Arquivos Diários: 28 novembro, 2012

CÂNCER: “As farmacêuticas bloqueiam medicamentos que curam, porque não são rentáveis”

“As farmacêuticas bloqueiam medicamentos que curam, porque não são rentáveis”

O Premio Nobel da Medicina Richard J. Roberts denuncia a forma como funcionam as grandes farmacêuticas dentro do sistema capitalista, preferindo os benefícios economicos à saúde, e detendo o progresso científico na cura de doenças, porque a cura não é tão rentável quanto a cronicidade.

Richard J. Roberts: “É habitual que as farmacêuticas estejam interessadas em investigação não para curar, mas sim para tornar cronicas as doenças com medicamentos cronificadores”. Foto de Wally Hartshorn

Há poucos dias, foi revelado que as grandes empresas farmacêuticas dos EUA gastam centenas de milhões de dólares por ano em pagamentos a médicos que promovam os seus medicamentos. Para complementar, reproduzimos esta entrevista com o Prémio Nobel Richard J. Roberts, que diz que os medicamentos que curam não são rentáveis e, portanto, não são desenvolvidos por empresas farmacêuticas que, em troca, desenvolvem medicamentos cronificadores que sejam consumidos de forma serializada. Isto, diz Roberts, faz também com que alguns medicamentos que poderiam curar uma doença não sejam investigados. E pergunta-se até que ponto é válido e ético que a indústria da saúde se reja pelos mesmos valores e princípios que o mercado capitalista, que chega a assemelhar-se ao da máfia.

UM NOVO CICLO? – por paulo timm / torres.rs

 

Falta muito para as próximas eleições à Presidência da República. Dilma, afinal, está no meio da viagem. Mas se as eleições fossem hoje, ela seria uma  séria candidata à reeleição. Para um “poste”, como  diziam ela ser, sem luz própria,  chegou muito longe. O IBOPE acaba de divulgar uma prévia de preferência eleitoral,  publicado no Estado de São Paulo no último dia 25, que pouca gente notou. Vejamos:

    PESQUISA IBOPE PARA PRESIDENTE: NOVEMBRO-2012
1. Se a eleição para presidente fosse hoje, em quem votaria (espontânea):

Não sabe/não respondeu 40%,

Dilma 26%, Lula 19%, Serra 4%,

Branco/Nulo 4%,

Aécio 3%, Marina 2%, outros 2%.

2. Pesquisa Ibope (estimulada): Dilma 58%, Marina 11%, não sabe/não respondeu 11%, Aécio 9%, branco/nulo 8%, Eduardo Campos 3%.

Na verdade, esta pesquisa lança mais lenha no fogo das “veleidades” dentro do PT. Diz-se que algumas lideranças superiores do Partido não estão muito satisfeitas com as evasivas da Presidenta diante do “Mensalão”, agravadas com a vacilação dela em se envolver mais a fundo na campanha de Haddad para a Prefeitura de São Paulo. As tensões não teriam alcançado, ainda, as relações de Dilma com Lula, aparentemente inabaláveis. Mas o futuro, diz o povo, a Deus pertence.

O que é real, mesmo, é que a História, como a vida, vem em ondas, como o mar. E a grande onda que se seguiu à redemocratização, cujo epicentro pode ser localizado no remoto ano de 1978, está chegando ao fim. Naquele ano, enquanto o regime militar dava sinais de recuo, num lento, seguro e gradual processo de distensão controlada, emergiam três grandes atores da renovação: Fernando Henrique Cardoso, Leonel Brizola e Lula, cada qual com seu cacife, defeitos e virtudes.

FHC era o mais visível: um intelectual de esquerda prestigiado pelas elites, com um grande capital na inteligência e mortal  pecado na vaidade.

Brizola em andanças pela Europa, reapresentava-se como herdeiro do trabalhismo tolhido pelo Golpe de 64, com grande experiência e potencial eleitoral, embora marcado pelo estilo excessivamente autoritário para a conjuntura pós-moderna que então se abria.

Lula era um enigma  que resplandecia  na crista do novo sindicalismo do ABC, com forte apoio da Igreja e insondável magnetismo, que era, ao mesmo tempo, sua virtude e vício.

Ao final de 1979, promulgada a Anistia, todos já estavam em campo,  com seus Projetos alinhavados: FHC, que alimentara a ilusão de liderar um novo Partido Socialista refluira  para o MDB, ao preço de uma espécie de suplência (sublegenda) de Franco Montoro para o Senado, nas eleições de 1978, registrando o recuo da esquerda para os liberais no clássico “O caminho das Oposições”.  Daí assumirá, em 82, o Senado, dando o salto, “à esquerda” (!), para o PSDB, levando junto combativos e insuspeitos quadros como João Gilberto , Euclides Scalco e Sigmaringa Seixas, todos deputados federais. Brizola havia lançado o PTB em junho de 1979 na famosa Carta de  Lisboa, da qual, aliás, sou dos últimos signatários. A seu pedido, a propósito, passei as Festas de Natal e Reveillon de 1980 às portas do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, com toda a papelada do registro do PTB para garantir a primazia no Protocolo, tal como, aliás, registrou em primeira página a foto do JB do dia 03 de janeiro de 1980. Não adiantou, perdeu a sigla para Ivete, chorou a rasgar as letras históricas e lançou-se à dura fundação do PDT. Lembro tais fatos apenas como depoimento, visto não ter encontrado nas últimas biografias do Velho Caudilho apropriadas informações.

Lula preferiu o difícil caminho do Partido próprio, também, e andou pelo país inteiro à cata de movimentos sociais e lideranças populares emergentes para a fundação do PT.

Dos três, Brizola foi o grande perdedor, não em causas, mas em resultados. Veio a falecer em 2004 sem chegar à Presidência, já percebendo que seu Partido de desfibrava como mais uma legenda de aluguel. Lula, com o PT ocupou o espaço da esquerda, consagrando-se o condutor de uma era de mudanças modestas mas importantes, depois de 2003, ainda em curso, embora por mãos “alheias”. FHC, que fora perdendo espaço à esquerda ao longo da década de 80 para Lula e Brizola, travestiu-se em reformador do conservadorismo, desgastado pela ditadura, que lhe deu suporte e apoio eleitoral para dois mandatos na década de 90, vindo, entretanto,  a ser, até hoje, o  centro de referência da dita “direita”no país.

Evito referir-me a outros nomes, expressivos de tendências ideológicas àquela época, seja de Ulysses Guimarães, à testa dos liberais, ou Roberto Freire, herdeiro do glorioso Partidão, por uma única razão: ambos estavam mergulhados na tese da UNIDADE DAS OPOSIÇÕES, que os retiraria do proscênio como renovadores.

Enfim, o grande ciclo da Política Brasileira iniciado em 1978, que teve momentos marcantes nas eleições de 1982, na Constituinte, nas Diretas de 1989, na eleição de FHC em 1994 e 1998 e de Lula em 2002 e 2008, com repique em Dilma em 2010, está se esgotando. Dilma, aliás, é o último elo de ligação entre o tempo que se esvai  e outro que se anuncia. Brizola foi-se, sem deixar herdeiros. Poucos acreditam num agiornamento de FHC ou Lula, ambos, também, sem herdeiros “legítimos”. Ambos, acabarão, ainda, chamuscados pelos desdobramentos inevitáveis do “Mensalão”. As últimas eleições , com a diversidade de expoentes ao longo do país, parece indicar este novo tempo. Quem viver verá…