeiros meses de 1964. Uma das versões mais difundidas é a de que ele teria se tornado aliado do regime a partir de 1971, quando foi preso.

O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, ressaltou que o fato de Cabo Anselmo passar a atuar como um agente repressor inviabilizava, constitucionalmente, a reparação. A concessão da anistia, na avaliação de Abrão, não se deveria aplicar ao caso do agente duplo. “Abrir um precedente de uma anistia para um agente repressor é distorcer o instituto da reparação e os preceitos dos Estado democrático de direito”, afirmou.

Durante o encontro, Genivalda Melo da Silva fez um relato sobre a morte do marido, o ex-marinheiro José Manoel da Silva, uma das vítimas do massacre do sítio São Bento, em Abreu e Lima, Pernambuco, nos anos 1970. Num depoimento emocionado, ela acusou Anselmo de entregar José Manoel à repressão. “Eu perdoo de todo coração a ditadura, mas conceder anistia a Cabo Anselmo será uma vergonha para o País”, disse.

Genivalda emocionou os 12 integrantes da comissão e a plateia ao relatar que torturada e violentada sexualmente por agentes da repressão logo após a morte do marido. Ela lamentou que Cabo Anselmo não estava presente. O advogado dele, Juliano Brandi, tentou convencer a comissão de que o seu cliente foi obrigado a virar agente duplo.

Na reunião desta terça, os integrantes da Comissão de Anistia aprovaram a condição de anistiado e o pedido de pagamento de indenização de Ana Lúcia Valença de Santana Oliveira, que receberá um valor único de R$ 100 mil, e Anivaldo Pereira Padilha, que receberá uma parcela de R$ 229 mil e um benefício mensal de R$ 2.484. Anivaldo é pai do atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Robin Gibb (Bee Gees) Words (1968) Death 20.05.2012 – relembrando

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DIÁRIO DA PROVYNCIA II – por olsen jr /rio negrinho.sc


  

A INFÂNCIA QUE NOS PERSEGUE

 

Já está virando moda por aqui. Lugares públicos tocando discos de vinil. Pode ser bizarro num primeiro momento, mas é um diferencial. Sei disso porque não abri mão dos meus discos, tenho dois aparelhos para tocá-los e estou namorando um terceiro que vi em um antiquário.

O “Canto do Noel” é um boteco situado na Rua Tiradentes, no centro de
Florianópolis, onde funcionava o “Pettit” e que volta a ser um ponto de intelectuais que resolveram dar um tempo no disque-me-disque do Mercado Público com o seu cheiro de peixe característico e os pedintes e bordejadores de sempre. Pois é, o “Canto do Noel” tem produzido alguns diferenciais, um deles é este, precisamente, você ouve grandes intérpretes nacionais, começando logicamente pelo que empresta o nome ao local, em discos de vinil, claro tem outros compositores brasileiros de qualidade, mas também a história ou parte dela é mantida com as imagens, fotografias, recortes de jornal emoldurados e dispostos nas paredes criando verdadeiros nichos de saudades onde se vê como essa cidade era bonita. Desde o casario antigo até uma população que parecia mais romântica e pacata. O fotógrafo Édio Melo certamente tem muito a ver com todo aquele acervo.

Parte da memória da cidade está ali naquelas paredes zelosamente guardada pelo carinho dos novos proprietários Edson e Sônia. O Rio de Janeiro e Florianópolis irmanadas por reminiscências, composições musicais, talentos e o que cada um dos clientes acrescenta com a própria experiência.

No Empório Mineiro no Boulevard da Lagoa da Conceição, outro lugar aconchegante, vejo o disco de vinil rodando no toca-disco de cor alaranjada onde o poeta Vinicius de Moraes e o violonista Toquinho acabam de cantar “Meu Pai Oxalá” que tinha sido uma das músicas da trilha sonora da novela “O Bem Amado”…

O disco terminou e continuou girando, a agulha acompanhava as voltas do vinil naquela faixa neutra que não tinha nada gravado nela e somente se ouvia o rodar do acetato. Ao invés de ir até lá e erguer a agulha, trocar o disco ou quem sabe por o mesmo para tocar novamente, fiquei observando o brilho da luz refletido no vinil rodando ali na minha frente e logo aquele aparelho é substituído pela eletrola lá de casa, em Chapecó quando os discos caiam um a um após tocarem naquele pino automático onde estavam empilhados (até cinco recomendavam os especialistas, para não arranharem uns com os outros)… E já não era mais o Vinicius de Moraes e sim o Billy Vaughn tocando “Look for a Star”.    Composta por Buzz Cason, nascido em Nashville (Tennessee) e que passou a assinar com o psudônimo de Garry Miles e, em 1960 compôs a música que o consagraria.

