Arquivos Diários: 21 julho, 2012

INCONFIDÊNCIAS, INCONVENIÊNCIAS – por amailcar nevesw / ilha de santa catarina.sc

 

– Não deviam permitir que envelhecesse! – Ela disparou, os olhos injetados.

– Fazer o que? – Ele contrapôs. – Se as pessoas não morrem, elas envelhecem.

– Nem tolerar que chegassem jamais perto de qualquer igreja! As religiões, todas, não fazem mais do que amolecer o caráter e curvar a espinha! Tarefa ainda mais fácil se o elemento se tornou um velho: por idade, por escassez de saúde ou por opção de vida – Ela ignora o comentário que Ele fez.

– Como se fosse fácil tratar todo mundo com o suprassumo da gerontologia. Como se fosse só lhes dar pílulas da eterna juventude – Ele resmunga.

– Não se trata disso, não te faças de desentendido – agora Ela o escutou. – Como é que sempre se fez? Como é que sempre se evitaram os conflitos potencialmente comprometedores?

– Aposentando compulsoriamente com vencimentos integrais? – Ele arrisca. – Dando férias perpétuas como adido cultural da Embaixada na Letônia? Internando num manicômio judicial?

– Eu é que ainda vou acabar um dia te internando num manicômio! – Ela explode. E suavizando em seguida o tom da voz e a rudeza do rosto: – Parece que hoje nasceste só pra me contrariar, só pra me irritar. Qual foi o bicho que te mordeu?

– Acho que andas meio nervosa – Ele apalpa cuidadosamente o caminho, as palavras, o sorriso desenxabido.

– E não hei de andar?! Não viste isso, por acaso? Então não precisavas nem perguntar – Ela mal se contém. – Não podiam permitir que gente assim envelhecesse!

– E fazer o que com elas? – Ele decide ser direto.

– O que sempre fizeram, o que sempre fizemos: matá-las antes de entrarem na imbecilidade, antes de saírem por aí dizendo asneiras, antes de apanharem um microfone para pregar a palavra de Deus. Neopastores neoevangélicos de almas arrependidas, bah! Fizeram o que fizeram de livre e espontânea vontade, porque acreditavam no que faziam e ganhavam muito dinheiro para fazer tudo direitinho e, depois de velhos, saem-se com essa de consciência, reconciliação e busca pela paz. – Furiosa, Ela: – Deveriam é ter buscado a paz eterna no momento em que ainda estavam lúcidos, isto é que sim!

– O General teu pai, com todo o respeito, deve estar agora se revirando no túmulo – Ele enfim concorda com Ela.

– O General – que Deus o tenha! – teria resolvido isso há muito. Assim que esse delegadinho de Guerra abrisse o caderno para escrever a primeira palavra, a primeira letra do título do livro, ele teria deixado de ser gente, de ser deste mundo – Ela continua exaltada. – Não fizeram o que Papai teria feito de imediato para preservar a pele e a memória de todos, e o que acontece? O que acontece, hem?

– O General é citado no livro com todas as letras do nome, na patente de Coronel, como torturador, assassino e incinerador de cadáveres numa usina de açúcar em Campos dos Goitacazes – Ele fala como se tivesse decorado o texto.

– Isso mesmo! – Ela aplaude, entusiasmada. – Isso mesmo! E, no entanto, ele apenas honrava seu juramento de defender a Pátria contra o inimigo, contra esses solertes lacaios pagos com o ouro de Moscou! Se o Alto Comando fraquejava, o General impunha sua linha, dura porém eficaz, e o Brasil tornou-se um oásis de paz e prosperidade num mundo mergulhado em sabotagens, greves, atentados, conflitos internos e guerras fratricidas.

– É verdade – Ele parece perplexo. – Como é que falharam assim, deixando vivo um delegado do DOPS que sabia de coisas para abrir o bico? Será que foi só porque ele vivia meio escondido lá no Espírito Santo?

 AMILCAR NEVES  é membro da ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS.

EL CONDOR PASA em quechua e espanhol

UM clique no centro do vídeo:

 

MELODÍA COMPUESTA POR EL GRAN COMPOSITOR Y ADEMAS FOLCLORISTA PERUANO DANIEL ALOMIAS ROBLES EN 1913.

Esta melodía en ritmo DE \”CASHUA\” aparece en la Zarzuela el CONDOR PASA. En 1970 el estadounidense Paul Simon con el grupo Los Incas realizó una versión de la canción con letra en inglés, escrita por Simon bajo el nombre de \”El Condor Pasa (If I Could)\”. la presente interpretacion es del grupo peruano WAYNAPICHU en Alemania, las letras y melodia son de la obra original pero modificado con el toque andino con los instrumentos andinos característicos y en quechua. Nota: La CASHUA es una danza similar al HUAYNO y es legado de los INCAS y es musica andina del Peru parte de su floclore. Notese 5:35 minutos