O SOCIALISMO É UMA TÉCNICA CIVILIZATÓRIA. E SÓ! – por paulo timm / portugal.pt

 

 

O cronista é  uma ave de rapina sobre os acontecimentos diários. Ele acorda com o sol, ,  levanta vôo, olha com rigor o espaço perscrutado ,aguça os sentidos e prepara-se para o ataque: Avidez pelo fato que lhe saciará a vontade de escrever, temperando algum talento na descrição da realidade com a vaidade de mostrar o que sabe e o que pensa sobre ela.

Hoje, particularmente, os assuntos abundam e confundem o caçador: O sono de dois Ministros do Supremo no Julgamento do século; o aprofundamento da crise na Europa,;  a tensão do PT gaúcho diante de inúmeros contratempos com seus candidatos, à beira de um ataque de nervos, à exceção da boa performance da Nilvia em Torres; a decepção com o Brasil nas Olimpíadas de Londres,;  o lamento mundial pelo aniversário do trágico lançamento da bomba atômica em Hiroshima/Nagasaki,  mal compensado pela lembrança nostálgica da morte de La Monroe; Tanta coisa,  meu Deus…! Como Mas me concentro em algo menor, quase pequeno, onde, como diz a sabedoria popular, o diabo se esconde: O comentário de meu amigo Yamil Dutra, às voltas com um filho hospitalizado em Porto Alegre.

Ele desabava:  –“Enquanto a galera preocupa-se com o mensalão, o Cachoeira e a novela das 8, o caos galopa nos hospitais particulares de Porto Alegre. A classe média, enganada pelos planos de saúde, experimenta um SUS privado em salas de espera mais cômodas mas também superlotadas. A incompetência igualiza a cidadania!”

O comentário me comove e me atinge, assim como deve atingir milhões de brasileiros que  pagam regularmente seus Planos de Saúde e que não recebem, destes planos,   o suporte prometido. Eu mesmo, ano passado,  tive que pagar do meu bolso, diversos exames e esperar quase um ano por outros, diante da morosidade do Plano. Sobrevivi. Mas descobri, no meio do desespero , duas coisas: (1)Nenhum plano cumpre o que promete, com exceção de Planos proibitivos, fechados, inacessíveis à classe média; (2) quando a enfermidade se converte numa doença grave , como câncer, todos nós acabamos no SUS, único sistema capaz de pagar os elevados custos desta – e outras – enfermidades. Os leitos hospitalares públicos estão coalhados de doentes graves, grande parte deles, da classe média, régios subscritores de Planos de Saúde. Desde então, contenho-me nos meus ataques ao SUS. Pelo contrário, tenho procurado entender melhor a complexa máquina de financiamento e organização deste modelo de saúde pública, idealizado por dois grandes sanitaristas brasileiros Valério Konder e Mário Magalhães, ainda ao tempo de Vargas.

Agora mesmo, de volta à Portugal, vejo que este é o sistema que opera em grande parte da  Europa e que o distingue do modelo americano, mitigado pela Reforma de Obama. Modelo que hoje eles tentam empurrar para a América Latina. E vejam o paradoxo: a Coroa Britânica orienta seus súditos a fazer “turismo sanitário”no continente, para tratar da saúde. Não acreditam? Leiam então: http://www.torres-rs.tv/site/pags/nacional_turismo2.php?id=2269” . Um grande debate ocupa hoje, também,  o canal europeu, dando conta que a Romênia se debate diante dos imperativos vindos de fora e que pretendem privatizar sua medicina, que aliás, na era comunista, era horrorosa- http://www.torres-rs.tv/site/pags/nac_int2.php?id=2281 .

Ou seja, o SUS é ruim. Viva o SUS! ,  porque é ele que irá nos amparar na hora derradeira – e  não os planos.

Mas não vou encerrar esta crônica falando sobre um tema que pouco conheço: Saúde. Prefiro voltar ao terreno da cidadania. Respondi, pois, ao indignado Yamil, assim:

Com efeito! Voltamos  à consigna politicamente incorreta, embora muito em moda, mesmo por seculares moralistas, do Millor: OU RESTAURE-SE A MORALIDADE OU LOCUPLETEMO-NOS TODOS!  Não sou um esquerdista ortodoxo, opto pela moralidade : Ou estes PLANOS DE SAÚDE funcionam, ou,  é melhor acabar com eles e socializar de vez a medicina no país.  Os ricos, enfim, continuarão fazendo o que sempre fizeram , desde o descobrimento, em 1500  : Vão se tratar no exterior.

O SOCIALISMO, enfim,  não é   “ o sistema ” alternativo  ao “CAPITALISMO”, como os adeptos da Guerra Fria nos fizeram crer, levando-nos ao limiar do holocausto nuclear.  É uma técnica civilizatória. Só! As grandes narrativas e teorias à que tanto se referem os defensores de cada um destes sistemas são meras ilusões que obliteram, em vez de iluminar,  os caminhos da humanidade. Viraram religiões, ou melhor, doutrinas, às quais não faltam os livros sagrados, profetas , hierarquias rígidas e promessas de um futuro radiante.

Boa Sorte, pois, Yamil, aí em Porto Alegre! E saúde ao filho enfermo!

O prof. Paulo Timm é economista.

 www.paulotimm.com.br

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