“Look For a Star” que, aliás, está completando em 2010, 50 anos, era uma das preferidas da minha mãe. Também andei assobiando uma versão interpretada pelo Roberto Carlos “… Duas noites são teus lindos olhos, onde estrelas estão a brilhar, que ternura olhar mil estrelas, em teu olhar”…

Outro dia assisti ao filme “Circus of Horrors” e a trilha sonora era Look for a Star na composição original de Garry Miles, e viajei novamente ouvindo aquilo associado a minha infância enquanto lia um dos 30 volumes da obra do Karl May, naquela edição encadernada da Ed. Globo de Porto Alegre e que vinha em caixas retratando em maravilhosos bicos de pena os personagens e o mundo criado pela mente prodigiosa do escritor alemão que marcou a minha juventude (minha, do Fernando Sabino, do Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, entre outros)…

Num dos filmes do Harry Potter, a música Look for a Star também aparece de fundo, está muito impregnada na minha infância e parece que de muito mais gente…

Em fração de segundos lembro de tudo isso enquanto observo ainda o disco de vinil ali sem que ninguém tome uma providência, acredito que foram aquelas faixas girando que me transportaram, como uma máquina do tempo…

Alguém passou em frente e cortou o meu fluxo de pensamentos, mas ainda tive a sensação de ver por ali, a minha mãe com um pano tirando o pó de cima do móvel e afirmando que gostava muito daquela música!

 

 

NOTAS:

 

 

Não faço ideia o que seria a música brasileira sem o Noel Rosa (1910-1937)…

Nascido em Vila Isabel, aprendeu a tocar bandolim de ouvido, mas logo passou para o violão…

Abandonou a Faculdade de Medicina porque acreditou que a música era a “sua” vocação…

Conseguiu legitimar o samba de morro fazendo uma ligação entre a classe média e o rádio…

O primeiro sucesso veio com a composição “Com que roupa” em 1930, produto de uma situação inusitada, sua mãe havia escondido suas roupas para tentar impedi-lo de sair para outra noite de boemia…  E ele exclamou “com que roupa que eu vou?” criando a partir daí um samba que está mais vivo do que nunca…

“Conversa de Botequim” é outro de seus muitos sucessos…

http://www.youtube.com/watch?v=in9W6vHyI5k&feature=related

 

Noel Rosa morreu aos 26 anos com tuberculose…

 

OLSEN JR  é membro da ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS.

 

Eternamente Yolanda – por otaciel de oliveira melo / fortaleza.ce


Os dois se encontraram num desses lugares barulhentos, uma mistura de bar, restaurante e lanchonete com comidas e bebidas para todos os gostos e bolsos. Num desses lugares com vários televisores ligados em canais diferentes e música ao vivo ao mesmo tempo. Não era possível ouvir o que o outro dizia, ainda que os dois estivessem sentados numa pequena mesa encostada a uma parede e seus rostos se encontrassem a menos de 30 cm de distância. O barulho era ensurdecedor, mas eles não precisavam falar absolutamente nada para descreverem o que estavam sentindo um pelo outro naquele pedaçinho de inferno: seus olhares os traiam.

Num ”palco” mal iluminado, dois jovens imitavam uma dessas duplas sertanejas que tanto irritam nossos ouvidos com letras de músicas que rimam amor com dor, tristeza com frieza, transar com amar, saudade com felicidade e paixão com solidão. Era preciso apurar bastante os sentidos para perceber que naquele momento eles estavam tentando cantar algo que no burburinho de tantas vozes podia ser percebido como “é o horror, que mexe com minha cabeça e me deixa doidinho, que faz eu pensar que você é um grande monstrinho, que faz eu esquecer
que a vida é feita pra morrer”.  Em suma, aquele era um ótimo lugar para alguém pensar em suicídio pela primeira vez na vida.

