ELEIÇÕES E PESQUISAS – por paulo timm / portugal.pt

Em tempo de eleições, candidatos e eleitores ficam de olho nas pesquisas eleitorais. Elas reinam   soberanas nas campanhas. Depois são esquecidas, como são esquecidos os números da própria eleição.  Lá ficam eles arquivados nos sites da Justiça Eleitoral, como meras estatísticas, desprovidas de encanto. Mas agora é campanha e pesquisa eleitorais…

Muitos têm se debruçado ao estudo da importância das pesquisas eleitorais. Um sociólogo francês , Patrick Champagne, costumava  dizer que  estávamos diante de  grave inversão no processo político, como se fosse o rabo a abanar o cachorro e não vice-versa:  “ As pesquisas de opinião passaram a ser divulgadas como se fossem a própria opinião pública e substituíram a opinião qualitativa dos acadêmicos” (Cesar Maia,Newsletter). Os próprios analistas políticos, de formação jornalística, senhores das colunas nobres em todos os níveis da imprensa, do nacional ao local, desaparecem nesse processo e acabam rendendo-se à análise dos números das pesquisas. Muitos acabam chegando à conclusão de que, no futuro, nem haverá mais necessidade de se fazer eleições diretas, secretas e universais. Basta aplicar pesquisas, cada vez mais refinadas. Será..? Não acredito. De qualquer forma é importante se discutir um pouco sobre como se forma a opinião pública sobre um candidato. Mais do isso: Como se forma o estado de espírito do eleitor no processo eleitoral?

O ponto de partida é a cultura política e a confiança nas instituições a ela associadas: Partidos, Congresso e Camaras legislativas , políticos etc.

Uma cultura política não se constrói de uma hora para outra. Ela responde pelo longo processo através do qual os mecanismos de poder se constituem, ou seja, da forma como uma comunidade se organiza para formular , implantar a Lei e produzir resultados sociais comuns. Outro sociólogo, alemão, Max Weber, muito mais agudo no estudo dos sistemas de dominação política do que seu conterrâneo mais famoso – Karl Marx – , nos deixou o entendimento deste processo, que vai do  encantamento com o líder carismático ao desencanto racional, embora institucionalizado ,  do Estado Moderno. Permeando este trânsito, as próprias transformações de uma sociedade tradicional, pouco desenvolvida em termos de produtividade econômica e complexidade social, rumo à modernidade. Ou seja, a cultura política numa sociedade tribal  será inevitavelmente diferente da política numa sociedade industrial pós-moderna, onde aliás, se incorpora à agenda dos espetáculos.

Mas tanto numa sociedade tradicional como numa sociedade contemporânea a Política terá seus valores, seus rituais, seus mecanismos de realimentação e até mudança. Mesmo nos modelos hierárquicos de inspiração divina, por exemplo, como as monarquias chinesas antigas, os Reis eram obrigados a interpretar os desígnios insondáveis à luz das necessidades terrenas, sob pena de serem sumariamente destituídos diante de catástrofes e grandes dificuldades sociais. A flexibilidade para a destituição do líder diante da frustração dos liderados é, aliás, uma das chaves principais na construção de uma vontade popular no processo político, sendo uma das vantagens apontadas pelos parlamentaristas sobre os presidencialistas.  A rotatividade, enfim, dos representantes dos eleitores, é também um indicador da permeabilidade do sistema político à novos agentes no processo político, sejam por classes , gênero ou idade. Um sistema político que eterniza, por exemplo, grandes proprietários que se profissionalizam e se encastelam em posições políticas, impedindo a renovação de lideranças, será, fatalmente, fadado ao fechamento de seus horizontes de mudança.

Tudo isto se reflete, por fim, nos índices de confiança nas instituições políticas de um país.

As pesquisas, no Brasil, a este respeito são preocupantes. Há um descrédito muito grande das instituições políticas e este descrédito pode levar ao desinteresse da cidadania pelas eleições e pelo futuro da coisa pública. Basta, aliás, consultar as Redes Sociais e se perceberá o que estou dizendo. Políticos e instituições como Congresso Nacional e até o Judiciário são verdadeiramente achincalhados. Veja-se, pois, o último resultado de uma Pesquisa Datafolha, divulgada pela Folha de Sáo Paulo no último dia 12 e que evidencia o descrédito da opinião pública sobre o Congresso e os Partidos Políticos:

Pela ordem: Confia Muito x Confia um Pouco x NãoConfia.

a) Presidência da Republica 33% x 52% x 15%

b)Imprensa: 31% x 51% x 18%

c) Supremo Tribunal Federal 16% x 51% x 32%

d) Congresso Nacional 8% x 40% x 52%

e) PartidosPolíticos 7% x 41% x 52%.

Preocupante…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: