EU VOS SAÚDO, AMIGOS MEUS – de zuleika dos reis / são paulo.sp

 

 

 

Eu vos saúdo, amigos meus,

pelas partilhas desta seara

que nos coube e que nos cabe

 

de sonhos perdidos

de sonhos semi-salvos

de dilúvios, de largos incêndios

 

neste banquete para mendigos

para ávidos e para parcos

para os que não se sabem

 

para os intoxicados de si mesmos

para os que se preenchem de espera

para os nostálgicos

 

para os que têm certezas

para os que abdicaram de tudo

para os que acompanham

 

todas as fases da Lua

e se consolam

para os que se calam

 

cântaros cheios de séculos

e de atropelos

nos vãos escorregadios das coisas

 

eu venho para saudar-vos

amigos meus, varões e senhoras

com seus pressentimentos

 

e calmarias repentinas.

Venho para saudar-vos.

Repartamos o gesto possível

 

a vida possível

a aurora que consigamos tecer

toalha para a refeição da manhã

 

e o pôr-de-sol mais belo

o mais belo pôr-de-sol

para a devida tessitura das estrelas.

 

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