Mas foi amor à primeira vista e logo Carlos e Do Carmo estavam apaixonadíssimos um pelo outro e continuaram a curtir intensamente as noites recifenses. Mas depois de algumas semanas de namoro, Do Carmo observou que o Carlos tinha sempre preferência por barzinhos vagabundos, semelhantes ao primeiro onde se encontraram, embora tivesse um poder aquisitivo de um funcionário concursado de um grande banco estatal, o que lhe permitia frequentar ambientes mais sofisticados e tomar de vez em quando um bom uísque ou uma cerveja importada. Do Carmo era dentista e, como colaborava com as despesas, inclusive com as dos encontros eventuais em motéis, passou a conduzir o namorado a barzinhos mais limpos e saudáveis. O Carlos gostou da orientação da namorada, mas impôs uma condição: “nós nunca iremos a barzinhos e restaurantes com música ao vivo; eles são muito barulhentos, cobram couverts artísticos muito caros e as músicas são quase sempre as mesmas.

Do Carmo, que também se chamava Yolanda, estranhou a exigência do namorado, mas logo esqueceu o local barulhento e com música ao vivo do primeiro encontro. E o namoro prosseguiu às mil maravilhas.

No contato com os amigos, o casal era pródigo em frases e lugares comuns para descrever o que sentia um pelo outro, tais como “eu e a Do Carmo somos a corda e a caneca; sem ela eu não sei como estaria minha vida; estou arriado os quatro pneus.” Já Do Carmo se inspirava nas novelas da Globo para expressar seus sentimentos:   “Carlos é minha alma gêmea; o amor é lindo; nascemos um para o outro; nosso amor é para sempre”.

O relacionamento foi se intensificando até que um dia Carlos aceitou o convite para conhecer os pais da Do Carmo. E no domingo escolhido, sogro, sogra, irmã caçula e amigos da família  da Yolanda estavam  reunidos e receberam o casal com um churrasco à beira de uma piscina de um condomínio de luxo situado em Boa Viagem, zona sul do Recife. Durante o churrasco, a sogra do Carlos, a Ivone, que era psicóloga, estranhou o fato do namorado da filha nunca tratá-la por Yolanda Maria do Carmo Rebouças (seu nome completo), ou pelo menos por Yolanda, mas sempre por Do Carmo.  Observou também o desespero do Carlos ao tentar, mas sem sucesso, lembrar o primeiro nome da filha. E concluiu como uma profissional experiente: “tem alguma coisa errada com a cabeça desse meu futuro genro”.

Durante a semana Ivone ligou para a filha e comentou o fato. Perguntou a Yolanda sobre o comportamento do namorado e ela disse que o Carlos era bacana, sempre muito educado, nunca tinha brochado (se era isso que a mãe queria saber), e que os dois estavam pensando em casamento. Mas reconheceu que ele nunca a havia tratada pelo seu primeiro nome.

Então Ivone sugeriu à filha que levasse Carlos a um psicólogo para descobrir o porquê desse lapso recorrente de memória.

Ato contínuo, Yolanda ligou para Carlos e perguntou:

– Alô, Carlos?

– Sim, é ele.

– Meu amor, você já decorou o meu nome por inteiro?

Do outro lado da linha, silêncio absoluto.

– Carlos, você está me ouvindo?

-Sim, estou Do Carmo.

– Então diga como é o meu primeiro nome.

– Do Carmo, por quê?

– Não, meu querido. Meu primeiro nome não é Do Carmo, mas sim Yolanda. Repita: Yolanda.

Silêncio absoluto. E a dentista complementou:

– Precisamos conversar urgentemente.

À noite daquela quarta-feira os dois se encontraram num barzinho em Piedade onde uma dose de uísque Red Lable custava R$ 20,00 (este era o preço a pagar pelo som do silêncio) e a Yolanda, ou melhor, Do Carmo, abriu o jogo: “meu tesão, você tem um parafuso frouxo na cabeça e precisamos arrochá-lo antes de nos  casarmos. Que diabo acontece com você que não consegue pronunciar o meu primeiro nome? Eu já marquei com uma amiga da minha mãe, que é também psicóloga, uma consulta para a próxima segunda-feira. Vamos juntos e não me decepcione: responda tudo que a Doutora Irene lhe perguntar”.

O consultório da Dra. Irene era um luxo. O ar condicionado propiciava uma temperatura tão agradável que fazia lembrar os motéis que o casal frequentava na capital pernambucana, e os dois tiveram vontade de fazer amor ali mesmo, no sofá divã da Psicóloga, e na frente da mesma. Foi com muito sacrifício que se contiveram.

