Arquivos Diários: 27 julho, 2012

O MUNDO COMO ESTUPRO – por zuleika dos reis / são paulo.sp

O MUNDO COMO ESTUPRO 

 

 

Somos, eu e tu, seres de sonho. Pelo sonho nossos átomos se agruparam, em moléculas de sonho, em tecidos de sonho, em órgãos de sonho. O sonho nos compõe o sangue, os ossos, a pele. O sonho compõe nossa alma.

Na Índia, tradições antigas dizem que o mundo é Maya, isto é: Ilusão. Calderón De La Barca escreve “A Vida é Sonho”. Shakespeare o afirma, categórico. O Budismo assim o diz, como também do compromisso que nos cabe para com este sonho-vida. Os místicos do Oriente e do Ocidente viveram e vivem, desde o sangue, tal certeza.

A se crer nesta afirmação como verdade universal, por que afirmar, como o fiz na primeira linha do texto que ”somos, eu e tu, seres de sonho?” Se todos o somos, eu e tu, eles, nós e vós, todos compostos por átomos e moléculas de sonho, não há como particularizar tal condição, torná-la privilégio de poucos.

Entanto, reafirmo: “Somos, eu e tu, seres de sonho.” Pertencemos a uma estirpe que sente o viver dentro da realidade como uma violentação, uma espécie de estupro a sofrer todos os dias. Nós nos sentimos como eternos estranhos, estrangeiros, aportados nesta Terra por algum engano.

Ora, muitos dirão: “Do jeito em que está a realidade, que privilégio há nisso? Todos nós nos sentimos, tanto quanto vocês, violentados pelo real.”  Outros dirão: “Vocês se encontram em pleno processo dissociativo. Urge a procura de um ajuste, de um reajuste entre a psique e o real. “Ainda, terceiros: “Poetas são assim mesmo; não importa a realidade em que vivam, precisam a ela se contrapor.”  Outras tantas falas se multiplicam, pode-se ouvi-las na imaginação.

Sem discordar de ninguém que, como diz um amigo querido “Tudo é Vida.” e reiterando, novamente, o “somos, eu e tu, seres de sonho” quero acrescentar que nos sabemos assim não por filiação a algum Princípio religioso, ou não religioso, ou por alguma vivência mística no seu sentido específico, mas, porque vivemos isso, respiramos isso, nos alimentamos do pão de ser sonho desde a medula dos ossos, desde a raiz do sangue, desde a raiz da alma. Eu, no recesso deste lar ao avesso do mundo; tu a te digladiares no circo de horrores cotidianos. Para nós ambos, para os tantos e tantos da mesma estirpe, o mundo vivido como estupro.

Tu és como um médico-cirurgião que tenha horror à visão do sangue dos doentes e que, apesar desta condição, é capaz de domar o horror em seu âmago, no durante das cirurgias, o horror que, embora sofreado, em momento algum deixa de pulsar, de gritar no seu próprio sangue, no sangue dele, médico-cirurgião. És assim, exatamente assim. Por isso, incomensurável a tua dor de ser. Também eu, a meu modo, por outras vertentes, veredas, caminhos, sou assim, como também assim outros tantos e tantos, infinitos.

O mundo como estupro, o mundo ao avesso do sonho, ao avesso de todos os sonhos. Neste contexto, se mantivermos como verdadeiro que a vida é sonho, urge dizê-lo de outro modo: “A vida, sonho dantesco, o pior de todos os pesadelos.”

E, no entanto, no entanto, presentes desde sempre no mundo, de todos os modos e em múltiplos lugares (muitos ocultos ao mundo) permanecem e agem os seres que guardam a Esperança, os seus guardiães, aqueles entre os quais se alinham os que guardam, por enquanto no interior da Arca, outro “sonho do real”.

 

Fotógrafo acompanha expedição e capta imagens raras de vulcão ativo

Pesquisadores tiveram que usar trajes especiais para coletar amostras de lavas sob calor extremo.

Da BBC

 O fotógrafo Carsten Peter enfrentou temperaturas extremas para colher imagens raras de vulcões em atividade.

Peter acompanhou uma expedição ao vulcão Nyiragongo, no parque nacional de Virungo, na África central, onde pesquisadores coletaram amostras de lava.

A missão coletou amostras da lava do vulcão para entender as atividades geológicas do planeta (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)
A missão coletou amostras da lava do vulcão para entender as atividades geológicas do planeta (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)

As temperaturas dentro do vulcão chegam a 1.100 °C. Pesquisadores são obrigados a vestir trajes especiais para protegê-los do calor.

Os perigos não se resumiam às altas temperaturas. Em vulcões ativos, toda a superfície fica instável e não se pode confiar nem mesmo onde se pisa.

A equipe tinha que ficar atenta às direções do vento para evitar a nuvem de gases tóxicos, criada pela erupção (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)A equipe tinha que ficar atenta às direções do vento para evitar a nuvem de gases tóxicos, criada pela erupção (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)

Com planejamento, é possível minimizar os riscos, mas mesmo especialistas em vulcões já morreram em expedições.

Peter, que contribui para a revista National Geographic, se especializou em fotografar locais em situações naturais extremas. Ele mergulhou em geleiras no Mont Blanc, atravessou o deserto do Sahara de camelo e visitou várias cavernas profundas.

Vulcões são imprevisíveis. As erupções criam instabilidades em toda a região, que podem resultar em deslizamentos de rochas (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)Vulcões são imprevisíveis. As erupções criam instabilidades em toda a região, que podem resultar em deslizamentos de rochas (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)
O fotógrafo acompanhou uma missão de pesquisadores ao vulcão Nyiragongo, no parque nacional de Virungo, na África central (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)O fotógrafo acompanhou uma missão de pesquisadores ao vulcão Nyiragongo, no parque nacional de Virungo, na África central (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)
Carsten Peter está acostumado a situações extremas. Ele acompanhou vulcões ativos de perto (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)Carsten Peter está acostumado a situações extremas. Ele acompanhou vulcões ativos de perto (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)

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