A-gosto – de paulo timm / portugal.pt

A –   gosto

                                               

 

 

Na tarde quente e seca deste agosto

No desgosto das incansáveis folhas desprendidas

Procuro em vão a meada do meu verso tosco

Na macarronada  fria das manchetes estendidas

 

Para algo servem os noticiários…

 

De repente ,descubro que, vivos , mesmo com seus vícios,

Drummond centenário

Nelson Rodrigues, 92 anos ,legendário,

Estariam , festivos, um de cada lado , celebrando a vida

 

Para algo servem os aniversários…

 

Drummond, esguio, esquivo , mineiro, à esgueira

Falaria de sua infância em Itabira, em oposição à máquina do mundo

Palmilhando o passo entre o cotidiano monótono dos Raimundos

E uma eternidade metafísica sem eira nem beira.

Para que serve mesmo a poesia…?

Nelson, cosmopolita assumido, destemido

Faria o contraponto da especulação na ruína do baixo ventre da cidade.

Profetizaria mazelas escorregadias da subjetividade

Com fé cínica no fato consumido

 

A vida serve para quem dela se serve.

O Grande Poeta, tímido e envergonhado de sua humana condição,

Pagando em imortal melodia a penitência pelo só existir

O Grande Cronista , desavergonhado e acima de qualquer servidão,

Num só afã de mostrar a vida, simplesmente, como ela é, no seu devir .

Ambos universais..

Senhores da nossa língua.

Da nossa alma.

                              Sirvam-se, por favor!

.

               (Paulo Timm,Olhos d Agua, GO 7/ago/2002)

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