Deitado sozinho naquele sofá cama, longo, estreito e reclinável, Carlos começou a falar de sua vida pregressa. Não tinha sido fácil a sua caminhada rumo ao banco estatal. Já havia trabalhado de garçom, de vendedor de rosas em casas noturnas, de leão de chácara, de gerente de inferninhos e foi com muito sacrifício que havia terminado um Curso de Direito da FGV Online e milagrosamente tinha passado no teste da OAB. Mas agora a vida era outra e ele procurava esquecer as coisas ruins do passado.

A Doutora Irene notou que faltava alguma referência a algum tipo de atividade que o Carlos havia detestado.

– Pense em mais alguma coisa – solicitou gentilmente ao paciente.

Mas a primeira consulta acabou sem muito progresso.

Conversando com a namorada durante a semana, Carlos Antônio Figueira de Mello começou a ficar mais leve, mais receptivo a ideia de uma segunda visita a Dra. Irene, porque, como dizia Yolanda, “nos tempos em que nós vivemos todas as pessoas são loucas e de vez em quando elas precisam de um profissional da alma humana para se reequilibrar”. Na realidade o que a Yolanda estava querendo dizer é que ninguém quer ser louco sozinho. Já o Carlos pensava de maneira diferente: para ele loucos eram sempre os outros.

E foi na segunda consulta que Carlos tocou num assunto que, segundo a psicóloga, seu inconsciente reprimia e o fazia esquecer o primeiro nome de sua querida namorada: Carlos já havia tocado violão e cantado em barzinhos.

Então a Dra. Irene perguntou:

– Qual foi a música que você, Carlos, mais tocou e cantou em toda sua vida na qualidade de músico de barzinhos?

Diante desta pergunta o Carlos começou a transpirar como um urso polar em clima tropical e começou a passar mal. Suas mãos tremiam como as de um diabético numa crise de hipoglicemia, sua voz ficou embargada, seus olhos arregalados e sua boca seca. Seu corpo por inteiro tremia como que arrebatado por um espírito maligno. E a Dra. Irene percebeu que estava no caminho certo e insistiu na pergunta.

– Qual foi a música que você, Carlos, mais tocou e cantou em toda sua vida na qualidade de músico de barzinhos?

E Carlos, num esforço sobre-humano e tropeçando nas sílabas, respondeu:  “gigo-lân-dia”.

– Carlos, ninguém conhece essa tal de “gigo-lân-dia”. Vou reformular a pergunta: por que você deixou de se apresentar em barzinhos?

– Porque as pessoas pediam para eu tocar 10 a 15 vezes uma determinada música numa mesma noite. Quando foi um dia eu estava no palco e quando alguém me pediu para cantá-la eu comecei a me tremer feito uma vara verde. Meus dedos não obedeciam ao meu comando e eu não conseguia tirar mais nenhum acorde do violão. Comecei a gritar bem alto e fui levado às pressas para um hospital psiquiátrico onde me aplicaram uma injeção cavalar de gardenal. Para completar, eu perdi o meu emprego e a partir daquele momento eu passei a sofrer um bloqueio sistemático de memória todas às vezes que tento me lembrar do nome da referida música. Como a senhora explica esta situação?

–  Bem, não é difícil compreender o ocorrido. Você adquiriu uma profunda ojeriza a esta música por que a executou centenas, talvez milhares de vezes. O nome da música é Yolanda, por acaso o nome da sua namorada. A música é bonita, é de Chico Buarque de Holanda, mas quando executada ou ouvida por muitas vezes pode levar o executor ou o ouvinte à loucura.  Como músico de barzinho, talvez você tenha tocado mais ‘Yolanda’ do que ‘parabéns pra você’. Portanto, está explicado o seu trauma e esta sua profunda rejeição a esta música. Agora, você precisa voltar a pronunciá-la corretamente de maneira a tratar sua futura mulher pelo seu primeiro nome. Vamos tentar mais uma vez. Diga Yolanda.

– Irgovânia.

– Está melhorando. Mas talvez você precise de mais umas vinte consultas para voltar a pronunciar de alto e bom som YOLANDA.

NELSON CAVAQUINHO já dizia…

 

Sei que amanhã
Quando eu morrer
Os meus amigos vão dizer
Que eu tinha um bom coração
Alguns até hão de chorar
E querer me homenagear
Fazendo de ouro um violão
Mas depois que o tempo passar
Sei que ninguém vai se lembrar
Que eu fui embora
Por isso é que eu penso assim
Se alguém quiser fazer por mim
Que faça agora.
Me dê as flores em vida
O carinho, a mão amiga,
Para aliviar meus ais.
Depois que eu me chamar saudade
Não preciso de vaidade
Quero preces e nada mais