NATUREZA FLUTUANTE – de Almandrade / salvador.ba

NATUREZA FLUTUANTE

 

I

 

A chuva dispensa

o agasalho

um vício

na pele molhada

a febre chega

e brinda a dor.

 

II

 

 

Estilhaços sobre a velocidade

a idade sai

da ingenuidade do século

o ar que passa

arrasa a privacidade

das palavras.

 

 

III

 

A tarde

com seus conflitos

renega a partitura

do imutável

a voz do instrumento

brilha e veste

o que resta

de notas e acordes.

 

IV

 

O título é um achado

semeador de dúvidas

a linguagem acende

as coisas

e dá nome ao repouso

tapete de sombras

e sobras.

 

 

V

 

Na solidariedade do sono

descansa o solitário

o lençol é um consolo

 

 

VI

 

 

Segredos da transparência

luva de gesso

o impulso do imediato

flagra

através do tecido

a anatomia

do que é íntimo.

 

 

Almandrade

(artista plástico, poeta e arquiteto)

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