hoje completa três anos que nosso amigo, filósofo, ideólogo, jornalista, poeta e escritor WALMOR MARCELLINO deixou de conviver conosco.

colaborador assíduo deste sitio com seus textos críticos, substantivos , contundentes e se por melhor pudéssemos afirmar os seus POEMAS atraíram milhares de leitores que até hoje lhe visitam. como lembranças de WALMOR postamos, abaixo, um texto que refere-se a uma eleição dado ao momento e um de seus poemas.

VAMOS ASSIM, rapaziada

Manipulei um convite de contribuição no valor de R$1.000,00 (ao dia 2 de setembro, às 19h30min, no Buffet du Batel) para participação no “Jantar dos Amigos do Beto” e compreendi como o “trabalho continua” com a Coligação Curitiba, sob entusiasmo de quem teve registrados 70% nas pesquisas de “intenção de voto”, e que procura perder pouco dessa “fofura” até as eleições. Para quem está habituado a ver uma “fezinha” de R$10,00 a R$50,00 em colaboração para algum candidato sinistróide, essa “espontaneidade” de milão dá coceiras.

Mais ainda sabendo que se trata de um plus arrecadante de um amplo grupo de amigos de prefeito, em que empreiteiros de obras e empresários notáveis “por sua contribuição à nunca suficientemente louvada democracia representativa” já definiram participações (de pars, partis, a parte) muito mais significativas na campanha ‑ e que a escória “socialista de gaveta” do PSB, do PDT e do PPS se tem alinhado pela direita e agora faz seu pule no capão mais habilitado ‑ enquanto suas lideranças já dividiram os bônus do processo eleitoral. Aqui me quedo abismado.

Entretanto, não devemos ficar discutindo fundos e apoios políticos, e sim a forma e o estilo, que são o busílis ideológico-político. Claro está que as eleições não são lugar específico para assertivas ideológicas e pregações de doutrina, já que o “anuente” se submete a regras de disputa de funções político-administrativas, para as quais, pensa-se, terá alguma contribuição objetiva além de retórica. Quando muito, poderá vincular suas propostas objetivas a uma visão político-administrativa e urbanística.

Além do discurso verde do PV e do discurso vermelho do PSOL-PSTU-PCB, que no geral  só convocam atenção dos próprios simpatizantes, e de que Fábio Camargo é um livre-atirador a serviço da candidatura Beto Richa (e de seu próprio prestigiamento, é óbvio), a candidatura Gleise Hoffmann estranhamente afirma “eles estão cansados e pouco criativos”: como elogios à privatização das áreas municipais e à criação do sistema de transporte para a Volvo, para o “pool”empresas de transporte coletivo e para fabricantes de equipamentos urbanos; e também aos urbanistas e arquitetos associados na cópia de obras existentes no exterior ‑ sempre, lembremos, com aviso para os amigos do IPPUC e do prefeito de quais áreas urbanas irão valorizar ‑. Tudo como se fosse um fulgurante sistema de planejamento urbano em declínio!

A sua vez, bem articulado em sugestões democráticas e de repercussão pública, o candidato do PMDB consegue fazer propostas incisivas e razoáveis, mas que não conseguirão ultrapassar o nível de falas ocasionais. Simplesmente porque o processo eleitoral entre nós começaria logo após as eleições, com necessária formatação de críticas passo a passo e extrapolação delas como constante informação pública. Todavia, o contexto de delirantes e espaventados que o cerca diminui a credibilidade do ex-reitor da UFPR.

 Poemática

Ao inventor do quadrado de quatro pontas

José Luiz Gaspar

Xamãs tupiniquins alvoroçados

‑ cada qual com seu fado ‑

vão denotando como que se faz

‑ um pouco na frente, outro atrás ‑

espetar pelo ramos as rosas

‑ galhofando-as nas glosas ‑

de raspar seu lápis na lousa

‑ para extrair enfim outra coisa.

Apenas um som não faz sentido

seu sentido é que procura o som.

como criança brinca de bandido

enquanto o ególatra tasca seu tom.

Todas palavras gozam à ideofrenia

arritimando-se pelos batecuns,

sempre desiguais como um +um.

O coração despulsa nessa sangria

ensandecido numa feroz dislalia

em que coaxaria refaz sua cultura.

Aí, a bilurribina exsuda acumputura;

a pele triscada, um calor à mente

e no verbo um som intermitente:

Batecum! Batecum, mais um.

Uma resposta

  1. 3 anos de saudades

    EQUAÇÃO EXCÊNTRICA
    WALMOR MARCELLINO
    Não é preciso ser revolucionário
    para compreender da opressão
    que lavra em seu itinerário
    por excluída inteira a multidão.
    Nem é preciso ser um marxista
    a participar de reuniões de classe
    elaborar as prioridades em lista
    para resolver face e contraface.
    Sequer é necessário ser socialista
    para organizar classes e profissões
    na disputa de direitos e obrigações
    que se evidenciem mais à vista.
    Até mesmo um democrata-liberal
    concorda que dentre males nacionais
    o que totaliza e representa o mal
    é o tratamento símile dos desiguais:
    Equivale no fundo a considerar
    quem menos ganha pagar mais;
    como liberalismo a confirmar.

    ESVAIMENTO
    W. M.
    Se a morte fosse só coisa verdadeira
    por que ela mataria as pessoas,
    além dos bichos,
    das flores após seu devido tempo,
    e as folhas no outono estival?
    Então qual a razão por que elas estariam
    vivas?… para depois morrerem,
    no abandono de todas coisas animadas
    engrandecidas pela beleza
    que lhes emprestamos?
    As pessoas morrem como se tivessem
    sido reais, concretas como uma árvore,
    um rio de águas claras
    e fervilhantes.
    No assemelhado descanso
    de parcela do vento
    em seu mormaço.
    Morremos como uma coisa
    em que o mundo apenas dá sinais,
    se marca, se divisa, se relaciona
    diversamente…
    Apenas como ele se faz.

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