Notas zero de jurado definem categoria romance no Jabuti – maria fernanda rodrigues / são paulo.sp

Um dos 3 jurados deu 0 a escritores consagrados e permitiu a vitória de Oscar Nakasato, por ‘Nihonjin’

18 de outubro de 2012 | 21h 16
Maria Fernanda Rodrigues – O Estado de S. Paulo

Em 2010, Oscar Nakasato, então professor de literatura do ensino médio em Apucarana, no Paraná, tirou o romance Nihonjin da gaveta e o inscreveu no 1.º Prêmio Benvirá. Era seu primeiro original. O júri, composto por José Luiz Goldfarb, Nelson de Oliveira e Ana Maria Martins, escolheu a obra por unanimidade e, como prêmio, o professor ganhou R$ 30 mil. O livro, sobre a imigração japonesa, foi editado pela Benvirá, da Saraiva, em 2011. Nesta quinta-feira, 18, Nihonjin foi considerado pelo Prêmio Jabuti como o melhor romance de 2011, desbancando obras como Infâmia, de Ana Maria Machado.

Nakasato desbancou obras como 'Infâmia', de Ana Maria Machado - Reprodução
Reprodução
Nakasato desbancou obras como ‘Infâmia’, de Ana Maria Machado

A nota de um dos três jurados – seu nome só será divulgado na cerimônia em 28 de novembro – foi responsável pela definição do vencedor. Autora de mais de uma centena de livros e presidente da Academia Brasileira de Letras, Ana Maria Machado, por exemplo, recebeu zero em dois critérios: construção de personagem e enredo. Outros concorrentes também tiveram notas baixíssimas, como Julián Fuks, que foi finalista do São Paulo de Literatura e está no páreo pelo Portugal Telecom. E Wilson Bueno, prêmio APCA de romance em 2011 por Mano, a Noite Está Velha, que também concorria ao Jabuti.

“Dar um zero a uma autora já consagrada é pesado e exagerado, mas é um direito do jurado. As regras deste ano abriram margam para que uma nota tivesse peso decisivo e o jurado percebeu a influência da matemática”, disse José Luiz Goldfarb, curador do tradicional prêmio.

Este ano, os membros do júri puderam dar de 0 a 10 às obras concorrentes. Antes, a pontuação ia de 8 a 10 e era possível usar notas decimais, o que tornava a disputa mais equilibrada. Para a próxima edição, Goldfarb já pensa em mudanças – deve eliminar a nota mais baixa e incluir uma quarta pessoa na comissão formada, no caso da categoria romance, por jornalistas e críticos literários. “Agora, não há o que fazer porque o regulamento é claro e seu voto deve ser respeitado.” Segundo o curador, o tal jurado já participou de outras edições do prêmio.

Na conturbada apuração, Naqueles Morros, Depois da Chuva, de Edival Lourenço, ficou em segundo lugar e O Estranho No Corredor, de Chico Lopes, em terceiro. Nakasato e os vencedores das outras 28 categorias ganham a estatueta do Jabuti, R$ 3.500 e chance de concorrer ao prêmio melhor livro do ano, no valor de R$ 30 mil, a ser anunciado na cerimônia. Os segundos e terceiros colocados levam apenas a estatueta.

Esta, porém, não foi a única surpresa da lista, divulgada pela organização. Na categoria conto, Sidney Costa, com seu O Destino das Metáforas, venceu Dalton Trevisan, considerado um dos melhores contistas do País e que concorria com O Anão e A Ninfeta. Na terceira posição ficou Sérgio Sant’Anna, com O Livro de Praga.

Maria Lúcia Dal Farra venceu em poesia com Alumbramentos. Depois vieram Vesúvio, de Zulmira Ribeiro Tavares, e Roça Barroca, de Josely Vianna Baptista.

O Jabuti premia cada uma das etapas da produção de um livro – seja ele de ficção ou técnico. Capa e tradução são algumas das categorias. O Estado e o Direito Depois da crise, de José Eduardo Faria, editorialista do Estado, ficou em 2.º lugar entre os livros de direito.

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