Catarinense de 19 anos se destaca com texto montado pelo Club Noir – curitiba.pr

“A obra de Martina Sohn Fischer avança em direções até agora não trilhadas pela dramaturgia, ampliando a experiência estética do nosso tempo, através da invenção de outras linguagens, isto é: de outras formas de vida.”

Crítica: “Aqui” é um acontecimento extraordinário na dramaturgia

Receber um elogio desses de um dos mais importantes diretores teatrais do Brasil atualmente, Roberto Alvim, não é pouca coisa. Ainda mais para quem tem apenas 19 anos e, até um ano e meio atrás, levava uma vida tranquila em uma cidade do interior de Santa Catarina.

Nascida em Porto União, descendente de família alemã, Fischer viu muita coisa mudar em sua vida após se transferir para Curitiba em 2011 e, principalmente, ter sua peça “Aqui” montada neste ano pelo Club Noir (grupo de Alvim e Juliana Galdino) –como parte da Mostra Brasileira de Dramaturgia Contemporânea.

“Bah, foi lindo demais. Tudo isso aconteceu muito rápido e, quando o Roberto me deu a notícia de que tinham selecionado o meu texto, foi realmente uma surpresa!”, escreve ela em entrevista feita através do Facebook, ao qual está sempre conectada.

Guilherme Pupo/Folhapress
A dramaturga Martina Sohn Fischer em sua casa em Curitiba
A dramaturga Martina Sohn Fischer em sua casa em Curitiba

INFÂNCIA

Revezando seu tempo entre a vida em casa, a escola, as brincadeiras nas ruas e as leituras por todos os cantos, Fischer conta que cresceu tomando gosto por manipular as palavras, o que relaciona com o próprio modo de vida que levava no interior.

“Sempre fui uma criança muito livre. Lembro que, desde que comecei a escrever, o que eu mais gostava era de ter essa liberdade. Essa mesma liberdade infantil, de inventar coisas e viver nelas.”

A escrita, naquele momento, surgiu ainda sem relação direta com a dramaturgia, já que a maior escola era a literatura, não o teatro. “Eu até frequentei algumas aulas de atuação, mas nunca levei jeito para a coisa”, conta.

Na leitura, por outro lado, Fischer partiu logo cedo dos livros de Júlio Verne e dos romances policiais para seguir pelos mundos de Bukowski, Jack Kerouac, John Fante, Faulkner e Kafka.

Foi em 2010, através de um projeto oferecido por sua escola, que acabou caindo “por total acaso” em um núcleo de dramaturgia desenvolvido na cidade vizinha (União da Vitória), onde assistiu a uma palestra de Roberto Alvim.

Quando se mudou para Curitiba, em 2011, Fischer passou a frequentar o curso quinzenal que o diretor ministra na cidade. Em contato cada vez maior com o mundo teatral –e com as obras de Heiner Müller, Strindberg, Sarah Kane, Beckett etc.–, a nova dramaturga começou a “parir” suas primeiras peças, entre elas “Aqui”.

PERDER O CONTROLE

“Eu sentava para escrever e eu era mil coisas, menos a Martina”, conta. “Começo a escrever por pulsões desconhecidas e, quando vejo, sinto que sou parasita da obra. Eu peço mais a ela e ela me dá. Esse tipo de relação é uma loucura, perder o controle da própria obra é uma experiência que também está ligada com a liberdade.”

Questionada sobre o temor de perder algo dessa liberdade após o reconhecimento precoce e com a expectativa que pode se criar em torno de seu nome, Fischer responde:

“A responsabilidade é da obra, então, depois de terminada, eu só tenho que continuar escrevendo. E as obras se criam sozinhas, só preciso parir. Não que seja fácil! Mas esse ‘fazimento’ acontece em um lugar desconhecido, onde não é nem possível pensar na recepção que a obra vai ter, ela simplesmente se dá, é imprevisível e instável.”

Preocupação maior, por enquanto, é se preparar para prestar o vestibular no fim do ano, para entrar no curso de filosofia na Universidade Federal do Paraná.

 

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MARCOS GRINSPUM FERRAZ
COLABORAÇÃO DE

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