TOMBINI, UM GAÚCHO NO MINISTÉRIO DA FAZENDA? – paulo timm / portugal.pt

 

Poucos sabem, mas Getúlio Vargas foi o último Ministro da Fazenda gaúcho, nos estertores  da República Velha. Eleito deputado federal em 1922, ele acabou ocupando  este Ministério no Governo Washington Luiz . Agora, outro gaúcho, embora  mais de nascimento do que de alma,  filho de pais gaúchos que moraram no Chile na década de 70, parece que vai emplacar de novo: O  economista   Alexandre Antônio Tombini (Porto Alegre, 9 de dezembro de 1963), atual  presidente do Banco Central do Brasil.

Desde que foi sabatinado  pelo Senado, cumprindo exigência para assumir o Banco Central, Tombini mostrou um perfil distinto de seu antecessor, Henrique Meirelles. Ele tem sólida formação profissional e é servidor público de carreira, alinhado com uma visão firme no papel do Banco Central no controle da inflação , mas menos ortodoxa.

Com efeito, em sua gestão, em fina sintonia com a Presidente Dilma, Tombini vem conseguindo baixar os juros SELIC e reduzir o peso da dívida pública com relação ao PIB. Operando de modo inovador, desde o início de 2012, passou a atuar politicamente para reduzir aos poucos a taxa básica de juros SELIC e do Sistema Caixa e Banco do Brasil – trazendo todo o mercado financeiro para novos patamares- e ,também, a controlar a taxa de câmbio, a partir de abril, cuja valorização colocava em apuros a indústria nacional e exportadores.

O remanejamento na Fazenda se impões por duas razões:

Primeira, o Ministro Guido Mantega está há muito tempo à frente da Pasta e isto causa inevitáveis desgastes. Particularmente neste último ano,  Mantega acabou respondendo quase que pessoalmente pelo desafios propostos pelo Governo no sentido de baixar os juros e administrar o câmbio. Em alguns casos chegou a peitar os Bancos, custando-lhe severas críticas. Paradoxalmente, Mantega sai pelas mesmas razões que sobe Tombini, com a vantagem de que este não se expôs.

A outra razão, porém, é mais profunda: O marasmo da economia brasileira que não mostrou nenhum vigor no segundo trimestre deste ano e tudo indica que não será superior a 1% no terceiro.  E este é uma responsabilidade precípua da Fazenda que náo consegue alavancar os Investimentos necessários ao crescimento do PIB. Pior, diante da recorrência do fracasso nas políticas adotadas pela recuperar a economia, o Ministro reitera um ar de exagerada confiança em números melhores que nunca se comprovam. Passa, então, ao mercado e à opinião pública, uma imagem de manipulação de expectativas através de bravatas, além das consideradas como mera servidão do cargo. Seria a hora, portanto, de mudar para criar um novo clima de retomada do PAC e de novos projetos de investimentos, capaz de romper a onde de pessimismo que tomou conta do empresariado. Armínio Fraga, ex-Presidente do Banco Central no Governo FHC, em longa entrevista à Folha nesta semana certifica o pessimismo, mas vai além da crítica de humores ou de gestão. Para ele Investimento não se reanima. O que  há, diz ele, é  uma retração mesmo do empresariado em razão de uma guinada esquerdizante da Política Econômica.

Ressalte-se na entrevista de Armínio Fraga um conjunto crítico de caráter conservador que bem poderia estar na base da plataforma da Oposição no Brasil, mas não é o que se vê no processo eleitoral, tomado de um desvario moralista como há muito se via no Brasil.

A verdade, portanto, é que a economia não vai bem e “onde não tem pão não tem união”. Se  Dilma não acertar o rumo rapidamente, corre sérios riscos de perder a base aliada antes mesmo de 2014. Com Tombini, que  está mais próximo dela e que é um de seus delfins , frequentando com assiduidade as reuniões do Planalto, a Presidente  reforça seu comando e  tenta  impor sua marca com um novo estilo de aproximação com os empresários.

Mas, mesmo com a nova energia de um nome novo na Fazenda, o horizonte para a retomada do crescimento da economia brasileira não é nada promissor. Todas as estimativas para a o desempenho da economia mundial são pessimistas, há o risco da desaceleração mais acentuada ainda do crescimento chinês, já no limite de uma estratégia de esforços múltiplos de investimentos em cadeia e o mercado interno brasileiro não está respondendo aos incentivos com a elasticidade desejada.

 

PAULO TIMM, economista,  é professor aposentado da UNB.

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Uma resposta

  1. Avani Maria Silveira Martins | Resposta

    Gostei e espero que dê tudo certo, o Brasil e os brasileiros merecem,
    Avani

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